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Maioridade penal: a pergunta que ninguém fez

Quero tranquilizar quem está lendo. Não vou defender nenhuma posição. Não quero convencer você a nada – até porque, no “Fla-Flu” que se tornou a discussão sobre maioridade penal, ninguém convence ninguém. Aqui, quero fazer a pergunta que ainda não vi ninguém fazer.

Não vou falar, por exemplo, sobre a idade a partir da qual uma pessoa tem discernimento acerca do certo ou do errado. Se o novo mundo globalizado, os meios de comunicação e a internet fazem com que as crianças amadureçam mais cedo. Se o fato de reduzir para 16, 12, 10 ou 6 anos faz diferença. Se há países com idades variadas para responsabilizar ou punir. Se há locais em que a redução foi feita e a criminalidade aumentou, ou o contrário.

Não serão assuntos deste post questões como: “a criança que comete um crime deixa de ser criança e passa a ser um bandido?”, “bandido bom é bandido preso?” Nem “escola é para criança que quer estudar, cadeia é para quem cometer crime contra a vida”, “direitos humanos para humanos direitos”, “culpar a sociedade é fácil”, “cada um deve ser responsável pelos seus atos”. Não lidarei com esses aspectos.

Nem vou comentar se a propensão para cometer um crime está ligada ou não à desigualdade de renda e de recursos materiais. Se a chance de um adolescente ser preso é maior ou menor dependendo da sua classe social ou da cor de sua pele. Se o capitalismo de mercado e a publicidade são responsáveis ou não por incentivar o consumo para quem não pode consumir, e se hoje em dia a pessoa é medida pelo que tem e não pelo que é. Se a mídia está fazendo sensacionalismo ou não quando há adolescentes envolvidos em crimes bárbaros.

Não vou entrar no debate sobre a presença do Estado. Se o Estado só vai aparecer na hora de punir, em vez de garantir, desde o nascimento de uma pessoa, os direitos básicos de educação, saúde, segurança.

Da mesma forma, não pretendo avaliar se, desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA chegou alguma vez a ser cumprido de fato ou não. Se é necessário fazer mais leis, ou se essa é mais uma lei que não vai resolver o problema. Se o que está sendo tratado é a causa ou a consequência.

O número de adolescentes entre 16 e 18 anos, que comete crimes, corresponde a somente 0,01% da população do Brasil? Qual é a fonte desse dado? Mesmo que esse número esteja certo: uma única vida que seja salva não é motivo de reduzir a maioridade penal? Nenhuma dessas dúvidas será objeto do meu texto.

Não vou discorrer sobre o adulto que alicia criança para cometer crimes em seu lugar, “porque sabe que não vai dar em nada”, ou “porque fica três anos e depois é solto”. Nem sobre a sensação de impunidade, as diferenças entre vingança e justiça, a necessidade de o Congresso Nacional “dar uma resposta rápida à sociedade”. Nem mesmo se as pesquisas que apontam 87% da população brasileira como a favor da redução da maioridade penal são confiáveis ou não.

Outra coisa que não vou discutir é o sistema penitenciário brasileiro; se o fato de termos a 4ª população carcerária do mundo tem algum impacto sobre a criminalidade, se apenas uma pequena porcentagem dos homicídios tem resolução. Ou se os detentos continuam comandando o crime de dentro da prisão, sem se preocupar com a retaliação das gangues rivais que estão do lado de fora.

Nem mesmo se os centros de medidas socioeducativas (como Febem, Fundação Casa e outros nomes), assemelham-se a cadeias, ou são até piores. Nem se a internação recupera alguém ou não, se há reincidências. Tampouco se a redução da maioridade penal é válida, desde que os sistemas entre adolescentes e adultos sejam separados. Nem se será exclusivo para crimes hediondos, sem considerar roubo de galinha.

Também não vou perguntar: “e se a vítima fosse um parente seu?” nem “e se o acusado fosse um parente seu?” Muito menos indagar “vai esperar matar para depois prender?” nem “prender o adolescente vai ressuscitar a pessoa que morreu?”

Finalmente, a pergunta que ninguém fez é:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ESTÃO MATANDO?

Vou ensaiar uma hipótese: crianças e adolescentes estão matando porque perderam o medo de morrer. E aí temos uma nova questão:

POR QUE CRIANÇAS E ADOLESCENTES PERDERAM O MEDO DE MORRER?

Que sociedade é essa? A que grau de violência – psicológica, física, sexual, simbólica – nossa infância ficou exposta?

Um último arremate:

QUEM NÃO TEM MEDO DE MORRER VAI TER MEDO DE SER PRESO?

 

Quantos filhos cabem?

Por Maria Amélia Elói*

Certeza é palavra quase inexistente enquanto sentimento de mãe. Este querido blog maternográfico está aqui pra confirmar: há virtude na dúvida!

Tenho visto cada vez menos mães absolutamente irrepreensíveis, convictas de estarem cumprindo seu papel com solidez e confiança, sem mácula nem arrependimento, sem mudanças de estratégia. Percebo, isto sim, mais e mais mulheres interessadas em se abrir a descobertas, questionar, mães aptas a vivenciar novos conhecimentos, experiências e interpretações e a mudar de atitude, em caso de necessidade. É que os filhotes surpreendem sempre e exigem malabarismos, desconstruções, rearranjos dia a dia.

Essa minha lenga-lenga toda é só uma introdução para confessar que não me sinto confortável em muitas questões relativas à maternidade, sobretudo estou (mais do que isso, sou) insegura quanto ao número ideal de filhos. Neste caso, a fala é particular! Não pretendo bater o martelo sobre a quantidade de filhos que toda brasileira católica, servidora pública e de casamento estável deve ter; mas tão somente preciso decidir o número de filhos que euzinha devo ter. É uma dúvida persistente desta mulher feliz e realizada em ser mãe de duas pretinhas lindas e ao mesmo tempo curiosa, encantada e assustada pela possibilidade de ter mais um rebento (ou rebenta, kkk).

Claro que o assunto faz parte das minhas DRs com o digníssimo marido e já foi conversado com minha médica, que acabou de avaliar positivamente minha saúde ginecológica. Mas é difícil demais resolver se ter duas filhas é suficiente! Uma dupla é pouco, uma dupla é bom, uma dupla é demais! 

Tive a primeira com 33 e a segunda com 37. Agora já estou com 41 anos, e é por isso que me sinto tão incomodada com o assunto. Minhas duas gestações foram tranquilas e saudáveis, culminando com dois partos naturais após quase 42 semanas completas de gestação nos dois casos; porém, minha idade fértil já não é das mais favoráveis, né? E eu já sou até vodrasta! 

O maior problema de uma terceira gravidez é o desafio do tempo. Se, com apenas duas crianças, o cotidiano já está tão corrido e milimetricamente tomado por atividades, se a renda familiar está justa e algumas vezes no vermelho, se já é difícil contratar babá e diarista que deem conta da lida, se já não sobra espaço pra mim, leituras, escritos, exercícios físicos, piano, namoro com o marido, entre outras coisas, imagina com três filhote(a)s! E ainda existem os muitos tantos outros pesos na balança: pressentimento do cansaço das tantas madrugadas insones com um bebê no colo, antevisão de choro, cólica, soluço, ordenha, vacinas, consultas… E dá-lhe multiplicação da paciência — já meio minguada — pra ensinar outra criaturinha a comer, caminhar, correr, usar o penico, fazer os deveres de casa… 

Também existe o medo das possíveis síndromes e doenças que tocam tantas crianças nascidas de mães com mais de 40, a preocupação com a escassez de recursos naturais do planeta e o aumento da população mundial, a violência crescente, o desemprego, as loucas esquisitices dos tempos atuais… E aqueles pontos não menos importantes: Minhas duas filhas seriam carinhosas com o irmãozinho ou irmãzinha caçula? Teriam ciúme? Entenderiam a nova divisão das atividades dos pais, que provavelmente as deixaria em desvantagem pelo menos no primeiro ano de vida do bebê? E se eu engravidasse de gêmeos? Haveria energia materna e paterna pra cuidar deles? Haveria espaço na casa para berços, caminhas, brinquedos? Na minha vida haveria espaço para mais uma vida dependente pra sempre da minha? 

Os pontos desfavoráveis a uma nova gestação parecem superar em larga vantagem os argumentos a favor do aumento da prole. Mas por que, mesmo assim, o coração ainda teima em desejar mais um filho ou filha que se pareça com as que eu já tenho? Por que aumentar o coral da alegria e da birra? Por que experimentar uma nova aventura-nascimento? Seria apenas capricho de mulher parideira? Satisfação em poder equilibrar mais um barrigão habitado por luz e, depois, tornado bebê? Instinto de continuação da espécie? Amor com potencial pra expandir? Desejo de pertença a uma família mais completa, mais cheia de confusão e de vida? Medo de possível arrependimento futuro? Vontade de provar ousadia e coragem? Saudade de um tempo intranquilo e louco? Desejo de rejuvenescimento? Necessidade de mais beijo, afago, afeto?

Não considero as mulheres sem filhos covardes nem egoístas. As que têm filhos únicos também são heroínas, a meu ver. As mães de dois, como eu, são abençoadas demais. Mas me parece ainda mais linda a família com um trio de bambinos! Fico até imaginando a cama e a mesa cheias de crianças, comungando do mesmo carinho, daquele amor que só pode ser santo, que só pode compensar qualquer sacrifício.

Será que vocês, mães de nenhum, de um, de dois, três, quatro… também sentem a mesma angústia? Ou se contentam, firmes e fortes, com o número de filhos que têm?

Quantas crianças cabem na minha vida e na vida da minha família? Às vezes nem eu mesma me caibo, meu Deus! Enquanto as dúvidas não cessam, vou curtindo minhas fofitas, que valem por uma dúzia! E que a resposta me apareça logo e leve, porque a vida tem pressa! 

* Maria Amélia Elói, 41 anos, é mãe da Luana Lis, quase 8, e da Mariana Flor, 4.

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Veja também:

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

El Bigodito

Mamífera!

Por que temos filhos?

O filho é só da mãe? (Ou: a Galinha Pintadinha e o pinguim)

Site visitado: Abril / Educar para Crescer – A Galinha Pintadinha em: “Segredos para cuidar bem do seu filho nos primeiros 6 anos de vida”

Galinha Pintadinha, Galo Carijó e pintinho

Educar para crescer / Abril

Galinha Pintadinha abraça pintinho

Era uma vez uma galinha que amava muito o seu filhote.
Educar para crescer / Abril

A Editora Abril, por meio do site Educar para Crescer, preparou a cartilha “A Galinha Pintadinha em: Segredos para cuidar bem do seu filho nos primeiros 6 anos de vida.” O material traz uma história da Galinha Pintadinha e “dicas de especialistas” para o desenvolvimento da criança em família na primeira infância.

Galinha Pintadinha pensa no pintinho

Por isso, todos os dias a galinha dá muita atenção ao pintinho amarelinho.
Educar para crescer / Abril

As dicas são interessantes, abrangentes. O texto é bem estruturado, bem fundamentado. Mas um aspecto na cartilha me incomodou profundamente: o destinatário da mensagem. O material é dirigido às mães, sempre no imperativo:

  • Seja afetuosa desde a gestação;
  • Amamente;
  • Preste atenção em suas próprias reações;
  • Valorize o papel do pai;
  • Dê muitos beijos e abraços;
  • Ensine-o a enfrentar os problemas e as frustrações;
  • Dê o exemplo;
  • Cante e converse com ele;
  • Tente decifrar o que ele quer dizer;
  • Crie uma rotina;
  • Mantenha a vacinação em dia;
  • Procure um médico;
  • Drible a correria do dia a dia;
  • Crie momentos de interação entre toda a família;
  • Coloque seu filho na escola;
  • Continue cuidando.
Galinha Pintadinha com pintinho no colo

Ela organiza o dia dele para ser muito gostoso.
Educar para crescer / Abril

Ou seja: entende-se por “seu filho” que o filho é da mãe. Ela é a responsável por gerar, nutrir, educar, cuidar da saúde e da higiene, cozinhar, cantar, abraçar e ser o pilar da família.

Galinha Pintadinha cozinha para pintinho

Ela prepara um café da manhã beeem farto…
Educar para crescer / Abril

Três páginas me chamaram especialmente a atenção. A primeira diz que a mulher deve “driblar a correria” para “brincar de novo, de novo e de novo”. Claro. Se é ela a responsável por tudo, a correria é só dela. Pior: se é ela a responsável por tudo, a CULPA também é exclusiva dela.

Galinha Pintadinha e pintinho brincando de amarelinha

A mamãe encontra um tempo para brincar com ele. E brincar de novo, e de novo!
Educar para crescer / Abril

O segundo aspecto diz respeito ao Galo Carijó. O pai é coadjuvante na relação com o filho e, ainda assim, só se a mãe abrir ”espaço” e deixá-lo “seguro”. Ao pai cabe “dividir funções como trocar a fralda, dar o banho, brincar”. À mãe, pede-se: “deixe os dois um pouco [um pouco???] sozinhos, saia de cena e confie no cuidado dele.” Haaaaaã????

Galinha Pintadinha, Galo Carijó e pintinho fazem piquenique

Valorize o papel do pai.
Educar para crescer / Abril

A outra página que me chocou (com perdão do trocadilho) é a última: quando finalmente o filho vai para a escola, a mãe deve “voltar para casa”. É lá o seu lugar, né?

Galinha Pintadinha e pintinho na escola

…para se preparar para o grande momento: a ida à escola!
Educar para crescer / Abril

Galinha, está na hora de voltar para casa Já vou me adiantando aos perguntadores de plantão, então segue abaixo o FAQ –  Questões mais Frequentes:

Marusia, você acha que a Abril foi machista?

R: Claro que não. A Galinha Pintadinha não está sendo submetida a nenhum tratamento degradante. Cuidar de um filho não é simples, mas pode ser maravilhoso. E é por isso que deve ser compartilhado. Compartilhado MESMO: o pai canta, nina, cozinha, brinca, organiza também. É ótimo para o pai. Ótimo para a mãe, para a criança, para quem mais estiver nesse grande empreendimento que é acompanhar a infância de alguém.

Mas, Marusia, ainda há poucos homens que se interessam. No fim das contas, sempre sobra para a mãe. Para a Abril, não é melhor direcionar o texto para o público-alvo que se identifica mais?

R: De fato, mas não é reforçando estereótipos mofados que a situação vai mudar, pelo contrário. Simbolicamente, o papel da mulher na sociedade fica reduzido. Os homens também perdem, muitos se sentem alijados do relacionamento com seus filhos.

As mulheres gostam de ser endeusadas por serem mães. Não é verdade que elas cobram das outras que não se encaixam nesse perfil?

R: Existem mulheres que se identificam com esse papel e adoram, mas há muitas outras que sofrem sozinhas. Penso que tudo isso deve ser uma questão de escolha da mulher, e não de obrigação. Muitas vezes, o reforço simbólico na mídia, congelando papéis, cria uma gaiola invisível da qual é difícil escapar.

Marusia, você acha, então, que existe uma conspiração para engaiolar as mulheres em casa?

R: Também não. Nem acho que a Abril tenha se dado conta disso. Provavelmente, ela nem questionou; apenas continuou o discurso da manada, agiu no piloto automático. E, mesmo que a editora tenha agido de propósito, querendo manipular, é somente a metade do discurso. Discurso que só tem força se o destinatário “comprar” a ideia, crer que ela faz sentido. Nunca acreditei em Teoria da Conspiração, porque sempre existe a possibilidade de ruptura. Ela acontece quando a gente “desnaturaliza” as coisas que pareciam estabelecidas para sempre. É o que estou fazendo agora: por que cuidar do filho é tarefa exclusiva da mãe?

Qual é o problema de congelar o papel da mulher? Essas coisas não são da natureza do sexo feminino?

R: Congelamento é violência. É o mesmo mecanismo perverso que dá a alguns homens o respaldo para agredir suas mulheres, afinal, são eles que historicamente sempre mandaram, são os “donos” delas, porque a natureza deu a eles mais força física. Estamos diante de novas configurações familiares. É a chance que temos de permitir que a diversidade nos aperfeiçoe, natural e culturalmente.

A Galinha Pintadinha é uma boa metáfora, porque é ela quem cuida dos pintinhos. O galo não está nem aí para eles.

R: As metáforas da natureza são sempre de conveniência. Se a imitação favorece, é tida como modelo. Quando não favorece, é ignorada. Se formos imitar o louva-a-deus, as mulheres deverão comer a cabeça dos maridos após o sexo. Mamíferos como gatos e cachorros acasalam-se com membros da própria “família”. Mesmo as comunidades indígenas, por natureza, são capazes de sacrificar bebês gêmeos ou com deficiência. Ou, então, que sejamos como as abelhas e as formigas, em sociedades matriarcais. Ou como leoas, que são mães e também “trabalham fora”.

Entretanto, não vou ser ranzinza. Se quisermos, podemos nos espelhar na Galinha Pintadinha. Mas fique claro que também podemos nos espelhar nos pinguins: são os machos que chocam os ovos, sabia? E, quando os filhotinhos nascem, revezam com as fêmeas no seu cuidado.

Isso, sim, é educar para crescer.

Casal de pinguins com filhote

O pinguinzinho feliz. Desenhos: Marusia e filhotes

casal de pinguim com filhote

Era uma vez um filhote de pinguim que era muito amado pela mamãe, pelo papai, pelos tios, avós, amigos e por quem mais vier! Desenhos: Marusia e filhotes

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Veja também:

O reforço dos estereótipos:

Oportunidades de repensar os papéis:

PS: Agora que estou no Plenarinho, quero rever muita coisa. Por exemplo: por que o ícone de “deputados” é um homem de gravata? Por que o Zé Plenarinho é o líder da turma? E por aí vai…

Sobre ativismos de sofá e aniversários de 70 anos

o poder do curtir

Ação criada pela Quintal, para a organização Médicos sem Fronteiras

 

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir à apresentação de uma pesquisa sobre o sofativismo, ou ativismo de sofá. Aquele que você exerce em um clique, no quentinho da sua casa ou na espera do dentista, pelo celular. Dando RT no Twitter ou curtindo no Facebook. O esforço é pequeno, mas os resultados podem surpreender.

O estudo de Júlia Rios foi sobre um caso até então inédito para mim: um blog que foi banido de um portal da internet, por força dos protestos via web. O blog chama-se Testosterona e o portal em questão é o da MTV.

Em 2012, houve grande repercussão de um vídeo desse blog, que aconselhava os rapazes a dar tijoladas nas moças, para que elas se submetessem a certas práticas sexuais. Com a pressão de blogueiras, petições no All Out e Avaaz, o autor da “piada” tirou o vídeo do ar. A indignação, contudo, fez com que o caso chegasse à Secretaria de Políticas para as Mulheres. A MTV, que hospedava esse e outros conteúdos, rescindiu o contrato.

Uma vitória do sofativismo, ainda que tenha se devido ao fato de a MTV não querer associar sua imagem com essa apologia à intolerância. A mesma intolerância, entretanto, não impediu que o portal R7 aceitasse o blog. Certamente, para a Record, as altas cifras, decorrentes do alto tráfego do site, aliviam a absoluta incompatibilidade dessas mensagens com as coisas da emissora.

Muita gente se identifica com posts que continuam a ser publicados, com a bênção de anunciantes como estes:

marcas

O Testosterona é produzido por “Eduardo”. Em seu perfil no Twitter, diz: “Não sou machista. Machismo é burrice, e burrice é coisa de mulher.”

O que eu acho mesmo é que Eduardo não sabe de algumas coisas. Por exemplo: até onde sei, entre quatro paredes podem acontecer coisas fantásticas. E não é uma questão de “consentimento”: as pessoas simplesmente estão com vontade de experimentar o prazer. É uma questão de cumplicidade. Se precisam de um tijolo, é sinal de que o autor e os pupilos do blog não têm competência para alcançá-la.

Existem outras coisas que talvez Eduardo nem imagine.

Esta semana, eu também tive a oportunidade de participar das comemorações pelos 70 anos do meu pai e sentir o privilégio de fazer parte de uma rede tecida pelo relacionamento. Da infância humilde no interior da Bahia, meu pai chegou a diretor de uma das maiores instituições do mundo. Inteligentíssimo, culto, dono de uma escrita estupenda. E também sustentáculo da união da família de oito irmãos, principalmente após a morte do meu avô.

Em sua festa, não faltaram os depoimentos emocionados de quem sempre admirou a postura que ele teve com todos. Aqui, chamo atenção para as mulheres com quem conviveu e convive, em especial minha avó, minha mãe, minhas tias, minhas irmãs.

A mãe, a quem ele ajudou a ninar as irmãs. A esposa, com quem compartilha incentivos e sonhos. Ele é o pai que me ensinou a fazer castelo de areia, a escolher legumes na feira (sim! Ele faz feira até hoje) e que sempre me faz andar de cabeça erguida.

Sua integridade e honestidade, seu respeito absoluto, fizeram da família um círculo de mulheres de fibra, atraindo pessoas fascinantes entre noras e cunhadas, capazes de encher de orgulho qualquer aniversariante. Aos 70 anos, meu pai estava no centro do tributo recíproco de quem está feliz por pertencer a um verdadeiro clã.

Como será sua festa de 70 anos, Eduardo? Estará sozinho? Ou com alguém que você nunca vai saber se é por você ou é por sua fama e seu dinheiro? Ou ainda uma pessoa que reza a sua cartilha e se submeta a tijoladas? Alguém que se anulou para estar a seu lado, mas com quem você não consiga dividir planos e segredos?

Ora, você é jovem, possivelmente não queira perder tempo pensando nisso. Posso estar exagerando, talvez você seja um personagem. Talvez nem pense dessa forma, ou considere que é apenas “humor”. De repente você é um cara legal, tenha esposa e filhas. Mas, aos 70 anos, Eduardo, o que você vai dizer a elas sobre o que fez da sua vida? Como vai explicar a elas as manchetes de jornal com a morte de moças, causadas por gente que levou a sério o que você falou?

Este post é um ativismo de sofá. Provavelmente nem vai fazer cosquinha no seu império, Eduardo. Contudo, traz o que eu acredito. O que eu aprendi com meu pai, Homem com H maiúsculo. E tenho certeza de que vou me orgulhar do que escrevi, quando eu completar 70 anos.

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Veja também:

Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós

Barba Azul e a violência contra a mulher

O Livro do Bebê

A pior escolha que uma mãe pode fazer

projeto coração materno

Blogagem coletiva Projeto Coração Materno.

Iniciativa:

Projeto de Mãe é um blog sobre maternidade e outras histórias escrito por Ananda Etges.

Para Beatriz é um blog de maternidade por um viés feminista escrito por Isabela Kanupp.

http://parabeatriz.com/video-mulheres-falam-sobre-suas-escolhas-projeto-coracao-materno/

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Vi esta imagem no blog “Não sou exposição”, que faz reflexões sobre o quanto nossa sociedade está apoiada nas aparências:

Mulheres com 3 filhos

1ª foto: Qual é sua desculpa?
2ª foto: Minha “desculpa” é que eu estou bem assim.
Fonte: http://naosouexposicao.wordpress.com/2014/01/17/qual-e-a-desculpa/

Por mais que digam que não devemos ler os comentários, esta é, curiosamente, a parte que mais me interessa. Eu apoio e aplaudo a proposta do blog (que faz um trabalho primoroso de análise da opressão da aparência, não só neste post). Mas também compreendo quem se incomodou com a polarização de imagens. Quer ver?

Da primeira mãe, podem dizer:

“Nossa, para ter esse corpão, tem que ralar na academia. Não sobra tempo para os filhos, que devem ser terceirizados com a creche ou com a babá, vendo Galinha Pintadinha o dia inteiro. Se consegue acordar bem cedo para malhar, no mínimo ela usa o Nana Nenê com as crianças. Não devia ter filho, muito menos três! Ela está no reino da umbigolândia, só pensa em si, ou melhor, só pensa no físico. Perpetua a visão de que a mulher é um objeto para satisfazer o olhar masculino.”

Entretanto, eu também poderia pensar:

“Que bom, ela encontrou um tempo para cuidar de si mesma. Deve consumir alimentos saudáveis e oferecê-los às crianças. Está antenada com o corpo, deve ter tido parto normal e amamentado. Essa mãe deve ser disciplinada, organizada, uma mãe leoa. Os valores que passa para os filhos incluem ter orgulho de si mesmos e não esmorecer.”

Da segunda mãe, podem dizer:

“Ela se dedica tanto aos filhos que se acomodou, se anulou. Deve ter se descuidado na gravidez. É provável que tenha escolhido uma cesárea, porque o corpo demora mais para voltar à antiga forma. Se tivesse amamentado, também teria emagrecido. De repente, só come porcaria, deve encher a criançada de nuggets e refrigerante. Deve viver em função dessas crianças, que depois vão crescer, aí ela vai fazer o quê da vida?”

Mas eu também posso pensar:

“Que bom, ela não se preocupa com o que os outros pensam. Ela sabe o que é prioridade na vida dela. É uma pessoa de bem com a vida, carinhosa, alegre, uma mãe jardim. Investe no que está no interior, não é escrava da estética. Os valores que passa para os filhos incluem autoconfiança e alto astral.”

Esse é um exemplo riquíssimo do quanto a polaridade pode ser nociva. Fiz questão de abordar, nos “julgamentos”, grande parte dos fatores que detonam a guerra entre as mães.

O mais curioso é que as duas mulheres das fotos podem simplesmente não se encaixar em nenhuma dessas “percepções”. Mas, com certeza, elas têm muito, mas muito mais experiências, qualidades, sentimentos e histórias para contar.

Escolhas isoladas dizem muito pouco sobre uma pessoa.

Muitas escolhas são determinadas por circunstâncias que desconheço.

Eu não sei nada sobre essas duas mães. Se pudesse conversar com elas, eu iria descobrir muitas coisas em comum e muitas coisas diferentes. De qualquer maneira, eu sempre vou ter algo a aprender com elas. A comparação é inevitável, e eu até posso discordar de muitos aspectos, mas isso não é motivo para julgar ninguém.

Se eu fiz escolhas diferentes das suas, não quer dizer que você está errada. Nem eu. Nós duas podemos estar certas. Nós duas também podemos estar erradas. Para dizer a verdade, não importa nem uma coisa, nem outra. Ser mãe é uma coisa muitíssimo mais complexa do que erros e acertos: o que importa mesmo é a felicidade.

A pior escolha que uma mãe pode fazer é julgar outra mãe.

Porque isso não leva a nada.

E aqui chegamos ao ponto mais precioso da discussão: o que aconteceria se eu substituísse a foto das mulheres e colocasse dois homens? Dois pais?

Pouco provável que suscitasse qualquer debate inflamado. Porque esta é uma questão que extrapola as escolhas que as mães fazem. Esta é uma questão sobre o lugar da mulher na sociedade.

Não é à toa a presença da palavra “desculpa” nas imagens do início do post. E é por isso que, para qualquer escolha que uma mulher faça, sempre haverá um dedo apontado para ela. Mais triste ainda é ver que a maioria dos dedos é de outras mulheres.

A melhor escolha que alguém pode fazer é respeitar os outros.

E você, o que acha? Deixe seu comentário (lembra? Tenho especial interesse nos comentários 😉 )

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Três histórias de amamentação

O maior inimigo da mãe

“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós

Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós

Cena 1: Com 2 litros diários enviados aos bancos de leite, Michele é considerada a maior doadora de leite materno do mundo

Cena 2: O comediante Danilo Gentili compara o leite doado à performance do ator pornô Kid Bengala

Cena 3: Michele é ridicularizada onde mora e tem a produção de leite comprometida

Cena 4: Michele entra na Justiça contra Gentili

Cena 5: O caso repercute na opinião pública. Michele recebe apoio de Neymar e do Governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

O objetivo deste post é fazer perguntas.

Por que Neymar e o governador de Pernambuco só se manifestaram depois da piada? Doar 2 litros diários não é motivo suficiente para angariar esse apoio?

Por que as pessoas riem desse tipo de piada? Porque “não é com elas”? Porque sempre se riu disso? Porque também já foram alvo? Ou riem de nervoso, para não serem as próximas?

Qual a diferença entre esse tipo de piada e o bullying que se pretende banir das escolas? O que caracteriza o bullying? A força física do buller? Ou a força do grupo – o apoio de colegas, ou mesmo dos pais, que o protegem? Isso não é covardia?

Quem são as vítimas? Como torná-las alvos permanentes, a chamada “piada pronta”? Usar pessoas cujas características não foram objeto de “escolha” delas? É possível mudar a cidade onde se nasceu? A cor da pele? A estatura, a orientação sexual ou outro aspecto genético – por exemplo, a produção de leite materno?

