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O filho é só da mãe? (Ou: a Galinha Pintadinha e o pinguim)

Site visitado: Abril / Educar para Crescer – A Galinha Pintadinha em: “Segredos para cuidar bem do seu filho nos primeiros 6 anos de vida”

Galinha Pintadinha, Galo Carijó e pintinho

Educar para crescer / Abril

Galinha Pintadinha abraça pintinho

Era uma vez uma galinha que amava muito o seu filhote.
Educar para crescer / Abril

A Editora Abril, por meio do site Educar para Crescer, preparou a cartilha “A Galinha Pintadinha em: Segredos para cuidar bem do seu filho nos primeiros 6 anos de vida.” O material traz uma história da Galinha Pintadinha e “dicas de especialistas” para o desenvolvimento da criança em família na primeira infância.

Galinha Pintadinha pensa no pintinho

Por isso, todos os dias a galinha dá muita atenção ao pintinho amarelinho.
Educar para crescer / Abril

As dicas são interessantes, abrangentes. O texto é bem estruturado, bem fundamentado. Mas um aspecto na cartilha me incomodou profundamente: o destinatário da mensagem. O material é dirigido às mães, sempre no imperativo:

  • Seja afetuosa desde a gestação;
  • Amamente;
  • Preste atenção em suas próprias reações;
  • Valorize o papel do pai;
  • Dê muitos beijos e abraços;
  • Ensine-o a enfrentar os problemas e as frustrações;
  • Dê o exemplo;
  • Cante e converse com ele;
  • Tente decifrar o que ele quer dizer;
  • Crie uma rotina;
  • Mantenha a vacinação em dia;
  • Procure um médico;
  • Drible a correria do dia a dia;
  • Crie momentos de interação entre toda a família;
  • Coloque seu filho na escola;
  • Continue cuidando.
Galinha Pintadinha com pintinho no colo

Ela organiza o dia dele para ser muito gostoso.
Educar para crescer / Abril

Ou seja: entende-se por “seu filho” que o filho é da mãe. Ela é a responsável por gerar, nutrir, educar, cuidar da saúde e da higiene, cozinhar, cantar, abraçar e ser o pilar da família.

Galinha Pintadinha cozinha para pintinho

Ela prepara um café da manhã beeem farto…
Educar para crescer / Abril

Três páginas me chamaram especialmente a atenção. A primeira diz que a mulher deve “driblar a correria” para “brincar de novo, de novo e de novo”. Claro. Se é ela a responsável por tudo, a correria é só dela. Pior: se é ela a responsável por tudo, a CULPA também é exclusiva dela.

Galinha Pintadinha e pintinho brincando de amarelinha

A mamãe encontra um tempo para brincar com ele. E brincar de novo, e de novo!
Educar para crescer / Abril

O segundo aspecto diz respeito ao Galo Carijó. O pai é coadjuvante na relação com o filho e, ainda assim, só se a mãe abrir ”espaço” e deixá-lo “seguro”. Ao pai cabe “dividir funções como trocar a fralda, dar o banho, brincar”. À mãe, pede-se: “deixe os dois um pouco [um pouco???] sozinhos, saia de cena e confie no cuidado dele.” Haaaaaã????

Galinha Pintadinha, Galo Carijó e pintinho fazem piquenique

Valorize o papel do pai.
Educar para crescer / Abril

A outra página que me chocou (com perdão do trocadilho) é a última: quando finalmente o filho vai para a escola, a mãe deve “voltar para casa”. É lá o seu lugar, né?

Galinha Pintadinha e pintinho na escola

…para se preparar para o grande momento: a ida à escola!
Educar para crescer / Abril

Galinha, está na hora de voltar para casa Já vou me adiantando aos perguntadores de plantão, então segue abaixo o FAQ –  Questões mais Frequentes:

Marusia, você acha que a Abril foi machista?

R: Claro que não. A Galinha Pintadinha não está sendo submetida a nenhum tratamento degradante. Cuidar de um filho não é simples, mas pode ser maravilhoso. E é por isso que deve ser compartilhado. Compartilhado MESMO: o pai canta, nina, cozinha, brinca, organiza também. É ótimo para o pai. Ótimo para a mãe, para a criança, para quem mais estiver nesse grande empreendimento que é acompanhar a infância de alguém.

Mas, Marusia, ainda há poucos homens que se interessam. No fim das contas, sempre sobra para a mãe. Para a Abril, não é melhor direcionar o texto para o público-alvo que se identifica mais?

R: De fato, mas não é reforçando estereótipos mofados que a situação vai mudar, pelo contrário. Simbolicamente, o papel da mulher na sociedade fica reduzido. Os homens também perdem, muitos se sentem alijados do relacionamento com seus filhos.

As mulheres gostam de ser endeusadas por serem mães. Não é verdade que elas cobram das outras que não se encaixam nesse perfil?

R: Existem mulheres que se identificam com esse papel e adoram, mas há muitas outras que sofrem sozinhas. Penso que tudo isso deve ser uma questão de escolha da mulher, e não de obrigação. Muitas vezes, o reforço simbólico na mídia, congelando papéis, cria uma gaiola invisível da qual é difícil escapar.

Marusia, você acha, então, que existe uma conspiração para engaiolar as mulheres em casa?

R: Também não. Nem acho que a Abril tenha se dado conta disso. Provavelmente, ela nem questionou; apenas continuou o discurso da manada, agiu no piloto automático. E, mesmo que a editora tenha agido de propósito, querendo manipular, é somente a metade do discurso. Discurso que só tem força se o destinatário “comprar” a ideia, crer que ela faz sentido. Nunca acreditei em Teoria da Conspiração, porque sempre existe a possibilidade de ruptura. Ela acontece quando a gente “desnaturaliza” as coisas que pareciam estabelecidas para sempre. É o que estou fazendo agora: por que cuidar do filho é tarefa exclusiva da mãe?

Qual é o problema de congelar o papel da mulher? Essas coisas não são da natureza do sexo feminino?

R: Congelamento é violência. É o mesmo mecanismo perverso que dá a alguns homens o respaldo para agredir suas mulheres, afinal, são eles que historicamente sempre mandaram, são os “donos” delas, porque a natureza deu a eles mais força física. Estamos diante de novas configurações familiares. É a chance que temos de permitir que a diversidade nos aperfeiçoe, natural e culturalmente.

A Galinha Pintadinha é uma boa metáfora, porque é ela quem cuida dos pintinhos. O galo não está nem aí para eles.

R: As metáforas da natureza são sempre de conveniência. Se a imitação favorece, é tida como modelo. Quando não favorece, é ignorada. Se formos imitar o louva-a-deus, as mulheres deverão comer a cabeça dos maridos após o sexo. Mamíferos como gatos e cachorros acasalam-se com membros da própria “família”. Mesmo as comunidades indígenas, por natureza, são capazes de sacrificar bebês gêmeos ou com deficiência. Ou, então, que sejamos como as abelhas e as formigas, em sociedades matriarcais. Ou como leoas, que são mães e também “trabalham fora”.

Entretanto, não vou ser ranzinza. Se quisermos, podemos nos espelhar na Galinha Pintadinha. Mas fique claro que também podemos nos espelhar nos pinguins: são os machos que chocam os ovos, sabia? E, quando os filhotinhos nascem, revezam com as fêmeas no seu cuidado.

Isso, sim, é educar para crescer.

Casal de pinguins com filhote

O pinguinzinho feliz. Desenhos: Marusia e filhotes

casal de pinguim com filhote

Era uma vez um filhote de pinguim que era muito amado pela mamãe, pelo papai, pelos tios, avós, amigos e por quem mais vier! Desenhos: Marusia e filhotes

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Veja também:

O reforço dos estereótipos:

Oportunidades de repensar os papéis:

PS: Agora que estou no Plenarinho, quero rever muita coisa. Por exemplo: por que o ícone de “deputados” é um homem de gravata? Por que o Zé Plenarinho é o líder da turma? E por aí vai…

Sobre ativismos de sofá e aniversários de 70 anos

o poder do curtir

Ação criada pela Quintal, para a organização Médicos sem Fronteiras

 

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir à apresentação de uma pesquisa sobre o sofativismo, ou ativismo de sofá. Aquele que você exerce em um clique, no quentinho da sua casa ou na espera do dentista, pelo celular. Dando RT no Twitter ou curtindo no Facebook. O esforço é pequeno, mas os resultados podem surpreender.

O estudo de Júlia Rios foi sobre um caso até então inédito para mim: um blog que foi banido de um portal da internet, por força dos protestos via web. O blog chama-se Testosterona e o portal em questão é o da MTV.

Em 2012, houve grande repercussão de um vídeo desse blog, que aconselhava os rapazes a dar tijoladas nas moças, para que elas se submetessem a certas práticas sexuais. Com a pressão de blogueiras, petições no All Out e Avaaz, o autor da “piada” tirou o vídeo do ar. A indignação, contudo, fez com que o caso chegasse à Secretaria de Políticas para as Mulheres. A MTV, que hospedava esse e outros conteúdos, rescindiu o contrato.

Uma vitória do sofativismo, ainda que tenha se devido ao fato de a MTV não querer associar sua imagem com essa apologia à intolerância. A mesma intolerância, entretanto, não impediu que o portal R7 aceitasse o blog. Certamente, para a Record, as altas cifras, decorrentes do alto tráfego do site, aliviam a absoluta incompatibilidade dessas mensagens com as coisas da emissora.

Muita gente se identifica com posts que continuam a ser publicados, com a bênção de anunciantes como estes:

marcas

O Testosterona é produzido por “Eduardo”. Em seu perfil no Twitter, diz: “Não sou machista. Machismo é burrice, e burrice é coisa de mulher.”

O que eu acho mesmo é que Eduardo não sabe de algumas coisas. Por exemplo: até onde sei, entre quatro paredes podem acontecer coisas fantásticas. E não é uma questão de “consentimento”: as pessoas simplesmente estão com vontade de experimentar o prazer. É uma questão de cumplicidade. Se precisam de um tijolo, é sinal de que o autor e os pupilos do blog não têm competência para alcançá-la.

Existem outras coisas que talvez Eduardo nem imagine.

Esta semana, eu também tive a oportunidade de participar das comemorações pelos 70 anos do meu pai e sentir o privilégio de fazer parte de uma rede tecida pelo relacionamento. Da infância humilde no interior da Bahia, meu pai chegou a diretor de uma das maiores instituições do mundo. Inteligentíssimo, culto, dono de uma escrita estupenda. E também sustentáculo da união da família de oito irmãos, principalmente após a morte do meu avô.

Em sua festa, não faltaram os depoimentos emocionados de quem sempre admirou a postura que ele teve com todos. Aqui, chamo atenção para as mulheres com quem conviveu e convive, em especial minha avó, minha mãe, minhas tias, minhas irmãs.

A mãe, a quem ele ajudou a ninar as irmãs. A esposa, com quem compartilha incentivos e sonhos. Ele é o pai que me ensinou a fazer castelo de areia, a escolher legumes na feira (sim! Ele faz feira até hoje) e que sempre me faz andar de cabeça erguida.

Sua integridade e honestidade, seu respeito absoluto, fizeram da família um círculo de mulheres de fibra, atraindo pessoas fascinantes entre noras e cunhadas, capazes de encher de orgulho qualquer aniversariante. Aos 70 anos, meu pai estava no centro do tributo recíproco de quem está feliz por pertencer a um verdadeiro clã.

Como será sua festa de 70 anos, Eduardo? Estará sozinho? Ou com alguém que você nunca vai saber se é por você ou é por sua fama e seu dinheiro? Ou ainda uma pessoa que reza a sua cartilha e se submeta a tijoladas? Alguém que se anulou para estar a seu lado, mas com quem você não consiga dividir planos e segredos?

Ora, você é jovem, possivelmente não queira perder tempo pensando nisso. Posso estar exagerando, talvez você seja um personagem. Talvez nem pense dessa forma, ou considere que é apenas “humor”. De repente você é um cara legal, tenha esposa e filhas. Mas, aos 70 anos, Eduardo, o que você vai dizer a elas sobre o que fez da sua vida? Como vai explicar a elas as manchetes de jornal com a morte de moças, causadas por gente que levou a sério o que você falou?

Este post é um ativismo de sofá. Provavelmente nem vai fazer cosquinha no seu império, Eduardo. Contudo, traz o que eu acredito. O que eu aprendi com meu pai, Homem com H maiúsculo. E tenho certeza de que vou me orgulhar do que escrevi, quando eu completar 70 anos.

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Veja também:

Humor, doação de leite e o que isso diz sobre nós

Barba Azul e a violência contra a mulher

O Livro do Bebê

Quem é que abranda a saudade dessa neta?

“Eu acredito naquilo que não vejo. Como meu amor pelo avô.” (Fabrício Carpinejar)

Por Maria Amélia Elói*

Vai fazer dois anos que perdi o meu pai. Ele morreu cedo, com apenas sessenta e seis anos de idade, uma semana depois de passar por uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino. Da descoberta da doença até o adeus, foi pouco mais de um mês. Quem convivia com aquele homem ativo, empreendedor e de sorriso largo assegurava-lhe vida longa. A falta dele me dói ardido, é claro; mas parece se intensificar quando ouço a minha filha chorar de saudade do vovô. E isso acontece todo santo dia!

Como cristã, acatei com fé e serenidade a passagem antecipada do meu pai. Sofri bastante, mas me conformei com o acontecido. No entanto, quando a primogênita Luana Lis, hoje com seis anos, chega até mim com aquele soluço incontido e solta frases como “Não vou ver o vovô nunca mais”, “Queria abraçar o vovô de novo”, “Eu gostava muito dele”, “Não queria que ele tivesse morrido”, fico desestabilizada. Em tal situação, gostaria de ser uma mãe firme e apaziguadora, que aliviasse a dor da filha; mas geralmente quem vem à tona é a órfã fragilizada, que só consegue mesmo é acompanhar no desamparo, é compartilhar a mesma dificuldade da carência.

Há alguns dias, tive uma experiência desse tipo. Eu lia para Luana o livro Votupira – O Vento Doido da Esquina, de Fabrício Carpinejar. A história começou leve: uma criança de sete anos ia passar as férias com o avô de setenta. Eles eram muito amigos, brincavam e conversavam bastante. O avô falava de uma criatura terrível e amedrontadora chamada Votupira, que soprava como o vento e estava em toda parte, aprontando com as pessoas. Luana mostrou interesse e embarcou na fantasia do livro. Não esperávamos, no entanto, que o desfecho nos levaria às lágrimas: o protagonista já adulto visitando o avô no cemitério; o neto amoroso prestando homenagem àquele que inventara o Votupira e tantas outras lindas verdades.

Foi imediata a correlação que Luana fez da história do livro com a dela. Instantaneamente, ela me bombardeou com questões pra lá de complicadas: “Mamãe, o Vovô Mauro está no cemitério?”, “Posso visitar ele?”, “Ele está debaixo da terra?”, “Podemos tirar a terra pra encontrar ele?”, “Ele tá vestido com que roupa?”, “Ele não é uma estrelinha do céu?”, “Vamos levar flores pra ele?”.

O momento foi tenso. Luana precisava de respostas simples, eficientes e ao mesmo tempo lenitivas; e eu travei. De paixão? De dor? De ignorância? Por que brequei assim? A emoção certamente atrapalhou, e o assunto não foi feito pra criança… Será que adianta explicar o que a gente desconhece? Mesmo sem querer, o jeito é lidar com o tal assunto espinhoso, assustador e inevitável. Tentei me manter firme e juntei umas palavras sem sentido aqui e ali, engolindo o choro; mas só consegui mesmo foi abraçar a minha menina. Não fui sequer convincente. Luana foi deitar-se logo, tristinha e impressionada com o livro e com a presença nunca mais do avô.

Ela continua chorando todo dia — porque queria mostrar o dente mole para o Vovô, porque não brincou o suficiente com ele, porque ele não era tão velho assim para morrer… Vez ou outra, pergunta quando será a visita ao campo-santo. Acho que ainda não é hora, não estou pronta para levá-la.

Bicho mais terrivelmente fantástico que o Votupira é a morte. Mas é legal ter ao menos uma certeza: o Vovô Mauro fica cada vez mais vivo na memória da Luana e na minha.

 *Maria Amélia Elói é filha de Mauro Elói e Lenir Amaral e mãe de Luana Lis e Mariana Flor

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Veja também:

Para Vovó

Noite profética

El Bigodito

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade

Mamífera!

O Livro do Bebê

Este post é para meu pai.

Quando eu era pequena, adorava ver fotografias antigas. Meu pai no triciclo, minha mãe na primeira comunhão. As fotos de família em preto-e-branco, rostos tão sérios e tão enigmáticos. Eu ficava braba porque meus pais não tinham me convidado para o casamento deles e ainda tiveram a audácia de colocar outra menina como dama-de-honra (tudo bem que eu só nasci 4 anos depois, mas para mim não tinha desculpa rs!).

Outra coisa que eu amava era ver o “Livro do Bebê”, tanto o meu quanto os dos meus irmãos, com os marcos do nosso crescimento escritos por minha mãe: primeiro dente, primeira palavra, as dedicatórias…

Gosto de preencher o “Livro do Bebê” e os álbuns de fotos dos meus filhos. Eles adoram ler sobre as coisas engraçadas que faziam e diziam. As músicas inventadas, as piadas “internas” que só entende quem é da família. Eles também curtem ouvir a história de como os avós se conheceram, como começou o namoro dos pais.

Creio que o encantamento que as crianças nutrem por esse tipo de recordação tem a ver com nossa busca por um lugar no mundo, na história. É importante fazer esses registros e transferi-los de geração a geração. As experiências da família, o legado dos antepassados, ainda que atravessados por percalços e problemas que todo clã possui, dizem muito sobre o que nós somos. É quando a gente apaga a luz e revive os círculos ancestrais em volta da fogueira para contar as memórias que nos trouxeram até aqui. Encontros que podem ser raros no dia-a-dia atropelado, mas trazem significados profundos para nossa vida.

Olhar para o passado nos ajuda a entender o presente e também saber o que esperar do futuro. No meu “Livro do Bebê”, meu pai deixou uma simples frase sobre o que esperava de mim quando eu nasci: “Que seja uma pessoa de bem.”

Por muito tempo fiquei intrigada com isso. Parecia um desejo tão singelo, despretensioso, talvez óbvio. Não dizia respeito a realização, sucesso. Não era “pessoa de BENS”, “pessoa BEM-sucedida.” Não dizia sobre conquistas, feitos. Nem saúde. Nem sequer sobre felicidade.

Era sobre o que é mais importante, mais caro, mais precioso para meu pai, a verdadeira chave para fazer diferença no mundo. Se formos parar para pensar, era a única coisa da qual ele tinha garantia. Ele não podia ter certeza se eu teria realização, sucesso, bens, conquistas nem feitos. Nem mesmo saúde, nem mesmo felicidade. É fato que ele também não podia saber se eu realmente seria “uma pessoa de bem”; entretanto, era a única coisa que ele podia me oferecer como herança que jamais se deteriora, se subtrai nem se perde: seu exemplo. Exemplo de um homem COMPLETAMENTE do bem.

Obrigada, pai.

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Blogagem Coletiva – “Os pais que eles são”,  proposta por Rede Mulher e Mãe

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Veja também:

Minha vida em 40 músicas

Amar é…

Se os homens amamentassem

De mãe para filha

Confissões inconfessáveis – 2 anos de blog

Site visitado:

Scary Mommy

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O blog “Scary Mommy” traz posts engraçados, por vezes também cáusticos, sobre a maternidade. (O curioso é que “scary” tanto pode significar “que mete medo” quanto “que tem medo”). Conta com mais de 1 milhão e meio de acessos por mês. Um dos espaços de debate é o “confessionário”: pais e mães inserem comentários, sob anonimato, e descem o verbo no mundo cor-de-rosa que se vende como a realidade de criar filhos.

Já dei muita risada com algumas confissões, me enterneci, me surpreendi com a franqueza escancarada de outras. E me peguei pensando o que postaria nesse confessionário.

Então, em comemoração aos 2 anos do meu blog, segue um compêndio dos segreditos que, com toda certeza, não fariam parte jamais do vocabulário de uma mãe perfeita:

Confesso que…

… senti uma inveja danada da minha irmã, que teve três partos normais, e saía lépida e fagueira do centro obstétrico, ia tomar um banho e pedia sem a menor cerimônia um Big Mac, enquanto eu tava toda costurada sem poder nem usar travesseiro. Mas também confesso que não senti inveja na hora que ela tinha que pulverizar Andolba na episio…

… dei papinha Nestlé quando viajávamos. Mil vezes a arriscar, sem saber de que jeito os legumes do hotel tinham sido lavados.

… ri pra caramba quando meu caçula de 3 anos chegou cantando “Ai se eu te pego”, do Michel Teló.

… já liguei algumas vezes o “hã-hã”, diante de histórias intermináveis.

… já chorei escondida no banheiro.

… já perdi a paciência ajudando menino a fazer dever de casa. Principalmente aqueles com o comando: “com a ajuda de um adulto, recorte de revistas e jornais 3 milhões de palavras com Cê cedilha e escreva frases com elas.”

