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O que você vai ser quando crescer?

Quando eu tinha 8 anos, vi este anúncio na revista:

propaganda vinho marjolet

Logo que te vi, eu disse que gostava de você. Você disse que era fita. / Em francês, o mar é “a mar”. Por que não em português? / De que página, de que livro, de que história de amor saiu esta folha? / No fundo, no fundo, nós somos duas crianças. / Tu és divina e graciosa, estátua majestosa… / Te escrevi sem saber se era teu amor, mas lembrando que gostaria de sê-lo. / Você não deveria ter me tentado com um bombom durante o concerto. Isso é papel que se faça? / Acho que eu vou tomar algumas medidas. A primeira é a medida do Bonfim. / A segunda é sacar a rolha de mais um Marjolet e começar tudo de novo.

Fiquei tão encantada com as frases, a criatividade, o clima evocado, que naquele instante decidi o que eu queria ser quando crescesse: queria ser a pessoa que bola essas coisas.

Fiz campanhas (bem-sucedidas) para a chapa do grêmio na escola e para a torcida organizada do colégio. E só fui descobrir, aos 16 anos, que o nome do curso superior para “a pessoa que bola essas coisas” era Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda.

Trabalho na área, pesquiso muito sobre o tema e tenho paixão pela minha profissão. Um dos momentos mais gratificantes foi conduzir, junto com a equipe, a campanha de arrecadação do Comitê de Ação e Cidadania (o do Betinho) para minimizar os efeitos da seca prolongada no Nordeste em 2012:

propaganda de doação para comunidades no sertão nordestino

SOS Nordeste – quem tem sede, tem pressa.

propaganda. Mídia extensiva. Toalheiro de WC

Toalheiro de WC: “A quantidade de água que você usou para lavar as mãos é a mesma que uma família do sertão nordestino tem para passar o dia.”

Conseguimos em alguns dias o valor de 30 mil reais, o suficiente para construir cinco poços artesianos comunitários nas áreas mais críticas. (Pausa para abrir os parênteses: sempre tem aquele engraçadinho adora ver significados esdrúxulos naquilo que parece claro; nesse caso, foi a piadinha: “puxa, nunca mais lavo a mão quando usar o banheiro…”)

O trabalho do comitê é maravilhoso, caso você tenha interesse: (http://www.youtube.com/watch?v=NGkAolFkYZQ)

É incrível poder usar nosso conhecimento em prol de ações dessa natureza. Isso também me coloca numa posição privilegiada e me dá chancela para compreender que os meandros da publicidade são ponte de acesso escancarado ao comportamento humano. Em vez de buscar os artifícios que ela usa para encantar, cabe descobrir por que as pessoas se encantam. Essa é a chave.

Propaganda sozinha não faz nada. Sua força está no pacto simbólico que ela faz com o público, evidenciando emoções que ele já tem, fazendo-o “sentir na pele” um pouquinho e propondo ações imediatas que trazem satisfação (comprar um produto, fazer uma doação). Se frases de efeito e metáforas mirabolantes fossem suficientes, ninguém mais usaria drogas, nem transaria sem camisinha, muito menos se arriscaria no trânsito, porque o que não falta é campanha pregando isso.

A propósito, eu guardo o anúncio como uma relíquia, ainda que nunca tenha tomado o vinho Marjolet, nem qualquer outro vinho, simplesmente porque não gosto do sabor do álcool. Sou abstêmia. Também sei dos problemas que seu excesso causa. Então este é um exemplo de que é possível consumir apenas o simbolismo de um anúncio, sem necessariamente consumir o produto de fato.

Hoje acompanho de camarote a imaginação dos meus filhos acerca do que eles vão ser quando crescer. O mais velho já foi médico, agora quer ser cientista, ganhador do Prêmio Nobel e dono de uma grande empresa de tecnologia que vai inventar o remédio que cura todas as doenças e o teletransportador.

A do meio também já foi médica de olho de criança, mais tarde incrementada para oftalmologista infantil, e hoje se delicia com a perspectiva de ser a nova Mauricio de Sousa e desenhar o próprio gibi.

