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A boneca quebrada

boneca com as pernas quebradas

Deparei com uma boneca da minha filha, que havia quebrado. As pernas tinham se soltado, e não era uma questão de encaixe – as peças se partiram, mesmo. Disse a ela:

- Vamos jogar essa boneca no lixo. Não dá nem para fazer doação, porque ela não tem mais conserto.

A resposta:

- Mas eu brinco com ela. Ela é uma pessoa. Só não tem as pernas.

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Filha amada, espero que muito mais gente tenha o privilégio de aprender com você. Que todo mundo, ao encontrar alguém, possa compreender:

- Ela é uma pessoa. Só ____________ (é, pensa, age) diferente de mim.

Crianças são mesmo a prova de que o Universo não desistiu da humanidade.

(Filme “Cordas” – Prêmio Goya 2014, baseado em fatos reais).

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Veja também:

A doação de brinquedos ou síndrome de Toy Story

A brincadeira mais gostosa do mundo

O anjo de origami

Pequenas crônicas de carnaval

Quando eu era pequena, detestava carnaval. Muito. Di-cum-força, mesmo. Na época, era a única coisa que passava na televisão. Não tinha desenho, nem novela, nem sessão da tarde, nada. Era desfile de escola de samba o dia inteiro.

Eu me lembro de um tio que trabalhou na rádio de Jequié-BA. Ele me contou que, quando era Dia de Finados, a rádio era obrigada a tocar a Marcha Fúnebre de Chopin. Só, somente só, por todo o dia. Pois bem. No carnaval, era a mesma coisa. Era escola de samba o dia inteiro. Bom, pelo menos não era Marcha Fúnebre.

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Fui à minha primeira matinê com 9 anos. Na AABB de Brasília. Eu, meus pais e minha irmã de 4 anos. Nós precisávamos de uma fantasia, então minha mãe levou a gente nas Lojas Brasileiras do Conjunto Nacional. Se é para escancarar a idade, então vamos fazer bem-feito: saudosa Lobrás do CNB.

Compramos duas camisetas brancas da Hering, duas saias de havaiana também brancas, lantejoulas vermelhas e amarelas, e mais duas máscaras, vermelha e amarela (nossas cores favoritas). Fizemos franja na barra das camisas, colamos as lantejoulas. Produção caseira e artesanal. Ficaram uns tops engraçadinhos.

No grande dia, estávamos felizes com nossas fantasias. Mas foi só chegar à AABB, para ter início o vexame. Juntou um grupo de meninos atrás da gente, gritando: “olha a calcinha delas! Olha a calcinha delas!”

A gente era muito inocente, bem que podia ter posto uma calcinha de biquíni. Mas não. E, como a saia de havaiana era branca, óbvio que ficou transparente. Minha irmã não tava nem aí. Mas eu fiquei passada de vergonha, corri para sentar em nossa mesa e lá fiquei quase a festa inteira. Minha mãe, sempre a registradora oficial de momentos, tirou a foto. Coisa linda, um bico do tamanho do mundo.

Abre parênteses. Só não foi mais tétrico do que o dia em que eu fui para o ballet com uma bermuda branca. E a calcinha do dia da semana. Juntou um grupo similar de meninos (ora bolas, vão jogar bola, soltar pipa, em vez de seguir as garotas de roupas transparentes, pindaíba!) para ler. “Olha, tem uma coisa escrita. Ter-ça fei-ra. Terça-feira!!! Aaaaah, que fofo, uma para cada dia da semana!!!!” Fecha parênteses.

Voltando ao bailinho da AABB. Só havia uma coisa que poderia me tirar daquela mesa. E essa coisa aconteceu: tocar “O Balancê” com Gal Gosta. É, porque o Balancê era tudo de bom. Com calcinha aparecendo ou não, eu TINHA que dançar o Balancê, era uma questão de honra.

Fui para o meio do povo. Quando me dei conta, fui sugada por um trenzinho no salão. No início, me deu um pouco de pânico, tipo ser tragada por um furacão. Depois, achei aquilo o máximo e me senti a “grande”.

Não durou muito tempo. Um segurança tosco me puxou pelo braço, dizendo que aquilo não era pra criança.

Voltei à mesa, jurando que nunca mais iria participar de nada que chegasse perto de carnaval. No meio do Balancê. Muita injustiça. Minha mãe tirou outra foto.

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Minhas juras não duraram muito tempo. Minha avó resolveu levar a mim, meus três irmãos e minha prima para ver os Filhos de Gandhy em Salvador. Cinco crianças. Em pleno Campo Grande. Na pipoca. Os tempos eram outros. Mesmo.

Bloco Filhos de Gandhy em Salvador

Afoxé Filhos de Gandhy
Imagem: Irdeb

Aí eu vi um trio elétrico chamado “Traz a massa”. As pessoas saíam atrás dos trios com mortalhas. Não tinha essa conversa de abadá. Fiquei hipnotizada.

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No ano seguinte, vi o Chiclete com Banana pela primeira vez, na Avenida Sete. O hit era “Sementes”. O Chiclete era uma banda com repertório parecido com o da Cor do Som. Cada música linda. Apaixonei.

Cheguei em Brasília achando muito estranho que as pessoas ainda usassem fantasia. E que todos os anos tocassem as mesmas marchinhas, índio quer apito, alalaô, mamãe eu quero. Em Salvador, cada ano tinha uma safra nova de músicas. Mas nunca tocavam nas rádios das outras cidades, só na Bahia. As pessoas nunca tinham ouvido falar de nada daquilo. Chiclete? Cheiro de Amor? Dodô e Osmar? Quem?????

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Com 16 anos, depois de muitos pré-carnavais em janeiro e do carnaval propriamente dito em fevereiro, assisti (com meus irmãos) ao encontro de trios no Farol da Barra, na Terça Gorda. Muito antes de se cogitar o circuito Barra-Ondina. (Se é para entregar a idade, vamos fazer bem-feito). Era o Chiclete, Netinho com o trio Beijo, Ricardo Chaves com a banda Eva. E outros…

Muito difícil vivenciar outra coisa que se assemelhe àquela noite. Foi perfeito. Inesquecível. Qualquer outro carnaval pareceu sem-graça depois.

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Quando estava namorando meu marido, ainda tentei levá-lo a uma Lavagem do Bonfim. Ele achou muvucado demais. Ele nunca foi muito de carnaval, então acabei indo no embalo (ou melhor, não indo no embalo).

Mas achei que seria bacana que meus filhos conhecessem o carnaval. Não tenho coragem de levá-los para ver os Filhos de Gandhy, muito menos na pipoca. Então começamos por algo mais leve.

Ora, eu tinha que sublimar meus traumas de infância. Nada melhor que… a matinê da AABB!!!

Fantasiados de Super-Homem e Gatinha Bailarina (ou fosse lá o que fosse, comprei de última hora no armarinho), meus pimpolhos enfim teriam sua primeira experiência. Nada de adultos, nada de trenzinho. Muito índio quer apito e alalaô.

O problema é que também tinha muito spray de espuma. Eles (com 4 e 2 anos) ODIARAM aquilo. Ficaram com os olhos ardendo. Eu até segurava as mãozinhas deles, tentava fazer uma rodinha, alalaooooô, mas eles não se animaram nem um pouco. Os bicos estavam iguais aos meus.

Pois, na saída, o mais velho tomou um super-estabaco no chão por causa da bendita espuma. Fim de festa na floresta. E nem tocou o Balancê. Tragédia total.

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Claaaaro que eu me acomodei e nem me esforcei para dar a eles uma nova experiência. A escola se encarregou da tarefa, e eles curtiram de montão os bailinhos. Com os coleguinhas, olha que massa.

Este ano ficamos em Brasília. Vimos um pouquinho de Netflix, fomos patinar no Parque da Cidade, vimos a SENSACIONAL exposição da Yayoi Kusama no CCBB, e até fiz um “Shu” com bolinhas no teto (meu signo chinês). Amanhã é provável irmos ao cinema.

Exposição interativa Yayoi  Kusama

Exposição interativa Yayoi Kusama

Quem sabe um dia meus filhos poderão curtir um trio elétrico ao vivo e em cores. Quem sabe…

Sementes

(Chiclete com Banana)

Sementes de cores vivas que acendem novas recordações

E o vento solta faíscas bordando belas constelações

Que rondam o céu e o coração

Embalançando-se nas ondas de um baião

Licor de mel, doce canção

Animando o carrossel, no luar do meu sertão

Deixa que fogo semeie na escuridão

O amor

Somente se fores vivo verás as cores desses balões

que fingem-se de estrelas bailando livres com seus clarões

e se descer estende a mão

quem sabe o fogo te ilumina a escuridão

não vai doer, não diga não,

o fogo é pra derreter o gelo do coração

Deixa que o fogo semeie na escuridão

O amor.”

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Veja também:

Do travesseiro ao copinho de boneca: uma breve história da menstruação

Minha vida em 40 músicas

Quando eu era criança, achava que…

Cheiro de infância

A pior escolha que uma mãe pode fazer

projeto coração materno

Blogagem coletiva Projeto Coração Materno.

Iniciativa:

Projeto de Mãe é um blog sobre maternidade e outras histórias escrito por Ananda Etges.

Para Beatriz é um blog de maternidade por um viés feminista escrito por Isabela Kanupp.

http://parabeatriz.com/video-mulheres-falam-sobre-suas-escolhas-projeto-coracao-materno/

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Vi esta imagem no blog “Não sou exposição”, que faz reflexões sobre o quanto nossa sociedade está apoiada nas aparências:

Mulheres com 3 filhos

1ª foto: Qual é sua desculpa?
2ª foto: Minha “desculpa” é que eu estou bem assim.
Fonte: http://naosouexposicao.wordpress.com/2014/01/17/qual-e-a-desculpa/

Por mais que digam que não devemos ler os comentários, esta é, curiosamente, a parte que mais me interessa. Eu apoio e aplaudo a proposta do blog (que faz um trabalho primoroso de análise da opressão da aparência, não só neste post). Mas também compreendo quem se incomodou com a polarização de imagens. Quer ver?

Da primeira mãe, podem dizer:

“Nossa, para ter esse corpão, tem que ralar na academia. Não sobra tempo para os filhos, que devem ser terceirizados com a creche ou com a babá, vendo Galinha Pintadinha o dia inteiro. Se consegue acordar bem cedo para malhar, no mínimo ela usa o Nana Nenê com as crianças. Não devia ter filho, muito menos três! Ela está no reino da umbigolândia, só pensa em si, ou melhor, só pensa no físico. Perpetua a visão de que a mulher é um objeto para satisfazer o olhar masculino.”

Entretanto, eu também poderia pensar:

“Que bom, ela encontrou um tempo para cuidar de si mesma. Deve consumir alimentos saudáveis e oferecê-los às crianças. Está antenada com o corpo, deve ter tido parto normal e amamentado. Essa mãe deve ser disciplinada, organizada, uma mãe leoa. Os valores que passa para os filhos incluem ter orgulho de si mesmos e não esmorecer.”

Da segunda mãe, podem dizer:

“Ela se dedica tanto aos filhos que se acomodou, se anulou. Deve ter se descuidado na gravidez. É provável que tenha escolhido uma cesárea, porque o corpo demora mais para voltar à antiga forma. Se tivesse amamentado, também teria emagrecido. De repente, só come porcaria, deve encher a criançada de nuggets e refrigerante. Deve viver em função dessas crianças, que depois vão crescer, aí ela vai fazer o quê da vida?”

Mas eu também posso pensar:

“Que bom, ela não se preocupa com o que os outros pensam. Ela sabe o que é prioridade na vida dela. É uma pessoa de bem com a vida, carinhosa, alegre, uma mãe jardim. Investe no que está no interior, não é escrava da estética. Os valores que passa para os filhos incluem autoconfiança e alto astral.”

Esse é um exemplo riquíssimo do quanto a polaridade pode ser nociva. Fiz questão de abordar, nos “julgamentos”, grande parte dos fatores que detonam a guerra entre as mães.

O mais curioso é que as duas mulheres das fotos podem simplesmente não se encaixar em nenhuma dessas “percepções”. Mas, com certeza, elas têm muito, mas muito mais experiências, qualidades, sentimentos e histórias para contar.

Escolhas isoladas dizem muito pouco sobre uma pessoa.

Muitas escolhas são determinadas por circunstâncias que desconheço.

Eu não sei nada sobre essas duas mães. Se pudesse conversar com elas, eu iria descobrir muitas coisas em comum e muitas coisas diferentes. De qualquer maneira, eu sempre vou ter algo a aprender com elas. A comparação é inevitável, e eu até posso discordar de muitos aspectos, mas isso não é motivo para julgar ninguém.

Se eu fiz escolhas diferentes das suas, não quer dizer que você está errada. Nem eu. Nós duas podemos estar certas. Nós duas também podemos estar erradas. Para dizer a verdade, não importa nem uma coisa, nem outra. Ser mãe é uma coisa muitíssimo mais complexa do que erros e acertos: o que importa mesmo é a felicidade.

A pior escolha que uma mãe pode fazer é julgar outra mãe.

Porque isso não leva a nada.

E aqui chegamos ao ponto mais precioso da discussão: o que aconteceria se eu substituísse a foto das mulheres e colocasse dois homens? Dois pais?

Pouco provável que suscitasse qualquer debate inflamado. Porque esta é uma questão que extrapola as escolhas que as mães fazem. Esta é uma questão sobre o lugar da mulher na sociedade.

Não é à toa a presença da palavra “desculpa” nas imagens do início do post. E é por isso que, para qualquer escolha que uma mulher faça, sempre haverá um dedo apontado para ela. Mais triste ainda é ver que a maioria dos dedos é de outras mulheres.

A melhor escolha que alguém pode fazer é respeitar os outros.

E você, o que acha? Deixe seu comentário (lembra? Tenho especial interesse nos comentários ;) )

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Três histórias de amamentação

O maior inimigo da mãe

“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

O que você vai ser quando crescer?

Quando eu tinha 8 anos, vi este anúncio na revista:

propaganda vinho marjolet

Logo que te vi, eu disse que gostava de você. Você disse que era fita. / Em francês, o mar é “a mar”. Por que não em português? / De que página, de que livro, de que história de amor saiu esta folha? / No fundo, no fundo, nós somos duas crianças. / Tu és divina e graciosa, estátua majestosa… / Te escrevi sem saber se era teu amor, mas lembrando que gostaria de sê-lo. / Você não deveria ter me tentado com um bombom durante o concerto. Isso é papel que se faça? / Acho que eu vou tomar algumas medidas. A primeira é a medida do Bonfim. / A segunda é sacar a rolha de mais um Marjolet e começar tudo de novo.

Fiquei tão encantada com as frases, a criatividade, o clima evocado, que naquele instante decidi o que eu queria ser quando crescesse: queria ser a pessoa que bola essas coisas.

Fiz campanhas (bem-sucedidas) para a chapa do grêmio na escola e para a torcida organizada do colégio. E só fui descobrir, aos 16 anos, que o nome do curso superior para “a pessoa que bola essas coisas” era Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda.

Trabalho na área, pesquiso muito sobre o tema e tenho paixão pela minha profissão. Um dos momentos mais gratificantes foi conduzir, junto com a equipe, a campanha de arrecadação do Comitê de Ação e Cidadania (o do Betinho) para minimizar os efeitos da seca prolongada no Nordeste em 2012:

propaganda de doação para comunidades no sertão nordestino

SOS Nordeste – quem tem sede, tem pressa.

propaganda. Mídia extensiva. Toalheiro de WC

Toalheiro de WC: “A quantidade de água que você usou para lavar as mãos é a mesma que uma família do sertão nordestino tem para passar o dia.”

Conseguimos em alguns dias o valor de 30 mil reais, o suficiente para construir cinco poços artesianos comunitários nas áreas mais críticas. (Pausa para abrir os parênteses: sempre tem aquele engraçadinho adora ver significados esdrúxulos naquilo que parece claro; nesse caso, foi a piadinha: “puxa, nunca mais lavo a mão quando usar o banheiro…”)

O trabalho do comitê é maravilhoso, caso você tenha interesse: (http://www.youtube.com/watch?v=NGkAolFkYZQ)

É incrível poder usar nosso conhecimento em prol de ações dessa natureza. Isso também me coloca numa posição privilegiada e me dá chancela para compreender que os meandros da publicidade são ponte de acesso escancarado ao comportamento humano. Em vez de buscar os artifícios que ela usa para encantar, cabe descobrir por que as pessoas se encantam. Essa é a chave.

Propaganda sozinha não faz nada. Sua força está no pacto simbólico que ela faz com o público, evidenciando emoções que ele já tem, fazendo-o “sentir na pele” um pouquinho e propondo ações imediatas que trazem satisfação (comprar um produto, fazer uma doação). Se frases de efeito e metáforas mirabolantes fossem suficientes, ninguém mais usaria drogas, nem transaria sem camisinha, muito menos se arriscaria no trânsito, porque o que não falta é campanha pregando isso.

A propósito, eu guardo o anúncio como uma relíquia, ainda que nunca tenha tomado o vinho Marjolet, nem qualquer outro vinho, simplesmente porque não gosto do sabor do álcool. Sou abstêmia. Também sei dos problemas que seu excesso causa. Então este é um exemplo de que é possível consumir apenas o simbolismo de um anúncio, sem necessariamente consumir o produto de fato.

Hoje acompanho de camarote a imaginação dos meus filhos acerca do que eles vão ser quando crescer. O mais velho já foi médico, agora quer ser cientista, ganhador do Prêmio Nobel e dono de uma grande empresa de tecnologia que vai inventar o remédio que cura todas as doenças e o teletransportador.

A do meio também já foi médica de olho de criança, mais tarde incrementada para oftalmologista infantil, e hoje se delicia com a perspectiva de ser a nova Mauricio de Sousa e desenhar o próprio gibi.

O caçula já foi chef de cozinha de pizza, carregador de mala e agora é chef de cozinha de pizza novamente. O curioso é que comer, para ele, nunca foi a coisa que mais adora no mundo. Com minha mania de explicação, deduzi que ele escolheu situações em que me vê feliz: quando ele raspa o prato e o momento em que finalmente resgatamos todas as malas na esteira do aeroporto.

Aqui, observo que o tempo todo falei de profissões. E me lembro de uma conversa com uma amiga do trabalho. Eu estava frustrada com um projeto, que havia me consumido três anos antes, tinha sido abandonado por conta das marés da política, e agora precisava ser ressuscitado. Comentei que essas coisas nos faziam questionar o sentido de tudo, de quem eu era como profissional. Ela me disse: “Marusia, isso é só trabalho.”

SÓ trabalho? Só trabalho. Ainda que pensemos que seja, não é o trabalho o que nos define. Ainda que as pessoas perguntem: “o que você faz?” para saberem quem eu sou, não é isso que sou.

E terminamos nossa conversa propondo uma nova forma de escrever currículos:

Eu, Marusia,

  • adoro música, viagem, doce de leite e pegar jacaré no mar.
  • Adoro o sol, sou uma criatura diurna e absolutamente tropical.
  • Sou toda planejadinha e fico louca quando o planejamento fura, mas também sei curtir quando o imprevisto é muito mais legal do que o script.
  • Socializo minhas descobertas e fico muito feliz quando minha experiência tem reflexo positivo na vida de outras pessoas.
  • Meu maior defeito é minha maior virtude: ser transparente.
  • Minha família é meu bem mais precioso. Meu talento é incentivar as pessoas para que elas descubram o que têm de melhor.

Esse, sim, é um curriculum vitae real. Currículo vital. Currículo da vida.

Quero que meus filhos sejam livres para escolherem seus caminhos. Esse é o tipo de currículo que eu espero que eles escrevam, com suas próprias qualidades.

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Veja também:

Publicidade, Propaganda e Design em ideias simples e bem-boladas:

http://www.tumblr.com/blog/add1ad

Aqui no blog:

Os segredos dos publicitários

Quero ser criança quando eu crescer

O Livro do Bebê

Merenda

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2013

Escrever a Retrospectiva já virou um ritual do Mãe Perfeita. É válido, porque integra a lista – agora com quatro posts – que conta toda a história do blog, mostrando a tônica de cada ano. O modelo é o mesmo, um texto que amarra todos os outros, com um link em cada palavra em maiúsculas:

Em 2013, pude me dedicar a várias análises e consequentes reflexões. Algumas bem fortes, que demandaram trabalho e suscitaram diferentes reações. Uma delas foi o questionamento acerca do RADICALISMO na relação entre as mães, que por vezes gera GUERRA entre elas, e não a PAZ tão necessária para o compartilhamento de experiências. Esse conflito também se observa entre os que querem ou não TER FILHOS.

Cada ato, cada gesto, cada movimento nosso é político, ainda que nós não percebamos. Em nome dessa consciência, participei da blogagem #protestomaterno, querendo MUITO MAIS. Um Brasil com cidades onde as crianças possam IR E VIR. Um país com respeito às pessoas, em que o HUMOR seja edificante, em que a VIOLÊNCIA não se justifique nem nos livros de ficção.

Esse despertar passa pela ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL – quem dera se a publicidade estivesse a serviço dela… E também a produção de BRINQUEDOS. Tudo para que nossas crianças possam se sentir confiantes acerca de suas individualidades, sem BULLYING, mesmo ostentando BIGODITOS em seus semblantes.

Porque o mundo é múltiplo, composto de muitas VERDADES, com seus lados ao mesmo tempo perversos e doces. De tudo podemos tirar ensinamentos. Mesmo uma PRINCESA a serviço do consumismo pode ser reciclada e inspirar atitudes nobres.

Os desafios se apresentam no cotidiano, no dever de casa, na SEMANA DE PROVAS, nas FÉRIAS. Desejamos o CURSO MAIS INTERESSANTE DO MUNDO. E aí vislumbramos novas formas de APRENDIZADO.

Quando a rotina parece nos engolir, é que devemos exercitar a PACIÊNCIA, parar para OUVIR NOSSOS FILHOS, inclusive as coisas MAIS ENGRAÇADAS, deixar florescer nosso lado MÃE JARDIM. Tudo é intenso, mas também fugaz… Hoje podemos estar às voltas com a AMAMENTAÇÃO, o DESMAME, o DESFRALDE e os DENTES DE LEITE, mas logo nossos filhos crescem…

Tentamos segurar suas infâncias nos brinquedos com os quais eles JÁ NÃO BRINCAM MAIS… E nossas próprias infâncias na partida dos nossos PAIS… E aí entendemos que O AMANHÃ NÃO EXISTE. Os desafios são inerentes a essa grande aventura que é conviver com nossos filhos – uma chance de experimentarmos a FELICIDADE REAL.

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Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2012

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2011

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Três histórias de amamentação

Era uma vez… uma mãe que amamentou seu bebê exclusivamente por 5 meses. No começo, foi bem difícil – rachaduras, empedramento… depois, foi tranquilo. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Era uma vez… uma mãe que teve parto natural, sem analgesia, no melhor estilo indígena. A amamentação, contudo, não foi simples. O bebê “mordia” forte (com a gengiva), ficava impaciente e chorava muito. Com o apoio do marido, a mãe foi a um banco de leite, onde fizeram ordenha e ensinaram massagem. O leite não descia, e o mamilo ficou muito ferido com as investidas do bebê. E dá-lhe água na mãe, comida com “sustança”, homeopatia… E nada. Então chamaram a melhor doula da cidade, o anjo do aleitamento. Ela introduziu a técnica da relactação, para estimular a mama. Foi quando o bebê começou a vomitar sangue, que vinha dos mamilos da mãe. Chegou-se à conclusão de que deveria ser criado um clima de absoluta serenidade, porque a agitação do bebê e a consequente ansiedade da mãe estavam interferindo no processo. Então, ao final do primeiro mês, o leite desceu em plenitude, fazia gosto. Mas o bebê trancou a boquinha, virou o rosto e não quis mais mamar. Nem dormindo. Ninguém contou com a variável “comportamento do bebê”. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Era uma vez… uma mãe que amamentou seu bebê até os dois anos. O começo não foi simples, porque ele ficava o tempo todo no peito. Depois, foi muito bom, e teria ido para além dos dois anos se não tivesse aparecido a horrorosa virose “mão-pé-boca” (mas isso é assunto para outro post). De toda forma, uma experiência maravilhosa para mãe e bebê. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Vou me ater à mãe da segunda história. Porque sua presença foi essencial para mim, quando meu primeiro filho nasceu. Eu, do alto da minha arrogância, cheia de cursos de puericultura, com centenas de livros lidos e teorias na cabeça, prostrei diante do desafio. E recebi dela palavras de puro aconchego e humildade, ao mesmo tempo em que traziam transbordante afeto e doação:

“Tá tudo certo.”

“No início, dói. Mas acredite, depois você vai achar uma delícia amamentar.”

“Segura as pontas só mais um pouquinho, confie em mim.”

“Não existe nada igual quando você vem com o peito cheio de leite e sente o bebê esvaziar tudinho.”

“No começo é punk, mas depois que eles crescem a gente morre de saudade de amamentar. Curta cada segundo.”

Eu confiei nela, como as antigas mães em seus círculos, e deu tudo certo.

Meu coração se estilhaça de indignação quando lembro o que ela ouvia dos outros:

“Você não está amamentando?”

“Olha, até o suorzinho do bebê cheira diferente, porque não é leite materno.”

“Essa criança vai viver no hospital.”

“Faltou força de vontade, caiu na esparrela da indústria do leite.”

O que essa mãe tem de diferente das outras duas? NADA.

Nada MESMO, porque essas três histórias são da MESMA MÃE.

Hoje, com três filhos lindos, amados, saudáveis e inteligentes, essa mãe é alvo de toda a minha admiração e gratidão. Pois foi com ela que eu aprendi:

A minha experiência é minha.

Cada experiência minha é única.

Se minha experiência for bem-sucedida, pode inspirar outra mãe.

Se não for, não deve desestimular ninguém. Contudo, minha experiência pode aliviar outra mãe, quando ela descobre que não está sozinha.

E o mais importante:

A minha experiência não é referência para medir outra mãe.

A MINHA experiência não é motivo para julgar – e muito menos condenar – outra mãe.

http://www.youtube.com/watch?v=yEQ_qHcVv2g

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Veja também:

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

O maior inimigo da mãe

Perigo de ser mãe perfeita 5 – Vá pela sombra

Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós

Existe limite para o humor?

Estou no Blog “Minha Mãe que Disse!”, fazendo essa e outras perguntas no texto “Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós”.

Vou adorar sua visita:

http://minhamaequedisse.com/2013/11/humor-doacao-de-leite-e-o-que-isso-diz-sobre-nos/

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Veja também:

Campanhas de Amamentação: uma análise séria e franca

Porque nós somos mamíferos

Quando não é possível amamentar: Marusia fala

Sobre Ballet e bullying

Meu filho vai usar óculos

Barba Azul e a violência contra a mulher

capa do livro Barba Azul, de Ruth Rocha

Meu filho de 10 anos chegou para mim indignado:

- Peguei na biblioteca esse livro da Ruth Rocha e detestei!

- Que livro?

- Barba Azul.

- É um conto de fadas muito antigo.

- Antigo e horroroso!

***

Barba Azul é bem menos conhecido que Branca de Neve e Cinderela (que também têm seus requintes de crueldade). Para quem não leu, é a história de um nobre que se casa muitas vezes, e ninguém sabe o paradeiro das esposas. Ao se casar com a oitava, dá a ela as chaves de todos os aposentos do palácio, alertando-a apenas de um, no qual não deveria entrar jamais. Ela (obviamente) entra e encontra os corpos das esposas assassinadas. Ao ver seu segredo revelado, Barba Azul diz que ela terá o mesmo destino das demais, por ter traído sua confiança. Entretanto, os irmãos da moça chegam e conseguem impedi-lo, matando-o.

Eu li Barba Azul quando tinha a idade do meu filho. O curioso é que não me impressionou tanto. Em parte, penso que o fato de ter escolhido um livro da Ruth Rocha criou nele a expectativa de algo mais leve e divertido; daí a sua indignação. Mas resolvi ir mais a fundo e provoquei:

- Ué, você joga esses videogames do Lego, e se impressionou com Barba Azul?

- Totalmente diferente, mãe! Aquilo é só um jogo.

- Quando o Batman derrota o inimigo, o boneco explode, e sai cabeça, perna, braço de Lego para todo lado!

- O Lego é de brinquedo.

- E aquele game de luta? Aquele também é horrível.

- Luta é um esporte, e os lutadores têm a mesma força. As mulheres do Barba Azul não tinham como se defender.

(continuando a provocação) – Mas elas não mereceram? Elas foram desobedientes, ele tinha pedido para elas não entrarem naquela sala.

- Mas isso não é motivo para matar ninguém, mãe!

- Os irmãos da moça também mataram o Barba Azul.

Aí minha filha, que estava prestando atenção à conversa toda, disse:

- Mas ele é do Mal, mãe.

Eu reli Barba Azul quando estava grávida dela, em um contexto bem diferente: na análise formidável de Clarissa Pinkola Estés, no livro “Mulheres que correm com os lobos”. A autora associa cada personagem da história, e detalhes como a chave, aos elementos da psique feminina, tomando por base a teoria dos arquétipos de Jung. E mostra a importância de aniquilarmos, dentro de nós, o monstro mental que nos impede de sermos curiosas, criativas e termos acesso às NOSSAS VERDADES.

De aniquilarmos essa força que “é do Mal”.

Talvez, quando eu era criança, vivesse em uma sociedade em que a agressão às mulheres era “cultural”. Em que ler Barba Azul não despertava indignação. Em que as pessoas estavam “acostumadas” a ver, sem questionar, anúncios publicitários como estes (traduções livres):

Anúncio do tecido Dacron. Homem pisa na cabeça de mulher

“É bom ter uma garota por perto”

Anúncio do café Chase and Samborn, com marido batendo na mulher

“Se o seu marido descobrir que você não está escolhendo o café mais fresco…”

Anúncio da cerveja Schlitz. Marido consola esposa, que chora porque queimou a comida

“Não chore, querida, você não queimou a cerveja!”

Anúncio dos suéteres Drummond. Homens no topo da montanha e mulher pendurada.

“Homens são melhores que as mulheres. Em casa, elas são úteis – e até agradáveis. Na montanha, contudo, elas são um estorvo.”

Anúncio das gravatas Van Heusen. Mulher ajoelha-se e serve o café para o marido, na cama.

“Mostre a ela que este é o mundo do homem.”

Anúncio da batedeira Kenwood. Mulher com chapéu de chefe de cozinha abraça o homem de terno.

“O chefe faz tudo, exceto cozinhar – é para isso que servem as esposas!”

Anúncio de Palmolive. Mulher à frente do espelho, com ombro à mostra, olha de forma sedutora para o expectador.

“A maioria dos homens pergunta: ‘Ela é bonita?’ e não ‘Ela é inteligente?’ “

Anúncio das vitaminas Kellog's PEP.  Homem de terno abraça a esposa com avental e espanador.

“Quanto mais duro uma esposa trabalha, mais bonita ela fica! Vitaminas para animar”

Anúncio da máquina de franquia postal Pitney Bowes. Homem tenta convencer mulher a usar máquina.

“É sempre ilegal matar uma mulher?”

Hoje me choca ler a notícia de que a Lei Maria da Penha não conseguiu reduzir o número de homicídios de mulheres. Barba Azul de carne e osso ainda está atual. Mas, ao contrário da história, não é a pena de morte a solução. Deve-se destruir o aspecto simbólico, para que então isso se reflita na realidade – é por isso que os contos de fadas são tão preciosos. A resposta está no conhecimento, na educação.

Por isso, é maravilhoso ver meus filhos adotando uma postura de debate, de contestação. De não achar “normal” que mulheres sejam agredidas. Nem na ficção.

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Veja também:

Os segredos dos publicitários

Verdades

El Bigodito

Mães de animações e seriados 3: por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Maneiras idiotas de morrer

Sites visitados:

Blog do Eduardo Biavati

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“Não se acostume com o que não o faz feliz.” (Silvana Duboc – leia a íntegra)

Nesta semana, participei do 8º Congresso Brasileiro e 4º Internacional de Trânsito e Vida, em Salvador, que apresentou dados contundentes sobre essa realidade que insiste em se perpetuar no Brasil: pessoas morrendo ou sofrendo graves consequências devido à cultura insana de sobrepor interesses monetários aos interesses coletivos.

Uma das pessoas que conheci foi Eduardo Biavati. Ele observa o trânsito por um ângulo bem maior. Em sua palestra, acrescentou a última pesquisa Pense, que mapeia hábitos dos adolescentes. Mostrou, por exemplo, que nossas crianças não mais vão à escola a pé, de bicicleta ou de ônibus. A rua tornou-se “perigosa” demais, e os pais, visando à proteção, motorizou os trajetos dos filhos. Filhos que passaram a ver o mundo através da janela de um veículo, perdendo a noção do risco e – pior ainda – o senso do coletivo. Da cidadania.

Me identifiquei duplamente na palestra do Biavati. Com 8 anos, eu ia a pé sozinha para o ballet (ou de ônibus, quando chovia). Não sei se tenho a mesma coragem de deixar meus filhos fazerem o mesmo no dia-a-dia. Para eles, o ápice da aventura foi andar a pé e de metrô em São Paulo, mas sempre acompanhados por nós. Fico preocupada quando vão brincar com os amigos na quadra ao lado, e precisam atravessar as ruas. E não é só pelo trânsito, mas pelos usuários de crack, pelos pedófilos.

Ao final da palestra, Biavati apresentou um vídeo do Metrô de Melbourne, em Victoria, na Austrália, que integra a campanha pela segurança nas linhas de trem, chamada “Dumb ways to die” (“maneiras idiotas de morrer”). A propaganda alerta para diversos tipos de risco no cotidiano, tais como tomar remédio com validade vencida ou usar eletrodomésticos de forma inadequada, combinados a bizarrices como servir de isca para piranha ou se vestir de alce na temporada de caça, terminando com os perigos de não respeitar as regras de segurança nos trilhos de trem. O sucesso está na abordagem ampla, na metáfora, na dose certa de choque e na informação.

http://www.youtube.com/watch?v=jfEHAVH20hY

Quando assisti, lembrei instantaneamente da musiquinha chiclete que ouvia nos jogos eletrônicos dos meus filhos, dias antes de viajar. Eu tinha desconfiado do refrão e pensado: “quando chegar de viagem, vou investigar que jogo é esse.” Pois o jogo consiste justamente em “salvar” a vida dos monstrinhos nas diversas situações.

Incrível o poder dessa propaganda, associada a outras iniciativas como o game, que cruzou o planeta para ser conhecida pelas crianças aqui no Brasil.

Pesquisando no YouTube, encontrei duas paródias brasileiras, uma para o Rio de Janeiro, outra para Belo Horizonte. Fiquei, ao mesmo tempo, surpresa com a criatividade e estarrecida com a crítica.

http://www.youtube.com/watch?v=OVOQU041u6Q

http://www.youtube.com/watch?v=hCk3j0Q0gQE

No Brasil, andar na ciclovia, parar no sinal vermelho, seguir a sinalização de trânsito, usar o transporte público são maneiras idiotas de morrer.

Enquanto isso, assistimos, de forma impotente, nossos governos apostarem tudo na produção cavalar de veículos motorizados, reduzindo o IPI para incentivar o consumo, glorificando o petróleo. Mas não, o governo se exime na propaganda e põe a “culpa” no cidadão, é ele o responsável único pelo trânsito. Esse foi o tema da minha palestra no Congresso Trânsito e Vida: por que a propaganda de paz no trânsito não surte efeito?

campanha Parada Seja você a mudança no trânsito

Se a rua está perigosa, não quero me acostumar a isso (é fácil acostumar, quando estamos na nossa zona de conforto). E, se a mudança está nas mãos do cidadão, vamos ver nas próximas eleições quem são os candidatos que colocam o transporte público de qualidade como prioridade. Status não é sair de carrão, é poder ir e vir sem se preocupar com engarrafamento e vaga para estacionar. É cruzar com outras pessoas e restituir nosso senso de cidadania.

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

Se abrir fábricas monstruosas da indústria automobilística gera emprego, então vamos abrir fábricas de metrô, de trem. Diminuindo os desastres, o dinheiro que hoje é usado para pagar os tratamentos e pensões por invalidez das vítimas do trânsito poderia ser investido em mais ciclovias e linhas coletivas.

Chega de perdermos vidas por causas idiotas.

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O aprendizado do amanhã

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Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês - Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Dai-me paciência!

De uns tempos pra cá, comecei e a ficar meio encucada com meu limiar de paciência. A criançada andava me tirando do sério, principalmente quando me obrigava a repetir a mesma coisa um milhão de vezes. Na primeira, eu até pedia bonitinho. Na segunda, o tom não era tão amistoso; na terceira, pronto, ficava braba. Uma amiga, rindo, disse que ela já tinha passado do tempo de esperar a terceira vez. Economizava as energias e já chegava berrando na primeira rs!

Um dia, eu estava numa loja de departamentos, e um livro saltou aos meus olhos como se a capa estivesse escrita em neon: “O poder da paciência”. Pensei: “Puxa, preciso realmente disso!” Pela módica quantia de R$ 9,90, em nenhum momento perdi de vista o possível caráter de auto-ajuda “Tabajara” da obra (“Seus problemas acabaram!”) Mas, pela mesma módica quantia de R$9,90, valeria a pena: no mínimo seria um apanhado dessas dicas que a gente sabe mas nunca é demais lembrar.

Livro O poder da paciência

Para minha surpresa, encontrei um livro de linguagem agradabilíssima, bem fundamentado, recheado de citações pertinentes e exemplos de situações reais, em capítulos enxutos e bem alinhavados. Não tem aquele papo de transmissão de sapiência. A própria autora se assume como uma “aprendiz”. O mais interessante, contudo, são as dicas práticas, simples como têm de ser e – imprescindível – que funcionam.

Abaixo, transcrevo alguns trechos só para abrir o apetite deste livro que merece estar na Biblioteca da Mãe Desencucada.

Sobre pontos de vista:

“Existe algo mais encantador do que as crianças? Elas dizem coisas tão afetuosas, cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

“Existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva em seu tapete branco novinho em folha, fazem as mesmas perguntas repetidamente e transformam ações corriqueiras, como escovar os dentes, em incessantes lutas pelo poder. Estar perto delas pode ser um tormento.” (RYAN, M.J. “O poder da paciência”. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p52)

Crianças são tudo isso ao mesmo tempo: adoráveis e punks. Como a vida. E muito do que essa relação pode revelar está em nosso modo de ver as coisas.

Sobre controle (esse capítulo é simplesmente sensacional):

“Tim Gallwey apresenta uma lista do que podemos ou não controlar em relação às outras pessoas. Você não pode controlar a atitude ou a receptividade da pessoa; o quanto ela ouve; suas motivações e prioridades; sua disponibilidade; o fato de ela gostar ou não de você; a capacidade de compreender o seu ponto de vista e aceitá-lo; a maneira como ela interpreta o que você diz.

“Você pode controlar as suas atitudes em relação a uma outra pessoa; sua própria atitude em relação ao aprendizado, sua maneira de ouvir; sua aceitação do ponto de vista de outra pessoa; seu respeito em relação ao tempo dela; sua expressão de entusiasmo pela ideia dela; a quantidade de tempo que você gasta ouvindo e falando; sua auto-imagem.” (vide acima, p96)

A autora também nos convida a descobrir o que nos tira a paciência. Descobri, por exemplo, que repetir a mesma coisa faz com que eu me sinta “invisível”, desimportante. Sob outro prisma, vale questionar a eficácia dessa insistência e ver se não é hora de mudar de estratégia…

Para coroar, um parágrafo que tem tudo a ver com o tema do blog (grifo meu):

“A impaciência é, na verdade, um sintoma de PERFECCIONISMO. Se esperarmos que nós e os outros sejamos perfeitos, que o metrô, os elevadores e os sistemas de mensagens eletrônicas sempre funcionem bem, perderemos a paciência todas as vezes que alguma imperfeição surgir: a bagagem extraviada, um esquema de horários arruinado, garçons mal-educados, familiares intrometidos, crianças malcriadas. Por outro lado, quanto mais admitirmos que a vida é desorganizada e imprevisível, e que as pessoas se viram da melhor maneira possível, mais paciência teremos em relação às circunstâncias e às pessoas que nos cercam.” (vide acima, pp-181-182).

Tão eu!

E você? Como está seu limiar de paciência?

Bebê rezando

E não é que agora até está dando sinal de vida?

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Mãe Horta, Mãe Jardim

Hoje estou no Portal Minha Mãe que Disse, falando sobre a Mãe Horta e a Mãe Jardim. E você? Com qual delas se identifica mais?

Vou adorar sua visita e seu comentário!

Mãe Horta, Mãe Jardim

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Frases de mãe… na boca dos filhos

Um dia, meu filho de dois anos, de uniforme e mochilinha, aproximou-se da irmã de sete meses e disse, com o maior carinho:

- Maninha, agora eu vou para a escola, mas tá tudo bem, porque de noite eu volto, tá?

Ooooownn, do jeitinho que a gente dizia para ele quando precisava sair…

Nesse embalo, vamos experimentar mais “frases de mãe” na boca dos filhos:

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

 

mafalda discorda da mãe

Criação: Quino

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“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Este post faz a análise do texto “Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” de Lia Miranda e dos comentários, publicados no Portal Minha Mãe que Disse!

Até o dia 14/02/2013, foram publicados 110 comentários. A autora do post não comentou.

Muitas pessoas manifestaram opinião em relação a outros comentários, e não necessariamente ao post. Assim, não há como estabelecer a divisão numérica e precisa de quem concordou e quem discordou do texto em si.

Optou-se, assim, por organizar a análise por tópico, iniciando com o argumento de Lia e prosseguindo com os comentários.

1.       Julgamentos

Argumento de Lia:

“A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho traz o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. Quem defende essa teoria, embora não o admita, tem suas próprias convicções do que acha melhor e, mesmo que internamente, condena quem faz diferente. [...]

“Essa teoria não traz nenhum benefício para as nossas crianças e abre espaço para que os meios de comunicação de massa (pessoas querendo lucrar) entupam a cabeça das mães mais “abertas” com teorias maliciosas como a da culpa zero.”

Concordam com o texto

  • “Essa coisa de tentar o melhor é um discurso vazio, que não leva ninguém a lugar nenhum, só serve mesmo pra passar a mão na cabeça.”
  • Sou muito grata à minha culpa e ao meu não-conformismo, que me fizeram não virar mais uma ‘mãezinha’ que tudo aceita, que acha que está muito certa e, é claro, julga (mal) as que criam com muito amor, muito peito e muito apego.”
  • “As mães que clamam pelo equilíbrio, as que se dizem coluna do meio, muitas vezes torcem o nariz para as lutas pelos direitos das mulheres (que falam mal da Marcha pelo Parto em Casa, Marcha das Vadias, Mamaços, amamentação prolongada, amamentação em público etc.) Mas estas dizem que não, não julgam ninguém.”

Discordam do texto

  • “Você rejeita a teoria de que cada um faz o que acha melhor. Mas não é exatamente isso o que você tá fazendo? Me incomoda o fato de que este argumento é amplamente utilizado na defesa de causas e teorias que eu acho muito corretas, o que acaba reforçando o rótulo de ‘radical’ de quem o faz.”
  • ” ‘Rejeito a teoria de que cada um faz o que acha melhor’ – só aceito a teoria de que todos tem que fazer o que EU acho que seja melhor.
  • Em geral, julgo, sim, no entanto, julgo atitudes abusivas e incoerentes demais – que não dariam para não serem julgadas por qualquer pessoa de bom senso.
  • Muitas vezes mães que seguem um determinado caminho tendem a querer reforçar a validade deste caminho colocando que todos devem segui-lo e quem não vai por aí é pior. Não acho que seja apenas uma questão de tempo que se dedica aos filhos (não é tão simples esta matemática).”
  • “Tento de verdade não julgar, para ensinar a não julgar, ter bom senso e explicar que na maioria das casas a educação dos coleguinhas será diferente, e que ser diferente nem sempre é melhor ou pior.”
  • “O que não concordo é julgar sem saber, falar que se fez cesárea é pior, se não amamentou é pior, se deixa chorando é pior, se pega no colo toda hora é pior, criação com apego é melhor do que criação sem muito apego.”

2.       Preocupação com o futuro

Argumento de Lia:

“O que eu tenho a ver com o que fazem os outros pais e mães? Muito. Porque essas crianças com as quais minhas filhas estão convivendo na escola, na igreja e no parquinho serão seus futuros amigos, namorados, colegas de trabalho, vizinhos, patrões, governantes.”

 Concordam com o texto

  • “Os pais são sim responsáveis pelo que os seus filhos se tornarão.”
  • “Infelizmente minha filha vai ser amiguinha do filho da idiota que coloca ele do lado de fora do apartamento para ficar gritando porque dá eco. O que para essa mãe [idiota aos meus olhos] é uma coisa bonitinha, para mim é um caos.”

 Discordam do texto

  • “Nossos filhos terão que conviver com o diferente, assim como nós convivemos com pessoas que tiveram criações totalmente diferentes das nossas (e certamente absurdas aos olhos dos nossos pais!). E não acho isso um problema, é um fato imutável.”
  • “Ficar preocupada com que tipo de colega de trabalho e patrão suas filhas irão se relacionar é protecionismo besta! Meus filhos não são prioridade, minha família é! Não por isso serão péssimos colegas de trabalho, vizinhos e quem sabe até governantes. Uma família feliz tem filhos felizes. Simples assim.”

3.       Culpa

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero se traveste de um herói que vem nos resgatar de um sentimento negativo e opressor. Mas não é a culpa que essa teoria tenta aniquilar: é a nossa consciência. As consequências são desastrosas.”

Concordam com o texto

  • “Mães e pais que se colocam como prioridade frente ao bebê colocarão a culpa na criança, no adolescente e no adulto futuro. Se não conseguem dar a educação que gostariam por alguma impossibilidade real, que ao menos sintam culpa e tenham consciência de que a culpa não é dos seus filhos.”
  • “Como uma revista pode me dizer que eu não tenho culpa de nada!? Eu é que tenho que correr atrás, e fazer direito o ‘dever de casa’ para parar de sentir culpa. Se fazemos o melhor que podemos, não tem como a culpa aparecer.”
  • “Eu senti muita culpa por não ter conseguido levar a amamentação da minha primeira filha adiante e, se não fosse por esta culpa, que se transformou em sede de conhecimento, em busca por informação de qualidade, por pessoas e profissionais que me apoiassem, teria ficado satisfeita, pensado que ‘tomou LA e não morreu’ e repetido com a segunda.”
  • “Eu convivo bem com as culpas que carrego e a campanha deveria ser sobre a importância da culpa e não negar a sua existência.”
  • “Acredito que a culpa seja realmente importante, pois ela traz a reflexão, traz a conscientização do que é melhor. E imunizá-la seria cancelar essa consciência do certo e errado.”

Discordam do texto

  • O meu ‘culpa não’ se refere a ausência de culpa por tirar os meus filhos do pedestal e botar a família inteira junto.
  • ” ‘Culpa’ tão somente não nos coloca de frente à responsabilidade das consequências. Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa!
  • A culpa é um sentimento que paralisa, que enfraquece, que tira o eixo. O caminho para mudar aquilo que não está legal é autoconhecimento, reflexão, questionamento e na minha visão compaixão. A sociedade é muito cruel com homens e mulheres.”
  • “O meu ‘culpa não’ é o que me dá é leveza no exercício da maternidade, e não um passe-livre para ser uma mãe de merda. De um para outro existe uma enorme diferença.”

