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E a vida, o que é? – 6 anos de blog

papel higiênico triste e vaso sanitário

Ilustração: Vyacheslav Shilov

Conclusões

Hope Silver (www.hopesilver.ru)

– A vida é um presente, – disse o papel de embrulho.

– A vida é imaginação, – proferiu o papel de escrita, com confiança.

– A vida é um arco-íris! – exclamou o papel colorido.

– A vida são eventos atuais, – relatou o jornal.

– A vida é uma m[…], – concluiu o papel higiênico, melancólico.

(SILVER, Hope / Nadezhda Serebrennikova. Curious Things. Berkeley – CA-USA, 2015. Tradução livre: Marusia)

 

Diferentes pontos de vista, diferentes percepções, diferentes conclusões. Diferentes papéis na vida. A esperança prevalece, no entanto. Nada, por mais determinista que pareça, é definitivo.

Minha filha de dez anos deu um novo fim para a historinha e para o tristonho papel higiênico. Na falta de espuma de enchimento, usou pedacinhos de papel higiênico para os bichinhos de crochê que estava fazendo.

A lição se aplica ao papel de escrita e ao colorido, e serve para o papel de embrulho e para o jornal, após aberto o presente e lidas as notícias:

A vida – com arte – é preenchimento.

unicórnio e rosquinha feitos de crochê

Um unicórnio e um donut de crochê, feitos pela minha menina

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Veja também:

100º post, 1 ano de blog

Confissões inconfessáveis – 2 anos de blog

O curso mais interessante do mundo – 3 anos de blog

Óculos de ver coisa errada – 4 anos de blog

This post in English: And what is life?

Todas as morais da história

Este é o tipo de vídeo que deixa a gente feliz.

A moral da história mais comum para ele é: “A união faz a força”.

Podemos citar ainda Mark Twain: “Não sabia que era impossível, foi lá e fez.”

Mas há inúmeras outras lições nessa história, que servem como ótimas resoluções de fim de ano:

Banho de chuva alivia o stress.

Abraçar árvores deixa a gente mais alegre.

Dormir é fundamental, mas não deixe o sono te impedir de ver coisas sensacionais da vida.

O Natal existe, mesmo onde a maioria tem outra religião.

E a mais bacana:

Nada segura uma criança, quando ela está determinada a ir para a escola.

Se alguém disser que isso não acontece na vida real, diga que, para ser realidade, basta começar:

 

desenho e citação de Malala Yousafzai

“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo”. (Malala Yousafzai, Prêmio Nobel da Paz 2014).
Desenho: Leif Bessa, Plenarinho

 

Um lindo Natal e um excelente Ano Novo!

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Veja também:

Caminhos

Quero ser criança quando eu crescer

Carta a meus filhos

 

Maneiras idiotas de morrer

Sites visitados:

Blog do Eduardo Biavati

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“Não se acostume com o que não o faz feliz.” (Silvana Duboc – leia a íntegra)

Nesta semana, participei do 8º Congresso Brasileiro e 4º Internacional de Trânsito e Vida, em Salvador, que apresentou dados contundentes sobre essa realidade que insiste em se perpetuar no Brasil: pessoas morrendo ou sofrendo graves consequências devido à cultura insana de sobrepor interesses monetários aos interesses coletivos.

Uma das pessoas que conheci foi Eduardo Biavati. Ele observa o trânsito por um ângulo bem maior. Em sua palestra, acrescentou a última pesquisa Pense, que mapeia hábitos dos adolescentes. Mostrou, por exemplo, que nossas crianças não mais vão à escola a pé, de bicicleta ou de ônibus. A rua tornou-se “perigosa” demais, e os pais, visando à proteção, motorizou os trajetos dos filhos. Filhos que passaram a ver o mundo através da janela de um veículo, perdendo a noção do risco e – pior ainda – o senso do coletivo. Da cidadania.

Me identifiquei duplamente na palestra do Biavati. Com 8 anos, eu ia a pé sozinha para o ballet (ou de ônibus, quando chovia). Não sei se tenho a mesma coragem de deixar meus filhos fazerem o mesmo no dia-a-dia. Para eles, o ápice da aventura foi andar a pé e de metrô em São Paulo, mas sempre acompanhados por nós. Fico preocupada quando vão brincar com os amigos na quadra ao lado, e precisam atravessar as ruas. E não é só pelo trânsito, mas pelos usuários de crack, pelos pedófilos.