O caçula já foi chef de cozinha de pizza, carregador de mala e agora é chef de cozinha de pizza novamente. O curioso é que comer, para ele, nunca foi a coisa que mais adora no mundo. Com minha mania de explicação, deduzi que ele escolheu situações em que me vê feliz: quando ele raspa o prato e o momento em que finalmente resgatamos todas as malas na esteira do aeroporto.

Aqui, observo que o tempo todo falei de profissões. E me lembro de uma conversa com uma amiga do trabalho. Eu estava frustrada com um projeto, que havia me consumido três anos antes, tinha sido abandonado por conta das marés da política, e agora precisava ser ressuscitado. Comentei que essas coisas nos faziam questionar o sentido de tudo, de quem eu era como profissional. Ela me disse: “Marusia, isso é só trabalho.”

SÓ trabalho? Só trabalho. Ainda que pensemos que seja, não é o trabalho o que nos define. Ainda que as pessoas perguntem: “o que você faz?” para saberem quem eu sou, não é isso que sou.

E terminamos nossa conversa propondo uma nova forma de escrever currículos:

Eu, Marusia,

  • adoro música, viagem, doce de leite e pegar jacaré no mar.
  • Adoro o sol, sou uma criatura diurna e absolutamente tropical.
  • Sou toda planejadinha e fico louca quando o planejamento fura, mas também sei curtir quando o imprevisto é muito mais legal do que o script.
  • Socializo minhas descobertas e fico muito feliz quando minha experiência tem reflexo positivo na vida de outras pessoas.
  • Meu maior defeito é minha maior virtude: ser transparente.
  • Minha família é meu bem mais precioso. Meu talento é incentivar as pessoas para que elas descubram o que têm de melhor.

Esse, sim, é um curriculum vitae real. Currículo vital. Currículo da vida.

Quero que meus filhos sejam livres para escolherem seus caminhos. Esse é o tipo de currículo que eu espero que eles escrevam, com suas próprias qualidades.

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Veja também:

Publicidade, Propaganda e Design em ideias simples e bem-boladas:

http://www.tumblr.com/blog/add1ad

Aqui no blog:

Os segredos dos publicitários

Quero ser criança quando eu crescer

O Livro do Bebê

Merenda

O maior inimigo da mãe

 “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” – Análise

Sam publicou em seu blog um post intitulado “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” Uma pergunta forte assim sempre provoca respostas igualmente tensas. Mas creio que o grande problema desse tipo de discussão é a polarização, com acusação mútua entre os extremos, e a ausência de soluções.

Vamos começar do começo: “o maior inimigo da mulher que trabalha fora”. Isso já parte do princípio que a mulher que trabalha fora tem inimigos. Vários, a ponto de se questionar qual o maior deles. Isso é verdadeiro. De modo geral, a mulher tem que enfrentar vários inimigos – tanto a que fica em casa quanto a que sai para trabalhar. Entretanto, a virulência mais intensa tem um alvo preferencial: a mãe que trabalha fora.

Acredito que o maior inimigo da mãe não é a culpa, mas a CULPABILIZAÇÃO. Como é cômodo ter alguém fixo na sociedade para apontarmos o dedo, não? E fica muito mais simples quando generalizamos, focando somente um lado. Para colocar os pingos nos ii, vamos evidenciar algumas falácias:

Falácia 1. A mulher deve ficar integralmente com os filhos para cumprir sua função de mãe.

Ora, ficar com os filhos pode ser uma escolha para uma parcela da sociedade. Para outra parcela, não é opção. Trabalhar fora é a única alternativa.

E se não houver a figura do “provedor”? E se ele foi embora / ficou doente / está desempregado / morreu? E se o que essa pessoa recebe não é suficiente para a família? E se a mãe aspira melhores dias para os filhos, em um país cujos sistemas públicos de saúde e de ensino estão falidos?

Falácia 2. A mulher que trabalha fora “terceiriza” a criação dos filhos.

Toda mulher descobre que, depois que tem filhos, OBRIGATORIAMENTE vai ter que “terceirizar” (detesto essa palavra) alguma coisa:

  • Se ela ficar em casa, vai depender de alguém (o marido, os pais, o governo, a vizinha) que seja o provedor; ou seja, vai “terceirizar” o sustento da família;
  • Se ela trabalhar fora (ou mesmo dentro de casa, vale dizer), vai depender de alguém para ficar com as crianças nesse período (a babá, a creche, a escola, os pais, a vizinha).

Isso demostra cabalmente que a criação dos filhos é uma empreitada coletiva. Diz respeito à família, à sociedade, ao Estado.

Falácia 3. A mulher que fica 8 horas distante de seus filhos não cumpre seu papel.

Segundo essa afirmação, cada segundo que a mãe passa longe do filho causa um prejuízo irreparável. Sendo assim, há de se computar o período das aulas. São no mínimo 4 horas por dia. Computando o tempo para chegar e sair, digamos 30 minutos, dá mais uma hora. Isso porque não estou falando das escolas de tempo integral.

Também devem entrar na conta os momentos em que a criança se dedica a outros interesses: a brincadeira, só ou com os irmãos ou amiguinhos, a leitura, o esporte, a atividade religiosa e outros.

Outras coisas devem entrar nesse cálculo. E quando a mulher tem mais filhos, por exemplo, gêmeos? E se um deles for especial ou ficar doente, demandando mais cuidados? E se esse cuidado for para um familiar, tal qual pai e mãe idosos? E se a própria mãe ficar doente?

MUITO prejuízo, não? Ou será que nesses casos a regra não vale?

Mais uma questão: isso só acontece com a mãe? Se o provedor da casa for o pai, por que as crianças podem prescindir de sua companhia? A distância do pai não causa problema?

Falácia 4. A mulher que trabalha fora não faz nada direito: nem trabalha, nem cuida dos filhos.

Conforme já havia dito, nem sempre é uma questão de escolha. Quando a mulher pode optar, também pode se deparar com suas próprias capacidades. O que dá certo para uma pode não dar para outra. Tem gente que sente sobrecarga; tem gente que não. Tem gente que se sente em plenitude, tem gente que não. Tem quem tenha vocação, tem o oposto. Nesse caso, há que se perguntar se uma vivência baseada em frustração (para ambos os lados) também não pode ser nociva.

Os economistas Levitt e Dubner escreveram “Freakonomics – o lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta” (Editora Campus). O maior mérito do livro é pesquisar e colocar em números aqueles mitos que passam de geração em geração e que ninguém nunca questionou. O capítulo “O que faz um pai ser perfeito” (“What makes a perfect parent”) é impagável. Traz revelações que rendem ainda muitos posts. Em inglês faz mais sentido (“parent” é uma palavra que se usa tanto para “pai” quanto para “mãe”).

Aqui vou trazer só um resultado do Freakonomics: o fato de uma mãe trabalhar fora ou ficar em casa NÃO tem impacto no desempenho dos filhos. Ou seja, filhos com mães que trabalham fora podem ter bom ou mau desempenho, assim como filhos de mães que ficam em casa também. O que vai fazer a diferença são outros fatores, e não esse, que é considerado pelos pesquisadores como IRRELEVANTE.

O debate é inflamado porque sempre se olha para a realidade do outro com nossos olhos, nossa experiência. Em vez de perder tempo culpabilizando o outro, o que só cria um abismo entre as mães, vamos nos abrir para o diálogo, criar oportunidades de escutar. Hoje o que existe é um exército de mulheres sozinhas que enfrentam dilemas parecidos e que poderiam se ajudar, se apoiar, trocar soluções.

Existem vantagens e desvantagens (como em tudo na vida) tanto para quem trabalha fora, quanto para quem fica em casa. O problema é criticar o outro lado enumerando somente as desvantagens.

Vantagens para a mãe que trabalha fora, segundo a Revista Época

Vantagens para a mãe que fica em casa, segundo a Revista Época

A pressão é maior para quem trabalha fora – Análise

O que fazer para tirar partido das vantagens e minimizar as desvantagens de cada lado? Adoro quando as mães se unem em redes criativas:

Para as que podem trabalhar fora:

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/mae-trabalha-fora-469046.shtml

http://mamaegenis.blogspot.com.br/2011/09/dicas-para-mamaes-que-querem-e-que.html

Para as que podem ficar em casa:

http://filhosecia.uol.com.br/2011/09/dicas-para-maes-que-nao-trabalham-fora-de-casa/

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI208849-10513,00.html

Para todas as mães:

Dicas fofas para tornar qualquer momento com as crianças um momento especial (em inglês):

http://www.abundantmama.com/

Imagem: Freepik

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Fran, Wilma, Beth, Fiona, Morticia, Samantha, Marge, Nenê, Helena, Jane: o que elas têm em comum? São ponderadas, sensatas. Centralizam e organizam a família em torno de si, são responsáveis por manter o equilíbrio da casa. São amorosas e dedicadas e suportam tudo.

Nenê da Grande Família é exceção: não encarna o lado racional da família. Puro sentimento, às vezes se atrapalha. Lineu assume a posição de sensato da casa, papel normalmente confiado às mulheres nessas produções.

Nenhuma das personagens trabalha fora de casa. As que experimentam acabam voltando. O dilema trabalho versus casa, portanto, é extirpado, bem como o babá versus creche.

O trabalho da casa é realizado integralmente pelas mães, exceto Jane Jetson, que tem a ajuda da robô Rose, e Mortícia Addams, que conta com o mordomo Frank e a mãozinha Coisa. Wilma Flintstone também tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais.

Todas as mães têm que esconder seus “superpoderes”, mas sempre “salvam” a família de enrascadas. Esses poderes podem ser mágicos, como no caso da Feiticeira Samantha, ou talentos profissionais, como o da hábil comunicadora Fran Sauro, que desiste de apresentar um programa de TV para cuidar da casa.

Não existe revolta. Todas estão resignadas em seu papel, cientes disso e de sua importância para a família.

Todas as personagens estão em boa forma física, ainda que não se explicite de que maneira elas chegam a esse resultado. Fran Sauro também, dentro do que se espera de um ser de sua espécie.

Os maridos são infantilizados e atrapalhados (também com exceção de Lineu). Trabalham como funcionários em empresas. Estão insatisfeitos com o trabalho, mas são conformados (exceto Gomez Addams: “um advogado que acumulou uma riqueza invejável e que agora vive tranquilamente acariciando seu polvo e explodindo trens de brinquedos em sua mansão”).

Sugestionáveis, ingênuos e teimosos, os pais das famílias de seriados e animações sempre se metem em confusão. Assim, as mulheres se posicionam como mães de toda a família, incluindo os maridos.

Seja na Idade da Pedra, na Idade Média ou no futuro, os padrões se repetem, se mantêm. Shrek, por mais anárquico que se pretenda, apresenta Fiona como uma mãe zelosa ao molde das demais. Ou seja, o roteiro de Shrek subverte tudo – a princesa é uma ogra, o herói é um ogro, a fada madrinha é má -, exceto o que se entende como amor materno.

São todas famílias nucleares – pai, mãe, filhos -, com intervenções de parentes em alguns casos. O protótipo do que se difunde como uma típica família dos anos 1950.

Nas produções, é curiosa a presença de outras mães, as mães das mães: as sogras. São vozes femininas de chamado à consciência. Elas parecem discordar da escolha das filhas e de tudo a que as elas se submetem, e estão sempre dispostas a aborrecer os genros. São incômodas mas também não ajudam nos afazeres (às vezes até pelo fato de contestá-los). Trata-se de um reforço contínuo ao estereotipado conflito entre sogras e genros.

Outras figuras podem cumprir o papel da sogra: a dinossaura Mônica (Família Dinossauro), a modista Edna (Os incríveis), as irmãs de Marge Simpson (Os Simpsons). Em Shrek, quem cria problemas é o sogro, mas por temor de que sua identidade verdadeira seja revelada (trata-se de um sapo transformado em humano).

 

Mulher elástica – algumas diferenças

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, merece uma análise à parte porque, no decorrer do filme, vai revelando facetas que a princípio podem distanciá-la das demais mães apresentadas anteriormente.

A Mulher Elástica é feminista no início da história. Em uma entrevista jornalística, ela discursa: “Sossego, qual é? Tô no auge da forma, em briga de cachorro grande. Garotas, na boa: deixar o mundo ser salvo pelos homens? Claro que não. É claro que não.”

Ela se casa com Beto Pera, o Sr. Incrível, mas algo põe a perder suas carreiras de super-heróis. O Sr. Incrível não se conforma em se esconder por trás de um medíocre vendedor de seguros. Mas a ex-Mulher Elástica parece conformar-se com a nova vida. Isso é um paradoxo, que vai contra o que ela diz na entrevista do começo do filme, no auge da juventude, e também para ele, que na mesma entrevista diz planejar constituir família.

Helena se resigna com seu papel de mãe zelosa. E luta para defender essa nova situação como uma escolha própria sua.

Em casa, as coisas são superdimensionadas por ela (e menosprezadas pelo marido, Beto). Seus superpoderes, que outrora salvavam o mundo, agora são utilizados para lidar com os desafios em família, a própria metáfora da mãe-malabarista, a quem se exige todo o tempo que se adapte, que se molde.

Sim, Helena está tentando se adaptar à vida de dona de casa e mãe, e está muito empenhada em manter as aparências, mas deixa transparecer aqui e ali o seu descontentamento. De todas as mães das séries e animações, é a mais impaciente e estressada.

Com o desaparecimento de Beto, que ela suspeita ser algo relacionado a traição conjugal, Helena deixa os filhos ao cuidado da primogênita para recuperar o casamento. Nesse raciocínio, o casamento é mais precioso para os filhos; o fim da união do casal é um perigo muito maior que o abandono. E, ao mesmo tempo, sob os conselhos de Edna, ela descobre que também precisa recuperar a heroína que um dia foi, para que se mantenha admirável aos olhos do marido – e aos próprios olhos.

A Mulher Elástica, então, volta à “ativa”. Mas somente porque os filhos vão junto com ela, quando demonstram poder se virar sozinhos. Ela percebe que sua superproteção tolhia os filhos, tornava-os infelizes. O desfecho traz a ideia de que a família é invencível quando está unida.

Helena é a única mãe das animações e seriados que volta para a sua profissão, ainda que sob circunstâncias próprias de quem tem uma família inteira com poderes especiais, que podem dispensar a dedicação absoluta da mãe.

Contudo, ainda que existam algumas diferenças entre Helena e as outras personagens de mães, o fio condutor é o mesmo: todas são mulheres que têm na família seu bem maior.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Os segredos das supermulheres – análise

Matéria publicada na Revista Claudia Bebê nº 523b

 “Os segredos das supermulheres

Cinco profissionais com rotinas marcadas por longas horas de trabalho e muito stress mostram que, com amor e sabedoria, dá para viver intensamente a maternidade sem abrir mão da carreira.”

Os segredos, segundo a reportagem:

Profissão Coordenadora de relações públicas e marketing de uma grande empresa de eletrônicos
Carga horária 14h
Filhos Trigêmeos de 11 meses
O suporte Não informado
Como dá conta Explica que está saindo para trabalhar; Liga pelo menos 2 vezes; Nos fins-de-semana dedica-se às crianças, desliga o telefone
   
Profissão Médica anestesista
Carga horária Dois hospitais com dois plantões de final de semana por mês
Filhos Uma menina de 1 ano
O suporte Berçário próximo ao trabalho Funcionária do próprio berçário quando tem plantão e o marido, que é médico, também
Como dá conta Desligou das emergências; Vê a filha nos intervalos; Quando sai cedo, brinca; Espera a filha dormir
   
Profissão Comissária de bordo
Carga horária Jornadas que exigem vários dias fora de casa
Filhos 1 filho de 10 meses
O suporte Escola maternal; Avó materna; Marido
Como dá conta Nos fins de semana de folga, deixa tudo; Marido e filho acompanham em voos longos
   
Profissão Representante comercial
Carga horária 12 horas; Viagens pelo Brasil
Filhos Gêmeas de 1 ano
O suporte Enfermeira experiente; Pessoa para cuidar da casa; Ajudante que cobre folgas; Escola em tempo integral
Como dá conta Monta um cardápio com ajuda do pediatra; Dispensa as auxiliares à noite, fazendo papinha, contando histórias; Ajudantes anotam tudo em uma caderneta
   