4.       A “menos mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero está aí para dizer que ninguém é menos mãe porque – complete com qualquer coisa: não pariu, não amamentou, deu papinha industrializada, não passou tempo suficiente com a criança.

“Minha amiga Cíntia não é ‘menos mãe’ – sejamos francos: mãe pior – porque não amamentou. Mas a Galisteu, que desmamou o filho porque precisava viajar com o marido pra Ibiza quando o bebê tinha dois meses, talvez seja.

“ ‘Menos pais’ e ‘menos mães’ relegam seus filhos a um abandono emocional em nome das suas próprias rotinas. Crianças perdidas, sem educação, sem carinho, sem disciplina, jogadas na frente de uma televisão enquanto a babá fala ao celular.

“Seja porque têm menos disponibilidade para exercerem esses papéis, seja porque os exercem com total irresponsabilidade, pais e mães piores são aqueles que se colocam como prioridade diante de seus filhos, são os que querem a todo custo desvencilhar-se deles com medo se se encontrarem consigo mesmos e preferem viver anestesiados pelo consumo, pelo lazer, pelo ócio.

“É verdade que não se pode jugar a qualidade da prática de uma mãe por um aspecto isolado, especialmente se desconsiderarmos todo o contexto cultural e social no qual ela está inserida.”

Outros conceitos de “menos mãe”, segundo os comentários

  • “Mãe que sai para o bar e deixar o filho dentro do carro esperando é pior do que a que se dedica e busca programas para os quais possa incluir seus filhos.”
  • “Mãe que deixa chorando é pior do que a que acalenta. Faz isso pensado em si própria, em seu sono, não no bebê.”
  • “Mãe que não tem saco de acordar à noite para acolher o filho choroso é uma péssima mãe.”
  • “Eu sinto pena da Adriane Galisteu, porque ela poderia viajar em qualquer outro momento de sua vida. Mas ser mãe daquele recém-nascido e amamentá-lo com esplendor seria um momento único, e na minha opinião, sagrado.”
  • “Mãe que abandona os filhos para ir para Ibiza e substitui tempo com os filhos para ir para uma festa à noite toda semana.”
  • “A Galisteu foi uma ‘menas’ mãe quando desmamou um recém nascido pra sair em lua de mel.”
  • “É menos mãe/pai quem negligencia seus filhos, quem não educa, não passa valores, não dá carinho, tempo, atenção.”
  • “Colocar uma criança no mundo, dar todos os brinquedos tecnológicos, deixá-la sentada a frente da televisão porque a galinha pintadinha canta músicas de criança e se dizer boa mãe.”
  • “Mãezinhas que escolheram a maternidade que tinha salão de beleza para receberem as visitas pós-parto na beca.”
  • “Mulher que prefere assistir seus filhos brincarem no tanquinho de areia do que interagir com eles para não estragar as unhas. Mas não entro no mérito do texto em dizer que isso é ser menos mãe. Até porque sei lá o conceito de mãe que uma pessoa assim tem.”
  • “Mãe que vive na ‘umbigolândia ‘”.
  • “Mães que choram ao quarto ao lado, com o coração apertado por deixar o filho chorando, mas não têm coragem de se desvencilhar dos cordões de marionete que a prendem.”
  • “Mães e pais que terceirizam a criança por causa da ideia cada vez mais popularizada (e levada ao extremo) de que ‘mãe feliz, filho feliz’.”
  • “Mães e pais que acham que devem mais à sociedade que ao seu próprio filho e são capazes de cometer a barbárie de dar uma festa de ‘boas vindas’ ao bebê ainda na maternidade.”
  • “MENOS mãe é aquela que tem todas as informações e ainda assim, age pensando em si mesma apenas.”
  • “Pais que acham que os filhos é que têm que se adaptar a vida deles, e dá-lhe horas em salão de beleza, redes sociais, com celular em punho sem sequer olhar o sorriso da criança, viagem do casal, que precisa muito desse tempo.”

Questionamentos ao conceito de “menos mãe”:

  • “Conheço quem adotou o método horrendo do Nana, neném com a convicção de que isso ajudaria o bebê a dormir melhor, e que estava fazendo o melhor por seus filhos. Não fez para melhorar seu próprio sono porque, mesmo com seus bebês dormindo que nem ‘anjo’ depois do método funcionar, passava a noite acordando para ver se estava tudo em ordem com as crias.”
  • “Não gostei do texto! Achei uma volta ao passado sem tamanho! Cada um com a sua realidade e seus problemas! Julgar é fácil demais, fazer o que a maioria das mães brasileiras faz para sustentar, dar amor e carinho tudo ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um! Isso não é abandono emocional, isso é responsabilidade!”
  • “Ser mãe não é receita de bolo!”
  • “Babá, suco de caixinha, e televisão não é liberalismo ‘demoníaco’, é realidade!!!”

5.       A “mais mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da maternidade ativa e consciente vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos, buscando as melhores escolhas, mesmo com sacrifícios pessoais.

“A ‘mais mãe’ exerce a maternidade em maior quantidade (de tempo, por exemplo), ou uma maternidade de melhor qualidade.

“Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. Nossos filhos são nossos parceiros, representam oportunidade única de nos redescobrirmos.”

Questionamentos ao conceito de “mais mãe”

Se a “menos mãe” foi duramente criticada, o conceito de “mais mãe”, por oposição, também foi alvo de muitos questionamentos:

  • “Uma mãe culpada ou que age por culpa não é uma boa mãe. Mas isto não significa se isentar de suas responsabilidades.”
  • “O que dizer da mãe que expõe as questões, imagens e intimidades dos filhos em um blog na internet, podendo causar a eles desconforto no futuro?”
  • “Acho que sei como essa mãe, tão comprometida com o maternar, age. Mas sei muito pouco sobre como ela sente. Se essa mãe está verdadeiramente feliz e completa, maravilha. Maternidade ativa é o melhor caminho para o filho e também para ela. E se ela não está assim tão feliz?”
  • “Uma mãe infeliz não seria uma ‘mãe menos’ “?
  • “Não vejo como seria possível uma mulher se negligenciar e, ainda assim, ser boa mãe. Se não cuidarmos de nós mesmas, como poderemos cuidar dos nossos filhos?”
  • “O que é melhor, brincar com o filho quando ele chega em casa da creche ou deixar o filho pra lá brincando sozinho pra fazer uma papinha caseira?”
  • “Não vou comentar mais nada, porque é perigoso eu ficar com sentimento de culpa por estar lendo textos na Net ao invés de brincar com a minha filha neste momento.”
  • “Alguém já inventou a tabela de medição, tipo INMETRO para mãe? Em que tempo/espaço medimos a eficiência da mãe? Na qualidade da infância? Nos confrontos da adolescência? Ou no ser que deixamos para o mundo na idade adulta? Porque eles mudam, e mudam muito. E o meio muda, e a atitude da mãe muda…”
  • “Talvez as pessoas estejam errando a dose: supervalorização da criança em detrimento do coletivo. Quem garante que esse desvio não se deve a pais grudentos demais, anulados como pessoas e dispostos a viver em função do filho 28h por dia? Não dá para dizer isso, nem o contrário.”
  • “Conforme a criança cresce as coisas mudam, pq cada fase é uma fase, e se os filhos são criados para o mundo, então uma hora eles se tornam independentes. Conforme essa independência é construída a mãe precisa saber ir igualando as prioridades.”
  • “Não ha coisa pior, nem pra mãe e nem pro filho, do que depois q a cria cresce e sai do ninho, a mãe fica sem chão e se descobre um ser sem vida própria. Daí podem nascer diversos problemas, uma sogra chata que quer a todo custo continuar vivendo a vida da cria, uma pessoa depressiva/rabugenta/lamurienta que acha q o filho é um ingrato e se revolta contra tudo/todos, e um filho que vai sentir culpa.
  • Se minha mãe me perguntasse se eu gostaria que ela abrisse mão de TODA sua vida e seus sonhos por mim, eu diria que não, acho que se anular -completamente- em prol de outro alguém, mesmo que esse alguém seja seu filho, é um fardo muito, muito pesado de se carregar.”
  • “Mamãe projetou a felicidade dela em nós, mas, como é natural, ao crescermos, cada um tomou o seu caminho. Eu continuo muito próxima dela, mas o afastamento natural de meu irmão para ela é uma mágoa profunda, uma ferida sem cura. Se, por algum motivo, eu não puder me fazer tão presente na vida dela, ela será infeliz. E como eu vivo com isso? Se ela tivesse deixado de passar algumas horas por dia comigo, não teria sido menos mãe por isso. Parte de minha felicidade como filha é a felicidade de minha mãe, e é muito melhor se a felicidade dela não depender apenas do ‘ser mãe’ “.

6.       Ter filhos

Argumento de Lia:

O Dr. José Martins, em A Criança Tercerizada, teve a coragem de dizer que quem não está disposto a mudar suas rotinas para cuidar de seus filhos não os deveria ter.

Concordam com o texto

  • “Não dá pra simplesmente ‘encaixar’ a maternidade e levar a mesma vida de antes de ter um filho – se é pra ser assim, por que tê-lo então?”
  • “Os motivos apontados por TODOS para ter filhos são egocêntricos. Garantir descendência, por costume social ou por que é ‘um sonho’ não são motivos centrados não na criança.”

7.       A influência da Mídia

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. O princípio demoníaco da identidade própria, auto-suficiente, é um engodo para nos desumanizar e nos tornar vítimas perfeitas do consumismo e do capitalismo industrial. Segundo a grande mídia e a indústria publicitária, ser você mesmo é ser igual a um padrão de sucesso e beleza estabelecido por outras pessoas, ser uma marionete.

“A mídia coloca o adulto em primeiro lugar e pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. O conflito entre mães e filhos é um mito criado para vender.”

Concordam com o texto

  • “Minha avó (84 anos) queria dar ruffles para minha filha e eu disse que não, que fazia mal… ela olhou o rótulo, indignada, e disse ‘Meniiiinaaaa, é só batata’. Minha avó é analfabeta, foi da roça, é megasaudável e ACREDITA que ali só tem batata e que alguma espécie de milagre faz aquela batata não se decompor. Ela achava que era o melhor para a bisneta.”
  • “Isso me lembrou a sugestão da revista Crescer sobre decoração de quartos de bebês e havia lá um berço e uma cama, a cama da babá.”
  • “Queremos mães que entendam os problemas de saúde pública da sociedade brasileira (desmame precoce, epidemia de desnecesáreas, excesso de sódio na alimentação infantil) que se repercutem na saúde de seus filhos e que entendam que somos enganadas e manipuladas cotidianamente em nome do lucro.”
  • “Não é martirizar ninguém pelo passado nem condenar por um evento isolado na vida materna. Estamos aqui como mulheres que defendem mulheres. A maternidade é aprendizado. E é muito interessante ao mercado ter mães não pensantes.”

Discordam do texto

  • “Eu não sei que revistas você anda lendo, mas destoam completamente das que eu leio. Em geral, pregam que a mulher deve ser uma heroína, cuidando integralmente dos filhos, sem abrir mão de todo o resto, como se a mulher tivesse de seguir padrões inviáveis de perfeição.”
  • “Se tem pai e mãe que larga, não são as revistas e as propagandas que ensinam, estimulam ou incentivam esse comportamento.”

8.       Comentário: Adendos ao texto

  • “Há uma teoria de maternidade que não foi contemplada e que é a mais importante: a que considera que a educação e cuidado das crianças não é somente de responsabilidade dos pais, a que considera que a maternidade mais comum será praticada também de acordo com as condições sociais na qual se perpetua. Ter um Estado e uma sociedade que valorizam a infância é fundamental para que sejamos bons pais sem sofrer mais do que necessário.”

9.       O Caminho do meio

Propostas de caminho do meio, segundo os comentários

  • “Não consigo abraçar um estilo de maternidade que considera as necessidades do filho mas não as da mãe.”
  • “O objetivo final é de felicidade, para pais e filhos. Com RESPEITO aos limites e às necessidades pessoais.”
  • “Vislumbro o tal caminho do meio, no qual as pessoas têm direito a fazer suas escolhas.”
  • “O caminho do meio não mata, não fere, só fortalece, porque ser mãe é um dos meus muitos papéis nessa vida.”
  • “O sentir me diz que eu quero ser ‘mais mãe’, sem deixar de ser ‘mais eu’. Dedicar, estender, absorver, me sentir feliz pra fazer feliz, à vezes com muita abdicação, às vezes nem tanto. Observar constantemente para saber onde posso e devo ‘ser mais’ e onde devo ‘ser menos’.
  • Eu sou da maternidade ativa às vezes e sou uma “menas main” outras vezes – depende da hora do dia que você encontrar comigo. Exerço os dois papéis com relativa tranquilidade.”
  • “Não é questão de ficar em cima do muro, e muito menos de falta de envolvimento. Quero o danado do equilíbrio, não consigo me enquadrar em nenhuma categoria, quero fazer do jeito que funcione pra mim e para os meus, quero poder experimentar e mudar de opinião, fazer valer se é que me entendem. Quero valores (morais) sim e amores, quero a honestidade e a capacidade de realizar, quero a frustação para poder crescer, quero a conquista para a determinação e disciplina, quero a reflexão sempre em qualquer atitude, quero bem estar, quero estar bem.”

Críticas ao Caminho do meio, segundo os comentários

  • “O Brasil não precisa de MAIS GENTE passando a mão na cabeça das mães que abdicam do filho para ter uma ‘vida’. Até porque isso é viver em função do mercado, não do filho. Condenam tanto quem vive em função do filho e não se tocam que vivem em função do mercado, do status, da aparência, do carro novo e das unhas e cabelos impecáveis.”
  • “O discurso contemporizador busca minimizar uma responsabilidade que é nossa, faz com que vibre ainda a mais a nossa natureza, que já é egoísta.”
  • “Espero um dia chegar a esse equilíbrio. Mas temo que palavras assim ditas num portal formador de opinião do porte do MMqQ pode fazer mais mal que bem.”
  • “No Canadá esse discurso faz completo sentido, já que a maternidade e a paternidade se completam. Mas não acho que o Brasil está precisando de mais passada de mão na cabeça agora, de mais uma referência pra se apoiarem e se eximirem da responsabilidade.”
  • “Se continuarmos falando, teclando, denunciando, gravando!, engrossando o coro e o caldo… mais e mais pessoas vão se tocar, vão ouvir o barulho e dar atenção a ele.”
  • “Meio termo, mediano, estar na média são sinônimos para medíocre.”

Tréplicas do Caminho do meio, segundo os comentários:

  • “Quando encontrei esse mundo de informações me senti mais desesperada e deprimida, do que acalentada. Isso pq a quantidade de mães que acham que só há um jeito certo de maternar é infinita, e desculpem, mas isso não é legal.”
  • “Essa postura do ‘não precisamos disso agora’ desrespeita as mães que leem o texto. Primeiro porque não é honesta – omite propositalmente um lado da questão para convencê-la de que o outro é certo. Segundo, porque as subestima: diz que a mãe brasileira não está pronta para um discurso que não a trate como uma cretina e que ela precisa ouvir o lado mais duro, ‘que não passa a mão na cabeça’, pra entender direitinho. Terceiro, porque é arrogante: vende uma única verdade possível (mesmo que, no fundo, admita que existem sim outras leituras).”
  • “Com quem o texto está falando? Nunca vi na blogosfera nenhuma mãe assim, tão extrema, tão descomprometida, tão ‘menas’. Nem na vida real eu já vi essa mãe. Essa mãe tão errada – pois foi erroneamente construída pelo sistema – existe e tá aí, condenando o seu filho ao abandono emocional completo. Pergunta: ela tá lendo blog de maternidade? E, na remota possibilidade de estar: ela foi adiante no texto ou parou logo no ‘asneiras’ do título, prevendo as pauladas que viriam? E, se foi adiante: ela está aberta ao texto ou vestiu uma armadura que vai comprometer a sua leitura?”
  • “Mães se sentem agredidas o tempo todo. Mães agredidas levantam as armas. Mães armadas não estão dispostas a ouvir. Distorções de discurso acontecem muito por causa da disposição (ou falta de) de uma mãe ouvir a outra. O que cria essa disposição? Empatia. Como se cria empatia? Pela identificação, pelo respeito, pela tentativa de compreender o outro.”
  • “O problema é que eu vejo a blogosfera mais militante tentando atingir pela dureza justamente quem precisa de acolhimento.”

Marusia fala

Após ler o post, os comentários, as réplicas e as tréplicas, me parece que todos estão de acordo com uma coisa: é necessário investir em uma sociedade melhor, e o cuidado com a infância é imprescindível. O que não tem consenso é a forma de alcançar esse objetivo.

Cada forma é defendida com unhas e dentes, quando não há nada que comprove sua eficácia. Só o futuro poderá dizer como serão os filhos de “mais mães” e “menos mães”. Além disso, essas crianças terão recebido influências múltiplas, o que nos impedirá de afirmar se foi a forma de maternagem que definiu seu modo de ser.

Sem garantia nenhuma, as mães se prendem a convicções. O pensamento diferente é tomado automaticamente como crítica: “se não está comigo, então é meu inimigo”. Não sobra espaço para o meio termo, nem para a tentativa de apaziguamento.

Assim, presas à forma e em eterna guerra pela sociedade de amanhã, nós mães nos desviamos do objetivo de ter uma sociedade melhor HOJE.

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Dentes de leite

dente sendo preenchido por leite

Minha filha ficou encafifada quando o dentinho de baixo começou a bambear.

- Mãe, meu dente vai cair?

- Vai, pra nascer o dente permanente. Esse que vai cair é um dente de leite.

- Dente de LEITE?????…

Pausa para ela tocar o dente com a mão.

- Mãe, mas é um leite bem duro, né???

***

capa de livro Charlie e Lola dentes de leite- Mãe, por que o dente cai e vem outro?

- Porque sua boca era pequenininha, agora ela cresceu e vai precisar de mais dentes, e de tamanho maior.

- Minha boca era pequena e cresceu?

- Cresceu.

- Minha cabeça era pequena e cresceu?

- Isso mesmo.

- Então por que os dentes não cresceram junto, ora bolas????

***

Boa pergunta. Osso cresce, cabelo cresce, até unha cresce. Por que os dentes não?

escova de dentes para banguela

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A fada dos dentes

Falando sobre sexualidade

A receita de Sofia

Merenda

Princesa da Sucata

Já tinha falado antes sobre as feiras científicas e culturais da escola, ávidas por criações mirabolantes de sucata, feitas pelos… pais. Tem pai e mãe superprendados, levam coisas lindas e sofisticadas, ao passo que eu continuo sem levar jeito pro negócio. Não sei costurar, não sei fazer papel machê e procuro algo mais simples pra incluir as crianças no processo.

“Escolha um personagem de conto maravilhoso e represente-o usando sucata.”

Aí vem minha filha: “Quero a Cinderela”.

Não tem um mais fácil, não? O Sr. Ovo? O Homem de Lata do Mágico de Oz, ó que massa, já é de sucata! Que tal a Lagarta de Alice no País das Maravilhas feita de meia?

“Não, quero a Cinderela.”

Então vamos lá, dar uma de fada-madrinha e preparar Cinderela para o baile. Você vai precisar de:

  • Uma garrafa pet;
  • Uma bola de isopor;
  • Papel amarelo;
  • 3 folhas A4 de papel azul ou 3 folhas A4 de papel branco + tinta guache azul;
  • Papel branco;
  • Papel cartão branco;
  • Palito de dente;
  • Fita crepe;
  • Hidrocor;
  • Fita de cetim azul;
  • Miçangas;
  • Cola de artesanato.

Eu podia ter feito o vestido com o papel azul, mas preferi que minha filha pintasse o papel branco com guache azul. A textura fica mais interessante, o papel mais rígido, e ela adorou fazer.

Meça a bola de isopor. A metade do diâmetro é a largura do papel amarelo. Corte uma franja curta e estreita em cima e outra maior embaixo. A franja maior vai se superpondo para a parte de trás da cabeça. Outro retângulo pequeno de papel amarelo, outra franja para o coque. O arremate é com papel azul, para a tiara.

cinderela de sucata

Cinderela de Sucata

Forre o colo com papel branco.

Faça o babado grande em 2 folhas de papel azul ou pintado. Cole a primeira saia. Cole a segunda saia alternando o babado e fazendo o arremate atrás.

cinderela de sucata

O terceiro papel, corte ao meio. Faça babados menores. Cole o primeiro para cima e o segundo alternando e fazendo o arremate. Curve todos os babados para fora.

Faça o acabamento com a fita azul na cintura.

Faça os braços de papel cartão, coloridos com hidrocor. Faça o rostinho com hidrocor.

Cinderela de sucata

Coloque um palito de cada lado da bola e fixe na boca da garrafa com a fita crepe.

Cole miçangas na tiara (essa é a parte em que as crianças mais curtem). Duas para os brincos. E um colar como acabamento no pescoço.

Cinderela com garrafa pet

Dica: escolha uma bola de isopor maior do que a que eu escolhi, para a boneca ficar mais proporcional.

Minha pimpolha foi uma das primeiras a entregar na escola. No dia da feira, fiquei contente com mais outra Cinderela, uma Aurora e uma Bela usando a mesma “técnica” kkkkk!!

Mas o mais engraçado foi a plaquinha em cada personagem, com o que cada criança aprendeu com ele. Na Cinderela da minha filha, ela escreveu: “Aprendi com Cinderela que devemos amar as irmãs.”

#AMO

irmãs de Cinderela sorrindo

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Verdades

Uns peixes, um coelho e uma mula

O que aprendi sobre… semana de prova

O curso mais interessante do mundo

#protestomaterno: eu quero mais

protesto materno

:: BLOGAGEM COLETIVA – Mães unidas por um Brasil melhor ::

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Chorei quando vi as manifestações.  Repudiei o vandalismo. Ri da irreverência. Mas eu quero mais.
cartaz manifestação brasil

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Disseram que estamos vivendo, a exemplo da Primavera Árabe, a Primavera Brasileira (ou Outono Brasileiro, para ser mais correta).

Eu discordo.

Os países árabes vinham de décadas de ditaduras pesadas. No Brasil, TODOS os governantes e representantes foram ELEITOS.

Nos países árabes, o Orçamento não é votado e publicado no site Transparência Brasil.

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Disseram que nunca tantos brasileiros saíram às ruas para mudar o País.

Também discordo.

A cada quatro anos, mais de 140 milhões de pessoas saem de suas casas para votar.

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Acorda, Brasil! O grande evento de 2014 não é a Copa. São as Eleições. Em outubro: verdadeira Primavera Brasileira.

É o nosso voto que vai determinar se vai haver publicidade infantil, bolsa-estupro, PEC 37 ou gastos milionários de marketing.

É isso que vai determinar se vamos continuar chorando o spray de pimenta derramado.

cartaz manifestação Brasil

cartaz manifestação Brasil

beijos

cartaz manifestação Brasil

torcida imagina nas eleições

Fan page #protestomaterno:

https://www.facebook.com/protestomaterno

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O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Olho de boi, olho d’água

O que aprendi sobre… semana de prova

criança fazendo o dever de casa

Foto: hvaldez Stock Xchng

Então aqueles bebezinhos que mamavam e dormiam de repente começam a andar, a trazer dever de casa e a ter semana de prova. Então você tenta se lembrar de como era quando você estava na escola, tenta reproduzir o que na época dava certo (e evitar o que dava errado) nesse novo empreendimento. Então descobre que algumas coisas funcionam – e outras, não.

Semana de prova começa com dever de casa. Este post também poderia se chamar “O que aprendi sobre… dever de casa”. E é por aí que vamos começar.

O que aprendi com meus pais

Somos cinco irmãos. Todos nós fazíamos o dever de casa e estudávamos sozinhos. E isso se devia a algumas “técnicas” aplicadas pelos meus pais.

Não havia “ajuda”. Quando eu tinha dúvidas, meus pais diziam: “Ah, eu estudei isso há muito tempo, não lembro mais”. Tinha hora que ficávamos estupefatos. Minha mãe tinha sido professora primária por anos, dessas que ganhavam medalha. Meu pai era diretor de um banco. Uma duvidinha besta, uma conta de divisão, eles não conseguiam lembrar? Uma vez, a gente até se confidenciou: “Não é por nada, não, mas nossos pais são bem burrinhos, né?” De “burrinhos” não tinham nada. Qual o efeito disso? Eu sabia que não teria suporte em casa, então me esforçava para prestar MUITA atenção na aula e tirar as dúvidas com o professor. Lição número 1 de autonomia.

Não havia “correção”. Se o dever fosse corrigido em casa, como o professor iria saber se a criança estava tendo dificuldades, e quais eram? Como ele iria direcionar a matéria, dedicar melhor a alguns pontos? Para ele, com o dever sempre certo, seria sinal de um aluno prodígio.

mafalda e manolito na escola

Criação: Quino

O professor é a autoridade. Se os pais não confiam nele, devem alertar a escola. Se não confiam na escola, o melhor é… mudar de escola. O que não dá é criar um cabo de guerra entre os pais e quem está ensinando. No mínimo, isso cria um nó na cabeça da criança.

Botar para “pensar” no cantinho? Tá por fora. O negócio é aprender no cantinho. Quando tinha que deixar a gente “de castigo”, meu pai dava uma tarefa pra cumprir. Tipo copiar verbete de enciclopédia (à mão, óbvio, não existia Google – aliás, não existia PC), ou escrever de 1 a 100 em algarismos romanos. Cantinho educativo.

Tira do Calvin
O que aprendi hoje

A técnica número 1, a de sonegar ajuda, não é totalmente aplicável, hoje. No meu tempo, não tinha exercício cujo enunciado era: “com a ajuda da família”, “com a ajuda de um adulto”, acompanhado de missões que a criança nunca faria sozinha. Por exemplo: “Com a ajuda da família, faça uma maquete.” Um elasmossauro de sucata, um monumento de Brasília. Ou, como já postei, um aquário, um coelho, uma mula.

pai observando o filho fazer o dever de casa

Foto: Halton Parents

Eu procuro discernir. Aqueles deveres de procurar imagens ou palavras em revistas para formar frases, ou ainda “rótulos de embalagem com a letra do seu nome” são cruéis. Se a gente não ajudar, a criança fica até meia-noite procurando. Eu localizo uma página que tenha a figura ou a palavra e pergunto: onde está? Daí por diante, eles acham, recortam, colam e fazem as frases. E o objetivo do exercício é alcançado.

Pesquisa na internet: como uma criança de 4 anos vai fazer isso? Dependendo do tema, é impossível. Uma vez, veio: “pesquisar como eram os currículos escolares na década de 1910”. Sério. Experimente você, que é rato de Google, achar isso. Depois de horas, eu achei em um arquivo de “memória oral” de idosos que estudaram em uma escola no interior de São Paulo.

Importante: em hipótese nenhuma, a gente deve fazer o dever pela criança. A gente orienta, inicia o estímulo, mas o dever é dela.

A técnica número 2, a de não corrigir, é a mais árdua. Para mim, que trabalhei anos e anos com revisão de texto, encontrar uma redação cheia de erros de ortografia dói no coração. Quando eu não aguento, circulo a palavra errada e pergunto: onde está o erro? O drama reside em três pontos:

  1. Diferentemente do professor, eu não tive aula de didática, não tenho formação pedagógica, não domino a técnica de ensinar da melhor forma, não sou profissional de ensino. Menos ainda quando entram as teorias de que “a criança tem que construir o próprio conhecimento.”
  2. Ensinar é se lembrar de como era antes de aprendermos, já disse Richard Saul Wurman (no livro “Ansiedade de Informação” – SENSACIONAL). Não é fácil. O pior é quando nós aprendemos de um jeito fácil e simplesmente não sabemos onde está a dificuldade. Fui alfabetizada do jeito tradicional, e não por “escrita espontânea”, e até hoje não vi muita lógica nisso de aprender a escrever antes de aprender a ler. Mas eu tenho que confiar no professor…
  3. Sou mãe. Tem coisa que meus filhos vão fazer comigo (por exemplo testar minha paciência, ou fazer chantagem emocional) que não fazem com os professores. É um relacionamento diferente.

E aí eu me deparo com “pérolas” como estas (diálogos reais):

- P com A é…

- …

- Se P com E é pe, P com I é pi, P com O é po, P com U é pu, P com A é…

- TE!!!!

***

- O que é um pinguim?

- Um mamífero!!!

***

- Por que surgiram os conflitos entre os colonizadores e os nativos?

- Porque os índios já tinham muitos espelhos.

***
keep calm and do your homework
Acho o ó:

Pirações, como recortar milhares de notinhas e moedinhas de papel.

Pedir coisas esdrúxulas de um dia para outro, que você precisa achar um tempo na agenda e ir a uma loja específica para comprar, como sementes de árvores típicas.

Pedir garrafa pet de refrigerante pra fazer reciclagem. Aqui em casa a gente não toma refrigerante, oras bolas.

Enviar trocentas tarefas em feriadão ou nas férias. Momento de família, puxa, muitas vezes a gente escapole da cidade e viaja. Meus filhos já tiveram que fazer dever no hotel.

Às dicas dos meus pais, acrescento estas:

Ensinar é a melhor forma de aprender. De vez em quando, peço aos meus filhos mais velhos que ajudem o caçula. Antes que digam que sou exploradora de inocentes, saliento que eles adoram. Se sentem sábios, se sentem prestigiados. Por incrível que pareça, são pacientes. E reproduzem o que ensinamos para eles: “olha, presta atenção aqui…” (muito fófis!!)

Prestar atenção na aula é 60% do sucesso na prova. Somam-se 30% de exercício em casa e 10% de estado de espírito na hora de resolver as questões.

Ensinar a estudar – esse é o melhor investimento que podemos fazer. Para isso, as crianças precisam de espaço e tempo adequado. Mais dicas:

  • Comece “tomando prova” – fazendo perguntas para a criança, para ver se houve fixação do conteúdo lido. Crie historinhas, correlacione os assuntos: fica divertido e o que é aprendido não é esquecido nunca mais.
  • Na segunda vez, peça para que a criança faça as perguntas.
  • Da terceira vez, ela já estará estudando sozinha – e até fazendo “testes” para si mesma. Em matemática, exercício é primordial. Hoje, meus filhos criam as próprias contas, resolvem e testam o resultado fazendo operação inversa.

Ensinar a fazer prova – tem que ter malícia. Dicas:

  • Ler a prova inteira antes de começar. Muitas vezes, a própria prova já fornece algumas respostas.
  • Depois da leitura da prova, o passo seguinte é a redação e a parte subjetiva (se houver). A cabeça está mais fresca.
  • Ler cada comando no mínimo duas vezes.
  • Começar sempre pelas questões mais fáceis.
  • Revisar tudo ao final.

O que realmente importa

No meu tempo, existiam países como Iugoslávia e URSS, que hoje não existem mais. Havia um conflito chamado Guerra Fria. O Tocantins ainda não havia sido criado. As grandes revoluções da comunicação, como a internet, nem sequer eram cogitadas.

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas”.

(frase recolhida de um muro de Quito-Equador por Eduardo Galeano)

Respostas têm prazo de validade. Na atual velocidade da informação, já surgem obsoletas.

O que realmente importa não é saber as respostas. É saber fazer as perguntas. Essa é a grande lição que devemos deixar para nossas crianças.

mafalda perguntando o que é filosofia

Criação: Quino

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O curso mais interessante do mundo

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Da série O que aprendi sobre…

… sono

… desfralde

… gravidez

Somos tão jovens

Renato Russo quando era criança

Renato Manfredini Junior – Renato Russo

Ontem assisti ao filme “Somos tão jovens”, que conta a história de Renato Russo e o nascimento da banda Legião Urbana. Fiquei mexida, logo de início, nos créditos de apresentação do filme, com as fotos de quando Renato era criança.

Podia ser porque moro em Brasília. A sensação de familiaridade é intensa: é muito louco se ver retratado nas reconstituições das décadas de 70 e 80. Podia ser porque as músicas da Legião Urbana marcaram profundamente minha adolescência. Mas nada se comparou às fotos reais do cantor, somadas à cena em que ele cai da bicicleta (com o uniforme do Marista) e ao diálogo com os pais.

Renato estudou no Marista, tradicionalíssimo colégio católico da capital. Seu pai trabalhava no Banco do Brasil, como o meu. Em um momento do filme, seus pais dizem: “onde está aquele menino que se destacava por bom comportamento?” Será que, durante a infância de Renato, eles poderiam imaginar tudo o que viria em seguida? Essa é a razão pela qual o filme mexeu tanto comigo: pelo fato de ver alguém, que poderia tranquilamente ter sido meu vizinho de quadra ou meu colega de turma, construir uma trajetória tão ímpar (por vezes sofrida) e cheia de significados como fez o criador da Legião Urbana.

O fato de morar na capital fez com que eu ouvisse as músicas em primeira mão, desde a origem. Era aquele som que preenchia tudo, tanto o espaço quanto a alma. Um som rebelde mas também meio pueril, inocente, e com um traço de angústia que é muito típico da juventude. No filme, enquanto se recupera de uma cirurgia, Renato devora livros, principalmente de filosofia. Vêm daí suas letras diferentes? Ou é o oposto: sua personalidade já questionadora e seu permanente sentimento de inadequação encontraram eco nas palavras dos filósofos? Efeito Tostines, impossível responder.

Cena do filme Somos tão jovens

Cena do filme “Somos tão jovens”

Ninguém aqui está falando de exemplo, nem de mártir. Acredito que o melhor do filme foi mostrar o lado humano do artista, suas perigosas incursões pelo álcool e pelas drogas. Estou falando de legado. De alguém que compôs letras que até hoje são atuais. De quem vendeu mais de 20 milhões de discos. E explicitou sua transformação pessoal, mais tarde até por conta da Aids, em canções como Monte Castelo, Giz e Pais e Filhos.

Renato Russo com ramalhete de rosas

Pais e Filhos é um hino. Retrata o crescimento das crianças em uma sequência magistral de versos:

Bebês “Quero colo!”
3 anos “Vou fugir de casa!”“Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo, tive um pesadelo…”
Adolescentes “Só vou voltar depois das três.”

Já a estrofe a seguir parece resultado do que nos invade quando deixamos de ser somente filhos, para sermos também pais:

“Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser, quando você crescer?”

Me vi menina no filme, brincando “embaixo do bloco”, passeando no Opala do meu pai pelas tesourinhas de Brasília. Concordo com Renato, sou mãe mas ainda sou criança. Ao mesmo tempo, sou a mesma e sou outra. É aquela metáfora do rio, gasta, mas verdadeira: é o mesmo rio, mas as águas são outras.

Para arrematar, hoje conversava com uma amiga sobre filhos. Ela me contou da felicidade incomensurável que sentia com seu filho, mas que às vezes vinha acompanhada pelo medo de perdê-lo. O medo de perder é um modo eficaz de nos chacoalhar para vivermos o momento presente. Mas não pode ser constante, porque também paralisa, envenena.

Por mais que queiramos racionalizar a morte, nunca estaremos suficientemente preparados para ela. E, se pararmos para pensar, convivemos diariamente com “desaparecimentos”. Olho para minhas crianças e já não vejo mais os bebês que foram. Olho para minhas crianças e, como os pais de Renato Russo, não consigo vislumbrar sequer um segundo do que será seu futuro, todas as histórias incríveis que terão pela frente, que legado deixarão para o mundo.

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã

Porque, se você parar pra pensar, na verdade não há.”

O curso mais interessante do mundo

Desde 2003, estou matriculada em um curso de longa duração que queria fazer desde pequena. Sonho de infância. Todo mundo diz que é o melhor, que não existe nada parecido, alcance internacional.

estudantes fazendo prova

Tentei a primeira admissão em 2002, mas infelizmente não obtive êxito. Estava tão obstinada que em 2003 finalmente consegui ingressar. O sistema é mesmo muito diferente. Não raro, tudo o que eu tinha aprendido vai por água abaixo durante as aulas.

Os professores não avisam quando vai ter prova. Por vezes, aliás, acontece de eu nem ter compreendido direito uma matéria e ela já ser cobrada em um teste surpresa. Para ser mais exata, até hoje não vi um único dia que não tivesse prova.

mulher lendo livro

O currículo é puxadíssimo. Tenho que compatibilizar com o trabalho, renunciar a várias coisas. Passar a noite estudando ou fazendo um projeto. Ainda assim, não é garantia para passar. Mais comum é ter de fazer, refazer e refazer. Muitas vezes, para dar conta, faço inscrição nos trabalhos em grupo. Flui melhor.

Em alguns momentos, ocorre bullying. Tem gente que diz que estou fazendo errado, que deveria fazer de outro jeito. Entretanto, se os professores, as disciplinas, os horários e as salas de aula são diferentes para cada aluno, como é que eles querem comparar? Não existe parâmetro.

As aulas são todo dia, inclusive fim-de-semana e feriado. Há aqueles que preferem o módulo à distância, mas eu acho que, nem de longe, tem a mesma graça do curso presencial. Esse é imbatível.

É a experiência mais transformadora de todas e fica mais rica e profunda quanto maior for a dedicação. E digo para vocês: vale a pena cada segundo.

O curso mais louco e lindo do mundo chama-se “Criar Filhos”. Tenho o privilégio de ter três professores exigentes e maravilhosos.

Há três anos, publico minhas anotações de aula na internet. Três anos de aniversário do blog Mãe Perfeita.

Feliz Dia das Mães para todas as minhas colegas de curso!

criança vestida de professor

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Veja também:

A brincadeira mais gostosa do mundo

Quero ser criança quando eu crescer

Por que temos filhos?

O pequeno estrategista

Felicidade real

This post in English: The World’s most interesting course

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai

Sobre ballet e bullying

Ballet Lago dos Cisnes

Cisne negro

Há alguns anos, minha cunhada, bailarina de alto naipe, me perguntou se eu matricularia minha filha no Ballet. Respondi que só se fosse a razão da vida dela, que fosse algo que ela quisesse mais do que tudo no mundo, porque minha experiência não tinha sido legal. Que, ao contrário da minha cunhada, eu não tinha muito talento pro negócio, e enfrentei situações muito humilhantes.

Entrei no Ballet aos 8 anos. A primeira professora era fofa. Nos quatro anos seguintes, entretanto, passei a ter aula com outra professora, mais rígida, que estava obcecada para formar um corpo de baile.

Eu nunca tive pretensão de ser solista. Conforme disse, nunca fui habilidosa. Era esforçada, obediente e tímida. E vibrava com os festivais de fim de ano.

Certa vez, fizemos “A Bela Adormecida”. Minha turma era de “aldeãs”. Foi quando eu comecei a sentir a pressão. Ensaiava de domingo a domingo, mas não foi suficiente. Faltando poucos dias para o espetáculo, a professora me tirou de duas coreografias. Durante elas, eu faria figuração, sentada imóvel em um banco no fundo do palco. Na única coreografia de que participei, eu, que tinha mais de 5 graus de miopia, fui obrigada a dançar sem óculos, porque “aldeãs não usavam óculos”.

No ano seguinte, fui cortada de outra coreografia. A alegação foi que eu era muito “baixinha”. Uma colega, que tinha estatura menor que a minha (mas era um esplendor dançando), levantou-se e perguntou: “Se fosse assim, eu também não estaria.” A professora limitou-se a ficar vermelha e não dizer nada. Mas eu entendi tudo.

No último dos quatro anos, minha turma finalmente foi promovida a “corpo de baile”. Menos eu, que teria que voltar para o nível anterior.

Apesar de ser magra como um palito, eu sempre tive o tronco largo, além de uma “pochetinha”. Então, ouvia sempre: “Encolhe essa barriga! Bailarina não tem barriga! Uma linguiça seca como você não pode ter barriga!”

Eu tinha 13 anos. Escrevi uma carta para a professora e saí do Ballet. Hoje, essa abordagem seria considerada bullying. Interessante que a rivalidade não existia entre as colegas (vide minha “defensora”, acima). O bullying que eu havia sofrido partiu de um adulto, do professor, da autoridade.

Minha mãe fica doidinha com essas histórias. “Por que vocês não contaram pra gente?” A resposta é unânime: “A gente não queria incomodar vocês com essas coisas de criança.”

Hoje eu e meus irmãos nos reunimos e lembramos morrendo de rir. Dizemos que é uma espécie de catarse coletiva, e rimos (e nos emocionamos) porque afinal não era privilégio individual de nenhum de nós: todos passamos por isso. Já meu marido não tem a mínima paciência para o que considera uma “autocomiseração”. Ele não concorda, diz que desde pequeno sempre procurou se dedicar ao que sabia fazer, e não o oposto.

Aconteceu com meu filho mais velho. Ele AMA futebol. Resolveu entrar na escolinha. Pensei que podia ser uma maneira de ele aprender a jogar melhor. O professor sempre foi muito respeitoso, mas no terceiro campeonato, meu filho me disse: “Quero sair. Passo a maior parte do tempo no banco. Não acho errado, porque não quero prejudicar a equipe. Então vou procurar algo em que eu seja bom.” Oito anos de idade.

Hoje ele faz Karatê. A academia foi pesquisadíssima, com o medo de ele ir parar na Academia Cobra Kai (de “Karatê Kid A hora da verdade”, lembra?). Todo cuidado é pouco. Pois encontramos o que considero o Sr. Miyagi brasileiro. Vou me permitir ser a coruja das corujas: em menos de um ano, ele já tinha sido aprovado em quatro exames de faixa (branca, azul, amarela e vermelha). Está na laranja. Parece que nasceu pra isso. Fico fofa de orgulho.

Professor da academia Cobra Kai encarando Sr. Miyagi

Karatê Kid – A hora da verdade

Voltando ao Ballet. Eis que, com 4 anos, minha filha entra na aula. Fazia parte da recreação, não era uma academia de Ballet. Pensei que, com isso, o clima seria mais leve. Não quis contaminar a situação com meus preconceitos. Comprei o uniforme e as sapatilhas na maior alegria. Meses depois, ela me pede para sair: “É chato.”

Alunas de ballet na barra e uma delas pendurada de cabeça para baixo

A professora me contou que ela “não tinha a disciplina necessária para o Ballet”. Que, durante a aula, havia uma espécie de “circuito” com objetos de isopor para marcar as estações, e que bastou virar as costas para minha filha misturar todos eles. Na surdina. Com a cara mais angelical do mundo.

Pensei:

Gente!!! Minha filha não tem NADA a ver comigo!!!

QUE MARAVILHA!!!

Quatro anos de idade.

Moral da história 1:

Existem academias e academias. Como pais, devemos ficar atentos. Nem sempre as crianças falam o que acontece nas aulas.

Moral 2: Numa dessas “sessões de autocomiseração” em família, minha cunhada se sentiu à vontade para contar os absurdos que ouvira da professora de Ballet. E olha que ela era solista. Hoje, ela está na turma para adultos e experimenta pela primeira vez “Ballet com amor” (quando criança, ela teve “Ballet com dor”).

Moral 3: Evitemos projetar nos nossos filhos nossas frustrações. Ou nossos sonhos.

Moral 4: Jamais percamos de vista que eles são crianças. Hoje minha filha faz Karatê, também. Se diverte pra caramba com o Miyagi brasileiro.

Menina de quimono lutando karatê

Quem foi mesmo que disse que ela não tinha disciplina?

menino e menina em pose de karatê __________________

Veja também:

Meu filho vai usar óculos

O anjo na areia

Caminhos

This post in English: On Ballet and bullying

Os segredos dos publicitários

Dia desses eu li no Facebook uma definição para alimentos saudáveis: todos os que não têm propaganda.

Os intervalos comerciais trazem realmente uma sucessão de produtos industrializados, cujos apelos se apoiam em:

  • Personalidade de Marca;
  • Design chamativo;
  • Predominância de enredos de conteúdo emocional, com associação a situações prazerosas, até mesmo fantásticas;
  • Praticidade no consumo. Exemplo: “pronto para beber”;
  • Algum elemento racional. Exemplo: “enriquecido de vitaminas”;
  • Presença constante na mídia; repetição.

A propaganda é o que garante visibilidade a esses produtos. E vai se estender em cuidadosas estratégias até ao ponto de venda, seja o supermercado ou a lanchonete.

Propaganda não é mera informação; é informação “embalada para presente”. Para encantar, convencer, persuadir. E superar a concorrência.

Os alimentos saudáveis têm todas as características para superar essa concorrência. Podemos aplicar as táticas da propaganda para dar a eles mais visibilidade.

Então, seguem alguns anúncios que gostaríamos de ver:

propaganda de banana. publicidade de alimento saudável.

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propaganda de água de coco. publicidade de alimento saudável

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anúncio publicitário de palitos de cenoura

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Nos Estados Unidos, a simples reorganização dos refeitórios gerou resultados impressionantes. O que foi feito?

  • Cartazes e banners com fotos maravilhosas de alimentos saudáveis logo na entrada;
  • Mesas com buffet permanente de frutas cortadinhas;
  • Frutas e legumes em bandejas separadas por cor, apresentados bem suculentos;
  • Refrigerantes, frituras, guloseimas fora do alcance dos olhos e da mão – todos escondidos atrás do balcão. Se a criança quiser, vai ter que pedir.
refeitório escolar

Foto: Larry Fisher

Podemos tomar emprestadas essas ideias e testar em casa. Os “garotos-propaganda” não poderiam ser melhores: nós, os pais. Saborear essas delícias em família é o melhor exemplo…

A propaganda é inteiramente fundamentada na marca. Todos os outros apelos são para enaltecer a assinatura, a marca. Podemos convidar as crianças a pensar em nomes, slogans e enredos divertidos para os alimentos.

Os mestres de redação publicitária são taxativos para que os trocadilhos sejam banidos para todo o sempre; mas estes são tão engraçados que a gente abre uma exceção…

Para a criançada que curte super-heróis:

(Campanha completa)

anúncio publicitário de uvas Hortifruti

anúncio publicitário laranja verde Hortifruti

anúncio publicitário He manga Hortifruti

Anúncio publicitário Mulher Marervilha Hortifruti

Para quem gosta de cinema:

(Campanha completa)

anúncio publicitário A incrível Rúcula Hortifruti

anúncio publicitário Hortaliça rebelde. Hortifruti

anúncio publicitário dois milhos de francisco. Hortifruti

batatas do caribe

anúncio publicitário Pepino Maluquinho Hortifruti

anúncio publicitário chuchurek hortifruti

anúncio publicitário e o coentro levou... hortifrutiPara quem adora música:

(Campanha completa)

anúncio publicitário couve garota de ipanema Hortifruti

anúncio publicitário eu uso brócolis Hortifruti

anúncio publicitário like a vagem hortifruti

Para exercitar a imaginação e encontrar formas semelhantes (como nas nuvens!):

(Campanha completa)

anúncio de gengibre Hortifruti

anúncio publicitário beterraba hortifruti

anúncio de tangerina Hortifruti

Para quem lê revista de fofoca:

(Campanha completa)

Revista Cascas Hortifruti

anúncio publicitário Revista Cascas alho hortifruti

Para os antenados em moda:

(Campanha completa)

Publicidade. A moda é usar roxo Hortifruti

A moda é usar verde anúncio da Hortifruti

Esta é importada (Diana Ross):

Na pesquisa, ainda encontrei perdido um anúncio de frutas brasileiras. Mas só foi veiculado no exterior. Apex, vamos divulgar no Brasil também…

campanha para promoção de frutas brasileiras no exterior

Um tiquinho de contrapropaganda:

Pense fora da caixinha. Salada de frutas Hortifruti

A diferença entre a publicidade e a realidade (rs!)

(post completo)

diferença entre foto da embalagem e a realidade

Nossa, agora vou ali na cozinha comer uns palitos de cenoura com água de coco… De sobremesa, uma banana amassadinha, hmmmmmmm! ^^,

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Veja também:

Brinquedos que gostaríamos de ver

Verdades

O que aprendi sobre… desfralde

Bebê usando fralda com gráfico

Por ocasião do desfralde dos pimpolhos, recebi várias dicas da família (mamãe, irmã, cunhada), que funcionaram para mim. A lista foi originalmente publicada no grupo “Desfralde” da Rede Mulher e Mãe.

Qual o melhor momento para o desfralde?

  • Não existe regra. Cada criança tem seu ritmo. Dois anos e meio é uma idade boa para começar, se a criança demonstrar vontade de desfraldar;
  • No inverno, como as crianças suam menos, tendem a fazer mais xixi. A época bacana pra desfraldar é o verão (no calor);
  • Crianças aprendem muito por imitação, e nem sempre os pais ficam à vontade para fazer da ida ao banheiro um evento público. Se ela tiver irmãos mais velhos ou estiver na escolinha, assistir a outras crianças fazerem o mesmo ajuda muito. Outra opção é usar brinquedos – ursinho, boneca, soldadinho…
  • Envolva ao máximo a criança no processo. Explique tudo, convide-a para ir à loja escolher as cuequinhas e calcinhas;
  • Não subestime a quantidade de calcinhas / cuequinhas que eles sujam no início. Compre mais de 1 dúzia;
  • O aspecto emocional é importantíssimo no desfralde. Evite iniciar o processo quando a criança está enfrentando outros desafios, como nascimento do irmão, volta da mamãe ao trabalho, adaptação na escola, alguma doença ou desarmonia em casa;

bye bye fraldas com Piggy muppets

Os apetrechos

  • No início, até comprei peniquinho colorido, desses que toca música. Mas não achei muito prático. Tinha que esvaziar no vaso sanitário e depois proceder à limpeza completa para não deixar mau cheiro. Preferi um assento adaptador, que usaram por muito tempo, até ficarem mais seguros;
  • Se optar por um adaptador, observe se ele está bem preso ao vaso. Se ele ficar frouxo, pode causar acidentes;
redutor para vaso sanitário

Gosto desse, que acopla no assento

  • Até hoje eu acho o Ó do Borogodó levar meus filhos aos banheiros públicos. Uma ótima sugestão é comprar protetores descartáveis de plástico para forrar o assento (aprendi com as Motherns);
  • Aproveito para fazer o apelo de órgãos públicos e empresas incluírem, em seus projetos arquitetônicos, o WC de família. Pai passeando com a filha: em que WC ele entra, oras bolas?
protetor de assento de vaso sanitário descartável

Protetor de assento

As “escapadas”

  • Xixi e cocô escapam, mesmo. Isso é natural;
  • Lembre-se de que a criança NUNCA teve necessidade de avisar ou de segurar para fazer no banheiro, uma vez que até agora ela usava fraldas. Tudo é novo para ela, e é necessário ter paciência;
  • Compre dois plásticos (desses de forrar livro), mais ou menos com 80x80cm. Quando eles estiverem no sofá / tapete / na cadeirinha do carro, forre com um dos plásticos e ponha por cima uma fralda de pano (para não escorrer). Ajuda muito na hora de limpar quando o xixi ou cocô “escapole” e evita molhar o sofá / tapete / o carro etc…;
  • Em casa, não é necessária superprodução, dá para nos primeiros dias a criança ficar só de calcinha ou cuequinha (menos roupa para lavar);
  • Criança que se entretém na brincadeira se esquece de ir ao banheiro. Ou fica segurando. Cuidado com isso, pode causar problemas sérios como prisão de ventre ou infecção urinária, e o desfralde pode ficar mais complicado;

criança usando o vaso sanitário

O desfralde noturno

  • Tire primeiro a fralda do dia; somente depois de totalmente controlado, comece a tirar a fralda da noite. Um bom indício é a fralda amanhecer sequinha;
  • Para tirar a fralda da noite, lembre-se de no início oferecer o último líquido para a criança 1 hora antes de dormir; leve ao banheiro antes de deitar; se for o caso, acorde de madrugada para levá-la, mesmo que esteja dormindo;
  • Eu também usava um plástico em tamanho maior para forrar a cama, por baixo do lençol. É fácil para limpar: apenas tirar o excesso, passar Veja e depois Álcool para evaporar. O protetor de colchão é mais um item para lavar, demora para secar e, mesmo que vc tenha mais de um, pode acontecer de a criança fazer xixi mais de uma vez na mesma noite;

bebê lendo livro sentado no vaso sanitário

As Dicas de Ouro

  • Uma vez iniciado o desfralde, RESISTA À TENTAÇÃO DE VOLTAR ATRÁS. Interromper toda hora faz com que a criança não aprenda e se sinta insegura;
  • Não compare. Um dos meus filhos levou 15 dias; o outro, apenas 3; e a outra… 3 meses.

Boa sorte!

=)

mãe vem me limpar

Esse “ritual” vai até os seis anos…Criação: Laerte

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Veja também:

A cidade dos cocôs

Do travesseiro ao copinho de boneca: breve história da menstruação

O que aprendi sobre… sono

O que aprendi sobre… gravidez

Conselhos que amei

Verdades

Sites visitados:

Nemo e a construção da paternidade

Utilização de Nemo no setting terapêutico

Violência na Turma da Mônica

Em defesa da Turma da Mônica

Princesas Disney

As princesas Disney e o feminismo

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Abaixo, estão versões diferentes de três produções infantis:

Marlin, Nemo, Dory no fundo do mar

Procurando Nemo – Disney Pixar

Órfão de mãe, portador de necessidades especiais, enfrenta o pai dominador. O enredo apresenta, sem cortes, cenas de canibalismo, sequestro de crianças, trabalho infantil, vício, mentira, violência e perseguição. Emocionante aventura de um pai em busca do filho, repleta de lindas lições, como a superação, a confiança, a amizade, o estabelecimento de metas e o autoconhecimento. Além disso, oferece novas perspectivas acerca da paternidade: os desafios, o conflito entre ser pai ou amigo do filho e o imprescindível amor paterno no desenvolvimento da criança.
Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali

Turma da Mônica – Mauricio de Sousa

Histórias de um grupo de crianças, em situações estereotipadas e sistemáticas de pancadaria, bullying, compulsão alimentar, inconsequência e falta de higiene. Uma produção que extrapola o mundo dos quadrinhos (atualmente um monopólio nacional, na falta de outras opções de gibis para crianças no Brasil) para compor uma poderosa indústria de bens de consumo. Histórias de uma turma de crianças que trazem lições como amizade, autoestima, criatividade, respeito à diversidade, em um ambiente bem brasileiro. Os quadrinhos mostram como pode ser divertido brincar na rua e a importância de se cuidar do meio ambiente. A personagem principal é do sexo feminino, que sabe se defender e exercer sua liderança sobre o grupo. Ela e as outras crianças foram inspiradas nas filhas e nos amigos de infância do autor, o que explica a sensação de identificação e a familiaridade por parte do leitor.
Aurora, Ariel, Branca de Neve, Jasmine, Cinderela e Bela

Princesas Disney

Universo sexista, em que as mulheres só têm valor se forem bonitas, e cuja realização pessoal só é possível no casamento. Para alcançar esse ideal, elas abandonam suas famílias e seus amigos, abrem mão de seus talentos e são capazes até mesmo de mudar o próprio corpo. Uma delas, na verdade, nem precisou estar acordada para conseguir a atenção do futuro marido. Adendo: Os homens também precisam ser lindos e ricos. Um convite ao sonho e à fantasia, com protagonismo feminino. No reino encantado dos contos de fadas, mulheres corajosas demonstram doçura, bondade, solidariedade e sacrifício pelo outro, e provam que a força poderosa do amor sempre vence o mal.

E aí? Qual é a versão “verdadeira”?

Nenhuma delas.

Porque nada é totalmente bom, nem totalmente mau. Nada tem apenas um lado.

Apegar-se a uma versão é fazer como os cegos que apalparam um elefante. Quem tocou na tromba, achou que era um bambu. Quem tocou no dorso, uma parede. O rabo virou uma corda; a pata, um pilar. Ora, um elefante não é uma soma de bambu, parede, corda ou pilar. É um todo, um conjunto maior que a soma dessas partes isoladas.

Os cegos apalpando o elefante

E quando o elefante nem existe? É uma ilusão, como essa gravura de cinco patas?

ilusão de ótica desenho de elefante

É o mesmo caso dessas produções infantis: não existem. São pura ficção, de entretenimento.

Nemo realmente é órfão, Marlin realmente é dominador. Há cenas de canibalismo (a barracuda que devora a mãe de Nemo), sequestro (o mergulhador que o leva para o aquário), exploração infantil (quando Gil o convence a travar o filtro). Mas também é uma história de superação e oferece uma rica gama de visões sobre o amor paterno.

Mônica realmente bate nos amigos, porque é vítima de bullying. Maurício de Sousa realmente tem muitos licenciamentos de produtos da Turma da Mônica, mas isso é reflexo do sucesso dos personagens. Magali é compulsiva, Cascão é avesso à higiene. Contudo, até esses estereótipos são úteis para ensinar. Existem vários exemplos de respeito às diferenças e exercício da cidadania. Fora que as histórias, tão brasileiras, são garantia de diversão.

Sobre as princesas Disney, elas são mais que o somatório das duas versões, a misógina e a cor de rosa.

A pergunta que surge é: por que essas e outras produções midiáticas fazem tanto sucesso entre as crianças, geração após geração? Muito, muito além de questões como consumismo e alienação, elas fazem sucesso porque contêm uma fortíssima carga simbólica. Porque trazem arquétipos e outros aspectos universais. Não necessariamente são exemplos a ser imitados.

Todos esses personagens e suas histórias estão abertos a infinitas interpretações. E continuarão a produzir sentidos no futuro.

Como diz Eni Orlandi, em Análise do Discurso, “sujeito e sentido se constituem ao mesmo tempo” (Discurso em Análise. Editora Pontes, 2012). Isso significa que, ao ter contato com determinado discurso, a pessoa que interpreta e a interpretação são indissociáveis. Além disso, autora afirma que “o sentido não se fecha, assim como o sujeito também é itinerante”. O mesmo discurso, portanto, é passível de inúmeras análises, até pelo mesmo sujeito.

E assim dão margem a muitas releituras:

princesas Disney vestidas como as vilãs

Como vilãs

Princesas Disney fazendo careta

Fazendo careta

Princesas Disney acima do peso

Inspiradas nos quadros de Fernando Botero

Ariel, Branca de Neve, Bela e Cinderela de óculos

Mulheres de óculos

Princesas Disney sem cabelo

Apoio na luta contra o câncer

Branca de Neve com bebês e marido descansando

Quem sabe o príncipe virou um sapo…

Quadrinho com princesas Disney falando dos maridos

Princesas na versão Desperate Housewives

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Princesa Merida com arco e flecha

Merida, uma princesa Disney que não se casa no final

O que fazer diante de Nemo, Mônica, princesas e todos os outros produtos infantis de entretenimento? São muitas as opções:

  1. Evitar que a criança tenha acesso a eles, para protegê-la;
  2. Esperar que a criança tenha maturidade antes de ter acesso a esses produtos;
  3. Deixar a criança escolher o que quer ver e confiar que ela saberá a diferença entre ficção e realidade;
  4. Mostrar os produtos à criança, até para que ela conheça o “lado sombrio da Força” e saiba se defender;
  5. Explicar à criança os prós e os contras;
  6. Deixar que a criança apresente sua própria interpretação sobre os produtos;
  7. Outras.

E aí? Qual é a opção correta?

Ora, essa também não é uma questão de certo ou errado. Cada família deve optar por aquilo que faz SENTIDO para ela, em razão de suas possibilidades e suas crenças. E nem sempre o que é verdade para uma, o é para outra.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 2: o que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: por que nos identificamos e espelhamos nelas?

A doação de brinquedos ou Síndrome de Toy Story

Toy Story é um fenômeno. A história é cativante, inteligente, a animação é primorosa. Mas penso que há outro aspecto que explique seu sucesso: a identificação do público com os personagens. Quem nunca imaginou que seus brinquedos tivessem realmente vida própria?

andy and woody
brinquedos de toy story na caixa

Eu, por exemplo, tinha 16 bonecas. Aos 9 anos, me apaixonei por uma que ganhei de Natal, a Dindin. Ao mesmo tempo, olhava para as outras 15, na prateleira… Tadinhas! Em brincadeira pode tudo, mas ser mãe de 16 definitivamente não estava em meus planos. Então resolvi abrir um “orfanato”. Era ótimo, porque eram horas e horas brincando, pra dar conta de lavar tantos pratinhos e roupinhas, dar banho em todas e colocar para dormir.

boneca Dindin, da estrela

Dindin

O problema é que até hoje eu tenho síndrome de Toy Story. Não posso dizer que os brinquedos têm vida (ninguém me provou o contrário rsrs!), mas com certeza eles têm história. Estão impregnados dos significados que damos a eles.

Todos os anos, fazemos uma triagem enorme aqui em casa. Separamos o que não serve mais, o que segue para doação e o que é para o lixo. Com roupa não há problema. O problema são os brinquedos. O “estado” dos ditos cujos não é o critério, afinal os mais velhinhos tendem a ser os mais “brincados”. Idem os brinquedos de sucata, afinal, qual merece ficar: um brinquedo lindo industrializado ou um todo amarfanhado mas feito por eles?

pesadelo do Woody

Meus filhos estão acostumados e ajudam em tudo, separam os que não querem mais. Mas aí eu começo: “Ooooooh, o cachorrinho que foi presente da sua vó… tem certeza?….”

Pois no fim do ano passado, com a Campanha Natal sem Fome do Comitê de Ação e Cidadania (o do Betinho), lá vai Marusia e sua sacola com vários bichinhos de pano. Meu caçula chegando aos 5, ninguém mais brincava com os bichinhos. Entre eles, estava uma tartaruga de plush que eu havia comprado para meu filho mais velho, quando estava grávida de 2 meses. Foi o primeiro brinquedo que eu comprei pra ele. Bastou eu olhar para a tartaruga e pronto. Disfarcei pra ninguém me ver chorando ao depositá-la na caixa de coleta.

woody dando tchau

Mais tarde, entendi que meu choro não foi apego ao bichinho, mas saudade de quando meu filho era bebê, saudade de quando ele estava na minha barriga… E, no final, a mesma síndrome de Toy Story que me fez chorar foi o que me salvou, ao pensar na criancinha que ia receber a tartaruga de Natal…

Bonnie abraçando Woody

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Veja também:

A brincadeira mais gostosa do mundo

Lembranças de infância

Quando eu era criança, achava que…

Onde está meu bebê?

Radicalismo: a que custo?

Este post está lá no Minha Mãe que Disse:

Radicalismo: a que custo?

Não raro, vejo na internet textos bem intencionados que, pela forma com que são escritos, acabam atraindo resultados opostos ao que almejavam.

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Veja também:

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Perigo de ser mãe perfeita 5: Vá pela sombra

Decálogo dos meus desafios

Você está esperando seu filho há muito mais de 9 meses – Marusia fala

Quem vai ficar com as crianças? Análise

Li um texto de Rosely Sayão sobre o que fazer quando as crianças entram em férias escolares, ampliando o escopo para o que significa ter filhos. O artigo por si só já chama a atenção, mas os comentários dão novas matizes à discussão. Assim, optei por desdobrar a análise do texto em dois estágios:

  1. Análise do artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?” e os comentários feitos pela internet – neste post;
  2. Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos.

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  1. O artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?”

Leia o artigo e os comentários:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1195154-quem-vai-ficar-com-as-criancas.shtml

Análise

Em Análise do Discurso, não se busca o que está “por trás” do texto. A mensagem fala por si só. Assim, a segunda coluna evidencia, em outras palavras, o que já está presente no artigo, sem fazer juízo de valor.

Pontos principais do texto Análise
Uma mãe se magoou porque teve que ficar com o filho e não pôde ir a um cruzeiro sozinha. A mãe efetivamente ficou com o filho e não viajou, cumprindo com “suas obrigações”. Ela se magoou, mas não deveria se sentir assim. Afinal, “Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais.” Deste trecho, depreende-se: filhos são sempre fruto de desejo.
Ir para a escola quando a maioria dos colegas não está não deve ser agradável. As crianças sabem o significado de férias. Ninguém gostaria de passar férias em seu local de trabalho. Crianças também precisam de férias.
Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Ter filhos implica sacrifícios, ainda que por um tempo.
É recente essa ânsia dos adultos de criar programação para os filhos. Eles mesmos podem fazer isso, mas só se tiverem tempo para o ócio. Crianças são superestimuladas no decorrer de todo o ano, e os pais devem garantir seu descanso.
Por que muitos pais tratam as férias dos filhos como um problema? Talvez seja difícil conviver com eles por períodos maiores do que os pais estão acostumados. O convívio com os filhos é algo difícil. Se fosse natural e bom, os pais não precisariam se habituar para darem conta.
É um problema quando queremos viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los, e quando nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora. Ter filhos muda a vida dos pais para uma vida “obrigada” e pior em comparação com a vida de antes.
Por que temos filhos? A resposta já foi dada no texto: “Ter filhos significa acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer.” Denota um movimento sempre na direção dos pais para filhos, sem abordar nenhum tipo de contrapartida.

Os comentários ao texto de Rosely

Até o dia 8/1/2013, foram feitos 27 comentários pela web. Participaram 11 homens e 9 mulheres (em certos casos, houve mais de um comentário por pessoa – todos de homens). A maioria (13) concordou com o texto.

Argumentos de quem concordou Análise dos comentários
Ter filhos não é para qualquer um. Ter filhos é uma empreitada complexa, que requer preparação.
As pessoas querem ter filhos e continuar com a vida de solteiro. Isso reflete a imaturidade, o egoísmo e a infantilidade desses pais. A vida de solteiro é imatura, egoísta e infantil, o oposto da vida que devem ter os pais.
Hoje todo mundo quer apenas olhar para os direitos, se esquecendo dos deveres. “Filhos” estão no rol de “deveres”.
Ninguém deve pôr filhos no mundo pra dar trabalho pros outros. Filhos dão trabalho. E quem deve assumir esse trabalho são os pais.
Filhos são pessoas, não bonecos. Filhos nem sempre correspondem às expectativas dos pais.
Os pais abdicam por um período de algumas coisas, como seus próprios pais também fizeram. Dar continuidade ao processo de criar filhos equivale a oferecer um tributo à atitude dos próprios pais. E se os próprios pais foram irresponsáveis? Além disso, se for uma questão de retribuição, não é mais lógico fazê-la com os próprios pais em vez dos filhos?
Em vez de reclamar, eles deveriam aproveitar melhor o tempo, pois em breve as crianças serão adultas. Este é um paradoxo. Se o convívio é bom e deve ser aproveitado enquanto os filhos são crianças, não haveria motivo para reclamar.
A criança não pediu para nascer. Se foi um “um acidente”, é necessário “pagar” o preço pelo “acidente”. Ao contrário do texto, aponta-se a possibilidade de um filho não planejado. Mesmo esse “acidente” deve ser assumido.
A criança enxerga a escola como um depósito. Crianças também precisam de férias.
Por causa da falta do convívio familiar, a criança não vai respeitar os pais, pois são estranhos. Os pais perdem o controle, e os professores também. As consequências de não cumprir a obrigação de pais são funestas e vão além do ambiente familiar.
Filho em casa deve ser uma alegria e não um estorvo. Pela primeira vez, alguém não classifica o convívio com os filhos como algo penoso, dando uma pista de que as férias com eles podem, sim, ser prazerosas.
Caso os pais tratem seus filhos como estorvo, logo aparecerá alguém oferecendo alternativas sedutoras que supostamente preenchem esse vazio, como as drogas. O convívio com os filhos é um sacrifício, mas evita sacrifícios ainda maiores depois que eles crescem.

Houve quem concordasse com Rosely e criticasse quem foi contra:

“A verdade incomoda aqueles que já se sentem culpados, mas tentam esconder até de si mesmos e adoram rebater com jargões do tipo ‘não sou menos mãe porque quero ir pro cruzeiro sozinha’ “.

As justificativas de quem não concordou foram:

Argumentos de quem discordou Análise dos comentários
As mulheres trabalham e têm somente 30 dias de férias por ano, enquanto as crianças têm no mínimo 60 dias. Em pelo menos metade das férias as crianças não poderão ficar com os pais que trabalham. A insistência nisso força o conceito de incompatibilidade entre trabalhar fora e cuidar dos filhos.
As famílias que não herdaram fortunas precisam trabalhar para criar os filhos e fazer deles pessoas felizes. Filhos demandam investimentos financeiros.
As mães não devem ser julgadas. Elas trabalham por necessidade, e não por hobby. É muito fácil falar quando se pode optar simplesmente por “não trabalhar” para cuidar dos filhos. Nem sempre a mãe pode optar entre trabalhar fora e ficar em casa, principalmente na ausência do pai.
“Não deixaria de trabalhar por causa dos meus filhos, e não deixaria de ter filhos por causa do trabalho.” As mães querem conciliar maternidade e carreira.
A inexistência de estruturas adequadas para as crianças nos 60 ou mais dias de férias é um problema real e não deveria ser apresentada nunca como “pais irresponsáveis que não ligam para os filhos”. A criação dos filhos também é um dever do Estado.
Seria um retrocesso obrigar as mulheres a ficar em casa e serem donas de casa. O texto cita o exemplo de uma mãe, mas não distingue o trabalho dos pais entre os sexos. Entretanto, para maioria dos leitores, é uma obrigação típica das mulheres.
Todos tivemos na criação a presença marcante e fundamental de uma das avós ou tias ou afins. Isso também é terceirizar? Antigamente, havia uma rede de apoio familiar e comunitária, que assumia a criação das crianças como um compromisso coletivo – e não uma obrigação exclusiva dos pais. Tal rede já não se vê na atual classe média.

Houve quem perguntasse à autora: “E você trabalhava ou era professora?” Respostas de internautas nos comentários salientam que os professores têm férias de 60 dias, como as crianças, e que assim poderiam acompanhar seus filhos por conta disso.

Marusia fala

O único lado não ouvido nessa discussão inteira foi justamente o mais interessado: as crianças. O que ELAS preferem fazer nas férias?

Sobre o texto de Rosely, se a motivação foi conscientizar os pais a manterem o convívio com as crianças, digo que não aposto nesse tipo de abordagem. Primeiro, porque os pais que realmente não têm responsabilidade, e não se sensibilizam com seus próprios filhos, não vão se sensibilizar com um texto de internet. Aliás, eles nem sequer leem esse tipo de coisa. E quem é que lê? Os pais (principalmente as mães) que querem melhorar. E o que eles vão conseguir? Apenas a sensação de que nunca vão dar conta.

Segundo, porque critica determinados comportamentos sem oferecer nenhuma sugestão. Além disso, apresenta a convivência com as crianças como algo penoso, como um fluxo infindável de obrigações que deve partir dos pais em direção aos filhos, sem que se obtenha contrapartida de satisfação.

