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Maioridade penal: a pergunta que ninguém fez

Quero tranquilizar quem está lendo. Não vou defender nenhuma posição. Não quero convencer você a nada – até porque, no “Fla-Flu” que se tornou a discussão sobre maioridade penal, ninguém convence ninguém. Aqui, quero fazer a pergunta que ainda não vi ninguém fazer.

Não vou falar, por exemplo, sobre a idade a partir da qual uma pessoa tem discernimento acerca do certo ou do errado. Se o novo mundo globalizado, os meios de comunicação e a internet fazem com que as crianças amadureçam mais cedo. Se o fato de reduzir para 16, 12, 10 ou 6 anos faz diferença. Se há países com idades variadas para responsabilizar ou punir. Se há locais em que a redução foi feita e a criminalidade aumentou, ou o contrário.

Não serão assuntos deste post questões como: “a criança que comete um crime deixa de ser criança e passa a ser um bandido?”, “bandido bom é bandido preso?” Nem “escola é para criança que quer estudar, cadeia é para quem cometer crime contra a vida”, “direitos humanos para humanos direitos”, “culpar a sociedade é fácil”, “cada um deve ser responsável pelos seus atos”. Não lidarei com esses aspectos.

Nem vou comentar se a propensão para cometer um crime está ligada ou não à desigualdade de renda e de recursos materiais. Se a chance de um adolescente ser preso é maior ou menor dependendo da sua classe social ou da cor de sua pele. Se o capitalismo de mercado e a publicidade são responsáveis ou não por incentivar o consumo para quem não pode consumir, e se hoje em dia a pessoa é medida pelo que tem e não pelo que é. Se a mídia está fazendo sensacionalismo ou não quando há adolescentes envolvidos em crimes bárbaros.

Não vou entrar no debate sobre a presença do Estado. Se o Estado só vai aparecer na hora de punir, em vez de garantir, desde o nascimento de uma pessoa, os direitos básicos de educação, saúde, segurança.

Da mesma forma, não pretendo avaliar se, desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA chegou alguma vez a ser cumprido de fato ou não. Se é necessário fazer mais leis, ou se essa é mais uma lei que não vai resolver o problema. Se o que está sendo tratado é a causa ou a consequência.

O número de adolescentes entre 16 e 18 anos, que comete crimes, corresponde a somente 0,01% da população do Brasil? Qual é a fonte desse dado? Mesmo que esse número esteja certo: uma única vida que seja salva não é motivo de reduzir a maioridade penal? Nenhuma dessas dúvidas será objeto do meu texto.

Não vou discorrer sobre o adulto que alicia criança para cometer crimes em seu lugar, “porque sabe que não vai dar em nada”, ou “porque fica três anos e depois é solto”. Nem sobre a sensação de impunidade, as diferenças entre vingança e justiça, a necessidade de o Congresso Nacional “dar uma resposta rápida à sociedade”. Nem mesmo se as pesquisas que apontam 87% da população brasileira como a favor da redução da maioridade penal são confiáveis ou não.

Outra coisa que não vou discutir é o sistema penitenciário brasileiro; se o fato de termos a 4ª população carcerária do mundo tem algum impacto sobre a criminalidade, se apenas uma pequena porcentagem dos homicídios tem resolução. Ou se os detentos continuam comandando o crime de dentro da prisão, sem se preocupar com a retaliação das gangues rivais que estão do lado de fora.

Nem mesmo se os centros de medidas socioeducativas (como Febem, Fundação Casa e outros nomes), assemelham-se a cadeias, ou são até piores. Nem se a internação recupera alguém ou não, se há reincidências. Tampouco se a redução da maioridade penal é válida, desde que os sistemas entre adolescentes e adultos sejam separados. Nem se será exclusivo para crimes hediondos, sem considerar roubo de galinha.

Também não vou perguntar: “e se a vítima fosse um parente seu?” nem “e se o acusado fosse um parente seu?” Muito menos indagar “vai esperar matar para depois prender?” nem “prender o adolescente vai ressuscitar a pessoa que morreu?”

Finalmente, a pergunta que ninguém fez é:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ESTÃO MATANDO?

Vou ensaiar uma hipótese: crianças e adolescentes estão matando porque perderam o medo de morrer. E aí temos uma nova questão:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PERDERAM O MEDO DE MORRER?

Que sociedade é essa? A que grau de violência – psicológica, física, sexual, simbólica – nossa infância ficou exposta?

Um último arremate:

QUEM NÃO TEM MEDO DE MORRER VAI TER MEDO DE SER PRESO?

 

O aprendizado do amanhã

Sites Visitados:

Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês – Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Quero ser criança quando eu crescer

Caminhos

Dai-me paciência!

De uns tempos pra cá, comecei e a ficar meio encucada com meu limiar de paciência. A criançada andava me tirando do sério, principalmente quando me obrigava a repetir a mesma coisa um milhão de vezes. Na primeira, eu até pedia bonitinho. Na segunda, o tom não era tão amistoso; na terceira, pronto, ficava braba. Uma amiga, rindo, disse que ela já tinha passado do tempo de esperar a terceira vez. Economizava as energias e já chegava berrando na primeira rs!

Um dia, eu estava numa loja de departamentos, e um livro saltou aos meus olhos como se a capa estivesse escrita em neon: “O poder da paciência”. Pensei: “Puxa, preciso realmente disso!” Pela módica quantia de R$ 9,90, em nenhum momento perdi de vista o possível caráter de auto-ajuda “Tabajara” da obra (“Seus problemas acabaram!”) Mas, pela mesma módica quantia de R$9,90, valeria a pena: no mínimo seria um apanhado dessas dicas que a gente sabe mas nunca é demais lembrar.

Livro O poder da paciência

Para minha surpresa, encontrei um livro de linguagem agradabilíssima, bem fundamentado, recheado de citações pertinentes e exemplos de situações reais, em capítulos enxutos e bem alinhavados. Não tem aquele papo de transmissão de sapiência. A própria autora se assume como uma “aprendiz”. O mais interessante, contudo, são as dicas práticas, simples como têm de ser e – imprescindível – que funcionam.

Abaixo, transcrevo alguns trechos só para abrir o apetite deste livro que merece estar na Biblioteca da Mãe Desencucada.

Sobre pontos de vista:

“Existe algo mais encantador do que as crianças? Elas dizem coisas tão afetuosas, cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

“Existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva em seu tapete branco novinho em folha, fazem as mesmas perguntas repetidamente e transformam ações corriqueiras, como escovar os dentes, em incessantes lutas pelo poder. Estar perto delas pode ser um tormento.” (RYAN, M.J. “O poder da paciência”. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p52)

Crianças são tudo isso ao mesmo tempo: adoráveis e punks. Como a vida. E muito do que essa relação pode revelar está em nosso modo de ver as coisas.

Sobre controle (esse capítulo é simplesmente sensacional):

“Tim Gallwey apresenta uma lista do que podemos ou não controlar em relação às outras pessoas. Você não pode controlar a atitude ou a receptividade da pessoa; o quanto ela ouve; suas motivações e prioridades; sua disponibilidade; o fato de ela gostar ou não de você; a capacidade de compreender o seu ponto de vista e aceitá-lo; a maneira como ela interpreta o que você diz.

“Você pode controlar as suas atitudes em relação a uma outra pessoa; sua própria atitude em relação ao aprendizado, sua maneira de ouvir; sua aceitação do ponto de vista de outra pessoa; seu respeito em relação ao tempo dela; sua expressão de entusiasmo pela ideia dela; a quantidade de tempo que você gasta ouvindo e falando; sua auto-imagem.” (vide acima, p96)

A autora também nos convida a descobrir o que nos tira a paciência. Descobri, por exemplo, que repetir a mesma coisa faz com que eu me sinta “invisível”, desimportante. Sob outro prisma, vale questionar a eficácia dessa insistência e ver se não é hora de mudar de estratégia…

Para coroar, um parágrafo que tem tudo a ver com o tema do blog (grifo meu):

“A impaciência é, na verdade, um sintoma de PERFECCIONISMO. Se esperarmos que nós e os outros sejamos perfeitos, que o metrô, os elevadores e os sistemas de mensagens eletrônicas sempre funcionem bem, perderemos a paciência todas as vezes que alguma imperfeição surgir: a bagagem extraviada, um esquema de horários arruinado, garçons mal-educados, familiares intrometidos, crianças malcriadas. Por outro lado, quanto mais admitirmos que a vida é desorganizada e imprevisível, e que as pessoas se viram da melhor maneira possível, mais paciência teremos em relação às circunstâncias e às pessoas que nos cercam.” (vide acima, pp-181-182).

Tão eu!

E você? Como está seu limiar de paciência?

Bebê rezando

E não é que agora até está dando sinal de vida?

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Irritada?? EEEEEEU???!!!?

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Mãe Horta, Mãe Jardim

Observo em mim duas funções maternas: a Mãe Horta e a Mãe Jardim. Essas analogias vieram da seguinte história:

Uma menina fica órfã de pai e mãe e vai morar com o primo em uma mansão. Ele é doente e também não tem mãe. As duas crianças iniciam uma amizade. Um dia, descobrem um jardim secreto (e abandonado) na mansão. Com a ajuda de uma aia, os primos voltam a cultivá-lo e desabrocham como as flores, em plena saúde e alegria de viver.

Esse é o enredo de “O Jardim Secreto”, sucesso de literatura escrito em 1911 por Frances Burnett. Diana e Mario Corso fazem uma linda análise deste livro. Na falta da presença materna física, os autores localizam duas pessoas que fazem as vezes de mãe na história: a rígida governanta, que cuidava do bem-estar básico; e a aia, que supria de fantasia os dias do menino doente e da prima.

Os Corsos ainda fornecem a metáfora-chave para a compreensão do clássico: o jardim evoca o símbolo materno, cuja função não pertence à ordem das necessidades básicas, mas à da beleza. Flores são cultivadas não como alimento, mas pelo deleite (“A Psicanálise na Terra do Nunca”, p 219). Aí reside o desabrochar da vida.

Eu sou Mãe Horta quando me preocupo com as necessidades básicas, com cada detalhe. Unha cortada, dente escovado, dever de casa feito. A Mãe Horta é racional. É o meu lado que pede para levar o casaco. Que programa cada segundo da viagem de férias, faz as malas. E também matricula na natação, leva ao médico e ao posto de vacinação. Participa das reuniões na escola. Elabora o cardápio diário. Impõe limites. Devora milhões de livros e lê os sites sobre maternidade.

Sou Mãe Jardim quando brinco, dou risada, fico espontânea. Conto história, canto, danço. Quando deixo a lógica de lado e abraço, mesmo quando meus filhos mereciam uma bronca.

O problema é que a Mãe Horta não deixa muito espaço para a Mãe Jardim. São tantas tarefas, num cotidiano cronometrado, mediante tanta pressão, que quando tudo é cumprido muitas vezes só resta o cansaço. Sobram ali as florezinhas murchas e mixurucas.

É como se meu lado Mãe Jardim, o arquétipo materno em sua essência e totalidade, estivesse sufocado. Sendo ele o componente fundamental para a constituição de uma criança, como afirmam os Corsos, essa constatação me fez parar diversos momentos para refletir.

A dificuldade existe porque a Mãe Horta também é fundamental. Tudo bem que essa função pode ser dividida com outras pessoas, mas nem sempre. Além disso, há um perigo: a Mãe Horta exagerada se enrijece, é repressora e tende a projetar nas outras mães tudo o que ela não concorda.

Então estou em busca de um outro símbolo: quero ser Mãe Pomar. No pomar, às flores sucede o alimento. Ser Mãe Pomar é tentar colocar afeto e criatividade nas tarefas, mesmo as mais comezinhas, fazendo com que elas percam o caráter de obrigação. Uma conversa legal durante o almoço, uma brincadeira na hora do banho, uma piada para cortar a unha. O simples ato de estar junto é uma oportunidade de conhecer melhor as crianças.

Confesso que estou mais para uma plantação de morango. Nutritiva, mas azedinha… 😉

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Frases de mãe… na boca dos filhos

Um dia, meu filho de dois anos, de uniforme e mochilinha, aproximou-se da irmã de sete meses e disse, com o maior carinho:

– Maninha, agora eu vou para a escola, mas tá tudo bem, porque de noite eu volto, tá?

Ooooownn, do jeitinho que a gente dizia para ele quando precisava sair…

Nesse embalo, vamos experimentar mais “frases de mãe” na boca dos filhos:

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

 

mafalda discorda da mãe

Criação: Quino

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São só os meus?…

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O que aprendi sobre… semana de prova

criança fazendo o dever de casa

Foto: hvaldez Stock Xchng

Então aqueles bebezinhos que mamavam e dormiam de repente começam a andar, a trazer dever de casa e a ter semana de prova. Então você tenta se lembrar de como era quando você estava na escola, tenta reproduzir o que na época dava certo (e evitar o que dava errado) nesse novo empreendimento. Então descobre que algumas coisas funcionam – e outras, não.

Semana de prova começa com dever de casa. Este post também poderia se chamar “O que aprendi sobre… dever de casa”. E é por aí que vamos começar.

O que aprendi com meus pais

Somos cinco irmãos. Todos nós fazíamos o dever de casa e estudávamos sozinhos. E isso se devia a algumas “técnicas” aplicadas pelos meus pais.

Não havia “ajuda”. Quando eu tinha dúvidas, meus pais diziam: “Ah, eu estudei isso há muito tempo, não lembro mais”. Tinha hora que ficávamos estupefatos. Minha mãe tinha sido professora primária por anos, dessas que ganhavam medalha. Meu pai era diretor de um banco. Uma duvidinha besta, uma conta de divisão, eles não conseguiam lembrar? Uma vez, a gente até se confidenciou: “Não é por nada, não, mas nossos pais são bem burrinhos, né?” De “burrinhos” não tinham nada. Qual o efeito disso? Eu sabia que não teria suporte em casa, então me esforçava para prestar MUITA atenção na aula e tirar as dúvidas com o professor. Lição número 1 de autonomia.

Não havia “correção”. Se o dever fosse corrigido em casa, como o professor iria saber se a criança estava tendo dificuldades, e quais eram? Como ele iria direcionar a matéria, dedicar melhor a alguns pontos? Para ele, com o dever sempre certo, seria sinal de um aluno prodígio.

mafalda e manolito na escola

Criação: Quino

O professor é a autoridade. Se os pais não confiam nele, devem alertar a escola. Se não confiam na escola, o melhor é… mudar de escola. O que não dá é criar um cabo de guerra entre os pais e quem está ensinando. No mínimo, isso cria um nó na cabeça da criança.

Botar para “pensar” no cantinho? Tá por fora. O negócio é aprender no cantinho. Quando tinha que deixar a gente “de castigo”, meu pai dava uma tarefa pra cumprir. Tipo copiar verbete de enciclopédia (à mão, óbvio, não existia Google – aliás, não existia PC), ou escrever de 1 a 100 em algarismos romanos. Cantinho educativo.

Tira do Calvin
O que aprendi hoje

A técnica número 1, a de sonegar ajuda, não é totalmente aplicável, hoje. No meu tempo, não tinha exercício cujo enunciado era: “com a ajuda da família”, “com a ajuda de um adulto”, acompanhado de missões que a criança nunca faria sozinha. Por exemplo: “Com a ajuda da família, faça uma maquete.” Um elasmossauro de sucata, um monumento de Brasília. Ou, como já postei, um aquário, um coelho, uma mula.

pai observando o filho fazer o dever de casa

Foto: Halton Parents

Eu procuro discernir. Aqueles deveres de procurar imagens ou palavras em revistas para formar frases, ou ainda “rótulos de embalagem com a letra do seu nome” são cruéis. Se a gente não ajudar, a criança fica até meia-noite procurando. Eu localizo uma página que tenha a figura ou a palavra e pergunto: onde está? Daí por diante, eles acham, recortam, colam e fazem as frases. E o objetivo do exercício é alcançado.

Pesquisa na internet: como uma criança de 4 anos vai fazer isso? Dependendo do tema, é impossível. Uma vez, veio: “pesquisar como eram os currículos escolares na década de 1910”. Sério. Experimente você, que é rato de Google, achar isso. Depois de horas, eu achei em um arquivo de “memória oral” de idosos que estudaram em uma escola no interior de São Paulo.

Importante: em hipótese nenhuma, a gente deve fazer o dever pela criança. A gente orienta, inicia o estímulo, mas o dever é dela.

A técnica número 2, a de não corrigir, é a mais árdua. Para mim, que trabalhei anos e anos com revisão de texto, encontrar uma redação cheia de erros de ortografia dói no coração. Quando eu não aguento, circulo a palavra errada e pergunto: onde está o erro? O drama reside em três pontos:

  1. Diferentemente do professor, eu não tive aula de didática, não tenho formação pedagógica, não domino a técnica de ensinar da melhor forma, não sou profissional de ensino. Menos ainda quando entram as teorias de que “a criança tem que construir o próprio conhecimento.”
  2. Ensinar é se lembrar de como era antes de aprendermos, já disse Richard Saul Wurman (no livro “Ansiedade de Informação” – SENSACIONAL). Não é fácil. O pior é quando nós aprendemos de um jeito fácil e simplesmente não sabemos onde está a dificuldade. Fui alfabetizada do jeito tradicional, e não por “escrita espontânea”, e até hoje não vi muita lógica nisso de aprender a escrever antes de aprender a ler. Mas eu tenho que confiar no professor…
  3. Sou mãe. Tem coisa que meus filhos vão fazer comigo (por exemplo testar minha paciência, ou fazer chantagem emocional) que não fazem com os professores. É um relacionamento diferente.

E aí eu me deparo com “pérolas” como estas (diálogos reais):

– P com A é…

– …

– Se P com E é pe, P com I é pi, P com O é po, P com U é pu, P com A é…

– TE!!!!

***

– O que é um pinguim?

– Um mamífero!!!

***

– Por que surgiram os conflitos entre os colonizadores e os nativos?

– Porque os índios já tinham muitos espelhos.

***
keep calm and do your homework
Acho o ó:

Pirações, como recortar milhares de notinhas e moedinhas de papel.

Pedir coisas esdrúxulas de um dia para outro, que você precisa achar um tempo na agenda e ir a uma loja específica para comprar, como sementes de árvores típicas.

Pedir garrafa pet de refrigerante pra fazer reciclagem. Aqui em casa a gente não toma refrigerante, oras bolas.

Enviar trocentas tarefas em feriadão ou nas férias. Momento de família, puxa, muitas vezes a gente escapole da cidade e viaja. Meus filhos já tiveram que fazer dever no hotel.

Às dicas dos meus pais, acrescento estas:

Ensinar é a melhor forma de aprender. De vez em quando, peço aos meus filhos mais velhos que ajudem o caçula. Antes que digam que sou exploradora de inocentes, saliento que eles adoram. Se sentem sábios, se sentem prestigiados. Por incrível que pareça, são pacientes. E reproduzem o que ensinamos para eles: “olha, presta atenção aqui…” (muito fófis!!)

Prestar atenção na aula é 60% do sucesso na prova. Somam-se 30% de exercício em casa e 10% de estado de espírito na hora de resolver as questões.

Ensinar a estudar – esse é o melhor investimento que podemos fazer. Para isso, as crianças precisam de espaço e tempo adequado. Mais dicas:

  • Comece “tomando prova” – fazendo perguntas para a criança, para ver se houve fixação do conteúdo lido. Crie historinhas, correlacione os assuntos: fica divertido e o que é aprendido não é esquecido nunca mais.
  • Na segunda vez, peça para que a criança faça as perguntas.
  • Da terceira vez, ela já estará estudando sozinha – e até fazendo “testes” para si mesma. Em matemática, exercício é primordial. Hoje, meus filhos criam as próprias contas, resolvem e testam o resultado fazendo operação inversa.

Ensinar a fazer prova – tem que ter malícia. Dicas:

  • Ler a prova inteira antes de começar. Muitas vezes, a própria prova já fornece algumas respostas.
  • Depois da leitura da prova, o passo seguinte é a redação e a parte subjetiva (se houver). A cabeça está mais fresca.
  • Ler cada comando no mínimo duas vezes.
  • Começar sempre pelas questões mais fáceis.
  • Revisar tudo ao final.

O que realmente importa

No meu tempo, existiam países como Iugoslávia e URSS, que hoje não existem mais. Havia um conflito chamado Guerra Fria. O Tocantins ainda não havia sido criado. As grandes revoluções da comunicação, como a internet, nem sequer eram cogitadas.

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas”.

(frase recolhida de um muro de Quito-Equador por Eduardo Galeano)

Respostas têm prazo de validade. Na atual velocidade da informação, já surgem obsoletas.

O que realmente importa não é saber as respostas. É saber fazer as perguntas. Essa é a grande lição que devemos deixar para nossas crianças.

mafalda perguntando o que é filosofia

Criação: Quino

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Sobre ballet e bullying

Ballet Lago dos Cisnes

Cisne negro

Há alguns anos, minha cunhada, bailarina de alto naipe, me perguntou se eu matricularia minha filha no Ballet. Respondi que só se fosse a razão da vida dela, que fosse algo que ela quisesse mais do que tudo no mundo, porque minha experiência não tinha sido legal. Que, ao contrário da minha cunhada, eu não tinha muito talento pro negócio, e enfrentei situações muito humilhantes.

Entrei no Ballet aos 8 anos. A primeira professora era fofa. Nos quatro anos seguintes, entretanto, passei a ter aula com outra professora, mais rígida, que estava obcecada para formar um corpo de baile.

Eu nunca tive pretensão de ser solista. Conforme disse, nunca fui habilidosa. Era esforçada, obediente e tímida. E vibrava com os festivais de fim de ano.

