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Maioridade penal: a pergunta que ninguém fez

Quero tranquilizar quem está lendo. Não vou defender nenhuma posição. Não quero convencer você a nada – até porque, no “Fla-Flu” que se tornou a discussão sobre maioridade penal, ninguém convence ninguém. Aqui, quero fazer a pergunta que ainda não vi ninguém fazer.

Não vou falar, por exemplo, sobre a idade a partir da qual uma pessoa tem discernimento acerca do certo ou do errado. Se o novo mundo globalizado, os meios de comunicação e a internet fazem com que as crianças amadureçam mais cedo. Se o fato de reduzir para 16, 12, 10 ou 6 anos faz diferença. Se há países com idades variadas para responsabilizar ou punir. Se há locais em que a redução foi feita e a criminalidade aumentou, ou o contrário.

Não serão assuntos deste post questões como: “a criança que comete um crime deixa de ser criança e passa a ser um bandido?”, “bandido bom é bandido preso?” Nem “escola é para criança que quer estudar, cadeia é para quem cometer crime contra a vida”, “direitos humanos para humanos direitos”, “culpar a sociedade é fácil”, “cada um deve ser responsável pelos seus atos”. Não lidarei com esses aspectos.

Nem vou comentar se a propensão para cometer um crime está ligada ou não à desigualdade de renda e de recursos materiais. Se a chance de um adolescente ser preso é maior ou menor dependendo da sua classe social ou da cor de sua pele. Se o capitalismo de mercado e a publicidade são responsáveis ou não por incentivar o consumo para quem não pode consumir, e se hoje em dia a pessoa é medida pelo que tem e não pelo que é. Se a mídia está fazendo sensacionalismo ou não quando há adolescentes envolvidos em crimes bárbaros.

Não vou entrar no debate sobre a presença do Estado. Se o Estado só vai aparecer na hora de punir, em vez de garantir, desde o nascimento de uma pessoa, os direitos básicos de educação, saúde, segurança.

Da mesma forma, não pretendo avaliar se, desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA chegou alguma vez a ser cumprido de fato ou não. Se é necessário fazer mais leis, ou se essa é mais uma lei que não vai resolver o problema. Se o que está sendo tratado é a causa ou a consequência.

O número de adolescentes entre 16 e 18 anos, que comete crimes, corresponde a somente 0,01% da população do Brasil? Qual é a fonte desse dado? Mesmo que esse número esteja certo: uma única vida que seja salva não é motivo de reduzir a maioridade penal? Nenhuma dessas dúvidas será objeto do meu texto.

Não vou discorrer sobre o adulto que alicia criança para cometer crimes em seu lugar, “porque sabe que não vai dar em nada”, ou “porque fica três anos e depois é solto”. Nem sobre a sensação de impunidade, as diferenças entre vingança e justiça, a necessidade de o Congresso Nacional “dar uma resposta rápida à sociedade”. Nem mesmo se as pesquisas que apontam 87% da população brasileira como a favor da redução da maioridade penal são confiáveis ou não.

Outra coisa que não vou discutir é o sistema penitenciário brasileiro; se o fato de termos a 4ª população carcerária do mundo tem algum impacto sobre a criminalidade, se apenas uma pequena porcentagem dos homicídios tem resolução. Ou se os detentos continuam comandando o crime de dentro da prisão, sem se preocupar com a retaliação das gangues rivais que estão do lado de fora.

Nem mesmo se os centros de medidas socioeducativas (como Febem, Fundação Casa e outros nomes), assemelham-se a cadeias, ou são até piores. Nem se a internação recupera alguém ou não, se há reincidências. Tampouco se a redução da maioridade penal é válida, desde que os sistemas entre adolescentes e adultos sejam separados. Nem se será exclusivo para crimes hediondos, sem considerar roubo de galinha.

Também não vou perguntar: “e se a vítima fosse um parente seu?” nem “e se o acusado fosse um parente seu?” Muito menos indagar “vai esperar matar para depois prender?” nem “prender o adolescente vai ressuscitar a pessoa que morreu?”

Finalmente, a pergunta que ninguém fez é:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ESTÃO MATANDO?

Vou ensaiar uma hipótese: crianças e adolescentes estão matando porque perderam o medo de morrer. E aí temos uma nova questão:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PERDERAM O MEDO DE MORRER?

Que sociedade é essa? A que grau de violência – psicológica, física, sexual, simbólica – nossa infância ficou exposta?

Um último arremate:

QUEM NÃO TEM MEDO DE MORRER VAI TER MEDO DE SER PRESO?

 

Quantos filhos cabem?

Por Maria Amélia Elói*

Certeza é palavra quase inexistente enquanto sentimento de mãe. Este querido blog maternográfico está aqui pra confirmar: há virtude na dúvida!

Tenho visto cada vez menos mães absolutamente irrepreensíveis, convictas de estarem cumprindo seu papel com solidez e confiança, sem mácula nem arrependimento, sem mudanças de estratégia. Percebo, isto sim, mais e mais mulheres interessadas em se abrir a descobertas, questionar, mães aptas a vivenciar novos conhecimentos, experiências e interpretações e a mudar de atitude, em caso de necessidade. É que os filhotes surpreendem sempre e exigem malabarismos, desconstruções, rearranjos dia a dia.

Essa minha lenga-lenga toda é só uma introdução para confessar que não me sinto confortável em muitas questões relativas à maternidade, sobretudo estou (mais do que isso, sou) insegura quanto ao número ideal de filhos. Neste caso, a fala é particular! Não pretendo bater o martelo sobre a quantidade de filhos que toda brasileira católica, servidora pública e de casamento estável deve ter; mas tão somente preciso decidir o número de filhos que euzinha devo ter. É uma dúvida persistente desta mulher feliz e realizada em ser mãe de duas pretinhas lindas e ao mesmo tempo curiosa, encantada e assustada pela possibilidade de ter mais um rebento (ou rebenta, kkk).

Claro que o assunto faz parte das minhas DRs com o digníssimo marido e já foi conversado com minha médica, que acabou de avaliar positivamente minha saúde ginecológica. Mas é difícil demais resolver se ter duas filhas é suficiente! Uma dupla é pouco, uma dupla é bom, uma dupla é demais! 

Tive a primeira com 33 e a segunda com 37. Agora já estou com 41 anos, e é por isso que me sinto tão incomodada com o assunto. Minhas duas gestações foram tranquilas e saudáveis, culminando com dois partos naturais após quase 42 semanas completas de gestação nos dois casos; porém, minha idade fértil já não é das mais favoráveis, né? E eu já sou até vodrasta! 

O maior problema de uma terceira gravidez é o desafio do tempo. Se, com apenas duas crianças, o cotidiano já está tão corrido e milimetricamente tomado por atividades, se a renda familiar está justa e algumas vezes no vermelho, se já é difícil contratar babá e diarista que deem conta da lida, se já não sobra espaço pra mim, leituras, escritos, exercícios físicos, piano, namoro com o marido, entre outras coisas, imagina com três filhote(a)s! E ainda existem os muitos tantos outros pesos na balança: pressentimento do cansaço das tantas madrugadas insones com um bebê no colo, antevisão de choro, cólica, soluço, ordenha, vacinas, consultas… E dá-lhe multiplicação da paciência — já meio minguada — pra ensinar outra criaturinha a comer, caminhar, correr, usar o penico, fazer os deveres de casa… 

Também existe o medo das possíveis síndromes e doenças que tocam tantas crianças nascidas de mães com mais de 40, a preocupação com a escassez de recursos naturais do planeta e o aumento da população mundial, a violência crescente, o desemprego, as loucas esquisitices dos tempos atuais… E aqueles pontos não menos importantes: Minhas duas filhas seriam carinhosas com o irmãozinho ou irmãzinha caçula? Teriam ciúme? Entenderiam a nova divisão das atividades dos pais, que provavelmente as deixaria em desvantagem pelo menos no primeiro ano de vida do bebê? E se eu engravidasse de gêmeos? Haveria energia materna e paterna pra cuidar deles? Haveria espaço na casa para berços, caminhas, brinquedos? Na minha vida haveria espaço para mais uma vida dependente pra sempre da minha? 

Os pontos desfavoráveis a uma nova gestação parecem superar em larga vantagem os argumentos a favor do aumento da prole. Mas por que, mesmo assim, o coração ainda teima em desejar mais um filho ou filha que se pareça com as que eu já tenho? Por que aumentar o coral da alegria e da birra? Por que experimentar uma nova aventura-nascimento? Seria apenas capricho de mulher parideira? Satisfação em poder equilibrar mais um barrigão habitado por luz e, depois, tornado bebê? Instinto de continuação da espécie? Amor com potencial pra expandir? Desejo de pertença a uma família mais completa, mais cheia de confusão e de vida? Medo de possível arrependimento futuro? Vontade de provar ousadia e coragem? Saudade de um tempo intranquilo e louco? Desejo de rejuvenescimento? Necessidade de mais beijo, afago, afeto?

Não considero as mulheres sem filhos covardes nem egoístas. As que têm filhos únicos também são heroínas, a meu ver. As mães de dois, como eu, são abençoadas demais. Mas me parece ainda mais linda a família com um trio de bambinos! Fico até imaginando a cama e a mesa cheias de crianças, comungando do mesmo carinho, daquele amor que só pode ser santo, que só pode compensar qualquer sacrifício.

Será que vocês, mães de nenhum, de um, de dois, três, quatro… também sentem a mesma angústia? Ou se contentam, firmes e fortes, com o número de filhos que têm?

Quantas crianças cabem na minha vida e na vida da minha família? Às vezes nem eu mesma me caibo, meu Deus! Enquanto as dúvidas não cessam, vou curtindo minhas fofitas, que valem por uma dúzia! E que a resposta me apareça logo e leve, porque a vida tem pressa! 

* Maria Amélia Elói, 41 anos, é mãe da Luana Lis, quase 8, e da Mariana Flor, 4.

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Por que temos filhos?

A pior escolha que uma mãe pode fazer

projeto coração materno

Blogagem coletiva Projeto Coração Materno.

Iniciativa:

Projeto de Mãe é um blog sobre maternidade e outras histórias escrito por Ananda Etges.

Para Beatriz é um blog de maternidade por um viés feminista escrito por Isabela Kanupp.

http://parabeatriz.com/video-mulheres-falam-sobre-suas-escolhas-projeto-coracao-materno/

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Vi esta imagem no blog “Não sou exposição”, que faz reflexões sobre o quanto nossa sociedade está apoiada nas aparências:

Mulheres com 3 filhos

1ª foto: Qual é sua desculpa?
2ª foto: Minha “desculpa” é que eu estou bem assim.
Fonte: http://naosouexposicao.wordpress.com/2014/01/17/qual-e-a-desculpa/

Por mais que digam que não devemos ler os comentários, esta é, curiosamente, a parte que mais me interessa. Eu apoio e aplaudo a proposta do blog (que faz um trabalho primoroso de análise da opressão da aparência, não só neste post). Mas também compreendo quem se incomodou com a polarização de imagens. Quer ver?

Da primeira mãe, podem dizer:

“Nossa, para ter esse corpão, tem que ralar na academia. Não sobra tempo para os filhos, que devem ser terceirizados com a creche ou com a babá, vendo Galinha Pintadinha o dia inteiro. Se consegue acordar bem cedo para malhar, no mínimo ela usa o Nana Nenê com as crianças. Não devia ter filho, muito menos três! Ela está no reino da umbigolândia, só pensa em si, ou melhor, só pensa no físico. Perpetua a visão de que a mulher é um objeto para satisfazer o olhar masculino.”

Entretanto, eu também poderia pensar:

“Que bom, ela encontrou um tempo para cuidar de si mesma. Deve consumir alimentos saudáveis e oferecê-los às crianças. Está antenada com o corpo, deve ter tido parto normal e amamentado. Essa mãe deve ser disciplinada, organizada, uma mãe leoa. Os valores que passa para os filhos incluem ter orgulho de si mesmos e não esmorecer.”

Da segunda mãe, podem dizer:

“Ela se dedica tanto aos filhos que se acomodou, se anulou. Deve ter se descuidado na gravidez. É provável que tenha escolhido uma cesárea, porque o corpo demora mais para voltar à antiga forma. Se tivesse amamentado, também teria emagrecido. De repente, só come porcaria, deve encher a criançada de nuggets e refrigerante. Deve viver em função dessas crianças, que depois vão crescer, aí ela vai fazer o quê da vida?”

Mas eu também posso pensar:

“Que bom, ela não se preocupa com o que os outros pensam. Ela sabe o que é prioridade na vida dela. É uma pessoa de bem com a vida, carinhosa, alegre, uma mãe jardim. Investe no que está no interior, não é escrava da estética. Os valores que passa para os filhos incluem autoconfiança e alto astral.”

Esse é um exemplo riquíssimo do quanto a polaridade pode ser nociva. Fiz questão de abordar, nos “julgamentos”, grande parte dos fatores que detonam a guerra entre as mães.

O mais curioso é que as duas mulheres das fotos podem simplesmente não se encaixar em nenhuma dessas “percepções”. Mas, com certeza, elas têm muito, mas muito mais experiências, qualidades, sentimentos e histórias para contar.

Escolhas isoladas dizem muito pouco sobre uma pessoa.

Muitas escolhas são determinadas por circunstâncias que desconheço.

Eu não sei nada sobre essas duas mães. Se pudesse conversar com elas, eu iria descobrir muitas coisas em comum e muitas coisas diferentes. De qualquer maneira, eu sempre vou ter algo a aprender com elas. A comparação é inevitável, e eu até posso discordar de muitos aspectos, mas isso não é motivo para julgar ninguém.

Se eu fiz escolhas diferentes das suas, não quer dizer que você está errada. Nem eu. Nós duas podemos estar certas. Nós duas também podemos estar erradas. Para dizer a verdade, não importa nem uma coisa, nem outra. Ser mãe é uma coisa muitíssimo mais complexa do que erros e acertos: o que importa mesmo é a felicidade.

A pior escolha que uma mãe pode fazer é julgar outra mãe.

Porque isso não leva a nada.

E aqui chegamos ao ponto mais precioso da discussão: o que aconteceria se eu substituísse a foto das mulheres e colocasse dois homens? Dois pais?

Pouco provável que suscitasse qualquer debate inflamado. Porque esta é uma questão que extrapola as escolhas que as mães fazem. Esta é uma questão sobre o lugar da mulher na sociedade.

Não é à toa a presença da palavra “desculpa” nas imagens do início do post. E é por isso que, para qualquer escolha que uma mulher faça, sempre haverá um dedo apontado para ela. Mais triste ainda é ver que a maioria dos dedos é de outras mulheres.

A melhor escolha que alguém pode fazer é respeitar os outros.

E você, o que acha? Deixe seu comentário (lembra? Tenho especial interesse nos comentários 😉 )

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Por Maria Amélia Elói*

pintura de Frida Kahlo com flores

“Cores de Frida Kahlo, cores” (Autorretrato)

Tanto a minha família quanto a família do meu marido têm mulheres de bigode. Eu mesma, na minha forma original — isto é, antes do advento da depilação com cera — sou uma dessas fêmeas com quem, como diz o ditado, nem o diabo pode. Muito natural, então, que minhas filhas nascessem com a tal penugem debaixo do nariz, acima da boca. E no caso delas, que são bem morenas, o pelo é preto, muito preto.

Minhas bigodudinhas têm ainda sobrancelhas fartas, praticamente umbrancelhas, e uns pelos visíveis no papo. Mas, na real, elas não são tão cabeludas quanto as mulheres barbadas que trabalham nos circos. Também não chegam a Frida Kahlo. São meninas cabeludas que esbanjam feminilidade!

Como eu já disse, fui bigoduda durante a infância inteira e até mesmo durante a adolescência. Nas minhas fotos de debutante, aos 15 anos, lá estava o buço! E, pelo menos que me lembre, eu não me preocupava muito com ele. Nem minha mãe, nem minhas amigas, nem minha depiladora me incentivavam a retirada dos pelos. Eles estavam lá, até os 17, sujando meu rosto; mas só resolvi encarar a dor da depilação no rosto quando o meu espelho sugeriu que eu poderia ficar com o semblante mais leve se tirasse a sobrancelha e o moustache. De lá pra cá, tiro o buço e a sobrancelha todo santo mês.

E não é que a minha filha mais velha, de apenas 6 anos, já está preocupada com seu bigodito? Outro dia, enquanto eu contava histórias para ela à noite, na cama, ela me surpreendeu com um choro sofrido e a confissão: “Eu não gosto de ter bigode, mamãe. Meus colegas ficam me perguntando por que eu tenho”.

Fiquei realmente assustada com essa precocidade, já que, lá em casa, ninguém incentiva vaidades estéticas. Com muito jeito, expliquei à angustiada menina que a nossa família tem várias mulheres de bigode e que isso não nos faz menos femininas. “Você é linda desse jeito, filha, com esse bigodinho. Quando você crescer um pouco mais, se você quiser, podemos tirar esses pelos do seu rosto. Só que dói, viu? Não vou mentir”.

Luana se acalmou, sorriu e não falou mais sobre o assunto. Mas eu sei que, logo em seguida, daqui a alguns dias ou anos, ela vai demonstrar preocupação com a sobrancelha, a barba, os pelos nos braços, nas costas, nas pernas… Vai também implicar com sua cor escurinha e com o próprio cabelo, que é anelado. E provavelmente vai querer clarear e alisar os cachos. Esticar o cabelo, eu confesso, também era o meu sonho desde a adolescência, quando meu cabelo começou a encrespar. Eu rodava toca de meia ou de grampo no cabelo e adorava fazer escova para vê-lo lisinho. Mas faz uns 15 anos que assumi com fervor a “crespitude”, atitude encaracolada, e agora quero defender, pelo menos até quando for possível, o cacheado do cabelo das minhas filhas.

Mas será que algum conselho meu poderá demover minha filha da ideia de que a Barbie e a Cinderela — que não têm nenhuma penugem no corpo — são as verdadeiras lindezas do planeta? O que fazer para que nossas crianças amem os próprios cabelos e os próprios pelos e os próprios corpos, mesmo que os colegas e a mídia e o mundo teimem em apontá-las como imperfeitas? Como elas podem adquirir autoestima suficiente para amar e valorizar a própria beleza natural? Como não escravizá-las a tantos procedimentos estéticos artificializadores?