Terceiro, porque esses artigos contribuem para polarizar ainda mais uma discussão absolutamente infrutífera sobre as decisões de ter ou não filhos. Uma decisão que é pessoal, intransferível.

Faço questão de acompanhar meus filhos sempre, mas também me dou o direito de descansar – e de reclamar, principalmente quando eles não cooperam. Não existe coisa mais opressora para uma criança do que ter uma mãe perfeita, nas férias ou não…

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Veja também:

Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Somente a título de exemplo, dois links do Portal Minha Mãe que Disse com dicas de diversão conjunta – pais e filhos – no período de férias:

http://minhamaequedisse.com/2012/12/o-que-fazer-com-as-criancas-nas-ferias-parte-1/

http://minhamaequedisse.com/2012/12/o-que-fazer-com-as-criancas-nas-ferias-parte-2/

Por que temos filhos?

Elisabeth Badinter, no livro “O conflito – A mulher e a mãe” (Editora Record, 2011), cita uma pesquisa realizada em 2009 pela revista Philosophie Magazine, com as justificativas de homens e mulheres para terem filhos:

  • Um filho torna a vida mais bonita e alegre;
  • Permite à família perdurar, transmitir seus valores, sua história;
  • Um filho dá amor e faz com que sejamos menos sós na velhice;
  • Damos a vida de presente a alguém;
  • Torna mais intensa e sólida a relação do casal;
  • Ajuda a tornar adulto, a assumir responsabilidades;
  • Permite deixar parte de si na Terra depois da morte;
  • O filho pode fazer o que não pudemos fazer;
  • É uma nova experiência;
  • Para satisfazer o parceiro;
  • Uma escolha religiosa ou ética;
  • Não houve motivo, foi um acidente.

Filhos: ter ou não ter?

O blog de Ruth Aquino (Mulher 7 por 7) trouxe o depoimento de Mateus Carrilho de Almeida: “Não queremos ter filhos. Por que não nos respeitam?”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/26/nao-queremos-ter-filhos-por-que-nao-nos-respeitam/

Abaixo, estão trechos do texto:

Filho não fará falta na minha vida. Não farei algo só porque os outros fazem.

Adotar cumpre a mesma função, acrescido de uma responsabilidade social.

Não tenho o mínimo interesse em abrir mão da minha vida. Eu quero viajar com minha esposa, curtir  ir a show de rock, balé, teatro, ver filme adulto, namorar. Somos colorados, vamos nos jogos. Juntinhos. Poderíamos com bebês? E pior, imagina se eu tenho um filho gremista (rsrsrs)?

Dizem que não teremos quem cuide de nós na velhice. Essas mesmas pessoas não cuidam dos seus pais na velhice. O que lhes garante que seus filhos não farão o mesmo?

E na adolescência, quando te dizem a célebre frase “não pedi pra nascer”? Eu não quero me arrebentar pra dar educação, ensino, abrir mão de um monte de coisa pra ter que ouvir isso depois quando eu não deixar um filho fazer um troço que só irá lhe prejudicar.

Vejo os problemas que conhecidos meus têm com seus filhos. Meninas têm dado mais problemas que os meninos.

Pegamos há pouco um filhote de guaipeca, vira-lata. Agora eu tenho certeza que filho é mesmo para os outros.

Já existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Estou já cheio das cobranças, como se só existisse uma maneira de ser feliz e comprometido nessa vida.

Análise

Até o dia 8/1/2013, este texto recebeu 180 comentários, de 149 pessoas (houve quem comentasse mais de uma vez). Dos que se identificaram, foram 31 homens (28%) e 111 mulheres (78%). Ressalte-se que a coluna Mulher 7 por 7 é voltada ao público feminino.

A opinião dos homens ficou equilibrada: 41% discordaram do texto, enquanto 58% demonstraram concordância.

Entre as mulheres, a diferença foi bem maior. Apenas 27% foram contra, e 60% a favor do texto de Mateus. O restante ficou neutro ou respeitou, apesar de pensar diferente.

No cômputo geral, 33% foram contra, e 57% manifestaram apoio à decisão de não ter filhos.

O mais interessante é observar a reação das pessoas que comentaram. Alguns foram tão radicalmente contra, com comentários por vezes ácidos, que ensejaram a resposta da colunista, Ruth Aquino, do Mateus, da esposa dele, Denise, e até da própria mãe do Mateus, Lucy.

Os que concordam com Mateus

Para o grupo que concorda com o texto, os casais que optam por não ter filhos são criticados e pressionados por pessoas com as seguintes características (expressões retiradas dos comentários): hipócritas, egoístas, irresponsáveis, fundamentalistas, intrometidos e imbecis de uma sociedade julgadora, cujo patrulhamento conservador quer a estandartização dos comportamentos humanos.

Segundo os que concordam com Mateus, filho não é a melhor coisa do mundo. Não tê-los é melhor que terceirizar para babás e creches tomarem conta, melhor que abandonar nas lixeiras, espancar. E a mesma sociedade que cobra filhos é responsável por crianças mimadas, adolescentes rebeldes, pais manipuláveis pelos filhos.

Outros argumentos:

  • “É por pensar demais se meu filho será feliz que não o tenho”.
  • Melhor que ser maria-vai-com-as-outras, ter filho só por causa da cobrança da sociedade. “Quem tem filho e vive dizendo que é uma maravilha é como aquela pessoa que pulou numa piscina fria num dia de inverno e fica te chamando, dizendo que tá gostoso”. Ter filhos é uma coisa muito séria, tem que parar para pensar, o que muita gente não faz.
  • Narcisista é quem precisa de um “mini mim” pra “ser feliz”. Se a felicidade não está em nós, não é em esposas, maridos e em filhos que vamos achá-la.
  • Muitos usam os filhos como desculpas pra não fazer nada. “Não posso, não dá, meu filho e coisa e tal”.
  • Nem todos os filhos são umas gracinhas, vide o caso Ricthofen e tantos outros que matam para ficar com herança, abandonando em em asilos, na rua… se a mãe de Suzane Von Richtofen tivesse pensado como o Mateus, pelo menos ainda “estaria entre nós”.
  • Filho JAMAIS será garantia de apoio e amor incondicional na velhice.
  • Casamento não é contrato de procriação!
  • A decisão afeta EXCLUSIVAMENTE a quem não quer ter filhos!
  • A humanidade não vai acabar por causa disso. Viva o controle de natalidade. “A superpopulação é um dos reais fatores que podem levar à extinção da humanidade. Mesmo quem deseje filho, deve limitá-los. Todas as demais campanhas como economizar água, racionar isso, racionar aquilo, somente são paliativos a curto prazo. Maternidade responsável, onde se inclui a ausência de maternidade, é a única salvação!!!”
  • Melhor coisa do mundo é ser tia.
  • Mulher grávida é horrorosa.
  • É melhor adotar as crianças que ninguém deseja, como crianças maiores e até mesmo adolescentes que estão precisando de uma família.
  • Quem abriu mão de sua liberdade para procriar sabe que não pode recuar e fica uma pessoa amarga.

 

Por fim, um contundente depoimento de uma filha indesejada:

Ana28/03/2012 | 3:44

Bom…parece que estão todos a discutir motivos de ter X motivos de não ter. Sabem de uma coisa? Esses motivos não importam. Vou dar meu depoimento de filha que nasceu indesejada. E pessoas como eu existem aos montes, mas grande parte das pessoas (principalmente do time pater-/maternidade-a-qualquer-custo) acham que ignorando o problema e contando sobre o mito do amor materno o problema desaparece. Minha mãe nunca me deixou faltar nada, materialmente falando. Sempre tive roupa, comida, estudo e médico. Mas eu carrego até hoje as frustracões dela, ela me culpa e me cobra a vida que ela não teve pra me criar. Me culpa e me cobra cada centavo que gastou comigo. Sempre desmerece o que eu faço, me humilha sempre que tem oportunidade, nunca festejou uma vitória minha, mas sempre engrandeceu minhas derrotas. Sempre disse que o maior erro da vida dela foi ter filhos e se pudesse voltar atrás jamais nos teria. Tive uma colega na faculdade que passava por algo ainda pior – a mãe dela tentou abortá-la e não conseguiu – passou a vida inteira falando pra filha o quanto se ressente de não ter conseguido abortá-la!!! Alguém aqui tem noção do que é ser rejeitado pela própria mãe? Aqui alguém tem noção das marcas que eu carrego e tantos outros carregam por isso? Hoje estou numa luta para fazer meu plano de saúde pagar o meu psiquiatra – desenvolvi distúrbios de atenção e às vezes machuco a mim mesma. Eu tenho um pedido a fazer – nao critiquem quem não quer ter filhos. Não os chamem de monstros egoístas e qualquer outro adjetivo. Sei que há pais que amam profundamente seus filhos – mas não são todos! Os motivos de não querê-los não importam – o importante que essa decisão JAMAIS vai machucar alguém. Mas ter filhos indesejados – essa decisão, sim, pode ser catastrófica para os envolvidos!!!

Os que discordam de Mateus

Para o grupo de discorda do texto de Mateus, as pessoas que não querem filhos são (expressões retiradas dos comentários): despreparadas, cruéis, insanos, infantis, sem atitude, sem amor, sem nada, desnaturadas, imaturas, fracotes, egoístas, extremamente individualistas, indiferentes a tudo e a todos, a não ser suas carreiras e suas posses. Fazem parte de uma sociedade do espetáculo, adultocêntrica, do prazer imediato. Tiveram problemas na criação, deveriam ser sido abortados pelos próprios pais, e é até melhor que não tenham filhos, porque  SER MÃE É ALGO ESPECIAL, SOMENTE PARA PESSOAS RESPONSÁVEIS, VERDADEIRAS, BATALHADORAS, HUMANAS E AMOROSAS…

Outros argumentos:

  • “Daqui a pouco vão chamar eles de heróis. Hérois são os pais que trabalham duro, e ainda dão amor, têm que pagar escola, universidade, dividem tudo.”
  • E mais infantilidade ainda ficar dizendo que não quer seguir os conceitos da sociedade, mas fica pondo a culpa na sociedade, achando que quem tem filhos os teve por imposição social.
  • “Se não gosta da sociedade, caro amigo sem filhos, crie uma nova. Mas adotar pets não vai te fazer uma pessoa melhor.”
  • Vão se arrepender mais tarde e fazer tratamento para engravidar.
  • Muita justificativa denota indecisão, o discurso não convence, há problemas em aceitar a própria decisão. Para se expor assim, o casal não respeita nem a si mesmo. Devem parar de se fazer de vítimas. Reclamões, só ficam dando desculpas.
  • Casamento não é sinônimo de felicidade.
  • “Viemos ao mundo para reproduzir, isso é da nossa natureza, escolher o contrário é ir contra um fato natural.”
  • “Se mata, amigo, vai ter menos uma pessoa, e suas preocupações estarão resolvidas.”
  • Só focam o lado negativo de ter filhos. “Não respeito casais que acham que estão certíssimos em ñ terem filhos se eles acham que os outros são idiotas em tê-los.”
  • Filhos crescem tão rápido que logo os pais poderão viajar, ir a shows, peças de teatro, etc
  • Filhos adotados também precisam de cuidados. “Vc não abriria mão da sua vida para criar do mesmo jeito????”

Por fim, o relato de uma mulher que ama ser mãe e não condena aqueles que optam por não ter filhos:

“[...] Sua explicação pra não querer procriar é típica de quem não tem filho. Nasce com filho um altruísmo que supera vc querer ir ao jogo de futebol ou balé, Mateus. Não vou explicar muito porque vc não entenderia. E nem precisa. Já decidiu e a decisão é o que conta. Só cuidado para não desmerecer a vontade daqueles que querem ter filhos. Não faço o jogo oposto, usando as mesmas armas. A pressão. As explicações bobas. E, mais do que tudo, comece a selecionar melhor seus amigos.”

Os childfree

Mais e mais mulheres optam por não serem mães. Não é por acaso que governos investem em políticas de incentivo à natalidade, principalmente naqueles países que se concebe comumente como “desenvolvidos”: quem vai pagar a conta de uma população que envelhece?

Existe até um termo para definir as pessoas que não desejam filhos: childfree (“livre de crianças”, em tradução sem compromisso). Há comunidades Childfree em diversos países do mundo. No site do grupo brasileiro, entre as diversas razões que balizam sua escolha, estão:

http://www.semfilhos.org/trocentos-motivos-para-nao-ter-filhos/

  1. O parto é uma tortura;
  2. Não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhas brigando;
  3. Crianças custam caro;
  4. Você vai passar noites acordada e não será na balada e sim ouvindo choro;
  5. O filho é a despedida dos seus sonhos de juventude;
  6. Ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher;
  7. Quando o filho aparece, o pai desaparece;
  8. Você não tem tempo para os amigos;
  9. Sua pele fica feia com estrias, varizes, celulites e gordura localizada;
  10. Tem crianças demais na Terra.
  11. Filhos dão muito trabalho
  12. A gravidez deixa a mulher chata
  13. Filhos são uma obrigação eterna
  14. Desnecessário para perpetuação da espécie (já são 8 bilhões de seres humanos no mundo)
  15. Crianças são capazes de colocar os pais em situação de vexames na rua
  16. Filhos são como alto-falante de pedir coisas.
  17. O filho é um ser humano como outro ser qualquer então dele se pode esperar de tudo, inclusive fazer mal aos pais
  18. Filhos tomam tempo, algo cada vez mais escasso
  19. É frustrante ficar corrigindo seu filho todo tempo.
  20. Com filhos, liberdade limitada
  21. Criança boa só tem duas: aquela que já fomos e a dos outros.
  22. Colocar alguém no mundo só pra ele cuidar de você na velhice, e atender seus projetos pessoais é egoísta e mesquinho.
  23. Se vc for procurar uma casa de aluguel e outra pessoa também, se você tiver filhos, difícil conseguir!
  24. Filhos dão muita dor de cabeça, e exigem muita paciência além gasto físico e mental.
  25. Se divorciar e tentar uma vida nova com alguém, fica muito difícil por está ligada à outra pessoa por causa dos filhos e dessa nova pessoa vai aceitar você com seus filhos.
  26. Quando for viajar terá que levar os filhos e todos os ônus que trazem consigo, ou deixá-las com seus pais (ou com sua sogra!).
  27. Ter filhos é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: – Pula que a água tá boa.
  28. Chegada dos filhos atrapalha vida sexual do casal.
  29. Você pode ser uma péssima mãe ou um péssimo pai.
  30. Criar filhos é igual criar cachorro: depois que cresce perde a graça.
  31. Filhos só sabem limpar a bunda após os 4 anos. São 4 anos ouvindo Acabeeeeiiiiii
  32. Se você for homem e se divorciar, cada filho seu vai levar no mínimo 10% do seu salário, isso se a mãe não tiver bem orientada por um bom advogado!
  33. Ser pai ou mãe é o trabalho mais difícil do mundo, e pior que não existe aposentadoria!
  34. A gravidez deixa a mulher horrorível e traz uma série de complicações de saúde.
  35. Meio milhão de mães morrem durante o parto todos os anos.
  36. Seu filho pode nascer hiperativo (já pensou que inferno?).

Conclusão

Que pai e que mãe, ao ler a lista dos childfree (ainda que se repita em diversos pontos), não fica com a língua coçando para gritar? “Espera aí! Não é bem assim! Vocês só estão focando o lado pesado, e de forma exagerada!”

Que pai e que mãe não ficaria inclinado a enumerar outra lista, somente com as benesses de ter filhos?

Abrindo o leque: por que a discussão em torno da escolha entre ter ou não ter filhos é tão inflamada? Por que as pessoas se ofendem e chegam ao ponto de se xingarem?

O que está em jogo no artigo de Rosely Sayão, na pesquisa citada por Elisabeth Badinter, no texto de Mateus de Almeida, nos comentários?

  • O eterno binômio da natureza humana: obrigação x prazer;
  • Os apelos de uma sociedade cada vez mais individualista;
  • A polêmica em torno do aborto;
  • O aumento da violência no mundo;
  • A questão da adoção;
  • As diferentes relações de trabalho entre homens e mulheres;
  • O papel do Estado e da comunidade em relação às crianças;
  • A pressão real da sociedade para que as pessoas tenham filhos, que surge até para quem tem filho único;
  • A promessa para a mulher, como se somente depois de virar mãe ela seria realizada;
  • O trabalho intenso e a responsabilidade que envolve a criação dos filhos;
  • A velha conhecida que fazem questão de imputar às mães: a culpa.

Toda vez em que há um esforço para defender determinado ponto de vista, aparecem alguns problemas: a radicalização e a generalização.

Não adianta querer colocar todas as pessoas no mesmo balaio. Se formos subdividindo, teríamos um grupo com os que não querem ter filhos. Desses, há os que não querem agora, os que querem adotar, os que não querem de jeito nenhum. Há os convictos e os que se arrependem.

No outro grupo, há os que querem ter filhos. Desses, há quem esteja preparado e quem não esteja. Dos que não estão preparados, há os que aprendem e os que não aprendem. Dos que estão preparados, os que se desapontam com expectativas. Os que estão realizados, mas enfrentam situações de estresse, afinal são todos humanos: filhos e pais.

Pessoas sonham, se frustram. Erram. Mudam de opinião. Crescem.

Marusia fala

Sempre quis ter filhos, por uma série de motivos. O principal era querer transmitir a eles o que eu havia aprendido. É óbvio que eu não pensei: “quero filhos porque eles dão trabalho, é preciso dinheiro, vou ficar acordada muitas noites, vou ter que repetir a mesma coisa mil vezes, vou renunciar a isso ou àquilo.” Eu estava consciente disso e disposta a enfrentar tudo em prol de outros desejos. Mas eu tinha uma ideia muito diferente do que era ser mãe. Na minha cabeça, planejamento e informação seriam suficientes para manter tudo sob meu controle.

Quanta ilusão…  com crianças, nada segue um roteiro predeterminado, nada está sob nosso controle. Nunca havia me deparado com situações que exigissem tanta humildade, além de desapego, força, calma, discernimento, superação. Já até reconfigurei meu motivo original: muito mais que transmitir o que eu aprendi, eu é que tenho que ser ensinada…

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Veja também:

“Quem vai ficar com as crianças?” – Análise

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2012

Os posts de retrospectiva são interessantes porque traçam um panorama do ano em uma única publicação. Este é o terceiro, então é possível ver todo o conteúdo do blog em três posts. Agora, percebi que não trazem apenas a síntese da produção como blogueira: eles são o espelho do meu ano em todos os aspectos.

Por exemplo: observei que este ano foram escritos 20 posts, o que denota atividade intensa extra blog. Como o tempo estava preenchido por muito mais compromissos, os assuntos foram escolhidos com cuidado, somente aquilo a que realmente valia a pena dedicar (cada título em maiúsculas é um link).

Os temas também refletem um ano nostálgico: voltei à infância, ao contato com a NATUREZA (e a redescoberta da minha própria natureza interior). Falei do meu pai e o que ele desejou para meu futuro no LIVRO DO BEBÊ. Lembrei minha querida VOVÓ, que neste ano realizou a Grande Viagem.

O passado revisitado não traz tristeza, mas consciência ainda maior do presente, de estar atento a cada pequeno instante como um TESOURO. Na alegria que não encontra limites para se expressar e que traz o toque ANGÉLICO aos nossos dias. Se a gente não se entrega ao agora e ao ESTAR JUNTO, depois não consegue entender: ONDE ESTÁ MEU BEBÊ?

Houve ainda os posts engraçados, com as tiradas impagáveis das crianças, ESTRATEGISTAS NATAS, capazes das CONEXÕES de FANTASIA mais imprevistas. Que nos permitem rir de nós mesmos, de confessar o INCONFESSÁVEL. De fazer graça até com MENSTRUAÇÃO.

Foram dois compilados de dicas, para as GRAVIDINHAS e sobre COMO FAZER A CRIANÇA DORMIR A NOITE INTEIRA, todas as noites. E a citação de uma série de 2011, para lidar com as BIRRAS.

Um post foi publicado no Portal Minha Mãe que Disse, ponderando sobre o que se perde na COMPETIÇÃO materna. E outro, por aqui mesmo, mostrando quem é o verdadeiro INIMIGO DA MÃE.

Foi feita uma reflexão profunda sobre o EQUILÍBRIO imprescindível na arte de criar os filhos – para mim, o post que mais me exigiu para escrever (e que me exige diariamente para tentar cumprir…)

Há um ano, escrevi uma CARTA A MEUS FILHOS, com tudo o que eu esperava para 2012. Hoje, vejo que foi um ano de muito aprendizado. Quero reafirmar todos os compromissos, para que também 2013 seja um ano bom.

É o que te desejo, também!

Linda música, linda letra, lindo clip!
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Veja também:

Mãe Perfeita - Retrospectiva 2011

Mãe Perfeita - Retrospectiva 2010

Caminhos

Ryotiras

Ryotiras

Recentemente, escrevi sobre o Meio Termo de Ouro, ou o Caminho do Meio. Na pesquisa, havia encontrado a tirinha acima. Acabei ilustrando o post com fotos, mas a deixei guardada. Hoje, abri os arquivos e me deparei com o bonequinho andando pela grama. Mantendo de lado a metáfora de criar nossos próprios caminhos alternativos, me perguntei: quando foi a última vez que andei na grama?

De sapatos não vale. De salto, então, nem se fala, porque ele teima em se enterrar, uma lambreca só. Estou falando de andar descalça (e sem me importar com a lambreca). Eu, que jogava bolinha de gude, descia o barranco em caixa de papelão, subia em árvore, guiava de propósito a bicicleta para as poças de lama, me transformei na Miss Fresca. Por si só já seria uma perda individual; o problema é estender a frescura para meus filhos. Já deixei que andassem descalços, mas com o Baby Wipes na bolsa para limpar depois…

Deve ser por isso que adoro praia. Deve ser o único lugar do universo em que sento e deito na areia, que mexo com lama. Deve ser porque, depois de seca, a areia desprende.

Dia desses vi um vídeo sobre Aelita Andre, uma menina de 5 anos, um talento precoce, considerada um fenômeno em galerias de arte. O pai montou na garagem um ateliê para que ela tivesse liberdade de criação. Bom, moro em apartamento, mas, mesmo se eu tivesse uma garagem, pensaria duas vezes antes de permitir tamanha lambreca. Junte-se a isso meu drama com o desperdício (veja como ela derrama as latas de tinta!) e talvez não despertasse essa pequenina gênia no mundo… o_O

Também vi uma plaquinha dessas de boas-vindas, que dizia: “Perdoe a bagunça. Aqui as crianças estão criando memórias”. Assim, não tenho impedido meus filhos de fazer cabana de lençol, encher a janela de adesivos, ampliar os territórios dos brinquedos para a casa toda. Mas, por que, na hora que eles mexem com guache, ainda faço questão de forrar o chão com jornal? Por que deixo, mas fico agoniada quando eles não limpam o pincel antes de mergulhá-lo em outro pote de tinta? Por que deixo, mas temo que sujem a roupa?

Semana passada, estávamos na aula de natação (sim, fazemos eu e os três no mesmo horário, para otimizar) e de repente o solzão deu lugar ao maior pé d’água. Se é chuva sem relâmpago, os professores não interrompem a aula. Acho que foi a primeira vez, em décadas, que peguei chuva. Já tinha me esquecido de como é bom… O curioso é que também deve ter sido a primeira vez que o caçula (de 4), e quiçá os outros dois, tinham a experiência de ficar embaixo na chuva por um tempo tão comprido (e não correndo dela).

Ainda falta 1 mês, mas uma das resoluções de Ano Novo será: pegar o caminho da grama. De preferência, com chuva.

