Dai-me paciência!

De uns tempos pra cá, comecei e a ficar meio encucada com meu limiar de paciência. A criançada andava me tirando do sério, principalmente quando me obrigava a repetir a mesma coisa um milhão de vezes. Na primeira, eu até pedia bonitinho. Na segunda, o tom não era tão amistoso; na terceira, pronto, ficava braba. Uma amiga, rindo, disse que ela já tinha passado do tempo de esperar a terceira vez. Economizava as energias e já chegava berrando na primeira rs!

Um dia, eu estava numa loja de departamentos, e um livro saltou aos meus olhos como se a capa estivesse escrita em neon: “O poder da paciência”. Pensei: “Puxa, preciso realmente disso!” Pela módica quantia de R$ 9,90, em nenhum momento perdi de vista o possível caráter de auto-ajuda “Tabajara” da obra (“Seus problemas acabaram!”) Mas, pela mesma módica quantia de R$9,90, valeria a pena: no mínimo seria um apanhado dessas dicas que a gente sabe mas nunca é demais lembrar.

Livro O poder da paciência

Para minha surpresa, encontrei um livro de linguagem agradabilíssima, bem fundamentado, recheado de citações pertinentes e exemplos de situações reais, em capítulos enxutos e bem alinhavados. Não tem aquele papo de transmissão de sapiência. A própria autora se assume como uma “aprendiz”. O mais interessante, contudo, são as dicas práticas, simples como têm de ser e – imprescindível – que funcionam.

Abaixo, transcrevo alguns trechos só para abrir o apetite deste livro que merece estar na Biblioteca da Mãe Desencucada.

Sobre pontos de vista:

“Existe algo mais encantador do que as crianças? Elas dizem coisas tão afetuosas, cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

“Existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva em seu tapete branco novinho em folha, fazem as mesmas perguntas repetidamente e transformam ações corriqueiras, como escovar os dentes, em incessantes lutas pelo poder. Estar perto delas pode ser um tormento.” (RYAN, M.J. “O poder da paciência”. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p52)

Crianças são tudo isso ao mesmo tempo: adoráveis e punks. Como a vida. E muito do que essa relação pode revelar está em nosso modo de ver as coisas.

Sobre controle (esse capítulo é simplesmente sensacional):

“Tim Gallwey apresenta uma lista do que podemos ou não controlar em relação às outras pessoas. Você não pode controlar a atitude ou a receptividade da pessoa; o quanto ela ouve; suas motivações e prioridades; sua disponibilidade; o fato de ela gostar ou não de você; a capacidade de compreender o seu ponto de vista e aceitá-lo; a maneira como ela interpreta o que você diz.

“Você pode controlar as suas atitudes em relação a uma outra pessoa; sua própria atitude em relação ao aprendizado, sua maneira de ouvir; sua aceitação do ponto de vista de outra pessoa; seu respeito em relação ao tempo dela; sua expressão de entusiasmo pela ideia dela; a quantidade de tempo que você gasta ouvindo e falando; sua auto-imagem.” (vide acima, p96)

A autora também nos convida a descobrir o que nos tira a paciência. Descobri, por exemplo, que repetir a mesma coisa faz com que eu me sinta “invisível”, desimportante. Sob outro prisma, vale questionar a eficácia dessa insistência e ver se não é hora de mudar de estratégia…

Para coroar, um parágrafo que tem tudo a ver com o tema do blog (grifo meu):

“A impaciência é, na verdade, um sintoma de PERFECCIONISMO. Se esperarmos que nós e os outros sejamos perfeitos, que o metrô, os elevadores e os sistemas de mensagens eletrônicas sempre funcionem bem, perderemos a paciência todas as vezes que alguma imperfeição surgir: a bagagem extraviada, um esquema de horários arruinado, garçons mal-educados, familiares intrometidos, crianças malcriadas. Por outro lado, quanto mais admitirmos que a vida é desorganizada e imprevisível, e que as pessoas se viram da melhor maneira possível, mais paciência teremos em relação às circunstâncias e às pessoas que nos cercam.” (vide acima, pp-181-182).

Tão eu!

E você? Como está seu limiar de paciência?

Bebê rezando

E não é que agora até está dando sinal de vida?

_______________________________

Veja também:

Biblioteca da Mãe Desencucada

Irritada?? EEEEEEU???!!!?

A linguagem secreta da birra: o que é preciso saber

Frases de Mãe

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Anúncios

2 pensamentos sobre “Dai-me paciência!

  1. Hahahahahahahaha..o meu sempre foi curtíssimo!!! Mas tenho me policiado bastante porque tem muito a ver com ser exigente demais mesmo!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s