Que efeitos a piada tem sobre a vítima? Devastadores, até porque nem sempre a pessoa tem como mudar o que deu origem à piada, como dito acima? Do que depende a capacidade de superar a humilhação? Da estrutura individual, que é construída com o apoio de alguém? E se não houver esse apoio?

E se o bullying for a única chance para uma pessoa ter a atenção dos outros e sair da invisibilidade? Isso serve para o buller e para a vítima? Os dois são vítimas?

Há como prever os efeitos de uma piada sobre o público? De quem é a responsabilidade: do comediante ou de quem ri? Fazer esse tipo de piada é dar munição para ignorantes se acharem no direito de ofender os outros?

Tanto Gentili quanto as pessoas que humilharam Michele pensaram nos bebezinhos alimentados por ela?

E o que dizer de quem acusa Michele de estar se “promovendo”, com interesses “escusos”, visando à candidatura política? Qual o problema nisso? Como seria um país que contasse com uma Michele em cada prefeitura, em cada governo, nas câmaras de vereadores ou no Congresso Nacional, com pessoas que pensassem em ajudar os outros?

É “só” uma piada? Mobilizar sentidos não é coisa séria? Ou isso é desculpa para quando ocorre a reação – uma forma de desqualificar o sentimento de quem reage?

A reação é nova? Por que, antes, ninguém dizia nada? Era “normal” rir de quem já estava vulnerável? Ou faltava coragem para reagir?

Só o comediante tem “liberdade de expressão”? Por que, quando uma pessoa reage, é acusada de fazer “patrulha do politicamente correto”? Ela também não tem direito à liberdade de expressão?

O humor tem função social? É ofensa ou é crítica? Humor inteligente e transformador é quando o comediante ri de si mesmo, e quando ataca quem é forte? (Para saber mais, assista ao excelente documentário “O riso dos outros”, de Pedro Arantes, apresentado pela TV Câmara – use fone de ouvido, porque o conteúdo não é para crianças: https://www.youtube.com/watch?v=uVyKY_qgd54).

Calar o comediante é a solução? E se o que ele estiver fazendo for evidenciar, jogar um holofote sobre o que está arraigado na sociedade, mas de forma subterrânea? Não funciona como um termômetro dos nossos tempos, tal qual a publicidade? O que isso diz sobre nós?

 Seria o humor um importante catalisador de reações, com poder agregador? Estaria dando munição também para as pessoas se unirem e protestarem? Precisamos disso?

Para fechar com síndrome de Poliana: o episódio todo pode ser ponto de partida para que as pessoas possam debater a importância do leite materno? Quantas pessoas passaram a saber que leite humano pode ser doado? O que representam esses 2 litros? Será que as pessoas sabem que apenas 10ml são uma “refeição completa” para um bebê prematuro?

Qual a sua opinião? E o que isso diz sobre você?

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Veja também:

Campanhas de Amamentação: uma análise séria e franca

Porque nós somos mamíferos

Quando não é possível amamentar: Marusia fala

Sobre Ballet e bullying

Meu filho vai usar óculos

Barba Azul e a violência contra a mulher

capa do livro Barba Azul, de Ruth Rocha

Meu filho de 10 anos chegou para mim indignado:

– Peguei na biblioteca esse livro da Ruth Rocha e detestei!

– Que livro?

– Barba Azul.

– É um conto de fadas muito antigo.

– Antigo e horroroso!

***

Barba Azul é bem menos conhecido que Branca de Neve e Cinderela (que também têm seus requintes de crueldade). Para quem não leu, é a história de um nobre que se casa muitas vezes, e ninguém sabe o paradeiro das esposas. Ao se casar com a oitava, dá a ela as chaves de todos os aposentos do palácio, alertando-a apenas de um, no qual não deveria entrar jamais. Ela (obviamente) entra e encontra os corpos das esposas assassinadas. Ao ver seu segredo revelado, Barba Azul diz que ela terá o mesmo destino das demais, por ter traído sua confiança. Entretanto, os irmãos da moça chegam e conseguem impedi-lo, matando-o.

Eu li Barba Azul quando tinha a idade do meu filho. O curioso é que não me impressionou tanto. Em parte, penso que o fato de ter escolhido um livro da Ruth Rocha criou nele a expectativa de algo mais leve e divertido; daí a sua indignação. Mas resolvi ir mais a fundo e provoquei:

– Ué, você joga esses videogames do Lego, e se impressionou com Barba Azul?

– Totalmente diferente, mãe! Aquilo é só um jogo.

– Quando o Batman derrota o inimigo, o boneco explode, e sai cabeça, perna, braço de Lego para todo lado!

– O Lego é de brinquedo.

– E aquele game de luta? Aquele também é horrível.

– Luta é um esporte, e os lutadores têm a mesma força. As mulheres do Barba Azul não tinham como se defender.

(continuando a provocação) – Mas elas não mereceram? Elas foram desobedientes, ele tinha pedido para elas não entrarem naquela sala.

– Mas isso não é motivo para matar ninguém, mãe!

– Os irmãos da moça também mataram o Barba Azul.

Aí minha filha, que estava prestando atenção à conversa toda, disse:

– Mas ele é do Mal, mãe.

Eu reli Barba Azul quando estava grávida dela, em um contexto bem diferente: na análise formidável de Clarissa Pinkola Estés, no livro “Mulheres que correm com os lobos”. A autora associa cada personagem da história, e detalhes como a chave, aos elementos da psique feminina, tomando por base a teoria dos arquétipos de Jung. E mostra a importância de aniquilarmos, dentro de nós, o monstro mental que nos impede de sermos curiosas, criativas e termos acesso às NOSSAS VERDADES.

De aniquilarmos essa força que “é do Mal”.

Talvez, quando eu era criança, vivesse em uma sociedade em que a agressão às mulheres era “cultural”. Em que ler Barba Azul não despertava indignação. Em que as pessoas estavam “acostumadas” a ver, sem questionar, anúncios publicitários como estes (traduções livres):

Anúncio do tecido Dacron. Homem pisa na cabeça de mulher

“É bom ter uma garota por perto”

Anúncio do café Chase and Samborn, com marido batendo na mulher

“Se o seu marido descobrir que você não está escolhendo o café mais fresco…”

Anúncio da cerveja Schlitz. Marido consola esposa, que chora porque queimou a comida

“Não chore, querida, você não queimou a cerveja!”

Anúncio dos suéteres Drummond. Homens no topo da montanha e mulher pendurada.

“Homens são melhores que as mulheres. Em casa, elas são úteis – e até agradáveis. Na montanha, contudo, elas são um estorvo.”

Anúncio das gravatas Van Heusen. Mulher ajoelha-se e serve o café para o marido, na cama.

“Mostre a ela que este é o mundo do homem.”

Anúncio da batedeira Kenwood. Mulher com chapéu de chefe de cozinha abraça o homem de terno.

“O chefe faz tudo, exceto cozinhar – é para isso que servem as esposas!”

Anúncio de Palmolive. Mulher à frente do espelho, com ombro à mostra, olha de forma sedutora para o expectador.

“A maioria dos homens pergunta: ‘Ela é bonita?’ e não ‘Ela é inteligente?’ “

Anúncio das vitaminas Kellog's PEP.  Homem de terno abraça a esposa com avental e espanador.

“Quanto mais duro uma esposa trabalha, mais bonita ela fica! Vitaminas para animar”

Anúncio da máquina de franquia postal Pitney Bowes. Homem tenta convencer mulher a usar máquina.

“É sempre ilegal matar uma mulher?”

Hoje me choca ler a notícia de que a Lei Maria da Penha não conseguiu reduzir o número de homicídios de mulheres. Barba Azul de carne e osso ainda está atual. Mas, ao contrário da história, não é a pena de morte a solução. Deve-se destruir o aspecto simbólico, para que então isso se reflita na realidade – é por isso que os contos de fadas são tão preciosos. A resposta está no conhecimento, na educação.

Por isso, é maravilhoso ver meus filhos adotando uma postura de debate, de contestação. De não achar “normal” que mulheres sejam agredidas. Nem na ficção.

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Veja também:

Os segredos dos publicitários

Verdades

El Bigodito

Mães de animações e seriados 3: por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Maneiras idiotas de morrer

Sites visitados:

Blog do Eduardo Biavati

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“Não se acostume com o que não o faz feliz.” (Silvana Duboc – leia a íntegra)

Nesta semana, participei do 8º Congresso Brasileiro e 4º Internacional de Trânsito e Vida, em Salvador, que apresentou dados contundentes sobre essa realidade que insiste em se perpetuar no Brasil: pessoas morrendo ou sofrendo graves consequências devido à cultura insana de sobrepor interesses monetários aos interesses coletivos.

Uma das pessoas que conheci foi Eduardo Biavati. Ele observa o trânsito por um ângulo bem maior. Em sua palestra, acrescentou a última pesquisa Pense, que mapeia hábitos dos adolescentes. Mostrou, por exemplo, que nossas crianças não mais vão à escola a pé, de bicicleta ou de ônibus. A rua tornou-se “perigosa” demais, e os pais, visando à proteção, motorizou os trajetos dos filhos. Filhos que passaram a ver o mundo através da janela de um veículo, perdendo a noção do risco e – pior ainda – o senso do coletivo. Da cidadania.

Me identifiquei duplamente na palestra do Biavati. Com 8 anos, eu ia a pé sozinha para o ballet (ou de ônibus, quando chovia). Não sei se tenho a mesma coragem de deixar meus filhos fazerem o mesmo no dia-a-dia. Para eles, o ápice da aventura foi andar a pé e de metrô em São Paulo, mas sempre acompanhados por nós. Fico preocupada quando vão brincar com os amigos na quadra ao lado, e precisam atravessar as ruas. E não é só pelo trânsito, mas pelos usuários de crack, pelos pedófilos.

Ao final da palestra, Biavati apresentou um vídeo do Metrô de Melbourne, em Victoria, na Austrália, que integra a campanha pela segurança nas linhas de trem, chamada “Dumb ways to die” (“maneiras idiotas de morrer”). A propaganda alerta para diversos tipos de risco no cotidiano, tais como tomar remédio com validade vencida ou usar eletrodomésticos de forma inadequada, combinados a bizarrices como servir de isca para piranha ou se vestir de alce na temporada de caça, terminando com os perigos de não respeitar as regras de segurança nos trilhos de trem. O sucesso está na abordagem ampla, na metáfora, na dose certa de choque e na informação.

http://www.youtube.com/watch?v=jfEHAVH20hY

Quando assisti, lembrei instantaneamente da musiquinha chiclete que ouvia nos jogos eletrônicos dos meus filhos, dias antes de viajar. Eu tinha desconfiado do refrão e pensado: “quando chegar de viagem, vou investigar que jogo é esse.” Pois o jogo consiste justamente em “salvar” a vida dos monstrinhos nas diversas situações.

Incrível o poder dessa propaganda, associada a outras iniciativas como o game, que cruzou o planeta para ser conhecida pelas crianças aqui no Brasil.

Pesquisando no YouTube, encontrei duas paródias brasileiras, uma para o Rio de Janeiro, outra para Belo Horizonte. Fiquei, ao mesmo tempo, surpresa com a criatividade e estarrecida com a crítica.

http://www.youtube.com/watch?v=OVOQU041u6Q

http://www.youtube.com/watch?v=hCk3j0Q0gQE

No Brasil, andar na ciclovia, parar no sinal vermelho, seguir a sinalização de trânsito, usar o transporte público são maneiras idiotas de morrer.

Enquanto isso, assistimos, de forma impotente, nossos governos apostarem tudo na produção cavalar de veículos motorizados, reduzindo o IPI para incentivar o consumo, glorificando o petróleo. Mas não, o governo se exime na propaganda e põe a “culpa” no cidadão, é ele o responsável único pelo trânsito. Esse foi o tema da minha palestra no Congresso Trânsito e Vida: por que a propaganda de paz no trânsito não surte efeito?

campanha Parada Seja você a mudança no trânsito

Se a rua está perigosa, não quero me acostumar a isso (é fácil acostumar, quando estamos na nossa zona de conforto). E, se a mudança está nas mãos do cidadão, vamos ver nas próximas eleições quem são os candidatos que colocam o transporte público de qualidade como prioridade. Status não é sair de carrão, é poder ir e vir sem se preocupar com engarrafamento e vaga para estacionar. É cruzar com outras pessoas e restituir nosso senso de cidadania.

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

Se abrir fábricas monstruosas da indústria automobilística gera emprego, então vamos abrir fábricas de metrô, de trem. Diminuindo os desastres, o dinheiro que hoje é usado para pagar os tratamentos e pensões por invalidez das vítimas do trânsito poderia ser investido em mais ciclovias e linhas coletivas.

Chega de perdermos vidas por causas idiotas.

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O dia em que falamos da Constituição para meu filho

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Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

El bigodito

Por Maria Amélia Elói*

pintura de Frida Kahlo com flores

“Cores de Frida Kahlo, cores” (Autorretrato)

Tanto a minha família quanto a família do meu marido têm mulheres de bigode. Eu mesma, na minha forma original — isto é, antes do advento da depilação com cera — sou uma dessas fêmeas com quem, como diz o ditado, nem o diabo pode. Muito natural, então, que minhas filhas nascessem com a tal penugem debaixo do nariz, acima da boca. E no caso delas, que são bem morenas, o pelo é preto, muito preto.

Minhas bigodudinhas têm ainda sobrancelhas fartas, praticamente umbrancelhas, e uns pelos visíveis no papo. Mas, na real, elas não são tão cabeludas quanto as mulheres barbadas que trabalham nos circos. Também não chegam a Frida Kahlo. São meninas cabeludas que esbanjam feminilidade!

Como eu já disse, fui bigoduda durante a infância inteira e até mesmo durante a adolescência. Nas minhas fotos de debutante, aos 15 anos, lá estava o buço! E, pelo menos que me lembre, eu não me preocupava muito com ele. Nem minha mãe, nem minhas amigas, nem minha depiladora me incentivavam a retirada dos pelos. Eles estavam lá, até os 17, sujando meu rosto; mas só resolvi encarar a dor da depilação no rosto quando o meu espelho sugeriu que eu poderia ficar com o semblante mais leve se tirasse a sobrancelha e o moustache. De lá pra cá, tiro o buço e a sobrancelha todo santo mês.

E não é que a minha filha mais velha, de apenas 6 anos, já está preocupada com seu bigodito? Outro dia, enquanto eu contava histórias para ela à noite, na cama, ela me surpreendeu com um choro sofrido e a confissão: “Eu não gosto de ter bigode, mamãe. Meus colegas ficam me perguntando por que eu tenho”.

Fiquei realmente assustada com essa precocidade, já que, lá em casa, ninguém incentiva vaidades estéticas. Com muito jeito, expliquei à angustiada menina que a nossa família tem várias mulheres de bigode e que isso não nos faz menos femininas. “Você é linda desse jeito, filha, com esse bigodinho. Quando você crescer um pouco mais, se você quiser, podemos tirar esses pelos do seu rosto. Só que dói, viu? Não vou mentir”.

Luana se acalmou, sorriu e não falou mais sobre o assunto. Mas eu sei que, logo em seguida, daqui a alguns dias ou anos, ela vai demonstrar preocupação com a sobrancelha, a barba, os pelos nos braços, nas costas, nas pernas… Vai também implicar com sua cor escurinha e com o próprio cabelo, que é anelado. E provavelmente vai querer clarear e alisar os cachos. Esticar o cabelo, eu confesso, também era o meu sonho desde a adolescência, quando meu cabelo começou a encrespar. Eu rodava toca de meia ou de grampo no cabelo e adorava fazer escova para vê-lo lisinho. Mas faz uns 15 anos que assumi com fervor a “crespitude”, atitude encaracolada, e agora quero defender, pelo menos até quando for possível, o cacheado do cabelo das minhas filhas.

Mas será que algum conselho meu poderá demover minha filha da ideia de que a Barbie e a Cinderela — que não têm nenhuma penugem no corpo — são as verdadeiras lindezas do planeta? O que fazer para que nossas crianças amem os próprios cabelos e os próprios pelos e os próprios corpos, mesmo que os colegas e a mídia e o mundo teimem em apontá-las como imperfeitas? Como elas podem adquirir autoestima suficiente para amar e valorizar a própria beleza natural? Como não escravizá-las a tantos procedimentos estéticos artificializadores?

Só agora, enquanto mãe de duas meninas, entendo como é forte a imposição da beleza sobre as mulheres e ilimitada a exigência da vaidade. É tão difícil dissuadir as pequenas do desejo de usar esmalte, batom, blush, perfume… É tão difícil que não queiram ser mulheres enfeitadinhas desde cedo!

Sinceramente, eu torço para que as lanugens da Luana resistam intactas pelo menos até os 12 anos. Para mim, aquele bigodito sapeca é sinal de que a primogênita continua e continuará sendo a minha menina!

* Maria Amélia Elói, 39 anos, é mãe de Luana Lis, 6, e Mariana Flor, 2.

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“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Este post faz a análise do texto “Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” de Lia Miranda e dos comentários, publicados no Portal Minha Mãe que Disse!

Até o dia 14/02/2013, foram publicados 110 comentários. A autora do post não comentou.

Muitas pessoas manifestaram opinião em relação a outros comentários, e não necessariamente ao post. Assim, não há como estabelecer a divisão numérica e precisa de quem concordou e quem discordou do texto em si.

Optou-se, assim, por organizar a análise por tópico, iniciando com o argumento de Lia e prosseguindo com os comentários.

1.       Julgamentos

Argumento de Lia:

“A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho traz o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. Quem defende essa teoria, embora não o admita, tem suas próprias convicções do que acha melhor e, mesmo que internamente, condena quem faz diferente. […]

“Essa teoria não traz nenhum benefício para as nossas crianças e abre espaço para que os meios de comunicação de massa (pessoas querendo lucrar) entupam a cabeça das mães mais “abertas” com teorias maliciosas como a da culpa zero.”

Concordam com o texto

  • “Essa coisa de tentar o melhor é um discurso vazio, que não leva ninguém a lugar nenhum, só serve mesmo pra passar a mão na cabeça.”
  • Sou muito grata à minha culpa e ao meu não-conformismo, que me fizeram não virar mais uma ‘mãezinha’ que tudo aceita, que acha que está muito certa e, é claro, julga (mal) as que criam com muito amor, muito peito e muito apego.”
  • “As mães que clamam pelo equilíbrio, as que se dizem coluna do meio, muitas vezes torcem o nariz para as lutas pelos direitos das mulheres (que falam mal da Marcha pelo Parto em Casa, Marcha das Vadias, Mamaços, amamentação prolongada, amamentação em público etc.) Mas estas dizem que não, não julgam ninguém.”

Discordam do texto

  • “Você rejeita a teoria de que cada um faz o que acha melhor. Mas não é exatamente isso o que você tá fazendo? Me incomoda o fato de que este argumento é amplamente utilizado na defesa de causas e teorias que eu acho muito corretas, o que acaba reforçando o rótulo de ‘radical’ de quem o faz.”
  • ” ‘Rejeito a teoria de que cada um faz o que acha melhor’ – só aceito a teoria de que todos tem que fazer o que EU acho que seja melhor.
  • Em geral, julgo, sim, no entanto, julgo atitudes abusivas e incoerentes demais – que não dariam para não serem julgadas por qualquer pessoa de bom senso.
  • Muitas vezes mães que seguem um determinado caminho tendem a querer reforçar a validade deste caminho colocando que todos devem segui-lo e quem não vai por aí é pior. Não acho que seja apenas uma questão de tempo que se dedica aos filhos (não é tão simples esta matemática).”
  • “Tento de verdade não julgar, para ensinar a não julgar, ter bom senso e explicar que na maioria das casas a educação dos coleguinhas será diferente, e que ser diferente nem sempre é melhor ou pior.”
  • “O que não concordo é julgar sem saber, falar que se fez cesárea é pior, se não amamentou é pior, se deixa chorando é pior, se pega no colo toda hora é pior, criação com apego é melhor do que criação sem muito apego.”

2.       Preocupação com o futuro

Argumento de Lia:

“O que eu tenho a ver com o que fazem os outros pais e mães? Muito. Porque essas crianças com as quais minhas filhas estão convivendo na escola, na igreja e no parquinho serão seus futuros amigos, namorados, colegas de trabalho, vizinhos, patrões, governantes.”

 Concordam com o texto

  • “Os pais são sim responsáveis pelo que os seus filhos se tornarão.”
  • “Infelizmente minha filha vai ser amiguinha do filho da idiota que coloca ele do lado de fora do apartamento para ficar gritando porque dá eco. O que para essa mãe [idiota aos meus olhos] é uma coisa bonitinha, para mim é um caos.”

 Discordam do texto

  • “Nossos filhos terão que conviver com o diferente, assim como nós convivemos com pessoas que tiveram criações totalmente diferentes das nossas (e certamente absurdas aos olhos dos nossos pais!). E não acho isso um problema, é um fato imutável.”
  • “Ficar preocupada com que tipo de colega de trabalho e patrão suas filhas irão se relacionar é protecionismo besta! Meus filhos não são prioridade, minha família é! Não por isso serão péssimos colegas de trabalho, vizinhos e quem sabe até governantes. Uma família feliz tem filhos felizes. Simples assim.”

3.       Culpa

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero se traveste de um herói que vem nos resgatar de um sentimento negativo e opressor. Mas não é a culpa que essa teoria tenta aniquilar: é a nossa consciência. As consequências são desastrosas.”

Concordam com o texto

  • “Mães e pais que se colocam como prioridade frente ao bebê colocarão a culpa na criança, no adolescente e no adulto futuro. Se não conseguem dar a educação que gostariam por alguma impossibilidade real, que ao menos sintam culpa e tenham consciência de que a culpa não é dos seus filhos.”
  • “Como uma revista pode me dizer que eu não tenho culpa de nada!? Eu é que tenho que correr atrás, e fazer direito o ‘dever de casa’ para parar de sentir culpa. Se fazemos o melhor que podemos, não tem como a culpa aparecer.”
  • “Eu senti muita culpa por não ter conseguido levar a amamentação da minha primeira filha adiante e, se não fosse por esta culpa, que se transformou em sede de conhecimento, em busca por informação de qualidade, por pessoas e profissionais que me apoiassem, teria ficado satisfeita, pensado que ‘tomou LA e não morreu’ e repetido com a segunda.”
  • “Eu convivo bem com as culpas que carrego e a campanha deveria ser sobre a importância da culpa e não negar a sua existência.”
  • “Acredito que a culpa seja realmente importante, pois ela traz a reflexão, traz a conscientização do que é melhor. E imunizá-la seria cancelar essa consciência do certo e errado.”

Discordam do texto

  • O meu ‘culpa não’ se refere a ausência de culpa por tirar os meus filhos do pedestal e botar a família inteira junto.
  • ” ‘Culpa’ tão somente não nos coloca de frente à responsabilidade das consequências. Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa!
  • A culpa é um sentimento que paralisa, que enfraquece, que tira o eixo. O caminho para mudar aquilo que não está legal é autoconhecimento, reflexão, questionamento e na minha visão compaixão. A sociedade é muito cruel com homens e mulheres.”
  • “O meu ‘culpa não’ é o que me dá é leveza no exercício da maternidade, e não um passe-livre para ser uma mãe de merda. De um para outro existe uma enorme diferença.”

4.       A “menos mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero está aí para dizer que ninguém é menos mãe porque – complete com qualquer coisa: não pariu, não amamentou, deu papinha industrializada, não passou tempo suficiente com a criança.

“Minha amiga Cíntia não é ‘menos mãe’ – sejamos francos: mãe pior – porque não amamentou. Mas a Galisteu, que desmamou o filho porque precisava viajar com o marido pra Ibiza quando o bebê tinha dois meses, talvez seja.

“ ‘Menos pais’ e ‘menos mães’ relegam seus filhos a um abandono emocional em nome das suas próprias rotinas. Crianças perdidas, sem educação, sem carinho, sem disciplina, jogadas na frente de uma televisão enquanto a babá fala ao celular.

“Seja porque têm menos disponibilidade para exercerem esses papéis, seja porque os exercem com total irresponsabilidade, pais e mães piores são aqueles que se colocam como prioridade diante de seus filhos, são os que querem a todo custo desvencilhar-se deles com medo se se encontrarem consigo mesmos e preferem viver anestesiados pelo consumo, pelo lazer, pelo ócio.

“É verdade que não se pode jugar a qualidade da prática de uma mãe por um aspecto isolado, especialmente se desconsiderarmos todo o contexto cultural e social no qual ela está inserida.”

Outros conceitos de “menos mãe”, segundo os comentários

  • “Mãe que sai para o bar e deixar o filho dentro do carro esperando é pior do que a que se dedica e busca programas para os quais possa incluir seus filhos.”
  • “Mãe que deixa chorando é pior do que a que acalenta. Faz isso pensado em si própria, em seu sono, não no bebê.”
  • “Mãe que não tem saco de acordar à noite para acolher o filho choroso é uma péssima mãe.”
  • “Eu sinto pena da Adriane Galisteu, porque ela poderia viajar em qualquer outro momento de sua vida. Mas ser mãe daquele recém-nascido e amamentá-lo com esplendor seria um momento único, e na minha opinião, sagrado.”
  • “Mãe que abandona os filhos para ir para Ibiza e substitui tempo com os filhos para ir para uma festa à noite toda semana.”
  • “A Galisteu foi uma ‘menas’ mãe quando desmamou um recém nascido pra sair em lua de mel.”
  • “É menos mãe/pai quem negligencia seus filhos, quem não educa, não passa valores, não dá carinho, tempo, atenção.”
  • “Colocar uma criança no mundo, dar todos os brinquedos tecnológicos, deixá-la sentada a frente da televisão porque a galinha pintadinha canta músicas de criança e se dizer boa mãe.”
  • “Mãezinhas que escolheram a maternidade que tinha salão de beleza para receberem as visitas pós-parto na beca.”
  • “Mulher que prefere assistir seus filhos brincarem no tanquinho de areia do que interagir com eles para não estragar as unhas. Mas não entro no mérito do texto em dizer que isso é ser menos mãe. Até porque sei lá o conceito de mãe que uma pessoa assim tem.”
  • “Mãe que vive na ‘umbigolândia ‘”.
  • “Mães que choram ao quarto ao lado, com o coração apertado por deixar o filho chorando, mas não têm coragem de se desvencilhar dos cordões de marionete que a prendem.”
  • “Mães e pais que terceirizam a criança por causa da ideia cada vez mais popularizada (e levada ao extremo) de que ‘mãe feliz, filho feliz’.”
  • “Mães e pais que acham que devem mais à sociedade que ao seu próprio filho e são capazes de cometer a barbárie de dar uma festa de ‘boas vindas’ ao bebê ainda na maternidade.”
  • “MENOS mãe é aquela que tem todas as informações e ainda assim, age pensando em si mesma apenas.”
  • “Pais que acham que os filhos é que têm que se adaptar a vida deles, e dá-lhe horas em salão de beleza, redes sociais, com celular em punho sem sequer olhar o sorriso da criança, viagem do casal, que precisa muito desse tempo.”

Questionamentos ao conceito de “menos mãe”:

  • “Conheço quem adotou o método horrendo do Nana, neném com a convicção de que isso ajudaria o bebê a dormir melhor, e que estava fazendo o melhor por seus filhos. Não fez para melhorar seu próprio sono porque, mesmo com seus bebês dormindo que nem ‘anjo’ depois do método funcionar, passava a noite acordando para ver se estava tudo em ordem com as crias.”
  • “Não gostei do texto! Achei uma volta ao passado sem tamanho! Cada um com a sua realidade e seus problemas! Julgar é fácil demais, fazer o que a maioria das mães brasileiras faz para sustentar, dar amor e carinho tudo ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um! Isso não é abandono emocional, isso é responsabilidade!”
  • “Ser mãe não é receita de bolo!”
  • “Babá, suco de caixinha, e televisão não é liberalismo ‘demoníaco’, é realidade!!!”

5.       A “mais mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da maternidade ativa e consciente vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos, buscando as melhores escolhas, mesmo com sacrifícios pessoais.

“A ‘mais mãe’ exerce a maternidade em maior quantidade (de tempo, por exemplo), ou uma maternidade de melhor qualidade.

“Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. Nossos filhos são nossos parceiros, representam oportunidade única de nos redescobrirmos.”

Questionamentos ao conceito de “mais mãe”

Se a “menos mãe” foi duramente criticada, o conceito de “mais mãe”, por oposição, também foi alvo de muitos questionamentos:

  • “Uma mãe culpada ou que age por culpa não é uma boa mãe. Mas isto não significa se isentar de suas responsabilidades.”
  • “O que dizer da mãe que expõe as questões, imagens e intimidades dos filhos em um blog na internet, podendo causar a eles desconforto no futuro?”
  • “Acho que sei como essa mãe, tão comprometida com o maternar, age. Mas sei muito pouco sobre como ela sente. Se essa mãe está verdadeiramente feliz e completa, maravilha. Maternidade ativa é o melhor caminho para o filho e também para ela. E se ela não está assim tão feliz?”
  • “Uma mãe infeliz não seria uma ‘mãe menos’ “?
  • “Não vejo como seria possível uma mulher se negligenciar e, ainda assim, ser boa mãe. Se não cuidarmos de nós mesmas, como poderemos cuidar dos nossos filhos?”
  • “O que é melhor, brincar com o filho quando ele chega em casa da creche ou deixar o filho pra lá brincando sozinho pra fazer uma papinha caseira?”
  • “Não vou comentar mais nada, porque é perigoso eu ficar com sentimento de culpa por estar lendo textos na Net ao invés de brincar com a minha filha neste momento.”
  • “Alguém já inventou a tabela de medição, tipo INMETRO para mãe? Em que tempo/espaço medimos a eficiência da mãe? Na qualidade da infância? Nos confrontos da adolescência? Ou no ser que deixamos para o mundo na idade adulta? Porque eles mudam, e mudam muito. E o meio muda, e a atitude da mãe muda…”
  • “Talvez as pessoas estejam errando a dose: supervalorização da criança em detrimento do coletivo. Quem garante que esse desvio não se deve a pais grudentos demais, anulados como pessoas e dispostos a viver em função do filho 28h por dia? Não dá para dizer isso, nem o contrário.”
  • “Conforme a criança cresce as coisas mudam, pq cada fase é uma fase, e se os filhos são criados para o mundo, então uma hora eles se tornam independentes. Conforme essa independência é construída a mãe precisa saber ir igualando as prioridades.”
  • “Não ha coisa pior, nem pra mãe e nem pro filho, do que depois q a cria cresce e sai do ninho, a mãe fica sem chão e se descobre um ser sem vida própria. Daí podem nascer diversos problemas, uma sogra chata que quer a todo custo continuar vivendo a vida da cria, uma pessoa depressiva/rabugenta/lamurienta que acha q o filho é um ingrato e se revolta contra tudo/todos, e um filho que vai sentir culpa.
  • Se minha mãe me perguntasse se eu gostaria que ela abrisse mão de TODA sua vida e seus sonhos por mim, eu diria que não, acho que se anular -completamente- em prol de outro alguém, mesmo que esse alguém seja seu filho, é um fardo muito, muito pesado de se carregar.”
  • “Mamãe projetou a felicidade dela em nós, mas, como é natural, ao crescermos, cada um tomou o seu caminho. Eu continuo muito próxima dela, mas o afastamento natural de meu irmão para ela é uma mágoa profunda, uma ferida sem cura. Se, por algum motivo, eu não puder me fazer tão presente na vida dela, ela será infeliz. E como eu vivo com isso? Se ela tivesse deixado de passar algumas horas por dia comigo, não teria sido menos mãe por isso. Parte de minha felicidade como filha é a felicidade de minha mãe, e é muito melhor se a felicidade dela não depender apenas do ‘ser mãe’ “.

6.       Ter filhos

Argumento de Lia:

O Dr. José Martins, em A Criança Tercerizada, teve a coragem de dizer que quem não está disposto a mudar suas rotinas para cuidar de seus filhos não os deveria ter.

Concordam com o texto

  • “Não dá pra simplesmente ‘encaixar’ a maternidade e levar a mesma vida de antes de ter um filho – se é pra ser assim, por que tê-lo então?”
  • “Os motivos apontados por TODOS para ter filhos são egocêntricos. Garantir descendência, por costume social ou por que é ‘um sonho’ não são motivos centrados não na criança.”

7.       A influência da Mídia

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. O princípio demoníaco da identidade própria, auto-suficiente, é um engodo para nos desumanizar e nos tornar vítimas perfeitas do consumismo e do capitalismo industrial. Segundo a grande mídia e a indústria publicitária, ser você mesmo é ser igual a um padrão de sucesso e beleza estabelecido por outras pessoas, ser uma marionete.

“A mídia coloca o adulto em primeiro lugar e pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. O conflito entre mães e filhos é um mito criado para vender.”

Concordam com o texto

  • “Minha avó (84 anos) queria dar ruffles para minha filha e eu disse que não, que fazia mal… ela olhou o rótulo, indignada, e disse ‘Meniiiinaaaa, é só batata’. Minha avó é analfabeta, foi da roça, é megasaudável e ACREDITA que ali só tem batata e que alguma espécie de milagre faz aquela batata não se decompor. Ela achava que era o melhor para a bisneta.”
  • “Isso me lembrou a sugestão da revista Crescer sobre decoração de quartos de bebês e havia lá um berço e uma cama, a cama da babá.”
  • “Queremos mães que entendam os problemas de saúde pública da sociedade brasileira (desmame precoce, epidemia de desnecesáreas, excesso de sódio na alimentação infantil) que se repercutem na saúde de seus filhos e que entendam que somos enganadas e manipuladas cotidianamente em nome do lucro.”
  • “Não é martirizar ninguém pelo passado nem condenar por um evento isolado na vida materna. Estamos aqui como mulheres que defendem mulheres. A maternidade é aprendizado. E é muito interessante ao mercado ter mães não pensantes.”

Discordam do texto

  • “Eu não sei que revistas você anda lendo, mas destoam completamente das que eu leio. Em geral, pregam que a mulher deve ser uma heroína, cuidando integralmente dos filhos, sem abrir mão de todo o resto, como se a mulher tivesse de seguir padrões inviáveis de perfeição.”
  • “Se tem pai e mãe que larga, não são as revistas e as propagandas que ensinam, estimulam ou incentivam esse comportamento.”

8.       Comentário: Adendos ao texto

  • “Há uma teoria de maternidade que não foi contemplada e que é a mais importante: a que considera que a educação e cuidado das crianças não é somente de responsabilidade dos pais, a que considera que a maternidade mais comum será praticada também de acordo com as condições sociais na qual se perpetua. Ter um Estado e uma sociedade que valorizam a infância é fundamental para que sejamos bons pais sem sofrer mais do que necessário.”

9.       O Caminho do meio

Propostas de caminho do meio, segundo os comentários

  • “Não consigo abraçar um estilo de maternidade que considera as necessidades do filho mas não as da mãe.”
  • “O objetivo final é de felicidade, para pais e filhos. Com RESPEITO aos limites e às necessidades pessoais.”
  • “Vislumbro o tal caminho do meio, no qual as pessoas têm direito a fazer suas escolhas.”
  • “O caminho do meio não mata, não fere, só fortalece, porque ser mãe é um dos meus muitos papéis nessa vida.”
  • “O sentir me diz que eu quero ser ‘mais mãe’, sem deixar de ser ‘mais eu’. Dedicar, estender, absorver, me sentir feliz pra fazer feliz, à vezes com muita abdicação, às vezes nem tanto. Observar constantemente para saber onde posso e devo ‘ser mais’ e onde devo ‘ser menos’.
  • Eu sou da maternidade ativa às vezes e sou uma “menas main” outras vezes – depende da hora do dia que você encontrar comigo. Exerço os dois papéis com relativa tranquilidade.”
  • “Não é questão de ficar em cima do muro, e muito menos de falta de envolvimento. Quero o danado do equilíbrio, não consigo me enquadrar em nenhuma categoria, quero fazer do jeito que funcione pra mim e para os meus, quero poder experimentar e mudar de opinião, fazer valer se é que me entendem. Quero valores (morais) sim e amores, quero a honestidade e a capacidade de realizar, quero a frustação para poder crescer, quero a conquista para a determinação e disciplina, quero a reflexão sempre em qualquer atitude, quero bem estar, quero estar bem.”

Críticas ao Caminho do meio, segundo os comentários

  • “O Brasil não precisa de MAIS GENTE passando a mão na cabeça das mães que abdicam do filho para ter uma ‘vida’. Até porque isso é viver em função do mercado, não do filho. Condenam tanto quem vive em função do filho e não se tocam que vivem em função do mercado, do status, da aparência, do carro novo e das unhas e cabelos impecáveis.”
  • “O discurso contemporizador busca minimizar uma responsabilidade que é nossa, faz com que vibre ainda a mais a nossa natureza, que já é egoísta.”
  • “Espero um dia chegar a esse equilíbrio. Mas temo que palavras assim ditas num portal formador de opinião do porte do MMqQ pode fazer mais mal que bem.”
  • “No Canadá esse discurso faz completo sentido, já que a maternidade e a paternidade se completam. Mas não acho que o Brasil está precisando de mais passada de mão na cabeça agora, de mais uma referência pra se apoiarem e se eximirem da responsabilidade.”
  • “Se continuarmos falando, teclando, denunciando, gravando!, engrossando o coro e o caldo… mais e mais pessoas vão se tocar, vão ouvir o barulho e dar atenção a ele.”
  • “Meio termo, mediano, estar na média são sinônimos para medíocre.”

Tréplicas do Caminho do meio, segundo os comentários:

  • “Quando encontrei esse mundo de informações me senti mais desesperada e deprimida, do que acalentada. Isso pq a quantidade de mães que acham que só há um jeito certo de maternar é infinita, e desculpem, mas isso não é legal.”
  • “Essa postura do ‘não precisamos disso agora’ desrespeita as mães que leem o texto. Primeiro porque não é honesta – omite propositalmente um lado da questão para convencê-la de que o outro é certo. Segundo, porque as subestima: diz que a mãe brasileira não está pronta para um discurso que não a trate como uma cretina e que ela precisa ouvir o lado mais duro, ‘que não passa a mão na cabeça’, pra entender direitinho. Terceiro, porque é arrogante: vende uma única verdade possível (mesmo que, no fundo, admita que existem sim outras leituras).”
  • “Com quem o texto está falando? Nunca vi na blogosfera nenhuma mãe assim, tão extrema, tão descomprometida, tão ‘menas’. Nem na vida real eu já vi essa mãe. Essa mãe tão errada – pois foi erroneamente construída pelo sistema – existe e tá aí, condenando o seu filho ao abandono emocional completo. Pergunta: ela tá lendo blog de maternidade? E, na remota possibilidade de estar: ela foi adiante no texto ou parou logo no ‘asneiras’ do título, prevendo as pauladas que viriam? E, se foi adiante: ela está aberta ao texto ou vestiu uma armadura que vai comprometer a sua leitura?”
  • “Mães se sentem agredidas o tempo todo. Mães agredidas levantam as armas. Mães armadas não estão dispostas a ouvir. Distorções de discurso acontecem muito por causa da disposição (ou falta de) de uma mãe ouvir a outra. O que cria essa disposição? Empatia. Como se cria empatia? Pela identificação, pelo respeito, pela tentativa de compreender o outro.”
  • “O problema é que eu vejo a blogosfera mais militante tentando atingir pela dureza justamente quem precisa de acolhimento.”

Marusia fala

Após ler o post, os comentários, as réplicas e as tréplicas, me parece que todos estão de acordo com uma coisa: é necessário investir em uma sociedade melhor, e o cuidado com a infância é imprescindível. O que não tem consenso é a forma de alcançar esse objetivo.

Cada forma é defendida com unhas e dentes, quando não há nada que comprove sua eficácia. Só o futuro poderá dizer como serão os filhos de “mais mães” e “menos mães”. Além disso, essas crianças terão recebido influências múltiplas, o que nos impedirá de afirmar se foi a forma de maternagem que definiu seu modo de ser.

Sem garantia nenhuma, as mães se prendem a convicções. O pensamento diferente é tomado automaticamente como crítica: “se não está comigo, então é meu inimigo”. Não sobra espaço para o meio termo, nem para a tentativa de apaziguamento.

Assim, presas à forma e em eterna guerra pela sociedade de amanhã, nós mães nos desviamos do objetivo de ter uma sociedade melhor HOJE.

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Mamífera!

No post de hoje, a escritora Maria Amélia conta um pouco sobre o desmame e o que envolve esse processo. Quando a decisão cabe à mãe, sobrevêm sentimentos diversos relacionados a vontade, sono, prazo, reconfiguração do encontro e, ainda, nossa postura diante do “Lá Fora” – que parece insistir em transformá-la numa decisão que é “de todo mundo”.

“Não mama?” “Ainda mama?” “Isso?” “Aquilo?” Já que não estamos imunes às “interferências”, então vamos usá-las a nosso favor, com um relato sincero que pode inspirar quem está atravessando a mesma fase.

“Mamífera!

Por Maria Amélia Elói

Tenho duas filhotas queridas: Luana Lis, de 6 anos e 1 mês; e Mariana Flor, de 2 anos e 5 meses. Amamentei a primogênita até os 2 anos e 5 meses e estava planejando desmamar a caçula quando ela completasse essa mesma idade. Ai, ai, ai, o prazo está caducando… Mas sou mamífera de carteirinha! Não nasci para tirar o doce (leite) da boca da criança! Adoro os meus grudinhos como penduricalhos.

Ainda não estou muito certa se chegou a hora da Mariana, ou melhor, se chegou a minha hora. Quando imagino o fim dos nossos lácteos encontros, sinto um treco esquisito, pressinto uma saudade ardida, daquelas que umedecem os olhos.

Não foi difícil desleitar a Luana. Certo dia, mostrei-lhe uma faixa enrolada aos seios e disse que eles estavam dodóis; por isso, eu não poderia lhe dar o mamazinho. Quando eu chegava do trabalho, ela vinha correndo me encontrar, com a mesma pergunta: “Sarou, mamãe? Deixe eu ver”. Isso durou uns três dias. Ela demonstrava dó de mim, e eu também ficava com pena dela (na verdade, mais de mim que dela). Eu chorava no quarto, enquanto meu marido colocava a Luana para dormir. O coitado não sabia se acudia a mulher plangente ou a filha. Mas a adaptação foi superpositiva, e o consolo veio logo. Não mais podendo se utilizar do meu peito como chupeta, Luana passou a dormir a noite toda já no primeiro dia de desmame! Parecia milagre para uma criança que acordava no mínimo quatro vezes por noite.

Desleitei a Luana porque eu precisava dormir! O motivo do meu cansaço (em razão do acorda e levanta toda hora para amamentar a Luana) era forte. E agora? Qual é a “desculpa” para eu tirar a Mariana do peito? O anjinho tem dormido bem melhor, chamando-me apenas uma ou duas vezes por madrugada. A bezerrinha merece “condenação”? Vocês precisam ver o sorriso dela, pedindo, em volume aumentativo: “Mamãe, quero mamar, mamar, mamar!”. E quando ela termina um lado: “Quero mais. O outro, o outro, o outro”. É o trem mais fofo do planeta!

Há quem diga que o bebê precisa ser desmamado logo — para se tornar mais independente e para não interferir na alimentação. E no caso da mãe completamente presa a seu pingentinho sugador? Como incentivá-la a tirar o peito do filho?

Muitos reprovam quem amamente até a criança ficar grandinha. “Ela ainda mama? Não acredito! Isso vai até quando? Até o baile de debutantes? Até o casamento?”. É um povo que teima em se intrometer na relação e na refeição dos outros, hein?

Estou lendo um livro fascinante, chamado “Quarto”, da escritora irlandesa Emma Donoghue, que enfoca a relação de carinho e confiança construída entre uma mãe e seu filho, de cinco anos. Eles vivem confinados num quarto, sem nenhum contato com o Lá Fora. O narrador é o próprio menino, Jack, que sempre pede à mãe para “tomar” um pouco. Trata-se de um garoto muito esperto e cativante, que não dispensa o leitinho da mãe. No caso, além de fortalecer o amor entre eles, a amamentação é até uma fonte nutritiva para Jack, que se alimenta mal naquele cárcere. É bem provável que, se eles vivessem em comunidade, a mãe já teria desmamado o filho; mas, sem a interferência do Lá Fora, eles podem manter esses momentos de graça.

Não, não vou aleitar a minha Flor até os 5 anos. Pelo menos acho que não. Mas talvez eu não tire a pequena do peito neste mês, só porque ela chegou à data limite. Quem sabe quando ela completar 2 anos e 6 meses, ou 2 anos e 11 meses? Não me considero uma pessoa descontrolada ou neurótica. Às vezes até acho que sou uma mãe sensata e equilibrada. Em breve, a questão do desmame estará resolvida, sem grandes traumas! Prometo contar o desfecho.”

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Veja também:

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai

Os segredos dos publicitários

Dia desses eu li no Facebook uma definição para alimentos saudáveis: todos os que não têm propaganda.

Os intervalos comerciais trazem realmente uma sucessão de produtos industrializados, cujos apelos se apoiam em:

  • Personalidade de Marca;
  • Design chamativo;
  • Predominância de enredos de conteúdo emocional, com associação a situações prazerosas, até mesmo fantásticas;
  • Praticidade no consumo. Exemplo: “pronto para beber”;
  • Algum elemento racional. Exemplo: “enriquecido de vitaminas”;
  • Presença constante na mídia; repetição.

A propaganda é o que garante visibilidade a esses produtos. E vai se estender em cuidadosas estratégias até ao ponto de venda, seja o supermercado ou a lanchonete.

Propaganda não é mera informação; é informação “embalada para presente”. Para encantar, convencer, persuadir. E superar a concorrência.

Os alimentos saudáveis têm todas as características para superar essa concorrência. Podemos aplicar as táticas da propaganda para dar a eles mais visibilidade.

Então, seguem alguns anúncios que gostaríamos de ver:

propaganda de banana. publicidade de alimento saudável.

Clique na imagem para ampliar

propaganda de água de coco. publicidade de alimento saudável

Clique na imagem para ampliar

anúncio publicitário de palitos de cenoura

Clique na imagem para ampliar

Nos Estados Unidos, a simples reorganização dos refeitórios gerou resultados impressionantes. O que foi feito?

  • Cartazes e banners com fotos maravilhosas de alimentos saudáveis logo na entrada;
  • Mesas com buffet permanente de frutas cortadinhas;
  • Frutas e legumes em bandejas separadas por cor, apresentados bem suculentos;
  • Refrigerantes, frituras, guloseimas fora do alcance dos olhos e da mão – todos escondidos atrás do balcão. Se a criança quiser, vai ter que pedir.
refeitório escolar

Foto: Larry Fisher

Podemos tomar emprestadas essas ideias e testar em casa. Os “garotos-propaganda” não poderiam ser melhores: nós, os pais. Saborear essas delícias em família é o melhor exemplo…

A propaganda é inteiramente fundamentada na marca. Todos os outros apelos são para enaltecer a assinatura, a marca. Podemos convidar as crianças a pensar em nomes, slogans e enredos divertidos para os alimentos.

Os mestres de redação publicitária são taxativos para que os trocadilhos sejam banidos para todo o sempre; mas estes são tão engraçados que a gente abre uma exceção…

Para a criançada que curte super-heróis:

(Campanha completa)

anúncio publicitário de uvas Hortifruti

anúncio publicitário laranja verde Hortifruti

anúncio publicitário He manga Hortifruti

Anúncio publicitário Mulher Marervilha Hortifruti

Para quem gosta de cinema:

(Campanha completa)

anúncio publicitário A incrível Rúcula Hortifruti

anúncio publicitário Hortaliça rebelde. Hortifruti

anúncio publicitário dois milhos de francisco. Hortifruti

batatas do caribe

anúncio publicitário Pepino Maluquinho Hortifruti

anúncio publicitário chuchurek hortifruti

anúncio publicitário e o coentro levou... hortifrutiPara quem adora música:

(Campanha completa)

anúncio publicitário couve garota de ipanema Hortifruti

anúncio publicitário eu uso brócolis Hortifruti

anúncio publicitário like a vagem hortifruti

Para exercitar a imaginação e encontrar formas semelhantes (como nas nuvens!):

(Campanha completa)

anúncio de gengibre Hortifruti

anúncio publicitário beterraba hortifruti

anúncio de tangerina Hortifruti

Para quem lê revista de fofoca:

(Campanha completa)

Revista Cascas Hortifruti

anúncio publicitário Revista Cascas alho hortifruti

Para os antenados em moda:

(Campanha completa)

Publicidade. A moda é usar roxo Hortifruti

A moda é usar verde anúncio da Hortifruti

Esta é importada (Diana Ross):

Na pesquisa, ainda encontrei perdido um anúncio de frutas brasileiras. Mas só foi veiculado no exterior. Apex, vamos divulgar no Brasil também…

campanha para promoção de frutas brasileiras no exterior

Um tiquinho de contrapropaganda:

Pense fora da caixinha. Salada de frutas Hortifruti

A diferença entre a publicidade e a realidade (rs!)

(post completo)

diferença entre foto da embalagem e a realidade

Nossa, agora vou ali na cozinha comer uns palitos de cenoura com água de coco… De sobremesa, uma banana amassadinha, hmmmmmmm! ^^,

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Veja também:

Brinquedos que gostaríamos de ver

Verdades

Verdades

Sites visitados:

Nemo e a construção da paternidade

Utilização de Nemo no setting terapêutico

Violência na Turma da Mônica

Em defesa da Turma da Mônica

Princesas Disney

As princesas Disney e o feminismo

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Abaixo, estão versões diferentes de três produções infantis:

Marlin, Nemo, Dory no fundo do mar

Procurando Nemo – Disney Pixar

Órfão de mãe, portador de necessidades especiais, enfrenta o pai dominador. O enredo apresenta, sem cortes, cenas de canibalismo, sequestro de crianças, trabalho infantil, vício, mentira, violência e perseguição. Emocionante aventura de um pai em busca do filho, repleta de lindas lições, como a superação, a confiança, a amizade, o estabelecimento de metas e o autoconhecimento. Além disso, oferece novas perspectivas acerca da paternidade: os desafios, o conflito entre ser pai ou amigo do filho e o imprescindível amor paterno no desenvolvimento da criança.
Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali

Turma da Mônica – Mauricio de Sousa

Histórias de um grupo de crianças, em situações estereotipadas e sistemáticas de pancadaria, bullying, compulsão alimentar, inconsequência e falta de higiene. Uma produção que extrapola o mundo dos quadrinhos (atualmente um monopólio nacional, na falta de outras opções de gibis para crianças no Brasil) para compor uma poderosa indústria de bens de consumo. Histórias de uma turma de crianças que trazem lições como amizade, autoestima, criatividade, respeito à diversidade, em um ambiente bem brasileiro. Os quadrinhos mostram como pode ser divertido brincar na rua e a importância de se cuidar do meio ambiente. A personagem principal é do sexo feminino, que sabe se defender e exercer sua liderança sobre o grupo. Ela e as outras crianças foram inspiradas nas filhas e nos amigos de infância do autor, o que explica a sensação de identificação e a familiaridade por parte do leitor.
Aurora, Ariel, Branca de Neve, Jasmine, Cinderela e Bela

Princesas Disney

Universo sexista, em que as mulheres só têm valor se forem bonitas, e cuja realização pessoal só é possível no casamento. Para alcançar esse ideal, elas abandonam suas famílias e seus amigos, abrem mão de seus talentos e são capazes até mesmo de mudar o próprio corpo. Uma delas, na verdade, nem precisou estar acordada para conseguir a atenção do futuro marido. Adendo: Os homens também precisam ser lindos e ricos. Um convite ao sonho e à fantasia, com protagonismo feminino. No reino encantado dos contos de fadas, mulheres corajosas demonstram doçura, bondade, solidariedade e sacrifício pelo outro, e provam que a força poderosa do amor sempre vence o mal.

E aí? Qual é a versão “verdadeira”?

Nenhuma delas.

Porque nada é totalmente bom, nem totalmente mau. Nada tem apenas um lado.

Apegar-se a uma versão é fazer como os cegos que apalparam um elefante. Quem tocou na tromba, achou que era um bambu. Quem tocou no dorso, uma parede. O rabo virou uma corda; a pata, um pilar. Ora, um elefante não é uma soma de bambu, parede, corda ou pilar. É um todo, um conjunto maior que a soma dessas partes isoladas.

Os cegos apalpando o elefante

E quando o elefante nem existe? É uma ilusão, como essa gravura de cinco patas?

ilusão de ótica desenho de elefante

É o mesmo caso dessas produções infantis: não existem. São pura ficção, de entretenimento.

Nemo realmente é órfão, Marlin realmente é dominador. Há cenas de canibalismo (a barracuda que devora a mãe de Nemo), sequestro (o mergulhador que o leva para o aquário), exploração infantil (quando Gil o convence a travar o filtro). Mas também é uma história de superação e oferece uma rica gama de visões sobre o amor paterno.

Mônica realmente bate nos amigos, porque é vítima de bullying. Maurício de Sousa realmente tem muitos licenciamentos de produtos da Turma da Mônica, mas isso é reflexo do sucesso dos personagens. Magali é compulsiva, Cascão é avesso à higiene. Contudo, até esses estereótipos são úteis para ensinar. Existem vários exemplos de respeito às diferenças e exercício da cidadania. Fora que as histórias, tão brasileiras, são garantia de diversão.

Sobre as princesas Disney, elas são mais que o somatório das duas versões, a misógina e a cor de rosa.

A pergunta que surge é: por que essas e outras produções midiáticas fazem tanto sucesso entre as crianças, geração após geração? Muito, muito além de questões como consumismo e alienação, elas fazem sucesso porque contêm uma fortíssima carga simbólica. Porque trazem arquétipos e outros aspectos universais. Não necessariamente são exemplos a ser imitados.

Todos esses personagens e suas histórias estão abertos a infinitas interpretações. E continuarão a produzir sentidos no futuro.

Como diz Eni Orlandi, em Análise do Discurso, “sujeito e sentido se constituem ao mesmo tempo” (Discurso em Análise. Editora Pontes, 2012). Isso significa que, ao ter contato com determinado discurso, a pessoa que interpreta e a interpretação são indissociáveis. Além disso, autora afirma que “o sentido não se fecha, assim como o sujeito também é itinerante”. O mesmo discurso, portanto, é passível de inúmeras análises, até pelo mesmo sujeito.

E assim dão margem a muitas releituras:

princesas Disney vestidas como as vilãs

Como vilãs

Princesas Disney fazendo careta

Fazendo careta

Princesas Disney acima do peso

Inspiradas nos quadros de Fernando Botero

Ariel, Branca de Neve, Bela e Cinderela de óculos

Mulheres de óculos

Princesas Disney sem cabelo

Apoio na luta contra o câncer

Branca de Neve com bebês e marido descansando

Quem sabe o príncipe virou um sapo…

Quadrinho com princesas Disney falando dos maridos

Princesas na versão Desperate Housewives

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Brancas de Neve guerreiras: Once upon a time, Espelho espelho meu e Branca de Neve e o caçador

Princesa Merida com arco e flecha

Merida, uma princesa Disney que não se casa no final

O que fazer diante de Nemo, Mônica, princesas e todos os outros produtos infantis de entretenimento? São muitas as opções:

  1. Evitar que a criança tenha acesso a eles, para protegê-la;
  2. Esperar que a criança tenha maturidade antes de ter acesso a esses produtos;
  3. Deixar a criança escolher o que quer ver e confiar que ela saberá a diferença entre ficção e realidade;
  4. Mostrar os produtos à criança, até para que ela conheça o “lado sombrio da Força” e saiba se defender;
  5. Explicar à criança os prós e os contras;
  6. Deixar que a criança apresente sua própria interpretação sobre os produtos;
  7. Outras.

E aí? Qual é a opção correta?

Ora, essa também não é uma questão de certo ou errado. Cada família deve optar por aquilo que faz SENTIDO para ela, em razão de suas possibilidades e suas crenças. E nem sempre o que é verdade para uma, o é para outra.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 2: o que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: por que nos identificamos e espelhamos nelas?

Quem vai ficar com as crianças? Análise

Li um texto de Rosely Sayão sobre o que fazer quando as crianças entram em férias escolares, ampliando o escopo para o que significa ter filhos. O artigo por si só já chama a atenção, mas os comentários dão novas matizes à discussão. Assim, optei por desdobrar a análise do texto em dois estágios:

  1. Análise do artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?” e os comentários feitos pela internet – neste post;
  2. Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos.

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  1. O artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?”

Leia o artigo e os comentários:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1195154-quem-vai-ficar-com-as-criancas.shtml

Análise

Em Análise do Discurso, não se busca o que está “por trás” do texto. A mensagem fala por si só. Assim, a segunda coluna evidencia, em outras palavras, o que já está presente no artigo, sem fazer juízo de valor.

Pontos principais do texto Análise
Uma mãe se magoou porque teve que ficar com o filho e não pôde ir a um cruzeiro sozinha. A mãe efetivamente ficou com o filho e não viajou, cumprindo com “suas obrigações”. Ela se magoou, mas não deveria se sentir assim. Afinal, “Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais.” Deste trecho, depreende-se: filhos são sempre fruto de desejo.
Ir para a escola quando a maioria dos colegas não está não deve ser agradável. As crianças sabem o significado de férias. Ninguém gostaria de passar férias em seu local de trabalho. Crianças também precisam de férias.
Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Ter filhos implica sacrifícios, ainda que por um tempo.
É recente essa ânsia dos adultos de criar programação para os filhos. Eles mesmos podem fazer isso, mas só se tiverem tempo para o ócio. Crianças são superestimuladas no decorrer de todo o ano, e os pais devem garantir seu descanso.
Por que muitos pais tratam as férias dos filhos como um problema? Talvez seja difícil conviver com eles por períodos maiores do que os pais estão acostumados. O convívio com os filhos é algo difícil. Se fosse natural e bom, os pais não precisariam se habituar para darem conta.
É um problema quando queremos viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los, e quando nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora. Ter filhos muda a vida dos pais para uma vida “obrigada” e pior em comparação com a vida de antes.
Por que temos filhos? A resposta já foi dada no texto: “Ter filhos significa acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer.” Denota um movimento sempre na direção dos pais para filhos, sem abordar nenhum tipo de contrapartida.

Os comentários ao texto de Rosely

Até o dia 8/1/2013, foram feitos 27 comentários pela web. Participaram 11 homens e 9 mulheres (em certos casos, houve mais de um comentário por pessoa – todos de homens). A maioria (13) concordou com o texto.

Argumentos de quem concordou Análise dos comentários
Ter filhos não é para qualquer um. Ter filhos é uma empreitada complexa, que requer preparação.
As pessoas querem ter filhos e continuar com a vida de solteiro. Isso reflete a imaturidade, o egoísmo e a infantilidade desses pais. A vida de solteiro é imatura, egoísta e infantil, o oposto da vida que devem ter os pais.
Hoje todo mundo quer apenas olhar para os direitos, se esquecendo dos deveres. “Filhos” estão no rol de “deveres”.
Ninguém deve pôr filhos no mundo pra dar trabalho pros outros. Filhos dão trabalho. E quem deve assumir esse trabalho são os pais.
Filhos são pessoas, não bonecos. Filhos nem sempre correspondem às expectativas dos pais.
Os pais abdicam por um período de algumas coisas, como seus próprios pais também fizeram. Dar continuidade ao processo de criar filhos equivale a oferecer um tributo à atitude dos próprios pais. E se os próprios pais foram irresponsáveis? Além disso, se for uma questão de retribuição, não é mais lógico fazê-la com os próprios pais em vez dos filhos?
Em vez de reclamar, eles deveriam aproveitar melhor o tempo, pois em breve as crianças serão adultas. Este é um paradoxo. Se o convívio é bom e deve ser aproveitado enquanto os filhos são crianças, não haveria motivo para reclamar.
A criança não pediu para nascer. Se foi um “um acidente”, é necessário “pagar” o preço pelo “acidente”. Ao contrário do texto, aponta-se a possibilidade de um filho não planejado. Mesmo esse “acidente” deve ser assumido.
A criança enxerga a escola como um depósito. Crianças também precisam de férias.
Por causa da falta do convívio familiar, a criança não vai respeitar os pais, pois são estranhos. Os pais perdem o controle, e os professores também. As consequências de não cumprir a obrigação de pais são funestas e vão além do ambiente familiar.
Filho em casa deve ser uma alegria e não um estorvo. Pela primeira vez, alguém não classifica o convívio com os filhos como algo penoso, dando uma pista de que as férias com eles podem, sim, ser prazerosas.
Caso os pais tratem seus filhos como estorvo, logo aparecerá alguém oferecendo alternativas sedutoras que supostamente preenchem esse vazio, como as drogas. O convívio com os filhos é um sacrifício, mas evita sacrifícios ainda maiores depois que eles crescem.

Houve quem concordasse com Rosely e criticasse quem foi contra:

“A verdade incomoda aqueles que já se sentem culpados, mas tentam esconder até de si mesmos e adoram rebater com jargões do tipo ‘não sou menos mãe porque quero ir pro cruzeiro sozinha’ “.

As justificativas de quem não concordou foram:

Argumentos de quem discordou Análise dos comentários
As mulheres trabalham e têm somente 30 dias de férias por ano, enquanto as crianças têm no mínimo 60 dias. Em pelo menos metade das férias as crianças não poderão ficar com os pais que trabalham. A insistência nisso força o conceito de incompatibilidade entre trabalhar fora e cuidar dos filhos.
As famílias que não herdaram fortunas precisam trabalhar para criar os filhos e fazer deles pessoas felizes. Filhos demandam investimentos financeiros.
As mães não devem ser julgadas. Elas trabalham por necessidade, e não por hobby. É muito fácil falar quando se pode optar simplesmente por “não trabalhar” para cuidar dos filhos. Nem sempre a mãe pode optar entre trabalhar fora e ficar em casa, principalmente na ausência do pai.
“Não deixaria de trabalhar por causa dos meus filhos, e não deixaria de ter filhos por causa do trabalho.” As mães querem conciliar maternidade e carreira.
A inexistência de estruturas adequadas para as crianças nos 60 ou mais dias de férias é um problema real e não deveria ser apresentada nunca como “pais irresponsáveis que não ligam para os filhos”. A criação dos filhos também é um dever do Estado.
Seria um retrocesso obrigar as mulheres a ficar em casa e serem donas de casa. O texto cita o exemplo de uma mãe, mas não distingue o trabalho dos pais entre os sexos. Entretanto, para maioria dos leitores, é uma obrigação típica das mulheres.
Todos tivemos na criação a presença marcante e fundamental de uma das avós ou tias ou afins. Isso também é terceirizar? Antigamente, havia uma rede de apoio familiar e comunitária, que assumia a criação das crianças como um compromisso coletivo – e não uma obrigação exclusiva dos pais. Tal rede já não se vê na atual classe média.

Houve quem perguntasse à autora: “E você trabalhava ou era professora?” Respostas de internautas nos comentários salientam que os professores têm férias de 60 dias, como as crianças, e que assim poderiam acompanhar seus filhos por conta disso.

Marusia fala

O único lado não ouvido nessa discussão inteira foi justamente o mais interessado: as crianças. O que ELAS preferem fazer nas férias?

Sobre o texto de Rosely, se a motivação foi conscientizar os pais a manterem o convívio com as crianças, digo que não aposto nesse tipo de abordagem. Primeiro, porque os pais que realmente não têm responsabilidade, e não se sensibilizam com seus próprios filhos, não vão se sensibilizar com um texto de internet. Aliás, eles nem sequer leem esse tipo de coisa. E quem é que lê? Os pais (principalmente as mães) que querem melhorar. E o que eles vão conseguir? Apenas a sensação de que nunca vão dar conta.

Segundo, porque critica determinados comportamentos sem oferecer nenhuma sugestão. Além disso, apresenta a convivência com as crianças como algo penoso, como um fluxo infindável de obrigações que deve partir dos pais em direção aos filhos, sem que se obtenha contrapartida de satisfação.

Terceiro, porque esses artigos contribuem para polarizar ainda mais uma discussão absolutamente infrutífera sobre as decisões de ter ou não filhos. Uma decisão que é pessoal, intransferível.

Faço questão de acompanhar meus filhos sempre, mas também me dou o direito de descansar – e de reclamar, principalmente quando eles não cooperam. Não existe coisa mais opressora para uma criança do que ter uma mãe perfeita, nas férias ou não…

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Veja também:

Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Por que temos filhos?

Elisabeth Badinter, no livro “O conflito – A mulher e a mãe” (Editora Record, 2011), cita uma pesquisa realizada em 2009 pela revista Philosophie Magazine, com as justificativas de homens e mulheres para terem filhos:

  • Um filho torna a vida mais bonita e alegre;
  • Permite à família perdurar, transmitir seus valores, sua história;
  • Um filho dá amor e faz com que sejamos menos sós na velhice;
  • Damos a vida de presente a alguém;
  • Torna mais intensa e sólida a relação do casal;
  • Ajuda a tornar adulto, a assumir responsabilidades;
  • Permite deixar parte de si na Terra depois da morte;
  • O filho pode fazer o que não pudemos fazer;
  • É uma nova experiência;
  • Para satisfazer o parceiro;
  • Uma escolha religiosa ou ética;
  • Não houve motivo, foi um acidente.

Filhos: ter ou não ter?

O blog de Ruth Aquino (Mulher 7 por 7) trouxe o depoimento de Mateus Carrilho de Almeida: “Não queremos ter filhos. Por que não nos respeitam?”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/26/nao-queremos-ter-filhos-por-que-nao-nos-respeitam/

Abaixo, estão trechos do texto:

Filho não fará falta na minha vida. Não farei algo só porque os outros fazem.

Adotar cumpre a mesma função, acrescido de uma responsabilidade social.

Não tenho o mínimo interesse em abrir mão da minha vida. Eu quero viajar com minha esposa, curtir  ir a show de rock, balé, teatro, ver filme adulto, namorar. Somos colorados, vamos nos jogos. Juntinhos. Poderíamos com bebês? E pior, imagina se eu tenho um filho gremista (rsrsrs)?

Dizem que não teremos quem cuide de nós na velhice. Essas mesmas pessoas não cuidam dos seus pais na velhice. O que lhes garante que seus filhos não farão o mesmo?

E na adolescência, quando te dizem a célebre frase “não pedi pra nascer”? Eu não quero me arrebentar pra dar educação, ensino, abrir mão de um monte de coisa pra ter que ouvir isso depois quando eu não deixar um filho fazer um troço que só irá lhe prejudicar.

Vejo os problemas que conhecidos meus têm com seus filhos. Meninas têm dado mais problemas que os meninos.

Pegamos há pouco um filhote de guaipeca, vira-lata. Agora eu tenho certeza que filho é mesmo para os outros.

Já existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Estou já cheio das cobranças, como se só existisse uma maneira de ser feliz e comprometido nessa vida.

Análise

Até o dia 8/1/2013, este texto recebeu 180 comentários, de 149 pessoas (houve quem comentasse mais de uma vez). Dos que se identificaram, foram 31 homens (28%) e 111 mulheres (78%). Ressalte-se que a coluna Mulher 7 por 7 é voltada ao público feminino.

A opinião dos homens ficou equilibrada: 41% discordaram do texto, enquanto 58% demonstraram concordância.

Entre as mulheres, a diferença foi bem maior. Apenas 27% foram contra, e 60% a favor do texto de Mateus. O restante ficou neutro ou respeitou, apesar de pensar diferente.

No cômputo geral, 33% foram contra, e 57% manifestaram apoio à decisão de não ter filhos.

O mais interessante é observar a reação das pessoas que comentaram. Alguns foram tão radicalmente contra, com comentários por vezes ácidos, que ensejaram a resposta da colunista, Ruth Aquino, do Mateus, da esposa dele, Denise, e até da própria mãe do Mateus, Lucy.

Os que concordam com Mateus

Para o grupo que concorda com o texto, os casais que optam por não ter filhos são criticados e pressionados por pessoas com as seguintes características (expressões retiradas dos comentários): hipócritas, egoístas, irresponsáveis, fundamentalistas, intrometidos e imbecis de uma sociedade julgadora, cujo patrulhamento conservador quer a estandartização dos comportamentos humanos.

Segundo os que concordam com Mateus, filho não é a melhor coisa do mundo. Não tê-los é melhor que terceirizar para babás e creches tomarem conta, melhor que abandonar nas lixeiras, espancar. E a mesma sociedade que cobra filhos é responsável por crianças mimadas, adolescentes rebeldes, pais manipuláveis pelos filhos.

Outros argumentos:

  • “É por pensar demais se meu filho será feliz que não o tenho”.
  • Melhor que ser maria-vai-com-as-outras, ter filho só por causa da cobrança da sociedade. “Quem tem filho e vive dizendo que é uma maravilha é como aquela pessoa que pulou numa piscina fria num dia de inverno e fica te chamando, dizendo que tá gostoso”. Ter filhos é uma coisa muito séria, tem que parar para pensar, o que muita gente não faz.
  • Narcisista é quem precisa de um “mini mim” pra “ser feliz”. Se a felicidade não está em nós, não é em esposas, maridos e em filhos que vamos achá-la.
  • Muitos usam os filhos como desculpas pra não fazer nada. “Não posso, não dá, meu filho e coisa e tal”.
  • Nem todos os filhos são umas gracinhas, vide o caso Ricthofen e tantos outros que matam para ficar com herança, abandonando em em asilos, na rua… se a mãe de Suzane Von Richtofen tivesse pensado como o Mateus, pelo menos ainda “estaria entre nós”.
  • Filho JAMAIS será garantia de apoio e amor incondicional na velhice.
  • Casamento não é contrato de procriação!
  • A decisão afeta EXCLUSIVAMENTE a quem não quer ter filhos!
  • A humanidade não vai acabar por causa disso. Viva o controle de natalidade. “A superpopulação é um dos reais fatores que podem levar à extinção da humanidade. Mesmo quem deseje filho, deve limitá-los. Todas as demais campanhas como economizar água, racionar isso, racionar aquilo, somente são paliativos a curto prazo. Maternidade responsável, onde se inclui a ausência de maternidade, é a única salvação!!!”
  • Melhor coisa do mundo é ser tia.
  • Mulher grávida é horrorosa.
  • É melhor adotar as crianças que ninguém deseja, como crianças maiores e até mesmo adolescentes que estão precisando de uma família.
  • Quem abriu mão de sua liberdade para procriar sabe que não pode recuar e fica uma pessoa amarga.

 

Por fim, um contundente depoimento de uma filha indesejada:

Ana28/03/2012 | 3:44

Bom…parece que estão todos a discutir motivos de ter X motivos de não ter. Sabem de uma coisa? Esses motivos não importam. Vou dar meu depoimento de filha que nasceu indesejada. E pessoas como eu existem aos montes, mas grande parte das pessoas (principalmente do time pater-/maternidade-a-qualquer-custo) acham que ignorando o problema e contando sobre o mito do amor materno o problema desaparece. Minha mãe nunca me deixou faltar nada, materialmente falando. Sempre tive roupa, comida, estudo e médico. Mas eu carrego até hoje as frustracões dela, ela me culpa e me cobra a vida que ela não teve pra me criar. Me culpa e me cobra cada centavo que gastou comigo. Sempre desmerece o que eu faço, me humilha sempre que tem oportunidade, nunca festejou uma vitória minha, mas sempre engrandeceu minhas derrotas. Sempre disse que o maior erro da vida dela foi ter filhos e se pudesse voltar atrás jamais nos teria. Tive uma colega na faculdade que passava por algo ainda pior – a mãe dela tentou abortá-la e não conseguiu – passou a vida inteira falando pra filha o quanto se ressente de não ter conseguido abortá-la!!! Alguém aqui tem noção do que é ser rejeitado pela própria mãe? Aqui alguém tem noção das marcas que eu carrego e tantos outros carregam por isso? Hoje estou numa luta para fazer meu plano de saúde pagar o meu psiquiatra – desenvolvi distúrbios de atenção e às vezes machuco a mim mesma. Eu tenho um pedido a fazer – nao critiquem quem não quer ter filhos. Não os chamem de monstros egoístas e qualquer outro adjetivo. Sei que há pais que amam profundamente seus filhos – mas não são todos! Os motivos de não querê-los não importam – o importante que essa decisão JAMAIS vai machucar alguém. Mas ter filhos indesejados – essa decisão, sim, pode ser catastrófica para os envolvidos!!!

Os que discordam de Mateus

Para o grupo de discorda do texto de Mateus, as pessoas que não querem filhos são (expressões retiradas dos comentários): despreparadas, cruéis, insanos, infantis, sem atitude, sem amor, sem nada, desnaturadas, imaturas, fracotes, egoístas, extremamente individualistas, indiferentes a tudo e a todos, a não ser suas carreiras e suas posses. Fazem parte de uma sociedade do espetáculo, adultocêntrica, do prazer imediato. Tiveram problemas na criação, deveriam ser sido abortados pelos próprios pais, e é até melhor que não tenham filhos, porque  SER MÃE É ALGO ESPECIAL, SOMENTE PARA PESSOAS RESPONSÁVEIS, VERDADEIRAS, BATALHADORAS, HUMANAS E AMOROSAS…

Outros argumentos:

  • “Daqui a pouco vão chamar eles de heróis. Hérois são os pais que trabalham duro, e ainda dão amor, têm que pagar escola, universidade, dividem tudo.”
  • E mais infantilidade ainda ficar dizendo que não quer seguir os conceitos da sociedade, mas fica pondo a culpa na sociedade, achando que quem tem filhos os teve por imposição social.
  • “Se não gosta da sociedade, caro amigo sem filhos, crie uma nova. Mas adotar pets não vai te fazer uma pessoa melhor.”
  • Vão se arrepender mais tarde e fazer tratamento para engravidar.
  • Muita justificativa denota indecisão, o discurso não convence, há problemas em aceitar a própria decisão. Para se expor assim, o casal não respeita nem a si mesmo. Devem parar de se fazer de vítimas. Reclamões, só ficam dando desculpas.
  • Casamento não é sinônimo de felicidade.
  • “Viemos ao mundo para reproduzir, isso é da nossa natureza, escolher o contrário é ir contra um fato natural.”
  • “Se mata, amigo, vai ter menos uma pessoa, e suas preocupações estarão resolvidas.”
  • Só focam o lado negativo de ter filhos. “Não respeito casais que acham que estão certíssimos em ñ terem filhos se eles acham que os outros são idiotas em tê-los.”
  • Filhos crescem tão rápido que logo os pais poderão viajar, ir a shows, peças de teatro, etc
  • Filhos adotados também precisam de cuidados. “Vc não abriria mão da sua vida para criar do mesmo jeito????”

Por fim, o relato de uma mulher que ama ser mãe e não condena aqueles que optam por não ter filhos:

“[…] Sua explicação pra não querer procriar é típica de quem não tem filho. Nasce com filho um altruísmo que supera vc querer ir ao jogo de futebol ou balé, Mateus. Não vou explicar muito porque vc não entenderia. E nem precisa. Já decidiu e a decisão é o que conta. Só cuidado para não desmerecer a vontade daqueles que querem ter filhos. Não faço o jogo oposto, usando as mesmas armas. A pressão. As explicações bobas. E, mais do que tudo, comece a selecionar melhor seus amigos.”

Os childfree

Mais e mais mulheres optam por não serem mães. Não é por acaso que governos investem em políticas de incentivo à natalidade, principalmente naqueles países que se concebe comumente como “desenvolvidos”: quem vai pagar a conta de uma população que envelhece?

Existe até um termo para definir as pessoas que não desejam filhos: childfree (“livre de crianças”, em tradução sem compromisso). Há comunidades Childfree em diversos países do mundo. No site do grupo brasileiro, entre as diversas razões que balizam sua escolha, estão:

http://www.semfilhos.org/trocentos-motivos-para-nao-ter-filhos/

  1. O parto é uma tortura;
  2. Não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhas brigando;
  3. Crianças custam caro;
  4. Você vai passar noites acordada e não será na balada e sim ouvindo choro;
  5. O filho é a despedida dos seus sonhos de juventude;
  6. Ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher;
  7. Quando o filho aparece, o pai desaparece;
  8. Você não tem tempo para os amigos;
  9. Sua pele fica feia com estrias, varizes, celulites e gordura localizada;
  10. Tem crianças demais na Terra.
  11. Filhos dão muito trabalho
  12. A gravidez deixa a mulher chata
  13. Filhos são uma obrigação eterna
  14. Desnecessário para perpetuação da espécie (já são 8 bilhões de seres humanos no mundo)
  15. Crianças são capazes de colocar os pais em situação de vexames na rua
  16. Filhos são como alto-falante de pedir coisas.
  17. O filho é um ser humano como outro ser qualquer então dele se pode esperar de tudo, inclusive fazer mal aos pais
  18. Filhos tomam tempo, algo cada vez mais escasso
  19. É frustrante ficar corrigindo seu filho todo tempo.
  20. Com filhos, liberdade limitada
  21. Criança boa só tem duas: aquela que já fomos e a dos outros.
  22. Colocar alguém no mundo só pra ele cuidar de você na velhice, e atender seus projetos pessoais é egoísta e mesquinho.
  23. Se vc for procurar uma casa de aluguel e outra pessoa também, se você tiver filhos, difícil conseguir!
  24. Filhos dão muita dor de cabeça, e exigem muita paciência além gasto físico e mental.
  25. Se divorciar e tentar uma vida nova com alguém, fica muito difícil por está ligada à outra pessoa por causa dos filhos e dessa nova pessoa vai aceitar você com seus filhos.
  26. Quando for viajar terá que levar os filhos e todos os ônus que trazem consigo, ou deixá-las com seus pais (ou com sua sogra!).
  27. Ter filhos é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: – Pula que a água tá boa.
  28. Chegada dos filhos atrapalha vida sexual do casal.
  29. Você pode ser uma péssima mãe ou um péssimo pai.
  30. Criar filhos é igual criar cachorro: depois que cresce perde a graça.
  31. Filhos só sabem limpar a bunda após os 4 anos. São 4 anos ouvindo Acabeeeeiiiiii
  32. Se você for homem e se divorciar, cada filho seu vai levar no mínimo 10% do seu salário, isso se a mãe não tiver bem orientada por um bom advogado!
  33. Ser pai ou mãe é o trabalho mais difícil do mundo, e pior que não existe aposentadoria!
  34. A gravidez deixa a mulher horrorível e traz uma série de complicações de saúde.
  35. Meio milhão de mães morrem durante o parto todos os anos.
  36. Seu filho pode nascer hiperativo (já pensou que inferno?).

Conclusão

Que pai e que mãe, ao ler a lista dos childfree (ainda que se repita em diversos pontos), não fica com a língua coçando para gritar? “Espera aí! Não é bem assim! Vocês só estão focando o lado pesado, e de forma exagerada!”

Que pai e que mãe não ficaria inclinado a enumerar outra lista, somente com as benesses de ter filhos?

Abrindo o leque: por que a discussão em torno da escolha entre ter ou não ter filhos é tão inflamada? Por que as pessoas se ofendem e chegam ao ponto de se xingarem?

O que está em jogo no artigo de Rosely Sayão, na pesquisa citada por Elisabeth Badinter, no texto de Mateus de Almeida, nos comentários?

  • O eterno binômio da natureza humana: obrigação x prazer;
  • Os apelos de uma sociedade cada vez mais individualista;
  • A polêmica em torno do aborto;
  • O aumento da violência no mundo;
  • A questão da adoção;
  • As diferentes relações de trabalho entre homens e mulheres;
  • O papel do Estado e da comunidade em relação às crianças;
  • A pressão real da sociedade para que as pessoas tenham filhos, que surge até para quem tem filho único;
  • A promessa para a mulher, como se somente depois de virar mãe ela seria realizada;
  • O trabalho intenso e a responsabilidade que envolve a criação dos filhos;
  • A velha conhecida que fazem questão de imputar às mães: a culpa.

Toda vez em que há um esforço para defender determinado ponto de vista, aparecem alguns problemas: a radicalização e a generalização.

Não adianta querer colocar todas as pessoas no mesmo balaio. Se formos subdividindo, teríamos um grupo com os que não querem ter filhos. Desses, há os que não querem agora, os que querem adotar, os que não querem de jeito nenhum. Há os convictos e os que se arrependem.

No outro grupo, há os que querem ter filhos. Desses, há quem esteja preparado e quem não esteja. Dos que não estão preparados, há os que aprendem e os que não aprendem. Dos que estão preparados, os que se desapontam com expectativas. Os que estão realizados, mas enfrentam situações de estresse, afinal são todos humanos: filhos e pais.

Pessoas sonham, se frustram. Erram. Mudam de opinião. Crescem.

Marusia fala

Sempre quis ter filhos, por uma série de motivos. O principal era querer transmitir a eles o que eu havia aprendido. É óbvio que eu não pensei: “quero filhos porque eles dão trabalho, é preciso dinheiro, vou ficar acordada muitas noites, vou ter que repetir a mesma coisa mil vezes, vou renunciar a isso ou àquilo.” Eu estava consciente disso e disposta a enfrentar tudo em prol de outros desejos. Mas eu tinha uma ideia muito diferente do que era ser mãe. Na minha cabeça, planejamento e informação seriam suficientes para manter tudo sob meu controle.

Quanta ilusão…  com crianças, nada segue um roteiro predeterminado, nada está sob nosso controle. Nunca havia me deparado com situações que exigissem tanta humildade, além de desapego, força, calma, discernimento, superação. Já até reconfigurei meu motivo original: muito mais que transmitir o que eu aprendi, eu é que tenho que ser ensinada…

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Veja também:

“Quem vai ficar com as crianças?” – Análise

O maior inimigo da mãe

 “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” – Análise

Sam publicou em seu blog um post intitulado “A culpa é a principal inimiga da mulher que trabalha?” Uma pergunta forte assim sempre provoca respostas igualmente tensas. Mas creio que o grande problema desse tipo de discussão é a polarização, com acusação mútua entre os extremos, e a ausência de soluções.

Vamos começar do começo: “o maior inimigo da mulher que trabalha fora”. Isso já parte do princípio que a mulher que trabalha fora tem inimigos. Vários, a ponto de se questionar qual o maior deles. Isso é verdadeiro. De modo geral, a mulher tem que enfrentar vários inimigos – tanto a que fica em casa quanto a que sai para trabalhar. Entretanto, a virulência mais intensa tem um alvo preferencial: a mãe que trabalha fora.

Acredito que o maior inimigo da mãe não é a culpa, mas a CULPABILIZAÇÃO. Como é cômodo ter alguém fixo na sociedade para apontarmos o dedo, não? E fica muito mais simples quando generalizamos, focando somente um lado. Para colocar os pingos nos ii, vamos evidenciar algumas falácias:

Falácia 1. A mulher deve ficar integralmente com os filhos para cumprir sua função de mãe.

Ora, ficar com os filhos pode ser uma escolha para uma parcela da sociedade. Para outra parcela, não é opção. Trabalhar fora é a única alternativa.

E se não houver a figura do “provedor”? E se ele foi embora / ficou doente / está desempregado / morreu? E se o que essa pessoa recebe não é suficiente para a família? E se a mãe aspira melhores dias para os filhos, em um país cujos sistemas públicos de saúde e de ensino estão falidos?

Falácia 2. A mulher que trabalha fora “terceiriza” a criação dos filhos.

Toda mulher descobre que, depois que tem filhos, OBRIGATORIAMENTE vai ter que “terceirizar” (detesto essa palavra) alguma coisa:

  • Se ela ficar em casa, vai depender de alguém (o marido, os pais, o governo, a vizinha) que seja o provedor; ou seja, vai “terceirizar” o sustento da família;
  • Se ela trabalhar fora (ou mesmo dentro de casa, vale dizer), vai depender de alguém para ficar com as crianças nesse período (a babá, a creche, a escola, os pais, a vizinha).

Isso demostra cabalmente que a criação dos filhos é uma empreitada coletiva. Diz respeito à família, à sociedade, ao Estado.

Falácia 3. A mulher que fica 8 horas distante de seus filhos não cumpre seu papel.

Segundo essa afirmação, cada segundo que a mãe passa longe do filho causa um prejuízo irreparável. Sendo assim, há de se computar o período das aulas. São no mínimo 4 horas por dia. Computando o tempo para chegar e sair, digamos 30 minutos, dá mais uma hora. Isso porque não estou falando das escolas de tempo integral.

Também devem entrar na conta os momentos em que a criança se dedica a outros interesses: a brincadeira, só ou com os irmãos ou amiguinhos, a leitura, o esporte, a atividade religiosa e outros.

Outras coisas devem entrar nesse cálculo. E quando a mulher tem mais filhos, por exemplo, gêmeos? E se um deles for especial ou ficar doente, demandando mais cuidados? E se esse cuidado for para um familiar, tal qual pai e mãe idosos? E se a própria mãe ficar doente?

MUITO prejuízo, não? Ou será que nesses casos a regra não vale?

Mais uma questão: isso só acontece com a mãe? Se o provedor da casa for o pai, por que as crianças podem prescindir de sua companhia? A distância do pai não causa problema?

Falácia 4. A mulher que trabalha fora não faz nada direito: nem trabalha, nem cuida dos filhos.

Conforme já havia dito, nem sempre é uma questão de escolha. Quando a mulher pode optar, também pode se deparar com suas próprias capacidades. O que dá certo para uma pode não dar para outra. Tem gente que sente sobrecarga; tem gente que não. Tem gente que se sente em plenitude, tem gente que não. Tem quem tenha vocação, tem o oposto. Nesse caso, há que se perguntar se uma vivência baseada em frustração (para ambos os lados) também não pode ser nociva.

Os economistas Levitt e Dubner escreveram “Freakonomics – o lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta” (Editora Campus). O maior mérito do livro é pesquisar e colocar em números aqueles mitos que passam de geração em geração e que ninguém nunca questionou. O capítulo “O que faz um pai ser perfeito” (“What makes a perfect parent”) é impagável. Traz revelações que rendem ainda muitos posts. Em inglês faz mais sentido (“parent” é uma palavra que se usa tanto para “pai” quanto para “mãe”).

Aqui vou trazer só um resultado do Freakonomics: o fato de uma mãe trabalhar fora ou ficar em casa NÃO tem impacto no desempenho dos filhos. Ou seja, filhos com mães que trabalham fora podem ter bom ou mau desempenho, assim como filhos de mães que ficam em casa também. O que vai fazer a diferença são outros fatores, e não esse, que é considerado pelos pesquisadores como IRRELEVANTE.

O debate é inflamado porque sempre se olha para a realidade do outro com nossos olhos, nossa experiência. Em vez de perder tempo culpabilizando o outro, o que só cria um abismo entre as mães, vamos nos abrir para o diálogo, criar oportunidades de escutar. Hoje o que existe é um exército de mulheres sozinhas que enfrentam dilemas parecidos e que poderiam se ajudar, se apoiar, trocar soluções.

Existem vantagens e desvantagens (como em tudo na vida) tanto para quem trabalha fora, quanto para quem fica em casa. O problema é criticar o outro lado enumerando somente as desvantagens.

Vantagens para a mãe que trabalha fora, segundo a Revista Época

Vantagens para a mãe que fica em casa, segundo a Revista Época

A pressão é maior para quem trabalha fora – Análise

O que fazer para tirar partido das vantagens e minimizar as desvantagens de cada lado? Adoro quando as mães se unem em redes criativas:

Para as que podem trabalhar fora:

http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/mae-trabalha-fora-469046.shtml

http://mamaegenis.blogspot.com.br/2011/09/dicas-para-mamaes-que-querem-e-que.html

Para as que podem ficar em casa:

http://filhosecia.uol.com.br/2011/09/dicas-para-maes-que-nao-trabalham-fora-de-casa/

http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI208849-10513,00.html

Para todas as mães:

Dicas fofas para tornar qualquer momento com as crianças um momento especial (em inglês):

http://www.abundantmama.com/

Imagem: Freepik

Onde está meu bebê?

Site visitado: Antes que elas cresçam – Affonso Romano de Sant’Anna

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sapatinhos de bebê

Foto: Jynmeyer / stock xchng

A crônica de Affonso falou fundo ao meu coração. Tantas verdades, em um espaço tão curto de linhas! Textos como esse dão origem a sentimentos antagônicos. No início, algo como: devo curtir mais o presente, pois tudo passa muito rápido. Em seguida, um olhar sobre meus pais e avós, em busca da conexão que existe entre o que fomos como crianças e os nossos filhos.

Mas, em outros instantes, também veio a raiva. Relembrar o passado se faz com óculos cor-de-rosa. Affonso não disse que deveríamos enfrentar mais birras, limpar mais vômitos, virar mais noites, perder mais a paciência. E a culpa: essas lentes, de uma voz vinda da experiência, pedem que relevemos esses fatos chatos para nos dedicarmos aos fatos bacanas. Cá pra nós, no rame-rame do dia-a-dia, isso requer postura de Madre Teresa de Calcutá.

Vou contar uma historinha. Quando minha filha terminou o 2º período na Educação Infantil, a escola organizou um “pernoite”, ou seja, as crianças de sua turma fizeram dezenas de atividades e dormiram na escola. No dia seguinte, elas acordariam e encontrariam mensagens da família debaixo de seu travesseiro.

(Para as mamães inseguras, digo que dois de meus filhos já pernoitaram na escola. Até hoje é, para eles, uma das experiências mais fantásticas de que se recordam).

Como minha família é imensa, resolvi encadernar em espiral as mensagens de todos. Imprimi Hello Kitties, anjos, bailarinas, fadas, flores para enfeitar. Na hora de fazer minha mensagem, resolvi fazer uma retrospectiva, desde que ela era bebê, ano a ano. Olhar álbuns de fotografia é uma brincadeira frequente aqui em casa, mas dessa vez foi diferente. Era uma comprovação inequívoca de que o tempo tinha passado.

Fiquei olhando aquelas fotos e me perguntando: onde está esse bebê? E olhava para minha filha tentando encontrar alguns traços. Mas ela tinha se transformado em uma mocinha, esperta, graciosa, independente e elegante.

Não preciso dizer que me acometeu um sentimento confuso, de alegria pelo que ela se tornou, mas de saudade, muita saudade, e perplexidade. Já tinha ouvido muitas mães contarem que os bebês consomem uma dedicação tão intensa de cuidados, um atrás do outro, preenchendo o dia inteiro em cada segundo, que o cansaço por vezes não nos deixa “curti-los”. E assim, quando elas se davam conta, eles já tinham crescido, sem que elas percebessem.

Com isso em mente, fiz de tudo para me focar no presente e curtir cada instante. Meus bebês foram muitíssimo “curtidos”. Entretanto, isso não impediu que eu visse as roupinhas e sapatinhos ficando pequenos, as fraldas e mamadeiras sendo aposentadas, e tentando, como no filme Mama Mia, segurar suas infâncias como areia entre os dedos.

E chorei fazendo o caderninho do 2º período.

À noite, sonhei que minha filha era de novo um bebê. Era como se meu anjo da guarda estivesse me dando uma oportunidade de matar a saudade. Foi maravilhoso. Mas acordei com a voz do anjo: “Muito bem. Agora não espere passarem outros seis anos para se perguntar: Onde está minha menininha de seis anos?

sapatos de menina

Foto: 38 parrots / stock xchng

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Veja também:

Achei lindo quando… mas senti falta de…

Lembranças de infância

Cheiro de infância

This post in English: Where’s my baby?

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Olha o que o público fala sobre elas e os motivos pelos quais elas são consideradas “boas mães”:

“Família Dinossauro”. Mãe: Fran da Silva Sauro

O enredo se passa na Era Mesozóica. Fran é casada com Dino e tem três filhos: Bob, Charlene e Baby. Segundo a web, é a “simpática matriarca da família e perfeita dona de casa. Muito dedicada, Fran vive apenas para cuidar do marido e dos filhos”, filhos esses “muito barulhentos e revoltados”, para os quais é necessária “uma paciência incomparável”. Fran “muitas vezes se sente caçoada e deseja conversar mais tempo com a família. Sua melhor amiga, Mônica Desvertebrada, influencia Fran a lutar pelos seus direitos”.

 “Os Flintstones”. Mãe: Wilma Flintstone

O enredo se passa no ano 1.040.000 A.C. Wilma é casada com Fred e é mãe de Pedrita. É “exímia dona-de-casa. Já pensou em trabalhar fora várias vezes, mas seu marido Fred é contra”. “Uma mãe muito vaidosa, gentil, paciente e talentosa. A filha dela, Pedrita, diz que ela é o tipo de mãe perfeita, e faz de tudo para proteger toda a família” e “apesar de viver no tempo dos dinossauros, é muito moderna.”

 “Os Flintstones”. Mãe: Betty Rubble

Esposa de Barney, Betty é mãe adotiva de Bambam. Segundo a web, “está sempre de bom humor. As famosas risadinhas encantam toda a família. Bambam, seu filho, adora o jeito atencioso e engraçado da mãe.” É “o modelo de esposa perfeita, devotada e muito paciente e talentosa, para livrar seu marido das encrencas que ele se mete.”

 “Shrek”. Mãe: Fiona

O enredo se passa no mundo dos contos de fadas, na Idade Média. A princesa Fiona é esposa do ogro Shrek e tem trigêmeos. “É o tipo de mãe que acompanha todos os passos do filho e não perde nenhum movimento dele. Sempre participativa, ela adora fazer comidinhas para a família.”

 “A Família Addams”. Mãe: Mortícia Addams

Morticia é casada com Gomez e tem dois filhos: Wandinha e Feioso. A web lhe atribui os seguintes adjetivos: “é o coração e a alma da família Addams”. “É uma mãe não-convencional. Ela deixa os filhos brincarem com cobras, veneno e poções perigosas. Mas também, pudera. Ela é a matriarca da Família Addams, a família mais esquisita dos cinemas.” Morticia também faz questão de organizar o lar, ainda que “com um ar bem tétrico.”

 “A Feiticeira”. Mãe: Samantha / A Feiticeira

Samantha é casada com James e tem dois filhos: Tabatha e Adam. Ela é uma feiticeira, e pode fazer mágica com um simples movimento do nariz. “Está sempre tentada a usar todos os seus poderes, para facilitar a vida do casal. Mas o amor fala mais alto e para não desagradar ao marido, vive driblando sua natureza de bruxa.”

 “Os Simpsons”. Mãe: Marjorie/Marge Simpson

Marge é casada com Homer e é mãe de Lisa, Bart e Maggie. Tem “personalidade muito paciente. Mesmo Homer aprontando inúmeras confusões, ela continua sendo uma esposa fiel e dedicada, assim como é para com os filhos. Com poucas exceções, Marge gasta a maior parte de seu tempo como dona de casa. É na verdade um estereótipo de dona de casa suburbana dos anos 1950.” Mais adjetivos: “compreensiva, paciente e tranquila”, “superbrincalhona, mas ao mesmo tempo, educada e preocupada com as trapalhadas do marido e do filho, Bart”. Marge “é do tipo que dá a vida por sua família.”

 “A Grande Família”. Mãe: Irene / Dona Nenê

Irene, conhecida como Dona Nenê, é casada com Lineu e tem dois filhos: Tuco e Bebel. A web a descreve como “a matriarca de todos os telespectadores brasileiros. Dona de casa primorosa, companheira e mãe zelosa, um porto seguro para aqueles que vivem a sua volta. Compartilha dívidas, discussões e uma disposição agregadora incrível. Nunca diz não para a família. Se a sua mãe não é igual a Nenê, provavelmente você adoraria que ela fosse como a personagem.” Ter uma mãe assim “significaria poder contar com ela mesmo quando fizéssemos algo bem errado. Se não fosse por ela, a harmonia da família Silva já teria ido por água abaixo há muito tempo.”

 “Os Incríveis”. Mãe: Mulher Elástica / Helena Pera

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, é esposa de Roberto Pera, o Sr. Incrível. Têm três filhos, todos superpoderosos: Violeta, Flecha e Zezé. Assim a web descreve sua personalidade: “Helena parece ser a única no casal a se preocupar com os filhos. Ela parece bastante estressada em sua tentativa de preencher o vazio deixado por Beto em sua ausência como pai de verdade.” “Mãe aventureira, radical e superprotetora. Ela possui superpoderes incríveis e consegue esticar o corpo todo para enfrentar as aventuras que passa junto aos filhos e marido”. “Qual mamãe não gostaria de ser elástica para poder dar conta de todos os serviços e ainda brincar com os filhos?”

“Os Jetsons”. Mãe: Jane Jetson

O enredo se passa no futuro, com a tecnologia presente em cada detalhe do dia-a-dia das personagens. Jane é esposa de George e mãe de Elroy e Judy. “É o tipo de mãe exemplar e ao mesmo tempo moderninha.” “A mamãe do futuro cuida dos filhos e ainda tem que fazer de tudo para manter o apartamento da família (o Sky Pad) impecável.”

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Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Fran, Wilma, Beth, Fiona, Morticia, Samantha, Marge, Nenê, Helena, Jane: o que elas têm em comum? São ponderadas, sensatas. Centralizam e organizam a família em torno de si, são responsáveis por manter o equilíbrio da casa. São amorosas e dedicadas e suportam tudo.

Nenê da Grande Família é exceção: não encarna o lado racional da família. Puro sentimento, às vezes se atrapalha. Lineu assume a posição de sensato da casa, papel normalmente confiado às mulheres nessas produções.

Nenhuma das personagens trabalha fora de casa. As que experimentam acabam voltando. O dilema trabalho versus casa, portanto, é extirpado, bem como o babá versus creche.

O trabalho da casa é realizado integralmente pelas mães, exceto Jane Jetson, que tem a ajuda da robô Rose, e Mortícia Addams, que conta com o mordomo Frank e a mãozinha Coisa. Wilma Flintstone também tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais.

Todas as mães têm que esconder seus “superpoderes”, mas sempre “salvam” a família de enrascadas. Esses poderes podem ser mágicos, como no caso da Feiticeira Samantha, ou talentos profissionais, como o da hábil comunicadora Fran Sauro, que desiste de apresentar um programa de TV para cuidar da casa.

Não existe revolta. Todas estão resignadas em seu papel, cientes disso e de sua importância para a família.

Todas as personagens estão em boa forma física, ainda que não se explicite de que maneira elas chegam a esse resultado. Fran Sauro também, dentro do que se espera de um ser de sua espécie.

Os maridos são infantilizados e atrapalhados (também com exceção de Lineu). Trabalham como funcionários em empresas. Estão insatisfeitos com o trabalho, mas são conformados (exceto Gomez Addams: “um advogado que acumulou uma riqueza invejável e que agora vive tranquilamente acariciando seu polvo e explodindo trens de brinquedos em sua mansão”).

Sugestionáveis, ingênuos e teimosos, os pais das famílias de seriados e animações sempre se metem em confusão. Assim, as mulheres se posicionam como mães de toda a família, incluindo os maridos.

Seja na Idade da Pedra, na Idade Média ou no futuro, os padrões se repetem, se mantêm. Shrek, por mais anárquico que se pretenda, apresenta Fiona como uma mãe zelosa ao molde das demais. Ou seja, o roteiro de Shrek subverte tudo – a princesa é uma ogra, o herói é um ogro, a fada madrinha é má -, exceto o que se entende como amor materno.

São todas famílias nucleares – pai, mãe, filhos -, com intervenções de parentes em alguns casos. O protótipo do que se difunde como uma típica família dos anos 1950.

Nas produções, é curiosa a presença de outras mães, as mães das mães: as sogras. São vozes femininas de chamado à consciência. Elas parecem discordar da escolha das filhas e de tudo a que as elas se submetem, e estão sempre dispostas a aborrecer os genros. São incômodas mas também não ajudam nos afazeres (às vezes até pelo fato de contestá-los). Trata-se de um reforço contínuo ao estereotipado conflito entre sogras e genros.

Outras figuras podem cumprir o papel da sogra: a dinossaura Mônica (Família Dinossauro), a modista Edna (Os incríveis), as irmãs de Marge Simpson (Os Simpsons). Em Shrek, quem cria problemas é o sogro, mas por temor de que sua identidade verdadeira seja revelada (trata-se de um sapo transformado em humano).

 

Mulher elástica – algumas diferenças

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, merece uma análise à parte porque, no decorrer do filme, vai revelando facetas que a princípio podem distanciá-la das demais mães apresentadas anteriormente.

A Mulher Elástica é feminista no início da história. Em uma entrevista jornalística, ela discursa: “Sossego, qual é? Tô no auge da forma, em briga de cachorro grande. Garotas, na boa: deixar o mundo ser salvo pelos homens? Claro que não. É claro que não.”

Ela se casa com Beto Pera, o Sr. Incrível, mas algo põe a perder suas carreiras de super-heróis. O Sr. Incrível não se conforma em se esconder por trás de um medíocre vendedor de seguros. Mas a ex-Mulher Elástica parece conformar-se com a nova vida. Isso é um paradoxo, que vai contra o que ela diz na entrevista do começo do filme, no auge da juventude, e também para ele, que na mesma entrevista diz planejar constituir família.

Helena se resigna com seu papel de mãe zelosa. E luta para defender essa nova situação como uma escolha própria sua.

Em casa, as coisas são superdimensionadas por ela (e menosprezadas pelo marido, Beto). Seus superpoderes, que outrora salvavam o mundo, agora são utilizados para lidar com os desafios em família, a própria metáfora da mãe-malabarista, a quem se exige todo o tempo que se adapte, que se molde.

Sim, Helena está tentando se adaptar à vida de dona de casa e mãe, e está muito empenhada em manter as aparências, mas deixa transparecer aqui e ali o seu descontentamento. De todas as mães das séries e animações, é a mais impaciente e estressada.

Com o desaparecimento de Beto, que ela suspeita ser algo relacionado a traição conjugal, Helena deixa os filhos ao cuidado da primogênita para recuperar o casamento. Nesse raciocínio, o casamento é mais precioso para os filhos; o fim da união do casal é um perigo muito maior que o abandono. E, ao mesmo tempo, sob os conselhos de Edna, ela descobre que também precisa recuperar a heroína que um dia foi, para que se mantenha admirável aos olhos do marido – e aos próprios olhos.

A Mulher Elástica, então, volta à “ativa”. Mas somente porque os filhos vão junto com ela, quando demonstram poder se virar sozinhos. Ela percebe que sua superproteção tolhia os filhos, tornava-os infelizes. O desfecho traz a ideia de que a família é invencível quando está unida.

Helena é a única mãe das animações e seriados que volta para a sua profissão, ainda que sob circunstâncias próprias de quem tem uma família inteira com poderes especiais, que podem dispensar a dedicação absoluta da mãe.

Contudo, ainda que existam algumas diferenças entre Helena e as outras personagens de mães, o fio condutor é o mesmo: todas são mulheres que têm na família seu bem maior.

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Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Nunca foram necessárias tantas qualidades para que uma mulher se sinta uma boa mãe, como nas últimas gerações. Um misto de administradora, executora, conciliadora, sempre com um sorriso no rosto e uma deliciosa refeição à mesa, tudo sem descuidar da beleza. Mas a mais preciosa e indispensável de todas as características é o amor incondicional, a capacidade inesgotável de suportar tudo a fim de manter a unidade da família.

Aminatta Forna encontra a imagem que melhor representa o amor materno: Nossa Senhora. Mas, segundo ela, é fácil ser plácida e serena com um bebê como o menino Jesus. Ser plácida e serena com filhos como Bambam Rubble (que hoje seria considerado hiperativo), Bart Simpson e Baby Sauro é muito mais heroico – e digno de admiração.

Para Elizabeth Badinter, esse conceito de amor materno (ou mesmo a noção de “instinto maternal”) é algo que foi construído – e o mais instigante: não pelas mães. O que ela chama de mito do amor materno tem sua raiz na necessidade de mudança de foco em relação à infância: as crianças, antes tidas como seres imperfeitos e incompletos que necessitavam de correção, passam a encarnar a esperança do futuro. A partir desse momento, os especialistas se dedicam de forma insistente a provar que sobre a mãe recai a responsabilidade primordial (e exclusiva) de formar os novos indivíduos.

Com o passar do tempo, o conceito fabricado de amor materno passou a ser ampla e irrefutavelmente aceito, naturalizado como se sempre tivesse existido.

Segundo Trisha Ashorth e Amy Nobile, muitas transformações ocorreram na vida de muitas mulheres das últimas gerações, que as impede de olharem para as próprias mães como modelos.

Susan Maushart enfatiza ainda a presunção e arrogância que torna maior o abismo entre as mães de hoje e a de mulheres que as antecederam na maternidade. Para ela, um conhecimento inestimável foi perdido com a quebra desse elo, inédita na história da humanidade. Tudo sob a alegação de que as mães da geração atual podem fazer diferente.

As mulheres não se espelham mais nas próprias mães. A grande contradição é que, enquanto os ideais de perfeição no “fazer” mudam com o tempo, os ideais de perfeição na postura da “mãe perfeita” se mantêm.

Somado à constatação de que as crianças também mudaram muito – a mulher também não vê nos filhos a criança que foi –, tudo isso resulta em um perene sentimento de inadequação, de estar perdido, em busca por um lugar.

Para Diana e Mário Corso, os pais parecem andar com aquele adesivo: "Não me siga, eu também estou perdido!"

Em sua experiência de psicanalistas, Diana e Mario Corso relatam o “sofrimento daqueles que julgam estar na família errada, uma ideia de que sua família não é como deveria ser ou não se comporta adequadamente como uma ‘verdadeira família’.” Os autores se perguntam: e qual é a família certa para os dias de hoje?

Sem bússola, e diante do excesso de escolhas, de expectativas e de responsabilidades, as mães encontram na mídia modelos dourados, que se acredita serem eternos desde sempre.

Sempre paira a tentação de se atribuir à “indústria cultural” (ou qualquer outra nomenclatura mais moderninha) a massificação de valores a fim de se obter boa-vontade por parte do público. Em outras palavras, a “teoria da conspiração”, que estaria “por trás” da fixação desses modelos da mãe perfeita, de paciência infindável, que se anula em prol da família.

Entretanto, o papel da mídia aqui é outro. As razões do sucesso desses produtos, ainda que sejam fonte de inspiração, repousam mais na necessidade de compartilhamento de experiências. Desenhos e seriados populares são produtos de entretenimento que colhem, sedimentam, reforçam, retroalimentam modelos que não são impostos, são acolhidos pelas mães de forma natural.

Para uma parcela de mães, a responsabilidade exclusiva pela criação dos filhos é um “poder” do qual não querem abrir mão e pelo qual abrem mão de todo o resto – razão da indignação de Helena no diálogo citado anteriormente. Para elas, um poder que só é legítimo pela via do sofrimento e da renúncia. Qualquer outra coisa que fuja a esse princípio é considerado egoísmo e só leva a um destino: o da eterna culpa.

“Como mulheres, e principalmente como mães, ainda não deixamos de ter medo de que, se é bom, deve ser egoísmo – e que cuidarmos de nós mesmas significa inevitavelmente faltar com nosso primeiro e mais legítimo dever: cuidar de todos os outros.”  (Susan Maushart)

 Assim, em muitos casos são as próprias mães que se agarram a esses padrões de perfeição. “Conspiração”, para elas, seria o que é praticado por quem tenta chamar a atenção para os padrões, quem tenta “libertá-las”: são as “máfias” das feministas, dos médicos, dos fabricantes de leite, dos homens, do sistema, do capitalismo, enfim.

Quando a realidade insiste em se impor ao idealizado, surge o mal-estar; mas, ainda assim, elas preferem continuar ostentando sua “máscara da maternidade”, como diz Susan Maushart.

“Quem quer a pressão de ser super em tempo integral?” pergunta o Sr. Incrível. Do que se depreende da presente análise, muitas mulheres querem.

Talvez por absoluta falta de opção do que pôr no lugar.

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Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Se os homens amamentassem

Blogagem coletiva proposta por Rede Mulher e Mãe

Sites visitados:

Por que o homem tem mamilos se eles não amamentam?

Bizarro, porém verdade: Machos podem produzir leite

Livro responde questões como “Por que os homens têm mamilos?”

Por que o homem tem mamilos?

Bombril: a marca que NÃO evoluiu com as mulheres

______

Com 3 anos, meu filho me perguntou:

– Por que homem não pode dar de mamar?

– Ué, porque só a mulher tem peito.

– Não. (Mostrando o mamilo): Eu também tenho peito.

Claro que explicar para uma criancinha sobre glândulas mamárias e tudo mais era muito. Dei risada mas fiquei me perguntando: Por que o ser humano macho tem mamilo, afinal?

Para minha surpresa, não era uma dúvida tão infantil assim. Houve gente fazendo pesquisa séria e até publicando livro sobre o assunto. Descobri, também, que na verdade é muito mais uma questão de hormônio do que estrutura mamária (fato: por conta dos hormônios na gestação, meninos podem nascer com leite no peitinho e meninas recém-nascidas podem ter uma “pseudomenstruação”).

Descobri até que houve casos de homens que amamentaram seus filhos. Fiquei pensando se a moda pega.

Se os homens amamentassem…

… os cuidados com os recém-nascidos seriam divididos. Pai e mãe revezariam nas mamadas. Com intervalos maiores para cada um, as rachaduras nos mamilos teriam mais tempo de recuperação.

… enquanto um dava de mamar, o outro poderia cuidar dos filhos mais velhos, amenizando o ciúme entre irmãos.

… a licença-maternidade seria de 6 meses para o casal. Assim, não haveria mais discriminação no mercado de trabalho, já que as condições seriam as mesmas para homens e mulheres.

… ficaria muito mais fácil a amamentação exclusiva dos gêmeos e trigêmeos, hoje tão comuns.

… ficaria muito mais tranquilo no caso de impedimentos para a mãe.

… teria muito mais gente para abastecer os bancos de leite humano.

… a amamentação em público seria vista com naturalidade, e não como um “atentado ao pudor”. Aliás, os homens já estão acostumados a ficar sem camisa.

… os homens poderiam vivenciar mais intimamente o vínculo físico com os filhos.

… as crianças chamariam indistintamente “mamãe” e “papai”.

Esse último tópico é digno de reflexão. Nós mulheres reclamamos de incompreensão por parte dos homens e imensa sobrecarga. Mas estaríamos nós dispostas a dividir esse poder? De não sermos “exclusivas” na preferência das crianças?

E mais: as mulheres aprovariam uma legião de homens tão “maternais”? Basta olhar as fotos de homens amamentando para que se gere automaticamente um sentimento de desconforto.

Já que os homens não amamentam…

… não sentem literalmente na pele e, por isso, para compreenderem a dimensão da tarefa, precisam ser INCLUÍDOS.

O homem deve olhar para seus próprios mamilos como lembretes: de que ele – aliás, toda a espécie humana – nasceu de uma mulher.

Vale lembrar que a amamentação é coisa recentíssima em nossa sociedade pós-guerra. Os homens simplesmente não entendem o valor de empunhar essa bandeira, que é a razão dessa blogagem coletiva.

Em vista do desrespeito descomunal com o que as mulheres vêm sendo tratadas, a reação raivosa é natural e mesmo a mais provável. Sim, é preciso divulgar e denunciar esse desrespeito, e é por isso que EU DIGO #BASTA.

Entretanto, como diz minha mãe, “não lamente o caos. Coloque nele o elemento faltante”. Desqualificar os homens, enquadrando-os como “Homers Simpsons”, egoístas, fracos para a dor, desorganizados, ineptos, grosseiros ou violentos NÃO AJUDA. Na menos pior das hipóteses, ficamos no zero a zero.

“Bombril: a marca que evoluiu com as mulheres”. Se isso é evolução feminina, eu tô fora!

Não é observando o lugar atual do homem e se igualando na baixaria e truculência que a mulher vai encontrar o seu lugar. Tenho dois filhos homens e não é esse o legado que eu espero dar a essa geração. Se eu me apego a esse imaginário e martelo a mesma tecla dos valores distorcidos de uma sociedade doentia, o que posso esperar dos meus filhos? Que sejam “Homers Simpsons”?

Por isso, acredito em um posicionamento de respeito mútuo.

Finalizo o post com a frase que disse a meu filho de 3 anos:

– Você não pode dar de mamar, mas pode abraçar seu filhinho bem juntinho, para que ele escute o seu coração. Igual ao que o papai faz com você.

Anúncio Nívea Baby – coração com coração

Veja também:

Baixinho e careca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Amar é…

This post in English: If men breastfed

Perigo de ser mãe perfeita 1 – O que é ser mãe perfeita hoje?

O problema já começa no conceito. Queremos ser perfeitas, mas não temos muita noção do que isso significa. É, porque toda hora esse referencial muda. Sabe a sensação de “mudar a regra no meio do jogo”? Ou “trocar o pneu com o carro andando”? Mais ou menos isso.

Hoje, o que está em voga é a mãe perfeita natureba. Acontece que, há bem pouco tempo, mãe perfeita tinha que ter o parto no hospital, que afirmavam ser mais “científico” e seguro; dar leite artificial e farinha láctea na mamadeira, que diziam ser mais prático e mais nutritivo, além de permitir independência à “nova mulher moderna”; ser produtiva, desde que dedicasse “tempo de qualidade” aos filhos.

Há apenas uma geração atrás, mãe perfeita enfaixava o umbigo, dava de mamar de 3h/3h, oferecia chazinho de camomila à noite, punha para dormir de bruços, entupia o bumbum DO bebê de talco, dava biotômico Fontoura. Benzetacil era a promessa de cura para todo e qualquer mal. Tudo era meticulosamente esterilizado e haja álcool, inseticida e antibacteriano. Depois de criar um batalhão de alérgicos e ressuscitar superbactérias, trouxeram de volta a ideia da “vitamina S” e “se sujar faz bem”.