Só agora, enquanto mãe de duas meninas, entendo como é forte a imposição da beleza sobre as mulheres e ilimitada a exigência da vaidade. É tão difícil dissuadir as pequenas do desejo de usar esmalte, batom, blush, perfume… É tão difícil que não queiram ser mulheres enfeitadinhas desde cedo!

Sinceramente, eu torço para que as lanugens da Luana resistam intactas pelo menos até os 12 anos. Para mim, aquele bigodito sapeca é sinal de que a primogênita continua e continuará sendo a minha menina!

* Maria Amélia Elói, 39 anos, é mãe de Luana Lis, 6, e Mariana Flor, 2.

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“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Este post faz a análise do texto “Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” de Lia Miranda e dos comentários, publicados no Portal Minha Mãe que Disse!

Até o dia 14/02/2013, foram publicados 110 comentários. A autora do post não comentou.

Muitas pessoas manifestaram opinião em relação a outros comentários, e não necessariamente ao post. Assim, não há como estabelecer a divisão numérica e precisa de quem concordou e quem discordou do texto em si.

Optou-se, assim, por organizar a análise por tópico, iniciando com o argumento de Lia e prosseguindo com os comentários.

1.       Julgamentos

Argumento de Lia:

“A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho traz o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. Quem defende essa teoria, embora não o admita, tem suas próprias convicções do que acha melhor e, mesmo que internamente, condena quem faz diferente. […]

“Essa teoria não traz nenhum benefício para as nossas crianças e abre espaço para que os meios de comunicação de massa (pessoas querendo lucrar) entupam a cabeça das mães mais “abertas” com teorias maliciosas como a da culpa zero.”

Concordam com o texto

  • “Essa coisa de tentar o melhor é um discurso vazio, que não leva ninguém a lugar nenhum, só serve mesmo pra passar a mão na cabeça.”
  • Sou muito grata à minha culpa e ao meu não-conformismo, que me fizeram não virar mais uma ‘mãezinha’ que tudo aceita, que acha que está muito certa e, é claro, julga (mal) as que criam com muito amor, muito peito e muito apego.”
  • “As mães que clamam pelo equilíbrio, as que se dizem coluna do meio, muitas vezes torcem o nariz para as lutas pelos direitos das mulheres (que falam mal da Marcha pelo Parto em Casa, Marcha das Vadias, Mamaços, amamentação prolongada, amamentação em público etc.) Mas estas dizem que não, não julgam ninguém.”

Discordam do texto

  • “Você rejeita a teoria de que cada um faz o que acha melhor. Mas não é exatamente isso o que você tá fazendo? Me incomoda o fato de que este argumento é amplamente utilizado na defesa de causas e teorias que eu acho muito corretas, o que acaba reforçando o rótulo de ‘radical’ de quem o faz.”
  • ” ‘Rejeito a teoria de que cada um faz o que acha melhor’ – só aceito a teoria de que todos tem que fazer o que EU acho que seja melhor.
  • Em geral, julgo, sim, no entanto, julgo atitudes abusivas e incoerentes demais – que não dariam para não serem julgadas por qualquer pessoa de bom senso.
  • Muitas vezes mães que seguem um determinado caminho tendem a querer reforçar a validade deste caminho colocando que todos devem segui-lo e quem não vai por aí é pior. Não acho que seja apenas uma questão de tempo que se dedica aos filhos (não é tão simples esta matemática).”
  • “Tento de verdade não julgar, para ensinar a não julgar, ter bom senso e explicar que na maioria das casas a educação dos coleguinhas será diferente, e que ser diferente nem sempre é melhor ou pior.”
  • “O que não concordo é julgar sem saber, falar que se fez cesárea é pior, se não amamentou é pior, se deixa chorando é pior, se pega no colo toda hora é pior, criação com apego é melhor do que criação sem muito apego.”

2.       Preocupação com o futuro

Argumento de Lia:

“O que eu tenho a ver com o que fazem os outros pais e mães? Muito. Porque essas crianças com as quais minhas filhas estão convivendo na escola, na igreja e no parquinho serão seus futuros amigos, namorados, colegas de trabalho, vizinhos, patrões, governantes.”

 Concordam com o texto

  • “Os pais são sim responsáveis pelo que os seus filhos se tornarão.”
  • “Infelizmente minha filha vai ser amiguinha do filho da idiota que coloca ele do lado de fora do apartamento para ficar gritando porque dá eco. O que para essa mãe [idiota aos meus olhos] é uma coisa bonitinha, para mim é um caos.”

 Discordam do texto

  • “Nossos filhos terão que conviver com o diferente, assim como nós convivemos com pessoas que tiveram criações totalmente diferentes das nossas (e certamente absurdas aos olhos dos nossos pais!). E não acho isso um problema, é um fato imutável.”
  • “Ficar preocupada com que tipo de colega de trabalho e patrão suas filhas irão se relacionar é protecionismo besta! Meus filhos não são prioridade, minha família é! Não por isso serão péssimos colegas de trabalho, vizinhos e quem sabe até governantes. Uma família feliz tem filhos felizes. Simples assim.”

3.       Culpa

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero se traveste de um herói que vem nos resgatar de um sentimento negativo e opressor. Mas não é a culpa que essa teoria tenta aniquilar: é a nossa consciência. As consequências são desastrosas.”

Concordam com o texto

  • “Mães e pais que se colocam como prioridade frente ao bebê colocarão a culpa na criança, no adolescente e no adulto futuro. Se não conseguem dar a educação que gostariam por alguma impossibilidade real, que ao menos sintam culpa e tenham consciência de que a culpa não é dos seus filhos.”
  • “Como uma revista pode me dizer que eu não tenho culpa de nada!? Eu é que tenho que correr atrás, e fazer direito o ‘dever de casa’ para parar de sentir culpa. Se fazemos o melhor que podemos, não tem como a culpa aparecer.”
  • “Eu senti muita culpa por não ter conseguido levar a amamentação da minha primeira filha adiante e, se não fosse por esta culpa, que se transformou em sede de conhecimento, em busca por informação de qualidade, por pessoas e profissionais que me apoiassem, teria ficado satisfeita, pensado que ‘tomou LA e não morreu’ e repetido com a segunda.”
  • “Eu convivo bem com as culpas que carrego e a campanha deveria ser sobre a importância da culpa e não negar a sua existência.”
  • “Acredito que a culpa seja realmente importante, pois ela traz a reflexão, traz a conscientização do que é melhor. E imunizá-la seria cancelar essa consciência do certo e errado.”

Discordam do texto

  • O meu ‘culpa não’ se refere a ausência de culpa por tirar os meus filhos do pedestal e botar a família inteira junto.
  • ” ‘Culpa’ tão somente não nos coloca de frente à responsabilidade das consequências. Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa!
  • A culpa é um sentimento que paralisa, que enfraquece, que tira o eixo. O caminho para mudar aquilo que não está legal é autoconhecimento, reflexão, questionamento e na minha visão compaixão. A sociedade é muito cruel com homens e mulheres.”
  • “O meu ‘culpa não’ é o que me dá é leveza no exercício da maternidade, e não um passe-livre para ser uma mãe de merda. De um para outro existe uma enorme diferença.”

4.       A “menos mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero está aí para dizer que ninguém é menos mãe porque – complete com qualquer coisa: não pariu, não amamentou, deu papinha industrializada, não passou tempo suficiente com a criança.

“Minha amiga Cíntia não é ‘menos mãe’ – sejamos francos: mãe pior – porque não amamentou. Mas a Galisteu, que desmamou o filho porque precisava viajar com o marido pra Ibiza quando o bebê tinha dois meses, talvez seja.

“ ‘Menos pais’ e ‘menos mães’ relegam seus filhos a um abandono emocional em nome das suas próprias rotinas. Crianças perdidas, sem educação, sem carinho, sem disciplina, jogadas na frente de uma televisão enquanto a babá fala ao celular.

“Seja porque têm menos disponibilidade para exercerem esses papéis, seja porque os exercem com total irresponsabilidade, pais e mães piores são aqueles que se colocam como prioridade diante de seus filhos, são os que querem a todo custo desvencilhar-se deles com medo se se encontrarem consigo mesmos e preferem viver anestesiados pelo consumo, pelo lazer, pelo ócio.

“É verdade que não se pode jugar a qualidade da prática de uma mãe por um aspecto isolado, especialmente se desconsiderarmos todo o contexto cultural e social no qual ela está inserida.”

Outros conceitos de “menos mãe”, segundo os comentários

  • “Mãe que sai para o bar e deixar o filho dentro do carro esperando é pior do que a que se dedica e busca programas para os quais possa incluir seus filhos.”
  • “Mãe que deixa chorando é pior do que a que acalenta. Faz isso pensado em si própria, em seu sono, não no bebê.”
  • “Mãe que não tem saco de acordar à noite para acolher o filho choroso é uma péssima mãe.”
  • “Eu sinto pena da Adriane Galisteu, porque ela poderia viajar em qualquer outro momento de sua vida. Mas ser mãe daquele recém-nascido e amamentá-lo com esplendor seria um momento único, e na minha opinião, sagrado.”
  • “Mãe que abandona os filhos para ir para Ibiza e substitui tempo com os filhos para ir para uma festa à noite toda semana.”
  • “A Galisteu foi uma ‘menas’ mãe quando desmamou um recém nascido pra sair em lua de mel.”
  • “É menos mãe/pai quem negligencia seus filhos, quem não educa, não passa valores, não dá carinho, tempo, atenção.”
  • “Colocar uma criança no mundo, dar todos os brinquedos tecnológicos, deixá-la sentada a frente da televisão porque a galinha pintadinha canta músicas de criança e se dizer boa mãe.”
  • “Mãezinhas que escolheram a maternidade que tinha salão de beleza para receberem as visitas pós-parto na beca.”
  • “Mulher que prefere assistir seus filhos brincarem no tanquinho de areia do que interagir com eles para não estragar as unhas. Mas não entro no mérito do texto em dizer que isso é ser menos mãe. Até porque sei lá o conceito de mãe que uma pessoa assim tem.”
  • “Mãe que vive na ‘umbigolândia ‘”.
  • “Mães que choram ao quarto ao lado, com o coração apertado por deixar o filho chorando, mas não têm coragem de se desvencilhar dos cordões de marionete que a prendem.”
  • “Mães e pais que terceirizam a criança por causa da ideia cada vez mais popularizada (e levada ao extremo) de que ‘mãe feliz, filho feliz’.”
  • “Mães e pais que acham que devem mais à sociedade que ao seu próprio filho e são capazes de cometer a barbárie de dar uma festa de ‘boas vindas’ ao bebê ainda na maternidade.”
  • “MENOS mãe é aquela que tem todas as informações e ainda assim, age pensando em si mesma apenas.”
  • “Pais que acham que os filhos é que têm que se adaptar a vida deles, e dá-lhe horas em salão de beleza, redes sociais, com celular em punho sem sequer olhar o sorriso da criança, viagem do casal, que precisa muito desse tempo.”

Questionamentos ao conceito de “menos mãe”:

  • “Conheço quem adotou o método horrendo do Nana, neném com a convicção de que isso ajudaria o bebê a dormir melhor, e que estava fazendo o melhor por seus filhos. Não fez para melhorar seu próprio sono porque, mesmo com seus bebês dormindo que nem ‘anjo’ depois do método funcionar, passava a noite acordando para ver se estava tudo em ordem com as crias.”
  • “Não gostei do texto! Achei uma volta ao passado sem tamanho! Cada um com a sua realidade e seus problemas! Julgar é fácil demais, fazer o que a maioria das mães brasileiras faz para sustentar, dar amor e carinho tudo ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um! Isso não é abandono emocional, isso é responsabilidade!”
  • “Ser mãe não é receita de bolo!”
  • “Babá, suco de caixinha, e televisão não é liberalismo ‘demoníaco’, é realidade!!!”

5.       A “mais mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da maternidade ativa e consciente vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos, buscando as melhores escolhas, mesmo com sacrifícios pessoais.

“A ‘mais mãe’ exerce a maternidade em maior quantidade (de tempo, por exemplo), ou uma maternidade de melhor qualidade.

“Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. Nossos filhos são nossos parceiros, representam oportunidade única de nos redescobrirmos.”

Questionamentos ao conceito de “mais mãe”

Se a “menos mãe” foi duramente criticada, o conceito de “mais mãe”, por oposição, também foi alvo de muitos questionamentos:

  • “Uma mãe culpada ou que age por culpa não é uma boa mãe. Mas isto não significa se isentar de suas responsabilidades.”
  • “O que dizer da mãe que expõe as questões, imagens e intimidades dos filhos em um blog na internet, podendo causar a eles desconforto no futuro?”
  • “Acho que sei como essa mãe, tão comprometida com o maternar, age. Mas sei muito pouco sobre como ela sente. Se essa mãe está verdadeiramente feliz e completa, maravilha. Maternidade ativa é o melhor caminho para o filho e também para ela. E se ela não está assim tão feliz?”
  • “Uma mãe infeliz não seria uma ‘mãe menos’ “?
  • “Não vejo como seria possível uma mulher se negligenciar e, ainda assim, ser boa mãe. Se não cuidarmos de nós mesmas, como poderemos cuidar dos nossos filhos?”
  • “O que é melhor, brincar com o filho quando ele chega em casa da creche ou deixar o filho pra lá brincando sozinho pra fazer uma papinha caseira?”
  • “Não vou comentar mais nada, porque é perigoso eu ficar com sentimento de culpa por estar lendo textos na Net ao invés de brincar com a minha filha neste momento.”
  • “Alguém já inventou a tabela de medição, tipo INMETRO para mãe? Em que tempo/espaço medimos a eficiência da mãe? Na qualidade da infância? Nos confrontos da adolescência? Ou no ser que deixamos para o mundo na idade adulta? Porque eles mudam, e mudam muito. E o meio muda, e a atitude da mãe muda…”
  • “Talvez as pessoas estejam errando a dose: supervalorização da criança em detrimento do coletivo. Quem garante que esse desvio não se deve a pais grudentos demais, anulados como pessoas e dispostos a viver em função do filho 28h por dia? Não dá para dizer isso, nem o contrário.”
  • “Conforme a criança cresce as coisas mudam, pq cada fase é uma fase, e se os filhos são criados para o mundo, então uma hora eles se tornam independentes. Conforme essa independência é construída a mãe precisa saber ir igualando as prioridades.”
  • “Não ha coisa pior, nem pra mãe e nem pro filho, do que depois q a cria cresce e sai do ninho, a mãe fica sem chão e se descobre um ser sem vida própria. Daí podem nascer diversos problemas, uma sogra chata que quer a todo custo continuar vivendo a vida da cria, uma pessoa depressiva/rabugenta/lamurienta que acha q o filho é um ingrato e se revolta contra tudo/todos, e um filho que vai sentir culpa.
  • Se minha mãe me perguntasse se eu gostaria que ela abrisse mão de TODA sua vida e seus sonhos por mim, eu diria que não, acho que se anular -completamente- em prol de outro alguém, mesmo que esse alguém seja seu filho, é um fardo muito, muito pesado de se carregar.”
  • “Mamãe projetou a felicidade dela em nós, mas, como é natural, ao crescermos, cada um tomou o seu caminho. Eu continuo muito próxima dela, mas o afastamento natural de meu irmão para ela é uma mágoa profunda, uma ferida sem cura. Se, por algum motivo, eu não puder me fazer tão presente na vida dela, ela será infeliz. E como eu vivo com isso? Se ela tivesse deixado de passar algumas horas por dia comigo, não teria sido menos mãe por isso. Parte de minha felicidade como filha é a felicidade de minha mãe, e é muito melhor se a felicidade dela não depender apenas do ‘ser mãe’ “.

6.       Ter filhos

Argumento de Lia:

O Dr. José Martins, em A Criança Tercerizada, teve a coragem de dizer que quem não está disposto a mudar suas rotinas para cuidar de seus filhos não os deveria ter.

Concordam com o texto

  • “Não dá pra simplesmente ‘encaixar’ a maternidade e levar a mesma vida de antes de ter um filho – se é pra ser assim, por que tê-lo então?”
  • “Os motivos apontados por TODOS para ter filhos são egocêntricos. Garantir descendência, por costume social ou por que é ‘um sonho’ não são motivos centrados não na criança.”

7.       A influência da Mídia

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. O princípio demoníaco da identidade própria, auto-suficiente, é um engodo para nos desumanizar e nos tornar vítimas perfeitas do consumismo e do capitalismo industrial. Segundo a grande mídia e a indústria publicitária, ser você mesmo é ser igual a um padrão de sucesso e beleza estabelecido por outras pessoas, ser uma marionete.

“A mídia coloca o adulto em primeiro lugar e pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. O conflito entre mães e filhos é um mito criado para vender.”

Concordam com o texto

  • “Minha avó (84 anos) queria dar ruffles para minha filha e eu disse que não, que fazia mal… ela olhou o rótulo, indignada, e disse ‘Meniiiinaaaa, é só batata’. Minha avó é analfabeta, foi da roça, é megasaudável e ACREDITA que ali só tem batata e que alguma espécie de milagre faz aquela batata não se decompor. Ela achava que era o melhor para a bisneta.”
  • “Isso me lembrou a sugestão da revista Crescer sobre decoração de quartos de bebês e havia lá um berço e uma cama, a cama da babá.”
  • “Queremos mães que entendam os problemas de saúde pública da sociedade brasileira (desmame precoce, epidemia de desnecesáreas, excesso de sódio na alimentação infantil) que se repercutem na saúde de seus filhos e que entendam que somos enganadas e manipuladas cotidianamente em nome do lucro.”
  • “Não é martirizar ninguém pelo passado nem condenar por um evento isolado na vida materna. Estamos aqui como mulheres que defendem mulheres. A maternidade é aprendizado. E é muito interessante ao mercado ter mães não pensantes.”

Discordam do texto

  • “Eu não sei que revistas você anda lendo, mas destoam completamente das que eu leio. Em geral, pregam que a mulher deve ser uma heroína, cuidando integralmente dos filhos, sem abrir mão de todo o resto, como se a mulher tivesse de seguir padrões inviáveis de perfeição.”
  • “Se tem pai e mãe que larga, não são as revistas e as propagandas que ensinam, estimulam ou incentivam esse comportamento.”

8.       Comentário: Adendos ao texto

  • “Há uma teoria de maternidade que não foi contemplada e que é a mais importante: a que considera que a educação e cuidado das crianças não é somente de responsabilidade dos pais, a que considera que a maternidade mais comum será praticada também de acordo com as condições sociais na qual se perpetua. Ter um Estado e uma sociedade que valorizam a infância é fundamental para que sejamos bons pais sem sofrer mais do que necessário.”

9.       O Caminho do meio

Propostas de caminho do meio, segundo os comentários

  • “Não consigo abraçar um estilo de maternidade que considera as necessidades do filho mas não as da mãe.”
  • “O objetivo final é de felicidade, para pais e filhos. Com RESPEITO aos limites e às necessidades pessoais.”
  • “Vislumbro o tal caminho do meio, no qual as pessoas têm direito a fazer suas escolhas.”
  • “O caminho do meio não mata, não fere, só fortalece, porque ser mãe é um dos meus muitos papéis nessa vida.”
  • “O sentir me diz que eu quero ser ‘mais mãe’, sem deixar de ser ‘mais eu’. Dedicar, estender, absorver, me sentir feliz pra fazer feliz, à vezes com muita abdicação, às vezes nem tanto. Observar constantemente para saber onde posso e devo ‘ser mais’ e onde devo ‘ser menos’.
  • Eu sou da maternidade ativa às vezes e sou uma “menas main” outras vezes – depende da hora do dia que você encontrar comigo. Exerço os dois papéis com relativa tranquilidade.”
  • “Não é questão de ficar em cima do muro, e muito menos de falta de envolvimento. Quero o danado do equilíbrio, não consigo me enquadrar em nenhuma categoria, quero fazer do jeito que funcione pra mim e para os meus, quero poder experimentar e mudar de opinião, fazer valer se é que me entendem. Quero valores (morais) sim e amores, quero a honestidade e a capacidade de realizar, quero a frustação para poder crescer, quero a conquista para a determinação e disciplina, quero a reflexão sempre em qualquer atitude, quero bem estar, quero estar bem.”

Críticas ao Caminho do meio, segundo os comentários

  • “O Brasil não precisa de MAIS GENTE passando a mão na cabeça das mães que abdicam do filho para ter uma ‘vida’. Até porque isso é viver em função do mercado, não do filho. Condenam tanto quem vive em função do filho e não se tocam que vivem em função do mercado, do status, da aparência, do carro novo e das unhas e cabelos impecáveis.”
  • “O discurso contemporizador busca minimizar uma responsabilidade que é nossa, faz com que vibre ainda a mais a nossa natureza, que já é egoísta.”
  • “Espero um dia chegar a esse equilíbrio. Mas temo que palavras assim ditas num portal formador de opinião do porte do MMqQ pode fazer mais mal que bem.”
  • “No Canadá esse discurso faz completo sentido, já que a maternidade e a paternidade se completam. Mas não acho que o Brasil está precisando de mais passada de mão na cabeça agora, de mais uma referência pra se apoiarem e se eximirem da responsabilidade.”
  • “Se continuarmos falando, teclando, denunciando, gravando!, engrossando o coro e o caldo… mais e mais pessoas vão se tocar, vão ouvir o barulho e dar atenção a ele.”
  • “Meio termo, mediano, estar na média são sinônimos para medíocre.”

Tréplicas do Caminho do meio, segundo os comentários:

  • “Quando encontrei esse mundo de informações me senti mais desesperada e deprimida, do que acalentada. Isso pq a quantidade de mães que acham que só há um jeito certo de maternar é infinita, e desculpem, mas isso não é legal.”
  • “Essa postura do ‘não precisamos disso agora’ desrespeita as mães que leem o texto. Primeiro porque não é honesta – omite propositalmente um lado da questão para convencê-la de que o outro é certo. Segundo, porque as subestima: diz que a mãe brasileira não está pronta para um discurso que não a trate como uma cretina e que ela precisa ouvir o lado mais duro, ‘que não passa a mão na cabeça’, pra entender direitinho. Terceiro, porque é arrogante: vende uma única verdade possível (mesmo que, no fundo, admita que existem sim outras leituras).”
  • “Com quem o texto está falando? Nunca vi na blogosfera nenhuma mãe assim, tão extrema, tão descomprometida, tão ‘menas’. Nem na vida real eu já vi essa mãe. Essa mãe tão errada – pois foi erroneamente construída pelo sistema – existe e tá aí, condenando o seu filho ao abandono emocional completo. Pergunta: ela tá lendo blog de maternidade? E, na remota possibilidade de estar: ela foi adiante no texto ou parou logo no ‘asneiras’ do título, prevendo as pauladas que viriam? E, se foi adiante: ela está aberta ao texto ou vestiu uma armadura que vai comprometer a sua leitura?”
  • “Mães se sentem agredidas o tempo todo. Mães agredidas levantam as armas. Mães armadas não estão dispostas a ouvir. Distorções de discurso acontecem muito por causa da disposição (ou falta de) de uma mãe ouvir a outra. O que cria essa disposição? Empatia. Como se cria empatia? Pela identificação, pelo respeito, pela tentativa de compreender o outro.”
  • “O problema é que eu vejo a blogosfera mais militante tentando atingir pela dureza justamente quem precisa de acolhimento.”

Marusia fala

Após ler o post, os comentários, as réplicas e as tréplicas, me parece que todos estão de acordo com uma coisa: é necessário investir em uma sociedade melhor, e o cuidado com a infância é imprescindível. O que não tem consenso é a forma de alcançar esse objetivo.

Cada forma é defendida com unhas e dentes, quando não há nada que comprove sua eficácia. Só o futuro poderá dizer como serão os filhos de “mais mães” e “menos mães”. Além disso, essas crianças terão recebido influências múltiplas, o que nos impedirá de afirmar se foi a forma de maternagem que definiu seu modo de ser.

Sem garantia nenhuma, as mães se prendem a convicções. O pensamento diferente é tomado automaticamente como crítica: “se não está comigo, então é meu inimigo”. Não sobra espaço para o meio termo, nem para a tentativa de apaziguamento.

Assim, presas à forma e em eterna guerra pela sociedade de amanhã, nós mães nos desviamos do objetivo de ter uma sociedade melhor HOJE.

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Mamífera!

No post de hoje, a escritora Maria Amélia conta um pouco sobre o desmame e o que envolve esse processo. Quando a decisão cabe à mãe, sobrevêm sentimentos diversos relacionados a vontade, sono, prazo, reconfiguração do encontro e, ainda, nossa postura diante do “Lá Fora” – que parece insistir em transformá-la numa decisão que é “de todo mundo”.

“Não mama?” “Ainda mama?” “Isso?” “Aquilo?” Já que não estamos imunes às “interferências”, então vamos usá-las a nosso favor, com um relato sincero que pode inspirar quem está atravessando a mesma fase.

“Mamífera!

Por Maria Amélia Elói

Tenho duas filhotas queridas: Luana Lis, de 6 anos e 1 mês; e Mariana Flor, de 2 anos e 5 meses. Amamentei a primogênita até os 2 anos e 5 meses e estava planejando desmamar a caçula quando ela completasse essa mesma idade. Ai, ai, ai, o prazo está caducando… Mas sou mamífera de carteirinha! Não nasci para tirar o doce (leite) da boca da criança! Adoro os meus grudinhos como penduricalhos.

Ainda não estou muito certa se chegou a hora da Mariana, ou melhor, se chegou a minha hora. Quando imagino o fim dos nossos lácteos encontros, sinto um treco esquisito, pressinto uma saudade ardida, daquelas que umedecem os olhos.

Não foi difícil desleitar a Luana. Certo dia, mostrei-lhe uma faixa enrolada aos seios e disse que eles estavam dodóis; por isso, eu não poderia lhe dar o mamazinho. Quando eu chegava do trabalho, ela vinha correndo me encontrar, com a mesma pergunta: “Sarou, mamãe? Deixe eu ver”. Isso durou uns três dias. Ela demonstrava dó de mim, e eu também ficava com pena dela (na verdade, mais de mim que dela). Eu chorava no quarto, enquanto meu marido colocava a Luana para dormir. O coitado não sabia se acudia a mulher plangente ou a filha. Mas a adaptação foi superpositiva, e o consolo veio logo. Não mais podendo se utilizar do meu peito como chupeta, Luana passou a dormir a noite toda já no primeiro dia de desmame! Parecia milagre para uma criança que acordava no mínimo quatro vezes por noite.

Desleitei a Luana porque eu precisava dormir! O motivo do meu cansaço (em razão do acorda e levanta toda hora para amamentar a Luana) era forte. E agora? Qual é a “desculpa” para eu tirar a Mariana do peito? O anjinho tem dormido bem melhor, chamando-me apenas uma ou duas vezes por madrugada. A bezerrinha merece “condenação”? Vocês precisam ver o sorriso dela, pedindo, em volume aumentativo: “Mamãe, quero mamar, mamar, mamar!”. E quando ela termina um lado: “Quero mais. O outro, o outro, o outro”. É o trem mais fofo do planeta!

Há quem diga que o bebê precisa ser desmamado logo — para se tornar mais independente e para não interferir na alimentação. E no caso da mãe completamente presa a seu pingentinho sugador? Como incentivá-la a tirar o peito do filho?

Muitos reprovam quem amamente até a criança ficar grandinha. “Ela ainda mama? Não acredito! Isso vai até quando? Até o baile de debutantes? Até o casamento?”. É um povo que teima em se intrometer na relação e na refeição dos outros, hein?

Estou lendo um livro fascinante, chamado “Quarto”, da escritora irlandesa Emma Donoghue, que enfoca a relação de carinho e confiança construída entre uma mãe e seu filho, de cinco anos. Eles vivem confinados num quarto, sem nenhum contato com o Lá Fora. O narrador é o próprio menino, Jack, que sempre pede à mãe para “tomar” um pouco. Trata-se de um garoto muito esperto e cativante, que não dispensa o leitinho da mãe. No caso, além de fortalecer o amor entre eles, a amamentação é até uma fonte nutritiva para Jack, que se alimenta mal naquele cárcere. É bem provável que, se eles vivessem em comunidade, a mãe já teria desmamado o filho; mas, sem a interferência do Lá Fora, eles podem manter esses momentos de graça.

Não, não vou aleitar a minha Flor até os 5 anos. Pelo menos acho que não. Mas talvez eu não tire a pequena do peito neste mês, só porque ela chegou à data limite. Quem sabe quando ela completar 2 anos e 6 meses, ou 2 anos e 11 meses? Não me considero uma pessoa descontrolada ou neurótica. Às vezes até acho que sou uma mãe sensata e equilibrada. Em breve, a questão do desmame estará resolvida, sem grandes traumas! Prometo contar o desfecho.”

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Veja também:

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai

Verdades

Sites visitados:

Nemo e a construção da paternidade

Utilização de Nemo no setting terapêutico

Violência na Turma da Mônica

Em defesa da Turma da Mônica

Princesas Disney

As princesas Disney e o feminismo

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Abaixo, estão versões diferentes de três produções infantis:

Marlin, Nemo, Dory no fundo do mar

Procurando Nemo – Disney Pixar

Órfão de mãe, portador de necessidades especiais, enfrenta o pai dominador. O enredo apresenta, sem cortes, cenas de canibalismo, sequestro de crianças, trabalho infantil, vício, mentira, violência e perseguição. Emocionante aventura de um pai em busca do filho, repleta de lindas lições, como a superação, a confiança, a amizade, o estabelecimento de metas e o autoconhecimento. Além disso, oferece novas perspectivas acerca da paternidade: os desafios, o conflito entre ser pai ou amigo do filho e o imprescindível amor paterno no desenvolvimento da criança.
Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali

Turma da Mônica – Mauricio de Sousa

Histórias de um grupo de crianças, em situações estereotipadas e sistemáticas de pancadaria, bullying, compulsão alimentar, inconsequência e falta de higiene. Uma produção que extrapola o mundo dos quadrinhos (atualmente um monopólio nacional, na falta de outras opções de gibis para crianças no Brasil) para compor uma poderosa indústria de bens de consumo. Histórias de uma turma de crianças que trazem lições como amizade, autoestima, criatividade, respeito à diversidade, em um ambiente bem brasileiro. Os quadrinhos mostram como pode ser divertido brincar na rua e a importância de se cuidar do meio ambiente. A personagem principal é do sexo feminino, que sabe se defender e exercer sua liderança sobre o grupo. Ela e as outras crianças foram inspiradas nas filhas e nos amigos de infância do autor, o que explica a sensação de identificação e a familiaridade por parte do leitor.
Aurora, Ariel, Branca de Neve, Jasmine, Cinderela e Bela

Princesas Disney

Universo sexista, em que as mulheres só têm valor se forem bonitas, e cuja realização pessoal só é possível no casamento. Para alcançar esse ideal, elas abandonam suas famílias e seus amigos, abrem mão de seus talentos e são capazes até mesmo de mudar o próprio corpo. Uma delas, na verdade, nem precisou estar acordada para conseguir a atenção do futuro marido. Adendo: Os homens também precisam ser lindos e ricos. Um convite ao sonho e à fantasia, com protagonismo feminino. No reino encantado dos contos de fadas, mulheres corajosas demonstram doçura, bondade, solidariedade e sacrifício pelo outro, e provam que a força poderosa do amor sempre vence o mal.

E aí? Qual é a versão “verdadeira”?

Nenhuma delas.

Porque nada é totalmente bom, nem totalmente mau. Nada tem apenas um lado.

Apegar-se a uma versão é fazer como os cegos que apalparam um elefante. Quem tocou na tromba, achou que era um bambu. Quem tocou no dorso, uma parede. O rabo virou uma corda; a pata, um pilar. Ora, um elefante não é uma soma de bambu, parede, corda ou pilar. É um todo, um conjunto maior que a soma dessas partes isoladas.

Os cegos apalpando o elefante

E quando o elefante nem existe? É uma ilusão, como essa gravura de cinco patas?

ilusão de ótica desenho de elefante

É o mesmo caso dessas produções infantis: não existem. São pura ficção, de entretenimento.

Nemo realmente é órfão, Marlin realmente é dominador. Há cenas de canibalismo (a barracuda que devora a mãe de Nemo), sequestro (o mergulhador que o leva para o aquário), exploração infantil (quando Gil o convence a travar o filtro). Mas também é uma história de superação e oferece uma rica gama de visões sobre o amor paterno.

Mônica realmente bate nos amigos, porque é vítima de bullying. Maurício de Sousa realmente tem muitos licenciamentos de produtos da Turma da Mônica, mas isso é reflexo do sucesso dos personagens. Magali é compulsiva, Cascão é avesso à higiene. Contudo, até esses estereótipos são úteis para ensinar. Existem vários exemplos de respeito às diferenças e exercício da cidadania. Fora que as histórias, tão brasileiras, são garantia de diversão.

Sobre as princesas Disney, elas são mais que o somatório das duas versões, a misógina e a cor de rosa.

A pergunta que surge é: por que essas e outras produções midiáticas fazem tanto sucesso entre as crianças, geração após geração? Muito, muito além de questões como consumismo e alienação, elas fazem sucesso porque contêm uma fortíssima carga simbólica. Porque trazem arquétipos e outros aspectos universais. Não necessariamente são exemplos a ser imitados.

Todos esses personagens e suas histórias estão abertos a infinitas interpretações. E continuarão a produzir sentidos no futuro.

Como diz Eni Orlandi, em Análise do Discurso, “sujeito e sentido se constituem ao mesmo tempo” (Discurso em Análise. Editora Pontes, 2012). Isso significa que, ao ter contato com determinado discurso, a pessoa que interpreta e a interpretação são indissociáveis. Além disso, autora afirma que “o sentido não se fecha, assim como o sujeito também é itinerante”. O mesmo discurso, portanto, é passível de inúmeras análises, até pelo mesmo sujeito.

E assim dão margem a muitas releituras:

princesas Disney vestidas como as vilãs

Como vilãs

Princesas Disney fazendo careta

Fazendo careta

Princesas Disney acima do peso

Inspiradas nos quadros de Fernando Botero

Ariel, Branca de Neve, Bela e Cinderela de óculos

Mulheres de óculos

Princesas Disney sem cabelo

Apoio na luta contra o câncer

Branca de Neve com bebês e marido descansando

Quem sabe o príncipe virou um sapo…

Quadrinho com princesas Disney falando dos maridos

Princesas na versão Desperate Housewives

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Princesa Merida com arco e flecha

Merida, uma princesa Disney que não se casa no final

O que fazer diante de Nemo, Mônica, princesas e todos os outros produtos infantis de entretenimento? São muitas as opções:

  1. Evitar que a criança tenha acesso a eles, para protegê-la;
  2. Esperar que a criança tenha maturidade antes de ter acesso a esses produtos;
  3. Deixar a criança escolher o que quer ver e confiar que ela saberá a diferença entre ficção e realidade;
  4. Mostrar os produtos à criança, até para que ela conheça o “lado sombrio da Força” e saiba se defender;
  5. Explicar à criança os prós e os contras;
  6. Deixar que a criança apresente sua própria interpretação sobre os produtos;
  7. Outras.

E aí? Qual é a opção correta?

Ora, essa também não é uma questão de certo ou errado. Cada família deve optar por aquilo que faz SENTIDO para ela, em razão de suas possibilidades e suas crenças. E nem sempre o que é verdade para uma, o é para outra.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 2: o que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: por que nos identificamos e espelhamos nelas?

Quem vai ficar com as crianças? Análise

Li um texto de Rosely Sayão sobre o que fazer quando as crianças entram em férias escolares, ampliando o escopo para o que significa ter filhos. O artigo por si só já chama a atenção, mas os comentários dão novas matizes à discussão. Assim, optei por desdobrar a análise do texto em dois estágios:

  1. Análise do artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?” e os comentários feitos pela internet – neste post;
  2. Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos.

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  1. O artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?”

Leia o artigo e os comentários:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1195154-quem-vai-ficar-com-as-criancas.shtml

Análise

Em Análise do Discurso, não se busca o que está “por trás” do texto. A mensagem fala por si só. Assim, a segunda coluna evidencia, em outras palavras, o que já está presente no artigo, sem fazer juízo de valor.