Profissão Capitã do Corpo de Bombeiros
Carga horária Das 8h às 17h, fora atendimentos de emergência até de madrugada
Filhos Um filho de 2 e um de 4 anos
O suporte Marido
Como dá conta Quando está em casa é o centro das atenções; A hora do jantar é sagrada, quando todos conversam; Se leva trabalho para casa, só inicia depois que filhos dormiram

 

Análise

 Segundo a matéria, para ser supermulher, é preciso trabalhar fora em longas jornadas, e conciliar com amor a maternidade. Mas o que se depreende é que a maternidade se dá sempre nas sobras de tempo.

Na verdade, o “segredo” para dar conta está no suporte que elas têm: ajudantes domésticas, berçários, maridos, avós. A reportagem, entretanto, silencia sobre os superpoderes dessas pessoas que ficam com as crianças a maior parte do dia.

Veja também: Os segredos das supermulheres – Marusia fala

Os segredos das supermulheres – Marusia fala

Agendas de Marusia

Em 1992, fazendo faculdade, início de namoro…

 

2 good 2 be 4gotten (4 meses de namoro!)

Impeachment de Collor!

  • Os compromissos eram entregas de trabalhos, provas, seminários, reuniões de grupo…
  • Encontros de jovem na igreja…
  • Ingressos de shows, bilhetinhos apaixonados de mês de namoro, recortes de jornal, desenhos e até as filipetas do histórico impeachment de Collor na Esplanada – tudo colado como recordação.

 Em 2000, trabalhando e dando aula…

  • Os compromissos eram reuniões, apresentações, visitas técnicas…
  • Bancas de conclusão de curso, entrega de notas, palestras…
  • Muitos cartões de visita, números de telefones e faxes anotados.

 Em 2010, trabalhando e com 3 pimpolhos…

Os compromissos são:

  • Comprar prendas da festa junina da escola
  • Comprar presente do amiguinho cuja festa é nesse fim-de-semana
  • Consulta no pediatra
  • Levar pra tomar vacina
  • Consulta no dentista
  • Comprar saco do aspirador de pó
  • Fazer exame médico para entrar na piscina
  • Levar recibos para ressarcimento no plano de saúde
  • Imprimir comprovantes do imposto de renda
  • Levar suco na festa da academia
  • Pagar professora de piano
  • Comprar livro de piano
  • Reunião na escola
  • Fazer feira
  • Comprar maçã (porque no dia da feira a maçã não tava bonita)
  • Pagar academia
  • Pegar álbum de formatura do jardim de infância
  • Ligar na malharia pra ver se o uniforme ficou pronto
  • E congêneres (todos reais, pinçados da agenda de 2010).

 Bom. O dia tem 24 horas. O banho tem que ser bem rapidinho, pra economizar luz e água, e o trânsito deve estar sempre light – a menos que você tenha um helicóptero. Também não compute nada como academia, salão de beleza ou outra coisa em causa própria. Supondo também que as refeições e idas ao WC sejam durante o expediente…

… pra resumo da ópera:

TEM QUE TER ALGUM SEGREDO pra dar conta dessa agenda e conseguir trabalhar fora 14 horas, como na matéria “O segredo das supermulheres”! Ah, já sei, e o turno entre meia-noite e 6h da manhã? Dormir? Ora, depois que você é mãe isso não te pertence mais! rsrs

Agora falando sério. Deve mesmo ser um superpoder. Eu, definitivamente, não sou supermulher. E nem quero.

 Na agenda de 2010 não tem nada colado de recordação… Descobri que agora gosto de colecionar outras coisas que não cabem na agenda:

Linda campanha do Citibank

Minha amiga Maria Amélia me enviou por e-mail frases que foram estampadas em painéis e outdoors, numa campanha publicitária do Citibank criada pela Fallon Brasil. Foi veiculada em 2006 e ganhou o Prêmio Padrão da Central de Outdoor. Linda!!

Sites visitados: Lá fora e Duniverso.

E esta mensagem estava afixada na parede de uma farmácia:

“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço.”