Pois ainda houve época em que se aconselhava deixar os filhos chorando, para não ficarem mimados. Aliás, diziam que chorar fazia bem para o pulmão. Que todos os banhos deveriam ser gelados, para aumentar a imunidade. Na década de 1970, era o oposto. Criança tinha que ser plenamente satisfeita, para não ficar traumatizada. Em seguida, mudaram o discurso: tem que impor limites.

Do meu primogênito ao caçula, descobri que tinha que esfregar os mamilos na gestação – depois, não podia mais, não; que o bebê tinha que dormir de lado – depois, não podia mais, não. Enfim. O que não falta é teoria.

Alegam que hoje, finalmente, encontramos o mix perfeito, que somos muito mais informadas que nossas mães, e que a ciência encontrou seu ápice. Pois nem quero pensar o que nossos filhos vão achar de nós quando eles tiverem filhos rsrsrs!

“Uma escritora famosa, mãe de muitos filhos, disse-me que teve cada filho numa década diferente criou cada um segundo o método vigente no momento, com um conjunto de regras diferente e conflitante a cada vez. Se a cada nascimento de um filho ela tivesse acreditado nas palavras da sumidade da moda, concluiria que a vida do filho anterior estava irremediavelmente arruinada.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

“Nós, da geração pós-feminista, parecemos ter perdido o respeito pela sabedoria de mulheres que trilharam o caminho da maternidade antes de nós. Como em todos os casos de jogar fora o bebê com a água do banho, essa foi uma perda incalculável. Em certa medida, o que não sabemos sobre a maternidade é o que nos recusamos a ouvir e ver na vida de mulheres que nos cercam, com a presunção arrogante de que somos únicas, de que vamos ser diferentes.”

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. Pp184-185)

Minha mãe não fez curso de puericultura nem leu as toneladas de livros e artigos que eu li. Mas sabia como ninguém cantar para nós dormirmos. E tinha uma coisa especial que não está em livro algum, sobrevive a qualquer teoria e vai atravessar os tempos: LEVEZA. Algo que é totalmente impossível de alcançar quando se tem perfeccionismo.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

De mãe para filha

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Perigo de ser mãe perfeita 2 – Ser (ou parecer) perfeita vale o esforço?

“Mãe perfeita:

  • Sorri serenamente
  • Tem uma casa impecável
  • Pega uma fralda e a transforma numa pipa
  • Lê livros sobre o desenvolvimento das crianças
  • Nunca levanta a voz.”

(PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 – quarta capa)

 “Veja um exemplo parcial do que as mães nos disseram que PRECISAVAM executar:

  • Passar tempo de qualidade com cada filho individualmente […] e família.
  • Parecer descansada, descontraída, em forma e na moda – mesmo com um orçamento apertado e poucas horas de sono.
  • Fazer um jantar delicioso e nutritivo toda noite e conseguir que as crianças o comam.
  • […] Avaliar todos os prestadores de serviços: médicos, babás, professores.
  • Controlar todas as flutuações de humor de… todo mundo.
  • Voltar do trabalho com toneladas de energia para gastar com seus filhos.”

(ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008, p35)

Diana e Mário Corso também identificaram outra lista de pressões:

  • Ser bem-sucedida na profissão e no trabalho;
  • Ter participação no mundo, engajar-se em causas sociais;
  • Ser atraente para o marido;
  • Ser alegre e criativa com as crianças, como Mary Poppins.

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p87)

A busca pela perfeição não é mole. Em nenhuma ocupação humana. Mas a busca por ser mãe perfeita consegue ser a mais exaustiva de todas. Porque são muitíssimas as variáveis: comportamento, casa, corpo, saúde, relacionamento, intelecto, tempo, trabalho, causas sociais, tudoaomesmotempoagora, tudo irretocável.

Tudo tem que estar planejado nos mínimos detalhes, sem nenhum furo. E quem disse que a maternidade é “controlável”? Pelo contrário. Não há coisa mais fora de controle.

Aí, claro que nosso ideal de mãe perfeita se encaminha para um lugar ermo. Vou no popular: vai para a cucuia. Mas nós não queremos dar o braço a torcer: continuamos perfeitas nem que seja na fachada.

Uma pesquisa no Reino Unido mostrou que:

“69% das cinco mil mulheres inquiridas admitiram ter escondido a verdade sobre a facilidade com que lidam com as exigências da vida familiar. […] Apesar de 64% das mães reconhecerem que é impossível ser a “mãe perfeita”, 41% sentem-se culpadas por não conseguirem alcançar esse ideal.”

(Mães mentem sobre forma como cuidam dos filhos. Disponível em: <http://www.mae.iol.pt/maternidade/maternidade-mae/1233026-5535.html> março de 2011)

Quase 70% admitiram que mentiam. Não ponho minha mão no fogo pelos 30% restantes, não. Mas 70% é um número considerável.

O negócio é que, tal qual a busca pela perfeição, segurar essa fachada NÃO É MOLE. Para dizer a verdade, é MUITO mais desgastante que as exigências da maternidade em si.

São necessários oito braços para fazer tantas tarefas. Mas apenas dois para abraçar seu filho.

 Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tô ocupada

Perigo de ser mãe perfeita 3 – Você combinou com os russos?

Reza a lenda futebolística que o jogador Garrincha, ao ser informado pelo treinador da seleção que bastaria driblar todos os adversários e fazer o gol para vencer a Rússia, perguntou: “Mas vocês já combinaram isso com os russos?”

Aproveito a deixa do Garrincha para refletir. A gente adota um modelo de mãe perfeita. E os filhos? Estão sabendo disso? Concordam?

Li a respeito de uma pesquisa com crianças inglesas (ingleses são doidos por uma pesquisa, né não?), sobre como deveria ser a mãe perfeita. Reuni as respostas em quatro grupos:

  • Intelectual – Ajuda no dever de casa (73%) e Lê histórias antes de dormir (43%)
  • Amorosa – Dá muitos beijos e abraços (63%) e Está sempre presente quando chamada (51%)
  • Mestre-cuca – Faz bolos caseiros (65%), Permite que as crianças ajudem a cozinhar (60%) e Faz o lanche da escola todos os dias (58%)
  • Brincalhona – Adora brincar (69%), Leva a criança ao parque regularmente (54%) e Gosta de se sujar no jardim (41%)

De cara, já fiquei “de cara”. Minha parcela mestre-cuca deixa muito a desejar (quer dizer que a história de “avental sujo de ovo” tem fundamento??). Também não gosto de me sujar no jardim. Oras, de repente, é o que os inglesinhos pensam, não sei se dá para aplicar à realidade brasileira.

Mãe Maravilha

Então, como boa mãe “noiada”, resolvi fazer uma enquete em casa:

– O que você acha que mamãe tem que fazer?

– Brincar mais.

– Ué, mamãe não brinca?

– Brinca, mas tem que brincar mais.

(A que insiste)– Quando vc tiver seus filhos, o que você vai fazer com eles?

– Brincar muito.

– E se eles fizerem coisa errada?

– Vou falar com eles e botar no cantinho.

Oh, yes! Fiquei satisfeita com o resultado (ninguém falou em bolo rsrsrsrs), apesar da amostra viesada e suspeita pra falar kkkkk! A parte da disciplina tá ok!

Quanto ao “brincar mais”, só reduzindo a perfeição de cada um dos outros níveis. Tá combinado com os russos.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Saúde é coisa séria

Uma regularidade que me chamou a atenção, nas revistas que se dedicam à criação de filhos, foi a abordagem acerca da saúde infantil. Diversas publicações, em diferentes edições, preferiram tratar o tema de uma forma mais “cor-de-rosa”, com eufemismo, como uma brincadeira.

Revista Crescer Set. 2001

Revista Crescer, Jun. 2002

Revista Crescer Especial Bebê

Revista Pais e Filhos, Set. 2001

Revista Meu Nenê, março 2001

Revista Crescer, Mai. 2005

Revista Claudia Bebê, Mai. 2010

Isso que se mantém, no discurso, é chamado de paráfrase. É o que constitui a memória, a matriz do sentido. Eu quis, então, descobrir como se deu essa construção.

Penso que essa abordagem das revistas se dá por cinco razões:

  1. Preferência por levar uma mensagem de esperança, de que “vai sarar”;
  2. Insistência na visão de um mundo perfeito, compatível com o que é apresentado na mídia de forma geral;
  3. Linha editorial que não permite imagens chocantes ou que desencadeiem algum conflito ético;
  4. Preservação das crianças.

 A única imagem diferente que vi, dentro das revistas que compõem meu “arsenal”, me partiu o coração. Observar aquelas carinhas tão tristinhas (isso porque era uma doença comum, como a gripe) me fez rever a crítica em relação ao modo como as revistas enfocavam o assunto:

Revista Crescer, Abr. 2005

Também me fez pensar sobre a dificuldade de encontrar quem se dispusesse a deixar essas fotos registradas. Ora, quem quer eternizar a imagem de um filho logo quando ele está doentinho? Pelo contrário, todos querem suas crianças em seus melhores momentos nos murais:

Revista Pais e filhos, Jan. 2002

Revista Crescer, Abr. 2005

Site Pais e filhos

5.  Por último, acredito que a revista realmente não é, nem deve ser, o veículo que vai tratar o assunto da saúde infantil com profundidade. Isso é prerrogativa dos médicos, e a editora não vai querer ultrapassar esse limite.



Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Cena 6 – um disco voador pousou e um ET menino entrou em minha casa

Um disco voador pousou no gramado em frente ao meu apartamento. Dele emanavam ondas de energia com minúsculas partículas de luz, um espetáculo lindo. Eu e meu marido, junto com meus pais e irmãos, assistíamos a tudo da janela da cozinha. Logo, havia uma porção de gente no local, inclusive pipoqueiro, sorveteiro e repórteres. De repente, duas luzinhas daquelas pousaram no chão e se transformaram em dois ETs, como os que aparecem em filmes (com a cabeça branca grande e dois olhos grandes). Usavam roupa de astronauta.

Uma dessas luzes entrou pela nossa janela, pousando devagar. Todos correram para a sala, exceto eu e meu marido. A luz se transformou também em um ET. Percebi que a cabeça e os grandes olhos eram apenas um capacete, e o ET na verdade tinha a aparência de um lindo menino loiro, de mais ou menos 7 anos. Comecei a lhe fazer várias perguntas e descobri que ele era um adulto. Estava muito assustado com tudo aquilo.

De repente, todos começaram a gritar na sala e a bater na porta para saber o que estava acontecendo. Ele se assustou mais e começou a chorar. Eu o abracei e disse que não tivesse medo, que não iríamos deixar nada de ruim acontecer. Então sugeri que fôssemos continuar a conversa em seu disco. Ele concordou.

Imagem: digitalFRANCE/Flickr

Estávamos nos preparando para desmaterializar quando meu marido deixou o casaco do ET cair no gramado. Eu fiquei com medo que aquilo chamasse a atenção e sugeri que os dois fossem na frente enquanto eu recuperaria o casaco. Eles foram e eu desci pelas escadas. Minha mãe foi atrás. Quando chegamos no térreo, tinham acabado de construir uma parede fechando a saída. Pensava que tinha que atravessar a parede, uma vez que precisava fazer a mesma coisa para chegar ao disco. A falta de fé era tanta que acabei desistindo. Minha mãe dizia que não havia mistério algum e mostrava como fazer. Mas eu dava a volta.

Isso aconteceu de verdade. Nos meus sonhos.

E também na vida real.

Quando viajei com meu primogênito, na época com 11 meses, foram sete dias em que ele não chorou nenhuma vez. Claro, antes que ele sentisse qualquer coisa, eu já tinha me antecipado a todas as necessidades. Fome? Leite quentinho, papinha pronta. Cansaço? Banheira com água morna, roupinha escolhida, tudo já preparado. Eu me transformei em uma espécie de “ministra do bem-estar”, com cada hora do dia devidamente planejada nos mínimos detalhes.

É verdade, ele nem precisou chorar. Todo mundo ficou admirado: “que coisa linda, não dá um pingo de trabalho.” Como assim? E, por que, ao fim da viagem, eu estava exausta?

Ora essa, porque eu não tinha “subido ao disco”. Enquanto meu filho e meu marido partilhavam juntos a mesma experiência e a mesma energia, eu estava na retaguarda, “pegando o casaco”, cuidando da parte burocrática e não aproveitando nada. E, exatamente como no sonho, ninguém entende como uma coisa simples pode ser vista como complicada.

Hoje eu continuo preocupada com o casaco, mas me permito subir ao disco. Seguem alguns pré-requisitos, já fazendo uma síntese do que tratamos nos outros posts da série:

  1. Ter planejamento e organização;
  2. Contar com possibilidades adversas e já arquitetar o plano B (e o C e o D);
  3. Internalizar e racionalizar o trabalho – foco no AGORA;
  4. Dar-se tempo. Como eu começo a relaxar só a partir do 3º dia, nunca planejo férias com as crianças com menos de sete dias (até porque a mala de higiene é idêntica para um dia e para sete, não vale a pena);
  5. Reconfigurar seu conceito anterior de “férias”.

Mais dicas da Libby Purves, autora do livro “Como NÃO ser uma mãe perfeita” (São Paulo: Publifolha, 2003):

  1. “O segredo, para quem tem filhos pequenos, é reduzir as expectativas em relação às atividades adultas. […] O esforço de tentar fazer uma atividade de adultos tendo junto crianças pequenas raramente vale a pena. Já me veio à cabeça que uma coisa que os pais nunca devem fazer é embarcar, com seus filhos pequenos, no tipo de excursão que lhes dava enorme prazer quando estavam sozinhos.
  2. Quem tem dois ou mais filhos abaixo dos 5 anos precisa tirar proveito de cada pequeno prazer.”

Quando você se entrega, experimenta um prazer diferente nas suas férias. É quando o momento começa a se parecer com as fotos dos anúncios dos resorts. Nossos álbuns de férias não são realmente muito diferentes. A gente só gosta de registrar os momentos felizes, não é? 

Mas, aos poucos, vai descobrindo que as melhores fotos, MESMO, não são as posadas. As poses não são naturais, saem aqueles sorrisinhos armados, congelados. As mais deliciosas histórias de viagem são repletas de tragicomédias, coisas engraçadas. E as melhores fotos captam o instante, a brincadeira, o inesperado.

Essas fotos podem até não refletir o que aconteceu na maior parte do tempo. Mas vão traduzir o que de fato importa. Aquilo que, com toda a certeza, é inesquecível.

E aí? Preparou-se para subir no disco e explorar o fantástico universo que só as crianças podem proporcionar?

Foto: The Scarer/Stock Xchng

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Toda a série Viajando com crianças

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Cena 5 – minha filha de 1 ano e meio correndo e batendo palmas em todos os cômodos da casa. Ao final, beijando o berço

Foto: Brokenarts / Stock xchng

Fizemos uma viagem de 10 dias com meu filho de 4 e minha filha de 1,5 ano. Desses, sete dias foram um cruzeiro. Para o menino, foi uma viagem maravilhosa e inesquecível. Mas para ela… Descobri – lá no navio – que cruzeiros não são o melhor esquema para bebês. Por quê?

  1. Ela não se deu bem com a comida. E a única opção que tínhamos (já que estávamos no meio do mar) era papinha Nestlé.
  2. Era verão, muito calor, mas o ar condicionado central (sobre o qual não tínhamos controle) era muito frio.
  3. Ela pegou uma virose, teve febre e diarreia.
  4. Ela sujou todas as roupinhas. O WC da cabine não tinha exaustão adequada para secá-las. Foi tudo para a lavanderia do navio, que demora para retornar.
  5. O navio em alto-mar balançava pra burro e deixou todo mundo enjoado.
  6. Ela estava aprendendo a andar e se sentiu insegura.
  7. O WC da cabine era um ovo, mal cabia a piscina inflável que usávamos como banheira.
  8. Tudo era muito demorado: o desembarque em cada cidade do circuito, os traslados até o aeroporto, as conexões etc.

Resumo da ópera: quando chegamos em casa, ela começou a dar gritinhos de alegria já na garagem. Era como se, na cabecinha dela, ela tivesse feito algo de MUITO errado e que estava sendo punida. Mas, graças a Deus, o castigo havia finalmente terminado. Quando ela beijou o berço, meu coração ficou minúsculo. Puxa vida, pensei, nunca mais vou fazer isso.

Essa história é para dizer que, nas viagens planejadas para serem momentos de sonho, podem acontecer alguns senões. Eles devem ser avaliados previamente para que o melhor programa seja escolhido – em algumas vezes ele pode mesmo ser adiado para quando as crianças forem maiorzinhas. E, também, com a decisão já tomada, para nos cercarmos de alguns cuidados:

  1. Crianças podem adoecer. Faça check-ups antes da viagem. Leve farmacinha, de acordo com orientações do pediatra.
  2. Remédios fazem efeito 30 minutos depois. Quando eu vejo que um dos meus filhos está meio constipado (o que pode causar uma dor de ouvido bizarra no avião) já dou logo o Paracetamol assim que a gente embarca. Dou mesmo. (veja isso com seu pediatra).
  3. Leve sempre mudas de roupa reserva na mala.
  4. Crianças podem estranhar o ambiente. Leve o travesseiro e um bichinho de pano com o qual seu filho esteja acostumado a dormir, para que tenha alguma referência de casa.
  5. Crianças podem vomitar. E, como “remédios fazem efeito 30 minutos depois”, antes de viagens de carro ou de barco já dou logo o anti-hemético (veja isso com seu pediatra). Além disso, eles devem evitar ler dentro do carro e não comer comida-de-beira-de-estrada não confiável.
  6. Leve sempre mudas de roupa (inclusive para os adultos) na bagagem de mão. Dizem que isso é útil para o caso de extravio de bagagem. Mas eu faço porque uma vez tive que comprar roupa para mim no aeroporto depois de uma “esgumitada” homérica do caçula.
  7. Crianças podem atrasar. Não dê chance à Lei de Murphy e sempre se programe para chegar aos lugares com pelo menos 30 minutos antes do que for determinado.
  8. Deixe a mala “pré-pronta” na véspera de ir embora. Na hora de desocupar o quarto, coisas como tirar a areia dos baldes e esvaziar boias e piscininhas infláveis demoram mais do que se imagina.
  9. Antes de qualquer esquema, leve ao banheiro, mesmo que eles digam que “não estão com vontade”. Por três vezes resolveram fazer “o número 2” na hora que o atendente da companhia chamou no microfone para embarcar.
  10. Tenha sempre protetores plásticos de vaso sanitário para as meninas e para “o número 2” dos meninos. WCs públicos são nojentos.
  11. Se decidir por um cruzeiro, NUNCA escolha cabines internas sem iluminação natural. Por mais que digam que é frescura, que a escotilha é pequena etc, luz do sol FAZ DIFERENÇA. A menos que você curta a sensação de que está dormindo dentro do elevador ou do WC do avião.

Enfim, conhecer os “senões” é importante. Se não há como impedi-los, pelo menos estamos conscientes.

Mas “estar junto 24h” com as crianças não está no rol dos “senões”.

Fiquei atônita com uma matéria da Revista Viagem e Turismo que compara resorts e cruzeiros, e fala sobre o assunto:

Viagem e Turismo n9 ano 12 set 2006 p64 – Ed. Abril

Cruzeiros ou resorts?

“Lazer Criança – Vencedor: Resort

Todos os navios têm kids club. Mas nenhum tem baby-sitter. Ou seja, se quiser alguma independência das crianças, vá para um resort, com trupes de funcionárias treinadas para entreter e cuidar dos pequenos a pequenas fortunas […]. Você agradecerá cada vintém, verá a lua da praia, tomará um drinque a mais no bar… É muito chato ser obrigado a voltar para o quarto por não ter com quem deixar as crianças. E nos navios, […] você terá de: a) dormir mais cedo; b) se consolar com a pobre programação da TV ou c) arrastar as crianças para todo lado. Durante o dia, os cruzeiros levam um olé dos resorts de novo. […] Nos resorts, a programação para a criançada é interminável. Aliás, os “tios” recebem os pequenos pela manhã e, com exceções, devolvem só para o banho. […] Quer mais que isso? Mande-os para uma ilha.”

TÔ BEGE!!!!

Na minha experiência, o cruzeiro não foi bacana para crianças pequenininhas por OUTROS motivos, nunca por causa do “contato full time”. Se esse contato se transformar em um dos “senões”, tem alguma coisa fora do lugar aí – e não é exclusiva da viagem.

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças 

 

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Cena 3 – O casal acaba de chegar ao hotel e, ainda com a roupa do aeroporto, vai direto ao kids club para cadastrar o filho de 4 anos e contratar uma baby-sitter para o bebê

Estávamos eu e meus três pimpolhos jogando boliche com garrafas de plástico no kids club do hotel, quando presenciei a cena acima. Até então, nunca tinha cogitado fazer o mesmo, até porque o máximo que meus filhos desfrutam das recreações dos hotéis é a caça ao tesouro. Em todo o tempo (pro bem e pro mal rsrsrs), preferem ficar grudados na gente. Fiquei meio de cara, mas compreendi e respeitei (e tive uma invejinha).

O fato é que nem sempre as coisas saem do jeito que a gente imagina, principalmente em se tratando de férias. Antes de ser mãe, eu nunca entendia quando diziam: “Quando você viaja com as crianças, depois precisa de novas férias.”

Claro que os resorts descobriram isso:

Trecho do Guia de Resorts do Brasil, pp10-11

7 motivos para ir a um resort

  1. Lazer para a família

Dez entre dez famílias com filhos pequenos preferem passar suas férias em resorts. O motivo é simples: no ambiente confortável e seguro de um resort, a garotada ganha uma independência inimaginável na rotina do seu dia-a-dia. Outra razão é que não faltam atividades para elas se esbaldarem o dia inteiro. […] O kids club nasceu da percepção de que as atividades prazerosas aos adultos – tomar sol na beira da piscina, ou passar a tarde inteira lendo um livro – são uma verdadeira tortura para as crianças. A presença constante de monitores […] e a infra-estrutura de lazer gigantesca voltada para os pequenos dá uma sensação de segurança até para as mães mais ansiosas.”

Trechos do texto de abertura de um especial da Revista Viagem e Turismo (Especial Férias com as crianças n68 jun 2001, p5. Ed. Abril) (grifos meus):

“Quantos casais você conhece que já deixaram de viajar porque não tinham com quem deixar os filos? Gente que olha para os pequenos e vê apenas malinhas-sem-alça atrapalhando seus planos de férias? De acordo com esse pessoal, não vale a pena levá-los porque: 1) Não aproveitam nada, mesmo; 2) atrapalham os passeios dos pais, porque exigem atenção o tempo todo; 3) dobram as despesas.

Bobagem. O passeio fica mais trabalhoso, é verdade, mas nós dividimos com as crianças experiências de que elas se lembrarão pelo resto da vida. […] Se a coisa for bem planejada, até os bebês vão adorar o contato full time com o pai e a mãe. E não vai custar muito mais. Geralmente a criançada ganha descontos. […]

Como você verá, só existem contraindicações quando você não planeja direito. […]

Aproveite bem a companhia dos seus filhos. Eles vão tornar sua viagem muito mais bacana. Vocês merecem esse presente.”

Bem, segundo o texto acima, antes de sair de férias com as crianças, você deve considerar o seguinte: Dá trabalho, mesmo, mas isso é contornável quando existe planejamento. Assim, seria possível desfrutar da viagem com a garotada.

A mesma revista apresenta a lista dos hotéis ideais para crianças no decorrer de todas as páginas seguintes. Adivinha por que eles foram recomendados? Por causa de atividades, clubinhos, monitores e baby-sitters. Os trechos abaixo foram pinçados dessa lista (cada trecho se refere a um hotel diferente):

  • Crianças de 4 a 12 anos têm um clube só para elas, onde monitores organizam brincadeiras. […] Para os menorzinhos, há serviço de baby-sitter pago à parte.
  • A garotada de 5 a 12 anos tem uma imensa programação de lazer, coordenada por monitores, enquanto os bebês podem ficar aos cuidados de baby-sitters.
  • A programação de jogos e brincadeiras para a turma de 4 a 12 anos vai até as 10h da noite, enquanto os mais novinhos podem ficar aos cuidados de babás.
  • Os bebês ficam aos cuidados de babás, enquanto os pais pescam no lago ou curtem a piscina.
  • Nos períodos de férias e feriados prolongados, há monitores para entreter a garotada.
  • O hotel também se encarrega de contratar babás, desde que o pedido seja feito com antecedência.
  • É possível passar o dia lagarteando na praia, enquanto a garotada se esbalda nos brinquedos.
  • Oferece intensa programação para crianças a partir dos 3 anos. Enquanto elas brincam com os monitores, os pais podem curtir os voos de asa-delta e paraglider que saem da Pedra Grande.
  • Para os pequenos, tem um espaço exclusivo, a Cidade da Criança, com parquinho, castelo e teleférico. Há também um berçário e brincadeiras para os maiores de 2 anos.
  • Há recreação para os maiores de 3 anos e baby-sitter para os bebês. Saunas, duchas escocesas e massagens garantem o relax dos pais.

(Trechos do Especial Férias com as crianças n68 jun 2001, p5. Ed. Abril)

Mas, gente, onde fica o “contato full time com o pai e a mãe” pregado no começo da revista? Um hotel só é indicado para crianças se tiver essa megaestrutura de cuidadores?

Isso fica ainda mais enfatizado nas fotos que ilustram as matérias. Em TODAS as imagens, as crianças não estão com os pais.

Crianças com os bichinhos, pais na praia

Para ninguém dizer que a publicação é um exemplo isolado, abaixo transcrevo trechos da lista de hotéis recomendados de outra edição da revista (grifos meus):

Viagem e Turismo n14 ano12 dez 2008. Ed. Abril

  • […] Basta pisar no hotel para acabar com o estresse – principalmente o infantil. Meninos e meninas podem passar o dia longe dos pais, inclusive fazendo as próprias refeições, no kids club.
  • […] Com quem ir: Com filhos de qualquer idade. Há até baby club para bebês.
  • Sucos, refrigerantes e petisquinhos à beira da piscina ainda estão liberados e, o mais importante, a diária no kids club também. […] Com quem ir: Com os filhos. Os monitores dão conta da algazarra.
  • As crianças se sentem em casa – ou melhor, na casa que elas sempre pediram aos pais. Ficam em companhia dos monitores o dia todo, até as 22h. […] Na piscina, os pais relaxam […].
  • […] Com quem ir: Com a galerinha. Aulas de surfe, patinação, caça ao tesouro, arvorismo, paintball, cavalgada, discoteca. Será que já dá para cansar as crianças?
  • […] Com quem ir: Com a família toda. Há monitores e kids club.
  • […] Com quem ir: Com os diabinhos. Os recreadores dão conta.

Como na cena 3, no início do post, nem sempre as crianças têm opção de ficar no clubinho ou não. Mas isso não impede que elas adorem e se divirtam muito mais do que se tivessem ficado com os pais (principalmente se os pais estão de saco cheio).

Não estou aqui fazendo crítica aos recreadores e aos clubinhos, por favor. Antes que os primeiros resorts fossem inaugurados no Brasil e universalizassem a cultura de monitores, existia uma coisa muito similar nas viagens de antigamente: a instituição “casa de parente com primos”. Gente, o que eram os primos senão uma versão prévia dos clubinhos? Ninguém perguntava se nós queríamos ficar lá (essa alternativa jamais foi aventada), mas curtíamos demais, ERA BOM DEMAIS! (Família grande, milhares de primos, pena que hoje em dia isso é cada vez mais raro).

Assim sendo, que sejam bem-vindos os clubinhos e sejam aproveitados. Se a criança estiver contente, perfeito. Se você se permitir o “contato full time” (de que vou falar em outro post), também vai descobrir coisas maravilhosas. Acredite.

No entanto, não dá para repetir o que vi em um resort:

Cena 4 – Frio de uns 9 graus. Jantar no restaurante, 21h45. Todas as pessoas muito encasacadas. Uma monitora toda de moletom (uniforme do hotel) faz companhia a um garotinho de regata, short e chinelinha… aguardando as 22h protocolares para os pais pegarem o filho.

E você? O que acha?

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tive complicações nas gravidezes. Pós-partos difíceis. Mas isso não faz de mim uma mãe melhor.

Tive o imenso desafio e privilégio de amamentar meus filhos até quando quiseram. Mas não é isso o que realmente importa.

Bem como o número de mamadas, de litros de leite doados. De horas insones na madrugada.

Número de fraldas trocadas, de limpar xixi, cocô, vômito, de assoar narizes, cortar unhas, escovar dentes. Fazer curativos.

Número de horas nas filas das papelarias, de preencher etiquetas, identificar material escolar. De fazer dezenas de bainhas de calças e bermudas. E, no ano seguinte, mandar tudo pra costureira.

Nem o número de horas negociadas e compensadas no trabalho para participar de reuniões na escola. Número de vezes que deixei de fazer algo para mim, de cancelamentos, de adiamentos.

De guloseimas proibidas, de guloseimas liberadas. De escolher pessoalmente cada fruta e verdura na feira. E também de dar mamadeira, papinha Nestlé.

De leva pra lá, leva pra cá, médico, dentista, vacina, fono, academia, piano, escola.

De programas milimetricamente planejados para ser divertidos e que foram um fiasco.

De argumentações infinitas, de broncas, de mandar para o cantinho.

Febres, doenças ou síndromes mais sérias, sensação de impotência.

De cansaço, desânimo, destempero, dúvida, culpa, medo.

Nada disso faz de mim uma mãe melhor.

Nenhuma dessas coisas importa em si. O que realmente importa é como as encaramos e o que transmitimos em cada gesto.

Quanto maior o sacrifício, maior é a expectativa. O que leva a riscos:

  1. esperar retorno ou querer cobrar a conta depois, quase inevitável;
  2. criar álibis: amamentei, cuidei, dei tudo de mim, cumpri minha cota e agora chega;
  3. não se conformar quando alguém faz de forma diferente, pior ainda se for de um jeito mais fácil. É quase como se a pessoa estivesse cometendo um delito.

 Fala-se muito de “escolha”: “devia ter pensado nisso antes de ter filhos”, “há tanto anticoncepcional no mercado”. Acontece que a ideia de maternidade em voga é muito diferente da realidade. Quase oposta. Lindas mães perfeitas sempre sorridentes, com filhos fofuchos e saudáveis, eternizados nas capas de revista, em outdoors, na TV, no cinema e na internet, falando em como tudo é mágico e doce. Pode observar: NENHUMA delas mostra mastites, birras, adaptações na escola, doenças. Fora o discurso de que a mulher SÓ se realiza quando é mãe.

E de repente a gente vê que as coisas não estão acontecendo como o esperado; que, na teoria, tudo é muito mais simples; que por vezes acabamos lançando mão do que antes criticávamos. E aí vem a pergunta que cai como uma bomba:

“Eu estou me esforçando tanto, mas nunca é suficiente. O que estou fazendo de errado?”

Pois a resposta já está implícita: o que você está fazendo de errado é justamente achar que está SE ESFORÇANDO TANTO. Quem disse que tudo tem que ser assim, que só é legítimo se for penoso?

Assim como a maternidade idealizada é falsa, a maternidade de sujeição suprema também é. Uma coisa é a lida diária com os filhos, que exige bastante mesmo, é básico, necessário. Outra coisa é pautar a maternidade somente nisso. É fardo demais. Sem contar que é reducionista, míope.

Quero ressaltar que entendo e respeito quem se sente melhor no sacrifício. Existe algo em nossa cultura que endossa isso. O que não deixa de ser paradoxal, porque convive com o consumismo, o hedonismo, as promessas de soluções fáceis e prontas. Enfim, o fato é que a superação de um sacrifício traz a sensação de vitória.

Acho simplesmente fantástico quem consegue transformar tragédia em atitudes concretas, quem abre espaços e funda entidades para ajudar os outros. O problema é quando a superação traz um sentimento arrogante, de status, de poder, se superioridade. E a tentação irresistível de comparar, rotular e condenar o comportamento dos outros. Uma coisa é se sentir melhor como mãe. Outra coisa é se julgar uma mãe melhor que as demais.

A preocupação é até genuína: preocupação com os filhos das outras, crianças indefesas ou potenciais adultos problemáticos que dividirão o mundo com os NOSSOS filhos. (Óbvio que não estou falando dos casos de polícia.) Mas aí caímos em outra ilusão perigosíssima: acreditar que a mãe é a exclusiva responsável (e, por conseguinte, culpada) por tudo o que os filhos virão a ser.

Volto à questão inicial:

O sacrifício faz de mim uma mãe melhor?

No MEU CASO, não, nunca. Acho que até é o contrário: faz de mim uma mãe pior, focada na cobrança, primeiro comigo, depois com meus filhos.

Os melhores momentos da maternidade aconteceram quando fui espontânea. Isso é verdadeiro para mim e para meus filhos. Sem pensar se era por direito ou por obrigação. Sem pensar se estava certa ou errada. Esses momentos surgem quando você se entrega, deixa a situação te ensinar, deixa de ver como sacrifício e sente fluir, sente prazer, sente amor. Confesso – são muito menos frequentes do que gostaria; é muito difícil a gente se permitir tê-los no cotidiano que por vezes lembra a rotina militar. Mas são eternos, inesquecíveis. É quando conhecemos nossos filhos e nos deixamos conhecer.

O que faz de mim uma mãe melhor é ter a certeza de que conheço meus filhos. E o que mais espero é que eles não me vejam pelo tipo de parto, de horas de amamentação, de noites em claro, de dinheiro investido ou qualquer outro sacrifício que possa ter empreendido. O que mais espero é que eles saibam que podem CONFIAR EM MIM.

Os segredos das supermulheres – análise

Matéria publicada na Revista Claudia Bebê nº 523b

 “Os segredos das supermulheres

Cinco profissionais com rotinas marcadas por longas horas de trabalho e muito stress mostram que, com amor e sabedoria, dá para viver intensamente a maternidade sem abrir mão da carreira.”

Os segredos, segundo a reportagem:

Profissão Coordenadora de relações públicas e marketing de uma grande empresa de eletrônicos
Carga horária 14h
Filhos Trigêmeos de 11 meses
O suporte Não informado
Como dá conta Explica que está saindo para trabalhar; Liga pelo menos 2 vezes; Nos fins-de-semana dedica-se às crianças, desliga o telefone
   
Profissão Médica anestesista
Carga horária Dois hospitais com dois plantões de final de semana por mês
Filhos Uma menina de 1 ano
O suporte Berçário próximo ao trabalho Funcionária do próprio berçário quando tem plantão e o marido, que é médico, também
Como dá conta Desligou das emergências; Vê a filha nos intervalos; Quando sai cedo, brinca; Espera a filha dormir
   
Profissão Comissária de bordo
Carga horária Jornadas que exigem vários dias fora de casa
Filhos 1 filho de 10 meses
O suporte Escola maternal; Avó materna; Marido
Como dá conta Nos fins de semana de folga, deixa tudo; Marido e filho acompanham em voos longos
   
Profissão Representante comercial
Carga horária 12 horas; Viagens pelo Brasil
Filhos Gêmeas de 1 ano
O suporte Enfermeira experiente; Pessoa para cuidar da casa; Ajudante que cobre folgas; Escola em tempo integral
Como dá conta Monta um cardápio com ajuda do pediatra; Dispensa as auxiliares à noite, fazendo papinha, contando histórias; Ajudantes anotam tudo em uma caderneta
   
Profissão Capitã do Corpo de Bombeiros
Carga horária Das 8h às 17h, fora atendimentos de emergência até de madrugada
Filhos Um filho de 2 e um de 4 anos
O suporte Marido
Como dá conta Quando está em casa é o centro das atenções; A hora do jantar é sagrada, quando todos conversam; Se leva trabalho para casa, só inicia depois que filhos dormiram

 

Análise

 Segundo a matéria, para ser supermulher, é preciso trabalhar fora em longas jornadas, e conciliar com amor a maternidade. Mas o que se depreende é que a maternidade se dá sempre nas sobras de tempo.

Na verdade, o “segredo” para dar conta está no suporte que elas têm: ajudantes domésticas, berçários, maridos, avós. A reportagem, entretanto, silencia sobre os superpoderes dessas pessoas que ficam com as crianças a maior parte do dia.

Veja também: Os segredos das supermulheres – Marusia fala

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Semana Mundial da Amamentação

Site visitado: Sociedade Brasileira de Pediatria

Ano – Madrinha da campanha Tema
1999 – Luiza Brunet Amamentar é educar para a vida. Vamos reaprender!
2000 – Glória Pires Aleitamento materno. Bom para a mãe. Melhor para o bebê.
2001 – Isabel Fillardis Aleitamento materno. Uma forma muito especial de comunicação.
2002 – Claudia Rodrigues Amamentar é dar ao seu bebê saúde em forma de amor.
2003 – Luiza Thomé Amamentação. Saúde e paz para um mundo melhor.
2004 – Maria Paula Até os seis meses, mudança na alimentação do seu bebê só se for do peito direito para o esquerdo.
2005 – Vera Viel e Maria Paula Até os seis meses, seu bebê só precisa do leite materno. Depois, ofereça outros alimentos e continue amamentando.
2006 – Cássia Kiss Amamentação. Garantir esse direito é responsabilidade de todos.
2007 – Vanessa Lóes (com Thiago Lacerda) Amamentação na primeira hora, proteção sem demora.
2008 – Dira Paes (e mãe) Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar.
2009 – Claudia Leitte Amamentação em todos os momentos. Mais saúde, carinho e proteção
2010 – Wanessa Cristina e outras mães Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor

 Campanhas de doação de leite materno do Ministério da Saúde

2008 – Camila Pitanga Doe leite, a vida agradece.
2009 – Samara Fillipo Doe leite materno, a vida agradece.

 

Análise dos cartazes

Os cartazes têm por objetivo:

  • valorizar (e até glamurizar) a amamentação;
  • esclarecer os benefícios para a mãe e a criança;
  • ressaltar as vantagens do leite materno;
  • recomendar expressamente o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
  • chamar à responsabilidade todos os outros envolvidos: pai, outros familiares, empregador.

 Importante, válida, oportuna, necessária, encantadora, inspiradora: tudo isso foi mais do que reverenciado nas campanhas. Mas há outros aspectos que vão além da INQUESTIONÁVEL utilidade pública e beleza, que merecem análise.

O cartaz de 2010 chama atenção por ser o primeiro de uma série, em 12 anos, a apresentar mães que não são celebridades. Também há a figura central de uma negra. As imagens de amamentação são essencialmente “brancas”, com exceção de Isabel Fillardis, em 2001 (vale o teste: procurar “amamentação” na pesquisa de imagens do Google).

Outra novidade em 2010 é a presença de grávidas, ou seja, o aleitamento materno é uma atitude a ser acalentada já na gestação.

A terceira característica diferente é a mãe que amamenta olhando para o bebê (ainda que na foto menor). Na maior parte das vezes, as mães não estão olhando para o bebê, e sim para o espectador, enfatizando o apelo, em que elas se colocam como porta-vozes da campanha (a exceção está no cartaz de Vanessa Lóes e nos anúncios de doação de leite). Essa postura também demarca o caráter incisivo da “pose” para a foto, do momento artificialmente produzido, bem como do destaque da mãe, a heroína que merece ser aplaudida e seguida.

Cores, cenário, sorrisos, tudo contribui para o clima de serenidade e prazer, o que leva a entender que amamentar é um ato natural desde sempre e que não encerra dificuldades – nem quando são gêmeos (Luiza Thomé), nem quando são crianças maiores (Maria Paula). A mãe que não observa essa atmosfera quando tenta amamentar (sente dor, apresenta fissuras, leite empedrado, cansaço, falta de apoio) começa a imaginar que algo está errado – com ELA.

Já começam a ser observadas algumas mudanças positivas. Mas o que realmente falta em todos os cartazes é algo que vai além do “mais informações” com os telefones e o site. Assim, uma recomendação crucial não está explícita nos cartazes: “Havendo dificuldades, não deixe de entrar em contato com…”

Como toda boa propaganda, ninguém vai falar dos problemas. E a intenção aqui não é pretender que as campanhas foquem nas dificuldades. Esta análise propõe, sim, o foco na AJUDA, no apoio. Até porque a credibilidade da própria campanha pode ser prejudicada, a partir do momento que as mães, ao não conseguirem reproduzir o clima perfeito das fotos, comecem a desistir pensando que a amamentação só funciona para as estrelas globais (que desfrutam de todo um universo não acessível às “mortais”).

Pois essas informações estão disponíveis… nos materiais dirigidos aos profissionais da saúde. Não foram concebidas para o grande público. O Ministério da Saúde produziu uma cartilha ótima, honesta, plural, com “gente como a gente”, tão diferente dos cartazes! A ONG Amigas do Peito fez o upload em seu site. VALE O CLIQUE:

Cartilha de Amamentação do Ministério da Saúde

Veja também:

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar

Na campanha de 2010, a frase: “Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor”, em letras manuscritas, e o papel de aparência envelhecida recorrem à memória discursiva de um anúncio do Leite Ninho da década de 1960. A mãe, com a lata nas mãos, diz: “Para os meus… Leite Ninho – o melhor do mundo.”

Anúncio disponível no Blog Propagandas Antigas

Não há como afirmar que a campanha de 2010 seja uma resposta direta a esse anúncio. Mas todas as campanhas de aleitamento são respostas às campanhas de leite artificial.

Muito disso se deve a uma mudança profunda que ocorreu na geração das mães que antecedeu a atual: as mães das mães. Elas não amamentaram e foram até mesmo persuadidas a não fazê-lo. O leite artificial era uma promessa de liberdade, nutrição garantida, modernidade. O preço foi alto e até hoje está sendo pago, em todo o mundo.

Quando se tornou um problema de saúde pública, foi necessário agir em duas frentes: criar severas restrições às propagandas de leite de vaca e outras fórmulas lácteas; e investir pesado em campanhas de motivação ao aleitamento materno.

Ninguém nega a importância dessas ações. Mas, assim como o elástico volta com força proporcional à extensão com que foi puxado, esse movimento acabou dando origem a efeitos colaterais, de extremismo. Está criando uma legião de mães bem-intencionadas mas frustradas porque não conseguem amamentar – muitas vezes, por falta de apoio.

 Há mães que não podem – aliás, não DEVEM amamentar.

Não é aconselhável amamentar com:

  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tuberculose ativa não tratada e até uma semana após o início do tratamento, o que de obriga, durante este período, a separação de mãe e filho;
  • Medicamentos usados em doenças malignas (anti-neoplásicos) e isótopos radioativos para tratamento ou diagnóstico;
  • Raras doenças metabólicas inatas, do bebê, como a galactosemia;
  • Infecção com vírus citomegálico, em bebês prematuros;
  • Doenças maternas psiquiátricas, como depressão pós-parto.

 Não é possível amamentar quando:

  • A mãe passou por masectomia total – retirada dos seios necessária, por exemplo, na presença de câncer de mama;
  • A mãe passou por cirurgia nos seios e teve danificados os dutos, as glândulas produtoras de leite ou os nervos que rodeiam a aréola.

Outras dificuldades:

  • Mães com baixa produção de leite;
  • Mães ou bebês com problemas anatômicos;
  • Falta de informação (como as mães da geração anterior não amamentaram, não puderam passar adiante esse conhecimento. Hoje, é necessária a ajuda dos profissionais da área da saúde);
  • No caso de adoção (ainda que existam técnicas de lactação).

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Li um post em um blog que me deixou estarrecida:

“Leite de vaca é pro bezerro;
Leite de cabra é pro cabrito;
Leite de lata é pra quem não tem mãe.
Minha filha só mama no meu peito.”

 Todas as mães que estiveram em situações de impedimento precisaram oferecer mamadeira com leite de lata a seus filhos. Essas crianças, por causa disso, não podem dizer que têm mãe???

Na resposta aos comentários, os autores do blog esclarecem o radicalismo (e depois, aqui, no Blog Mãe Perfeita. Muito legal, é no diálogo que a gente se fortalece!) Digo aqui o que disse a eles lá:

 Inspiração, incentivo, apoio, sim – sempre. Mas também precisamos cultivar uma postura de mais respeito, solidariedade e acolhimento, em vez de terrorismo, julgamento (julgamento, não! condenação!) e exclusão de quem não pôde amamentar!

 Simplesmente porque essa condenação NÃO AJUDA!

E ainda pode surtir efeito contrário: criar repulsa e resistência à causa, tão valiosa.

 Separei o trecho de um livro – poucas linhas no meio de 24 páginas inteiras falando das maravilhas da amamentação. Mas, sendo o último parágrafo, se reveste de importância:

 “Há várias dificuldades que contribuem para que algumas mulheres não consigam ou não queiram amamentar. De qualquer forma, é importante não confundir o conceito de ‘boa mãe’ com ‘mãe que amamenta’. Ser boa mãe é a mãe que se pode ser, de acordo  com sua vida e sua história pessoal, com limitações e possibilidades. Ter leite no peito é apenas uma das possibilidades – mas não a única – de aproximar-se do bebê e ter um contato amoroso e íntimo. Mas a relação de amor também pode acontecer quando o bebê é alimentado com mamadeira.”

(MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 131)

 E outro texto muito bacana sobre o assunto na Revista Claudia (até ele apresenta a foto de um bebê mamando no peito da mãe!, o que mostra como a cobrança está arraigada. A despeito da imagem, vale a pena ler).

Cabe salientar que não foi escrito por um médico que faz pouco do aleitamento materno, muito pelo contrário. Quem escreveu foi Sônia Maria Salviano Matos de Alencar – Pediatra, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Bancos de Leite Humano e Aleitamento Materno, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria e coordenadora dos bancos de leite humano da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

 Me sinto um fracasso porque não consigo amamentar

Revista Claudia – Dilema de mãe. Edição 516-F Editora Abril. pp4-5

  “[…]

Ser mãe é muito mais que dar o peito.

 Sua decepção também pode estar relacionada a um bombardeamento de campanhas que pregam o aleitamento materno como uma obrigação. De certa forma, essa pressão toda tem aumentado o sentimento de culpa de mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar. É um peso que nenhuma mãe precisa carregar, muito menos aquela que fez o possível para dar conta do recado. Também não há motivo para temer pela saúde da criança. O leite materno é sem dúvida a melhor e mais prática opção de alimentação para o bebê, porque já vem pronto, aquecido e com todos os ingredientes bem dosados. Porém, há fórmulas lácteas excelentes  à venda no mercado, que suprem satisfatoriamente as necessidades nutricionais da criança recém-nascida. […] O essencial para que você e seu pequeno se sintam bem e ligados intimamente é não delegar a ninguém o ato de dar mamadeira. Aproveite esse momento para aconchegá-lo, acariciá-lo, trocar olhares amorosos com ele enquanto sacia sua fome.

 É a maneira ideal de garantir um alimento imprescindível a qualquer ser humano: o amor.”

 É isso aí. Sendo no peito ou na mamadeira, o que realmente importa é alimentar nossos filhos com muito amor.

 

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Lei da Palmada

Recebi, por e-mail, um texto sobre a palmada, neste momento em que o assunto está no auge em função de um projeto de lei do Governo que pretende proibir castigos físicos nas crianças. Foi redigido por uma jovem estudante de Direito:

“Provérbios 29: 15-17 “A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe. […]” Quando um bebê nasce, até determinada idade, é incapaz de tomar boas decisões por si mesmo e esse é o papel dos pais: corrigi-lo e ensinar a ele o caminho certo. Uma lei que limita esse papel, dando a desculpa de acabar com a violência contra a criança, traz consequências às futuras gerações […]. Essa lei afetará sim famílias normais que amam e educam seus filhos de maneira saudável de acordo com suas crenças e experiências.” (Daniela Chaves – estudante de Direito do UniCeub)

Foi um empurrãozinho para que eu entrasse nesse debate também, já que até agora estava meio preguiçosinha para lidar com os tantos aspectos complexos que o envolvem.

Só de curiosidade, transcrevi, aleatoriamente, depoimentos presentes nos primeiros tópicos sobre “palmada” fornecidos pelo Google, nos seguintes sites:
1. http://blogdodesabafodemae.blogspot.com/
2. http://diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/ (com informações da Istoé Online e do site http://www.naobataeduque.org.br/)
3. http://www.clicrbs.com.br (com informações do Jornal Zero Hora)
4. http://jus2.uol.com.br/doutrina
5. http://veja.com.br/ (com informações da Agência Estado)
6. Entrevista com a psicóloga Lídia Weber à Veja (Gostei dessa entrevista!)

Há depoimentos que nem são recentes. Sinal que a polêmica é antiga e ainda está longe de ser resolvida.

Não são contra a palmada

Depoimento Nome (site)
[…]Temos que impor limites e às vezes só assim (não adianta querer conversar de igual para igual com uma criança pequena). É lógico que não podemos em hipótese alguma dar surras nem espancar. E não me venham falar que quem dá palmadas está a um passo das surras por que não me convence. Dou meus parabéns aos pais que não precisaram dar palmadas nos filhos e esses filhos não se tornaram crianças “tiranas” que fazem o que querem e quando querem. Ieda (1)
[…] sou sim a favor da palmada. Eu mesma apanhei muitas vezes e tenho consciência que mereci. Sei que se não tivesse recebido essas palmadas com certeza seria uma pessoa diferente. Talvez uma pessoa pior. Não respondo à minha mãe e nem ouso levantar a voz. Nunca vi o relato de alguém que apanhou quando criança e reclame por isso. Mas já ouvi gente dizendo: “Eu era uma criança muito mal educada. Merecia umas palmadas”. Concordo que não é certo espancar. Mas as palmadas (quando merecidas) são válidas. Principalmente quando você é mãe, dona de casa, motorista, jardineira, tem animais, cozinheira e muuuuuuito mais. Não tem como escapar disso. […] Lorena de Lima (1)
[…] meus pais sempre em último caso corrigiam a mim e as minhas irmãs com palmadas e antes ele conversava com a gente muitas vezes até chorava, pois não queria aplicar a palmada, mas era necessária. O que estão fazendo é generalizando como se toda palmada fosse um espancamento. Pois eu prefiro corrigir minha filha com amor e cuidado do que o mundo, os policiais e bandidos, baterem nela depois. […]. Ester (2)
Eu diria que a palmada, se aplicada com critério e moderação, não configura violação aos direitos humanos. Por exemplo, uma criança que insiste em colocar o dedo na tomada e o pai fala para ela que é perigoso, que não pode, e ela, mesmo assim insiste, dar uma pequena palmada ou uma apreensão verbal dura, o que eu acho preferível, não é “deseducativo”. A punição é necessária.Minha mãe muitas vezes nos deu chineladas e isso não diminuiu nem um pouco o amor e a admiração que tenho por ela. Prefiro a severidade, que os pais confrontem a criança com as consequência dos seus atos, mas sem qualquer tipo de dano, físico, psicológico ou moral, do que a permissividade. Antonio Carlos Gomes da Costa, pedagogo, redator do Estatuto da Criança e do Adolescente (3)
Chega a ser irritante esse nosso governo megalonanico querendo mais e mais, se meter na vida privada do cidadão. Que á lei proteja a criança de violência, tudo bem, mas a regular o que os pais fazem com os filhos é o cúmulo. Palmada não deturpa caráter de ninguém, fome sim… Ed Batista (5)

Acham que a palmada é último recurso

Depoimento Nome (site)
Não acredito na palmada porque ela não só machuca minha filha como a mim também. […] a palmada representa violência e, pior, é viciante. Torna-se o caminho mais fácil sempre para o cansativo papel de educador que convence o filho a realizar aquilo que ele não quer… Mas será que há alguma saída? Ceila (1)

Também não gosto de bater, mas às vezes, infelizmente, é necessário. […] todas essas vezes eles “pediram”, como dizem. […] Acho que criança testa mesmo seus limites, e bater, nesses casos, pode ser a única solução. Mas nunca bati para machucar. […] fizeram efeito mais pelo susto que pela dor. Andréa (1)
Os pequenos de até cinco anos devem ser punidos no momento da falta. E não é aconselhável transferir o castigo. Dizer, por exemplo, “você vai ver quando seu pai chegar” provoca medo e não respeito Luís Lobo – jornalista (2)
Eu não concordo com proibir um pai ou uma mãe de infligir uma pequena punição, como uma palmada nas nádegas. Crianças querem testar adultos o tempo todo. Se a boa conversa não resolver, uma palmadinha não vai matar. O problema é que os pais espancam os filhos e isso não é educar, eles escolhem o caminho mais fácil que é o de liberar suas frustrações na base da pancada, em vez de disciplinarem com amor, para o beneficio da criança, e não para que ela “deixe o adulto em paz”.Eu como mãe me resguardo o direito de aplicar a disciplina eu meus filhos da maneira que eu sei que é adequada. Nunca espanquei meus filhos, e palmada sempre é o ultimo recurso. Crianças devem sempre reconhecer a autoridade dos pais, e não considerá-los iguais para que se comportem como bem entenderem. A medida que meus filhos crescem, a disciplina não tem passado da punição prática como a de privação de regalias, ou mesmo uma boa conversa e uma proposta de mudança de atitude (não apenas de comportamento). Letícia (2)
[…] Pela simples leitura dos dispositivos legais, percebemos claramente que castigar um filho é um direito dos pais, desde que o façam de forma moderada. Abusar deste direito incorre em sanções civis (perda do poder familiar) e penais (conforme previsto no Art. 136 do Código Penal).[…] você pode ser punido pelo Conselho Tutelar, caso tente educar seu filho com uma palmada, assim como aquele que maltrata o filho. Se educamos, seremos punidos. Se maltratarmos, seremos punidos. Restará a apatia. Não faremos nada para punir nossos filhos, ou seja, estaremos legalizando aquilo que já ocorre em muitos lares. […]A discussão que se faz é: se o castigo físico moderado é um recurso pedagógico (o último recurso, é verdade, mas é um recurso) e permitido pela lei, por que razão deveria o Estado entrar na minha casa e dizer como devo educar o meu filho? Rafael Felício Jr – Advogado e Consultor Jurídico (4)

São contra a palmada

Depoimento Nome (site)
Engraçado é que eu não tenho coragem de bater na minha mulher, em um amigo, pai, irmão, mãe etc…Sou contra bater…contra violência. Por que eu bateria na minha filha ? Nunca bati nem vou bater, e acho que isso por ser culturalmente aceito, não é crime, mas deveria ser.[…] Daniel (1)
A palmada causa dor e traz sequelas como dificuldade de se relacionar e baixa auto-estima. E não educa. O que educa é amor, carinho e respeito.Você dá um tapinha num dia, no outro um mais forte e, de repente, está dando uma surra.Imagine se os irmãos estão brigando e o pai dá um tapa em cada um para ensiná-los que bater é errado. Nada mais incoerente. Cacilda Paranhos, psicóloga, mãe de uma menina de 15 anos que nunca levou uma palmada. (2)
Se a criança leva um tapa num dia, ela pode dar no outro. Isso dá margem a atos violentos. Ângela Minatti, psicóloga (2)
Até os dez anos, a criança tende a interiorizar um sentimento de frustração intenso. A partir dessa idade, os jovens submetidos a palmadas podem assumir um comportamento agressivo contra os próprios pais e contra a sociedade Simone Gonçalves Assis, professora da Escola Nacional de Saúde Pública do Rio de Janeiro (2)
Palmada sempre é agressão. E criança não é saco de pancada.Quando perguntamos a uma criança o que ela sente após uma palmada, as respostas mais frequentes são raiva, dor e tristeza.Tapa de amor é uma invenção dos adultos. “Isso é para o seu bem” é a desculpa mais esfarrapada que os pais já inventaram. Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (Lacri), do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). (2)
Vai ter muita gente reacionária nesse País, que vai dizer ‘Não, tão querendo impedir que a mãe eduque o filho’, ‘Tão querendo impedir que a mãe pegue uma chinelinha Havaiana e dê um tapinha na bunda da criança’. Ninguém quer proibir o pai de ser pai e a mãe de ser mãe. Ninguém quer proibir. O que nós queremos é apenas dizer ‘é possível fazer as coisas de forma diferenciada.’Se punição resolvesse o problema, a gente não teria tanta corrupção nesse País, a gente não tinha tanto bandido travestido de santo. Beliscão é uma coisa que dói. Presidente Lula (5)
Já chega tarde tal projeto! Absurdo que ainda existam pais que eduquem filhos com castigos físicos, coisa da Idade Média! Paulo Correa (5)
Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Lidia Weber (6), Psicóloga, autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos 

Análise

O que está em jogo?

As relações familiares

  • A autoridade e o controle dos pais
  • Como dar limites às crianças
  • A preocupação com o futuro dos filhos

O poder do Estado

  • Até onde o Estado pode interferir nas famílias
  • A legitimidade, a aplicabilidade e a fiscalização da lei
  • Os problemas nacionais que o Estado deve enfrentar

A sociedade

  • A violência dentro e fora de casa
  • A perpetuação de valores culturais de geração a geração
  • Os preceitos religiosos

Marusia fala

Em um rápido apanhado, deu para coletar muitos argumentos em todos os sentidos. Mas não encontrei argumento semelhante ao que eu uso para atualmente preferir não dar palmada. Não dou, porque das vezes que dei NÃO FUNCIONOU. Foram poucas (seis vezes), mas não esperei dar margem satisfatória de amostra estatística para me convencer. Não dou mais.

