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Bancando os próprios sonhos

Hoje vou falar de seis filmes e de uma lição escondida para aplicar com meus filhos.

Os filmes são:

  • “Magia além das palavras”, sobre a vida da escritora da saga Harry Potter, Joanne K. Rowling;
  • “Escritores da liberdade”, com as incríveis iniciativas da professora Erin Gruwell, que trabalha com estudantes em situação de risco numa escola dos Estados Unidos;
  • “Uma lição de vida” (“O aluno”), sobre Kimani N’gan’ga Maruge, que aos 84 anos entrou na escola para aprender a ler, no Quênia. Mas o destaque que quero dar é para a professora que o aceita na turma, Jane Obinchu;
  • “A teoria de tudo”, baseado na história do astrofísico Stephen Hawking, que faz descobertas científicas impressionantes, apesar da doença degenerativa que paralisa seu corpo;
  • “Lion”, sobre Saroo, um garotinho indiano de 5 anos que se perde da família e depois é adotado por um casal australiano. Já adulto, ele inicia a jornada em busca de suas origens;
  • “Mãos talentosas: a história de Ben Carson”, que mostra a trajetória do neurocirurgião pediátrico que supera os desafios da infância pobre em Detroit para estudar medicina e salvar vidas.

O que todos têm em comum? São filmes emocionantes, baseados em fatos reais. Contam a história de pessoas que correram atrás de seus sonhos. Os três primeiros falam de mulheres; os três últimos, de homens.

*** ATENÇÃO: os trechos a seguir contêm alguns spoilers (revelações de enredo), mas sem interferir de modo algum na história dos filmes. Aliás, acho que muita gente nem sequer vai se dar conta dos aspectos que vou pontuar aqui.  Ah! E não são filmes para crianças, ok? ***

filme magic beyond words, magia além das palavras

No primeiro filme, Joanne se vê às voltas com o marido que começa a beber e agir com violência após perder o emprego e saber que ela está grávida. Ele se revolta com o tempo que a escritora dedica a esse tal Harry Potter.

Filme Freedom Writers, os escritores da liberdade

Em “Escritores da liberdade”, o marido de Erin sai de casa porque se ressente da ausência da esposa, que, segundo ele, é devotada demais a estudantes que “nem são seus filhos”. E diz a ela: “Você fez um ideal de mim”.

Filme Uma lição de vida, o aluno, The first grader

Jane Obinchu, a professora de Maruge, enfrenta enormes resistências, desde o colega da escola, passando pelo diretor de educação da cidade até às autoridades de educação do Quênia, para continuar lecionando ao senhor de 84 anos. O que ela não contava é com a falta de apoio do próprio marido, que alega “estarem falando” de sua esposa.

Filme A teoria de tudo

O filme “A Teoria de tudo” dá ênfase, no enredo, ao relacionamento do gênio Stephen com Jane Wilde. Ela o apoia incondicionalmente durante todo o tempo, mas é sábia para manter a distância saudável quando ele se torna famoso e a situação se mostra insustentável. No entanto, ela está junto dele no final.

Filme Lion, uma jornada para casa

Em Lion, Saroo se envolve com uma jovem que o incentiva a ir atrás de suas origens. Ela insiste para que ele conte a empreitada à mãe adotiva, coisa que ele não está disposto a fazer. Diante das atitudes obcecadas do namorado, ela, como no filme anterior, se afasta. Mas está disponível (assim como a mãe adotiva) para acolhê-lo e comemorar com ele no final.

Filme Mãos talentosas, a história de Ben Carson

“Ben Carson”, para mim, é o mais emblemático. A presença e a importância da mãe na vida do médico é notável. Entretanto, me impressionaram mais os diálogos com a namorada e depois esposa:

(Ben) – Vou me tornar um neurocirurgião! Isso significa que vou passar dias e noites fora de casa, no hospital!

(a resposta dela, com um sorriso): – Isso é uma promessa?

(Ela, no hospital, após perder a gravidez de dois gêmeos) – O que você está fazendo aqui? Está atrasado! Seus pacientes precisam de você!

(Ben) – Você precisa de mim.

Eu tenho você. Vá cuidar de seus pacientes.

E aí? Tirou suas conclusões sobre o que está em jogo nessas descrições?

Será que, para viver um grande sonho e fazer a diferença no mundo, as mulheres sempre estarão sozinhas? Diferentemente dos homens?

Que lição tenho a tirar desses aspectos em comum nos filmes? Que “por trás de todo grande homem tem sempre uma grande mulher”, mas que, “por trás de toda mulher, tem sempre ela mesma”?

Olha, me recuso a encontrar essas “morais da história”. E qual moral, então, devo escolher para aplicar na educação dos meus filhos? Sim, porque existe algo muito esquisito na permanência do patriarcado quando são as mulheres, em estrondosa maioria, as responsáveis pela criação dos filhos.

Será suficiente dizer a meus filhos que respeitem e apoiem quem eles escolherem para compartilhar a vida? E, à minha filha em particular, que ela aprenda a bancar seus próprios sonhos?

Não sei, sinceramente, como essa história termina. A bem da verdade, não sei nem como ela começa.

Se alguém souber, me conte. Sem medo de dar spoiler.

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Veja também:

Barba Azul e a violência contra as mulheres

O filho é só da mãe? (Ou: a Galinha Pintadinha e o pinguim)

Sobre ativismos de sofá e aniversários de 70 anos

 

Maioridade penal: a pergunta que ninguém fez

Quero tranquilizar quem está lendo. Não vou defender nenhuma posição. Não quero convencer você a nada – até porque, no “Fla-Flu” que se tornou a discussão sobre maioridade penal, ninguém convence ninguém. Aqui, quero fazer a pergunta que ainda não vi ninguém fazer.

Não vou falar, por exemplo, sobre a idade a partir da qual uma pessoa tem discernimento acerca do certo ou do errado. Se o novo mundo globalizado, os meios de comunicação e a internet fazem com que as crianças amadureçam mais cedo. Se o fato de reduzir para 16, 12, 10 ou 6 anos faz diferença. Se há países com idades variadas para responsabilizar ou punir. Se há locais em que a redução foi feita e a criminalidade aumentou, ou o contrário.

Não serão assuntos deste post questões como: “a criança que comete um crime deixa de ser criança e passa a ser um bandido?”, “bandido bom é bandido preso?” Nem “escola é para criança que quer estudar, cadeia é para quem cometer crime contra a vida”, “direitos humanos para humanos direitos”, “culpar a sociedade é fácil”, “cada um deve ser responsável pelos seus atos”. Não lidarei com esses aspectos.

Nem vou comentar se a propensão para cometer um crime está ligada ou não à desigualdade de renda e de recursos materiais. Se a chance de um adolescente ser preso é maior ou menor dependendo da sua classe social ou da cor de sua pele. Se o capitalismo de mercado e a publicidade são responsáveis ou não por incentivar o consumo para quem não pode consumir, e se hoje em dia a pessoa é medida pelo que tem e não pelo que é. Se a mídia está fazendo sensacionalismo ou não quando há adolescentes envolvidos em crimes bárbaros.

Não vou entrar no debate sobre a presença do Estado. Se o Estado só vai aparecer na hora de punir, em vez de garantir, desde o nascimento de uma pessoa, os direitos básicos de educação, saúde, segurança.

Da mesma forma, não pretendo avaliar se, desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA chegou alguma vez a ser cumprido de fato ou não. Se é necessário fazer mais leis, ou se essa é mais uma lei que não vai resolver o problema. Se o que está sendo tratado é a causa ou a consequência.

O número de adolescentes entre 16 e 18 anos, que comete crimes, corresponde a somente 0,01% da população do Brasil? Qual é a fonte desse dado? Mesmo que esse número esteja certo: uma única vida que seja salva não é motivo de reduzir a maioridade penal? Nenhuma dessas dúvidas será objeto do meu texto.

Não vou discorrer sobre o adulto que alicia criança para cometer crimes em seu lugar, “porque sabe que não vai dar em nada”, ou “porque fica três anos e depois é solto”. Nem sobre a sensação de impunidade, as diferenças entre vingança e justiça, a necessidade de o Congresso Nacional “dar uma resposta rápida à sociedade”. Nem mesmo se as pesquisas que apontam 87% da população brasileira como a favor da redução da maioridade penal são confiáveis ou não.

Outra coisa que não vou discutir é o sistema penitenciário brasileiro; se o fato de termos a 4ª população carcerária do mundo tem algum impacto sobre a criminalidade, se apenas uma pequena porcentagem dos homicídios tem resolução. Ou se os detentos continuam comandando o crime de dentro da prisão, sem se preocupar com a retaliação das gangues rivais que estão do lado de fora.

Nem mesmo se os centros de medidas socioeducativas (como Febem, Fundação Casa e outros nomes), assemelham-se a cadeias, ou são até piores. Nem se a internação recupera alguém ou não, se há reincidências. Tampouco se a redução da maioridade penal é válida, desde que os sistemas entre adolescentes e adultos sejam separados. Nem se será exclusivo para crimes hediondos, sem considerar roubo de galinha.

