Bancando os próprios sonhos

Hoje vou falar de seis filmes e de uma lição escondida para aplicar com meus filhos.

Os filmes são:

  • “Magia além das palavras”, sobre a vida da escritora da saga Harry Potter, Joanne K. Rowling;
  • “Escritores da liberdade”, com as incríveis iniciativas da professora Erin Gruwell, que trabalha com estudantes em situação de risco numa escola dos Estados Unidos;
  • “Uma lição de vida” (“O aluno”), sobre Kimani N’gan’ga Maruge, que aos 84 anos entrou na escola para aprender a ler, no Quênia. Mas o destaque que quero dar é para a professora que o aceita na turma, Jane Obinchu;
  • “A teoria de tudo”, baseado na história do astrofísico Stephen Hawking, que faz descobertas científicas impressionantes, apesar da doença degenerativa que paralisa seu corpo;
  • “Lion”, sobre Saroo, um garotinho indiano de 5 anos que se perde da família e depois é adotado por um casal australiano. Já adulto, ele inicia a jornada em busca de suas origens;
  • “Mãos talentosas: a história de Ben Carson”, que mostra a trajetória do neurocirurgião pediátrico que supera os desafios da infância pobre em Detroit para estudar medicina e salvar vidas.

O que todos têm em comum? São filmes emocionantes, baseados em fatos reais. Contam a história de pessoas que correram atrás de seus sonhos. Os três primeiros falam de mulheres; os três últimos, de homens.

*** ATENÇÃO: os trechos a seguir contêm alguns spoilers (revelações de enredo), mas sem interferir de modo algum na história dos filmes. Aliás, acho que muita gente nem sequer vai se dar conta dos aspectos que vou pontuar aqui.  Ah! E não são filmes para crianças, ok? ***

filme magic beyond words, magia além das palavras

No primeiro filme, Joanne se vê às voltas com o marido que começa a beber e agir com violência após perder o emprego e saber que ela está grávida. Ele se revolta com o tempo que a escritora dedica a esse tal Harry Potter.

Filme Freedom Writers, os escritores da liberdade

Em “Escritores da liberdade”, o marido de Erin sai de casa porque se ressente da ausência da esposa, que, segundo ele, é devotada demais a estudantes que “nem são seus filhos”. E diz a ela: “Você fez um ideal de mim”.

Filme Uma lição de vida, o aluno, The first grader

Jane Obinchu, a professora de Maruge, enfrenta enormes resistências, desde o colega da escola, passando pelo diretor de educação da cidade até às autoridades de educação do Quênia, para continuar lecionando ao senhor de 84 anos. O que ela não contava é com a falta de apoio do próprio marido, que alega “estarem falando” de sua esposa.

Filme A teoria de tudo

O filme “A Teoria de tudo” dá ênfase, no enredo, ao relacionamento do gênio Stephen com Jane Wilde. Ela o apoia incondicionalmente durante todo o tempo, mas é sábia para manter a distância saudável quando ele se torna famoso e a situação se mostra insustentável. No entanto, ela está junto dele no final.

Filme Lion, uma jornada para casa

Em Lion, Saroo se envolve com uma jovem que o incentiva a ir atrás de suas origens. Ela insiste para que ele conte a empreitada à mãe adotiva, coisa que ele não está disposto a fazer. Diante das atitudes obcecadas do namorado, ela, como no filme anterior, se afasta. Mas está disponível (assim como a mãe adotiva) para acolhê-lo e comemorar com ele no final.

Filme Mãos talentosas, a história de Ben Carson

“Ben Carson”, para mim, é o mais emblemático. A presença e a importância da mãe na vida do médico é notável. Entretanto, me impressionaram mais os diálogos com a namorada e depois esposa:

(Ben) – Vou me tornar um neurocirurgião! Isso significa que vou passar dias e noites fora de casa, no hospital!

(a resposta dela, com um sorriso): – Isso é uma promessa?

(Ela, no hospital, após perder a gravidez de dois gêmeos) – O que você está fazendo aqui? Está atrasado! Seus pacientes precisam de você!

(Ben) – Você precisa de mim.

Eu tenho você. Vá cuidar de seus pacientes.

E aí? Tirou suas conclusões sobre o que está em jogo nessas descrições?

Será que, para viver um grande sonho e fazer a diferença no mundo, as mulheres sempre estarão sozinhas? Diferentemente dos homens?

Que lição tenho a tirar desses aspectos em comum nos filmes? Que “por trás de todo grande homem tem sempre uma grande mulher”, mas que, “por trás de toda mulher, tem sempre ela mesma”?

Olha, me recuso a encontrar essas “morais da história”. E qual moral, então, devo escolher para aplicar na educação dos meus filhos? Sim, porque existe algo muito esquisito na permanência do patriarcado quando são as mulheres, em estrondosa maioria, as responsáveis pela criação dos filhos.

Será suficiente dizer a meus filhos que respeitem e apoiem quem eles escolherem para compartilhar a vida? E, à minha filha em particular, que ela aprenda a bancar seus próprios sonhos?

Não sei, sinceramente, como essa história termina. A bem da verdade, não sei nem como ela começa.

Se alguém souber, me conte. Sem medo de dar spoiler.

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Veja também:

Barba Azul e a violência contra as mulheres

O filho é só da mãe? (Ou: a Galinha Pintadinha e o pinguim)

Sobre ativismos de sofá e aniversários de 70 anos

 

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2 pensamentos sobre “Bancando os próprios sonhos

  1. Complicado, né, Marusia? Melhor seria se os sonhos do homem e da mulher fossem respeitados e se a cumplicidade fosse recíproca; mas parece que, como você bem salientou, os sonhos do homem estão num patamar bem superior. Infelizmente, é muito difícil um marido que aceite e apoie o brilho da mulher. Mas tenho certeza de que, com sua sensibilidade, você vai saber ensinar aos filhotes e à filhota como proceder com seus companheiros. Aproveite que está de molho e escreva, escreva muito. Sou sua fã. Bjo.

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