Pontos principais do texto Análise
Uma mãe se magoou porque teve que ficar com o filho e não pôde ir a um cruzeiro sozinha. A mãe efetivamente ficou com o filho e não viajou, cumprindo com “suas obrigações”. Ela se magoou, mas não deveria se sentir assim. Afinal, “Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais.” Deste trecho, depreende-se: filhos são sempre fruto de desejo.
Ir para a escola quando a maioria dos colegas não está não deve ser agradável. As crianças sabem o significado de férias. Ninguém gostaria de passar férias em seu local de trabalho. Crianças também precisam de férias.
Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Ter filhos implica sacrifícios, ainda que por um tempo.
É recente essa ânsia dos adultos de criar programação para os filhos. Eles mesmos podem fazer isso, mas só se tiverem tempo para o ócio. Crianças são superestimuladas no decorrer de todo o ano, e os pais devem garantir seu descanso.
Por que muitos pais tratam as férias dos filhos como um problema? Talvez seja difícil conviver com eles por períodos maiores do que os pais estão acostumados. O convívio com os filhos é algo difícil. Se fosse natural e bom, os pais não precisariam se habituar para darem conta.
É um problema quando queremos viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los, e quando nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora. Ter filhos muda a vida dos pais para uma vida “obrigada” e pior em comparação com a vida de antes.
Por que temos filhos? A resposta já foi dada no texto: “Ter filhos significa acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer.” Denota um movimento sempre na direção dos pais para filhos, sem abordar nenhum tipo de contrapartida.

Os comentários ao texto de Rosely

Até o dia 8/1/2013, foram feitos 27 comentários pela web. Participaram 11 homens e 9 mulheres (em certos casos, houve mais de um comentário por pessoa – todos de homens). A maioria (13) concordou com o texto.

Argumentos de quem concordou Análise dos comentários
Ter filhos não é para qualquer um. Ter filhos é uma empreitada complexa, que requer preparação.
As pessoas querem ter filhos e continuar com a vida de solteiro. Isso reflete a imaturidade, o egoísmo e a infantilidade desses pais. A vida de solteiro é imatura, egoísta e infantil, o oposto da vida que devem ter os pais.
Hoje todo mundo quer apenas olhar para os direitos, se esquecendo dos deveres. “Filhos” estão no rol de “deveres”.
Ninguém deve pôr filhos no mundo pra dar trabalho pros outros. Filhos dão trabalho. E quem deve assumir esse trabalho são os pais.
Filhos são pessoas, não bonecos. Filhos nem sempre correspondem às expectativas dos pais.
Os pais abdicam por um período de algumas coisas, como seus próprios pais também fizeram. Dar continuidade ao processo de criar filhos equivale a oferecer um tributo à atitude dos próprios pais. E se os próprios pais foram irresponsáveis? Além disso, se for uma questão de retribuição, não é mais lógico fazê-la com os próprios pais em vez dos filhos?
Em vez de reclamar, eles deveriam aproveitar melhor o tempo, pois em breve as crianças serão adultas. Este é um paradoxo. Se o convívio é bom e deve ser aproveitado enquanto os filhos são crianças, não haveria motivo para reclamar.
A criança não pediu para nascer. Se foi um “um acidente”, é necessário “pagar” o preço pelo “acidente”. Ao contrário do texto, aponta-se a possibilidade de um filho não planejado. Mesmo esse “acidente” deve ser assumido.
A criança enxerga a escola como um depósito. Crianças também precisam de férias.
Por causa da falta do convívio familiar, a criança não vai respeitar os pais, pois são estranhos. Os pais perdem o controle, e os professores também. As consequências de não cumprir a obrigação de pais são funestas e vão além do ambiente familiar.
Filho em casa deve ser uma alegria e não um estorvo. Pela primeira vez, alguém não classifica o convívio com os filhos como algo penoso, dando uma pista de que as férias com eles podem, sim, ser prazerosas.
Caso os pais tratem seus filhos como estorvo, logo aparecerá alguém oferecendo alternativas sedutoras que supostamente preenchem esse vazio, como as drogas. O convívio com os filhos é um sacrifício, mas evita sacrifícios ainda maiores depois que eles crescem.

Houve quem concordasse com Rosely e criticasse quem foi contra:

“A verdade incomoda aqueles que já se sentem culpados, mas tentam esconder até de si mesmos e adoram rebater com jargões do tipo ‘não sou menos mãe porque quero ir pro cruzeiro sozinha’ “.

As justificativas de quem não concordou foram:

Argumentos de quem discordou Análise dos comentários
As mulheres trabalham e têm somente 30 dias de férias por ano, enquanto as crianças têm no mínimo 60 dias. Em pelo menos metade das férias as crianças não poderão ficar com os pais que trabalham. A insistência nisso força o conceito de incompatibilidade entre trabalhar fora e cuidar dos filhos.
As famílias que não herdaram fortunas precisam trabalhar para criar os filhos e fazer deles pessoas felizes. Filhos demandam investimentos financeiros.
As mães não devem ser julgadas. Elas trabalham por necessidade, e não por hobby. É muito fácil falar quando se pode optar simplesmente por “não trabalhar” para cuidar dos filhos. Nem sempre a mãe pode optar entre trabalhar fora e ficar em casa, principalmente na ausência do pai.
“Não deixaria de trabalhar por causa dos meus filhos, e não deixaria de ter filhos por causa do trabalho.” As mães querem conciliar maternidade e carreira.
A inexistência de estruturas adequadas para as crianças nos 60 ou mais dias de férias é um problema real e não deveria ser apresentada nunca como “pais irresponsáveis que não ligam para os filhos”. A criação dos filhos também é um dever do Estado.
Seria um retrocesso obrigar as mulheres a ficar em casa e serem donas de casa. O texto cita o exemplo de uma mãe, mas não distingue o trabalho dos pais entre os sexos. Entretanto, para maioria dos leitores, é uma obrigação típica das mulheres.
Todos tivemos na criação a presença marcante e fundamental de uma das avós ou tias ou afins. Isso também é terceirizar? Antigamente, havia uma rede de apoio familiar e comunitária, que assumia a criação das crianças como um compromisso coletivo – e não uma obrigação exclusiva dos pais. Tal rede já não se vê na atual classe média.

Houve quem perguntasse à autora: “E você trabalhava ou era professora?” Respostas de internautas nos comentários salientam que os professores têm férias de 60 dias, como as crianças, e que assim poderiam acompanhar seus filhos por conta disso.

Marusia fala

O único lado não ouvido nessa discussão inteira foi justamente o mais interessado: as crianças. O que ELAS preferem fazer nas férias?

Sobre o texto de Rosely, se a motivação foi conscientizar os pais a manterem o convívio com as crianças, digo que não aposto nesse tipo de abordagem. Primeiro, porque os pais que realmente não têm responsabilidade, e não se sensibilizam com seus próprios filhos, não vão se sensibilizar com um texto de internet. Aliás, eles nem sequer leem esse tipo de coisa. E quem é que lê? Os pais (principalmente as mães) que querem melhorar. E o que eles vão conseguir? Apenas a sensação de que nunca vão dar conta.

Segundo, porque critica determinados comportamentos sem oferecer nenhuma sugestão. Além disso, apresenta a convivência com as crianças como algo penoso, como um fluxo infindável de obrigações que deve partir dos pais em direção aos filhos, sem que se obtenha contrapartida de satisfação.

Terceiro, porque esses artigos contribuem para polarizar ainda mais uma discussão absolutamente infrutífera sobre as decisões de ter ou não filhos. Uma decisão que é pessoal, intransferível.

Faço questão de acompanhar meus filhos sempre, mas também me dou o direito de descansar – e de reclamar, principalmente quando eles não cooperam. Não existe coisa mais opressora para uma criança do que ter uma mãe perfeita, nas férias ou não…

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Veja também:

Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Por que temos filhos?

Elisabeth Badinter, no livro “O conflito – A mulher e a mãe” (Editora Record, 2011), cita uma pesquisa realizada em 2009 pela revista Philosophie Magazine, com as justificativas de homens e mulheres para terem filhos:

  • Um filho torna a vida mais bonita e alegre;
  • Permite à família perdurar, transmitir seus valores, sua história;
  • Um filho dá amor e faz com que sejamos menos sós na velhice;
  • Damos a vida de presente a alguém;
  • Torna mais intensa e sólida a relação do casal;
  • Ajuda a tornar adulto, a assumir responsabilidades;
  • Permite deixar parte de si na Terra depois da morte;
  • O filho pode fazer o que não pudemos fazer;
  • É uma nova experiência;
  • Para satisfazer o parceiro;
  • Uma escolha religiosa ou ética;
  • Não houve motivo, foi um acidente.

Filhos: ter ou não ter?

O blog de Ruth Aquino (Mulher 7 por 7) trouxe o depoimento de Mateus Carrilho de Almeida: “Não queremos ter filhos. Por que não nos respeitam?”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/26/nao-queremos-ter-filhos-por-que-nao-nos-respeitam/

Abaixo, estão trechos do texto:

Filho não fará falta na minha vida. Não farei algo só porque os outros fazem.

Adotar cumpre a mesma função, acrescido de uma responsabilidade social.

Não tenho o mínimo interesse em abrir mão da minha vida. Eu quero viajar com minha esposa, curtir  ir a show de rock, balé, teatro, ver filme adulto, namorar. Somos colorados, vamos nos jogos. Juntinhos. Poderíamos com bebês? E pior, imagina se eu tenho um filho gremista (rsrsrs)?

Dizem que não teremos quem cuide de nós na velhice. Essas mesmas pessoas não cuidam dos seus pais na velhice. O que lhes garante que seus filhos não farão o mesmo?

E na adolescência, quando te dizem a célebre frase “não pedi pra nascer”? Eu não quero me arrebentar pra dar educação, ensino, abrir mão de um monte de coisa pra ter que ouvir isso depois quando eu não deixar um filho fazer um troço que só irá lhe prejudicar.

Vejo os problemas que conhecidos meus têm com seus filhos. Meninas têm dado mais problemas que os meninos.

Pegamos há pouco um filhote de guaipeca, vira-lata. Agora eu tenho certeza que filho é mesmo para os outros.

Já existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Estou já cheio das cobranças, como se só existisse uma maneira de ser feliz e comprometido nessa vida.

Análise

Até o dia 8/1/2013, este texto recebeu 180 comentários, de 149 pessoas (houve quem comentasse mais de uma vez). Dos que se identificaram, foram 31 homens (28%) e 111 mulheres (78%). Ressalte-se que a coluna Mulher 7 por 7 é voltada ao público feminino.

A opinião dos homens ficou equilibrada: 41% discordaram do texto, enquanto 58% demonstraram concordância.

Entre as mulheres, a diferença foi bem maior. Apenas 27% foram contra, e 60% a favor do texto de Mateus. O restante ficou neutro ou respeitou, apesar de pensar diferente.

No cômputo geral, 33% foram contra, e 57% manifestaram apoio à decisão de não ter filhos.

O mais interessante é observar a reação das pessoas que comentaram. Alguns foram tão radicalmente contra, com comentários por vezes ácidos, que ensejaram a resposta da colunista, Ruth Aquino, do Mateus, da esposa dele, Denise, e até da própria mãe do Mateus, Lucy.

Os que concordam com Mateus

Para o grupo que concorda com o texto, os casais que optam por não ter filhos são criticados e pressionados por pessoas com as seguintes características (expressões retiradas dos comentários): hipócritas, egoístas, irresponsáveis, fundamentalistas, intrometidos e imbecis de uma sociedade julgadora, cujo patrulhamento conservador quer a estandartização dos comportamentos humanos.

Segundo os que concordam com Mateus, filho não é a melhor coisa do mundo. Não tê-los é melhor que terceirizar para babás e creches tomarem conta, melhor que abandonar nas lixeiras, espancar. E a mesma sociedade que cobra filhos é responsável por crianças mimadas, adolescentes rebeldes, pais manipuláveis pelos filhos.

Outros argumentos:

  • “É por pensar demais se meu filho será feliz que não o tenho”.
  • Melhor que ser maria-vai-com-as-outras, ter filho só por causa da cobrança da sociedade. “Quem tem filho e vive dizendo que é uma maravilha é como aquela pessoa que pulou numa piscina fria num dia de inverno e fica te chamando, dizendo que tá gostoso”. Ter filhos é uma coisa muito séria, tem que parar para pensar, o que muita gente não faz.
  • Narcisista é quem precisa de um “mini mim” pra “ser feliz”. Se a felicidade não está em nós, não é em esposas, maridos e em filhos que vamos achá-la.
  • Muitos usam os filhos como desculpas pra não fazer nada. “Não posso, não dá, meu filho e coisa e tal”.
  • Nem todos os filhos são umas gracinhas, vide o caso Ricthofen e tantos outros que matam para ficar com herança, abandonando em em asilos, na rua… se a mãe de Suzane Von Richtofen tivesse pensado como o Mateus, pelo menos ainda “estaria entre nós”.
  • Filho JAMAIS será garantia de apoio e amor incondicional na velhice.
  • Casamento não é contrato de procriação!
  • A decisão afeta EXCLUSIVAMENTE a quem não quer ter filhos!
  • A humanidade não vai acabar por causa disso. Viva o controle de natalidade. “A superpopulação é um dos reais fatores que podem levar à extinção da humanidade. Mesmo quem deseje filho, deve limitá-los. Todas as demais campanhas como economizar água, racionar isso, racionar aquilo, somente são paliativos a curto prazo. Maternidade responsável, onde se inclui a ausência de maternidade, é a única salvação!!!”
  • Melhor coisa do mundo é ser tia.
  • Mulher grávida é horrorosa.
  • É melhor adotar as crianças que ninguém deseja, como crianças maiores e até mesmo adolescentes que estão precisando de uma família.
  • Quem abriu mão de sua liberdade para procriar sabe que não pode recuar e fica uma pessoa amarga.

 

Por fim, um contundente depoimento de uma filha indesejada:

Ana28/03/2012 | 3:44

Bom…parece que estão todos a discutir motivos de ter X motivos de não ter. Sabem de uma coisa? Esses motivos não importam. Vou dar meu depoimento de filha que nasceu indesejada. E pessoas como eu existem aos montes, mas grande parte das pessoas (principalmente do time pater-/maternidade-a-qualquer-custo) acham que ignorando o problema e contando sobre o mito do amor materno o problema desaparece. Minha mãe nunca me deixou faltar nada, materialmente falando. Sempre tive roupa, comida, estudo e médico. Mas eu carrego até hoje as frustracões dela, ela me culpa e me cobra a vida que ela não teve pra me criar. Me culpa e me cobra cada centavo que gastou comigo. Sempre desmerece o que eu faço, me humilha sempre que tem oportunidade, nunca festejou uma vitória minha, mas sempre engrandeceu minhas derrotas. Sempre disse que o maior erro da vida dela foi ter filhos e se pudesse voltar atrás jamais nos teria. Tive uma colega na faculdade que passava por algo ainda pior – a mãe dela tentou abortá-la e não conseguiu – passou a vida inteira falando pra filha o quanto se ressente de não ter conseguido abortá-la!!! Alguém aqui tem noção do que é ser rejeitado pela própria mãe? Aqui alguém tem noção das marcas que eu carrego e tantos outros carregam por isso? Hoje estou numa luta para fazer meu plano de saúde pagar o meu psiquiatra – desenvolvi distúrbios de atenção e às vezes machuco a mim mesma. Eu tenho um pedido a fazer – nao critiquem quem não quer ter filhos. Não os chamem de monstros egoístas e qualquer outro adjetivo. Sei que há pais que amam profundamente seus filhos – mas não são todos! Os motivos de não querê-los não importam – o importante que essa decisão JAMAIS vai machucar alguém. Mas ter filhos indesejados – essa decisão, sim, pode ser catastrófica para os envolvidos!!!

Os que discordam de Mateus

Para o grupo de discorda do texto de Mateus, as pessoas que não querem filhos são (expressões retiradas dos comentários): despreparadas, cruéis, insanos, infantis, sem atitude, sem amor, sem nada, desnaturadas, imaturas, fracotes, egoístas, extremamente individualistas, indiferentes a tudo e a todos, a não ser suas carreiras e suas posses. Fazem parte de uma sociedade do espetáculo, adultocêntrica, do prazer imediato. Tiveram problemas na criação, deveriam ser sido abortados pelos próprios pais, e é até melhor que não tenham filhos, porque  SER MÃE É ALGO ESPECIAL, SOMENTE PARA PESSOAS RESPONSÁVEIS, VERDADEIRAS, BATALHADORAS, HUMANAS E AMOROSAS…

Outros argumentos:

  • “Daqui a pouco vão chamar eles de heróis. Hérois são os pais que trabalham duro, e ainda dão amor, têm que pagar escola, universidade, dividem tudo.”
  • E mais infantilidade ainda ficar dizendo que não quer seguir os conceitos da sociedade, mas fica pondo a culpa na sociedade, achando que quem tem filhos os teve por imposição social.
  • “Se não gosta da sociedade, caro amigo sem filhos, crie uma nova. Mas adotar pets não vai te fazer uma pessoa melhor.”
  • Vão se arrepender mais tarde e fazer tratamento para engravidar.
  • Muita justificativa denota indecisão, o discurso não convence, há problemas em aceitar a própria decisão. Para se expor assim, o casal não respeita nem a si mesmo. Devem parar de se fazer de vítimas. Reclamões, só ficam dando desculpas.
  • Casamento não é sinônimo de felicidade.
  • “Viemos ao mundo para reproduzir, isso é da nossa natureza, escolher o contrário é ir contra um fato natural.”
  • “Se mata, amigo, vai ter menos uma pessoa, e suas preocupações estarão resolvidas.”
  • Só focam o lado negativo de ter filhos. “Não respeito casais que acham que estão certíssimos em ñ terem filhos se eles acham que os outros são idiotas em tê-los.”
  • Filhos crescem tão rápido que logo os pais poderão viajar, ir a shows, peças de teatro, etc
  • Filhos adotados também precisam de cuidados. “Vc não abriria mão da sua vida para criar do mesmo jeito????”

Por fim, o relato de uma mulher que ama ser mãe e não condena aqueles que optam por não ter filhos:

“[…] Sua explicação pra não querer procriar é típica de quem não tem filho. Nasce com filho um altruísmo que supera vc querer ir ao jogo de futebol ou balé, Mateus. Não vou explicar muito porque vc não entenderia. E nem precisa. Já decidiu e a decisão é o que conta. Só cuidado para não desmerecer a vontade daqueles que querem ter filhos. Não faço o jogo oposto, usando as mesmas armas. A pressão. As explicações bobas. E, mais do que tudo, comece a selecionar melhor seus amigos.”

Os childfree

Mais e mais mulheres optam por não serem mães. Não é por acaso que governos investem em políticas de incentivo à natalidade, principalmente naqueles países que se concebe comumente como “desenvolvidos”: quem vai pagar a conta de uma população que envelhece?

Existe até um termo para definir as pessoas que não desejam filhos: childfree (“livre de crianças”, em tradução sem compromisso). Há comunidades Childfree em diversos países do mundo. No site do grupo brasileiro, entre as diversas razões que balizam sua escolha, estão:

http://www.semfilhos.org/trocentos-motivos-para-nao-ter-filhos/

  1. O parto é uma tortura;
  2. Não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhas brigando;
  3. Crianças custam caro;
  4. Você vai passar noites acordada e não será na balada e sim ouvindo choro;
  5. O filho é a despedida dos seus sonhos de juventude;
  6. Ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher;
  7. Quando o filho aparece, o pai desaparece;
  8. Você não tem tempo para os amigos;
  9. Sua pele fica feia com estrias, varizes, celulites e gordura localizada;
  10. Tem crianças demais na Terra.
  11. Filhos dão muito trabalho
  12. A gravidez deixa a mulher chata
  13. Filhos são uma obrigação eterna
  14. Desnecessário para perpetuação da espécie (já são 8 bilhões de seres humanos no mundo)
  15. Crianças são capazes de colocar os pais em situação de vexames na rua
  16. Filhos são como alto-falante de pedir coisas.
  17. O filho é um ser humano como outro ser qualquer então dele se pode esperar de tudo, inclusive fazer mal aos pais
  18. Filhos tomam tempo, algo cada vez mais escasso
  19. É frustrante ficar corrigindo seu filho todo tempo.
  20. Com filhos, liberdade limitada
  21. Criança boa só tem duas: aquela que já fomos e a dos outros.
  22. Colocar alguém no mundo só pra ele cuidar de você na velhice, e atender seus projetos pessoais é egoísta e mesquinho.
  23. Se vc for procurar uma casa de aluguel e outra pessoa também, se você tiver filhos, difícil conseguir!
  24. Filhos dão muita dor de cabeça, e exigem muita paciência além gasto físico e mental.
  25. Se divorciar e tentar uma vida nova com alguém, fica muito difícil por está ligada à outra pessoa por causa dos filhos e dessa nova pessoa vai aceitar você com seus filhos.
  26. Quando for viajar terá que levar os filhos e todos os ônus que trazem consigo, ou deixá-las com seus pais (ou com sua sogra!).
  27. Ter filhos é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: – Pula que a água tá boa.
  28. Chegada dos filhos atrapalha vida sexual do casal.
  29. Você pode ser uma péssima mãe ou um péssimo pai.
  30. Criar filhos é igual criar cachorro: depois que cresce perde a graça.
  31. Filhos só sabem limpar a bunda após os 4 anos. São 4 anos ouvindo Acabeeeeiiiiii
  32. Se você for homem e se divorciar, cada filho seu vai levar no mínimo 10% do seu salário, isso se a mãe não tiver bem orientada por um bom advogado!
  33. Ser pai ou mãe é o trabalho mais difícil do mundo, e pior que não existe aposentadoria!
  34. A gravidez deixa a mulher horrorível e traz uma série de complicações de saúde.
  35. Meio milhão de mães morrem durante o parto todos os anos.
  36. Seu filho pode nascer hiperativo (já pensou que inferno?).

Conclusão

Que pai e que mãe, ao ler a lista dos childfree (ainda que se repita em diversos pontos), não fica com a língua coçando para gritar? “Espera aí! Não é bem assim! Vocês só estão focando o lado pesado, e de forma exagerada!”

Que pai e que mãe não ficaria inclinado a enumerar outra lista, somente com as benesses de ter filhos?

Abrindo o leque: por que a discussão em torno da escolha entre ter ou não ter filhos é tão inflamada? Por que as pessoas se ofendem e chegam ao ponto de se xingarem?

O que está em jogo no artigo de Rosely Sayão, na pesquisa citada por Elisabeth Badinter, no texto de Mateus de Almeida, nos comentários?

  • O eterno binômio da natureza humana: obrigação x prazer;
  • Os apelos de uma sociedade cada vez mais individualista;
  • A polêmica em torno do aborto;
  • O aumento da violência no mundo;
  • A questão da adoção;
  • As diferentes relações de trabalho entre homens e mulheres;
  • O papel do Estado e da comunidade em relação às crianças;
  • A pressão real da sociedade para que as pessoas tenham filhos, que surge até para quem tem filho único;
  • A promessa para a mulher, como se somente depois de virar mãe ela seria realizada;
  • O trabalho intenso e a responsabilidade que envolve a criação dos filhos;
  • A velha conhecida que fazem questão de imputar às mães: a culpa.

Toda vez em que há um esforço para defender determinado ponto de vista, aparecem alguns problemas: a radicalização e a generalização.

Não adianta querer colocar todas as pessoas no mesmo balaio. Se formos subdividindo, teríamos um grupo com os que não querem ter filhos. Desses, há os que não querem agora, os que querem adotar, os que não querem de jeito nenhum. Há os convictos e os que se arrependem.

No outro grupo, há os que querem ter filhos. Desses, há quem esteja preparado e quem não esteja. Dos que não estão preparados, há os que aprendem e os que não aprendem. Dos que estão preparados, os que se desapontam com expectativas. Os que estão realizados, mas enfrentam situações de estresse, afinal são todos humanos: filhos e pais.

Pessoas sonham, se frustram. Erram. Mudam de opinião. Crescem.

Marusia fala

Sempre quis ter filhos, por uma série de motivos. O principal era querer transmitir a eles o que eu havia aprendido. É óbvio que eu não pensei: “quero filhos porque eles dão trabalho, é preciso dinheiro, vou ficar acordada muitas noites, vou ter que repetir a mesma coisa mil vezes, vou renunciar a isso ou àquilo.” Eu estava consciente disso e disposta a enfrentar tudo em prol de outros desejos. Mas eu tinha uma ideia muito diferente do que era ser mãe. Na minha cabeça, planejamento e informação seriam suficientes para manter tudo sob meu controle.

Quanta ilusão…  com crianças, nada segue um roteiro predeterminado, nada está sob nosso controle. Nunca havia me deparado com situações que exigissem tanta humildade, além de desapego, força, calma, discernimento, superação. Já até reconfigurei meu motivo original: muito mais que transmitir o que eu aprendi, eu é que tenho que ser ensinada…

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Veja também:

“Quem vai ficar com as crianças?” – Análise

O maior inimigo da mãe

 “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” – Análise

Sam publicou em seu blog um post intitulado “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” Uma pergunta forte assim sempre provoca respostas igualmente tensas. Mas creio que o grande problema desse tipo de discussão é a polarização, com acusação mútua entre os extremos, e a ausência de soluções.

Vamos começar do começo: “o maior inimigo da mulher que trabalha fora”. Isso já parte do princípio que a mulher que trabalha fora tem inimigos. Vários, a ponto de se questionar qual o maior deles. Isso é verdadeiro. De modo geral, a mulher tem que enfrentar vários inimigos – tanto a que fica em casa quanto a que sai para trabalhar. Entretanto, a virulência mais intensa tem um alvo preferencial: a mãe que trabalha fora.

Acredito que o maior inimigo da mãe não é a culpa, mas a CULPABILIZAÇÃO. Como é cômodo ter alguém fixo na sociedade para apontarmos o dedo, não? E fica muito mais simples quando generalizamos, focando somente um lado. Para colocar os pingos nos ii, vamos evidenciar algumas falácias:

Falácia 1. A mulher deve ficar integralmente com os filhos para cumprir sua função de mãe.

Ora, ficar com os filhos pode ser uma escolha para uma parcela da sociedade. Para outra parcela, não é opção. Trabalhar fora é a única alternativa.

E se não houver a figura do “provedor”? E se ele foi embora / ficou doente / está desempregado / morreu? E se o que essa pessoa recebe não é suficiente para a família? E se a mãe aspira melhores dias para os filhos, em um país cujos sistemas públicos de saúde e de ensino estão falidos?

Falácia 2. A mulher que trabalha fora “terceiriza” a criação dos filhos.

Toda mulher descobre que, depois que tem filhos, OBRIGATORIAMENTE vai ter que “terceirizar” (detesto essa palavra) alguma coisa:

  • Se ela ficar em casa, vai depender de alguém (o marido, os pais, o governo, a vizinha) que seja o provedor; ou seja, vai “terceirizar” o sustento da família;
  • Se ela trabalhar fora (ou mesmo dentro de casa, vale dizer), vai depender de alguém para ficar com as crianças nesse período (a babá, a creche, a escola, os pais, a vizinha).

Isso demostra cabalmente que a criação dos filhos é uma empreitada coletiva. Diz respeito à família, à sociedade, ao Estado.

Falácia 3. A mulher que fica 8 horas distante de seus filhos não cumpre seu papel.

Segundo essa afirmação, cada segundo que a mãe passa longe do filho causa um prejuízo irreparável. Sendo assim, há de se computar o período das aulas. São no mínimo 4 horas por dia. Computando o tempo para chegar e sair, digamos 30 minutos, dá mais uma hora. Isso porque não estou falando das escolas de tempo integral.

Também devem entrar na conta os momentos em que a criança se dedica a outros interesses: a brincadeira, só ou com os irmãos ou amiguinhos, a leitura, o esporte, a atividade religiosa e outros.

Outras coisas devem entrar nesse cálculo. E quando a mulher tem mais filhos, por exemplo, gêmeos? E se um deles for especial ou ficar doente, demandando mais cuidados? E se esse cuidado for para um familiar, tal qual pai e mãe idosos? E se a própria mãe ficar doente?

MUITO prejuízo, não? Ou será que nesses casos a regra não vale?

Mais uma questão: isso só acontece com a mãe? Se o provedor da casa for o pai, por que as crianças podem prescindir de sua companhia? A distância do pai não causa problema?

Falácia 4. A mulher que trabalha fora não faz nada direito: nem trabalha, nem cuida dos filhos.

Conforme já havia dito, nem sempre é uma questão de escolha. Quando a mulher pode optar, também pode se deparar com suas próprias capacidades. O que dá certo para uma pode não dar para outra. Tem gente que sente sobrecarga; tem gente que não. Tem gente que se sente em plenitude, tem gente que não. Tem quem tenha vocação, tem o oposto. Nesse caso, há que se perguntar se uma vivência baseada em frustração (para ambos os lados) também não pode ser nociva.

Os economistas Levitt e Dubner escreveram “Freakonomics – o lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta” (Editora Campus). O maior mérito do livro é pesquisar e colocar em números aqueles mitos que passam de geração em geração e que ninguém nunca questionou. O capítulo “O que faz um pai ser perfeito” (“What makes a perfect parent”) é impagável. Traz revelações que rendem ainda muitos posts. Em inglês faz mais sentido (“parent” é uma palavra que se usa tanto para “pai” quanto para “mãe”).

Aqui vou trazer só um resultado do Freakonomics: o fato de uma mãe trabalhar fora ou ficar em casa NÃO tem impacto no desempenho dos filhos. Ou seja, filhos com mães que trabalham fora podem ter bom ou mau desempenho, assim como filhos de mães que ficam em casa também. O que vai fazer a diferença são outros fatores, e não esse, que é considerado pelos pesquisadores como IRRELEVANTE.

O debate é inflamado porque sempre se olha para a realidade do outro com nossos olhos, nossa experiência. Em vez de perder tempo culpabilizando o outro, o que só cria um abismo entre as mães, vamos nos abrir para o diálogo, criar oportunidades de escutar. Hoje o que existe é um exército de mulheres sozinhas que enfrentam dilemas parecidos e que poderiam se ajudar, se apoiar, trocar soluções.

Existem vantagens e desvantagens (como em tudo na vida) tanto para quem trabalha fora, quanto para quem fica em casa. O problema é criticar o outro lado enumerando somente as desvantagens.

Vantagens para a mãe que trabalha fora, segundo a Revista Época

Vantagens para a mãe que fica em casa, segundo a Revista Época

A pressão é maior para quem trabalha fora – Análise

O que fazer para tirar partido das vantagens e minimizar as desvantagens de cada lado? Adoro quando as mães se unem em redes criativas:

Para as que podem trabalhar fora:

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/mae-trabalha-fora-469046.shtml

http://mamaegenis.blogspot.com.br/2011/09/dicas-para-mamaes-que-querem-e-que.html

Para as que podem ficar em casa:

http://filhosecia.uol.com.br/2011/09/dicas-para-maes-que-nao-trabalham-fora-de-casa/

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI208849-10513,00.html

Para todas as mães:

Dicas fofas para tornar qualquer momento com as crianças um momento especial (em inglês):

http://www.abundantmama.com/

Imagem: Freepik

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Veja também:

Para as gravidinhas

Você está esperando seu filho há muito mais que nove meses

Conselhos que amei

As coisas não acontecem como a gente quer

100º post, 1 ano de blog

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Nunca foram necessárias tantas qualidades para que uma mulher se sinta uma boa mãe, como nas últimas gerações. Um misto de administradora, executora, conciliadora, sempre com um sorriso no rosto e uma deliciosa refeição à mesa, tudo sem descuidar da beleza. Mas a mais preciosa e indispensável de todas as características é o amor incondicional, a capacidade inesgotável de suportar tudo a fim de manter a unidade da família.

Aminatta Forna encontra a imagem que melhor representa o amor materno: Nossa Senhora. Mas, segundo ela, é fácil ser plácida e serena com um bebê como o menino Jesus. Ser plácida e serena com filhos como Bambam Rubble (que hoje seria considerado hiperativo), Bart Simpson e Baby Sauro é muito mais heroico – e digno de admiração.

Para Elizabeth Badinter, esse conceito de amor materno (ou mesmo a noção de “instinto maternal”) é algo que foi construído – e o mais instigante: não pelas mães. O que ela chama de mito do amor materno tem sua raiz na necessidade de mudança de foco em relação à infância: as crianças, antes tidas como seres imperfeitos e incompletos que necessitavam de correção, passam a encarnar a esperança do futuro. A partir desse momento, os especialistas se dedicam de forma insistente a provar que sobre a mãe recai a responsabilidade primordial (e exclusiva) de formar os novos indivíduos.

Com o passar do tempo, o conceito fabricado de amor materno passou a ser ampla e irrefutavelmente aceito, naturalizado como se sempre tivesse existido.

Segundo Trisha Ashorth e Amy Nobile, muitas transformações ocorreram na vida de muitas mulheres das últimas gerações, que as impede de olharem para as próprias mães como modelos.

Susan Maushart enfatiza ainda a presunção e arrogância que torna maior o abismo entre as mães de hoje e a de mulheres que as antecederam na maternidade. Para ela, um conhecimento inestimável foi perdido com a quebra desse elo, inédita na história da humanidade. Tudo sob a alegação de que as mães da geração atual podem fazer diferente.

As mulheres não se espelham mais nas próprias mães. A grande contradição é que, enquanto os ideais de perfeição no “fazer” mudam com o tempo, os ideais de perfeição na postura da “mãe perfeita” se mantêm.

Somado à constatação de que as crianças também mudaram muito – a mulher também não vê nos filhos a criança que foi –, tudo isso resulta em um perene sentimento de inadequação, de estar perdido, em busca por um lugar.

Para Diana e Mário Corso, os pais parecem andar com aquele adesivo: "Não me siga, eu também estou perdido!"

Em sua experiência de psicanalistas, Diana e Mario Corso relatam o “sofrimento daqueles que julgam estar na família errada, uma ideia de que sua família não é como deveria ser ou não se comporta adequadamente como uma ‘verdadeira família’.” Os autores se perguntam: e qual é a família certa para os dias de hoje?

Sem bússola, e diante do excesso de escolhas, de expectativas e de responsabilidades, as mães encontram na mídia modelos dourados, que se acredita serem eternos desde sempre.

Sempre paira a tentação de se atribuir à “indústria cultural” (ou qualquer outra nomenclatura mais moderninha) a massificação de valores a fim de se obter boa-vontade por parte do público. Em outras palavras, a “teoria da conspiração”, que estaria “por trás” da fixação desses modelos da mãe perfeita, de paciência infindável, que se anula em prol da família.

Entretanto, o papel da mídia aqui é outro. As razões do sucesso desses produtos, ainda que sejam fonte de inspiração, repousam mais na necessidade de compartilhamento de experiências. Desenhos e seriados populares são produtos de entretenimento que colhem, sedimentam, reforçam, retroalimentam modelos que não são impostos, são acolhidos pelas mães de forma natural.

Para uma parcela de mães, a responsabilidade exclusiva pela criação dos filhos é um “poder” do qual não querem abrir mão e pelo qual abrem mão de todo o resto – razão da indignação de Helena no diálogo citado anteriormente. Para elas, um poder que só é legítimo pela via do sofrimento e da renúncia. Qualquer outra coisa que fuja a esse princípio é considerado egoísmo e só leva a um destino: o da eterna culpa.

“Como mulheres, e principalmente como mães, ainda não deixamos de ter medo de que, se é bom, deve ser egoísmo – e que cuidarmos de nós mesmas significa inevitavelmente faltar com nosso primeiro e mais legítimo dever: cuidar de todos os outros.”  (Susan Maushart)

 Assim, em muitos casos são as próprias mães que se agarram a esses padrões de perfeição. “Conspiração”, para elas, seria o que é praticado por quem tenta chamar a atenção para os padrões, quem tenta “libertá-las”: são as “máfias” das feministas, dos médicos, dos fabricantes de leite, dos homens, do sistema, do capitalismo, enfim.

Quando a realidade insiste em se impor ao idealizado, surge o mal-estar; mas, ainda assim, elas preferem continuar ostentando sua “máscara da maternidade”, como diz Susan Maushart.

“Quem quer a pressão de ser super em tempo integral?” pergunta o Sr. Incrível. Do que se depreende da presente análise, muitas mulheres querem.

Talvez por absoluta falta de opção do que pôr no lugar.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Se os homens amamentassem

Blogagem coletiva proposta por Rede Mulher e Mãe

Sites visitados:

Por que o homem tem mamilos se eles não amamentam?

Bizarro, porém verdade: Machos podem produzir leite

Livro responde questões como “Por que os homens têm mamilos?”

Por que o homem tem mamilos?

Bombril: a marca que NÃO evoluiu com as mulheres

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Com 3 anos, meu filho me perguntou:

– Por que homem não pode dar de mamar?

– Ué, porque só a mulher tem peito.

– Não. (Mostrando o mamilo): Eu também tenho peito.

Claro que explicar para uma criancinha sobre glândulas mamárias e tudo mais era muito. Dei risada mas fiquei me perguntando: Por que o ser humano macho tem mamilo, afinal?

Para minha surpresa, não era uma dúvida tão infantil assim. Houve gente fazendo pesquisa séria e até publicando livro sobre o assunto. Descobri, também, que na verdade é muito mais uma questão de hormônio do que estrutura mamária (fato: por conta dos hormônios na gestação, meninos podem nascer com leite no peitinho e meninas recém-nascidas podem ter uma “pseudomenstruação”).

Descobri até que houve casos de homens que amamentaram seus filhos. Fiquei pensando se a moda pega.

Se os homens amamentassem…

… os cuidados com os recém-nascidos seriam divididos. Pai e mãe revezariam nas mamadas. Com intervalos maiores para cada um, as rachaduras nos mamilos teriam mais tempo de recuperação.

… enquanto um dava de mamar, o outro poderia cuidar dos filhos mais velhos, amenizando o ciúme entre irmãos.

… a licença-maternidade seria de 6 meses para o casal. Assim, não haveria mais discriminação no mercado de trabalho, já que as condições seriam as mesmas para homens e mulheres.

… ficaria muito mais fácil a amamentação exclusiva dos gêmeos e trigêmeos, hoje tão comuns.

… ficaria muito mais tranquilo no caso de impedimentos para a mãe.

… teria muito mais gente para abastecer os bancos de leite humano.

… a amamentação em público seria vista com naturalidade, e não como um “atentado ao pudor”. Aliás, os homens já estão acostumados a ficar sem camisa.

… os homens poderiam vivenciar mais intimamente o vínculo físico com os filhos.

… as crianças chamariam indistintamente “mamãe” e “papai”.

Esse último tópico é digno de reflexão. Nós mulheres reclamamos de incompreensão por parte dos homens e imensa sobrecarga. Mas estaríamos nós dispostas a dividir esse poder? De não sermos “exclusivas” na preferência das crianças?

E mais: as mulheres aprovariam uma legião de homens tão “maternais”? Basta olhar as fotos de homens amamentando para que se gere automaticamente um sentimento de desconforto.

Já que os homens não amamentam…

… não sentem literalmente na pele e, por isso, para compreenderem a dimensão da tarefa, precisam ser INCLUÍDOS.

O homem deve olhar para seus próprios mamilos como lembretes: de que ele – aliás, toda a espécie humana – nasceu de uma mulher.

Vale lembrar que a amamentação é coisa recentíssima em nossa sociedade pós-guerra. Os homens simplesmente não entendem o valor de empunhar essa bandeira, que é a razão dessa blogagem coletiva.

Em vista do desrespeito descomunal com o que as mulheres vêm sendo tratadas, a reação raivosa é natural e mesmo a mais provável. Sim, é preciso divulgar e denunciar esse desrespeito, e é por isso que EU DIGO #BASTA.

Entretanto, como diz minha mãe, “não lamente o caos. Coloque nele o elemento faltante”. Desqualificar os homens, enquadrando-os como “Homers Simpsons”, egoístas, fracos para a dor, desorganizados, ineptos, grosseiros ou violentos NÃO AJUDA. Na menos pior das hipóteses, ficamos no zero a zero.

“Bombril: a marca que evoluiu com as mulheres”. Se isso é evolução feminina, eu tô fora!

Não é observando o lugar atual do homem e se igualando na baixaria e truculência que a mulher vai encontrar o seu lugar. Tenho dois filhos homens e não é esse o legado que eu espero dar a essa geração. Se eu me apego a esse imaginário e martelo a mesma tecla dos valores distorcidos de uma sociedade doentia, o que posso esperar dos meus filhos? Que sejam “Homers Simpsons”?

Por isso, acredito em um posicionamento de respeito mútuo.

Finalizo o post com a frase que disse a meu filho de 3 anos:

– Você não pode dar de mamar, mas pode abraçar seu filhinho bem juntinho, para que ele escute o seu coração. Igual ao que o papai faz com você.

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Veja também:

Baixinho e careca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Amar é…

This post in English: If men breastfed

Perigo de ser mãe perfeita 1 – O que é ser mãe perfeita hoje?

O problema já começa no conceito. Queremos ser perfeitas, mas não temos muita noção do que isso significa. É, porque toda hora esse referencial muda. Sabe a sensação de “mudar a regra no meio do jogo”? Ou “trocar o pneu com o carro andando”? Mais ou menos isso.

Hoje, o que está em voga é a mãe perfeita natureba. Acontece que, há bem pouco tempo, mãe perfeita tinha que ter o parto no hospital, que afirmavam ser mais “científico” e seguro; dar leite artificial e farinha láctea na mamadeira, que diziam ser mais prático e mais nutritivo, além de permitir independência à “nova mulher moderna”; ser produtiva, desde que dedicasse “tempo de qualidade” aos filhos.

Há apenas uma geração atrás, mãe perfeita enfaixava o umbigo, dava de mamar de 3h/3h, oferecia chazinho de camomila à noite, punha para dormir de bruços, entupia o bumbum DO bebê de talco, dava biotômico Fontoura. Benzetacil era a promessa de cura para todo e qualquer mal. Tudo era meticulosamente esterilizado e haja álcool, inseticida e antibacteriano. Depois de criar um batalhão de alérgicos e ressuscitar superbactérias, trouxeram de volta a ideia da “vitamina S” e “se sujar faz bem”.

Pois ainda houve época em que se aconselhava deixar os filhos chorando, para não ficarem mimados. Aliás, diziam que chorar fazia bem para o pulmão. Que todos os banhos deveriam ser gelados, para aumentar a imunidade. Na década de 1970, era o oposto. Criança tinha que ser plenamente satisfeita, para não ficar traumatizada. Em seguida, mudaram o discurso: tem que impor limites.

Do meu primogênito ao caçula, descobri que tinha que esfregar os mamilos na gestação – depois, não podia mais, não; que o bebê tinha que dormir de lado – depois, não podia mais, não. Enfim. O que não falta é teoria.

Alegam que hoje, finalmente, encontramos o mix perfeito, que somos muito mais informadas que nossas mães, e que a ciência encontrou seu ápice. Pois nem quero pensar o que nossos filhos vão achar de nós quando eles tiverem filhos rsrsrs!

“Uma escritora famosa, mãe de muitos filhos, disse-me que teve cada filho numa década diferente criou cada um segundo o método vigente no momento, com um conjunto de regras diferente e conflitante a cada vez. Se a cada nascimento de um filho ela tivesse acreditado nas palavras da sumidade da moda, concluiria que a vida do filho anterior estava irremediavelmente arruinada.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

“Nós, da geração pós-feminista, parecemos ter perdido o respeito pela sabedoria de mulheres que trilharam o caminho da maternidade antes de nós. Como em todos os casos de jogar fora o bebê com a água do banho, essa foi uma perda incalculável. Em certa medida, o que não sabemos sobre a maternidade é o que nos recusamos a ouvir e ver na vida de mulheres que nos cercam, com a presunção arrogante de que somos únicas, de que vamos ser diferentes.”

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. Pp184-185)

Minha mãe não fez curso de puericultura nem leu as toneladas de livros e artigos que eu li. Mas sabia como ninguém cantar para nós dormirmos. E tinha uma coisa especial que não está em livro algum, sobrevive a qualquer teoria e vai atravessar os tempos: LEVEZA. Algo que é totalmente impossível de alcançar quando se tem perfeccionismo.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

De mãe para filha

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Perigo de ser mãe perfeita 3 – Você combinou com os russos?

Reza a lenda futebolística que o jogador Garrincha, ao ser informado pelo treinador da seleção que bastaria driblar todos os adversários e fazer o gol para vencer a Rússia, perguntou: “Mas vocês já combinaram isso com os russos?”

Aproveito a deixa do Garrincha para refletir. A gente adota um modelo de mãe perfeita. E os filhos? Estão sabendo disso? Concordam?

Li a respeito de uma pesquisa com crianças inglesas (ingleses são doidos por uma pesquisa, né não?), sobre como deveria ser a mãe perfeita. Reuni as respostas em quatro grupos:

  • Intelectual – Ajuda no dever de casa (73%) e Lê histórias antes de dormir (43%)
  • Amorosa – Dá muitos beijos e abraços (63%) e Está sempre presente quando chamada (51%)
  • Mestre-cuca – Faz bolos caseiros (65%), Permite que as crianças ajudem a cozinhar (60%) e Faz o lanche da escola todos os dias (58%)
  • Brincalhona – Adora brincar (69%), Leva a criança ao parque regularmente (54%) e Gosta de se sujar no jardim (41%)

De cara, já fiquei “de cara”. Minha parcela mestre-cuca deixa muito a desejar (quer dizer que a história de “avental sujo de ovo” tem fundamento??). Também não gosto de me sujar no jardim. Oras, de repente, é o que os inglesinhos pensam, não sei se dá para aplicar à realidade brasileira.

Mãe Maravilha

Então, como boa mãe “noiada”, resolvi fazer uma enquete em casa:

– O que você acha que mamãe tem que fazer?

– Brincar mais.

– Ué, mamãe não brinca?

– Brinca, mas tem que brincar mais.

(A que insiste)– Quando vc tiver seus filhos, o que você vai fazer com eles?

– Brincar muito.

– E se eles fizerem coisa errada?

– Vou falar com eles e botar no cantinho.

Oh, yes! Fiquei satisfeita com o resultado (ninguém falou em bolo rsrsrsrs), apesar da amostra viesada e suspeita pra falar kkkkk! A parte da disciplina tá ok!

Quanto ao “brincar mais”, só reduzindo a perfeição de cada um dos outros níveis. Tá combinado com os russos.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tive complicações nas gravidezes. Pós-partos difíceis. Mas isso não faz de mim uma mãe melhor.

Tive o imenso desafio e privilégio de amamentar meus filhos até quando quiseram. Mas não é isso o que realmente importa.

Bem como o número de mamadas, de litros de leite doados. De horas insones na madrugada.

Número de fraldas trocadas, de limpar xixi, cocô, vômito, de assoar narizes, cortar unhas, escovar dentes. Fazer curativos.

Número de horas nas filas das papelarias, de preencher etiquetas, identificar material escolar. De fazer dezenas de bainhas de calças e bermudas. E, no ano seguinte, mandar tudo pra costureira.

Nem o número de horas negociadas e compensadas no trabalho para participar de reuniões na escola. Número de vezes que deixei de fazer algo para mim, de cancelamentos, de adiamentos.

De guloseimas proibidas, de guloseimas liberadas. De escolher pessoalmente cada fruta e verdura na feira. E também de dar mamadeira, papinha Nestlé.

De leva pra lá, leva pra cá, médico, dentista, vacina, fono, academia, piano, escola.

De programas milimetricamente planejados para ser divertidos e que foram um fiasco.

De argumentações infinitas, de broncas, de mandar para o cantinho.

Febres, doenças ou síndromes mais sérias, sensação de impotência.

De cansaço, desânimo, destempero, dúvida, culpa, medo.

Nada disso faz de mim uma mãe melhor.

Nenhuma dessas coisas importa em si. O que realmente importa é como as encaramos e o que transmitimos em cada gesto.

Quanto maior o sacrifício, maior é a expectativa. O que leva a riscos:

  1. esperar retorno ou querer cobrar a conta depois, quase inevitável;
  2. criar álibis: amamentei, cuidei, dei tudo de mim, cumpri minha cota e agora chega;
  3. não se conformar quando alguém faz de forma diferente, pior ainda se for de um jeito mais fácil. É quase como se a pessoa estivesse cometendo um delito.

 Fala-se muito de “escolha”: “devia ter pensado nisso antes de ter filhos”, “há tanto anticoncepcional no mercado”. Acontece que a ideia de maternidade em voga é muito diferente da realidade. Quase oposta. Lindas mães perfeitas sempre sorridentes, com filhos fofuchos e saudáveis, eternizados nas capas de revista, em outdoors, na TV, no cinema e na internet, falando em como tudo é mágico e doce. Pode observar: NENHUMA delas mostra mastites, birras, adaptações na escola, doenças. Fora o discurso de que a mulher SÓ se realiza quando é mãe.

E de repente a gente vê que as coisas não estão acontecendo como o esperado; que, na teoria, tudo é muito mais simples; que por vezes acabamos lançando mão do que antes criticávamos. E aí vem a pergunta que cai como uma bomba:

“Eu estou me esforçando tanto, mas nunca é suficiente. O que estou fazendo de errado?”

Pois a resposta já está implícita: o que você está fazendo de errado é justamente achar que está SE ESFORÇANDO TANTO. Quem disse que tudo tem que ser assim, que só é legítimo se for penoso?

Assim como a maternidade idealizada é falsa, a maternidade de sujeição suprema também é. Uma coisa é a lida diária com os filhos, que exige bastante mesmo, é básico, necessário. Outra coisa é pautar a maternidade somente nisso. É fardo demais. Sem contar que é reducionista, míope.

Quero ressaltar que entendo e respeito quem se sente melhor no sacrifício. Existe algo em nossa cultura que endossa isso. O que não deixa de ser paradoxal, porque convive com o consumismo, o hedonismo, as promessas de soluções fáceis e prontas. Enfim, o fato é que a superação de um sacrifício traz a sensação de vitória.

Acho simplesmente fantástico quem consegue transformar tragédia em atitudes concretas, quem abre espaços e funda entidades para ajudar os outros. O problema é quando a superação traz um sentimento arrogante, de status, de poder, se superioridade. E a tentação irresistível de comparar, rotular e condenar o comportamento dos outros. Uma coisa é se sentir melhor como mãe. Outra coisa é se julgar uma mãe melhor que as demais.

A preocupação é até genuína: preocupação com os filhos das outras, crianças indefesas ou potenciais adultos problemáticos que dividirão o mundo com os NOSSOS filhos. (Óbvio que não estou falando dos casos de polícia.) Mas aí caímos em outra ilusão perigosíssima: acreditar que a mãe é a exclusiva responsável (e, por conseguinte, culpada) por tudo o que os filhos virão a ser.

Volto à questão inicial:

O sacrifício faz de mim uma mãe melhor?

No MEU CASO, não, nunca. Acho que até é o contrário: faz de mim uma mãe pior, focada na cobrança, primeiro comigo, depois com meus filhos.

Os melhores momentos da maternidade aconteceram quando fui espontânea. Isso é verdadeiro para mim e para meus filhos. Sem pensar se era por direito ou por obrigação. Sem pensar se estava certa ou errada. Esses momentos surgem quando você se entrega, deixa a situação te ensinar, deixa de ver como sacrifício e sente fluir, sente prazer, sente amor. Confesso – são muito menos frequentes do que gostaria; é muito difícil a gente se permitir tê-los no cotidiano que por vezes lembra a rotina militar. Mas são eternos, inesquecíveis. É quando conhecemos nossos filhos e nos deixamos conhecer.

O que faz de mim uma mãe melhor é ter a certeza de que conheço meus filhos. E o que mais espero é que eles não me vejam pelo tipo de parto, de horas de amamentação, de noites em claro, de dinheiro investido ou qualquer outro sacrifício que possa ter empreendido. O que mais espero é que eles saibam que podem CONFIAR EM MIM.

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Semana Mundial da Amamentação

Site visitado: Sociedade Brasileira de Pediatria

Ano – Madrinha da campanha Tema
1999 – Luiza Brunet Amamentar é educar para a vida. Vamos reaprender!
2000 – Glória Pires Aleitamento materno. Bom para a mãe. Melhor para o bebê.
2001 – Isabel Fillardis Aleitamento materno. Uma forma muito especial de comunicação.
2002 – Claudia Rodrigues Amamentar é dar ao seu bebê saúde em forma de amor.
2003 – Luiza Thomé Amamentação. Saúde e paz para um mundo melhor.
2004 – Maria Paula Até os seis meses, mudança na alimentação do seu bebê só se for do peito direito para o esquerdo.
2005 – Vera Viel e Maria Paula Até os seis meses, seu bebê só precisa do leite materno. Depois, ofereça outros alimentos e continue amamentando.
2006 – Cássia Kiss Amamentação. Garantir esse direito é responsabilidade de todos.
2007 – Vanessa Lóes (com Thiago Lacerda) Amamentação na primeira hora, proteção sem demora.
2008 – Dira Paes (e mãe) Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar.
2009 – Claudia Leitte Amamentação em todos os momentos. Mais saúde, carinho e proteção
2010 – Wanessa Cristina e outras mães Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor

 Campanhas de doação de leite materno do Ministério da Saúde

2008 – Camila Pitanga Doe leite, a vida agradece.
2009 – Samara Fillipo Doe leite materno, a vida agradece.

 

Análise dos cartazes

Os cartazes têm por objetivo:

  • valorizar (e até glamurizar) a amamentação;
  • esclarecer os benefícios para a mãe e a criança;
  • ressaltar as vantagens do leite materno;
  • recomendar expressamente o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
  • chamar à responsabilidade todos os outros envolvidos: pai, outros familiares, empregador.

 Importante, válida, oportuna, necessária, encantadora, inspiradora: tudo isso foi mais do que reverenciado nas campanhas. Mas há outros aspectos que vão além da INQUESTIONÁVEL utilidade pública e beleza, que merecem análise.

O cartaz de 2010 chama atenção por ser o primeiro de uma série, em 12 anos, a apresentar mães que não são celebridades. Também há a figura central de uma negra. As imagens de amamentação são essencialmente “brancas”, com exceção de Isabel Fillardis, em 2001 (vale o teste: procurar “amamentação” na pesquisa de imagens do Google).

Outra novidade em 2010 é a presença de grávidas, ou seja, o aleitamento materno é uma atitude a ser acalentada já na gestação.

A terceira característica diferente é a mãe que amamenta olhando para o bebê (ainda que na foto menor). Na maior parte das vezes, as mães não estão olhando para o bebê, e sim para o espectador, enfatizando o apelo, em que elas se colocam como porta-vozes da campanha (a exceção está no cartaz de Vanessa Lóes e nos anúncios de doação de leite). Essa postura também demarca o caráter incisivo da “pose” para a foto, do momento artificialmente produzido, bem como do destaque da mãe, a heroína que merece ser aplaudida e seguida.

Cores, cenário, sorrisos, tudo contribui para o clima de serenidade e prazer, o que leva a entender que amamentar é um ato natural desde sempre e que não encerra dificuldades – nem quando são gêmeos (Luiza Thomé), nem quando são crianças maiores (Maria Paula). A mãe que não observa essa atmosfera quando tenta amamentar (sente dor, apresenta fissuras, leite empedrado, cansaço, falta de apoio) começa a imaginar que algo está errado – com ELA.

Já começam a ser observadas algumas mudanças positivas. Mas o que realmente falta em todos os cartazes é algo que vai além do “mais informações” com os telefones e o site. Assim, uma recomendação crucial não está explícita nos cartazes: “Havendo dificuldades, não deixe de entrar em contato com…”

Como toda boa propaganda, ninguém vai falar dos problemas. E a intenção aqui não é pretender que as campanhas foquem nas dificuldades. Esta análise propõe, sim, o foco na AJUDA, no apoio. Até porque a credibilidade da própria campanha pode ser prejudicada, a partir do momento que as mães, ao não conseguirem reproduzir o clima perfeito das fotos, comecem a desistir pensando que a amamentação só funciona para as estrelas globais (que desfrutam de todo um universo não acessível às “mortais”).

Pois essas informações estão disponíveis… nos materiais dirigidos aos profissionais da saúde. Não foram concebidas para o grande público. O Ministério da Saúde produziu uma cartilha ótima, honesta, plural, com “gente como a gente”, tão diferente dos cartazes! A ONG Amigas do Peito fez o upload em seu site. VALE O CLIQUE:

Cartilha de Amamentação do Ministério da Saúde

Veja também:

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar

Na campanha de 2010, a frase: “Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor”, em letras manuscritas, e o papel de aparência envelhecida recorrem à memória discursiva de um anúncio do Leite Ninho da década de 1960. A mãe, com a lata nas mãos, diz: “Para os meus… Leite Ninho – o melhor do mundo.”

Anúncio disponível no Blog Propagandas Antigas

Não há como afirmar que a campanha de 2010 seja uma resposta direta a esse anúncio. Mas todas as campanhas de aleitamento são respostas às campanhas de leite artificial.

Muito disso se deve a uma mudança profunda que ocorreu na geração das mães que antecedeu a atual: as mães das mães. Elas não amamentaram e foram até mesmo persuadidas a não fazê-lo. O leite artificial era uma promessa de liberdade, nutrição garantida, modernidade. O preço foi alto e até hoje está sendo pago, em todo o mundo.

Quando se tornou um problema de saúde pública, foi necessário agir em duas frentes: criar severas restrições às propagandas de leite de vaca e outras fórmulas lácteas; e investir pesado em campanhas de motivação ao aleitamento materno.

Ninguém nega a importância dessas ações. Mas, assim como o elástico volta com força proporcional à extensão com que foi puxado, esse movimento acabou dando origem a efeitos colaterais, de extremismo. Está criando uma legião de mães bem-intencionadas mas frustradas porque não conseguem amamentar – muitas vezes, por falta de apoio.

 Há mães que não podem – aliás, não DEVEM amamentar.

Não é aconselhável amamentar com:

  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tuberculose ativa não tratada e até uma semana após o início do tratamento, o que de obriga, durante este período, a separação de mãe e filho;
  • Medicamentos usados em doenças malignas (anti-neoplásicos) e isótopos radioativos para tratamento ou diagnóstico;
  • Raras doenças metabólicas inatas, do bebê, como a galactosemia;
  • Infecção com vírus citomegálico, em bebês prematuros;
  • Doenças maternas psiquiátricas, como depressão pós-parto.

 Não é possível amamentar quando:

  • A mãe passou por masectomia total – retirada dos seios necessária, por exemplo, na presença de câncer de mama;
  • A mãe passou por cirurgia nos seios e teve danificados os dutos, as glândulas produtoras de leite ou os nervos que rodeiam a aréola.

Outras dificuldades:

  • Mães com baixa produção de leite;
  • Mães ou bebês com problemas anatômicos;
  • Falta de informação (como as mães da geração anterior não amamentaram, não puderam passar adiante esse conhecimento. Hoje, é necessária a ajuda dos profissionais da área da saúde);
  • No caso de adoção (ainda que existam técnicas de lactação).

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Li um post em um blog que me deixou estarrecida:

“Leite de vaca é pro bezerro;
Leite de cabra é pro cabrito;
Leite de lata é pra quem não tem mãe.
Minha filha só mama no meu peito.”

 Todas as mães que estiveram em situações de impedimento precisaram oferecer mamadeira com leite de lata a seus filhos. Essas crianças, por causa disso, não podem dizer que têm mãe???

Na resposta aos comentários, os autores do blog esclarecem o radicalismo (e depois, aqui, no Blog Mãe Perfeita. Muito legal, é no diálogo que a gente se fortalece!) Digo aqui o que disse a eles lá:

 Inspiração, incentivo, apoio, sim – sempre. Mas também precisamos cultivar uma postura de mais respeito, solidariedade e acolhimento, em vez de terrorismo, julgamento (julgamento, não! condenação!) e exclusão de quem não pôde amamentar!

 Simplesmente porque essa condenação NÃO AJUDA!

E ainda pode surtir efeito contrário: criar repulsa e resistência à causa, tão valiosa.

 Separei o trecho de um livro – poucas linhas no meio de 24 páginas inteiras falando das maravilhas da amamentação. Mas, sendo o último parágrafo, se reveste de importância:

 “Há várias dificuldades que contribuem para que algumas mulheres não consigam ou não queiram amamentar. De qualquer forma, é importante não confundir o conceito de ‘boa mãe’ com ‘mãe que amamenta’. Ser boa mãe é a mãe que se pode ser, de acordo  com sua vida e sua história pessoal, com limitações e possibilidades. Ter leite no peito é apenas uma das possibilidades – mas não a única – de aproximar-se do bebê e ter um contato amoroso e íntimo. Mas a relação de amor também pode acontecer quando o bebê é alimentado com mamadeira.”

(MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 131)

 E outro texto muito bacana sobre o assunto na Revista Claudia (até ele apresenta a foto de um bebê mamando no peito da mãe!, o que mostra como a cobrança está arraigada. A despeito da imagem, vale a pena ler).

Cabe salientar que não foi escrito por um médico que faz pouco do aleitamento materno, muito pelo contrário. Quem escreveu foi Sônia Maria Salviano Matos de Alencar – Pediatra, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Bancos de Leite Humano e Aleitamento Materno, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria e coordenadora dos bancos de leite humano da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

 Me sinto um fracasso porque não consigo amamentar

Revista Claudia – Dilema de mãe. Edição 516-F Editora Abril. pp4-5

  “[…]

Ser mãe é muito mais que dar o peito.

 Sua decepção também pode estar relacionada a um bombardeamento de campanhas que pregam o aleitamento materno como uma obrigação. De certa forma, essa pressão toda tem aumentado o sentimento de culpa de mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar. É um peso que nenhuma mãe precisa carregar, muito menos aquela que fez o possível para dar conta do recado. Também não há motivo para temer pela saúde da criança. O leite materno é sem dúvida a melhor e mais prática opção de alimentação para o bebê, porque já vem pronto, aquecido e com todos os ingredientes bem dosados. Porém, há fórmulas lácteas excelentes  à venda no mercado, que suprem satisfatoriamente as necessidades nutricionais da criança recém-nascida. […] O essencial para que você e seu pequeno se sintam bem e ligados intimamente é não delegar a ninguém o ato de dar mamadeira. Aproveite esse momento para aconchegá-lo, acariciá-lo, trocar olhares amorosos com ele enquanto sacia sua fome.

 É a maneira ideal de garantir um alimento imprescindível a qualquer ser humano: o amor.”

 É isso aí. Sendo no peito ou na mamadeira, o que realmente importa é alimentar nossos filhos com muito amor.

 

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Lei da Palmada

Recebi, por e-mail, um texto sobre a palmada, neste momento em que o assunto está no auge em função de um projeto de lei do Governo que pretende proibir castigos físicos nas crianças. Foi redigido por uma jovem estudante de Direito:

“Provérbios 29: 15-17 “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. […]” Quando um bebê nasce, até determinada idade, é incapaz de tomar boas decisões por si mesmo e esse é o papel dos pais: corrigi-lo e ensinar a ele o caminho certo. Uma lei que limita esse papel, dando a desculpa de acabar com a violência contra a criança, traz consequências às futuras gerações […]. Essa lei afetará sim famílias normais que amam e educam seus filhos de maneira saudável de acordo com suas crenças e experiências.” (Daniela Chaves – estudante de Direito do UniCeub)

Foi um empurrãozinho para que eu entrasse nesse debate também, já que até agora estava meio preguiçosinha para lidar com os tantos aspectos complexos que o envolvem.

Só de curiosidade, transcrevi, aleatoriamente, depoimentos presentes nos primeiros tópicos sobre “palmada” fornecidos pelo Google, nos seguintes sites:
1. http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/
2. http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/ (com informações da Istoé Online e do site http://www.naobataeduque.org.br/)
3. http://www.clicrbs.com.br (com informações do Jornal Zero Hora)
4. http://jus2.uol.com.br/doutrina
5. http://veja.com.br/ (com informações da Agência Estado)
6. Entrevista com a psicóloga Lídia Weber à Veja (Gostei dessa entrevista!)

Há depoimentos que nem são recentes. Sinal que a polêmica é antiga e ainda está longe de ser resolvida.

Não são contra a palmada

Depoimento Nome (site)
[…]Temos que impor limites e às vezes só assim (não adianta querer conversar de igual para igual com uma criança pequena). É lógico que não podemos em hipótese alguma dar surras nem espancar. E não me venham falar que quem dá palmadas está a um passo das surras por que não me convence. Dou meus parabéns aos pais que não precisaram dar palmadas nos filhos e esses filhos não se tornaram crianças “tiranas” que fazem o que querem e quando querem. Ieda (1)
[…] sou sim a favor da palmada. Eu mesma apanhei muitas vezes e tenho consciência que mereci. Sei que se não tivesse recebido essas palmadas com certeza seria uma pessoa diferente. Talvez uma pessoa pior. Não respondo à minha mãe e nem ouso levantar a voz. Nunca vi o relato de alguém que apanhou quando criança e reclame por isso. Mas já ouvi gente dizendo: “Eu era uma criança muito mal educada. Merecia umas palmadas”. Concordo que não é certo espancar. Mas as palmadas (quando merecidas) são válidas. Principalmente quando você é mãe, dona de casa, motorista, jardineira, tem animais, cozinheira e muuuuuuito mais. Não tem como escapar disso. […] Lorena de Lima (1)
[…] meus pais sempre em último caso corrigiam a mim e as minhas irmãs com palmadas e antes ele conversava com a gente muitas vezes até chorava, pois não queria aplicar a palmada, mas era necessária. O que estão fazendo é generalizando como se toda palmada fosse um espancamento. Pois eu prefiro corrigir minha filha com amor e cuidado do que o mundo, os policiais e bandidos, baterem nela depois. […]. Ester (2)
Eu diria que a palmada, se aplicada com critério e moderação, não configura violação aos direitos humanos. Por exemplo, uma criança que insiste em colocar o dedo na tomada e o pai fala para ela que é perigoso, que não pode, e ela, mesmo assim insiste, dar uma pequena palmada ou uma apreensão verbal dura, o que eu acho preferível, não é “deseducativo”. A punição é necessária.Minha mãe muitas vezes nos deu chineladas e isso não diminuiu nem um pouco o amor e a admiração que tenho por ela. Prefiro a severidade, que os pais confrontem a criança com as consequência dos seus atos, mas sem qualquer tipo de dano, físico, psicológico ou moral, do que a permissividade. Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo, redator do Estatuto da Criança e do Adolescente (3)
Chega a ser irritante esse nosso governo megalonanico querendo mais e mais, se meter na vida privada do cidadão. Que á lei proteja a criança de violência, tudo bem, mas a regular o que os pais fazem com os filhos é o cúmulo. Palmada não deturpa caráter de ninguém, fome sim… Ed Batista (5)

Acham que a palmada é último recurso

Depoimento Nome (site)
Não acredito na palmada porque ela não só machuca minha filha como a mim também. […] a palmada representa violência e, pior, é viciante. Torna-se o caminho mais fácil sempre para o cansativo papel de educador que convence o filho a realizar aquilo que ele não quer… Mas será que há alguma saída? Ceila (1)

Também não gosto de bater, mas às vezes, infelizmente, é necessário. […] todas essas vezes eles “pediram”, como dizem. […] Acho que criança testa mesmo seus limites, e bater, nesses casos, pode ser a única solução. Mas nunca bati para machucar. […] fizeram efeito mais pelo susto que pela dor. Andréa (1)
Os pequenos de até cinco anos devem ser punidos no momento da falta. E não é aconselhável transferir o castigo. Dizer, por exemplo, “você vai ver quando seu pai chegar” provoca medo e não respeito Luís Lobo – jornalista (2)
Eu não concordo com proibir um pai ou uma mãe de infligir uma pequena punição, como uma palmada nas nádegas. Crianças querem testar adultos o tempo todo. Se a boa conversa não resolver, uma palmadinha não vai matar. O problema é que os pais espancam os filhos e isso não é educar, eles escolhem o caminho mais fácil que é o de liberar suas frustrações na base da pancada, em vez de disciplinarem com amor, para o beneficio da criança, e não para que ela “deixe o adulto em paz”.Eu como mãe me resguardo o direito de aplicar a disciplina eu meus filhos da maneira que eu sei que é adequada. Nunca espanquei meus filhos, e palmada sempre é o ultimo recurso. Crianças devem sempre reconhecer a autoridade dos pais, e não considerá-los iguais para que se comportem como bem entenderem. A medida que meus filhos crescem, a disciplina não tem passado da punição prática como a de privação de regalias, ou mesmo uma boa conversa e uma proposta de mudança de atitude (não apenas de comportamento). Letícia (2)
[…] Pela simples leitura dos dispositivos legais, percebemos claramente que castigar um filho é um direito dos pais, desde que o façam de forma moderada. Abusar deste direito incorre em sanções civis (perda do poder familiar) e penais (conforme previsto no Art. 136 do Código Penal).[…] você pode ser punido pelo Conselho Tutelar, caso tente educar seu filho com uma palmada, assim como aquele que maltrata o filho. Se educamos, seremos punidos. Se maltratarmos, seremos punidos. Restará a apatia. Não faremos nada para punir nossos filhos, ou seja, estaremos legalizando aquilo que já ocorre em muitos lares. […]A discussão que se faz é: se o castigo físico moderado é um recurso pedagógico (o último recurso, é verdade, mas é um recurso) e permitido pela lei, por que razão deveria o Estado entrar na minha casa e dizer como devo educar o meu filho? Rafael Felício Jr – Advogado e Consultor Jurídico (4)

São contra a palmada

Depoimento Nome (site)
Engraçado é que eu não tenho coragem de bater na minha mulher, em um amigo, pai, irmão, mãe etc…Sou contra bater…contra violência. Por que eu bateria na minha filha ? Nunca bati nem vou bater, e acho que isso por ser culturalmente aceito, não é crime, mas deveria ser.[…] Daniel (1)
A palmada causa dor e traz sequelas como dificuldade de se relacionar e baixa auto-estima. E não educa. O que educa é amor, carinho e respeito.Você dá um tapinha num dia, no outro um mais forte e, de repente, está dando uma surra.Imagine se os irmãos estão brigando e o pai dá um tapa em cada um para ensiná-los que bater é errado. Nada mais incoerente. Cacilda Paranhos, psicóloga, mãe de uma menina de 15 anos que nunca levou uma palmada. (2)
Se a criança leva um tapa num dia, ela pode dar no outro. Isso dá margem a atos violentos. Ângela Minatti, psicóloga (2)
Até os dez anos, a criança tende a interiorizar um sentimento de frustração intenso. A partir dessa idade, os jovens submetidos a palmadas podem assumir um comportamento agressivo contra os próprios pais e contra a sociedade Simone Gonçalves Assis, professora da Escola Nacional de Saúde Pública do Rio de Janeiro (2)
Palmada sempre é agressão. E criança não é saco de pancada.Quando perguntamos a uma criança o que ela sente após uma palmada, as respostas mais frequentes são raiva, dor e tristeza.Tapa de amor é uma invenção dos adultos. “Isso é para o seu bem” é a desculpa mais esfarrapada que os pais já inventaram. Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). (2)
Vai ter muita gente reacionária nesse País, que vai dizer ‘Não, tão querendo impedir que a mãe eduque o filho’, ‘Tão querendo impedir que a mãe pegue uma chinelinha Havaiana e dê um tapinha na bunda da criança’. Ninguém quer proibir o pai de ser pai e a mãe de ser mãe. Ninguém quer proibir. O que nós queremos é apenas dizer ‘é possível fazer as coisas de forma diferenciada.’Se punição resolvesse o problema, a gente não teria tanta corrupção nesse País, a gente não tinha tanto bandido travestido de santo. Beliscão é uma coisa que dói. Presidente Lula (5)
Já chega tarde tal projeto! Absurdo que ainda existam pais que eduquem filhos com castigos físicos, coisa da Idade Média! Paulo Correa (5)
Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Lidia Weber (6), Psicóloga, autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos 

Análise

O que está em jogo?

As relações familiares

  • A autoridade e o controle dos pais
  • Como dar limites às crianças
  • A preocupação com o futuro dos filhos

O poder do Estado

  • Até onde o Estado pode interferir nas famílias
  • A legitimidade, a aplicabilidade e a fiscalização da lei
  • Os problemas nacionais que o Estado deve enfrentar

A sociedade

  • A violência dentro e fora de casa
  • A perpetuação de valores culturais de geração a geração
  • Os preceitos religiosos

Marusia fala

Em um rápido apanhado, deu para coletar muitos argumentos em todos os sentidos. Mas não encontrei argumento semelhante ao que eu uso para atualmente preferir não dar palmada. Não dou, porque das vezes que dei NÃO FUNCIONOU. Foram poucas (seis vezes), mas não esperei dar margem satisfatória de amostra estatística para me convencer. Não dou mais.

São duas as razões:

1. Se meus filhos tivessem nascido do meu tamanho, não daria palmadas. Não tenho justificativa para dar só porque são menores que eu.

E a outra é de cunho totalmente egoísta:

2. Não consigo educar quando estou com raiva. Deixar no cantinho funciona muito mais.

Por incrível que pareça, uso o cantinho não por causa das crianças, mas por minha causa. Tirá-las um pouco do meu campo de visão tem por objetivo me acalmar, muito mais que acalmá-las. DAÍ, quando finda o tempo, está tudo “sob controle”, e não vejo por que dar palmada. Teve um dia que meu caçula, de 2 anos, fez uma traquinagem “daquelas”. Pois ele mesmo, quando se deu conta,  foi e sentou no cantinho sem nem eu dizer nada. Ninguém pode dizer que ele não tem noção de limites.

Não tenho elementos para avaliar essa questão toda e muito menos dizer o que é melhor para ninguém – só o que é melhor para mim. Acho que a proposta da lei é válida só pelo debate que suscita.

Mais profunda que essa polêmica, no entanto, é a questão da agressividade (dos pais, das crianças, do mundo). Mas isso é assunto para outro post…

As 10 famílias de famosos que beiram a perfeição – Análise

 Lista 10+, disponível no Site da Veja
http://veja.abril.com.br/blog/10-mais/gente/as-10-familias-de-famosos-que-beiram-a-perfeicao/

“Sabe aquela família perfeita, geralmente estampada em comerciais de margarina, onde todo mundo parece estar feliz o tempo todo? Pois é, algumas celebridades parecem ter conseguido a proeza de levar esse cenário invejável para a vida real.”

Por Pollyane Lima e Silva

10. Família Berger Ela  Ele 
  Cindy Crawford foi a top model mais bem paga do mundo. Está mais bonita a cada ano  Empresário de gastronomia Rande Gerber – além de gato, ainda cozinha 
Casal  Filhos (e outros)
Casados desde 1998 Fofíssimos filhos Presley, de 10 anos, e Kaia, de 8.
 
9. Família Bonner Ela  Ele 
  Fátima Bernardes  Linda e inteligente  William Bonner. Lindo e inteligente 
Casal  Filhos (e outros)
O mais perto que duas pessoas podem chegar da definiçãocasal 20″. Juntos há 20 anos. Convivem 24 horas por diaem casa e no trabalho. Um filho poderia deixá-los ainda mais perfeitos? Claro, por isso tiveram três de uma vez: Beatriz, Laura e Vinícius, de 12 anos que, assim como os pais, parecem estar sempre com um sorriso simpático a postos. 
 
8. Família Affleck Ela  Ele 
  Jennifer Garne. uma das princesas de comédias românticas  Ben Affleck. galã de Hollywood
Casal Filhos (e outros)
Um casal lindíssimo. Juntos desde 2005. Trocam carinhos em público. Destaque à parte para a cadela da família. Violet, de 4 anos, Seraphina, de 1
 
7. Família Hilbert Ela Ele
  Fernanda Lima Rodrigo Hilbert
Casal Filhos (e outros)
Começaram a namorar em 2001. um nunca é visto sem o outro.  Fazem questão de sempre representar um grande quadro de felicidade pelo simples fato de estarem juntos. Para completar a relação – e o modelo de família perfeita -, há dois anos nasceram os gêmeos João e Francisco, que são um exagero no cabelinho e na carinha de anjos.
 
6. Família Smith Ela Ele
  Atriz Jada Pinkett-Smith – bem-humorada Will Smith sempre fez o estilohomem boa praça” – aquele que parece estar sempre de bom humor e tranquilo.
Casal Filhos (e outros)
Casados desde 1997 Os mesmos traços de alguém no mínimo amigável – Jaden, de 11 anos, Willow Camille, de 9, e Willard “Trey” Smith III, de 17
 
5. Família Cruise Ela Ele
  Katie Holmes. linda mãe Tom Cruise. pai galã
Casal Filhos (e outros)  
Juntos desde 2005. Arrancam suspiros dentro e fora de Hollywood Suri significa princesa. Poucos pais acertaram tanto ao dar o nome para uma filha. A menina de 4 anos, que tem o estilo fashion copiado por crianças de todos os países e foi eleita a mais influente do mundo, é uma verdadeira bonequinha – de pele branca e cabelos pretos, lembrando personagem de contos de fadas.
 
4. Família Huck Ela Ele
  Angélica Luciano Huck
Casal Filhos (e outros)
Casal de padrinhos que toda noiva gostaria de ter. A verdadeira prova de que uma relação pode ser durável e feliz? Casados desde 2004. Um participa do programa do outro. Trocam mensagens de carinho olhando direto para a tela da TV. A cereja do boloou as duas cerejinhas – são os lorinhos Joaquim, de 5 anos, e Benício, de 2.
 
3. Família Obama Ela Ele
  Michele Obama Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. Um pai preocupado com o bem-estar das filhas.
Casal Filhos (e outros)
A família mais poderosa do mundo. Imagem imaculada da família . Juntos há 18 anos. Malia, de 11 anos, e Sasha, de 8. Cachorro Bo, um cão d’água português
 
2. Família Brady Ela Ele
  Gisele Bundchen. Linda. Jogador de futebol americano Tom Brady
Casal Filhos (e outros)
Uma família simplesmente linda . Relacionamento se firmou há três anos, e eles se casaram (em 2009). Uma das famílias mais invejáveis de todo o mundo. Um dos rebentos mais cobiçados por paparazzi, Benjamin, de cinco meses
 
1. Família Pitt Ela Ele
  Angelina Jolie. Beleza, simpatia, talento e engajamento comunitário Brad Pitt. Beleza, simpatia, talento e engajamento comunitário
Casal Filhos (e outros)
São praticamente um . A imprensa mundial trata o casal de atores como Brangelina. Até os filhos adotivos deles são lindos, charmosos e estilosos. A começar pelo primogênito Maddox, de 8 anos, por Zahara, de 5 – adotados por Angelina antes do casamento, mas assumidos por ele logo depois -, e por Pax, de 6. E finalizando com a gracinha dos filhos biológicos: Shiloh, de 4 anos, e os gêmeos Vivienne e Knox, de quase 2 anos.

Análise

 A lista da Veja refere-se a pessoas famosas. É interessante observar o que as torna públicas. São atores, artistas, modelos, um político – gente acostumada a desempenhar papéis pela própria natureza de seu trabalho. Acostumada a atender, a corresponder às expectativas, a servir de ícones para o restante da população.

Mas o melhor da lista, sem dúvida, são os comentários.

  

De um lado, os que são contra:

  • Desmerecem as conquistas das famílias listadas, acham que vieram sem esforço;
  • Não concordam com os critérios que a Veja usou para definir FAMÍLIA (o núcleo pai-mãe-filhos é obrigatório? Xuxa e Sasha são uma família? Cachorro faz parte da família?);
  • Não concordam com os critérios que a Veja usou para definir PERFEIÇÃO (sugerem um tempo mínimo juntos; beleza de todos os integrantes; não podem ter feito nada de condenável, como abandonar as companheiras);
  • Ao mesmo tempo, existe uma “invejinha” (da mesma linhagem da curiosidade mórbida de se comprazer quando uma celebridade se mete em encrenca);
  • Defendem conceitos mais profundos, além de fama, beleza e dinheiro.
Contra  
Pouco tempo de casados 5
Não se mede por bens, fama e beleza 7
São famílias que destruíram outras 2
Há pessoas feias (Gisele 1, Zahara 1, Luciano Huck 1) 3
Casal Brangelina já era 3
Cães não são parte da família 1
A esposa do Tom Cruise é triste 1
A lista é besta ou ridícula 2
O melhor são os comentários 1
Tem que incluir mais brasileiros 2
Só estampam imagens 2
  29

Do outro lado, os que são a favor:

  • Eles se inspiram nas famílias, acham que são modelos de coisas boas em uma realidade onde os maus parecem ter vantagem. Esses gostam de saber que ainda existe família que deu certo, que a felicidade é algo possível em meio à violência da vida real;
  • Argumentam que são felizes APESAR do dinheiro, em um mundo de celebridades em que normalmente as relações são frívolas, fúteis ou fugazes;
  • Não gostam de ser recriminados por cultivar essa admiração. É por isso que rebatem as críticas, acusando quem é contra de ser despeitado, maldoso, preconceituoso, mal-informado, revoltado;
  • E há quem veja tudo como mero entretenimento.

Veja também: As 10 famílias de famosos que beiram a perfeição – Marusia fala

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Matéria publicada na Revista Época, nº 474, de 18 de junho de 2007. Editora Globo.

 Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos

Celso Masson, Martha Mendonça e Solange Azevedo

 Vantagens de trabalhar fora, segundo a reportagem:

Para a mãe Para a família Considerações sobre mercado de trabalho
Realização profissional A mãe que trabalha não jogará para os filhos as frustrações por interromper a carreira As mulheres estão conquistando espaço no mercado de trabalho
Não se sente isolada nem entediada (o que poderia causar depressão) A renda da mãe mantém o padrão de vida dos filhos Interromper a carreira temporariamente para cuidar dos filhos afeta o futuro profissional
Não se passa por desocupada A mãe que se mantém autossuficiente economicamente garante melhor qualidade de vida para os filhos Mulheres que param estão desatualizadas e não habilitadas
Não sofre preconceito por ficar em casa A mãe que trabalha contribui para a segurança familiar, no caso de o marido ser demitido Empregadores buscam currículos consistentes
Como tem independência financeira, não fica vulnerável A mãe que trabalha contribui para a segurança familiar, no caso de o marido morrer As mulheres são mais produtivas que os homens
Emancipação O marido pode ajudar em casa (há países em que a licença-maternidade é direito do casal) As mulheres podem ser criativas e procurar atividades compensadoras do ponto de vista financeiro e de realização profissonal
A ascensão profissional é condição fundamental para a conquista de direitos iguais O pai não só é chamado a assumir responsabilidades em casa, como faz questão de assumir esse papel  
Quando os filhos crescerem, não se sentirá inútil    
Se deixar de trabalhar, pode sentir-se uma intrusa em casa, para a qual já não tem controle    
O trabalho em casa não é remunerado    

 

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – análise

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Matéria publicada na Revista Época, nº 474, de 18 de junho de 2007. Editora Globo.

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos

Celso Masson, Martha Mendonça e Solange Azevedo

 Vantagens de ficar em casa, segundo a reportagem:

Para a mãe Para a família Considerações sobre mercado de trabalho
Não sente culpa Mais dedicação à família Mais da metade das mães querem largar seus empregos (Ibope 2006)
Quem trabalha fora não cuida direito nem do trabalho nem dos filhos Mais tempo com os filhos, para fazer a conexão e acompanhar sua rotina, pondo por terra o conceito de “tempo qualitativo” 5,6 milhões de americanas deixaram seus empregos em 2005
Ficar em casa é um novo símbolo de status Mães que não buscam na escola e não conhecem os amiguinhos dos filhos são cruéis As mães podem ter a opção de trabalhar em casa, sem horários rígidos
Não sacrifica a vida pessoal As crianças não são “terceirizadas” Apesar de não ser remunerado, o trabalho em casa corresponder a 60% da produção de riquezas do PIB dos EUA
Não sofre com a competição Está sempre em casa; não chega depois “que os filhos estão dormindo” As mulheres que trabalham fora ganham 30% menos que os homens
Não sofre com o stress do trabalho   A informalidade do trabalho feminino é maior
Há vida inteligente em mães de porta de escola   O trabalho feminino é depreciado, porque empresas acham que mães se concentram menos e produzem menos
Tem mais tempo   As mulheres que tocam suas carreiras se descobrem aprisionadas em um sistema de gerenciamento construído para os homens
    Mulheres em meio período não são levadas a sério e perdem oportunidades

Não foram listadas vantagens para o marido.

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Análise

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Análise

O texto da matéria “Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos”, da Revista Época, é bem completo, profuso tanto com argumentos contra como a favor das mães que trabalham fora. Os autores apresentaram pouca estatística, mas observaram muito preconceito, também tanto de um lado como do outro.

Mas, enquanto o texto busca imparcialidade, as imagens mostram apenas o lado bom de quem preferiu ficar em casa (mães com seus filhos):

 E, ao mesmo tempo, o lado mau de quem decidiu continuar trabalhando fora. Na capa da Revista Época e na primeira página da reportagem, há uma mãe paralisada, vista da perspectiva da criança, da cintura para baixo, sem rosto (e possivelmente com muita culpa).

 

 

Essa imagem é recorrente quando o assunto é mãe que trabalha fora. Em Análise do Discurso, podemos dizer que existe uma tendência à manutenção do mesmo, ou seja, uma paráfrase típica. No Interdiscurso (memória discursiva), um discurso sempre se remete a outro, e é fácil observar essa realimentação:

Revista Claudia nº 5 ano 43 maio/2004

Revista Claudia Bebê nº 511f

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Trecho do livro “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”

Especialmente as mulheres que estão sendo mães pela primeira vez têm dentro de si, não uma velha experiente, mas uma mãe-criança. […] Toda nova mãe começa como mãe-criança. Ela tem a idade suficiente para procriar e tem bons instintos que a orientam corretamente, mas ela precisa da atenção de uma mulher mais velha, ou de várias mulheres, que basicamente lhe dê sugestões, estímulo e apoio no cuidado com os filhos.

[…] As mulheres mais velhas eram os repositórios do comportamento e do conhecimento instintivo e podiam transmiti-los para as jovens mães. […]

[…] Esse círculo de mulheres foi outrora o domínio da Mulher Selvagem, e era aberto a quem dele quisesse participar. Absolutamente qualquer uma tinha essa possibilidade. No entanto, tudo o que sobrou dele nos nossos dias é um farrapinho chamado “chá-de-bebê”, em que são comprimidas no espaço de duas horas todas as piadas sobre partos – dons maternos e as histórias sobre os órgãos genitais, que não se encontrarão mais disponíveis para a mulher durante toda a sua vida de mãe.

Na maioria dos países industrializados, hoje em dia, a jovem mãe choca, dá a luz e tenta beneficiar seus filhos completamente só. Trata-se de uma tragédia de enormes proporções. Como muitas mulheres nasceram de mães frágeis, mães-crianças e mães sem mãe, elas próprias podem possuir um modelo interno de “automaternagem”.

É provável que a mulher que tem um construto de mãe-criança ou de mãe sem mãe em sua psique ou que veja essa imagem ser glorificada na sua cultura e mantida no trabalho e na família sofra de pressentimentos ingênuos, de uma falta de experiência e, em especial, de uma redução de sua capacidade instintiva para imaginar o que irá acontecer daqui a uma hora, uma semana, um mês, um ano, cinco ou dez anos.

Uma mulher com uma mãe-criança interna assume a aura de uma criança que finge ser mãe.

ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. pp 226-227

Veja também: 

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Trecho do livro “Nós estamos grávidos”:

O tipo de ajuda que as pessoas oferecem é de grande importância. (…) No entanto, é comum a mulher que acabou de ter um filho se ver cercada de muitas pessoas “bem-intencionadas” – amigos, tias, mãe, sogra, babás especializadas em recém-nascidos – que sempre têm um palpite certo para dar ou uma maneira melhor para ensinar. Isso deixa a mãe confusa e atrapalhada, com dificuldade de saber selecionar o que pode aproveitar ou o que deve descartar. A grande diversidade de palpites e opiniões bloqueia a intuição e a sensibilidade da mãe.

Muitas vezes, as pessoas que oferecem ajuda colocam-se em posição de superioridade frente à mãe: “Eu tenho muita experiência com bebês, sei do que necessitam”; “já criei cinco filhos”; “sei como lidar com crianças melhor que você que só tem teoria na cabeça” são frases que fazem com que a mãe se sinta ainda mais insegura, inadequada e incompetente. A mãe, a sogra, a tia ou a babá sabem mais, têm mais prática, e a ulher fica como espectadora, entregando o filho aos cuidados de uma outra pessoa para deixá-lo “a salvo”. Dessa forma, perde a oportunidade de entrar em sintonia com ele.

MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 146

Veja também:

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

O dilema entre estar sozinha ou afogada em palpites

Imagino que nas antigas “rodas de mulheres” os papéis da mulher, da mãe, do pai estavam muito bem definidos e existia um “modus operandi”, ou seja, um conjunto de regras mais ou menos comuns de como se deveria cuidar da criança e educá-la. Não vou entrar no mérito dos métodos utilizados. Vejo hoje as grávidas e as mães sedentas por informação, matriculando-se em cursos, devorando livros e revistas, participando de fóruns na Internet.

Ocorre que agora existe uma profusão de “vozes”, milhares de receitas diferentes e muitas vezes contrárias umas às outras. Vozes “oficiais”, vozes individuais ou coletivas, comunidades que se reúnem sob um mesmo lema e radicalismos que parecem religiões. Quem não é adepto é inimigo: “se você não estiver comigo, está contra mim”.

E você é obrigada a fazer uma opção, sem levar em conta que escolher um caminho significa abrir mão de outro, como se fossem coisas excludentes, incompatíveis. Parece uma competição, e não raro essas escolhas são permeadas de muita culpa:

  • parto normal x cesárea;
  • amamentação x mamadeira;
  • dedo x chupeta;
  • homeopatia x alopatia;
  • fralda de pano x fralda descartável;
  • cama compartilhada x método nana-nenê;
  • babá x creche;
  • trabalhar x não trabalhar;

e por aí vai. Sem contar que, a cada hora, surgem novas “descobertas”. Aquilo que antes se recomendava agora é condenado. O que funcionava para um filho não funciona para o outro. O que funcionava em uma fase não funciona na seguinte.

Meu negócio é: em vez de tentar descobrir em que “time” estou, vou brincar de boneca com minha filha. A boneca, aliás, vem na caixa, com manual de instruções e selo de padronização do Inmetro – muito diferente dos bebês. Mas a brincadeira pode ser um bom treinamento para o que realmente importa em ser mãe: curtir, sem culpa.

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