Certa vez, fizemos “A Bela Adormecida”. Minha turma era de “aldeãs”. Foi quando eu comecei a sentir a pressão. Ensaiava de domingo a domingo, mas não foi suficiente. Faltando poucos dias para o espetáculo, a professora me tirou de duas coreografias. Durante elas, eu faria figuração, sentada imóvel em um banco no fundo do palco. Na única coreografia de que participei, eu, que tinha mais de 5 graus de miopia, fui obrigada a dançar sem óculos, porque “aldeãs não usavam óculos”.

No ano seguinte, fui cortada de outra coreografia. A alegação foi que eu era muito “baixinha”. Uma colega, que tinha estatura menor que a minha (mas era um esplendor dançando), levantou-se e perguntou: “Se fosse assim, eu também não estaria.” A professora limitou-se a ficar vermelha e não dizer nada. Mas eu entendi tudo.

No último dos quatro anos, minha turma finalmente foi promovida a “corpo de baile”. Menos eu, que teria que voltar para o nível anterior.

Apesar de ser magra como um palito, eu sempre tive o tronco largo, além de uma “pochetinha”. Então, ouvia sempre: “Encolhe essa barriga! Bailarina não tem barriga! Uma linguiça seca como você não pode ter barriga!”

Eu tinha 13 anos. Escrevi uma carta para a professora e saí do Ballet. Hoje, essa abordagem seria considerada bullying. Interessante que a rivalidade não existia entre as colegas (vide minha “defensora”, acima). O bullying que eu havia sofrido partiu de um adulto, do professor, da autoridade.

Minha mãe fica doidinha com essas histórias. “Por que vocês não contaram pra gente?” A resposta é unânime: “A gente não queria incomodar vocês com essas coisas de criança.”

Hoje eu e meus irmãos nos reunimos e lembramos morrendo de rir. Dizemos que é uma espécie de catarse coletiva, e rimos (e nos emocionamos) porque afinal não era privilégio individual de nenhum de nós: todos passamos por isso. Já meu marido não tem a mínima paciência para o que considera uma “autocomiseração”. Ele não concorda, diz que desde pequeno sempre procurou se dedicar ao que sabia fazer, e não o oposto.

Aconteceu com meu filho mais velho. Ele AMA futebol. Resolveu entrar na escolinha. Pensei que podia ser uma maneira de ele aprender a jogar melhor. O professor sempre foi muito respeitoso, mas no terceiro campeonato, meu filho me disse: “Quero sair. Passo a maior parte do tempo no banco. Não acho errado, porque não quero prejudicar a equipe. Então vou procurar algo em que eu seja bom.” Oito anos de idade.

Hoje ele faz Karatê. A academia foi pesquisadíssima, com o medo de ele ir parar na Academia Cobra Kai (de “Karatê Kid A hora da verdade”, lembra?). Todo cuidado é pouco. Pois encontramos o que considero o Sr. Miyagi brasileiro. Vou me permitir ser a coruja das corujas: em menos de um ano, ele já tinha sido aprovado em quatro exames de faixa (branca, azul, amarela e vermelha). Está na laranja. Parece que nasceu pra isso. Fico fofa de orgulho.

Professor da academia Cobra Kai encarando Sr. Miyagi

Karatê Kid – A hora da verdade

Voltando ao Ballet. Eis que, com 4 anos, minha filha entra na aula. Fazia parte da recreação, não era uma academia de Ballet. Pensei que, com isso, o clima seria mais leve. Não quis contaminar a situação com meus preconceitos. Comprei o uniforme e as sapatilhas na maior alegria. Meses depois, ela me pede para sair: “É chato.”

Alunas de ballet na barra e uma delas pendurada de cabeça para baixo

A professora me contou que ela “não tinha a disciplina necessária para o Ballet”. Que, durante a aula, havia uma espécie de “circuito” com objetos de isopor para marcar as estações, e que bastou virar as costas para minha filha misturar todos eles. Na surdina. Com a cara mais angelical do mundo.

Pensei:

Gente!!! Minha filha não tem NADA a ver comigo!!!

QUE MARAVILHA!!!

Quatro anos de idade.

Moral da história 1:

Existem academias e academias. Como pais, devemos ficar atentos. Nem sempre as crianças falam o que acontece nas aulas.

Moral 2: Numa dessas “sessões de autocomiseração” em família, minha cunhada se sentiu à vontade para contar os absurdos que ouvira da professora de Ballet. E olha que ela era solista. Hoje, ela está na turma para adultos e experimenta pela primeira vez “Ballet com amor” (quando criança, ela teve “Ballet com dor”).

Moral 3: Evitemos projetar nos nossos filhos nossas frustrações. Ou nossos sonhos.

Moral 4: Jamais percamos de vista que eles são crianças. Hoje minha filha faz Karatê, também. Se diverte pra caramba com o Miyagi brasileiro.

Menina de quimono lutando karatê

Quem foi mesmo que disse que ela não tinha disciplina?

menino e menina em pose de karatê __________________

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Meu filho vai usar óculos

O anjo na areia

Caminhos

This post in English: On Ballet and bullying

Ouvindo os filhos

gato com a pata na orelha

Meu irmão me deu de presente de Natal o livro “Melhores pais, melhores filhos”, de Angela Cota e J. Augusto Mendonça, psicólogos clínicos com mais de 30 anos de experiência no atendimento a famílias.

Gostei muito do livro. Ele não traz fórmulas prontas (até porque elas não existem), mas apresentam um “caminho especial e possível: o do coração”.

Em um dos capítulos, os autores falam sobre a importância de ouvir nossos filhos. Isso traz um resultado enorme na correção de comportamentos, desde que a criança perceba que realmente foi ouvida. Experimente repetir e confirmar o que ela disse, para compreender o que ela sente, antes de dizer o que pode ser feito.

Os autores relatam esse diálogo tocante:

Um exemplo de confirmação aconteceu quando meu filho tinha cinco anos. Nesse dia, quando eu disse que já estava tarde e que era hora de ir para a cama dormir, ele me disse:

– Não quero dormir. Não vou dormir.

Então eu confirmei:

– Eu escutei que você não quer dormir, que não vai dormir.

– Eu nunca mais vou dormir. Eu não quero dormir nunca mais.

– Você disse que nunca mais vai dormir, que não quer dormir nunca mais.

– Eu não quero dormir porque se a gente dorme a gente morre.

– Eu escutei você dizer que não quer dormir porque se a gente dorme a gente morre.

– O João não foi à escola hoje e a Tia Márcia disse que foi porque o irmãozinho bebê dele dormiu e de manhã estava morto.

– Eu escutei que você disse que não quer dormir porque se a gente dorme a gente morre, mas isso que aconteceu com o irmãozinho do João se chama “morte súbita no berço” e acontece muito raramente, com criança de até seis meses de idade. O bebê não sabe se mexer, se levantar, tem problema para respirar e então morre. Você já está maior, já tem cinco anos, sabe se mexer bem, virar de lado, levantar. Isso não vai acontecer com você. Você pode dormir assim como a mamãe, o papai e seus dois irmãos, sem se preocupar.

Esse é um exemplo interessante porque mostra uma maneira bastante saudável de descobrir por que a criança não quer algo, sem passar por cima do que ela acredita, sem forçá-la a fazer uma coisa que ela está com medo de fazer. Além disso, depois de confirmar e descobrir o porquê da criança não dormir, foi possível orientá-la, ensinando o que ela desconhece.

(COTA, Angela & MENDONÇA, J. Augusto. “Melhores pais, melhores filhos”. Belo Horizonte: Diamante, 2012. Pp 117-118).

Gente, eu tenho feito aqui em casa. É impressionante.

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Feche a boca e abra os braços

Por que temos filhos?

Elisabeth Badinter, no livro “O conflito – A mulher e a mãe” (Editora Record, 2011), cita uma pesquisa realizada em 2009 pela revista Philosophie Magazine, com as justificativas de homens e mulheres para terem filhos:

  • Um filho torna a vida mais bonita e alegre;
  • Permite à família perdurar, transmitir seus valores, sua história;
  • Um filho dá amor e faz com que sejamos menos sós na velhice;
  • Damos a vida de presente a alguém;
  • Torna mais intensa e sólida a relação do casal;
  • Ajuda a tornar adulto, a assumir responsabilidades;
  • Permite deixar parte de si na Terra depois da morte;
  • O filho pode fazer o que não pudemos fazer;
  • É uma nova experiência;
  • Para satisfazer o parceiro;
  • Uma escolha religiosa ou ética;
  • Não houve motivo, foi um acidente.

Filhos: ter ou não ter?

O blog de Ruth Aquino (Mulher 7 por 7) trouxe o depoimento de Mateus Carrilho de Almeida: “Não queremos ter filhos. Por que não nos respeitam?”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/26/nao-queremos-ter-filhos-por-que-nao-nos-respeitam/

Abaixo, estão trechos do texto:

Filho não fará falta na minha vida. Não farei algo só porque os outros fazem.

Adotar cumpre a mesma função, acrescido de uma responsabilidade social.

Não tenho o mínimo interesse em abrir mão da minha vida. Eu quero viajar com minha esposa, curtir  ir a show de rock, balé, teatro, ver filme adulto, namorar. Somos colorados, vamos nos jogos. Juntinhos. Poderíamos com bebês? E pior, imagina se eu tenho um filho gremista (rsrsrs)?

Dizem que não teremos quem cuide de nós na velhice. Essas mesmas pessoas não cuidam dos seus pais na velhice. O que lhes garante que seus filhos não farão o mesmo?

E na adolescência, quando te dizem a célebre frase “não pedi pra nascer”? Eu não quero me arrebentar pra dar educação, ensino, abrir mão de um monte de coisa pra ter que ouvir isso depois quando eu não deixar um filho fazer um troço que só irá lhe prejudicar.

Vejo os problemas que conhecidos meus têm com seus filhos. Meninas têm dado mais problemas que os meninos.

Pegamos há pouco um filhote de guaipeca, vira-lata. Agora eu tenho certeza que filho é mesmo para os outros.

Já existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Estou já cheio das cobranças, como se só existisse uma maneira de ser feliz e comprometido nessa vida.

Análise

Até o dia 8/1/2013, este texto recebeu 180 comentários, de 149 pessoas (houve quem comentasse mais de uma vez). Dos que se identificaram, foram 31 homens (28%) e 111 mulheres (78%). Ressalte-se que a coluna Mulher 7 por 7 é voltada ao público feminino.

A opinião dos homens ficou equilibrada: 41% discordaram do texto, enquanto 58% demonstraram concordância.

Entre as mulheres, a diferença foi bem maior. Apenas 27% foram contra, e 60% a favor do texto de Mateus. O restante ficou neutro ou respeitou, apesar de pensar diferente.

No cômputo geral, 33% foram contra, e 57% manifestaram apoio à decisão de não ter filhos.

O mais interessante é observar a reação das pessoas que comentaram. Alguns foram tão radicalmente contra, com comentários por vezes ácidos, que ensejaram a resposta da colunista, Ruth Aquino, do Mateus, da esposa dele, Denise, e até da própria mãe do Mateus, Lucy.

Os que concordam com Mateus

Para o grupo que concorda com o texto, os casais que optam por não ter filhos são criticados e pressionados por pessoas com as seguintes características (expressões retiradas dos comentários): hipócritas, egoístas, irresponsáveis, fundamentalistas, intrometidos e imbecis de uma sociedade julgadora, cujo patrulhamento conservador quer a estandartização dos comportamentos humanos.

Segundo os que concordam com Mateus, filho não é a melhor coisa do mundo. Não tê-los é melhor que terceirizar para babás e creches tomarem conta, melhor que abandonar nas lixeiras, espancar. E a mesma sociedade que cobra filhos é responsável por crianças mimadas, adolescentes rebeldes, pais manipuláveis pelos filhos.

Outros argumentos:

  • “É por pensar demais se meu filho será feliz que não o tenho”.
  • Melhor que ser maria-vai-com-as-outras, ter filho só por causa da cobrança da sociedade. “Quem tem filho e vive dizendo que é uma maravilha é como aquela pessoa que pulou numa piscina fria num dia de inverno e fica te chamando, dizendo que tá gostoso”. Ter filhos é uma coisa muito séria, tem que parar para pensar, o que muita gente não faz.
  • Narcisista é quem precisa de um “mini mim” pra “ser feliz”. Se a felicidade não está em nós, não é em esposas, maridos e em filhos que vamos achá-la.
  • Muitos usam os filhos como desculpas pra não fazer nada. “Não posso, não dá, meu filho e coisa e tal”.
  • Nem todos os filhos são umas gracinhas, vide o caso Ricthofen e tantos outros que matam para ficar com herança, abandonando em em asilos, na rua… se a mãe de Suzane Von Richtofen tivesse pensado como o Mateus, pelo menos ainda “estaria entre nós”.
  • Filho JAMAIS será garantia de apoio e amor incondicional na velhice.
  • Casamento não é contrato de procriação!
  • A decisão afeta EXCLUSIVAMENTE a quem não quer ter filhos!
  • A humanidade não vai acabar por causa disso. Viva o controle de natalidade. “A superpopulação é um dos reais fatores que podem levar à extinção da humanidade. Mesmo quem deseje filho, deve limitá-los. Todas as demais campanhas como economizar água, racionar isso, racionar aquilo, somente são paliativos a curto prazo. Maternidade responsável, onde se inclui a ausência de maternidade, é a única salvação!!!”
  • Melhor coisa do mundo é ser tia.
  • Mulher grávida é horrorosa.
  • É melhor adotar as crianças que ninguém deseja, como crianças maiores e até mesmo adolescentes que estão precisando de uma família.
  • Quem abriu mão de sua liberdade para procriar sabe que não pode recuar e fica uma pessoa amarga.

 

Por fim, um contundente depoimento de uma filha indesejada:

Ana28/03/2012 | 3:44

Bom…parece que estão todos a discutir motivos de ter X motivos de não ter. Sabem de uma coisa? Esses motivos não importam. Vou dar meu depoimento de filha que nasceu indesejada. E pessoas como eu existem aos montes, mas grande parte das pessoas (principalmente do time pater-/maternidade-a-qualquer-custo) acham que ignorando o problema e contando sobre o mito do amor materno o problema desaparece. Minha mãe nunca me deixou faltar nada, materialmente falando. Sempre tive roupa, comida, estudo e médico. Mas eu carrego até hoje as frustracões dela, ela me culpa e me cobra a vida que ela não teve pra me criar. Me culpa e me cobra cada centavo que gastou comigo. Sempre desmerece o que eu faço, me humilha sempre que tem oportunidade, nunca festejou uma vitória minha, mas sempre engrandeceu minhas derrotas. Sempre disse que o maior erro da vida dela foi ter filhos e se pudesse voltar atrás jamais nos teria. Tive uma colega na faculdade que passava por algo ainda pior – a mãe dela tentou abortá-la e não conseguiu – passou a vida inteira falando pra filha o quanto se ressente de não ter conseguido abortá-la!!! Alguém aqui tem noção do que é ser rejeitado pela própria mãe? Aqui alguém tem noção das marcas que eu carrego e tantos outros carregam por isso? Hoje estou numa luta para fazer meu plano de saúde pagar o meu psiquiatra – desenvolvi distúrbios de atenção e às vezes machuco a mim mesma. Eu tenho um pedido a fazer – nao critiquem quem não quer ter filhos. Não os chamem de monstros egoístas e qualquer outro adjetivo. Sei que há pais que amam profundamente seus filhos – mas não são todos! Os motivos de não querê-los não importam – o importante que essa decisão JAMAIS vai machucar alguém. Mas ter filhos indesejados – essa decisão, sim, pode ser catastrófica para os envolvidos!!!

Os que discordam de Mateus

Para o grupo de discorda do texto de Mateus, as pessoas que não querem filhos são (expressões retiradas dos comentários): despreparadas, cruéis, insanos, infantis, sem atitude, sem amor, sem nada, desnaturadas, imaturas, fracotes, egoístas, extremamente individualistas, indiferentes a tudo e a todos, a não ser suas carreiras e suas posses. Fazem parte de uma sociedade do espetáculo, adultocêntrica, do prazer imediato. Tiveram problemas na criação, deveriam ser sido abortados pelos próprios pais, e é até melhor que não tenham filhos, porque  SER MÃE É ALGO ESPECIAL, SOMENTE PARA PESSOAS RESPONSÁVEIS, VERDADEIRAS, BATALHADORAS, HUMANAS E AMOROSAS…

Outros argumentos:

  • “Daqui a pouco vão chamar eles de heróis. Hérois são os pais que trabalham duro, e ainda dão amor, têm que pagar escola, universidade, dividem tudo.”
  • E mais infantilidade ainda ficar dizendo que não quer seguir os conceitos da sociedade, mas fica pondo a culpa na sociedade, achando que quem tem filhos os teve por imposição social.
  • “Se não gosta da sociedade, caro amigo sem filhos, crie uma nova. Mas adotar pets não vai te fazer uma pessoa melhor.”
  • Vão se arrepender mais tarde e fazer tratamento para engravidar.
  • Muita justificativa denota indecisão, o discurso não convence, há problemas em aceitar a própria decisão. Para se expor assim, o casal não respeita nem a si mesmo. Devem parar de se fazer de vítimas. Reclamões, só ficam dando desculpas.
  • Casamento não é sinônimo de felicidade.
  • “Viemos ao mundo para reproduzir, isso é da nossa natureza, escolher o contrário é ir contra um fato natural.”
  • “Se mata, amigo, vai ter menos uma pessoa, e suas preocupações estarão resolvidas.”
  • Só focam o lado negativo de ter filhos. “Não respeito casais que acham que estão certíssimos em ñ terem filhos se eles acham que os outros são idiotas em tê-los.”
  • Filhos crescem tão rápido que logo os pais poderão viajar, ir a shows, peças de teatro, etc
  • Filhos adotados também precisam de cuidados. “Vc não abriria mão da sua vida para criar do mesmo jeito????”

Por fim, o relato de uma mulher que ama ser mãe e não condena aqueles que optam por não ter filhos:

“[…] Sua explicação pra não querer procriar é típica de quem não tem filho. Nasce com filho um altruísmo que supera vc querer ir ao jogo de futebol ou balé, Mateus. Não vou explicar muito porque vc não entenderia. E nem precisa. Já decidiu e a decisão é o que conta. Só cuidado para não desmerecer a vontade daqueles que querem ter filhos. Não faço o jogo oposto, usando as mesmas armas. A pressão. As explicações bobas. E, mais do que tudo, comece a selecionar melhor seus amigos.”

Os childfree

Mais e mais mulheres optam por não serem mães. Não é por acaso que governos investem em políticas de incentivo à natalidade, principalmente naqueles países que se concebe comumente como “desenvolvidos”: quem vai pagar a conta de uma população que envelhece?

Existe até um termo para definir as pessoas que não desejam filhos: childfree (“livre de crianças”, em tradução sem compromisso). Há comunidades Childfree em diversos países do mundo. No site do grupo brasileiro, entre as diversas razões que balizam sua escolha, estão:

http://www.semfilhos.org/trocentos-motivos-para-nao-ter-filhos/

  1. O parto é uma tortura;
  2. Não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhas brigando;
  3. Crianças custam caro;
  4. Você vai passar noites acordada e não será na balada e sim ouvindo choro;
  5. O filho é a despedida dos seus sonhos de juventude;
  6. Ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher;
  7. Quando o filho aparece, o pai desaparece;
  8. Você não tem tempo para os amigos;
  9. Sua pele fica feia com estrias, varizes, celulites e gordura localizada;
  10. Tem crianças demais na Terra.
  11. Filhos dão muito trabalho
  12. A gravidez deixa a mulher chata
  13. Filhos são uma obrigação eterna
  14. Desnecessário para perpetuação da espécie (já são 8 bilhões de seres humanos no mundo)
  15. Crianças são capazes de colocar os pais em situação de vexames na rua
  16. Filhos são como alto-falante de pedir coisas.
  17. O filho é um ser humano como outro ser qualquer então dele se pode esperar de tudo, inclusive fazer mal aos pais
  18. Filhos tomam tempo, algo cada vez mais escasso
  19. É frustrante ficar corrigindo seu filho todo tempo.
  20. Com filhos, liberdade limitada
  21. Criança boa só tem duas: aquela que já fomos e a dos outros.
  22. Colocar alguém no mundo só pra ele cuidar de você na velhice, e atender seus projetos pessoais é egoísta e mesquinho.
  23. Se vc for procurar uma casa de aluguel e outra pessoa também, se você tiver filhos, difícil conseguir!
  24. Filhos dão muita dor de cabeça, e exigem muita paciência além gasto físico e mental.
  25. Se divorciar e tentar uma vida nova com alguém, fica muito difícil por está ligada à outra pessoa por causa dos filhos e dessa nova pessoa vai aceitar você com seus filhos.
  26. Quando for viajar terá que levar os filhos e todos os ônus que trazem consigo, ou deixá-las com seus pais (ou com sua sogra!).
  27. Ter filhos é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: – Pula que a água tá boa.
  28. Chegada dos filhos atrapalha vida sexual do casal.
  29. Você pode ser uma péssima mãe ou um péssimo pai.
  30. Criar filhos é igual criar cachorro: depois que cresce perde a graça.
  31. Filhos só sabem limpar a bunda após os 4 anos. São 4 anos ouvindo Acabeeeeiiiiii
  32. Se você for homem e se divorciar, cada filho seu vai levar no mínimo 10% do seu salário, isso se a mãe não tiver bem orientada por um bom advogado!
  33. Ser pai ou mãe é o trabalho mais difícil do mundo, e pior que não existe aposentadoria!
  34. A gravidez deixa a mulher horrorível e traz uma série de complicações de saúde.
  35. Meio milhão de mães morrem durante o parto todos os anos.
  36. Seu filho pode nascer hiperativo (já pensou que inferno?).

Conclusão

Que pai e que mãe, ao ler a lista dos childfree (ainda que se repita em diversos pontos), não fica com a língua coçando para gritar? “Espera aí! Não é bem assim! Vocês só estão focando o lado pesado, e de forma exagerada!”

Que pai e que mãe não ficaria inclinado a enumerar outra lista, somente com as benesses de ter filhos?

Abrindo o leque: por que a discussão em torno da escolha entre ter ou não ter filhos é tão inflamada? Por que as pessoas se ofendem e chegam ao ponto de se xingarem?

O que está em jogo no artigo de Rosely Sayão, na pesquisa citada por Elisabeth Badinter, no texto de Mateus de Almeida, nos comentários?

  • O eterno binômio da natureza humana: obrigação x prazer;
  • Os apelos de uma sociedade cada vez mais individualista;
  • A polêmica em torno do aborto;
  • O aumento da violência no mundo;
  • A questão da adoção;
  • As diferentes relações de trabalho entre homens e mulheres;
  • O papel do Estado e da comunidade em relação às crianças;
  • A pressão real da sociedade para que as pessoas tenham filhos, que surge até para quem tem filho único;
  • A promessa para a mulher, como se somente depois de virar mãe ela seria realizada;
  • O trabalho intenso e a responsabilidade que envolve a criação dos filhos;
  • A velha conhecida que fazem questão de imputar às mães: a culpa.

Toda vez em que há um esforço para defender determinado ponto de vista, aparecem alguns problemas: a radicalização e a generalização.

Não adianta querer colocar todas as pessoas no mesmo balaio. Se formos subdividindo, teríamos um grupo com os que não querem ter filhos. Desses, há os que não querem agora, os que querem adotar, os que não querem de jeito nenhum. Há os convictos e os que se arrependem.

No outro grupo, há os que querem ter filhos. Desses, há quem esteja preparado e quem não esteja. Dos que não estão preparados, há os que aprendem e os que não aprendem. Dos que estão preparados, os que se desapontam com expectativas. Os que estão realizados, mas enfrentam situações de estresse, afinal são todos humanos: filhos e pais.

Pessoas sonham, se frustram. Erram. Mudam de opinião. Crescem.

Marusia fala

Sempre quis ter filhos, por uma série de motivos. O principal era querer transmitir a eles o que eu havia aprendido. É óbvio que eu não pensei: “quero filhos porque eles dão trabalho, é preciso dinheiro, vou ficar acordada muitas noites, vou ter que repetir a mesma coisa mil vezes, vou renunciar a isso ou àquilo.” Eu estava consciente disso e disposta a enfrentar tudo em prol de outros desejos. Mas eu tinha uma ideia muito diferente do que era ser mãe. Na minha cabeça, planejamento e informação seriam suficientes para manter tudo sob meu controle.

Quanta ilusão…  com crianças, nada segue um roteiro predeterminado, nada está sob nosso controle. Nunca havia me deparado com situações que exigissem tanta humildade, além de desapego, força, calma, discernimento, superação. Já até reconfigurei meu motivo original: muito mais que transmitir o que eu aprendi, eu é que tenho que ser ensinada…

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Veja também:

“Quem vai ficar com as crianças?” – Análise

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Aristóteles nos fala do “meio termo de ouro”. Devemos ser corajosos, nem mais nem menos: coragem de menos é covardia; coragem de mais é audácia. Devemos ser generosos, nem mais nem menos: generosidade de menos é avareza; generosidade de mais é extravagância.

Pitágoras também diz:

“Ousar pouco é não ir além, ousar demais é utopia.”

“Prudência de mais é timidez, de menos é irresponsabilidade.”

Com os filhos, nos deparamos com uma série de situações em que o limiar entre a falta e o excesso nem sempre é claro. Assim, segue uma lista de reflexões (nada fáceis) sobre equilíbrio.

O “Meio Termo de Ouro” para Pais e Mães

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Incentivo de menos é descaso; incentivo de mais é bajulação.

Incentivo de menos é descaso; incentivo demais é bajulação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Amor de menos é vazio; amor de mais… é mais amor.

Amor de menos é vazio; amor de mais é mais amor.

Diferentemente dos anteriores, não há limites para o amor. Amor nunca é demais. Quanto maior for o amor, maior também será nossa chance de permanecermos protetores, incentivadores, criativos, confiantes, sensíveis, interessados, satisfeitos, responsáveis, dedicados, orientadores, prestativos, determinados, compromissados, tolerantes, organizados, pacientes e formadores.

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Veja também:

Decálogo dos meus desafios

Carta a meus filhos

Mãe é envelope

O pequeno estrategista

Pais que tentam estimular o bom comportamento dos filhos precisam tornar-se estrategistas amadores (os filhos são profissionais).

(DIXIT, Avinash K. & NALEBUFF, Barry J. “Pensando estrategicamente”. São Paulo: Atlas, 1994)

A frase acima consta do prefácio de um livro técnico sobre Teoria dos Jogos, que visa a ensinar os princípios do raciocínio estratégico. Os autores são muito sábios ao encontrar, nas crianças, esse raciocínio que a gente acaba perdendo e tendo que reaprender quando adultos. Principalmente quando viramos pais.

Dia desses, voltei para casa e recebi do meu marido um “boa noite” meio mais-ou-menos. Perguntei logo o que havia acontecido, e ele me disse, chateado:

– Comprei um jogo novo para Wii. Levei um tempão para escolher. Crente do sucesso que as crianças iam se divertir de montão, inseri o disco no aparelho. Pois não deixaram passar nem 15 minutos e já estavam gritando e se atracando no quarto. Não briguei, não fiz nada: só desliguei a TV e proibi de jogar por 1 semana.

Em um segundo, mapeei o “climão” que tinha se abatido. A tristeza do pai que traz um presente na esperança de unir e que acaba surtindo o efeito contrário. Acompanhada da minha desilusão de… putz, por que não podem brincar numa boa? No quarto, os três amuadinhos.  O mais velho escrevendo no caderno, uma espécie de diário, se sentindo injustiçadíssimo. A briga havia começado porque ele estava, a pretexto de ensinar ao caçula como jogar, tomando toda hora o controle; o caçula não queria aceitar “interferências”, e daí TUFF!! mandou o controle na cabeça do mais velho. Minha filha do meio estava ainda mais frustrada, porque não tinha nada a ver com o bode e entrou no mesmo balaio. E o caçula deixava escorrer as lágrimas sem emitir nenhum som.

Meu marido disse novamente:

– Não fiz nada. Só desliguei o Wii.

Sabe que esse tipo de ação silenciosa dos pais pesa mais que uma bronca. É quando os filhos percebem que provocaram algo mais sério. Tentei apaziguar e também dar a César o que é de César. Com o ok do pai, livrei a menina da proibição de 1 semana. Elogiei o mais velho porque ele só queria ajudar, mas também pedi paciência. Quanto ao caçula, disse que nada justificaria bater em ninguém, muito menos no irmão, menos ainda porque ele queria ensinar. Eu vi que ele estava arrependido. Mas também não podia deixar pra lá, até por uma questão de equanimidade e justiça.

Mais tarde, vi que ele continuava a derramar lágrimas e agora se dedicava a fazer um desenho (já que não sabia escrever). Olha o desenho:

desenho de criança com boneco chorando

Quando eu vi, não resisti; tomei-o nos braços e enchi de beijos. Enchi os três de beijos. Falei para o caçula pedir desculpas aos irmãos e ao pai, o que ele fez com o rostinho banhado, com a promessa de que isso não iria se repetir (a-hã).

Aí ele me entregou outro desenho:

desenho de criança de boneco sorrindo

Comparando os dois desenhos, dá para ver o estado de espírito de cada um, o primeiro feito em lápis de cera marrom, sombrio, e o segundo em laranja, alegre.

Dias depois, a menina estava brincando no computador, e o caçula começou a encrencar querendo brincar também.

Aaaahh, as confusões de sempre…

Gastando minha beleza e todos os artifícios diários dignos da carreira do Direito para ser juíza, jurada, advogada e conciliadora, eu disse que ele não tinha razão e deveria esperar que ela saísse.

Não levou nem 15 segundos para o baixinho me aparecer com um novo desenho de um boneco chorando. Mas, dessa vez, não combinava com o sorriso maroto e a carinha sapeca de quem desenhou…

Três anos de idade. Estrategista profissional.

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Veja também:

A Fada dos Dentes

A Receita de Sofia

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Os segredos das Supermulheres – Marusia fala

Tesouros

This post in English: The little strategist

A Linguagem Secreta da Birra

Sites visitados:

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Tenho visto diversos livros e artigos que se dedicam a ensinar os pais a reconhecer, combater e até mesmo a prevenir a birra infantil. O objetivo máximo é evitar que esse comportamento se prolongue, intensifique, repita ou se torne uma constante. Muito do que li, entretanto, foca a birra do ponto de vista dos pais, em busca de algo que aplaque o alto poder irritante que ela tem sobre os adultos. Este post procura revelar a birra pela perspectiva da criança – a linguagem secreta dessa prática. E fala da importância de desenvolver a maturidade emocional: para filhos e também para mães e pais.

Para lidar com a birra, em primeiro lugar, a gente tem que afastar as possibilidades universais que estressam uma criança. São elas, segundo as Motherns:

  • TPS: Tensão Pré-Soninho;
  • TPA: Tensão Pré-Almoço;
  • TPD: Tensão Pré-Dentinho.

(CORRÊA, Laura Guimarães & OLIVEIRA, Juliana Sampaio. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005)

 As Motherns também mencionam a “Verdade”: a de que todas as crianças choram. Em algumas vezes, só por vontade de dar uma chorada básica, mesmo. Sem razão. E sem neura, é bom extravasar, normal até para os adultos.

Vamos lembrar ainda que a criança tem o “prazo de validade de alegria”. Não insista em compras quilométricas em supermercados, visitas intermináveis ou outro programa típico de adulto quando sentir que esse prazo está findando.

Outra possibilidade é a criança ficar doentinha e, por isso, mais sensível e manhosa.

Esses casos tem origem certa e geralmente se resolvem com a supressão das tensões. Vamos então aos casos mais complicados.

Muitas vezes, nossos filhos estão assim:

Claudia Bebê n523B

Pais & Filhos 394

 

Guia da Mamãe 3

 
 

Crescer 98

 
 

Meu Nenê n85

Mas, muitas vezes, eles também estarão assim:

Família Bico. Montagem de Marusia com foto de Duchessa / Stock Xchng

Guia da Manha. Montagem de Marusia com foto de GerryT / Flickr

Meu Auê. Montagem de Marusia

Pitis & Pirraças. Montagem de Marusia com foto de Capture Queen / Flickr

Em um post só não iria caber tudo, então fiz uma série (cada item é um link)

  1. ACESSO DE RAIVA – Sobre esse eu já tinha escrito: Seu filho como você sempre sonhou
  2. TEIMOSIA
  3. FASTIO
  4. NECESSIDADE DE PALCO
  5. ATENÇÃO NEGATIVA
  6. O que é importante saber

P.S.: Essa sequência de posts foi escrita para todo mundo que se identifica, mas tendo em mente um destinatário em particular: eu mesma. (VIU, MARUSIA???)

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

Há quem atribua a chegada aos 2, 3 anos, como a “adolescência” do bebê. Então aquele neném fofinho de repente começa a questionar os pais por tudo: é fase do “Por quê?” e do “Não.”