Também não vou perguntar: “e se a vítima fosse um parente seu?” nem “e se o acusado fosse um parente seu?” Muito menos indagar “vai esperar matar para depois prender?” nem “prender o adolescente vai ressuscitar a pessoa que morreu?”

Finalmente, a pergunta que ninguém fez é:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ESTÃO MATANDO?

Vou ensaiar uma hipótese: crianças e adolescentes estão matando porque perderam o medo de morrer. E aí temos uma nova questão:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PERDERAM O MEDO DE MORRER?

Que sociedade é essa? A que grau de violência – psicológica, física, sexual, simbólica – nossa infância ficou exposta?

Um último arremate:

QUEM NÃO TEM MEDO DE MORRER VAI TER MEDO DE SER PRESO?

 

Todas as morais da história

Este é o tipo de vídeo que deixa a gente feliz.

A moral da história mais comum para ele é: “A união faz a força”.

Podemos citar ainda Mark Twain: “Não sabia que era impossível, foi lá e fez.”

Mas há inúmeras outras lições nessa história, que servem como ótimas resoluções de fim de ano:

Banho de chuva alivia o stress.

Abraçar árvores deixa a gente mais alegre.

Dormir é fundamental, mas não deixe o sono te impedir de ver coisas sensacionais da vida.

O Natal existe, mesmo onde a maioria tem outra religião.

E a mais bacana:

Nada segura uma criança, quando ela está determinada a ir para a escola.

Se alguém disser que isso não acontece na vida real, diga que, para ser realidade, basta começar:

 

desenho e citação de Malala Yousafzai

“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. (Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz 2014).
Desenho: Leif Bessa, Plenarinho

 

Um lindo Natal e um excelente Ano Novo!

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Veja também:

Caminhos

Quero ser criança quando eu crescer

Carta a meus filhos

 

O que você vai ser quando crescer?

Quando eu tinha 8 anos, vi este anúncio na revista:

propaganda vinho marjolet

Logo que te vi, eu disse que gostava de você. Você disse que era fita. / Em francês, o mar é “a mar”. Por que não em português? / De que página, de que livro, de que história de amor saiu esta folha? / No fundo, no fundo, nós somos duas crianças. / Tu és divina e graciosa, estátua majestosa… / Te escrevi sem saber se era teu amor, mas lembrando que gostaria de sê-lo. / Você não deveria ter me tentado com um bombom durante o concerto. Isso é papel que se faça? / Acho que eu vou tomar algumas medidas. A primeira é a medida do Bonfim. / A segunda é sacar a rolha de mais um Marjolet e começar tudo de novo.

Fiquei tão encantada com as frases, a criatividade, o clima evocado, que naquele instante decidi o que eu queria ser quando crescesse: queria ser a pessoa que bola essas coisas.

Fiz campanhas (bem-sucedidas) para a chapa do grêmio na escola e para a torcida organizada do colégio. E só fui descobrir, aos 16 anos, que o nome do curso superior para “a pessoa que bola essas coisas” era Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda.

Trabalho na área, pesquiso muito sobre o tema e tenho paixão pela minha profissão. Um dos momentos mais gratificantes foi conduzir, junto com a equipe, a campanha de arrecadação do Comitê de Ação e Cidadania (o do Betinho) para minimizar os efeitos da seca prolongada no Nordeste em 2012:

propaganda de doação para comunidades no sertão nordestino

SOS Nordeste – quem tem sede, tem pressa.

propaganda. Mídia extensiva. Toalheiro de WC

Toalheiro de WC: “A quantidade de água que você usou para lavar as mãos é a mesma que uma família do sertão nordestino tem para passar o dia.”

Conseguimos em alguns dias o valor de 30 mil reais, o suficiente para construir cinco poços artesianos comunitários nas áreas mais críticas. (Pausa para abrir os parênteses: sempre tem aquele engraçadinho adora ver significados esdrúxulos naquilo que parece claro; nesse caso, foi a piadinha: “puxa, nunca mais lavo a mão quando usar o banheiro…”)

O trabalho do comitê é maravilhoso, caso você tenha interesse: (http://www.youtube.com/watch?v=NGkAolFkYZQ)

É incrível poder usar nosso conhecimento em prol de ações dessa natureza. Isso também me coloca numa posição privilegiada e me dá chancela para compreender que os meandros da publicidade são ponte de acesso escancarado ao comportamento humano. Em vez de buscar os artifícios que ela usa para encantar, cabe descobrir por que as pessoas se encantam. Essa é a chave.

Propaganda sozinha não faz nada. Sua força está no pacto simbólico que ela faz com o público, evidenciando emoções que ele já tem, fazendo-o “sentir na pele” um pouquinho e propondo ações imediatas que trazem satisfação (comprar um produto, fazer uma doação). Se frases de efeito e metáforas mirabolantes fossem suficientes, ninguém mais usaria drogas, nem transaria sem camisinha, muito menos se arriscaria no trânsito, porque o que não falta é campanha pregando isso.

A propósito, eu guardo o anúncio como uma relíquia, ainda que nunca tenha tomado o vinho Marjolet, nem qualquer outro vinho, simplesmente porque não gosto do sabor do álcool. Sou abstêmia. Também sei dos problemas que seu excesso causa. Então este é um exemplo de que é possível consumir apenas o simbolismo de um anúncio, sem necessariamente consumir o produto de fato.

Hoje acompanho de camarote a imaginação dos meus filhos acerca do que eles vão ser quando crescer. O mais velho já foi médico, agora quer ser cientista, ganhador do Prêmio Nobel e dono de uma grande empresa de tecnologia que vai inventar o remédio que cura todas as doenças e o teletransportador.

A do meio também já foi médica de olho de criança, mais tarde incrementada para oftalmologista infantil, e hoje se delicia com a perspectiva de ser a nova Mauricio de Sousa e desenhar o próprio gibi.

O caçula já foi chef de cozinha de pizza, carregador de mala e agora é chef de cozinha de pizza novamente. O curioso é que comer, para ele, nunca foi a coisa que mais adora no mundo. Com minha mania de explicação, deduzi que ele escolheu situações em que me vê feliz: quando ele raspa o prato e o momento em que finalmente resgatamos todas as malas na esteira do aeroporto.

Aqui, observo que o tempo todo falei de profissões. E me lembro de uma conversa com uma amiga do trabalho. Eu estava frustrada com um projeto, que havia me consumido três anos antes, tinha sido abandonado por conta das marés da política, e agora precisava ser ressuscitado. Comentei que essas coisas nos faziam questionar o sentido de tudo, de quem eu era como profissional. Ela me disse: “Marusia, isso é só trabalho.”

SÓ trabalho? Só trabalho. Ainda que pensemos que seja, não é o trabalho o que nos define. Ainda que as pessoas perguntem: “o que você faz?” para saberem quem eu sou, não é isso que sou.

E terminamos nossa conversa propondo uma nova forma de escrever currículos:

Eu, Marusia,

  • adoro música, viagem, doce de leite e pegar jacaré no mar.
  • Adoro o sol, sou uma criatura diurna e absolutamente tropical.
  • Sou toda planejadinha e fico louca quando o planejamento fura, mas também sei curtir quando o imprevisto é muito mais legal do que o script.
  • Socializo minhas descobertas e fico muito feliz quando minha experiência tem reflexo positivo na vida de outras pessoas.
  • Meu maior defeito é minha maior virtude: ser transparente.
  • Minha família é meu bem mais precioso. Meu talento é incentivar as pessoas para que elas descubram o que têm de melhor.

Esse, sim, é um curriculum vitae real. Currículo vital. Currículo da vida.

Quero que meus filhos sejam livres para escolherem seus caminhos. Esse é o tipo de currículo que eu espero que eles escrevam, com suas próprias qualidades.

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Veja também:

Publicidade, Propaganda e Design em ideias simples e bem-boladas:

http://www.tumblr.com/blog/add1ad

Aqui no blog:

Os segredos dos publicitários

Quero ser criança quando eu crescer

O Livro do Bebê

Merenda

Barba Azul e a violência contra a mulher

capa do livro Barba Azul, de Ruth Rocha

Meu filho de 10 anos chegou para mim indignado:

– Peguei na biblioteca esse livro da Ruth Rocha e detestei!

– Que livro?

– Barba Azul.

– É um conto de fadas muito antigo.

– Antigo e horroroso!

***

Barba Azul é bem menos conhecido que Branca de Neve e Cinderela (que também têm seus requintes de crueldade). Para quem não leu, é a história de um nobre que se casa muitas vezes, e ninguém sabe o paradeiro das esposas. Ao se casar com a oitava, dá a ela as chaves de todos os aposentos do palácio, alertando-a apenas de um, no qual não deveria entrar jamais. Ela (obviamente) entra e encontra os corpos das esposas assassinadas. Ao ver seu segredo revelado, Barba Azul diz que ela terá o mesmo destino das demais, por ter traído sua confiança. Entretanto, os irmãos da moça chegam e conseguem impedi-lo, matando-o.

Eu li Barba Azul quando tinha a idade do meu filho. O curioso é que não me impressionou tanto. Em parte, penso que o fato de ter escolhido um livro da Ruth Rocha criou nele a expectativa de algo mais leve e divertido; daí a sua indignação. Mas resolvi ir mais a fundo e provoquei:

– Ué, você joga esses videogames do Lego, e se impressionou com Barba Azul?

– Totalmente diferente, mãe! Aquilo é só um jogo.

– Quando o Batman derrota o inimigo, o boneco explode, e sai cabeça, perna, braço de Lego para todo lado!

– O Lego é de brinquedo.

– E aquele game de luta? Aquele também é horrível.

– Luta é um esporte, e os lutadores têm a mesma força. As mulheres do Barba Azul não tinham como se defender.

(continuando a provocação) – Mas elas não mereceram? Elas foram desobedientes, ele tinha pedido para elas não entrarem naquela sala.

– Mas isso não é motivo para matar ninguém, mãe!

– Os irmãos da moça também mataram o Barba Azul.

Aí minha filha, que estava prestando atenção à conversa toda, disse:

– Mas ele é do Mal, mãe.

Eu reli Barba Azul quando estava grávida dela, em um contexto bem diferente: na análise formidável de Clarissa Pinkola Estés, no livro “Mulheres que correm com os lobos”. A autora associa cada personagem da história, e detalhes como a chave, aos elementos da psique feminina, tomando por base a teoria dos arquétipos de Jung. E mostra a importância de aniquilarmos, dentro de nós, o monstro mental que nos impede de sermos curiosas, criativas e termos acesso às NOSSAS VERDADES.

De aniquilarmos essa força que “é do Mal”.

Talvez, quando eu era criança, vivesse em uma sociedade em que a agressão às mulheres era “cultural”. Em que ler Barba Azul não despertava indignação. Em que as pessoas estavam “acostumadas” a ver, sem questionar, anúncios publicitários como estes (traduções livres):

Anúncio do tecido Dacron. Homem pisa na cabeça de mulher

“É bom ter uma garota por perto”

Anúncio do café Chase and Samborn, com marido batendo na mulher

“Se o seu marido descobrir que você não está escolhendo o café mais fresco…”

Anúncio da cerveja Schlitz. Marido consola esposa, que chora porque queimou a comida

“Não chore, querida, você não queimou a cerveja!”

Anúncio dos suéteres Drummond. Homens no topo da montanha e mulher pendurada.

“Homens são melhores que as mulheres. Em casa, elas são úteis – e até agradáveis. Na montanha, contudo, elas são um estorvo.”

Anúncio das gravatas Van Heusen. Mulher ajoelha-se e serve o café para o marido, na cama.

“Mostre a ela que este é o mundo do homem.”

Anúncio da batedeira Kenwood. Mulher com chapéu de chefe de cozinha abraça o homem de terno.

“O chefe faz tudo, exceto cozinhar – é para isso que servem as esposas!”

Anúncio de Palmolive. Mulher à frente do espelho, com ombro à mostra, olha de forma sedutora para o expectador.

“A maioria dos homens pergunta: ‘Ela é bonita?’ e não ‘Ela é inteligente?’ “

Anúncio das vitaminas Kellog's PEP.  Homem de terno abraça a esposa com avental e espanador.

“Quanto mais duro uma esposa trabalha, mais bonita ela fica! Vitaminas para animar”

Anúncio da máquina de franquia postal Pitney Bowes. Homem tenta convencer mulher a usar máquina.

“É sempre ilegal matar uma mulher?”

Hoje me choca ler a notícia de que a Lei Maria da Penha não conseguiu reduzir o número de homicídios de mulheres. Barba Azul de carne e osso ainda está atual. Mas, ao contrário da história, não é a pena de morte a solução. Deve-se destruir o aspecto simbólico, para que então isso se reflita na realidade – é por isso que os contos de fadas são tão preciosos. A resposta está no conhecimento, na educação.

Por isso, é maravilhoso ver meus filhos adotando uma postura de debate, de contestação. De não achar “normal” que mulheres sejam agredidas. Nem na ficção.

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Veja também:

Os segredos dos publicitários

Verdades

El Bigodito

Mães de animações e seriados 3: por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Maneiras idiotas de morrer

Sites visitados:

Blog do Eduardo Biavati

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“Não se acostume com o que não o faz feliz.” (Silvana Duboc – leia a íntegra)

Nesta semana, participei do 8º Congresso Brasileiro e 4º Internacional de Trânsito e Vida, em Salvador, que apresentou dados contundentes sobre essa realidade que insiste em se perpetuar no Brasil: pessoas morrendo ou sofrendo graves consequências devido à cultura insana de sobrepor interesses monetários aos interesses coletivos.

Uma das pessoas que conheci foi Eduardo Biavati. Ele observa o trânsito por um ângulo bem maior. Em sua palestra, acrescentou a última pesquisa Pense, que mapeia hábitos dos adolescentes. Mostrou, por exemplo, que nossas crianças não mais vão à escola a pé, de bicicleta ou de ônibus. A rua tornou-se “perigosa” demais, e os pais, visando à proteção, motorizou os trajetos dos filhos. Filhos que passaram a ver o mundo através da janela de um veículo, perdendo a noção do risco e – pior ainda – o senso do coletivo. Da cidadania.

Me identifiquei duplamente na palestra do Biavati. Com 8 anos, eu ia a pé sozinha para o ballet (ou de ônibus, quando chovia). Não sei se tenho a mesma coragem de deixar meus filhos fazerem o mesmo no dia-a-dia. Para eles, o ápice da aventura foi andar a pé e de metrô em São Paulo, mas sempre acompanhados por nós. Fico preocupada quando vão brincar com os amigos na quadra ao lado, e precisam atravessar as ruas. E não é só pelo trânsito, mas pelos usuários de crack, pelos pedófilos.

Ao final da palestra, Biavati apresentou um vídeo do Metrô de Melbourne, em Victoria, na Austrália, que integra a campanha pela segurança nas linhas de trem, chamada “Dumb ways to die” (“maneiras idiotas de morrer”). A propaganda alerta para diversos tipos de risco no cotidiano, tais como tomar remédio com validade vencida ou usar eletrodomésticos de forma inadequada, combinados a bizarrices como servir de isca para piranha ou se vestir de alce na temporada de caça, terminando com os perigos de não respeitar as regras de segurança nos trilhos de trem. O sucesso está na abordagem ampla, na metáfora, na dose certa de choque e na informação.

http://www.youtube.com/watch?v=jfEHAVH20hY

Quando assisti, lembrei instantaneamente da musiquinha chiclete que ouvia nos jogos eletrônicos dos meus filhos, dias antes de viajar. Eu tinha desconfiado do refrão e pensado: “quando chegar de viagem, vou investigar que jogo é esse.” Pois o jogo consiste justamente em “salvar” a vida dos monstrinhos nas diversas situações.

Incrível o poder dessa propaganda, associada a outras iniciativas como o game, que cruzou o planeta para ser conhecida pelas crianças aqui no Brasil.

Pesquisando no YouTube, encontrei duas paródias brasileiras, uma para o Rio de Janeiro, outra para Belo Horizonte. Fiquei, ao mesmo tempo, surpresa com a criatividade e estarrecida com a crítica.

http://www.youtube.com/watch?v=OVOQU041u6Q

http://www.youtube.com/watch?v=hCk3j0Q0gQE

No Brasil, andar na ciclovia, parar no sinal vermelho, seguir a sinalização de trânsito, usar o transporte público são maneiras idiotas de morrer.

Enquanto isso, assistimos, de forma impotente, nossos governos apostarem tudo na produção cavalar de veículos motorizados, reduzindo o IPI para incentivar o consumo, glorificando o petróleo. Mas não, o governo se exime na propaganda e põe a “culpa” no cidadão, é ele o responsável único pelo trânsito. Esse foi o tema da minha palestra no Congresso Trânsito e Vida: por que a propaganda de paz no trânsito não surte efeito?

campanha Parada Seja você a mudança no trânsito

Se a rua está perigosa, não quero me acostumar a isso (é fácil acostumar, quando estamos na nossa zona de conforto). E, se a mudança está nas mãos do cidadão, vamos ver nas próximas eleições quem são os candidatos que colocam o transporte público de qualidade como prioridade. Status não é sair de carrão, é poder ir e vir sem se preocupar com engarrafamento e vaga para estacionar. É cruzar com outras pessoas e restituir nosso senso de cidadania.

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

Se abrir fábricas monstruosas da indústria automobilística gera emprego, então vamos abrir fábricas de metrô, de trem. Diminuindo os desastres, o dinheiro que hoje é usado para pagar os tratamentos e pensões por invalidez das vítimas do trânsito poderia ser investido em mais ciclovias e linhas coletivas.

Chega de perdermos vidas por causas idiotas.

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Veja também:

Protesto Materno: eu quero mais

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Olho de boi, olho d’água

Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

O aprendizado do amanhã

Sites Visitados:

Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês – Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Veja também:

O curso mais interessante do mundo

O que aprendi sobre… semana de prova

Quero ser criança quando eu crescer

Caminhos

Mãe Horta, Mãe Jardim

Observo em mim duas funções maternas: a Mãe Horta e a Mãe Jardim. Essas analogias vieram da seguinte história:

Uma menina fica órfã de pai e mãe e vai morar com o primo em uma mansão. Ele é doente e também não tem mãe. As duas crianças iniciam uma amizade. Um dia, descobrem um jardim secreto (e abandonado) na mansão. Com a ajuda de uma aia, os primos voltam a cultivá-lo e desabrocham como as flores, em plena saúde e alegria de viver.