São duas as razões:

1. Se meus filhos tivessem nascido do meu tamanho, não daria palmadas. Não tenho justificativa para dar só porque são menores que eu.

E a outra é de cunho totalmente egoísta:

2. Não consigo educar quando estou com raiva. Deixar no cantinho funciona muito mais.

Por incrível que pareça, uso o cantinho não por causa das crianças, mas por minha causa. Tirá-las um pouco do meu campo de visão tem por objetivo me acalmar, muito mais que acalmá-las. DAÍ, quando finda o tempo, está tudo “sob controle”, e não vejo por que dar palmada. Teve um dia que meu caçula, de 2 anos, fez uma traquinagem “daquelas”. Pois ele mesmo, quando se deu conta,  foi e sentou no cantinho sem nem eu dizer nada. Ninguém pode dizer que ele não tem noção de limites.

Não tenho elementos para avaliar essa questão toda e muito menos dizer o que é melhor para ninguém – só o que é melhor para mim. Acho que a proposta da lei é válida só pelo debate que suscita.

Mais profunda que essa polêmica, no entanto, é a questão da agressividade (dos pais, das crianças, do mundo). Mas isso é assunto para outro post…

Amar é…

Quem disse que os modelos de perfeição se referem somente às mães? Os pais também se veem às voltas com eles… 

Ficar ao lado dela enquanto nasce o bebê

Embalar jeitosamente o recém-nascido.

Achar que o primeiro filho é a cara do pai.

Levantar quando o bebê chora.

...orgulhar-se de seu filhinho.

Deixar o garoto brincar e pular na sua barriga logo de manhãzinha.

Dividir as alegrias que o bebê lhes traz...

Trocar as fraldas do bebê e... lavá-las.

Dizer "nosso" filho mesmo quando ele está insuportável.

Não ficar com ciúmes quando ela dá atenção às crianças.

Fazer o café enquanto ela apronta as crianças para sair.

Fazer todos os serviços da casa para a mamãe descansar.

Dizer que ela é linda mesmo desarrumada.

Paquerar sua mulher, mesmo após o sexto filho.

Em 1980, a Abril lançou a primeira versão do Livro Ilustrado (vulgo álbum de figurinhas) “Amar é…” sob o Copyright do United Feature Syndicate. Foi um sucesso tão grande que mais tarde um novo livro, com novas figurinhas, chegava às bancas. 

O casal peladinho foi criado pela artista neozelandesa Kim Grove Casali, e ilustrava os bilhetinhos apaixonados que ela enviava ao futuro marido Robert Casali, na década de 1960. Na década de 1970 ganharam lugar cativo no jornal Los Angeles Time e conquistaram o mundo, em forma de quadrinhos, cartões e figurinhas. 

Eu colecionei o primeiro álbum. Tinha 8 anos de idade. Não completei, mas guardei.

Hoje, descobri uma coisa curiosa: quando as crianças aparecem nas figurinhas, na grande maioria das vezes a mensagem é dirigida ao pai: trocar (e lavar) fralda, acordar à noite, brincar… Se os cartoons são de 1960, essa Kim era uma revolucionária!!! Ao mesmo tempo, realista: o paizinho não nega que está de saco cheíssimo de várias das novas incumbências!…rsrs

MUITO FÓFIS!!!

O pai que nasce

Anúncio publicado na Revista do Correio de 1º de agosto de 2010. Ano 6, nº 272. Diários Associados.

“Gustavo e Camila. Nascidos em Brasília há 15 dias.

A todos aqueles, nascidos ou não aqui, que escolheram nossa cidade para viver o seu papel mais importante: ser pai.

Pátio Brasil Shopping”

Também está nascendo um novo pai. Todos ganham – o pai, a mãe, a criança, uma geração inteira.

Por uma nova paternidade, com compreensão, afeto e livre das expectativas de mais-que-perfeição.

Feliz Dia dos Pais!

As 10 famílias de famosos que beiram a perfeição – Análise

 Lista 10+, disponível no Site da Veja
http://veja.abril.com.br/blog/10-mais/gente/as-10-familias-de-famosos-que-beiram-a-perfeicao/

“Sabe aquela família perfeita, geralmente estampada em comerciais de margarina, onde todo mundo parece estar feliz o tempo todo? Pois é, algumas celebridades parecem ter conseguido a proeza de levar esse cenário invejável para a vida real.”

Por Pollyane Lima e Silva

10. Família Berger Ela  Ele 
  Cindy Crawford foi a top model mais bem paga do mundo. Está mais bonita a cada ano  Empresário de gastronomia Rande Gerber – além de gato, ainda cozinha 
Casal  Filhos (e outros)
Casados desde 1998 Fofíssimos filhos Presley, de 10 anos, e Kaia, de 8.
 
9. Família Bonner Ela  Ele 
  Fátima Bernardes  Linda e inteligente  William Bonner. Lindo e inteligente 
Casal  Filhos (e outros)
O mais perto que duas pessoas podem chegar da definiçãocasal 20″. Juntos há 20 anos. Convivem 24 horas por diaem casa e no trabalho. Um filho poderia deixá-los ainda mais perfeitos? Claro, por isso tiveram três de uma vez: Beatriz, Laura e Vinícius, de 12 anos que, assim como os pais, parecem estar sempre com um sorriso simpático a postos. 
 
8. Família Affleck Ela  Ele 
  Jennifer Garne. uma das princesas de comédias românticas  Ben Affleck. galã de Hollywood
Casal Filhos (e outros)
Um casal lindíssimo. Juntos desde 2005. Trocam carinhos em público. Destaque à parte para a cadela da família. Violet, de 4 anos, Seraphina, de 1
 
7. Família Hilbert Ela Ele
  Fernanda Lima Rodrigo Hilbert
Casal Filhos (e outros)
Começaram a namorar em 2001. um nunca é visto sem o outro.  Fazem questão de sempre representar um grande quadro de felicidade pelo simples fato de estarem juntos. Para completar a relação – e o modelo de família perfeita -, há dois anos nasceram os gêmeos João e Francisco, que são um exagero no cabelinho e na carinha de anjos.
 
6. Família Smith Ela Ele
  Atriz Jada Pinkett-Smith – bem-humorada Will Smith sempre fez o estilohomem boa praça” – aquele que parece estar sempre de bom humor e tranquilo.
Casal Filhos (e outros)
Casados desde 1997 Os mesmos traços de alguém no mínimo amigável – Jaden, de 11 anos, Willow Camille, de 9, e Willard “Trey” Smith III, de 17
 
5. Família Cruise Ela Ele
  Katie Holmes. linda mãe Tom Cruise. pai galã
Casal Filhos (e outros)  
Juntos desde 2005. Arrancam suspiros dentro e fora de Hollywood Suri significa princesa. Poucos pais acertaram tanto ao dar o nome para uma filha. A menina de 4 anos, que tem o estilo fashion copiado por crianças de todos os países e foi eleita a mais influente do mundo, é uma verdadeira bonequinha – de pele branca e cabelos pretos, lembrando personagem de contos de fadas.
 
4. Família Huck Ela Ele
  Angélica Luciano Huck
Casal Filhos (e outros)
Casal de padrinhos que toda noiva gostaria de ter. A verdadeira prova de que uma relação pode ser durável e feliz? Casados desde 2004. Um participa do programa do outro. Trocam mensagens de carinho olhando direto para a tela da TV. A cereja do boloou as duas cerejinhas – são os lorinhos Joaquim, de 5 anos, e Benício, de 2.
 
3. Família Obama Ela Ele
  Michele Obama Barack Obama, presidente dos Estados Unidos. Um pai preocupado com o bem-estar das filhas.
Casal Filhos (e outros)
A família mais poderosa do mundo. Imagem imaculada da família . Juntos há 18 anos. Malia, de 11 anos, e Sasha, de 8. Cachorro Bo, um cão d’água português
 
2. Família Brady Ela Ele
  Gisele Bundchen. Linda. Jogador de futebol americano Tom Brady
Casal Filhos (e outros)
Uma família simplesmente linda . Relacionamento se firmou há três anos, e eles se casaram (em 2009). Uma das famílias mais invejáveis de todo o mundo. Um dos rebentos mais cobiçados por paparazzi, Benjamin, de cinco meses
 
1. Família Pitt Ela Ele
  Angelina Jolie. Beleza, simpatia, talento e engajamento comunitário Brad Pitt. Beleza, simpatia, talento e engajamento comunitário
Casal Filhos (e outros)
São praticamente um . A imprensa mundial trata o casal de atores como Brangelina. Até os filhos adotivos deles são lindos, charmosos e estilosos. A começar pelo primogênito Maddox, de 8 anos, por Zahara, de 5 – adotados por Angelina antes do casamento, mas assumidos por ele logo depois -, e por Pax, de 6. E finalizando com a gracinha dos filhos biológicos: Shiloh, de 4 anos, e os gêmeos Vivienne e Knox, de quase 2 anos.

Análise

 A lista da Veja refere-se a pessoas famosas. É interessante observar o que as torna públicas. São atores, artistas, modelos, um político – gente acostumada a desempenhar papéis pela própria natureza de seu trabalho. Acostumada a atender, a corresponder às expectativas, a servir de ícones para o restante da população.

Mas o melhor da lista, sem dúvida, são os comentários.

  

De um lado, os que são contra:

  • Desmerecem as conquistas das famílias listadas, acham que vieram sem esforço;
  • Não concordam com os critérios que a Veja usou para definir FAMÍLIA (o núcleo pai-mãe-filhos é obrigatório? Xuxa e Sasha são uma família? Cachorro faz parte da família?);
  • Não concordam com os critérios que a Veja usou para definir PERFEIÇÃO (sugerem um tempo mínimo juntos; beleza de todos os integrantes; não podem ter feito nada de condenável, como abandonar as companheiras);
  • Ao mesmo tempo, existe uma “invejinha” (da mesma linhagem da curiosidade mórbida de se comprazer quando uma celebridade se mete em encrenca);
  • Defendem conceitos mais profundos, além de fama, beleza e dinheiro.
Contra  
Pouco tempo de casados 5
Não se mede por bens, fama e beleza 7
São famílias que destruíram outras 2
Há pessoas feias (Gisele 1, Zahara 1, Luciano Huck 1) 3
Casal Brangelina já era 3
Cães não são parte da família 1
A esposa do Tom Cruise é triste 1
A lista é besta ou ridícula 2
O melhor são os comentários 1
Tem que incluir mais brasileiros 2
Só estampam imagens 2
  29

Do outro lado, os que são a favor:

  • Eles se inspiram nas famílias, acham que são modelos de coisas boas em uma realidade onde os maus parecem ter vantagem. Esses gostam de saber que ainda existe família que deu certo, que a felicidade é algo possível em meio à violência da vida real;
  • Argumentam que são felizes APESAR do dinheiro, em um mundo de celebridades em que normalmente as relações são frívolas, fúteis ou fugazes;
  • Não gostam de ser recriminados por cultivar essa admiração. É por isso que rebatem as críticas, acusando quem é contra de ser despeitado, maldoso, preconceituoso, mal-informado, revoltado;
  • E há quem veja tudo como mero entretenimento.

Veja também: As 10 famílias de famosos que beiram a perfeição – Marusia fala

Simplesmente lindos – Análise

Trechos de matéria da Revista Claudia nº 5, ano 43, de maio de 2004. Editora Abril.

 Simplesmente lindos

O comentário é geral: ela está linda como nunca. O azul dos olhos ganhou força: a pele, um brilho incrível; e suas poses e expressões, uma feminilidade hipnotizante. Mistério. O que fez a modelo paranaense Isabeli Fontana, 20 anos, se tornar ainda mais deslumbrante? “O Zion. É o meu anjo, minha luz, não consigo disfarçar meu estado de espírito. As pessoas pensam que estou mais bonita. Que nada, estou é muito mais feliz”, revela Isabeli. Com 1 ano e 1 mês, Zion não está nem aí para a declaração de amor da mãe. Ele começa a dar os primeiros passos, mas quer mais é ficar no colo dela, (…) deixando desabar farelos de biscoito sobre as longas pernas da top.

 (…) Comenta a papisa da moda no Brasil, Costanza Pascolato: “Envolvidos com o glamour do ambiente fashion, Isabeli e Alvaro são lindos, modernos, jovens e deram a sorte de formar uma família no momento em que os americanos querem resgatar essa instituição. (…) “Ela deixou de ser um cabide (…) para ser reconhecida como mulher, mãe, profissional.”

 (…) Não há trabalho bom que não aceitem, em qualquer parte do planeta. (…) “Eu e o Álvaro nunca passamos mais de um mês juntos”, revela Isabeli. (…)“A gente não se cansa um do outro e quando nos encontramos… é uma felicidade tremenda!”

(…) O que não estava nos planos era a gravidez. (…) A notícia caiu como uma bomba. (…) “Quando soube que esperava um filho, fiquei maluca. Eu usava DIU, não podia ser” Mas nunca abortaria. Alguma coisa me dizia: ‘Calma, não vai ser o fim do mundo, e sim o começo de muita coisa boa.’”

Zion nasceu de parto normal, como Isabeli queria. O plano era ter Álvaro por perto nesse dia, mas ele estava desfilando na Europa e não pôde voltar a tempo. “Ele me acalmava pelo celular”, lembra. (…) O bebê, grande e fofo, com quase 4 quilos, já tinha nome certo: Zion, a terra prometida dos rastafáris.

(…) Enquanto amamentava Zion – e ela só parou quando o leite sumiu, sete meses depois do parto -, pensou muito e adquiriu algumas certezas: a de que adora ser mãe; de que a vida de modelo tem prazo curto; e, finalmente, a de que quer construir um futuro tranqüilo para o filho.

(…) Isabeli integra o ranking das 50 melhores modelos mundiais (…). É a nona da lista. (…).

Entre todos, é a psicóloga Maribel Bergossi, 44 anos, mãe de Isabeli, quem mais se entusiasma com o sucesso. (…)

Como eles optaram por não ter babá, Maribel se encarrega do neto e da administração do lar do casal. (…) “Trabalho muito mais tranquila sabendo que Zion está com alguém da família”, confessa Isabeli. “Ser só top model não é tudo, faço questão de ser também top mãe”.

Análise

 De acordo com a reportagem, estas são as provas de que Isabeli Fontana é “top model” e “top mãe”: 

Top Model Top Mãe
Participa de badalados desfiles de moda de São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Milão, Paris O que fez a modelo se tornar ainda mais deslumbrante foi o filho Zion
Tão logo perdeu os 12 quilos adquiridos durante a gestação, recuperando a forma, ela passou a receber mais convites de trabalho – e a ganhar mais dinheiro. Para onde Isabeli vai, leva o filho. Ele tira sonecas enquanto ela posa.
É do time das modelos brasileiras que faturam acima de 1 milhão de dólares por ano. Ela deixou de ser um cabide para ser reconhecida como mulher, mãe, profissional
Álvaro e Isabeli têm o título de o casal mais lindo do mundo. Nunca abortaria. O filho foi o começo de muita coisa boa.
Isabeli, Álvaro e Zion estamparam diversas páginas da revista Vogue americana. Zion nasceu de parto normal, como Isabeli queria. O bebê, grande e fofo, com quase 4 quilos, já tinha nome certo: Zion, a terra prometida dos rastafáris.
Isabeli é a nona do ranking das 50 melhores modelos mundiais. Amamentou por sete meses e só parou porque o leite secou.
  Adora ser mãe e quer construir um futuro tranqüilo para o filho.
  A avó de Zion cuida dele.

 Mesmo quando surgiam as poucas adversidades em um cenário tão perfeito, a matéria faz questão de pontuar, incisivamente: ou foram superadas ou se revelaram, na verdade, grandes vantagens: 

Contras Os prós dos contras
Isabeli e Alvaro não passam nem mesmo um mês juntos “A gente não se cansa um do outro e quando nos encontramos… é uma felicidade tremenda!” 
A gravidez não estava nos planos. Zion foi o começo de muita coisa boa.
Álvaro não estava com Isabeli no parto Álvaro estava desfilando na Europa e acalmou Isabeli pelo celular.
O leite secou. Isabeli amamentou por sete meses e viu que adorava ser mãe.

 

Veja também:  Simplesmente lindos – Marusia fala

Cuidar de si – Marusia fala

 Colocação de máscaras de oxigênio no avião

É muito interessante notar que, nas instruções de segurança dos aviões, é sempre a Mãe que coloca a máscara de oxigênio em si e na criança. É patente, universal, quase natural associar a figura da Mãe ao cuidado. Então que seja, também, patente, universal e natural a Mãe cuidar de si própria, primeiro.

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Matéria publicada na Revista Época, nº 474, de 18 de junho de 2007. Editora Globo.

 Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos

Celso Masson, Martha Mendonça e Solange Azevedo

 Vantagens de trabalhar fora, segundo a reportagem:

Para a mãe Para a família Considerações sobre mercado de trabalho
Realização profissional A mãe que trabalha não jogará para os filhos as frustrações por interromper a carreira As mulheres estão conquistando espaço no mercado de trabalho
Não se sente isolada nem entediada (o que poderia causar depressão) A renda da mãe mantém o padrão de vida dos filhos Interromper a carreira temporariamente para cuidar dos filhos afeta o futuro profissional
Não se passa por desocupada A mãe que se mantém autossuficiente economicamente garante melhor qualidade de vida para os filhos Mulheres que param estão desatualizadas e não habilitadas
Não sofre preconceito por ficar em casa A mãe que trabalha contribui para a segurança familiar, no caso de o marido ser demitido Empregadores buscam currículos consistentes
Como tem independência financeira, não fica vulnerável A mãe que trabalha contribui para a segurança familiar, no caso de o marido morrer As mulheres são mais produtivas que os homens
Emancipação O marido pode ajudar em casa (há países em que a licença-maternidade é direito do casal) As mulheres podem ser criativas e procurar atividades compensadoras do ponto de vista financeiro e de realização profissonal
A ascensão profissional é condição fundamental para a conquista de direitos iguais O pai não só é chamado a assumir responsabilidades em casa, como faz questão de assumir esse papel  
Quando os filhos crescerem, não se sentirá inútil    
Se deixar de trabalhar, pode sentir-se uma intrusa em casa, para a qual já não tem controle    
O trabalho em casa não é remunerado    

 

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – análise

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Matéria publicada na Revista Época, nº 474, de 18 de junho de 2007. Editora Globo.

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos

Celso Masson, Martha Mendonça e Solange Azevedo

 Vantagens de ficar em casa, segundo a reportagem:

Para a mãe Para a família Considerações sobre mercado de trabalho
Não sente culpa Mais dedicação à família Mais da metade das mães querem largar seus empregos (Ibope 2006)
Quem trabalha fora não cuida direito nem do trabalho nem dos filhos Mais tempo com os filhos, para fazer a conexão e acompanhar sua rotina, pondo por terra o conceito de “tempo qualitativo” 5,6 milhões de americanas deixaram seus empregos em 2005
Ficar em casa é um novo símbolo de status Mães que não buscam na escola e não conhecem os amiguinhos dos filhos são cruéis As mães podem ter a opção de trabalhar em casa, sem horários rígidos
Não sacrifica a vida pessoal As crianças não são “terceirizadas” Apesar de não ser remunerado, o trabalho em casa corresponder a 60% da produção de riquezas do PIB dos EUA
Não sofre com a competição Está sempre em casa; não chega depois “que os filhos estão dormindo” As mulheres que trabalham fora ganham 30% menos que os homens
Não sofre com o stress do trabalho   A informalidade do trabalho feminino é maior
Há vida inteligente em mães de porta de escola   O trabalho feminino é depreciado, porque empresas acham que mães se concentram menos e produzem menos
Tem mais tempo   As mulheres que tocam suas carreiras se descobrem aprisionadas em um sistema de gerenciamento construído para os homens
    Mulheres em meio período não são levadas a sério e perdem oportunidades

Não foram listadas vantagens para o marido.

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Análise

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Análise

O texto da matéria “Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos”, da Revista Época, é bem completo, profuso tanto com argumentos contra como a favor das mães que trabalham fora. Os autores apresentaram pouca estatística, mas observaram muito preconceito, também tanto de um lado como do outro.

Mas, enquanto o texto busca imparcialidade, as imagens mostram apenas o lado bom de quem preferiu ficar em casa (mães com seus filhos):

 E, ao mesmo tempo, o lado mau de quem decidiu continuar trabalhando fora. Na capa da Revista Época e na primeira página da reportagem, há uma mãe paralisada, vista da perspectiva da criança, da cintura para baixo, sem rosto (e possivelmente com muita culpa).

 

 

Essa imagem é recorrente quando o assunto é mãe que trabalha fora. Em Análise do Discurso, podemos dizer que existe uma tendência à manutenção do mesmo, ou seja, uma paráfrase típica. No Interdiscurso (memória discursiva), um discurso sempre se remete a outro, e é fácil observar essa realimentação:

Revista Claudia nº 5 ano 43 maio/2004

Revista Claudia Bebê nº 511f

Veja também:

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – um lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – outro lado

Por que as mães querem deixar o emprego para ficar com os filhos – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Anúncio publicado na Revista Pais e Filhos, em setembro de 2001

Menina brincando com boneca

Anúncio da Clínica Perinatal Laranjeiras

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses. No momento mais esperado da sua vida, escolha a melhor maternidade do Rio. 

Análise

Às mulheres, sempre se atribuem habilidades inatas, como o sexto sentido feminino e o propalado instinto materno. Que a maternidade é a única possibilidade de realização feminina, e que por isso todas nasceram para ser mães, ou melhor – já nasceram mães. Isso tem que ser desmitificado: maternagem também envolve escolhas difíceis, aprendizado, imprevistos e, claro, erros. A nova mãe é tão recém-nascida quando o seu bebê. Precisa de apoio, cuidado, conforto.

Veja também: 

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Trecho do livro “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”

Especialmente as mulheres que estão sendo mães pela primeira vez têm dentro de si, não uma velha experiente, mas uma mãe-criança. […] Toda nova mãe começa como mãe-criança. Ela tem a idade suficiente para procriar e tem bons instintos que a orientam corretamente, mas ela precisa da atenção de uma mulher mais velha, ou de várias mulheres, que basicamente lhe dê sugestões, estímulo e apoio no cuidado com os filhos.

[…] As mulheres mais velhas eram os repositórios do comportamento e do conhecimento instintivo e podiam transmiti-los para as jovens mães. […]

[…] Esse círculo de mulheres foi outrora o domínio da Mulher Selvagem, e era aberto a quem dele quisesse participar. Absolutamente qualquer uma tinha essa possibilidade. No entanto, tudo o que sobrou dele nos nossos dias é um farrapinho chamado “chá-de-bebê”, em que são comprimidas no espaço de duas horas todas as piadas sobre partos – dons maternos e as histórias sobre os órgãos genitais, que não se encontrarão mais disponíveis para a mulher durante toda a sua vida de mãe.

Na maioria dos países industrializados, hoje em dia, a jovem mãe choca, dá a luz e tenta beneficiar seus filhos completamente só. Trata-se de uma tragédia de enormes proporções. Como muitas mulheres nasceram de mães frágeis, mães-crianças e mães sem mãe, elas próprias podem possuir um modelo interno de “automaternagem”.

É provável que a mulher que tem um construto de mãe-criança ou de mãe sem mãe em sua psique ou que veja essa imagem ser glorificada na sua cultura e mantida no trabalho e na família sofra de pressentimentos ingênuos, de uma falta de experiência e, em especial, de uma redução de sua capacidade instintiva para imaginar o que irá acontecer daqui a uma hora, uma semana, um mês, um ano, cinco ou dez anos.

Uma mulher com uma mãe-criança interna assume a aura de uma criança que finge ser mãe.

ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. pp 226-227

Veja também: 

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Trecho do livro “Nós estamos grávidos”:

O tipo de ajuda que as pessoas oferecem é de grande importância. (…) No entanto, é comum a mulher que acabou de ter um filho se ver cercada de muitas pessoas “bem-intencionadas” – amigos, tias, mãe, sogra, babás especializadas em recém-nascidos – que sempre têm um palpite certo para dar ou uma maneira melhor para ensinar. Isso deixa a mãe confusa e atrapalhada, com dificuldade de saber selecionar o que pode aproveitar ou o que deve descartar. A grande diversidade de palpites e opiniões bloqueia a intuição e a sensibilidade da mãe.

Muitas vezes, as pessoas que oferecem ajuda colocam-se em posição de superioridade frente à mãe: “Eu tenho muita experiência com bebês, sei do que necessitam”; “já criei cinco filhos”; “sei como lidar com crianças melhor que você que só tem teoria na cabeça” são frases que fazem com que a mãe se sinta ainda mais insegura, inadequada e incompetente. A mãe, a sogra, a tia ou a babá sabem mais, têm mais prática, e a ulher fica como espectadora, entregando o filho aos cuidados de uma outra pessoa para deixá-lo “a salvo”. Dessa forma, perde a oportunidade de entrar em sintonia com ele.

MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 146

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Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

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O dilema entre estar sozinha ou afogada em palpites

Imagino que nas antigas “rodas de mulheres” os papéis da mulher, da mãe, do pai estavam muito bem definidos e existia um “modus operandi”, ou seja, um conjunto de regras mais ou menos comuns de como se deveria cuidar da criança e educá-la. Não vou entrar no mérito dos métodos utilizados. Vejo hoje as grávidas e as mães sedentas por informação, matriculando-se em cursos, devorando livros e revistas, participando de fóruns na Internet.

Ocorre que agora existe uma profusão de “vozes”, milhares de receitas diferentes e muitas vezes contrárias umas às outras. Vozes “oficiais”, vozes individuais ou coletivas, comunidades que se reúnem sob um mesmo lema e radicalismos que parecem religiões. Quem não é adepto é inimigo: “se você não estiver comigo, está contra mim”.

E você é obrigada a fazer uma opção, sem levar em conta que escolher um caminho significa abrir mão de outro, como se fossem coisas excludentes, incompatíveis. Parece uma competição, e não raro essas escolhas são permeadas de muita culpa:

  • parto normal x cesárea;
  • amamentação x mamadeira;
  • dedo x chupeta;
  • homeopatia x alopatia;
  • fralda de pano x fralda descartável;
  • cama compartilhada x método nana-nenê;
  • babá x creche;
  • trabalhar x não trabalhar;

e por aí vai. Sem contar que, a cada hora, surgem novas “descobertas”. Aquilo que antes se recomendava agora é condenado. O que funcionava para um filho não funciona para o outro. O que funcionava em uma fase não funciona na seguinte.

Meu negócio é: em vez de tentar descobrir em que “time” estou, vou brincar de boneca com minha filha. A boneca, aliás, vem na caixa, com manual de instruções e selo de padronização do Inmetro – muito diferente dos bebês. Mas a brincadeira pode ser um bom treinamento para o que realmente importa em ser mãe: curtir, sem culpa.

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Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Baixinho e careca

Anúncio veiculado em revistas em maio de 2004

Você nunca imaginou que o grande amor da sua vida seria alguém baixinho e careca

 Você sempre gostou de caras altos e morenos, até o dia em que se apaixonou por um deles e casou. Mas, quando o seu filho nasceu, um novo sentimento tomou conta de você. E, hoje, por mais que você ame seu marido, é um outro homenzinho que faz você suspirar. Ter um filho muda tudo.

Jonhson&Jonhson

Análise

 O anúncio pretende fazer uma brincadeira, associando a chegada de um filho aos padrões de beleza masculina já disseminados na sociedade brasileira. Ele não “inventa” nem “propõe” esses padrões. Ele os evoca, evidencia e solidifica no texto, a saber:

Homens baixinhos e carecas não fazem parte do imaginário do que se chama de “grande amor da sua vida”. Caras altos e morenos, sim.

O segundo ponto trata de um ponto muito mais sensível, que é o lugar do marido e do pai. A gravidez coloca o bebê em sintonia com a mãe mais cedo. O pós-parto também é um momento em que a dupla mãe-bebê às vezes até parece fundir-se em um único indivíduo. Isso cria naturalmente um desequilíbrio na estrutura anterior do casal. O homem, como marido, por mais que ainda “seja amado”, deixa de ser “o grande amor da vida da mulher”. E, como pai, tenta se incluir na família. Na grande parte das vezes, ele não tem nenhuma referência para isso, já que o modelo familiar anterior não previa a presença do pai como acontece hoje.

Não é à toa que a figura do pai está ausente no anúncio. Existe um deslocamento no eixo de interesse da mulher após o nascimento do filho: “um filho muda tudo”, isso é inegável e até necessário. Mas deve ser compreendido em sua extensão e trabalhado com delicadeza, para inserir – e não subtrair – o homem no processo.