Chorei rios com esse anúncio…

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Veja também:

Só as mães são felizes – Marusia fala

Quero ser criança quando eu crescer

O anjo na areia

O Meio Termo de Ouro para Pais e Mães

This post in English: Paths

Quando eu era criança, achava que…

… quando diziam que um patrimônio seria tombado, ele seria demolido;

… o Ministério da Fazenda cuidava das fazendas do Brasil;

Fazenda

Pintor: Túlio Dias

… caderneta de poupança era um escaninho gigante, e o banco colocava um dinheirinho a mais em todas as caixas, todo mês. Quase morri quando meu irmão me disse que o banco “usava” nosso dinheiro;

escaninho numerado

… quando diziam que “Deus é brasileiro”, era porque Jesus tinha nascido em Belém… do Pará;

Belém do Pará

…Disney tinha inventado as histórias de Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela e Pinóquio;

Cartaz antigo de Branca de Neve

… Mauricio de Sousa desenhava sozinho todas as histórias de todas as revistas da Turma da Mônica;

Tira Turma da Mônica

… o Pablo, do programa de Silvio Santos “Qual é a Música”, imitava a voz de todos os cantores e cantoras;

Pablo, do programa “Qual é a Música?”

Dublador Pablo

… o nome do Silvio Santos era Silvio Santos;

Silvio Santos

… “José” e o apelido “Zé” deveriam ser escritos com Z, ora bolas, e não um com S e outro com Z!

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Veja também:

Lembranças de infância

Cheiro de infância

A brincadeira mais gostosa do mundo

Tesouros

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Aristóteles nos fala do “meio termo de ouro”. Devemos ser corajosos, nem mais nem menos: coragem de menos é covardia; coragem de mais é audácia. Devemos ser generosos, nem mais nem menos: generosidade de menos é avareza; generosidade de mais é extravagância.

Pitágoras também diz:

“Ousar pouco é não ir além, ousar demais é utopia.”

“Prudência de mais é timidez, de menos é irresponsabilidade.”

Com os filhos, nos deparamos com uma série de situações em que o limiar entre a falta e o excesso nem sempre é claro. Assim, segue uma lista de reflexões (nada fáceis) sobre equilíbrio.

O “Meio Termo de Ouro” para Pais e Mães

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Incentivo de menos é descaso; incentivo de mais é bajulação.

Incentivo de menos é descaso; incentivo demais é bajulação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Amor de menos é vazio; amor de mais… é mais amor.

Amor de menos é vazio; amor de mais é mais amor.

Diferentemente dos anteriores, não há limites para o amor. Amor nunca é demais. Quanto maior for o amor, maior também será nossa chance de permanecermos protetores, incentivadores, criativos, confiantes, sensíveis, interessados, satisfeitos, responsáveis, dedicados, orientadores, prestativos, determinados, compromissados, tolerantes, organizados, pacientes e formadores.

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Veja também:

Decálogo dos meus desafios

Carta a meus filhos

Mãe é envelope

Para Vovó

Vovó, eu me lembro de quando ia passar férias na sua casa amarela. De “dormir de valete” com meu irmão. Do canto do galo de manhã.

De como você cozinhava bem. Tudo o que você fazia era delicioso, do sarapatel ao mais singelo ovo frito.

Lembro do “queijo de Conquista”, dos biscoitinhos redondos de polvilho.

Cresci ouvindo minha mãe te chamar de “minha sogra”, repetindo as coisas engraçadas que você dizia – “Boa romaria faz quem em sua casa fica em paz”, “amarra-se o burro na orelha do dono”, “quem puxa aos seus não degenera”.

Eu não conseguia compreender como você, sendo minha vó paterna, não podia ser avó dos meus primos da família da minha mãe.

Você adorava as novelas do SBT. Tinha uma com um padre que havia sido trocado na maternidade, “A justiça de Deus”, não perdia um capítulo. Fiquei tão fã que até comprei o disco com a música da abertura.

De noite, você sempre lia um livro com mensagens que falavam de Deus, textos espíritas de Divaldo Franco.

Você até tentou me ensinar croché. Habilidosíssima, lembro de um xale amarelo de lã com franjas que eu amava, uma saia. E um lindo centro de mesa no dia do meu casamento.

Lembro dos cafunés.

Com 89 anos, você teve um AVC. Fui a Salvador visitá-la na UTI e lhe disse que estaria de volta em outubro, no seu aniversário de 90 anos, levando os três bisnetinhos, incluindo o caçula que ainda era um bebê. Nós duas cumprimos a promessa e comemoramos juntas.

Mas, depois disso, você foi ficando cada vez mais frágil. Já não conseguia mais falar contigo ao telefone.

Lembro, vovó, dos cartões lindos de aniversário que você me mandava quando eu era criança. Diziam, com letra caprichada – “colheste mais uma rosa no jardim da tua existência”.

Mês que vem, vovó, os anjos lhe entregarão pessoalmente sua nonagésima quarta rosa.

O maior inimigo da mãe

 “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” – Análise

Sam publicou em seu blog um post intitulado “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” Uma pergunta forte assim sempre provoca respostas igualmente tensas. Mas creio que o grande problema desse tipo de discussão é a polarização, com acusação mútua entre os extremos, e a ausência de soluções.

Vamos começar do começo: “o maior inimigo da mulher que trabalha fora”. Isso já parte do princípio que a mulher que trabalha fora tem inimigos. Vários, a ponto de se questionar qual o maior deles. Isso é verdadeiro. De modo geral, a mulher tem que enfrentar vários inimigos – tanto a que fica em casa quanto a que sai para trabalhar. Entretanto, a virulência mais intensa tem um alvo preferencial: a mãe que trabalha fora.

Acredito que o maior inimigo da mãe não é a culpa, mas a CULPABILIZAÇÃO. Como é cômodo ter alguém fixo na sociedade para apontarmos o dedo, não? E fica muito mais simples quando generalizamos, focando somente um lado. Para colocar os pingos nos ii, vamos evidenciar algumas falácias:

Falácia 1. A mulher deve ficar integralmente com os filhos para cumprir sua função de mãe.

Ora, ficar com os filhos pode ser uma escolha para uma parcela da sociedade. Para outra parcela, não é opção. Trabalhar fora é a única alternativa.

E se não houver a figura do “provedor”? E se ele foi embora / ficou doente / está desempregado / morreu? E se o que essa pessoa recebe não é suficiente para a família? E se a mãe aspira melhores dias para os filhos, em um país cujos sistemas públicos de saúde e de ensino estão falidos?

Falácia 2. A mulher que trabalha fora “terceiriza” a criação dos filhos.

Toda mulher descobre que, depois que tem filhos, OBRIGATORIAMENTE vai ter que “terceirizar” (detesto essa palavra) alguma coisa:

  • Se ela ficar em casa, vai depender de alguém (o marido, os pais, o governo, a vizinha) que seja o provedor; ou seja, vai “terceirizar” o sustento da família;
  • Se ela trabalhar fora (ou mesmo dentro de casa, vale dizer), vai depender de alguém para ficar com as crianças nesse período (a babá, a creche, a escola, os pais, a vizinha).

Isso demostra cabalmente que a criação dos filhos é uma empreitada coletiva. Diz respeito à família, à sociedade, ao Estado.

Falácia 3. A mulher que fica 8 horas distante de seus filhos não cumpre seu papel.

Segundo essa afirmação, cada segundo que a mãe passa longe do filho causa um prejuízo irreparável. Sendo assim, há de se computar o período das aulas. São no mínimo 4 horas por dia. Computando o tempo para chegar e sair, digamos 30 minutos, dá mais uma hora. Isso porque não estou falando das escolas de tempo integral.

Também devem entrar na conta os momentos em que a criança se dedica a outros interesses: a brincadeira, só ou com os irmãos ou amiguinhos, a leitura, o esporte, a atividade religiosa e outros.

Outras coisas devem entrar nesse cálculo. E quando a mulher tem mais filhos, por exemplo, gêmeos? E se um deles for especial ou ficar doente, demandando mais cuidados? E se esse cuidado for para um familiar, tal qual pai e mãe idosos? E se a própria mãe ficar doente?

MUITO prejuízo, não? Ou será que nesses casos a regra não vale?

Mais uma questão: isso só acontece com a mãe? Se o provedor da casa for o pai, por que as crianças podem prescindir de sua companhia? A distância do pai não causa problema?

Falácia 4. A mulher que trabalha fora não faz nada direito: nem trabalha, nem cuida dos filhos.

Conforme já havia dito, nem sempre é uma questão de escolha. Quando a mulher pode optar, também pode se deparar com suas próprias capacidades. O que dá certo para uma pode não dar para outra. Tem gente que sente sobrecarga; tem gente que não. Tem gente que se sente em plenitude, tem gente que não. Tem quem tenha vocação, tem o oposto. Nesse caso, há que se perguntar se uma vivência baseada em frustração (para ambos os lados) também não pode ser nociva.

Os economistas Levitt e Dubner escreveram “Freakonomics – o lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta” (Editora Campus). O maior mérito do livro é pesquisar e colocar em números aqueles mitos que passam de geração em geração e que ninguém nunca questionou. O capítulo “O que faz um pai ser perfeito” (“What makes a perfect parent”) é impagável. Traz revelações que rendem ainda muitos posts. Em inglês faz mais sentido (“parent” é uma palavra que se usa tanto para “pai” quanto para “mãe”).

Aqui vou trazer só um resultado do Freakonomics: o fato de uma mãe trabalhar fora ou ficar em casa NÃO tem impacto no desempenho dos filhos. Ou seja, filhos com mães que trabalham fora podem ter bom ou mau desempenho, assim como filhos de mães que ficam em casa também. O que vai fazer a diferença são outros fatores, e não esse, que é considerado pelos pesquisadores como IRRELEVANTE.

O debate é inflamado porque sempre se olha para a realidade do outro com nossos olhos, nossa experiência. Em vez de perder tempo culpabilizando o outro, o que só cria um abismo entre as mães, vamos nos abrir para o diálogo, criar oportunidades de escutar. Hoje o que existe é um exército de mulheres sozinhas que enfrentam dilemas parecidos e que poderiam se ajudar, se apoiar, trocar soluções.

Existem vantagens e desvantagens (como em tudo na vida) tanto para quem trabalha fora, quanto para quem fica em casa. O problema é criticar o outro lado enumerando somente as desvantagens.

Vantagens para a mãe que trabalha fora, segundo a Revista Época

Vantagens para a mãe que fica em casa, segundo a Revista Época

A pressão é maior para quem trabalha fora – Análise

O que fazer para tirar partido das vantagens e minimizar as desvantagens de cada lado? Adoro quando as mães se unem em redes criativas:

Para as que podem trabalhar fora:

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/mae-trabalha-fora-469046.shtml

http://mamaegenis.blogspot.com.br/2011/09/dicas-para-mamaes-que-querem-e-que.html

Para as que podem ficar em casa:

http://filhosecia.uol.com.br/2011/09/dicas-para-maes-que-nao-trabalham-fora-de-casa/

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI208849-10513,00.html

Para todas as mães:

Dicas fofas para tornar qualquer momento com as crianças um momento especial (em inglês):

http://www.abundantmama.com/

Imagem: Freepik

Merenda

ilustração de João e o pé de feijão

Imagem: Len Ebert / Picturebook

Vou buscar os três na escola. Aí eles começam a travar o seguinte diálogo no banco de trás do carro:

1. – Quando eu crescer, quero ser um restaurante!

2. – Não dá pra você ser um restaurante. Restaurante não tem vida. O que tem vida é gente, animal, planta…

1. – Então quero ser uma árvore.

2. – Você parece um feijão, isso sim!

1. – Então vou crescer até o céu!

3. – Pé de feijão não vai até o céu.

1. – Vai, sim, o Pé de Feijão do João foi!

3. – Isso é história inventada, lá pelos europeus. Eles é que gostavam dessas histórias.

2. – Não existe essa coisa de reino de gigante. O céu é uma coisa sagrada, mamãe que me disse.

1. – Então o João do Pé de Feijão encontrou Deus?

E eu dirigindo o carro e só pensando: o que é que colocaram na merenda dessas crianças????

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Veja também:

Falando de sexualidade

Ligeirinhas de Natal

Tesouros

A sabedoria que só se conquista aos dois anos

O pequeno estrategista

Pais que tentam estimular o bom comportamento dos filhos precisam tornar-se estrategistas amadores (os filhos são profissionais).

(DIXIT, Avinash K. & NALEBUFF, Barry J. “Pensando estrategicamente”. São Paulo: Atlas, 1994)

A frase acima consta do prefácio de um livro técnico sobre Teoria dos Jogos, que visa a ensinar os princípios do raciocínio estratégico. Os autores são muito sábios ao encontrar, nas crianças, esse raciocínio que a gente acaba perdendo e tendo que reaprender quando adultos. Principalmente quando viramos pais.

Dia desses, voltei para casa e recebi do meu marido um “boa noite” meio mais-ou-menos. Perguntei logo o que havia acontecido, e ele me disse, chateado:

- Comprei um jogo novo para Wii. Levei um tempão para escolher. Crente do sucesso que as crianças iam se divertir de montão, inseri o disco no aparelho. Pois não deixaram passar nem 15 minutos e já estavam gritando e se atracando no quarto. Não briguei, não fiz nada: só desliguei a TV e proibi de jogar por 1 semana.

Em um segundo, mapeei o “climão” que tinha se abatido. A tristeza do pai que traz um presente na esperança de unir e que acaba surtindo o efeito contrário. Acompanhada da minha desilusão de… putz, por que não podem brincar numa boa? No quarto, os três amuadinhos.  O mais velho escrevendo no caderno, uma espécie de diário, se sentindo injustiçadíssimo. A briga havia começado porque ele estava, a pretexto de ensinar ao caçula como jogar, tomando toda hora o controle; o caçula não queria aceitar “interferências”, e daí TUFF!! mandou o controle na cabeça do mais velho. Minha filha do meio estava ainda mais frustrada, porque não tinha nada a ver com o bode e entrou no mesmo balaio. E o caçula deixava escorrer as lágrimas sem emitir nenhum som.

Meu marido disse novamente:

- Não fiz nada. Só desliguei o Wii.

Sabe que esse tipo de ação silenciosa dos pais pesa mais que uma bronca. É quando os filhos percebem que provocaram algo mais sério. Tentei apaziguar e também dar a César o que é de César. Com o ok do pai, livrei a menina da proibição de 1 semana. Elogiei o mais velho porque ele só queria ajudar, mas também pedi paciência. Quanto ao caçula, disse que nada justificaria bater em ninguém, muito menos no irmão, menos ainda porque ele queria ensinar. Eu vi que ele estava arrependido. Mas também não podia deixar pra lá, até por uma questão de equanimidade e justiça.

Mais tarde, vi que ele continuava a derramar lágrimas e agora se dedicava a fazer um desenho (já que não sabia escrever). Olha o desenho:

desenho de criança com boneco chorando

Quando eu vi, não resisti; tomei-o nos braços e enchi de beijos. Enchi os três de beijos. Falei para o caçula pedir desculpas aos irmãos e ao pai, o que ele fez com o rostinho banhado, com a promessa de que isso não iria se repetir (a-hã).

Aí ele me entregou outro desenho:

desenho de criança de boneco sorrindo

Comparando os dois desenhos, dá para ver o estado de espírito de cada um, o primeiro feito em lápis de cera marrom, sombrio, e o segundo em laranja, alegre.

Dias depois, a menina estava brincando no computador, e o caçula começou a encrencar querendo brincar também.

Aaaahh, as confusões de sempre…

Gastando minha beleza e todos os artifícios diários dignos da carreira do Direito para ser juíza, jurada, advogada e conciliadora, eu disse que ele não tinha razão e deveria esperar que ela saísse.

Não levou nem 15 segundos para o baixinho me aparecer com um novo desenho de um boneco chorando. Mas, dessa vez, não combinava com o sorriso maroto e a carinha sapeca de quem desenhou…

Três anos de idade. Estrategista profissional.

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Veja também:

A Fada dos Dentes

A Receita de Sofia

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Os segredos das Supermulheres – Marusia fala

Tesouros

This post in English: The little strategist

O Livro do Bebê

Este post é para meu pai.

Quando eu era pequena, adorava ver fotografias antigas. Meu pai no triciclo, minha mãe na primeira comunhão. As fotos de família em preto-e-branco, rostos tão sérios e tão enigmáticos. Eu ficava braba porque meus pais não tinham me convidado para o casamento deles e ainda tiveram a audácia de colocar outra menina como dama-de-honra (tudo bem que eu só nasci 4 anos depois, mas para mim não tinha desculpa rs!).

Outra coisa que eu amava era ver o “Livro do Bebê”, tanto o meu quanto os dos meus irmãos, com os marcos do nosso crescimento escritos por minha mãe: primeiro dente, primeira palavra, as dedicatórias…

Gosto de preencher o “Livro do Bebê” e os álbuns de fotos dos meus filhos. Eles adoram ler sobre as coisas engraçadas que faziam e diziam. As músicas inventadas, as piadas “internas” que só entende quem é da família. Eles também curtem ouvir a história de como os avós se conheceram, como começou o namoro dos pais.

Creio que o encantamento que as crianças nutrem por esse tipo de recordação tem a ver com nossa busca por um lugar no mundo, na história. É importante fazer esses registros e transferi-los de geração a geração. As experiências da família, o legado dos antepassados, ainda que atravessados por percalços e problemas que todo clã possui, dizem muito sobre o que nós somos. É quando a gente apaga a luz e revive os círculos ancestrais em volta da fogueira para contar as memórias que nos trouxeram até aqui. Encontros que podem ser raros no dia-a-dia atropelado, mas trazem significados profundos para nossa vida.

Olhar para o passado nos ajuda a entender o presente e também saber o que esperar do futuro. No meu “Livro do Bebê”, meu pai deixou uma simples frase sobre o que esperava de mim quando eu nasci: “Que seja uma pessoa de bem.”

Por muito tempo fiquei intrigada com isso. Parecia um desejo tão singelo, despretensioso, talvez óbvio. Não dizia respeito a realização, sucesso. Não era “pessoa de BENS”, “pessoa BEM-sucedida.” Não dizia sobre conquistas, feitos. Nem saúde. Nem sequer sobre felicidade.

Era sobre o que é mais importante, mais caro, mais precioso para meu pai, a verdadeira chave para fazer diferença no mundo. Se formos parar para pensar, era a única coisa da qual ele tinha garantia. Ele não podia ter certeza se eu teria realização, sucesso, bens, conquistas nem feitos. Nem mesmo saúde, nem mesmo felicidade. É fato que ele também não podia saber se eu realmente seria “uma pessoa de bem”; entretanto, era a única coisa que ele podia me oferecer como herança que jamais se deteriora, se subtrai nem se perde: seu exemplo. Exemplo de um homem COMPLETAMENTE do bem.

Obrigada, pai.

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Blogagem Coletiva – “Os pais que eles são”,  proposta por Rede Mulher e Mãe

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Veja também:

Minha vida em 40 músicas

Amar é…

Se os homens amamentassem

De mãe para filha

Confissões inconfessáveis – 2 anos de blog

Site visitado:

Scary Mommy

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O blog “Scary Mommy” traz posts engraçados, por vezes também cáusticos, sobre a maternidade. (O curioso é que “scary” tanto pode significar “que mete medo” quanto “que tem medo”). Conta com mais de 1 milhão e meio de acessos por mês. Um dos espaços de debate é o “confessionário”: pais e mães inserem comentários, sob anonimato, e descem o verbo no mundo cor-de-rosa que se vende como a realidade de criar filhos.

Já dei muita risada com algumas confissões, me enterneci, me surpreendi com a franqueza escancarada de outras. E me peguei pensando o que postaria nesse confessionário.

Então, em comemoração aos 2 anos do meu blog, segue um compêndio dos segreditos que, com toda certeza, não fariam parte jamais do vocabulário de uma mãe perfeita:

Confesso que…

… senti uma inveja danada da minha irmã, que teve três partos normais, e saía lépida e fagueira do centro obstétrico, ia tomar um banho e pedia sem a menor cerimônia um Big Mac, enquanto eu tava toda costurada sem poder nem usar travesseiro. Mas também confesso que não senti inveja na hora que ela tinha que pulverizar Andolba na episio…

… dei papinha Nestlé quando viajávamos. Mil vezes a arriscar, sem saber de que jeito os legumes do hotel tinham sido lavados.

… ri pra caramba quando meu caçula de 3 anos chegou cantando “Ai se eu te pego”, do Michel Teló.

… já liguei algumas vezes o “hã-hã”, diante de histórias intermináveis.

… já chorei escondida no banheiro.

… já perdi a paciência ajudando menino a fazer dever de casa. Principalmente aqueles com o comando: “com a ajuda de um adulto, recorte de revistas e jornais 3 milhões de palavras com Cê cedilha e escreva frases com elas.”

… disse a meus filhos que, todas as vezes que eles contassem uma mentira, ela apareceria escrita na testa deles, e assim eu SEMPRE saberia.

… minha mãe me disse a mesma coisa acima. Eu acreditei e até hoje sempre conto logo tudo, porque nunca consigo esconder nada dela. E assim se criou uma relação de confiança.

… já fiz chantagem emocional, do tipo: “oh, vem me dar um abracinho, ohh, puuuxa, é assim, né…”

… já cronometrei com meu marido a tarde de sábado, revezando os intervalos: “pronto, agora é sua vez de tomar conta dos meninos.”

… quando vejo uma grávida de primeira viagem afirmando “com meu filho será assim”, “com meu filho será assado”, ou “nunca vou fazer isso ou aquilo”, eu fico me perguntando: “conto ou não conto?”

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Veja também:

100º post, 1 ano de blog

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Achei lindo quando… mas sinto falta de…

Decálogo dos meus desafios

São só os meus?…

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Tesouros

pingentes de ouro em forma de meninos

1º ato

Eu tenho três pingentes: dois menininhos e uma menininha. Ganhei quando estava grávida dos meus filhos. O interessante é que foram comprados em lojas diferentes, em épocas diferentes, e conseguimos encontrar do mesmo modelo.

Semana passada, estava me arrumando para sair e coloquei o colar. Meu caçula, de 4 anos, perguntou:

- O que são essas três coisinhas penduradas?

Aproximei-me para que ele visse os detalhes:

- São vocês, meus três tesouros.

E ele, com uma expressão engraçada:

- Nossa, mamãe, não sabia que você era pirata!!!

 ***

2º ato

- Olha só que bonitinho: este é seu irmão mais velho, esta é sua irmã, e este é você.

E ele, apontando para a irmã, que acabava de entrar no quarto:

- Não, mamãe, ela não é um tesouro, ela é uma tesoura!!!

The End

A vida sempre reserva tesouros para quem sabe descobri-los…

Feliz Dia das Mães!

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Veja também:

A fada dos dentes

A receita de Sofia

 

Onde está meu bebê?

Site visitado: Antes que elas cresçam – Affonso Romano de Sant’Anna

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sapatinhos de bebê

Foto: Jynmeyer / stock xchng

A crônica de Affonso falou fundo ao meu coração. Tantas verdades, em um espaço tão curto de linhas! Textos como esse dão origem a sentimentos antagônicos. No início, algo como: devo curtir mais o presente, pois tudo passa muito rápido. Em seguida, um olhar sobre meus pais e avós, em busca da conexão que existe entre o que fomos como crianças e os nossos filhos.

Mas, em outros instantes, também veio a raiva. Relembrar o passado se faz com óculos cor-de-rosa. Affonso não disse que deveríamos enfrentar mais birras, limpar mais vômitos, virar mais noites, perder mais a paciência. E a culpa: essas lentes, de uma voz vinda da experiência, pedem que relevemos esses fatos chatos para nos dedicarmos aos fatos bacanas. Cá pra nós, no rame-rame do dia-a-dia, isso requer postura de Madre Teresa de Calcutá.

Vou contar uma historinha. Quando minha filha terminou o 2º período na Educação Infantil, a escola organizou um “pernoite”, ou seja, as crianças de sua turma fizeram dezenas de atividades e dormiram na escola. No dia seguinte, elas acordariam e encontrariam mensagens da família debaixo de seu travesseiro.

(Para as mamães inseguras, digo que dois de meus filhos já pernoitaram na escola. Até hoje é, para eles, uma das experiências mais fantásticas de que se recordam).

Como minha família é imensa, resolvi encadernar em espiral as mensagens de todos. Imprimi Hello Kitties, anjos, bailarinas, fadas, flores para enfeitar. Na hora de fazer minha mensagem, resolvi fazer uma retrospectiva, desde que ela era bebê, ano a ano. Olhar álbuns de fotografia é uma brincadeira frequente aqui em casa, mas dessa vez foi diferente. Era uma comprovação inequívoca de que o tempo tinha passado.

Fiquei olhando aquelas fotos e me perguntando: onde está esse bebê? E olhava para minha filha tentando encontrar alguns traços. Mas ela tinha se transformado em uma mocinha, esperta, graciosa, independente e elegante.

Não preciso dizer que me acometeu um sentimento confuso, de alegria pelo que ela se tornou, mas de saudade, muita saudade, e perplexidade. Já tinha ouvido muitas mães contarem que os bebês consomem uma dedicação tão intensa de cuidados, um atrás do outro, preenchendo o dia inteiro em cada segundo, que o cansaço por vezes não nos deixa “curti-los”. E assim, quando elas se davam conta, eles já tinham crescido, sem que elas percebessem.

Com isso em mente, fiz de tudo para me focar no presente e curtir cada instante. Meus bebês foram muitíssimo “curtidos”. Entretanto, isso não impediu que eu visse as roupinhas e sapatinhos ficando pequenos, as fraldas e mamadeiras sendo aposentadas, e tentando, como no filme Mama Mia, segurar suas infâncias como areia entre os dedos.

E chorei fazendo o caderninho do 2º período.

À noite, sonhei que minha filha era de novo um bebê. Era como se meu anjo da guarda estivesse me dando uma oportunidade de matar a saudade. Foi maravilhoso. Mas acordei com a voz do anjo: “Muito bem. Agora não espere passarem outros seis anos para se perguntar: Onde está minha menininha de seis anos?

sapatos de menina

Foto: 38 parrots / stock xchng

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Veja também:

Achei lindo quando… mas senti falta de…

Lembranças de infância

Cheiro de infância

This post in English: Where’s my baby?

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

- Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

- O bebê deve ser cabeludo. (!!)

- Isso é psicológico.

- Isso é frescura.

- Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

- Gravidez não é doença.

- Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

- Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

- Há aumento na produção de saliva.

- A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

- Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

- E se eu perder o bebê?

- Meu corpo voltará a ser como antes?

- Como será o parto? Vai doer?

- Será que meu bebê é normal?

- Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

- Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Para as gravidinhas

Você está esperando seu filho há muito mais que nove meses

Conselhos que amei

As coisas não acontecem como a gente quer

100º post, 1 ano de blog

Do travesseiro ao copinho de boneca: uma breve história da menstruação

Sites visitados:

Meluna

Blogueiras feministas – Tira-dúvidas sobre coletores

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Quando éramos pequenas, eu e minha prima pegávamos os modess das nossas mães para serem os travesseiros das bonecas.

“Modess” era como o absorvente era chamado, porque foi a primeira marca (do mesmo jeito que “Gilette” virou sinônimo de lâmina e “Chiclete”, de goma de mascar).

Na época, o absorvente não tinha abas, fitas adesivas, cobertura de microfunis nem floc-gel, controle de temperatura e odor, embalagens individualizadas. Era uma versão industrializada dos paninhos branquinhos que enchiam os varais de nossas avós uma vez por mês.

Tratava-se um treco de algodão de uns 2 centímetros de espessura, dentro de uma espécie de meia sem pé, de um tecido que lembrava TNT, bem comprido, que ficava sobrando por fora da calcinha para o “ajuste”. Tinha até um apetrecho feito uma cinta-liga para não sair do lugar.

absorvente feminino antigo

cinta para uso de absorvente

cinta para uso de absorvente

As propagandas antigas mostram sempre mulheres com “liberdade de movimentos” e roupas brancas… (eu disse “antigas”? Hoje não mudou muito, não…)

anúncio antigo de absorvente modess

anúncio antigo de absorvente modess

anúncio antigo de absorvente modess

Pois bem. Minha prima e eu não fazíamos ideia da função dos modess – apenas que eram uma “coisa de gente grande”. A gente se contentava com a resposta. E subtraía alguns da minha tia para fazer travesseiro de boneca.

Um belo dia, minha prima me pergunta:

- Você sabe o que é menarca?

- Não.

- Sai um sanguinho de você. É pra isso que serve o modess. Para não sujar a roupa.

- Ah, tá. (Estranho, mas tá.)

Outro belo dia, minha mãe me pergunta:

- Você sabe o que é menstruação?

- Sei. Sai um sanguinho da gente.

Ela me olhou com aquele ar de “Graças a Deus, não vou precisar explicar. E graças a Deus, ela está conformada.”

Em mais um belo dia, eu descubro que não é só um sanguinho que sai de você. É um SANGÃO, e TODO MÊS, por muito tempo, até chegar a menopausa! E que vem com cólica! Mas nada, nada, nada suplanta a TPM! E dessa ninguém me tirou da inocência. Dei por conta sozinha, quando comecei a perceber regularidade naquela vontade de embolachar meio mundo rsrsrs!

A gente estava brincando de pedir coisas a Deus: eu pediria a Deus isso, pediria a Deus aquilo. Aí alguém falou:

- Eu pediria para não menstruar mais.

Outra amiga disse:

- Eu pediria para a gente dividir – a mulher teria o filho, mas o homem é que menstruava. (bem, na verdade, menstruação e maternidade fazem parte do mesmíssimo mecanismo da natureza.)

Aí eu falei:

- Pois eu não sou tão radical. Pediria a Deus que só pegasse mais leve. Tudo bem menstruar. Tudo bem ser todo mês. Mas tinha que ser igual xixi: deu vontade, vai ao banheiro e faz. Só de não usar modess já seria grande adianto, não?

Pois Deus ouviu minhas preces. Inspirou mulheres a inventarem o coletor menstrual, um copinho de material estéril que recolhe o fluxo, e depois é só despejar no vaso. Uma coisa fantástica para quem conhece (ou quer conhecer) o próprio corpo. E a natureza agradece.

coletores menstruais

(Não dá mais pra ser travesseiro de boneca. Mas a criatividade infantil pode transformá-lo em copinho, funil, touca de boneca…)

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Veja também:

Falando sobre sexualidade

O anjo na areia

Hoje vou contar uma história repleta de lindas lições.

Durante um ano, planejamos a viagem de férias para julho de 2011. Dez dias antes, malas já arrumadas, era só a expectativa. Iríamos em um domingo para voltar no sábado seguinte. Na quarta-feira anterior, as crianças teriam aula de natação. Essa época faz um pouco de frio em Brasília. Achei por bem não levá-los, vai que gripam? Aí, poderiam ter infecção de ouvido, febre, e a viagem estaria arruinada. Foram, então, para o parque de areia em frente ao nosso prédio.

Eu estava preocupada com uma gripe? Pois não é que minha filha despenca da casinha de madeira do parque e quebra a clavícula? Imagina quanta coisa não me passou pela cabeça? Como já ando bastante treinada, senti de tudo, menos culpa. O que fiz foi agradecer MUITO ao anjo da guarda dela. Podia ter caído de cabeça, podia ter sido mais grave. Se fosse na onda dos parques modernos, com essa insanidade de botar espuma em vez de areia, podia ter sido muito mais grave. Também pensei que o acidente pudesse ser providencial para evitar um outro pior durante a viagem.

No começo, resolvi ficar com ela em Brasília, enquanto meu marido viajaria com os outros dois. Quando ela chegou do pronto-socorro com um colete feito de gesso, para ficar por 30 dias, lembrei que hoje eles vendem imobilizadores de plástico, que podem ser removidos e colocados novamente. Nem que fosse só na hora do banho.

Liguei para nosso ortopedista da família. Ele disse que não vendiam desse modelo para criança. Mas achou 30 dias um tempo muito longo, que a cicatrização das crianças é muito rápida. Em 7 dias já poderíamos tirar o gesso, e ela ficaria só com a tipoia. Recomendou até que eu não desistisse da viagem, que ela poderia ir também.

- Não, o senhor não está entendendo – eu disse. A gente está planejando (e economizando) há um ano ir para Fortaleza… mais precisamente, para o Beach Park. Ela não vai poder ir para a praia, para a piscina, para nenhum toboágua… Vou ficar em Brasília.

- Acredite em mim, ela vai lucrar mais se for.

Eu já tinha desfeito a nossa mala, mas arrumei de novo. Nenhuma roupa dela servia, com o colete. O braço direito estava engessado junto ao peito. Então experimentamos várias camisetas minhas e do meu filho mais velho para montar o “enxoval” dela. Levamos várias fraldas de pano para servirem de tipoia.

Seriam, então, 3 dias de gesso e 4 sem gesso. No primeiro dia, meu marido e o mais velho foram para o parque aquático, e eu fiquei no clubinho com ela e o caçula, por causa do ar condicionado. Brincaram muitíssimo, nem se importaram.

No segundo dia, levamos para a areia da praia, longe do mar, de manhã bem cedinho e à tardinha, com o sol fraco. Não é mentira: das três crianças, ela era a que mais se divertia. Por várias vezes, meus olhos se encheram d’água ao ver sua felicidade. Fizemos o mesmo no terceiro dia, mas já a deixamos molhar os pés nas ondas. Simplesmente era como se nada tivesse acontecido, e o gesso não fosse nada.

No quarto dia, tiramos o gesso. Como a pele estava sensível por ter ficado fechada por uma semana, não quis colocar filtro solar nessa área. Decidimos mantê-la com o bracinho e a tipoia do lado de dentro da camiseta.

Ainda que ela não pudesse ir a nenhum brinquedo do parque aquático, ela adorou ficar no rasinho da piscina. Ficamos eu e o pai revezando com os outros filhos.

Durante todo o período, ela ficou de camiseta larga. Não havia como as outras pessoas saberem o que tinha acontecido. Como uma das mangas da camisa ficava sempre vazia, as outras crianças no hotel comentavam entre si sobre “a menininha sem braço”. Mas agiram com naturalidade e brincaram com ela sem problemas.

No último dia, quando estava deixando a piscina para voltar ao quarto e arrumar tudo para ir embora, cheia de havaianas, baldes, boias, bonés e sacolas nas mãos, ouvi uma mulher dizer a outra, alto o suficiente para que eu pudesse ouvir, se é que não era essa a intenção: “Ai, meu Deus, passei a viagem toda com dó dessa menina.”

Por um relance, pensei em deixar havaianas, baldes, boias, bonés e sacolas no chão, me virar para ela e responder:

- Nós somos pais responsáveis e nos cercamos de todas as precauções possíveis e imagináveis para garantir que tudo estivesse sob controle. Durante todo o tempo, ela não reclamou de nada, pelo contrário. Nos brindou com seu sorriso, sua alegria. Não permitiu que o fato de não poder mexer o braço interferisse nisso e exerceu com plenitude seu direito absoluto de ser criança. Dó eu tenho da senhora, cujo preconceito não deixou ver nenhuma dessas coisas.

Mas ao olhar para o lado e ver aquele rostinho corado e satisfeito dentro de sua camiseta enorme, saí sem dizer nada. Só agradeci mais uma vez ao anjo da guarda dela:

“Obrigada, anjo, por ter protegido minha menina e por ter feito dela um ser verdadeiramente igual a você.

Até na túnica comprida.”

carinha de sorriso na areia da praia

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Veja também:

O anjo de origami

De mãe para filha

Olho de boi, olho d’água

 

O que aprendi sobre… sono

Vou começar a série “O que aprendi sobre…” por um pedido muito especial das minhas amigas. Digo isso porque relutei a escrevê-la. Por acreditar que não existem receitas, que cada família tem seu próprio arranjo. Mas elas me advertiram que isso não era motivo para deixar de compartilhar experiências. Então, inicio com um tema sensível: o sono das crianças.

Para dormir a noite toda, todas as noites

Eu AMO dormir. Como já disse em outros posts, sou aficionada por sonhos. São fontes seguras de soluções, de informações sobre mim, sobre o que me cerca. De jeito nenhum considero dormir uma coisa improdutiva, muito pelo contrário. Então, eu amo dormir, é um momento sagrado e quero conservá-lo.

A vida toda foi assim. Não tenho problemas para dormir. Fico consternada quando vejo batalhões de pessoas em todo o mundo com casos tão sérios, precisando de remédios. Mas o que mais me impressiona é ver como agora isso atinge também as crianças. “Dormir como uma criança” é um dito popular que está perdendo o sentido.

Minhas mais remotas lembranças mostram a hora de dormir como algo absolutamente pacífico na minha família. Essa é uma herança da qual nunca vou abrir mão. Tenho três crianças completamente diferentes entre si, mas com algo em comum: o sono tranquilo.

Isso não é fruto de genética. Há um pouco de técnica, sim. Mas existe um componente muito mais importante: a DECISÃO. E é esse aspecto que quero enfatizar.

As decisões têm que ser amparadas por informação, que obtive do meu sábio pediatra:

  1. A criança PRECISA dormir. Isso é crucial para qualquer ser-humano. Não à toa, Nuno Cobra, autor do best-seller “A Semente da Vitória”, coloca o sono como o mais indispensável aspecto para a saúde. Sem sono de qualidade, todos os outros aspectos perdem poder.
  2. Há conexões cerebrais preciosas que só se formam na infância, e durante o sono.
  3. Os hormônios do crescimento têm seu pico no corpo da criança entre 20h e 22h. O início do sono deve abranger esse pico, por isso é importante dormir cedo.
  4. A “Crise dos 8 meses” é verdadeira. Mais ou menos nessa idade, a criança toma consciência que é um ser separado da mãe. Quando a mãe não está presente, ela imagina que isso é para sempre.
  5. A partir dos 8 meses, o sono faz parte de um aprendizado. Não é natural, tem que ser ensinado.
  6. Crianças gostam da rotina porque se sentem seguras, ao conseguir antecipar cada próximo passo.
  7. Dia tranquilo, noite tranquila. O maior mito que existe é agitar a criança de dia, sem deixá-la cochilar, na esperança de ela possa “capotar” de noite. É justamente o contrário, ela vai ficar excitada e acordar às prestações por toda a madrugada.

 O aconchego do quarto

Cochilos de dia

  1. As janelas estão abertas, a rotina da casa se mantém. Mas, para não interromper o sono com algum barulho alto e súbito, eu acionava um “som rosa”. Trata-se de um som frequente e baixo, uma onda sonora que anula as ondas externas. O mesmo que é usado na engenharia dos aviões. Para mim, um ventilador virado para a parede, no canto oposto ao do berço.
  2. Porta fechada, babá eletrônica ligada. Quando acordavam, ficavam ronronando no berço. Deixava-os curtirem esse momento.
  3. Se a criança dorme serenamente de dia e acorda alegrinha, NÃO HÁ POR QUE isso não se repetir à noite.
  4. O berço tem que ser o lugar mais gostoso do mundo, mas é para dormir. Não é lugar de brincar. A criança só deve estar no berço quando estiver dormindo e um pouquinho a mais para espreguiçar (e ronronar, como disse antes). Isso cria uma programação positiva em sua cabecinha.
  5. Depois das 17h, nada de cochilo.

O sono noturno

  1. Rituais, quanto já não se ouviu falar deles? Importantíssimos. Diminua as luzes e o som da casa. Dê um banho, coloque o pijaminha, cante, ponha uma música suave.
  2. Use o blecaute ou as venezianas, para escurecer o quarto e prolongar o sono da manhã. Ao contrário, acordarão ao primeiro sinal de claridade.
  3. Mantenha uma luz de referência. Use uma luz azul no abajur (somente nos dias em que perceber mais agitação). Verde para os demais dias.
  4. Use uma fralda que absorva a umidade por toda a noite.
  5. A criança não pode adormecer em um lugar e acordar em outro. Além disso, o berço tem que estar EXATAMENTE do mesmo jeito todos os dias. Se a criança acordar no meio da noite em um local diferente, é lógico que ela vai estranhar. A gente, que é adulta, estranha! Eu mesma, de vez em quando, fico meio desnorteada em quarto de hotel.
  6. Crie um incentivo para o berço à noite. Meu caçula tinha um coelhinho de pano que só entregávamos a ele na hora de dormir, no berço. Ele adorava, e o coelhinho era uma companhia constante, que lhe dava segurança.
  7. Os rituais são essenciais, mas não crie muitos artifícios para que seu filho durma. Se ele ficar dependente de coisas que não consegue reproduzir sozinho para conseguir pegar no sono, você vai precisar repeti-los a cada vez que ele acordar. Isso inclui dar corda em móbile e a famosa voltinha de carro. Pense bem se você está a fim de fazer isso toda noite. Não tente resolver um problema criando outro mais complicado. Permitir que a própria criança crie formas de “autoaconchego” é fundamental.

Situações especiais

  • Bebês de até 6 meses, em amamentação exclusiva;
  • Dentinho nascendo;
  • Reação de vacina;
  • Qualquer dor ou doença;
  • Distúrbios do sono: apneia, terror noturno, sonambulismo;
  • Novidade grande em casa.

Em NENHUM desses casos, você deve esperar que seu filho durma a noite toda. Não se iluda para não se frustrar.

Por que a criança chora?

Se dormir é uma delícia, por que então a criança chora? Esse é o grande nó que tomou conta das famílias.

Se não for nenhuma situação especial descrita acima, vamos tentar desatar esse nó. Você já se fez alguma das perguntas abaixo?

Meu bebê dormia direitinho, de repente começou a acordar de hora em hora, por quê?

Por causa da “Crise dos 8 meses”. Brincadeiras como “achou” e ioiô vão mostrando para ele que, quando os pais não estão em seu campo de visão, não quer dizer que eles desapareceram para sempre.

Não ponha em cheque a confiança que seu filho deposita em você. Evite sair na surdina, não minta. Explique com clareza, sem tensão, e despeça-se.

Vi uma dica incrível em uma antiga revista Crescer, de 2001, da leitora Cláudia Barreto, mãe da Marina. Ela orientou a babá a ir para o parquinho com a criança antes que ela saísse para o trabalho. Então, era a Marina quem dava “tchau”. A filha passou a entender que, do mesmo jeito que ela própria, a mãe também voltaria para casa. A separação se transformou em um momento positivo e sem dor. Isso é perfeitamente aplicável na hora de dormir. Pode-se criar a situação para que A CRIANÇA dê “boa noite”.

Por que ele só dorme depois das 23h?

Observe se a noite é o único horário que você tem com o seu filho, porque ele não vai querer perder nenhum segundo da sua companhia.

Por que o bebê simplesmente não fecha os olhos e dorme?

A criança quando está com sono fica irreconhecível. Nada agrada, ela fica irritadiça e chora sem motivo. Ela LUTA contra o sono. Seria tão fácil simplesmente se render a ele, não?

É que o sono pressupõe entrega. É uma sensação de perda de controle e pode assustar. E é o adulto que deve mostrar à criança que não há o que temer, que é algo prazeroso e necessário. Se existe tensão na hora de dormir, esse aprendizado não vai ocorrer nunca.

E é aí que entra o seu poder de decisão.

Se eu quero que meus filhos durmam às 20h, por conta dos hormônios do crescimento, devo estar consciente que eles vão dormir cedo para ACORDAR cedo. Entre 6h e 7h da manhã, para ser mais exata.

Se eu quero que eles adormeçam e saibam retomar o sono caso acordem no meio da noite, devo dá-los a chance de aprender a fazer isso. Se, a qualquer resmunguinho, eu apareço esbaforida no quarto e tiro do berço, qual é a mensagem que estou passando? Que o berço é um lugar execrável e tenebroso, e que eu sou a única a “resgatá-lo” e “salvá-lo” desse tormento. Caso a criança chore, procure atender com tranquilidade.

Eu costumava repetir igual a um mantra: “Ah, que delícia seu quartinho, seu bercinho fofinho e quentinho; você agora vai descansar, dormir um soninho gostoooooooso até amanhã de manhã, que vai ser um dia lindo. Tá tudo bem. Dorme com os anjinhos.”

Entendo o princípio que prega “o que é mais importante para a criança”. Afinal, ela é indefesa, dependente em tudo. Mas prefiro “o que é mais importante para a família”. A família é um sistema. E a criança faz parte dele. A família estando bem, consequentemente a criança estará bem.

Nesse raciocínio, prezo totalmente a intimidade do meu casamento. E não vejo o desfrutar de momentos exclusivos como algo que possa ser prejudicial para minha família.

É recompensador ser “insubstituível” para o filho. Tentador, até. Mas um grande risco é a potencialização de algo que começa natural (a dependência da mãe por parte do filho), e a criança passa a ser “ensinada” a sentir falta da mãe, e só dela.

Se eu quero que meus filhos possam ir para suas caminhas na hora em que estão com sono e durmam sossegados, eles têm que sentir autoconfiança e perceber que não há motivo para chorar. Se pararmos para pensar, muitas serão as situações de insegurança que eles vão enfrentar. Pode ser ficar na cadeirinha do carro enquanto dirigimos. A adaptação na escola, o nascimento de um irmão. Uma dieta especial no caso de um distúrbio de alimentação. A chegada da adolescência. Não somos onipresentes. Reafirmando a autoconfiança dos filhos, o trajeto é menos pesado. E mais rico.

Eu tomei essas decisões e estou satisfeita com elas. Senti isso no dia em que precisei passar por uma cirurgia para retirada da vesícula, que se complicou. Por vários dias fiquei no hospital com meu marido. Meus sogros ficaram com meus filhos. E me diziam: “às oito da noite, todos já tinham ido para suas caminhas.” E assim eu também podia dormir tranquila.

E você? Que dica tem para o sono infantil?

"Dê qualquer roupinha e continue não entendendo por que ele chora a noite toda". Ah, se tudo fosse só uma questão de roupinha...

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Veja também:

O que aprendi sobre…

a linguagem secreta da birra

viagens com crianças

Carta a meus filhos

Queridos filhos:

Se no ano que vem…

… nós tivermos que passar uma noite em claro, que procuremos aproveitar a rara oportunidade de assistir ao nascer do sol.

… nós tivermos que  lidar com algum problema de saúde, que aprendamos a entender os sinais do nosso corpo.

… nós chorarmos, que as lágrimas venham como a chuva que fertiliza os sonhos.

… nós ficarmos com raiva, que compreendamos o imenso poder criativo dessa energia, quando canalizada.

… nós formos forçados a parar, que saibamos esperar, como a semente que nunca se atrasa e nunca se adianta para germinar.

… nós encontrarmos obstáculos, que nos orgulhemos e nos sintamos como estudantes fazendo uma prova de nível avançado.

… nós errarmos, que sejamos como o rio, que desvia seu curso mas sempre está em direção ao oceano.

… nós tivermos uma perda, que descubramos a força na fé.

… nós nos depararmos com pessoas desarmonizadas, que lembremos de Francisco de Assis e sejamos instrumentos de Paz.

… nós formos instrumentos de Paz, que sonhos, saúde, alegria, amizades, criatividade, paciência, vitórias, ganhos e harmonia venham por acréscimo…

… e seja um ano bom.

ampulheta

Imagem: Desktop Nexus

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Veja também:

O que é verdadeiramente perfeito em nós

O anjo de origami

A arte de criar vazios

Decálogo dos meus desafios

In English: Letter to my children