Esse é o enredo de “O Jardim Secreto”, sucesso de literatura escrito em 1911 por Frances Burnett. Diana e Mario Corso fazem uma linda análise deste livro. Na falta da presença materna física, os autores localizam duas pessoas que fazem as vezes de mãe na história: a rígida governanta, que cuidava do bem-estar básico; e a aia, que supria de fantasia os dias do menino doente e da prima.

Os Corsos ainda fornecem a metáfora-chave para a compreensão do clássico: o jardim evoca o símbolo materno, cuja função não pertence à ordem das necessidades básicas, mas à da beleza. Flores são cultivadas não como alimento, mas pelo deleite (“A Psicanálise na Terra do Nunca”, p 219). Aí reside o desabrochar da vida.

Eu sou Mãe Horta quando me preocupo com as necessidades básicas, com cada detalhe. Unha cortada, dente escovado, dever de casa feito. A Mãe Horta é racional. É o meu lado que pede para levar o casaco. Que programa cada segundo da viagem de férias, faz as malas. E também matricula na natação, leva ao médico e ao posto de vacinação. Participa das reuniões na escola. Elabora o cardápio diário. Impõe limites. Devora milhões de livros e lê os sites sobre maternidade.

Sou Mãe Jardim quando brinco, dou risada, fico espontânea. Conto história, canto, danço. Quando deixo a lógica de lado e abraço, mesmo quando meus filhos mereciam uma bronca.

O problema é que a Mãe Horta não deixa muito espaço para a Mãe Jardim. São tantas tarefas, num cotidiano cronometrado, mediante tanta pressão, que quando tudo é cumprido muitas vezes só resta o cansaço. Sobram ali as florezinhas murchas e mixurucas.

É como se meu lado Mãe Jardim, o arquétipo materno em sua essência e totalidade, estivesse sufocado. Sendo ele o componente fundamental para a constituição de uma criança, como afirmam os Corsos, essa constatação me fez parar diversos momentos para refletir.

A dificuldade existe porque a Mãe Horta também é fundamental. Tudo bem que essa função pode ser dividida com outras pessoas, mas nem sempre. Além disso, há um perigo: a Mãe Horta exagerada se enrijece, é repressora e tende a projetar nas outras mães tudo o que ela não concorda.

Então estou em busca de um outro símbolo: quero ser Mãe Pomar. No pomar, às flores sucede o alimento. Ser Mãe Pomar é tentar colocar afeto e criatividade nas tarefas, mesmo as mais comezinhas, fazendo com que elas percam o caráter de obrigação. Uma conversa legal durante o almoço, uma brincadeira na hora do banho, uma piada para cortar a unha. O simples ato de estar junto é uma oportunidade de conhecer melhor as crianças.

Confesso que estou mais para uma plantação de morango. Nutritiva, mas azedinha… 😉

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Veja também:

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Caminhos

Feche a boca e abra os braços

A sabedoria que só se conquista aos dois anos

Princesa da Sucata

Já tinha falado antes sobre as feiras científicas e culturais da escola, ávidas por criações mirabolantes de sucata, feitas pelos… pais. Tem pai e mãe superprendados, levam coisas lindas e sofisticadas, ao passo que eu continuo sem levar jeito pro negócio. Não sei costurar, não sei fazer papel machê e procuro algo mais simples pra incluir as crianças no processo.

“Escolha um personagem de conto maravilhoso e represente-o usando sucata.”

Aí vem minha filha: “Quero a Cinderela”.

Não tem um mais fácil, não? O Sr. Ovo? O Homem de Lata do Mágico de Oz, ó que massa, já é de sucata! Que tal a Lagarta de Alice no País das Maravilhas feita de meia?

“Não, quero a Cinderela.”

Então vamos lá, dar uma de fada-madrinha e preparar Cinderela para o baile. Você vai precisar de:

  • Uma garrafa pet;
  • Uma bola de isopor;
  • Papel amarelo;
  • 3 folhas A4 de papel azul ou 3 folhas A4 de papel branco + tinta guache azul;
  • Papel branco;
  • Papel cartão branco;
  • Palito de dente;
  • Fita crepe;
  • Hidrocor;
  • Fita de cetim azul;
  • Miçangas;
  • Cola de artesanato.

Eu podia ter feito o vestido com o papel azul, mas preferi que minha filha pintasse o papel branco com guache azul. A textura fica mais interessante, o papel mais rígido, e ela adorou fazer.

Meça a bola de isopor. A metade do diâmetro é a largura do papel amarelo. Corte uma franja curta e estreita em cima e outra maior embaixo. A franja maior vai se superpondo para a parte de trás da cabeça. Outro retângulo pequeno de papel amarelo, outra franja para o coque. O arremate é com papel azul, para a tiara.

cinderela de sucata

Cinderela de Sucata

Forre o colo com papel branco.

Faça o babado grande em 2 folhas de papel azul ou pintado. Cole a primeira saia. Cole a segunda saia alternando o babado e fazendo o arremate atrás.

cinderela de sucata

O terceiro papel, corte ao meio. Faça babados menores. Cole o primeiro para cima e o segundo alternando e fazendo o arremate. Curve todos os babados para fora.

Faça o acabamento com a fita azul na cintura.

Faça os braços de papel cartão, coloridos com hidrocor. Faça o rostinho com hidrocor.

Cinderela de sucata

Coloque um palito de cada lado da bola e fixe na boca da garrafa com a fita crepe.

Cole miçangas na tiara (essa é a parte em que as crianças mais curtem). Duas para os brincos. E um colar como acabamento no pescoço.

Cinderela com garrafa pet

Dica: escolha uma bola de isopor maior do que a que eu escolhi, para a boneca ficar mais proporcional.

Minha pimpolha foi uma das primeiras a entregar na escola. No dia da feira, fiquei contente com mais outra Cinderela, uma Aurora e uma Bela usando a mesma “técnica” kkkkk!!

Mas o mais engraçado foi a plaquinha em cada personagem, com o que cada criança aprendeu com ele. Na Cinderela da minha filha, ela escreveu: “Aprendi com Cinderela que devemos amar as irmãs.”

#AMO

irmãs de Cinderela sorrindo

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Verdades

Uns peixes, um coelho e uma mula

O que aprendi sobre… semana de prova

O curso mais interessante do mundo

#protestomaterno: eu quero mais

protesto materno

:: BLOGAGEM COLETIVA – Mães unidas por um Brasil melhor ::

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Chorei quando vi as manifestações.  Repudiei o vandalismo. Ri da irreverência. Mas eu quero mais.
cartaz manifestação brasil

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Disseram que estamos vivendo, a exemplo da Primavera Árabe, a Primavera Brasileira (ou Outono Brasileiro, para ser mais correta).

Eu discordo.

Os países árabes vinham de décadas de ditaduras pesadas. No Brasil, TODOS os governantes e representantes foram ELEITOS.

Nos países árabes, o Orçamento não é votado e publicado no site Transparência Brasil.

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Disseram que nunca tantos brasileiros saíram às ruas para mudar o País.

Também discordo.

A cada quatro anos, mais de 140 milhões de pessoas saem de suas casas para votar.

***

Acorda, Brasil! O grande evento de 2014 não é a Copa. São as Eleições. Em outubro: verdadeira Primavera Brasileira.

É o nosso voto que vai determinar se vai haver publicidade infantil, bolsa-estupro, PEC 37 ou gastos milionários de marketing.

É isso que vai determinar se vamos continuar chorando o spray de pimenta derramado.

cartaz manifestação Brasil

cartaz manifestação Brasil

beijos

cartaz manifestação Brasil

torcida imagina nas eleições

Fan page #protestomaterno:

https://www.facebook.com/protestomaterno

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O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Olho de boi, olho d’água

O que aprendi sobre… semana de prova

criança fazendo o dever de casa

Foto: hvaldez Stock Xchng

Então aqueles bebezinhos que mamavam e dormiam de repente começam a andar, a trazer dever de casa e a ter semana de prova. Então você tenta se lembrar de como era quando você estava na escola, tenta reproduzir o que na época dava certo (e evitar o que dava errado) nesse novo empreendimento. Então descobre que algumas coisas funcionam – e outras, não.

Semana de prova começa com dever de casa. Este post também poderia se chamar “O que aprendi sobre… dever de casa”. E é por aí que vamos começar.

O que aprendi com meus pais

Somos cinco irmãos. Todos nós fazíamos o dever de casa e estudávamos sozinhos. E isso se devia a algumas “técnicas” aplicadas pelos meus pais.

Não havia “ajuda”. Quando eu tinha dúvidas, meus pais diziam: “Ah, eu estudei isso há muito tempo, não lembro mais”. Tinha hora que ficávamos estupefatos. Minha mãe tinha sido professora primária por anos, dessas que ganhavam medalha. Meu pai era diretor de um banco. Uma duvidinha besta, uma conta de divisão, eles não conseguiam lembrar? Uma vez, a gente até se confidenciou: “Não é por nada, não, mas nossos pais são bem burrinhos, né?” De “burrinhos” não tinham nada. Qual o efeito disso? Eu sabia que não teria suporte em casa, então me esforçava para prestar MUITA atenção na aula e tirar as dúvidas com o professor. Lição número 1 de autonomia.

Não havia “correção”. Se o dever fosse corrigido em casa, como o professor iria saber se a criança estava tendo dificuldades, e quais eram? Como ele iria direcionar a matéria, dedicar melhor a alguns pontos? Para ele, com o dever sempre certo, seria sinal de um aluno prodígio.

mafalda e manolito na escola

Criação: Quino

O professor é a autoridade. Se os pais não confiam nele, devem alertar a escola. Se não confiam na escola, o melhor é… mudar de escola. O que não dá é criar um cabo de guerra entre os pais e quem está ensinando. No mínimo, isso cria um nó na cabeça da criança.

Botar para “pensar” no cantinho? Tá por fora. O negócio é aprender no cantinho. Quando tinha que deixar a gente “de castigo”, meu pai dava uma tarefa pra cumprir. Tipo copiar verbete de enciclopédia (à mão, óbvio, não existia Google – aliás, não existia PC), ou escrever de 1 a 100 em algarismos romanos. Cantinho educativo.

Tira do Calvin
O que aprendi hoje

A técnica número 1, a de sonegar ajuda, não é totalmente aplicável, hoje. No meu tempo, não tinha exercício cujo enunciado era: “com a ajuda da família”, “com a ajuda de um adulto”, acompanhado de missões que a criança nunca faria sozinha. Por exemplo: “Com a ajuda da família, faça uma maquete.” Um elasmossauro de sucata, um monumento de Brasília. Ou, como já postei, um aquário, um coelho, uma mula.

pai observando o filho fazer o dever de casa

Foto: Halton Parents

Eu procuro discernir. Aqueles deveres de procurar imagens ou palavras em revistas para formar frases, ou ainda “rótulos de embalagem com a letra do seu nome” são cruéis. Se a gente não ajudar, a criança fica até meia-noite procurando. Eu localizo uma página que tenha a figura ou a palavra e pergunto: onde está? Daí por diante, eles acham, recortam, colam e fazem as frases. E o objetivo do exercício é alcançado.

Pesquisa na internet: como uma criança de 4 anos vai fazer isso? Dependendo do tema, é impossível. Uma vez, veio: “pesquisar como eram os currículos escolares na década de 1910”. Sério. Experimente você, que é rato de Google, achar isso. Depois de horas, eu achei em um arquivo de “memória oral” de idosos que estudaram em uma escola no interior de São Paulo.

Importante: em hipótese nenhuma, a gente deve fazer o dever pela criança. A gente orienta, inicia o estímulo, mas o dever é dela.

A técnica número 2, a de não corrigir, é a mais árdua. Para mim, que trabalhei anos e anos com revisão de texto, encontrar uma redação cheia de erros de ortografia dói no coração. Quando eu não aguento, circulo a palavra errada e pergunto: onde está o erro? O drama reside em três pontos:

  1. Diferentemente do professor, eu não tive aula de didática, não tenho formação pedagógica, não domino a técnica de ensinar da melhor forma, não sou profissional de ensino. Menos ainda quando entram as teorias de que “a criança tem que construir o próprio conhecimento.”
  2. Ensinar é se lembrar de como era antes de aprendermos, já disse Richard Saul Wurman (no livro “Ansiedade de Informação” – SENSACIONAL). Não é fácil. O pior é quando nós aprendemos de um jeito fácil e simplesmente não sabemos onde está a dificuldade. Fui alfabetizada do jeito tradicional, e não por “escrita espontânea”, e até hoje não vi muita lógica nisso de aprender a escrever antes de aprender a ler. Mas eu tenho que confiar no professor…
  3. Sou mãe. Tem coisa que meus filhos vão fazer comigo (por exemplo testar minha paciência, ou fazer chantagem emocional) que não fazem com os professores. É um relacionamento diferente.

E aí eu me deparo com “pérolas” como estas (diálogos reais):

– P com A é…

– …

– Se P com E é pe, P com I é pi, P com O é po, P com U é pu, P com A é…

– TE!!!!

***

– O que é um pinguim?

– Um mamífero!!!

***

– Por que surgiram os conflitos entre os colonizadores e os nativos?

– Porque os índios já tinham muitos espelhos.

***
keep calm and do your homework
Acho o ó:

Pirações, como recortar milhares de notinhas e moedinhas de papel.

Pedir coisas esdrúxulas de um dia para outro, que você precisa achar um tempo na agenda e ir a uma loja específica para comprar, como sementes de árvores típicas.

Pedir garrafa pet de refrigerante pra fazer reciclagem. Aqui em casa a gente não toma refrigerante, oras bolas.

Enviar trocentas tarefas em feriadão ou nas férias. Momento de família, puxa, muitas vezes a gente escapole da cidade e viaja. Meus filhos já tiveram que fazer dever no hotel.

Às dicas dos meus pais, acrescento estas:

Ensinar é a melhor forma de aprender. De vez em quando, peço aos meus filhos mais velhos que ajudem o caçula. Antes que digam que sou exploradora de inocentes, saliento que eles adoram. Se sentem sábios, se sentem prestigiados. Por incrível que pareça, são pacientes. E reproduzem o que ensinamos para eles: “olha, presta atenção aqui…” (muito fófis!!)

Prestar atenção na aula é 60% do sucesso na prova. Somam-se 30% de exercício em casa e 10% de estado de espírito na hora de resolver as questões.

Ensinar a estudar – esse é o melhor investimento que podemos fazer. Para isso, as crianças precisam de espaço e tempo adequado. Mais dicas:

  • Comece “tomando prova” – fazendo perguntas para a criança, para ver se houve fixação do conteúdo lido. Crie historinhas, correlacione os assuntos: fica divertido e o que é aprendido não é esquecido nunca mais.
  • Na segunda vez, peça para que a criança faça as perguntas.
  • Da terceira vez, ela já estará estudando sozinha – e até fazendo “testes” para si mesma. Em matemática, exercício é primordial. Hoje, meus filhos criam as próprias contas, resolvem e testam o resultado fazendo operação inversa.

Ensinar a fazer prova – tem que ter malícia. Dicas:

  • Ler a prova inteira antes de começar. Muitas vezes, a própria prova já fornece algumas respostas.
  • Depois da leitura da prova, o passo seguinte é a redação e a parte subjetiva (se houver). A cabeça está mais fresca.
  • Ler cada comando no mínimo duas vezes.
  • Começar sempre pelas questões mais fáceis.
  • Revisar tudo ao final.

O que realmente importa

No meu tempo, existiam países como Iugoslávia e URSS, que hoje não existem mais. Havia um conflito chamado Guerra Fria. O Tocantins ainda não havia sido criado. As grandes revoluções da comunicação, como a internet, nem sequer eram cogitadas.

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas”.

(frase recolhida de um muro de Quito-Equador por Eduardo Galeano)

Respostas têm prazo de validade. Na atual velocidade da informação, já surgem obsoletas.

O que realmente importa não é saber as respostas. É saber fazer as perguntas. Essa é a grande lição que devemos deixar para nossas crianças.

mafalda perguntando o que é filosofia

Criação: Quino

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O curso mais interessante do mundo

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Da série O que aprendi sobre…

… sono

… desfralde

… gravidez

O curso mais interessante do mundo

Desde 2003, estou matriculada em um curso de longa duração que queria fazer desde pequena. Sonho de infância. Todo mundo diz que é o melhor, que não existe nada parecido, alcance internacional.

estudantes fazendo prova

Tentei a primeira admissão em 2002, mas infelizmente não obtive êxito. Estava tão obstinada que em 2003 finalmente consegui ingressar. O sistema é mesmo muito diferente. Não raro, tudo o que eu tinha aprendido vai por água abaixo durante as aulas.

Os professores não avisam quando vai ter prova. Por vezes, aliás, acontece de eu nem ter compreendido direito uma matéria e ela já ser cobrada em um teste surpresa. Para ser mais exata, até hoje não vi um único dia que não tivesse prova.

mulher lendo livro

O currículo é puxadíssimo. Tenho que compatibilizar com o trabalho, renunciar a várias coisas. Passar a noite estudando ou fazendo um projeto. Ainda assim, não é garantia para passar. Mais comum é ter de fazer, refazer e refazer. Muitas vezes, para dar conta, faço inscrição nos trabalhos em grupo. Flui melhor.

Em alguns momentos, ocorre bullying. Tem gente que diz que estou fazendo errado, que deveria fazer de outro jeito. Entretanto, se os professores, as disciplinas, os horários e as salas de aula são diferentes para cada aluno, como é que eles querem comparar? Não existe parâmetro.

As aulas são todo dia, inclusive fim-de-semana e feriado. Há aqueles que preferem o módulo à distância, mas eu acho que, nem de longe, tem a mesma graça do curso presencial. Esse é imbatível.

É a experiência mais transformadora de todas e fica mais rica e profunda quanto maior for a dedicação. E digo para vocês: vale a pena cada segundo.

O curso mais louco e lindo do mundo chama-se “Criar Filhos”. Tenho o privilégio de ter três professores exigentes e maravilhosos.

Há três anos, publico minhas anotações de aula na internet. Três anos de aniversário do blog Mãe Perfeita.

Feliz Dia das Mães para todas as minhas colegas de curso!

criança vestida de professor

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Por que temos filhos?

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Felicidade real

This post in English: The World’s most interesting course

Os segredos dos publicitários

Dia desses eu li no Facebook uma definição para alimentos saudáveis: todos os que não têm propaganda.

Os intervalos comerciais trazem realmente uma sucessão de produtos industrializados, cujos apelos se apoiam em:

  • Personalidade de Marca;
  • Design chamativo;
  • Predominância de enredos de conteúdo emocional, com associação a situações prazerosas, até mesmo fantásticas;
  • Praticidade no consumo. Exemplo: “pronto para beber”;
  • Algum elemento racional. Exemplo: “enriquecido de vitaminas”;
  • Presença constante na mídia; repetição.

A propaganda é o que garante visibilidade a esses produtos. E vai se estender em cuidadosas estratégias até ao ponto de venda, seja o supermercado ou a lanchonete.

Propaganda não é mera informação; é informação “embalada para presente”. Para encantar, convencer, persuadir. E superar a concorrência.

Os alimentos saudáveis têm todas as características para superar essa concorrência. Podemos aplicar as táticas da propaganda para dar a eles mais visibilidade.

Então, seguem alguns anúncios que gostaríamos de ver:

propaganda de banana. publicidade de alimento saudável.

Clique na imagem para ampliar

propaganda de água de coco. publicidade de alimento saudável

Clique na imagem para ampliar

anúncio publicitário de palitos de cenoura

Clique na imagem para ampliar

Nos Estados Unidos, a simples reorganização dos refeitórios gerou resultados impressionantes. O que foi feito?

  • Cartazes e banners com fotos maravilhosas de alimentos saudáveis logo na entrada;
  • Mesas com buffet permanente de frutas cortadinhas;
  • Frutas e legumes em bandejas separadas por cor, apresentados bem suculentos;
  • Refrigerantes, frituras, guloseimas fora do alcance dos olhos e da mão – todos escondidos atrás do balcão. Se a criança quiser, vai ter que pedir.
refeitório escolar

Foto: Larry Fisher

Podemos tomar emprestadas essas ideias e testar em casa. Os “garotos-propaganda” não poderiam ser melhores: nós, os pais. Saborear essas delícias em família é o melhor exemplo…

A propaganda é inteiramente fundamentada na marca. Todos os outros apelos são para enaltecer a assinatura, a marca. Podemos convidar as crianças a pensar em nomes, slogans e enredos divertidos para os alimentos.

Os mestres de redação publicitária são taxativos para que os trocadilhos sejam banidos para todo o sempre; mas estes são tão engraçados que a gente abre uma exceção…

Para a criançada que curte super-heróis:

(Campanha completa)

anúncio publicitário de uvas Hortifruti

anúncio publicitário laranja verde Hortifruti

anúncio publicitário He manga Hortifruti

Anúncio publicitário Mulher Marervilha Hortifruti

Para quem gosta de cinema:

(Campanha completa)

anúncio publicitário A incrível Rúcula Hortifruti

anúncio publicitário Hortaliça rebelde. Hortifruti

anúncio publicitário dois milhos de francisco. Hortifruti

batatas do caribe

anúncio publicitário Pepino Maluquinho Hortifruti

anúncio publicitário chuchurek hortifruti

anúncio publicitário e o coentro levou... hortifrutiPara quem adora música:

(Campanha completa)

anúncio publicitário couve garota de ipanema Hortifruti

anúncio publicitário eu uso brócolis Hortifruti

anúncio publicitário like a vagem hortifruti

Para exercitar a imaginação e encontrar formas semelhantes (como nas nuvens!):

(Campanha completa)

anúncio de gengibre Hortifruti

anúncio publicitário beterraba hortifruti

anúncio de tangerina Hortifruti

Para quem lê revista de fofoca:

(Campanha completa)

Revista Cascas Hortifruti

anúncio publicitário Revista Cascas alho hortifruti

Para os antenados em moda:

(Campanha completa)

Publicidade. A moda é usar roxo Hortifruti

A moda é usar verde anúncio da Hortifruti

Esta é importada (Diana Ross):

Na pesquisa, ainda encontrei perdido um anúncio de frutas brasileiras. Mas só foi veiculado no exterior. Apex, vamos divulgar no Brasil também…

campanha para promoção de frutas brasileiras no exterior

Um tiquinho de contrapropaganda:

Pense fora da caixinha. Salada de frutas Hortifruti

A diferença entre a publicidade e a realidade (rs!)

(post completo)

diferença entre foto da embalagem e a realidade

Nossa, agora vou ali na cozinha comer uns palitos de cenoura com água de coco… De sobremesa, uma banana amassadinha, hmmmmmmm! ^^,

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Veja também:

Brinquedos que gostaríamos de ver

Verdades

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Sites visitados:

Documentário Carta Mãe, da TV Câmara (para assistir e baixar)

Portal Plenarinho da Câmara dos Deputados – o jeito criança de ser cidadão

A história de Marquinhos, deputado mirim que transformou a vida de sua cidade no sertão nordestino

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Quando estava no 2º Período, meu filho mais velho participou de um projeto literário na escola que contava com a ajuda das famílias – claro, nessa época as crianças ainda estavam começando a conhecer o alfabeto. Um livro era levado para casa e, com base na história, deveria ser produzido um cartaz. Além disso, a criança deveria preparar uma apresentação e levar lembrancinhas alusivas para os colegas.

O livro que meu filho trouxe era “Na minha escola todo mundo é igual”. A história era sobre o respeito às diferenças. Fiquei pensando no que poderia ilustrar isso com perfeição. Me lembrei da nossa Carta Magna, que diz:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Fomos, então, às revistas e procuramos imagens de pessoas de todos os tipos, crianças, adultos, idosos, mulheres, homens, de todas as cores, nacionalidades, alturas, aparências. Imprimi um mapa múndi em duas folhas A4. Com uma mesa de luz improvisada (colocamos um abajur embaixo da mesa de vidro para que a cartolina ficasse transparente), copiamos o mapa. Contornamos de canetinha e colamos as pessoas nos países de acordo com suas características – os que tinham olhinhos puxados ficaram mais concentrados na Ásia, por exemplo. Mas reservamos fotos de pessoas com essas mesmas características para colar no Brasil.

Na parte de baixo, puxamos uma seta, como se fosse uma lupa, e colamos a foto do Congresso Nacional, em Brasília. Mais uma vez, colamos imagens de pessoas diferentes entre si.

A mensagem era:

Pessoas de todo mundo vêm para o Brasil.

Pessoas de todo o Brasil vêm para Brasília.

Em Brasília, foi criada a Lei que diz que todos são iguais.

Conseguimos 30 exemplares da versão compacta da Constituição Federal de 1988 (somente com a Lei pura, sem o detalhamento das emendas), para serem distribuídos como lembrancinha para as crianças, com o artigo 5º grifado.

João Marcelo – Documentário Carta Mãe, da TV Câmara

As professoras ficaram muito emocionadas. Para a maioria das crianças, era a primeira vez que tinham contato com a nossa Carta Mãe, nossa Lei máxima.

Aqui em casa somos naturalmente envolvidos com política, por causa do nosso trabalho. Achei lindo demais quando fomos explicar a nosso filho da importância daquele documento, do que ele representa para nosso País, de tudo o que ele preconiza, e meu marido encheu os olhos de lágrimas.

A Constituição foi promulgada em outubro de 1988. Também em outubro a Câmara dos Deputados realiza o Câmara Mirim: crianças de todo o Brasil participam de um concurso de projetos de lei. Os vencedores se transformam em deputados por um dia e os projetos podem até virar leis de verdade!

Trata-se de uma iniciativa ímpar. Nesses dias em que nem todas as crianças conhecem o Hino Nacional e que as aulas de Moral e Cívica são tidas como reacionárias, fica complicado esperar das novas gerações que tenham efetiva participação política.

No dia 12 de Outubro de 2011, milhares de pessoas em várias capitais foram às ruas pedir o cumprimento da Constituição. Quero, sim, que meus filhos entendam como é fundamental conhecer nossos direitos e deveres para serem cidadãos de bem. E que, no dia 12 de Outubro de 2031, eles possam ir às ruas não para cobrar, mas para celebrar.

Foto: Elza Fiuza – Agência Brasil

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Olho de boi, olho d’água

A sabedoria que vem da simplicidade

Quero ser criança quando eu crescer

Lembranças de infância

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Meu sobrinho nasceu! Agora minha irmã tem três filhos, como eu. Uma ocasião tão especial merece um post especial, com tudo o que agora ela vai conhecer na nova empreitada:

Só quem tem três filhos (ou mais)…

… escova, no mínimo, 32 (os seus) + 20 + 20 + 20 (92!!) dentes, três vezes por dia, todos os dias;

… corta 80 unhas toda semana;

… dá a mão a dois deles para atravessar a rua e pede a um que dê a mão ao terceiro – coisa que nunca aceitam;

… precisa pegar dois táxis pra caber a família toda;

… faz, toda semana, o que para os outros é uma compra de mês;

… vê inviabilizado qualquer rodízio de carona – a menos que tanto você quanto seu vizinho tenham uma Kombi;

… precisa de dois sofás para assistir à TV;

… quando viaja, é obrigado a reservar dois quartos de hotel depois que o menor completa 3 anos. E dá graças a Deus quando o hotel tem quartos conjugados;

… tem que planejar uma verdadeira operação de logística toda vez que viaja com eles. E, se for um esquema só do casal, deixa uma verdadeira operação logística para os heróis que se dispuserem a ficar com os três;

… tem que administrar três deveres escolares, três agendas, três semanas de provas por bimestre, três materiais escolares, três boletins. Ainda tem que se desdobrar (desdobrar, não! Se DESTRIPLICAR) para assistir a três reuniões de pais e mestres na escola. Mas também é agraciado com um descontinho na mensalidade do menor;

… observa que eles são experts em fazer todo tipo de combinação na hora da encrenca: mais velhos x menor, menores x mais velho, meninos x meninas, mais velho + mais novo x do meio, os três x os três…

… ganha três presentes fofinhos feitos por eles e assiste a três apresentações de Dia das Mães todos os anos (e chora em todas);

… descobre que três é o número mínimo ideal para qualquer brincadeira: pique-pega, pique-esconde, bobinho, jogos como War, etc!

… ouve as mais diversas expressões acerca dos seus filhos: escadinha, coleção de menino, gang…

… descobre que, agora, eles são maioria em casa…

… ouve: “Você é mãe de três? Você é…” (complete a frase):

(   ) animada

(   ) corajosa

(   ) ocupada

(   ) determinada

(   ) inconsequente

(   ) guerreira

(   ) madura

(   ) sortuda

(   ) ninja

(   ) admirável

(   ) feliz

(   ) louca

(   ) todas as anteriores

E ainda tem quem pergunte: “Quando vem o quarto filho????”

O fato é: engana-se quem acha que dá pra aplicar economia de escala quando o assunto é criança. Não dá. Eles precisam (e nós também) de tempo individual, real, aquele lá da Física, mesmo.

Engana-se quem acha que é só multiplicar por três. Não é. Está mais pra elevar à terceira potência:

  • Desafios ao cubo;
  • Responsabilidades ao cubo;
  • Possibilidades de crescimento ao cubo;
  • Amor ao cubo – isso é bom demais!!!!

Frases de Mãe – Marusia fala

Fiz minha lista particular de frases, nos meus melhores momentos “João Batista pregando no deserto para os gafanhotos.” Cri cri cri cri…

"Mas o teto está limpo!" The Family Circus, por Bil Keane

 FRASES QUE JÁ DISSE ALGUMAS VEZES

  • Não é para colocar giz de cera e figurinha dentro do aparelho de DVD.
  • As bolinhas de homeopatia NÃO são comidinha de boneca.
  • As laranjas NÃO são bolinhas de tênis.
  • Não é para beber a água da piscina.
  • Só pode riscar papel. Parede e sofá, não. É, eu sei, esse é papel, mas é o dever de casa de seu irmão e também não pode riscar, não.
  • Não, a violeta genciana NÃO é tinta roxa. E também não é para pintar a pia com ela.
  • Não, não pode tocar xilofone agora. São 5h50 da manhã… de domingo.
  • Não é para comer só o recheio e devolver os biscoitos para o saco.
  • Eu sei que o gosto do remédio é ruim, mas aí você tapa o nariz.
  • Para de esfregar o pão na cadeira!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 MILHÃO DE VEZES

  • Não cospe a pasta de dente em cima da torneira, cospe na pia!
  • Isso não é brinquedo!
  • Não bata no seu irmão!
  • Não pode assistir à televisão deitado!
  • Não enche demais a boca, tem que mastigar direito a comida!
  • Fecha a tampa do vaso sanitário!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 BILHÃO DE VEZES

  • Não pode fazer isso!
  • Vamos logo, já estamos atrasados!
  • Já falei isso 1 BILHÃO de vezes!

 FRASES QUE QUERO DIZER MAIS DE 1 BILHÃO DE VEZES

(Que ninguém é de ferro):

  • Ai, que abraço gostoso!
  • Parabéns, você é muito sabido!
  • Mamãe já disse que ama você?

    " Este é meu lugar favorito - dentro do seu abraço!" The Family Circus, por Bil Keane

Veja também:

São só os meus, ou os filhos de vocês também…

Seu filho como você sempre sonhou

Frases de mãe

Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Flores para o Dia das Mães

Flores para o Dia das Mães

Patricia A. Rinaldi

“Quando meu marido anunciou calmamente que, após onze anos de casamento, havia dado entrada em nosso divórcio e estava saindo de casa, meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. O menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Será que eu conseguiria nos manter unidos e passar para eles um sentido de “família”? Será que eu, criando-os sozinha, conseguiria manter o nosso lar e ensinar-lhes a ética e os valores dos quais certamente precisariam para a vida? A única coisa que eu sabia era que precisava tentar.

Frequentávamos a igreja todos os domingos. Durante a semana, eu arranjava tempo para rever os deveres de casa com eles e, frequentemente, discutíamos a importância de fazermos as coisas certas. Isso me tomava tempo e energia quando eu tinha pouco de ambos para dar. Mas o pior era não saber se realmente estavam absorvendo tudo aquilo tudo.

Ao entrarmos na igreja no Dia das Mães, dois anos após o divórcio, notei carrocinhas cheias de vasos com os as mais lindas flores ladeando o altar. Durante o sermão, o pastor disse que, a seu ver, ser mãe era uma das tarefas mais difíceis da vida e que merecia não só reconhecimento como, também, recompensa. Assim, pediu que cada criança fosse até a frente da igreja para escolher uma linda flor e entrega-la à mãe como símbolo do quanto era amada e estimada.

De mãos dadas, meu filho e minha filha percorreram o corredor com as outras crianças. Juntos, refletiram sobre qual planta trazer para mim. Nós havíamos passado momentos muito difíceis e esse pequeno gesto de valorização era tudo que eu precisava. Olhei aquelas lindas begônias, as margaridas douradas e os amores-perfeitos violetas e pus-me a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para mim, pois certamente trariam uma linda flor como demonstração do seu amor.

Meus filhos levaram a tarefa muito a sério e olharam cada vaso. Muito depois de as outras crianças já terem retornado aos seus lugares e presenteado suas mães com uma linda flor, meus dois ainda escolhiam. Finalmente, com um grito de alegria, acharam algo bem no fundo. Com sorrisos exuberantes a iluminar seus rostos, avançaram satisfeitos pelo corredor até onde eu estava sentada e me presentearam com a planta que haviam escolhido como demonstração de seu apreço por mim pelo Dia das Mães.

Fiquei olhando estarrecida para aquele pequeno ser roto, murcho e doentio que meu filho estendia em minha direção. Aflita, aceitei o vaso de suas mãos. Era óbvio que os dois haviam escolhido a menor planta, a mais doente de todas – nem flor tinha. Olhando para rostinhos sorridentes, percebi o orgulho que sentiam daquela escolha e, sabendo o quanto haviam demorado para selecionar aquela planta em especial, sorri e aceitei a lembrança.

Mais tarde, no entanto, tive de perguntar – de todas aquelas flores maravilhosas, o que os havia feito escolher justamente aquela para me dar?

Todo orgulhoso, meu filho declarou:

– É que aquela parecia precisar de você, mamãe.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, abracei meus dois filhos, bem apertado. Eles acabavam de me dar o maior presente de Dia das Mães que jamais poderiam ter imaginado. Todo o meu trabalho e sacrifício não havia sido em vão – eles iam crescer perfeitamente bem.”

 CANFIELD, Jack (org.). “Histórias para aquecer o coração das mães.” Rio de Janeiro: Sextante, 2002. Pp 133-135

Meu filho vai usar óculos

Hoje descobri que meu filho de 8 anos vai usar óculos. Eu uso, o pai dele usa, herança de família, previsível. Tanto que desde os 4 anos nós fazíamos os exames dele, sempre zerados. Este ano, já vinha desconfiando de uma dificuldadezinha. Agora, foi confirmado. Aqueles olhos tão lindos e expressivos, que são sua marca registrada, agora por trás das lentes. Coisa pouca, dá até para ele dispensar os óculos para jogar bola. Mas tanta coisa me veio à cabeça, de repente!

Uso óculos desde os 6 anos. Por um longo período, fui a única da turma. Pequenininha, magrinha, quietinha e CDF, era o alvo perfeito da gozação. Igual à minha mãe. Só que, até bem pouco tempo, isso era visto como “coisa de criança”.

Pelo menos em casa, todo mundo passava pelos mesmos percalços. E também por situações engraçadas, como sair do mar (meio deslocado, por causa da correnteza) e simplesmente não conseguir localizar o guarda-sol da família na praia. Ficávamos observando de longe, morrendo de rir, o irmão “Mister Magoo”, perdido, espremendo os olhinhos junto de cada sombreiro, em busca de um vulto conhecido.

Aos 12 anos, minha mãe me presenteou com um par de lentes de contato. Foi uma revolução tão grande para mim que acabei abusando. Resultado: desenvolvi um ceratocone, um problema na córnea que me impede de operar e usar lentes maleáveis. Tô refém dos óculos.

Então, essas lembranças me assaltaram como no dia em que meu filho saiu do jardim de infância e foi para uma “escola grande”. Pensei com meus botões: puxa, ele vai viver tanta coisa aqui… ter experiências que vão marcar pra toda vida. A primeira prova, o primeiro namoro, a turma… A primeira nota baixa, a primeira decepção… E agora, José, enfrentar isso tudo com óculos!?

Não tem como evitar a associação de uma pessoa de óculos com o “intelectual”. Isso espanta, de início, as paquerinhas. Quando Herbert Vianna cantou “Por que você não olha pra mim? Atrás dessa lente também bate um coração” me vi inteira. Toda uma tribo, que também se identificou, ficou inconformada quando o cantor do Paralamas fez a cirurgia corretiva nos olhos.

Ainda bem que, no dia em que eu e e o pai dele nos conhecemos, eu estava de óculos! Ninguém pode dizer que foi propaganda enganosa kkkkkkkk!

Mas várias coisas me tranquilizam. Hoje, os pais e professores estão mais atentos, e várias crianças da turma do meu filho já usam óculos (não vai ser o único diferente). Hoje, a humilhação antes tida como “coisa de criança” já tem até nome: Bullying. Já existem vários estudos, livros e até projetos de lei sobre o assunto, e escolas preocupadas em banir essa prática para todo o sempre – ainda que eu saiba que a garotada, mesmo assim, pode ser cruel às vezes.

Mais tarde, espero que ele possa fazer a cirurgia (e que inventem uma tecnologia bem joia para mim, também). Até lá, minha função como mãe (e autoridade no tema que vive isso no cotidiano) é munir meu filho de uma autoestima tão inabalável que seus óculos se transformem em mero detalhe. Um objeto útil para aumentar a nitidez de sua visão e só.

Chego à seguinte conclusão:

Não podemos evitar que nossos filhos passem por determinadas experiências, mesmo as difíceis. Aliás, NÃO TEMOS O DIREITO de impedir que nossos filhos passem por situações que podem fazê-los crescer.

Tudo só depende de como os preparamos.

Tudo só depende do ponto de vista.

“Atrás dessa lente tem um cara legal” demais, que tem um futuro lindo pela frente.

Ensinamentos

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

(Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins Guimarães Peixoto Bretas. Cidade de Goiás – 1889 -1985 – Goiânia-GO).

A sabedoria que vem da simplicidade

Site visitado: Orquestra Criança Cidadã

Em Recife, há um projeto lindo criado por um juiz de Direito, a Orquestra Criança Cidadã da Comunidade do Coque. Dois jovens da orquestra receberam bolsa para estudar e tocar na Europa.

Assisti a uma entrevista com o pai de um deles, que, orgulhoso e emocionado, compartilhava o “segredo” de criar um talento tão precioso em meio à pobreza e à ameaça da violência. São três máximas:

  1. Estude muito.
  2. Seja humilde.
  3. Ouça todos, mas não vá com todos.

Inaldo José do Nascimento Filho vai estudar na República Tcheca

Uns peixes, um coelho e uma mula

 Site visitado: Origami Club

Escola adora mandar dever de casa… para os pais. Neste fim de ano, tivemos que confeccionar, com sucata, vários mimos artesanais (até porque são três crianças). Entre eles, um aquário, um coelho e um personagem do nosso folclore.

Então, são muitos os desafios. Primeiro, porque tem que envolver a participação da criança – o trabalhinho é dela, cabendo-nos somente ajudar. Segundo, porque eu não levo o menor jeito, principalmente no quesito acabamento. Então, para driblar isso, tento apostar pelo menos na originalidade.

Aquário

Ainda bem que, na escola mesmo, uma mãe generosamente compartilhou a ideia de usar garrafão PET de água.

Você vai precisar de (kkkkk):

  • Um garrafão PET 5 litros de água (vazio e sem a boca);
  • Cascalho colorido para aquário;
  • Papel celofane azul;
  • Cola branca e cola de artesanato;
  • Várias folhas coloridas;
  • Hidrocor;
  • Furador de papel.

A parte mais gostosa foi fazer os peixinhos de origami. Entrei no Google e encontrei uns sites super instrutivos. Testei primeiro em papel rascunho, fiz um bando de vezes até memorizar e depois mostrei para minha filha. Cada uma de nós fez metade dos peixes. Depois que você aprende, é uma delícia; viciante, mesmo.

Ela enfeitou os peixes com várias padronagens, da cabeça dela, muito legal! Os olhinhos, fizemos com “retalhos” redondinhos que sobram quando furamos papel (viu por que coloquei furador de papel na lista?), e as pupilas, desenhamos com hidrocor.

Colamos os peixes na superfície de dentro do garrafão. O cascalho no fundo é legal para dar estabilidade. Depois, colocamos desses enfeites de aquário (quanto mais brega, melhor): uma placa “Não jogue lixo” e uma planta de plástico. Até pensei que deveria ter feito a planta de origami, também.

Coelho

Como é que eu ia construir um coelho de sucata? Não fazia a menor ideia. Fui pegando caixa, pote de iogurte, tampinha, até chegar a uma lata. Eureka! Pensei: se toda a turminha vai fazer coelho (e devem vir uns coelhos lindos, pelas mãos prendadas das outras mães, coisa que não se aplicava à minha pessoa), a gente podia compensar fazendo algo diferente. Claro que isso era só uma falácia para justificar a malandragem “improvisação”: fazer o coelho dentro da cartola. Daí, bastavam a cabeça e as patinhas da frente.

Você vai precisar de:

  • Uma lata média (vazia), com tampa;
  • Três bolas de isopor, uma média e duas pequenas;
  • Papel cartão preto;
  • Papel branco;
  • Tinta guache, lápis de cera;
  • Hidrocor;
  • Chumaços de algodão;
  • Cola de artesanato e cola de isopor;
  • Um saco pequeno de TNT;
  • Cartolina branca;
  • Estilete;
  • Grampeador.

Com o papel cartão, fizemos o cilindro fechando com grampos (para não abrir, porque o papel é mais firme) e “vestimos” a lata. Depois, colocamos a aba da cartola. A tampa da lata ficou embaixo, dando o toque final.

Fizemos um corte nas bolinhas das patinhas para encaixar na lata, como se o coelho estivesse “segurando” a borda. Na cabeça, duas fendas para inserir as orelhas, feitas de cartolina com algodão colado. Depois desenhamos a carinha e fixamos tudo com cola de isopor. O saco de TNT envolveu o “pescoço”, escondendo a falta do corpo (kkkk)

Para ampliar ainda mais a participação do meu filho no esquema, resolvi colar umas estrelas na cartola, até para enfatizar a ideia de mágica. E, em vez de usar papel colorido, pedi a ele que pintasse folhas em branco com guache ou lápis de cera. Depois foi só marcar no avesso e recortar.

No dia da exposição, para minha surpresa, descobri que os coleguinhas não tinham feito coelho – cada um ficou com um animal diferente. A proposta era fazer uma floresta. Aí tinha de tudo: elefante, jacaré, tigre, girafa, zebra, com destaque para o hipopótamo feito com caixa de ovo (devia ter fotografado!). Mas, em suma, óbvio que um coelho dentro de uma cartola não combinava com o cenário. As professoras, então, cercaram o dito-cujo de mato, feito com papel crepom! Kkkkkkkkkk

A mula sem cabeça

Você vai precisar de:

  • Uma caixa de leite (vazia);
  • Quatro potes de Yakult (vazios);
  • Papel marrom;
  • A boca de um garrafão PET 5 litros de água (que sobrou do aquário);
  • Cola branca e cola de artesanato;
  • Lã marrom;
  • Fita crepe.

Na hora que peguei a caixa de leite, fiquei pensando no que faria com o gargalo, já que a cabeça (ou melhor, o pescoço, uma vez que se trata de uma mula SEM cabeça) seria a boca do garrafão de água, até para manter a proporção. Ah, lógico: no gargalo seria colada a cauda da mula, feita de lã.

O pimpolho colou o papel marrom pela caixa e pelas patas e fez as labaredas que saem do pescoço. Depois que estava tudo pronto, me toquei que podia ter tirado o gargalo de plástico da caixa e feito o acabamento com o papel marrom. Achei que a pobre mula tinha ficado muito “exposta” (kkkkkkkkkkkkkk).

Então resolvi cobrir o gargalo com fita crepe (viu por que tinha fita crepe na lista?) e assim preservar as vergonhas da mulinha.

Com toda certeza, não levo jeito para trabalho manual. No início, a gente até acha que a escola alopra com as tarefas, mas no fim as crianças curtem tanto, se divertem tanto enquanto estamos montando e depois que veem o bicho tomar forma! Aí a gente vê que vale muito, muito a pena (e é garantia de boas risadas)!