Quando uma criança diz NÃO, principalmente em resposta a alguma instrução (“Guarde seus brinquedos”, “calce o sapato” etc), ela está imitando os adultos. Ela não tem a noção completa de que os pais dizem NÃO para impor limites. Para ela, é simplesmente o impedimento de algo que ela gostaria de fazer, e é essa recíproca que ela quer infligir aos pais.

Quando a gente explica com carinho, eles aprendem (e imitam) direitinho (aaaaawn, que foooooofa!!!):

O QUE FAZER?

Consiga a cooperação, ou seja, trabalhe junto. Se a criança diz NÃO como um treinamento para ser adulto, dê a ela o “gostinho” de tomar decisões pequenas, enquanto você toma as decisões importantes (que incluem as situações de risco).

Há quem leve muito a sério essa coisa de interpretar a linguagem das crianças. Quer testar?

Quando começa a crescer, a motivação para a teimosia ganha outras nuances. Nessa hora, é interessante lembrar o que nos fazia teimar com nossos pais. Trata-se de um jogo sutil onde o PRAZER que a criança sente ao fazer algo indevido é MAIOR que o MEDO da repreensão.

O QUE FAZER?

Não fique dizendo NÃO para tudo, até para não “gastar”, sob o risco de não ser levado a sério quando o caso for mais grave.

Pirraça e crise de riso dão uma raiva danada, a gente se sente com cara de palhaço. Mas se não for nada que machuque (em todos os sentidos), é só coisa de criança e não precisa virar um cavalo de batalha.

Nem os adultos, no meio de um trabalho sério, na frente do chefe e de toda a equipe, sendo acompanhados ao vivo por milhares de pessoas, conseguem se segurar! o que dizer das crianças??

A partir dos 8 anos e na adolescência propriamente dita, vem o desejo de autoafirmação. O jovem quer se diferenciar dos pais, quer ter vontade própria. Isso significa que QUALQUER coisa que os pais digam ou proponham será negada. Nem adianta perder tempo mostrando que não faz sentido. Faz parte.

O QUE FAZER?

Lógico que, no momento da birra, a primeira coisa que nos vem à cabeça como pais é que nossa autoridade está sendo posta em xeque, e a tendência é reagir com autoritarismo. O problema é que não funciona…

Não fique discursando. No meio de uma crise, ninguém quer ouvir nada. E, com o passar do tempo, vai se criando um mecanismo de não prestar atenção em coisa alguma. É igual ao desenho do Snoopy. Já viu como é a voz dos adultos? Plá, plá, plá… plá, plá, plá…

Ou como essa linguagem engraçadíssima:

Não seja irônico, sarcástico. Crianças aprendem com exemplos, e numa hora vão querer fazer igualzinho. E pode acreditar: dá muita raiva.

Não dissimule, não finja que está tudo bem. Não precisa perder a estribeira, mas mantenha a firmeza. Você fica ali, artificialmente calma, cheia de dengo e nhém-nhém-nhém e a criança só obedece na hora que você berra. E aí ela volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Não é que ela seja “movida a grito”, ou só faça quando você perde a paciência pra valer; na verdade, é um alívio. Primeiro, porque a criança PEDE limites (por incrível que pareça). Segundo porque, no entender dela, você não estava sendo autêntica. Ela pensa: “Puxa, minha mãe foi abduzida por um ET, mas graças a Deus, voltou. ESSA SIM é minha mãe!”

Veja também:

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Frases de Mãe

Frases de Mãe – Marusia fala

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de palco

Site visitado: “A quem ofereço o melhor de mim?”

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Para criar consciência de si, a criança precisa de plateia. Para se enxergar e enxergar o mundo, ela precisa antes do olhar dos pais. Em várias situações, a única coisa que ela quer é ser vista e ouvida e sentir que foi compreendida.

É tão engraçado, os pais querem que as crianças aprendam a falar, a bater palminhas e fazer outras gracinhas, mas depois não têm tanta paciência quando elas tomam “a pílula do Dr. Caramujo”, disparam a tagarelar e a fazer cena. Agem como se o filho tivesse um botão liga/desliga – “agora você é engraçadinho” / “agora não tenho tempo”.

Se a criança não consegue atenção, vai apelar. Aí, sim, você vai ver “O show”.

 O QUE FAZER?

No cotidiano, dê uma de Avatar e expresse: “Eu VEJO você”. Isso opera milagres, você nem imagina.

Filme "Avatar", de James Cameron. Twetieth Century Fox

Na hora da birra, faça o oposto. Diga à criança que você a compreende e respeita, mas que esse não é o modo de fazer as coisas acontecerem. Que só vai conversar quando ela estiver tranquila. E aí é sangue frio para dar um “gelinho”. Se ela estiver acostumada a ter palco sempre, se os pais a veem com frequência, ela vai sentir o peso do gelo e aos poucos vai percebendo que não vale a pena dar chilique. Mas, se ela nunca tem plateia e só consegue chamar a atenção quando começa o berreiro, não se iluda: o “show da birra” vai acontecer um bocado.

Tem coisas que o filho só apronta com pais. São bonzinhos e educadinhos com todo mundo e aprontam SÓ com os pais. De preferência na frente dos outros, pra te matar de vergonha. A criança, nesse caso, está passando dois recados:

  • Tenho segurança em vocês, que são os únicos a conhecer meu “lado B”;
  • Tudo o que é proibido é mais gostoso, e vocês vão pensar duas vezes antes de me chamar a atenção em público.

O QUE FAZER?

A regra é a mesma dentro e fora de casa, em família e em público.

Se você for imediatista para acabar logo com o barulho, é grande a tentação de ceder aos caprichos. O que estará sendo passado por você é: “o escândalo é via legítima para se conseguir qualquer coisa.”

Pense a longo prazo e só negocie se a criança estiver calma. Em suma: algo razoável, que você até cederia, simplesmente está fora de cogitação se houver birra. É o velho e bom “apelou, perdeu” (Isso vale para os pais, também).

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A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Decálogo dos meus desafios

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

Site visitado: Meu filho, você não merece nada

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Chiliques são imprevisíveis. Podem acontecer a qualquer momento, e pelos motivos mais bobos (pelo menos pra gente). Mas existe um motivo difícil de perceber: o fastio. Ou seja, o tédio, quando tudo perde a graça.

Você já se sentiu como uma animadora de circo? Que tem que ficar inventando novas atrações o tempo inteiro? Que o seu filho está sempre demandando? Isso é resultado de uma geração superestimulada, que não consegue lidar com os “vazios”, que não consegue ficar sozinha.

Muito cuidado, porque a abundância de estímulos gera futuras compulsões. Em busca permanente de algo que preencha esses vazios, vêm as tentações “fáceis”: gula, consumismo, hipocondria, sexo, bebida e o pior: drogas.

Se um dia, como eu, você perguntar a seu filho: “Você tem tudo, o que falta para você????”- a resposta está implícita: “A falta da falta”. É o que preconiza a psicanálise de Lacan.

O QUE FAZER?

Dê espaço a ele. Mostre que ficar sozinho também é importante, pra gente “processar”, “digerir” os fatos da vida.

Incentive-o a criar, do nada, coisas interessantes. Não o deixe dependente de você, dos outros, do mundo.

Ensine-o a lidar com as frustrações. Demonstre apoio, mas deixe-o experimentar a falta, a tristeza, o luto.

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 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e Apareça

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

Uma criança calma, carinhosa e cooperativa de repente se torna rebelde e agressiva. Qualquer momento que os pais se aproximam, ela cria uma confusão. Parece uma estratégia burra, não é? Ela quer atenção, mas o que consegue é irritar e afastar os pais cada vez mais.

Trata-se da atenção negativa. Apesar de aparentemente ser um comportamento ilógico, isso não acontece de graça. Quando acontece alguma mudança profunda na relação familiar, que reduz a atenção que ela vinha recebendo até então, ela reage. Que mudança pode ser essa? Os pais que aos poucos retomam seu ritmo de vida, a entrada na escola e a chegada de um irmãozinho são bons exemplos.

Mamãe está tricotando isto para meu futuro irmãozinho. Meu querido irmãozinho. Meu adorado irma... (Criação: Quino)

Ao contrário do que se pensa, a criança procura sempre agradar os pais (até por instinto de sobrevivência). Então, se ela percebe que o tempo dedicado a ela está diminuindo, ela vai criar uma RAZÃO CONCRETA que justifique isso. Inconscientemente, ela diz: “Mamãe, eu vou fazer uma birra e te dar um motivo real para não ficar comigo.”

O QUE FAZER?

Não é que a criança mudou e ficou irreconhecível. Ela sempre teve essas “armas” em sua personalidade, só não precisou usá-las até então. Assim, é importante observar o fenômeno como uma REAÇÃO a algo, externo a ela e ANTERIOR a seu comportamento.

Reproduzo aqui o que disse meu pediatra:

Quando a família atravessa um momento novo, NÃO É HORA DE DISCIPLINAR. Intensifique o carinho, o toque, e em frases curtas repita os ensinamentos quantas vezes forem necessárias.

Dá um trabalhão monstro. Mas funciona.

São gestos que passam confiança e retribuem com outra linguagem secreta: “Muita coisa mudou, mas meu amor por você, não. E, mesmo que você esteja aprontando um monte, eu continuo te amando muito.”

Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

Cada criança é única, cada caso é um caso, cada momento também, e não existe dica universal e eterna. Mas uma coisa é fato: não vá VOCÊ fazer birra também…

(Engraçado pra caramba, mas, como muita coisa na vida, só funciona na propaganda…)

Não se preocupe: toda criança faz birra, é inclusive um componente importante que indica que ela está crescendo.

Não prossiga com discursos intermináveis após a crise passar. Faça o fechamento com uma frase “moral da história” e pronto. Acabou, acabou. Também não vale jogar na cara depois.

Não precisa ficar se mortificando ou se questionando, a cada birra, se a educação que você está dando é falha, #mimimi. É coisa de criança, é normal, todo mundo enfrenta isso.

Respeito sempre. Dos filhos com os pais, dos pais com os filhos, e também auto-respeito.

Mostre a seus filhos que você faz questão deles, que eles são importantes para você.

Ao começar a entender a linguagem secreta por trás da birra, você aguça sua sensibilidade para outras linguagens secretas. Surpreenda-se com declarações de amor sutis e incríveis.

Para crescer um adulto responsável, a criança deve aprender desde cedo que, a cada ato, sobrevém uma consequência.

Encare o processo todo de outro jeito: não como se estivesse “moldando” uma criaturinha para que se adapte ao “mundo civilizado”. Eduque para que ela saiba lidar com seus desafios internos, tenha maturidade para se moldar e discernimento para moldar o exterior quando necessário.

O MUNDO PRECISA DE CRIATIVIDADE.

Fico de cara nas teimosias mais bizarras, que nunca fui capaz de fazer quando criança: mas não é o que o moleque é valente?… Longe de mim querer filhos que “só sabem dizer sim”. No fim das contas, o que mais me irrita também é o que mais espero e admiro.

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A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

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A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

Frases de Mãe – Marusia fala

Fiz minha lista particular de frases, nos meus melhores momentos “João Batista pregando no deserto para os gafanhotos.” Cri cri cri cri…

"Mas o teto está limpo!" The Family Circus, por Bil Keane

 FRASES QUE JÁ DISSE ALGUMAS VEZES

  • Não é para colocar giz de cera e figurinha dentro do aparelho de DVD.
  • As bolinhas de homeopatia NÃO são comidinha de boneca.
  • As laranjas NÃO são bolinhas de tênis.
  • Não é para beber a água da piscina.
  • Só pode riscar papel. Parede e sofá, não. É, eu sei, esse é papel, mas é o dever de casa de seu irmão e também não pode riscar, não.
  • Não, a violeta genciana NÃO é tinta roxa. E também não é para pintar a pia com ela.
  • Não, não pode tocar xilofone agora. São 5h50 da manhã… de domingo.
  • Não é para comer só o recheio e devolver os biscoitos para o saco.
  • Eu sei que o gosto do remédio é ruim, mas aí você tapa o nariz.
  • Para de esfregar o pão na cadeira!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 MILHÃO DE VEZES

  • Não cospe a pasta de dente em cima da torneira, cospe na pia!
  • Isso não é brinquedo!
  • Não bata no seu irmão!
  • Não pode assistir à televisão deitado!
  • Não enche demais a boca, tem que mastigar direito a comida!
  • Fecha a tampa do vaso sanitário!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 BILHÃO DE VEZES

  • Não pode fazer isso!
  • Vamos logo, já estamos atrasados!
  • Já falei isso 1 BILHÃO de vezes!

 FRASES QUE QUERO DIZER MAIS DE 1 BILHÃO DE VEZES

(Que ninguém é de ferro):

  • Ai, que abraço gostoso!
  • Parabéns, você é muito sabido!
  • Mamãe já disse que ama você?

    " Este é meu lugar favorito - dentro do seu abraço!" The Family Circus, por Bil Keane

Veja também:

São só os meus, ou os filhos de vocês também…

Seu filho como você sempre sonhou

Frases de mãe

Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Seu filho como você sempre sonhou

Anúncio do Vitabase - Johnson&Johnson

“Bagunceiro, capeta, sem-vergonha, malandro, impossível. Seu filho como você sempre sonhou.

Vitabase Complexo Vitamínico ajuda a garantir as vitaminas e minerais para seu filho crescer forte e saudável. Vitabase Vitamina C ajuda a aumentar a resistência das crianças. Vitabase é gostoso e suas pastilhas mastigáveis vêm no formato de personagens da Turma da Mônica.

Johnson&Johnson

Vitabase. Nunca uma geração teve tanto para crescer forte e saudável.”

 Marusia fala

“Bagunceiro, capeta, sem-vergonha, malandro, impossível. Seu filho como você sempre sonhou.” VOCÊ quem, cara pálida? Alguém já sonhou ter um filho “impossível”?

 Já vi esse mesmo mote em uma campanha de vacinação. Dá a entender que a mãe deve ter uma paciência infinita e agradecer aos céus pela bagunça do filho, sinal de “boa saúde”.

Prefiro fazer a distinção:

“Ser criança + Ser saudável” não é a mesma coisa que “não ter limites”.

Mas diferenciar isso não é fácil. Quantas vezes a criança realmente está só “sendo criança” e brincando com a vivacidade própria da infância, e nós a tolhemos em prol da “boa educação” ou – mais provavelmente – porque estamos cansados demais para acompanhar?

De fato, o título do anúncio do Vitabase não é regra geral, pelo contrário. (Veja o post “Como educar  crianças para a paz”).

Mas como lidar com a agressividade natural da criança?

  1. Reconheça e respeite o sentimento da criança. Por mais que achemos que o motivo não justifique o “acesso de fúria”, não subestime, não ironize nem ridicularize;
  2. Por outro lado, não supervalorize. Esperar acalmar é uma boa alternativa;
  3. Faça a criança perceber que a cada ato dela corresponderá uma consequência.

 Na prática:

Não diga: “Você tá com raivinha?” “Quando casar, sara.” “Ai, que mêda!”

Diga: “Olha, você tem todo o direito do mundo de estar com __________ (raiva, medo, frustração, chateação, ciúme etc). Mas não pode machucar ninguém, nem se machucar.”

Qualquer coisa que ele fizer, terá que assumir:

  • Rabiscou ou rasgou o dever de casa? A criança vai ter que explicar à professora;
  • Quebrou o brinquedo? Não vai ter reposição.

E assim por diante.

Não se iluda: você não vai ficar imune a um novo “acesso”. Vai ter que lidar com isso um milhão de vezes.

Contudo, agindo assim, você ensina que não dá para controlar o sentimento, mas dá para controlar a reação. E também proporciona a você próprio, como pai e mãe, o direito de fazer o mesmo: ficar com raiva, medo, frustração, chateação, ciúme etc.

Como educar crianças para a paz

Como educar crianças para a paz

Laura Perls

[…] A exigência por paz está em oposição direta a um dos instintos mais vitais de todo ser vivo, notoriamente o instinto da agressividade.

Por agressividade, a maioria das pessoas entende o desejo de atacar, destruir e matar. Por essa razão, condenam esse ato com toda a força do coração, e a tendência geral da nossa civilização, há muitos séculos, é a de suprimir de maneira quase ou totalmente completa esse instinto, aparentemente o mais perigoso de todos.

[…] Usualmente, a família mediana rege da seguinte maneira: cada sinal manifesto de agressividade por parte da criança (chorar, chutar, morder, quebrar coisas etc) é tratado pelos adultos com desaprovação. A mesma desaprovação ocorre diante da impaciência infantil e de seus maus humores. Suas explosões temperamentais frequentemente levam a severas punições. Pais conscientes tentam realizar o seu ideal de bom cidadão – ideal que nem eles mesmos conseguem realizar – nos seus filhos. É dito para a criança que ela deve ser de boa natureza, obediente e respeitosa. Esse objetivo é normalmente alcançado apelando ou para o medo que a criança tem de causar algum problema ou de sofrer punição, ou pelo desejo que ela tem de ser amada.

Pode-se ter a expectativa de que pessoas que foram treinadas desde o início de suas vidas para ter consideração para com os seus vizinhos, para respeitar a propriedade, para obedecer a autoridades, teriam tido a melhor educação possível para a paz. Mas, se olharmos hoje para os países, onde centenas de gerações de pessoas foram criadas dessa maneira, devemos admitir que os resultados são bastante decepcionantes.

[…] Primeiro, a fim de entender, temos que examinar a concepção geral de comum de agressividade. Essa concepção é principalmente derivada dos efeitos que a agressividade tem sobre as pessoas que a ela são expostas. A agressividade de crianças pequenas causa muita inconveniência e aborrecimento aos adultos. Por esta razão, muitas pessoas a veem como indesejável e tentam suprimir os desejos da criança. Mas eles correm o risco de não apenas suprimir a inconveniência da criança, seus gritos e berros, mordidas, chutes e arranhões, lágrimas e destruição de coisas, mas também suprimir sua curiosidade e ânsia por saber. É claro que a ânsia de saber da criança e sua agressividade física são muito penosas para os adultos. Sua satisfação demanda muito tempo e paciência e podem ser muito inoportunos e desagradáveis. Eles até mesmo podem chamar a atenção para a própria ignorância dos adultos, o que muitos pais veem como um sério risco à sua autoridade. Mas, por outro lado, a curiosidade e o desejo de saber são condições indispensáveis ao desenvolvimento intelectual da criança, à sua capacidade de aprender e de estudar, de entender as pessoas e as circunstâncias. E a completa supressão da agressividade causa – se não estupidez ou então, certamente, séria inibição intelectual – levando à impossibilidade do pensamento crítico.

[…] É claro que a imaturidade intelectual não é causada apenas pela supressão da agressividade infantil prematura. De igual importância para o desenvolvimento do fascismo  [e mais tarde do nazismo], está no fato de que a repressão à agressividade no indivíduo geralmente traz um aumento da agressividade universal. Em todos os países altamente civilizados, podemos ver onde o indivíduo mediano não desenvolveu suas capacidades agressivas de modo considerável, mas ao contrário, ficou restrita, bem comportada, até mesmo com medo de complicações, dado que a comunidade desenvolveu seus meios de agressão a um ponto extremo, terrível, assustador. O aperfeiçoamento do maquinário de guerra (armas, tanques, aviões, bombas, gás venenoso, treinamento militar e eficiências estratégicas) parece estar na proporção direta da supressão da agressividade individual, como se a agressividade reprimida de todos os indivíduos tivesse se acumulado em algo além da individualidade e simplesmente tivesse que forçar essa saída.

[…] É um falso questionamento se reprimimos ou não reprimimos a agressividade. Já que a agressividade é um ingrediente indispensável para compor o humano, temos que usá-la, para desenvolvê-la com um instrumento valioso para administrar nossas vidas. Isso significa, particularmente, que não devemos obstruir os primeiros sinais de agressividade na criança pequena;  antes, devemos encorajá-la e apoiá-la adequadamente para tal.”

 “Como educar crianças para a paz” foi escrito em alemão e publicado em Joannesburgo, África do Sul, em 1939. Foi editado para publicação por Joe Wysog. Sua primeira publicação em inglês foi no The Gestalt Journal Press, pp 37-44, em 1992, sob o título “Living at the boundary”. (Tradução de Helena Raíra Magaldi e Elayne Magaldi Daemon).

Feche a boca e abra os braços

Minha querida tia Leninha me enviou esta linda mensagem. Já conhecia, mas foi tão bom lembrar!

“Feche a boca e abra os braços

Diane C. Perrone

Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida.

Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez. Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema “Como pôde fazer isso conosco?” Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela. Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes? Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço – com alguma frequência – quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe.

Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: “Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços.” Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.

Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia. Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços. Kim correu para eles dizendo:

– Desculpa… Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.

– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou. Felizmente, ela me perdoou.

O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração. Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação.

Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por vezes, ruidosa e unilateral.

Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis. É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto. Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com “o que você acha que devemos fazer agora”, em vez de ficarmos presos a “como foi que a gente veio parar aqui?”

Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família. Um deles veio me ver há alguns meses e disse “Mãe, cometi uma idiotice…”

Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha. Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.

– Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.

É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.”

(CANFIELD, Jack. [e al.]. “Histórias para aquecer o coração das mães”. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, pp99-102

Lei da Palmada

Recebi, por e-mail, um texto sobre a palmada, neste momento em que o assunto está no auge em função de um projeto de lei do Governo que pretende proibir castigos físicos nas crianças. Foi redigido por uma jovem estudante de Direito:

“Provérbios 29: 15-17 “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. […]” Quando um bebê nasce, até determinada idade, é incapaz de tomar boas decisões por si mesmo e esse é o papel dos pais: corrigi-lo e ensinar a ele o caminho certo. Uma lei que limita esse papel, dando a desculpa de acabar com a violência contra a criança, traz consequências às futuras gerações […]. Essa lei afetará sim famílias normais que amam e educam seus filhos de maneira saudável de acordo com suas crenças e experiências.” (Daniela Chaves – estudante de Direito do UniCeub)

Foi um empurrãozinho para que eu entrasse nesse debate também, já que até agora estava meio preguiçosinha para lidar com os tantos aspectos complexos que o envolvem.

Só de curiosidade, transcrevi, aleatoriamente, depoimentos presentes nos primeiros tópicos sobre “palmada” fornecidos pelo Google, nos seguintes sites:
1. http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/
2. http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/ (com informações da Istoé Online e do site http://www.naobataeduque.org.br/)
3. http://www.clicrbs.com.br (com informações do Jornal Zero Hora)
4. http://jus2.uol.com.br/doutrina
5. http://veja.com.br/ (com informações da Agência Estado)
6. Entrevista com a psicóloga Lídia Weber à Veja (Gostei dessa entrevista!)

Há depoimentos que nem são recentes. Sinal que a polêmica é antiga e ainda está longe de ser resolvida.

Não são contra a palmada

Depoimento Nome (site)
[…]Temos que impor limites e às vezes só assim (não adianta querer conversar de igual para igual com uma criança pequena). É lógico que não podemos em hipótese alguma dar surras nem espancar. E não me venham falar que quem dá palmadas está a um passo das surras por que não me convence. Dou meus parabéns aos pais que não precisaram dar palmadas nos filhos e esses filhos não se tornaram crianças “tiranas” que fazem o que querem e quando querem. Ieda (1)
[…] sou sim a favor da palmada. Eu mesma apanhei muitas vezes e tenho consciência que mereci. Sei que se não tivesse recebido essas palmadas com certeza seria uma pessoa diferente. Talvez uma pessoa pior. Não respondo à minha mãe e nem ouso levantar a voz. Nunca vi o relato de alguém que apanhou quando criança e reclame por isso. Mas já ouvi gente dizendo: “Eu era uma criança muito mal educada. Merecia umas palmadas”. Concordo que não é certo espancar. Mas as palmadas (quando merecidas) são válidas. Principalmente quando você é mãe, dona de casa, motorista, jardineira, tem animais, cozinheira e muuuuuuito mais. Não tem como escapar disso. […] Lorena de Lima (1)
[…] meus pais sempre em último caso corrigiam a mim e as minhas irmãs com palmadas e antes ele conversava com a gente muitas vezes até chorava, pois não queria aplicar a palmada, mas era necessária. O que estão fazendo é generalizando como se toda palmada fosse um espancamento. Pois eu prefiro corrigir minha filha com amor e cuidado do que o mundo, os policiais e bandidos, baterem nela depois. […]. Ester (2)
Eu diria que a palmada, se aplicada com critério e moderação, não configura violação aos direitos humanos. Por exemplo, uma criança que insiste em colocar o dedo na tomada e o pai fala para ela que é perigoso, que não pode, e ela, mesmo assim insiste, dar uma pequena palmada ou uma apreensão verbal dura, o que eu acho preferível, não é “deseducativo”. A punição é necessária.Minha mãe muitas vezes nos deu chineladas e isso não diminuiu nem um pouco o amor e a admiração que tenho por ela. Prefiro a severidade, que os pais confrontem a criança com as consequência dos seus atos, mas sem qualquer tipo de dano, físico, psicológico ou moral, do que a permissividade. Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo, redator do Estatuto da Criança e do Adolescente (3)
Chega a ser irritante esse nosso governo megalonanico querendo mais e mais, se meter na vida privada do cidadão. Que á lei proteja a criança de violência, tudo bem, mas a regular o que os pais fazem com os filhos é o cúmulo. Palmada não deturpa caráter de ninguém, fome sim… Ed Batista (5)

Acham que a palmada é último recurso

Depoimento Nome (site)
Não acredito na palmada porque ela não só machuca minha filha como a mim também. […] a palmada representa violência e, pior, é viciante. Torna-se o caminho mais fácil sempre para o cansativo papel de educador que convence o filho a realizar aquilo que ele não quer… Mas será que há alguma saída? Ceila (1)

Também não gosto de bater, mas às vezes, infelizmente, é necessário. […] todas essas vezes eles “pediram”, como dizem. […] Acho que criança testa mesmo seus limites, e bater, nesses casos, pode ser a única solução. Mas nunca bati para machucar. […] fizeram efeito mais pelo susto que pela dor. Andréa (1)
Os pequenos de até cinco anos devem ser punidos no momento da falta. E não é aconselhável transferir o castigo. Dizer, por exemplo, “você vai ver quando seu pai chegar” provoca medo e não respeito Luís Lobo – jornalista (2)
Eu não concordo com proibir um pai ou uma mãe de infligir uma pequena punição, como uma palmada nas nádegas. Crianças querem testar adultos o tempo todo. Se a boa conversa não resolver, uma palmadinha não vai matar. O problema é que os pais espancam os filhos e isso não é educar, eles escolhem o caminho mais fácil que é o de liberar suas frustrações na base da pancada, em vez de disciplinarem com amor, para o beneficio da criança, e não para que ela “deixe o adulto em paz”.Eu como mãe me resguardo o direito de aplicar a disciplina eu meus filhos da maneira que eu sei que é adequada. Nunca espanquei meus filhos, e palmada sempre é o ultimo recurso. Crianças devem sempre reconhecer a autoridade dos pais, e não considerá-los iguais para que se comportem como bem entenderem. A medida que meus filhos crescem, a disciplina não tem passado da punição prática como a de privação de regalias, ou mesmo uma boa conversa e uma proposta de mudança de atitude (não apenas de comportamento). Letícia (2)
[…] Pela simples leitura dos dispositivos legais, percebemos claramente que castigar um filho é um direito dos pais, desde que o façam de forma moderada. Abusar deste direito incorre em sanções civis (perda do poder familiar) e penais (conforme previsto no Art. 136 do Código Penal).[…] você pode ser punido pelo Conselho Tutelar, caso tente educar seu filho com uma palmada, assim como aquele que maltrata o filho. Se educamos, seremos punidos. Se maltratarmos, seremos punidos. Restará a apatia. Não faremos nada para punir nossos filhos, ou seja, estaremos legalizando aquilo que já ocorre em muitos lares. […]A discussão que se faz é: se o castigo físico moderado é um recurso pedagógico (o último recurso, é verdade, mas é um recurso) e permitido pela lei, por que razão deveria o Estado entrar na minha casa e dizer como devo educar o meu filho? Rafael Felício Jr – Advogado e Consultor Jurídico (4)

São contra a palmada

Depoimento Nome (site)
Engraçado é que eu não tenho coragem de bater na minha mulher, em um amigo, pai, irmão, mãe etc…Sou contra bater…contra violência. Por que eu bateria na minha filha ? Nunca bati nem vou bater, e acho que isso por ser culturalmente aceito, não é crime, mas deveria ser.[…] Daniel (1)
A palmada causa dor e traz sequelas como dificuldade de se relacionar e baixa auto-estima. E não educa. O que educa é amor, carinho e respeito.Você dá um tapinha num dia, no outro um mais forte e, de repente, está dando uma surra.Imagine se os irmãos estão brigando e o pai dá um tapa em cada um para ensiná-los que bater é errado. Nada mais incoerente. Cacilda Paranhos, psicóloga, mãe de uma menina de 15 anos que nunca levou uma palmada. (2)
Se a criança leva um tapa num dia, ela pode dar no outro. Isso dá margem a atos violentos. Ângela Minatti, psicóloga (2)
Até os dez anos, a criança tende a interiorizar um sentimento de frustração intenso. A partir dessa idade, os jovens submetidos a palmadas podem assumir um comportamento agressivo contra os próprios pais e contra a sociedade Simone Gonçalves Assis, professora da Escola Nacional de Saúde Pública do Rio de Janeiro (2)
Palmada sempre é agressão. E criança não é saco de pancada.Quando perguntamos a uma criança o que ela sente após uma palmada, as respostas mais frequentes são raiva, dor e tristeza.Tapa de amor é uma invenção dos adultos. “Isso é para o seu bem” é a desculpa mais esfarrapada que os pais já inventaram. Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). (2)
Vai ter muita gente reacionária nesse País, que vai dizer ‘Não, tão querendo impedir que a mãe eduque o filho’, ‘Tão querendo impedir que a mãe pegue uma chinelinha Havaiana e dê um tapinha na bunda da criança’. Ninguém quer proibir o pai de ser pai e a mãe de ser mãe. Ninguém quer proibir. O que nós queremos é apenas dizer ‘é possível fazer as coisas de forma diferenciada.’Se punição resolvesse o problema, a gente não teria tanta corrupção nesse País, a gente não tinha tanto bandido travestido de santo. Beliscão é uma coisa que dói. Presidente Lula (5)
Já chega tarde tal projeto! Absurdo que ainda existam pais que eduquem filhos com castigos físicos, coisa da Idade Média! Paulo Correa (5)
Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Lidia Weber (6), Psicóloga, autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos 

Análise

O que está em jogo?

As relações familiares

  • A autoridade e o controle dos pais
  • Como dar limites às crianças
  • A preocupação com o futuro dos filhos

O poder do Estado

  • Até onde o Estado pode interferir nas famílias
  • A legitimidade, a aplicabilidade e a fiscalização da lei
  • Os problemas nacionais que o Estado deve enfrentar

A sociedade

  • A violência dentro e fora de casa
  • A perpetuação de valores culturais de geração a geração
  • Os preceitos religiosos

Marusia fala

Em um rápido apanhado, deu para coletar muitos argumentos em todos os sentidos. Mas não encontrei argumento semelhante ao que eu uso para atualmente preferir não dar palmada. Não dou, porque das vezes que dei NÃO FUNCIONOU. Foram poucas (seis vezes), mas não esperei dar margem satisfatória de amostra estatística para me convencer. Não dou mais.

São duas as razões:

1. Se meus filhos tivessem nascido do meu tamanho, não daria palmadas. Não tenho justificativa para dar só porque são menores que eu.

E a outra é de cunho totalmente egoísta:

2. Não consigo educar quando estou com raiva. Deixar no cantinho funciona muito mais.

Por incrível que pareça, uso o cantinho não por causa das crianças, mas por minha causa. Tirá-las um pouco do meu campo de visão tem por objetivo me acalmar, muito mais que acalmá-las. DAÍ, quando finda o tempo, está tudo “sob controle”, e não vejo por que dar palmada. Teve um dia que meu caçula, de 2 anos, fez uma traquinagem “daquelas”. Pois ele mesmo, quando se deu conta,  foi e sentou no cantinho sem nem eu dizer nada. Ninguém pode dizer que ele não tem noção de limites.

Não tenho elementos para avaliar essa questão toda e muito menos dizer o que é melhor para ninguém – só o que é melhor para mim. Acho que a proposta da lei é válida só pelo debate que suscita.

Mais profunda que essa polêmica, no entanto, é a questão da agressividade (dos pais, das crianças, do mundo). Mas isso é assunto para outro post…