Ao final da palestra, Biavati apresentou um vídeo do Metrô de Melbourne, em Victoria, na Austrália, que integra a campanha pela segurança nas linhas de trem, chamada “Dumb ways to die” (“maneiras idiotas de morrer”). A propaganda alerta para diversos tipos de risco no cotidiano, tais como tomar remédio com validade vencida ou usar eletrodomésticos de forma inadequada, combinados a bizarrices como servir de isca para piranha ou se vestir de alce na temporada de caça, terminando com os perigos de não respeitar as regras de segurança nos trilhos de trem. O sucesso está na abordagem ampla, na metáfora, na dose certa de choque e na informação.

http://www.youtube.com/watch?v=jfEHAVH20hY

Quando assisti, lembrei instantaneamente da musiquinha chiclete que ouvia nos jogos eletrônicos dos meus filhos, dias antes de viajar. Eu tinha desconfiado do refrão e pensado: “quando chegar de viagem, vou investigar que jogo é esse.” Pois o jogo consiste justamente em “salvar” a vida dos monstrinhos nas diversas situações.

Incrível o poder dessa propaganda, associada a outras iniciativas como o game, que cruzou o planeta para ser conhecida pelas crianças aqui no Brasil.

Pesquisando no YouTube, encontrei duas paródias brasileiras, uma para o Rio de Janeiro, outra para Belo Horizonte. Fiquei, ao mesmo tempo, surpresa com a criatividade e estarrecida com a crítica.

http://www.youtube.com/watch?v=OVOQU041u6Q

http://www.youtube.com/watch?v=hCk3j0Q0gQE

No Brasil, andar na ciclovia, parar no sinal vermelho, seguir a sinalização de trânsito, usar o transporte público são maneiras idiotas de morrer.

Enquanto isso, assistimos, de forma impotente, nossos governos apostarem tudo na produção cavalar de veículos motorizados, reduzindo o IPI para incentivar o consumo, glorificando o petróleo. Mas não, o governo se exime na propaganda e põe a “culpa” no cidadão, é ele o responsável único pelo trânsito. Esse foi o tema da minha palestra no Congresso Trânsito e Vida: por que a propaganda de paz no trânsito não surte efeito?

campanha Parada Seja você a mudança no trânsito

Se a rua está perigosa, não quero me acostumar a isso (é fácil acostumar, quando estamos na nossa zona de conforto). E, se a mudança está nas mãos do cidadão, vamos ver nas próximas eleições quem são os candidatos que colocam o transporte público de qualidade como prioridade. Status não é sair de carrão, é poder ir e vir sem se preocupar com engarrafamento e vaga para estacionar. É cruzar com outras pessoas e restituir nosso senso de cidadania.

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

Se abrir fábricas monstruosas da indústria automobilística gera emprego, então vamos abrir fábricas de metrô, de trem. Diminuindo os desastres, o dinheiro que hoje é usado para pagar os tratamentos e pensões por invalidez das vítimas do trânsito poderia ser investido em mais ciclovias e linhas coletivas.

Chega de perdermos vidas por causas idiotas.

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Veja também:

Protesto Materno: eu quero mais

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Olho de boi, olho d’água

Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

O aprendizado do amanhã

Sites Visitados:

Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês – Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Veja também:

O curso mais interessante do mundo

O que aprendi sobre… semana de prova

Quero ser criança quando eu crescer

Caminhos

Frases de mãe… na boca dos filhos

Um dia, meu filho de dois anos, de uniforme e mochilinha, aproximou-se da irmã de sete meses e disse, com o maior carinho:

– Maninha, agora eu vou para a escola, mas tá tudo bem, porque de noite eu volto, tá?

Ooooownn, do jeitinho que a gente dizia para ele quando precisava sair…

Nesse embalo, vamos experimentar mais “frases de mãe” na boca dos filhos:

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

 

mafalda discorda da mãe

Criação: Quino

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Veja também:

Frases de mãe

Frases de mãe – Marusia fala

Achei lindo quando… mas sinto falta de…

São só os meus?…

Confissões inconfessáveis

Dentes de leite

dente sendo preenchido por leite

Minha filha ficou encafifada quando o dentinho de baixo começou a bambear.

– Mãe, meu dente vai cair?

– Vai, pra nascer o dente permanente. Esse que vai cair é um dente de leite.

– Dente de LEITE?????…

Pausa para ela tocar o dente com a mão.

– Mãe, mas é um leite bem duro, né???

***

capa de livro Charlie e Lola dentes de leite– Mãe, por que o dente cai e vem outro?

– Porque sua boca era pequenininha, agora ela cresceu e vai precisar de mais dentes, e de tamanho maior.

– Minha boca era pequena e cresceu?

– Cresceu.

– Minha cabeça era pequena e cresceu?

– Isso mesmo.

– Então por que os dentes não cresceram junto, ora bolas????

***

Boa pergunta. Osso cresce, cabelo cresce, até unha cresce. Por que os dentes não?

escova de dentes para banguela

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Veja também:

A fada dos dentes

Falando sobre sexualidade

A receita de Sofia

Merenda

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai