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Descobrindo o espectro autista

O post de hoje foi escrito por minha amiga Sandra. É um relato sobre como descobriu que seu filho Enzo estava no espectro autista. São palavras de coragem e generosidade, para que mais e mais pessoas tenham acesso a mais e mais informações.

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A primeira vez que vi a palavra espectro tinha 14 anos, estava lendo Hamlet, fazia teatro amador na época e me aventurei a conhecer Shakespeare. E lá estava o príncipe Hamlet atormentado pelo “espectro” do pai, rei da Dinamarca. Achei a palavra diferente, e por um bom tempo não a esqueci, mal sabia eu que ela surgiria em minha vida de novo, anos mais tarde, em um diagnóstico.

Enzo já estava com 20 meses quando os primeiros sinais começaram a chamar minha atenção. O garotinho até então muito interativo e sorridente, que me aguardava ansioso em casa me chamando de mamãe, começou a isolar-se. A frase que mais ouvia da Inês, que nos ajuda até hoje, era: “Nossa, o Enzo é tão bonzinho, nem parece que tem criança em casa!” Por isso, fica meu alerta: silêncio em casa com uma criança pequena não é algo comum.

Comecei a reparar que seu contato visual regrediu a zero, assim como sua fala. Enzo fazia tudo em silêncio, corria pela casa em silêncio. Seu refúgio preferido era um pé de limão; lá ele sentava, e, se eu deixasse, ele ficava por horas.

Interesse por outras crianças também não existia mais. O único contato, e mesmo assim quase o perdi uma época, era comigo. Enzo me olhava muito, sentia que ele ficava feliz eu estando por perto. Por uma feliz coincidência do destino, deixei meu trabalho para me dedicar ao pequeno. E foi ao parar de trabalhar que pude perceber tudo isso que relatei.

Sabia que havia algo errado com Enzo, sua regressão era visível para qualquer um. Comecei minha peregrinação em médicos, médicos, exames, exames, exames. Fisiologicamente nada errado. Cérebro perfeito, audição perfeita, pares de cromossomos perfeitos. O que havia de errado? Eu me perguntava o tempo todo, somente o comportamento. Comportamento?!!! E a palavra esquecida lá atrás surgiu como um neon em minha mente: Espectro, Enzo estava na sombra ou fantasma do espectro autista.

Eu e meu marido passamos pelo luto já lutando. Fiquei triste, chorei, mas no choro eu já iniciei terapias. Para psicólogos (me perdoem se não é essa a ordem) eu pulei etapas, porque primeiro você vive o luto, depois a negação, aceitação e aí sim você procura os tratamentos. Eu no luto já estava levando Enzo em terapias. Não sabia se aquilo seria bom para mim, não viver o luto primeiro, mas na altura do campeonato eu já não queria pensar em mim, Enzo já estava em primeiro lugar em nossas vidas.

A sensação que tinha é que alguém estava levando a alma de meu filho embora, ele estava caindo em um precipício, e eu o estava segurando pela mãozinha, ele precisava de muita ajuda.

Passado mais de um ano, com terapias iniciadas, Enzo alcançou progressos significativos. Ainda é não verbal, ainda morde a mãozinha em situações de estresse ou muita felicidade, é sua válvula de escape. Seu contato visual melhorou muito, sua interação com adultos é boa, com crianças ainda um obstáculo, mas estamos trabalhando em conjunto com a escola. Enzo é uma criança querida pelos colegas, diria que um sedutor, Enzo tem seu charme.

Tratamento precoce é fundamental para quem está no espectro autista. Hoje, com diagnóstico sendo fechado mais cedo, teremos uma futura geração de autistas muito diferente da geração passada. Esteja atento a sinais.  Estava devendo esse relato a milhares de pessoas que não conheço me pedindo para contar a história, porque desconfiam de um filho, sobrinho, primo ou alguém conhecido.

Obrigada por ler até aqui, tentei ser breve mas sou geminiana! 😉

guarda-chuva colorido. Espectro autista

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A pior escolha que uma mãe pode fazer

projeto coração materno

Blogagem coletiva Projeto Coração Materno.

Iniciativa:

Projeto de Mãe é um blog sobre maternidade e outras histórias escrito por Ananda Etges.

Para Beatriz é um blog de maternidade por um viés feminista escrito por Isabela Kanupp.

http://parabeatriz.com/video-mulheres-falam-sobre-suas-escolhas-projeto-coracao-materno/

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Vi esta imagem no blog “Não sou exposição”, que faz reflexões sobre o quanto nossa sociedade está apoiada nas aparências:

Mulheres com 3 filhos

1ª foto: Qual é sua desculpa?
2ª foto: Minha “desculpa” é que eu estou bem assim.
Fonte: http://naosouexposicao.wordpress.com/2014/01/17/qual-e-a-desculpa/

Por mais que digam que não devemos ler os comentários, esta é, curiosamente, a parte que mais me interessa. Eu apoio e aplaudo a proposta do blog (que faz um trabalho primoroso de análise da opressão da aparência, não só neste post). Mas também compreendo quem se incomodou com a polarização de imagens. Quer ver?

Da primeira mãe, podem dizer:

“Nossa, para ter esse corpão, tem que ralar na academia. Não sobra tempo para os filhos, que devem ser terceirizados com a creche ou com a babá, vendo Galinha Pintadinha o dia inteiro. Se consegue acordar bem cedo para malhar, no mínimo ela usa o Nana Nenê com as crianças. Não devia ter filho, muito menos três! Ela está no reino da umbigolândia, só pensa em si, ou melhor, só pensa no físico. Perpetua a visão de que a mulher é um objeto para satisfazer o olhar masculino.”

Entretanto, eu também poderia pensar:

“Que bom, ela encontrou um tempo para cuidar de si mesma. Deve consumir alimentos saudáveis e oferecê-los às crianças. Está antenada com o corpo, deve ter tido parto normal e amamentado. Essa mãe deve ser disciplinada, organizada, uma mãe leoa. Os valores que passa para os filhos incluem ter orgulho de si mesmos e não esmorecer.”

Da segunda mãe, podem dizer:

“Ela se dedica tanto aos filhos que se acomodou, se anulou. Deve ter se descuidado na gravidez. É provável que tenha escolhido uma cesárea, porque o corpo demora mais para voltar à antiga forma. Se tivesse amamentado, também teria emagrecido. De repente, só come porcaria, deve encher a criançada de nuggets e refrigerante. Deve viver em função dessas crianças, que depois vão crescer, aí ela vai fazer o quê da vida?”

Mas eu também posso pensar:

“Que bom, ela não se preocupa com o que os outros pensam. Ela sabe o que é prioridade na vida dela. É uma pessoa de bem com a vida, carinhosa, alegre, uma mãe jardim. Investe no que está no interior, não é escrava da estética. Os valores que passa para os filhos incluem autoconfiança e alto astral.”

Esse é um exemplo riquíssimo do quanto a polaridade pode ser nociva. Fiz questão de abordar, nos “julgamentos”, grande parte dos fatores que detonam a guerra entre as mães.

O mais curioso é que as duas mulheres das fotos podem simplesmente não se encaixar em nenhuma dessas “percepções”. Mas, com certeza, elas têm muito, mas muito mais experiências, qualidades, sentimentos e histórias para contar.

Escolhas isoladas dizem muito pouco sobre uma pessoa.

Muitas escolhas são determinadas por circunstâncias que desconheço.

Eu não sei nada sobre essas duas mães. Se pudesse conversar com elas, eu iria descobrir muitas coisas em comum e muitas coisas diferentes. De qualquer maneira, eu sempre vou ter algo a aprender com elas. A comparação é inevitável, e eu até posso discordar de muitos aspectos, mas isso não é motivo para julgar ninguém.

Se eu fiz escolhas diferentes das suas, não quer dizer que você está errada. Nem eu. Nós duas podemos estar certas. Nós duas também podemos estar erradas. Para dizer a verdade, não importa nem uma coisa, nem outra. Ser mãe é uma coisa muitíssimo mais complexa do que erros e acertos: o que importa mesmo é a felicidade.

A pior escolha que uma mãe pode fazer é julgar outra mãe.

Porque isso não leva a nada.

E aqui chegamos ao ponto mais precioso da discussão: o que aconteceria se eu substituísse a foto das mulheres e colocasse dois homens? Dois pais?

Pouco provável que suscitasse qualquer debate inflamado. Porque esta é uma questão que extrapola as escolhas que as mães fazem. Esta é uma questão sobre o lugar da mulher na sociedade.

Não é à toa a presença da palavra “desculpa” nas imagens do início do post. E é por isso que, para qualquer escolha que uma mulher faça, sempre haverá um dedo apontado para ela. Mais triste ainda é ver que a maioria dos dedos é de outras mulheres.

A melhor escolha que alguém pode fazer é respeitar os outros.

E você, o que acha? Deixe seu comentário (lembra? Tenho especial interesse nos comentários 😉 )

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“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Dentes de leite

dente sendo preenchido por leite

Minha filha ficou encafifada quando o dentinho de baixo começou a bambear.

– Mãe, meu dente vai cair?

– Vai, pra nascer o dente permanente. Esse que vai cair é um dente de leite.

– Dente de LEITE?????…

Pausa para ela tocar o dente com a mão.

– Mãe, mas é um leite bem duro, né???

***

capa de livro Charlie e Lola dentes de leite– Mãe, por que o dente cai e vem outro?

– Porque sua boca era pequenininha, agora ela cresceu e vai precisar de mais dentes, e de tamanho maior.

– Minha boca era pequena e cresceu?

– Cresceu.

– Minha cabeça era pequena e cresceu?

– Isso mesmo.

– Então por que os dentes não cresceram junto, ora bolas????

***

Boa pergunta. Osso cresce, cabelo cresce, até unha cresce. Por que os dentes não?

escova de dentes para banguela

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Merenda

Mamífera!

No post de hoje, a escritora Maria Amélia conta um pouco sobre o desmame e o que envolve esse processo. Quando a decisão cabe à mãe, sobrevêm sentimentos diversos relacionados a vontade, sono, prazo, reconfiguração do encontro e, ainda, nossa postura diante do “Lá Fora” – que parece insistir em transformá-la numa decisão que é “de todo mundo”.

“Não mama?” “Ainda mama?” “Isso?” “Aquilo?” Já que não estamos imunes às “interferências”, então vamos usá-las a nosso favor, com um relato sincero que pode inspirar quem está atravessando a mesma fase.

“Mamífera!

Por Maria Amélia Elói

Tenho duas filhotas queridas: Luana Lis, de 6 anos e 1 mês; e Mariana Flor, de 2 anos e 5 meses. Amamentei a primogênita até os 2 anos e 5 meses e estava planejando desmamar a caçula quando ela completasse essa mesma idade. Ai, ai, ai, o prazo está caducando… Mas sou mamífera de carteirinha! Não nasci para tirar o doce (leite) da boca da criança! Adoro os meus grudinhos como penduricalhos.

Ainda não estou muito certa se chegou a hora da Mariana, ou melhor, se chegou a minha hora. Quando imagino o fim dos nossos lácteos encontros, sinto um treco esquisito, pressinto uma saudade ardida, daquelas que umedecem os olhos.

Não foi difícil desleitar a Luana. Certo dia, mostrei-lhe uma faixa enrolada aos seios e disse que eles estavam dodóis; por isso, eu não poderia lhe dar o mamazinho. Quando eu chegava do trabalho, ela vinha correndo me encontrar, com a mesma pergunta: “Sarou, mamãe? Deixe eu ver”. Isso durou uns três dias. Ela demonstrava dó de mim, e eu também ficava com pena dela (na verdade, mais de mim que dela). Eu chorava no quarto, enquanto meu marido colocava a Luana para dormir. O coitado não sabia se acudia a mulher plangente ou a filha. Mas a adaptação foi superpositiva, e o consolo veio logo. Não mais podendo se utilizar do meu peito como chupeta, Luana passou a dormir a noite toda já no primeiro dia de desmame! Parecia milagre para uma criança que acordava no mínimo quatro vezes por noite.

Desleitei a Luana porque eu precisava dormir! O motivo do meu cansaço (em razão do acorda e levanta toda hora para amamentar a Luana) era forte. E agora? Qual é a “desculpa” para eu tirar a Mariana do peito? O anjinho tem dormido bem melhor, chamando-me apenas uma ou duas vezes por madrugada. A bezerrinha merece “condenação”? Vocês precisam ver o sorriso dela, pedindo, em volume aumentativo: “Mamãe, quero mamar, mamar, mamar!”. E quando ela termina um lado: “Quero mais. O outro, o outro, o outro”. É o trem mais fofo do planeta!

Há quem diga que o bebê precisa ser desmamado logo — para se tornar mais independente e para não interferir na alimentação. E no caso da mãe completamente presa a seu pingentinho sugador? Como incentivá-la a tirar o peito do filho?

Muitos reprovam quem amamente até a criança ficar grandinha. “Ela ainda mama? Não acredito! Isso vai até quando? Até o baile de debutantes? Até o casamento?”. É um povo que teima em se intrometer na relação e na refeição dos outros, hein?

Estou lendo um livro fascinante, chamado “Quarto”, da escritora irlandesa Emma Donoghue, que enfoca a relação de carinho e confiança construída entre uma mãe e seu filho, de cinco anos. Eles vivem confinados num quarto, sem nenhum contato com o Lá Fora. O narrador é o próprio menino, Jack, que sempre pede à mãe para “tomar” um pouco. Trata-se de um garoto muito esperto e cativante, que não dispensa o leitinho da mãe. No caso, além de fortalecer o amor entre eles, a amamentação é até uma fonte nutritiva para Jack, que se alimenta mal naquele cárcere. É bem provável que, se eles vivessem em comunidade, a mãe já teria desmamado o filho; mas, sem a interferência do Lá Fora, eles podem manter esses momentos de graça.

Não, não vou aleitar a minha Flor até os 5 anos. Pelo menos acho que não. Mas talvez eu não tire a pequena do peito neste mês, só porque ela chegou à data limite. Quem sabe quando ela completar 2 anos e 6 meses, ou 2 anos e 11 meses? Não me considero uma pessoa descontrolada ou neurótica. Às vezes até acho que sou uma mãe sensata e equilibrada. Em breve, a questão do desmame estará resolvida, sem grandes traumas! Prometo contar o desfecho.”

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Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Os segredos dos publicitários

Dia desses eu li no Facebook uma definição para alimentos saudáveis: todos os que não têm propaganda.

Os intervalos comerciais trazem realmente uma sucessão de produtos industrializados, cujos apelos se apoiam em:

  • Personalidade de Marca;
  • Design chamativo;
  • Predominância de enredos de conteúdo emocional, com associação a situações prazerosas, até mesmo fantásticas;
  • Praticidade no consumo. Exemplo: “pronto para beber”;
  • Algum elemento racional. Exemplo: “enriquecido de vitaminas”;
  • Presença constante na mídia; repetição.

A propaganda é o que garante visibilidade a esses produtos. E vai se estender em cuidadosas estratégias até ao ponto de venda, seja o supermercado ou a lanchonete.

Propaganda não é mera informação; é informação “embalada para presente”. Para encantar, convencer, persuadir. E superar a concorrência.

Os alimentos saudáveis têm todas as características para superar essa concorrência. Podemos aplicar as táticas da propaganda para dar a eles mais visibilidade.

Então, seguem alguns anúncios que gostaríamos de ver:

propaganda de banana. publicidade de alimento saudável.

Clique na imagem para ampliar

propaganda de água de coco. publicidade de alimento saudável

Clique na imagem para ampliar

anúncio publicitário de palitos de cenoura

Clique na imagem para ampliar

Nos Estados Unidos, a simples reorganização dos refeitórios gerou resultados impressionantes. O que foi feito?

  • Cartazes e banners com fotos maravilhosas de alimentos saudáveis logo na entrada;
  • Mesas com buffet permanente de frutas cortadinhas;
  • Frutas e legumes em bandejas separadas por cor, apresentados bem suculentos;
  • Refrigerantes, frituras, guloseimas fora do alcance dos olhos e da mão – todos escondidos atrás do balcão. Se a criança quiser, vai ter que pedir.
refeitório escolar

Foto: Larry Fisher

Podemos tomar emprestadas essas ideias e testar em casa. Os “garotos-propaganda” não poderiam ser melhores: nós, os pais. Saborear essas delícias em família é o melhor exemplo…

A propaganda é inteiramente fundamentada na marca. Todos os outros apelos são para enaltecer a assinatura, a marca. Podemos convidar as crianças a pensar em nomes, slogans e enredos divertidos para os alimentos.

Os mestres de redação publicitária são taxativos para que os trocadilhos sejam banidos para todo o sempre; mas estes são tão engraçados que a gente abre uma exceção…

Para a criançada que curte super-heróis:

(Campanha completa)

anúncio publicitário de uvas Hortifruti

anúncio publicitário laranja verde Hortifruti

anúncio publicitário He manga Hortifruti

Anúncio publicitário Mulher Marervilha Hortifruti

Para quem gosta de cinema:

(Campanha completa)

anúncio publicitário A incrível Rúcula Hortifruti

anúncio publicitário Hortaliça rebelde. Hortifruti

anúncio publicitário dois milhos de francisco. Hortifruti

batatas do caribe

anúncio publicitário Pepino Maluquinho Hortifruti

anúncio publicitário chuchurek hortifruti

anúncio publicitário e o coentro levou... hortifrutiPara quem adora música:

(Campanha completa)

anúncio publicitário couve garota de ipanema Hortifruti

anúncio publicitário eu uso brócolis Hortifruti

anúncio publicitário like a vagem hortifruti

Para exercitar a imaginação e encontrar formas semelhantes (como nas nuvens!):

(Campanha completa)

anúncio de gengibre Hortifruti

anúncio publicitário beterraba hortifruti

anúncio de tangerina Hortifruti

Para quem lê revista de fofoca:

(Campanha completa)

Revista Cascas Hortifruti

anúncio publicitário Revista Cascas alho hortifruti

Para os antenados em moda:

(Campanha completa)

Publicidade. A moda é usar roxo Hortifruti

A moda é usar verde anúncio da Hortifruti

Esta é importada (Diana Ross):

Na pesquisa, ainda encontrei perdido um anúncio de frutas brasileiras. Mas só foi veiculado no exterior. Apex, vamos divulgar no Brasil também…

campanha para promoção de frutas brasileiras no exterior

Um tiquinho de contrapropaganda:

Pense fora da caixinha. Salada de frutas Hortifruti

A diferença entre a publicidade e a realidade (rs!)

(post completo)

diferença entre foto da embalagem e a realidade

Nossa, agora vou ali na cozinha comer uns palitos de cenoura com água de coco… De sobremesa, uma banana amassadinha, hmmmmmmm! ^^,

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Brinquedos que gostaríamos de ver

Verdades

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Para as gravidinhas

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Conselhos que amei

As coisas não acontecem como a gente quer

100º post, 1 ano de blog

O anjo na areia

Hoje vou contar uma história repleta de lindas lições.

Durante um ano, planejamos a viagem de férias para julho de 2011. Dez dias antes, malas já arrumadas, era só a expectativa. Iríamos em um domingo para voltar no sábado seguinte. Na quarta-feira anterior, as crianças teriam aula de natação. Essa época faz um pouco de frio em Brasília. Achei por bem não levá-los, vai que gripam? Aí, poderiam ter infecção de ouvido, febre, e a viagem estaria arruinada. Foram, então, para o parque de areia em frente ao nosso prédio.

Eu estava preocupada com uma gripe? Pois não é que minha filha despenca da casinha de madeira do parque e quebra a clavícula? Imagina quanta coisa não me passou pela cabeça? Como já ando bastante treinada, senti de tudo, menos culpa. O que fiz foi agradecer MUITO ao anjo da guarda dela. Podia ter caído de cabeça, podia ter sido mais grave. Se fosse na onda dos parques modernos, com essa insanidade de botar espuma em vez de areia, podia ter sido muito mais grave. Também pensei que o acidente pudesse ser providencial para evitar um outro pior durante a viagem.

No começo, resolvi ficar com ela em Brasília, enquanto meu marido viajaria com os outros dois. Quando ela chegou do pronto-socorro com um colete feito de gesso, para ficar por 30 dias, lembrei que hoje eles vendem imobilizadores de plástico, que podem ser removidos e colocados novamente. Nem que fosse só na hora do banho.

Liguei para nosso ortopedista da família. Ele disse que não vendiam desse modelo para criança. Mas achou 30 dias um tempo muito longo, que a cicatrização das crianças é muito rápida. Em 7 dias já poderíamos tirar o gesso, e ela ficaria só com a tipoia. Recomendou até que eu não desistisse da viagem, que ela poderia ir também.

– Não, o senhor não está entendendo – eu disse. A gente está planejando (e economizando) há um ano ir para Fortaleza… mais precisamente, para o Beach Park. Ela não vai poder ir para a praia, para a piscina, para nenhum toboágua… Vou ficar em Brasília.

– Acredite em mim, ela vai lucrar mais se for.

Eu já tinha desfeito a nossa mala, mas arrumei de novo. Nenhuma roupa dela servia, com o colete. O braço direito estava engessado junto ao peito. Então experimentamos várias camisetas minhas e do meu filho mais velho para montar o “enxoval” dela. Levamos várias fraldas de pano para servirem de tipoia.

Seriam, então, 3 dias de gesso e 4 sem gesso. No primeiro dia, meu marido e o mais velho foram para o parque aquático, e eu fiquei no clubinho com ela e o caçula, por causa do ar condicionado. Brincaram muitíssimo, nem se importaram.

No segundo dia, levamos para a areia da praia, longe do mar, de manhã bem cedinho e à tardinha, com o sol fraco. Não é mentira: das três crianças, ela era a que mais se divertia. Por várias vezes, meus olhos se encheram d’água ao ver sua felicidade. Fizemos o mesmo no terceiro dia, mas já a deixamos molhar os pés nas ondas. Simplesmente era como se nada tivesse acontecido, e o gesso não fosse nada.

No quarto dia, tiramos o gesso. Como a pele estava sensível por ter ficado fechada por uma semana, não quis colocar filtro solar nessa área. Decidimos mantê-la com o bracinho e a tipoia do lado de dentro da camiseta.

Ainda que ela não pudesse ir a nenhum brinquedo do parque aquático, ela adorou ficar no rasinho da piscina. Ficamos eu e o pai revezando com os outros filhos.

Durante todo o período, ela ficou de camiseta larga. Não havia como as outras pessoas saberem o que tinha acontecido. Como uma das mangas da camisa ficava sempre vazia, as outras crianças no hotel comentavam entre si sobre “a menininha sem braço”. Mas agiram com naturalidade e brincaram com ela sem problemas.

No último dia, quando estava deixando a piscina para voltar ao quarto e arrumar tudo para ir embora, cheia de havaianas, baldes, boias, bonés e sacolas nas mãos, ouvi uma mulher dizer a outra, alto o suficiente para que eu pudesse ouvir, se é que não era essa a intenção: “Ai, meu Deus, passei a viagem toda com dó dessa menina.”

Por um relance, pensei em deixar havaianas, baldes, boias, bonés e sacolas no chão, me virar para ela e responder:

– Nós somos pais responsáveis e nos cercamos de todas as precauções possíveis e imagináveis para garantir que tudo estivesse sob controle. Durante todo o tempo, ela não reclamou de nada, pelo contrário. Nos brindou com seu sorriso, sua alegria. Não permitiu que o fato de não poder mexer o braço interferisse nisso e exerceu com plenitude seu direito absoluto de ser criança. Dó eu tenho da senhora, cujo preconceito não deixou ver nenhuma dessas coisas.

Mas ao olhar para o lado e ver aquele rostinho corado e satisfeito dentro de sua camiseta enorme, saí sem dizer nada. Só agradeci mais uma vez ao anjo da guarda dela:

“Obrigada, anjo, por ter protegido minha menina e por ter feito dela um ser verdadeiramente igual a você.

Até na túnica comprida.”

carinha de sorriso na areia da praia

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O anjo de origami

De mãe para filha

Olho de boi, olho d’água