… disse a meus filhos que, todas as vezes que eles contassem uma mentira, ela apareceria escrita na testa deles, e assim eu SEMPRE saberia.

… minha mãe me disse a mesma coisa acima. Eu acreditei e até hoje sempre conto logo tudo, porque nunca consigo esconder nada dela. E assim se criou uma relação de confiança.

… já fiz chantagem emocional, do tipo: “oh, vem me dar um abracinho, ohh, puuuxa, é assim, né…”

… já cronometrei com meu marido a tarde de sábado, revezando os intervalos: “pronto, agora é sua vez de tomar conta dos meninos.”

… quando vejo uma grávida de primeira viagem afirmando “com meu filho será assim”, “com meu filho será assado”, ou “nunca vou fazer isso ou aquilo”, eu fico me perguntando: “conto ou não conto?”

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Veja também:

100º post, 1 ano de blog

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Achei lindo quando… mas sinto falta de…

Decálogo dos meus desafios

São só os meus?…

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Fran, Wilma, Beth, Fiona, Morticia, Samantha, Marge, Nenê, Helena, Jane: o que elas têm em comum? São ponderadas, sensatas. Centralizam e organizam a família em torno de si, são responsáveis por manter o equilíbrio da casa. São amorosas e dedicadas e suportam tudo.

Nenê da Grande Família é exceção: não encarna o lado racional da família. Puro sentimento, às vezes se atrapalha. Lineu assume a posição de sensato da casa, papel normalmente confiado às mulheres nessas produções.

Nenhuma das personagens trabalha fora de casa. As que experimentam acabam voltando. O dilema trabalho versus casa, portanto, é extirpado, bem como o babá versus creche.

O trabalho da casa é realizado integralmente pelas mães, exceto Jane Jetson, que tem a ajuda da robô Rose, e Mortícia Addams, que conta com o mordomo Frank e a mãozinha Coisa. Wilma Flintstone também tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais.

Todas as mães têm que esconder seus “superpoderes”, mas sempre “salvam” a família de enrascadas. Esses poderes podem ser mágicos, como no caso da Feiticeira Samantha, ou talentos profissionais, como o da hábil comunicadora Fran Sauro, que desiste de apresentar um programa de TV para cuidar da casa.

Não existe revolta. Todas estão resignadas em seu papel, cientes disso e de sua importância para a família.

Todas as personagens estão em boa forma física, ainda que não se explicite de que maneira elas chegam a esse resultado. Fran Sauro também, dentro do que se espera de um ser de sua espécie.

Os maridos são infantilizados e atrapalhados (também com exceção de Lineu). Trabalham como funcionários em empresas. Estão insatisfeitos com o trabalho, mas são conformados (exceto Gomez Addams: “um advogado que acumulou uma riqueza invejável e que agora vive tranquilamente acariciando seu polvo e explodindo trens de brinquedos em sua mansão”).

Sugestionáveis, ingênuos e teimosos, os pais das famílias de seriados e animações sempre se metem em confusão. Assim, as mulheres se posicionam como mães de toda a família, incluindo os maridos.

Seja na Idade da Pedra, na Idade Média ou no futuro, os padrões se repetem, se mantêm. Shrek, por mais anárquico que se pretenda, apresenta Fiona como uma mãe zelosa ao molde das demais. Ou seja, o roteiro de Shrek subverte tudo – a princesa é uma ogra, o herói é um ogro, a fada madrinha é má -, exceto o que se entende como amor materno.

São todas famílias nucleares – pai, mãe, filhos -, com intervenções de parentes em alguns casos. O protótipo do que se difunde como uma típica família dos anos 1950.

Nas produções, é curiosa a presença de outras mães, as mães das mães: as sogras. São vozes femininas de chamado à consciência. Elas parecem discordar da escolha das filhas e de tudo a que as elas se submetem, e estão sempre dispostas a aborrecer os genros. São incômodas mas também não ajudam nos afazeres (às vezes até pelo fato de contestá-los). Trata-se de um reforço contínuo ao estereotipado conflito entre sogras e genros.

Outras figuras podem cumprir o papel da sogra: a dinossaura Mônica (Família Dinossauro), a modista Edna (Os incríveis), as irmãs de Marge Simpson (Os Simpsons). Em Shrek, quem cria problemas é o sogro, mas por temor de que sua identidade verdadeira seja revelada (trata-se de um sapo transformado em humano).

 

Mulher elástica – algumas diferenças

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, merece uma análise à parte porque, no decorrer do filme, vai revelando facetas que a princípio podem distanciá-la das demais mães apresentadas anteriormente.

A Mulher Elástica é feminista no início da história. Em uma entrevista jornalística, ela discursa: “Sossego, qual é? Tô no auge da forma, em briga de cachorro grande. Garotas, na boa: deixar o mundo ser salvo pelos homens? Claro que não. É claro que não.”

Ela se casa com Beto Pera, o Sr. Incrível, mas algo põe a perder suas carreiras de super-heróis. O Sr. Incrível não se conforma em se esconder por trás de um medíocre vendedor de seguros. Mas a ex-Mulher Elástica parece conformar-se com a nova vida. Isso é um paradoxo, que vai contra o que ela diz na entrevista do começo do filme, no auge da juventude, e também para ele, que na mesma entrevista diz planejar constituir família.

Helena se resigna com seu papel de mãe zelosa. E luta para defender essa nova situação como uma escolha própria sua.

Em casa, as coisas são superdimensionadas por ela (e menosprezadas pelo marido, Beto). Seus superpoderes, que outrora salvavam o mundo, agora são utilizados para lidar com os desafios em família, a própria metáfora da mãe-malabarista, a quem se exige todo o tempo que se adapte, que se molde.

Sim, Helena está tentando se adaptar à vida de dona de casa e mãe, e está muito empenhada em manter as aparências, mas deixa transparecer aqui e ali o seu descontentamento. De todas as mães das séries e animações, é a mais impaciente e estressada.

Com o desaparecimento de Beto, que ela suspeita ser algo relacionado a traição conjugal, Helena deixa os filhos ao cuidado da primogênita para recuperar o casamento. Nesse raciocínio, o casamento é mais precioso para os filhos; o fim da união do casal é um perigo muito maior que o abandono. E, ao mesmo tempo, sob os conselhos de Edna, ela descobre que também precisa recuperar a heroína que um dia foi, para que se mantenha admirável aos olhos do marido – e aos próprios olhos.

A Mulher Elástica, então, volta à “ativa”. Mas somente porque os filhos vão junto com ela, quando demonstram poder se virar sozinhos. Ela percebe que sua superproteção tolhia os filhos, tornava-os infelizes. O desfecho traz a ideia de que a família é invencível quando está unida.

Helena é a única mãe das animações e seriados que volta para a sua profissão, ainda que sob circunstâncias próprias de quem tem uma família inteira com poderes especiais, que podem dispensar a dedicação absoluta da mãe.

Contudo, ainda que existam algumas diferenças entre Helena e as outras personagens de mães, o fio condutor é o mesmo: todas são mulheres que têm na família seu bem maior.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Falando de sexualidade

Site visitado:

Aprendiz de Mãe – As crianças e a transmissão da cultura

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Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Cresci com 4 irmãos. Acostumadíssimos a tomar banho juntos – uma farra! Meus pais nunca trancaram a porta do banheiro, então era supernatural vê-los sem roupa. Sempre com muito respeito, claro. A conversa sempre fluiu tranquila, muito livro pra ler. Mas, ao mesmo tempo, muita inocência. Lembro de um de nós, com um tom risonho, segredando para os outros: “papai e mamãe transaram cinco vezes kkkkkkkkk!”

A vergonhinha veio na adolescência, a timidez para comprar modess (modess!!! vixi, tô ficando velha rsrs), sutiã e afins. Mas tudo sempre com muita naturalidade e cumplicidade.

Não tinha como ser diferente aqui em casa. A meninada toma banho com a gente, sempre há abertura para tirar qualquer dúvida.

Quando minha filha nasceu, o mais velho ficou intrigado com uma anatomia tão “explícita” (diferente da minha rsrsrs):

– Mãe! Olha! Ela não tem pinto! E o bumbum vem até a frente!!!!

***

Essa história de bumbum ainda rendeu. Quando minha cunhada ficou grávida, meu filho perguntou:

– O médico vai cortar sua barriga pra tirar o neném?

– Vou torcer para que não, querido.

– Ué, mas aí ele vai sair como?

-(já ficando vermelha) Ora, do jeito natural.

– Como?

– Por baixo.

– Onde?

– Por baixo…

Ele parou, pensou e perguntou curioso e empolgadíssimo:

– Mas aí o seu bumbum vai ter que abrir muito!!!!

– (rindo muito) Pois é, vai ter que ser!

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

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Mais tarde, ele viu uma propaganda da campanha de prevenção à Aids: Não deixe a Aids te pegar, use camisinha. Seguiu-se o diálogo:

– Mãe, o que é Aids?

– É uma doença. As pessoas ficam com problemas nas células de defesa e podem pegar outras doenças.

– Quando a gente usa a camisinha, não pega?

– Não pega.

– Só de usar uma camisa?

– Bom, na verdade, não é bem uma roupa.

– Não? É como, então?

– É uma coisa que o homem coloca no pinto.

– Por quê, a Aids pega pelo pinto???

Observe-se que, até então, ele tinha somente a noção de que papai põe uma sementinha na mamãe e estava satisfeito. Até já sabia que o bebê saía da barriga da mãe “por baixo”. Mas, agora, a explicação tinha que se enveredar por mais detalhes. Fiquei com vergonhinha, botei desculpa na presença da irmã menor no recinto e apelei para o maridão.

Achei supercomédia quando cheguei à noite e vi, sobre a mesa do escritório, o livro da Larousse sobre corpo humano, cheio de páginas marcadas. Ele não me deixou acompanhar a conversa: “Ah, não, você jogou a pepinosa na minha mão, agora somos só eu e ele.”

Fiquei pra morrer de curiosidade, mas respeitei. Ao final, meu marido contou:

– Fui respondendo à medida que ele perguntava, nem mais nem menos. Ele me olhou e falou: “Só isso? Intão tá.” E foi brincar.

Dirimidas as dúvidas, diferenciados “bumbum” do órgão sexual feminino e tudo mais, fiquei contente: o mecanismo está todo explicadinho e bem aceito; a inocência continua.

Dá, sim, para mostrar para nossos filhos como a sexualidade é natural – e linda.

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Sugestões de livros:

Livro "Sexo não é bicho papão", de Marcos Ribeiro. Editora Zit.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Coleção Tris-Trás - Livro "De Onde Eu Venho?", de Sergi Càmara. Editora Escala

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Livro "Planeta Eu: Conversando sobre sexo", de Liliana e Michele Iacocca. Editora Ática

Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Se os homens amamentassem

Blogagem coletiva proposta por Rede Mulher e Mãe

Sites visitados:

Por que o homem tem mamilos se eles não amamentam?

Bizarro, porém verdade: Machos podem produzir leite

Livro responde questões como “Por que os homens têm mamilos?”

Por que o homem tem mamilos?

Bombril: a marca que NÃO evoluiu com as mulheres

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Com 3 anos, meu filho me perguntou:

– Por que homem não pode dar de mamar?

– Ué, porque só a mulher tem peito.

– Não. (Mostrando o mamilo): Eu também tenho peito.

Claro que explicar para uma criancinha sobre glândulas mamárias e tudo mais era muito. Dei risada mas fiquei me perguntando: Por que o ser humano macho tem mamilo, afinal?

Para minha surpresa, não era uma dúvida tão infantil assim. Houve gente fazendo pesquisa séria e até publicando livro sobre o assunto. Descobri, também, que na verdade é muito mais uma questão de hormônio do que estrutura mamária (fato: por conta dos hormônios na gestação, meninos podem nascer com leite no peitinho e meninas recém-nascidas podem ter uma “pseudomenstruação”).

Descobri até que houve casos de homens que amamentaram seus filhos. Fiquei pensando se a moda pega.

Se os homens amamentassem…

… os cuidados com os recém-nascidos seriam divididos. Pai e mãe revezariam nas mamadas. Com intervalos maiores para cada um, as rachaduras nos mamilos teriam mais tempo de recuperação.

… enquanto um dava de mamar, o outro poderia cuidar dos filhos mais velhos, amenizando o ciúme entre irmãos.

… a licença-maternidade seria de 6 meses para o casal. Assim, não haveria mais discriminação no mercado de trabalho, já que as condições seriam as mesmas para homens e mulheres.

… ficaria muito mais fácil a amamentação exclusiva dos gêmeos e trigêmeos, hoje tão comuns.

… ficaria muito mais tranquilo no caso de impedimentos para a mãe.

… teria muito mais gente para abastecer os bancos de leite humano.

… a amamentação em público seria vista com naturalidade, e não como um “atentado ao pudor”. Aliás, os homens já estão acostumados a ficar sem camisa.

… os homens poderiam vivenciar mais intimamente o vínculo físico com os filhos.

… as crianças chamariam indistintamente “mamãe” e “papai”.

Esse último tópico é digno de reflexão. Nós mulheres reclamamos de incompreensão por parte dos homens e imensa sobrecarga. Mas estaríamos nós dispostas a dividir esse poder? De não sermos “exclusivas” na preferência das crianças?

E mais: as mulheres aprovariam uma legião de homens tão “maternais”? Basta olhar as fotos de homens amamentando para que se gere automaticamente um sentimento de desconforto.

Já que os homens não amamentam…

… não sentem literalmente na pele e, por isso, para compreenderem a dimensão da tarefa, precisam ser INCLUÍDOS.

O homem deve olhar para seus próprios mamilos como lembretes: de que ele – aliás, toda a espécie humana – nasceu de uma mulher.

Vale lembrar que a amamentação é coisa recentíssima em nossa sociedade pós-guerra. Os homens simplesmente não entendem o valor de empunhar essa bandeira, que é a razão dessa blogagem coletiva.

Em vista do desrespeito descomunal com o que as mulheres vêm sendo tratadas, a reação raivosa é natural e mesmo a mais provável. Sim, é preciso divulgar e denunciar esse desrespeito, e é por isso que EU DIGO #BASTA.

Entretanto, como diz minha mãe, “não lamente o caos. Coloque nele o elemento faltante”. Desqualificar os homens, enquadrando-os como “Homers Simpsons”, egoístas, fracos para a dor, desorganizados, ineptos, grosseiros ou violentos NÃO AJUDA. Na menos pior das hipóteses, ficamos no zero a zero.

“Bombril: a marca que evoluiu com as mulheres”. Se isso é evolução feminina, eu tô fora!

Não é observando o lugar atual do homem e se igualando na baixaria e truculência que a mulher vai encontrar o seu lugar. Tenho dois filhos homens e não é esse o legado que eu espero dar a essa geração. Se eu me apego a esse imaginário e martelo a mesma tecla dos valores distorcidos de uma sociedade doentia, o que posso esperar dos meus filhos? Que sejam “Homers Simpsons”?

Por isso, acredito em um posicionamento de respeito mútuo.

Finalizo o post com a frase que disse a meu filho de 3 anos:

– Você não pode dar de mamar, mas pode abraçar seu filhinho bem juntinho, para que ele escute o seu coração. Igual ao que o papai faz com você.

Anúncio Nívea Baby – coração com coração

Veja também:

Baixinho e careca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Amar é…

This post in English: If men breastfed

Encontrando Nemo

Disney Pixar 2001

Marlin: “Eu prometi que nunca deixaria nada acontecer com ele…”

Dory: “Coisa engraçada de se prometer. Se você deixar nada acontecer com ele, aí nada vai acontecer com ele. Não seria bacana pro Nemo.”

“Procurando Nemo”. Disney Pixar, 2001.

Amar é…

Quem disse que os modelos de perfeição se referem somente às mães? Os pais também se veem às voltas com eles… 

Ficar ao lado dela enquanto nasce o bebê

Embalar jeitosamente o recém-nascido.

Achar que o primeiro filho é a cara do pai.

Levantar quando o bebê chora.

...orgulhar-se de seu filhinho.

Deixar o garoto brincar e pular na sua barriga logo de manhãzinha.

Dividir as alegrias que o bebê lhes traz...

Trocar as fraldas do bebê e... lavá-las.

Dizer "nosso" filho mesmo quando ele está insuportável.

Não ficar com ciúmes quando ela dá atenção às crianças.

Fazer o café enquanto ela apronta as crianças para sair.

Fazer todos os serviços da casa para a mamãe descansar.

Dizer que ela é linda mesmo desarrumada.

Paquerar sua mulher, mesmo após o sexto filho.

Em 1980, a Abril lançou a primeira versão do Livro Ilustrado (vulgo álbum de figurinhas) “Amar é…” sob o Copyright do United Feature Syndicate. Foi um sucesso tão grande que mais tarde um novo livro, com novas figurinhas, chegava às bancas. 

O casal peladinho foi criado pela artista neozelandesa Kim Grove Casali, e ilustrava os bilhetinhos apaixonados que ela enviava ao futuro marido Robert Casali, na década de 1960. Na década de 1970 ganharam lugar cativo no jornal Los Angeles Time e conquistaram o mundo, em forma de quadrinhos, cartões e figurinhas. 

Eu colecionei o primeiro álbum. Tinha 8 anos de idade. Não completei, mas guardei.

Hoje, descobri uma coisa curiosa: quando as crianças aparecem nas figurinhas, na grande maioria das vezes a mensagem é dirigida ao pai: trocar (e lavar) fralda, acordar à noite, brincar… Se os cartoons são de 1960, essa Kim era uma revolucionária!!! Ao mesmo tempo, realista: o paizinho não nega que está de saco cheíssimo de várias das novas incumbências!…rsrs

MUITO FÓFIS!!!

Pais (também) sob pressão

Assim como nós, eles [os maridos] têm a sensação de que estão deixando a desejar, decepcionando as pessoas e se exaurindo com a rotina massacrante.

A verdade é que as experiências dos nossos maridos são semelhantes às nossas em vários aspectos. Os pais de hoje, assim como as mães, estão sob o efeito de uma enorme sobrecarga: pressão para construírem carreiras bem-sucedidas, pressão para serem pais presentes e atuantes, pressão para apoiarem emocionalmente suas mulheres, pressão para colaborarem nas tarefas domésticas. Além disso, estão se sentindo esmagados pela pressão de tentar nos satisfazer e corresponder às expectativas que criamos em relação a eles.

 TRISHA, Ashworth & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos – como lidar com os desafios da maternidade com amor e bom humor”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. p 103

O pai que nasce

Anúncio publicado na Revista do Correio de 1º de agosto de 2010. Ano 6, nº 272. Diários Associados.

“Gustavo e Camila. Nascidos em Brasília há 15 dias.

A todos aqueles, nascidos ou não aqui, que escolheram nossa cidade para viver o seu papel mais importante: ser pai.

Pátio Brasil Shopping”

Também está nascendo um novo pai. Todos ganham – o pai, a mãe, a criança, uma geração inteira.

Por uma nova paternidade, com compreensão, afeto e livre das expectativas de mais-que-perfeição.

Feliz Dia dos Pais!

Baixinho e careca

Anúncio veiculado em revistas em maio de 2004

Você nunca imaginou que o grande amor da sua vida seria alguém baixinho e careca

 Você sempre gostou de caras altos e morenos, até o dia em que se apaixonou por um deles e casou. Mas, quando o seu filho nasceu, um novo sentimento tomou conta de você. E, hoje, por mais que você ame seu marido, é um outro homenzinho que faz você suspirar. Ter um filho muda tudo.

Jonhson&Jonhson

Análise

 O anúncio pretende fazer uma brincadeira, associando a chegada de um filho aos padrões de beleza masculina já disseminados na sociedade brasileira. Ele não “inventa” nem “propõe” esses padrões. Ele os evoca, evidencia e solidifica no texto, a saber:

Homens baixinhos e carecas não fazem parte do imaginário do que se chama de “grande amor da sua vida”. Caras altos e morenos, sim.

O segundo ponto trata de um ponto muito mais sensível, que é o lugar do marido e do pai. A gravidez coloca o bebê em sintonia com a mãe mais cedo. O pós-parto também é um momento em que a dupla mãe-bebê às vezes até parece fundir-se em um único indivíduo. Isso cria naturalmente um desequilíbrio na estrutura anterior do casal. O homem, como marido, por mais que ainda “seja amado”, deixa de ser “o grande amor da vida da mulher”. E, como pai, tenta se incluir na família. Na grande parte das vezes, ele não tem nenhuma referência para isso, já que o modelo familiar anterior não previa a presença do pai como acontece hoje.

Não é à toa que a figura do pai está ausente no anúncio. Existe um deslocamento no eixo de interesse da mulher após o nascimento do filho: “um filho muda tudo”, isso é inegável e até necessário. Mas deve ser compreendido em sua extensão e trabalhado com delicadeza, para inserir – e não subtrair – o homem no processo.

Baixinho e careca – Marusia fala

Você nunca imaginou que o grande amor da sua vida seria alguém baixinho e careca”. Não gostei do joguinho de palavras. Não é porque não tenho “senso de humor”. Simplesmente não achei graça.

Não estou falando de coisas “politicamente corretas”, que aliás pra mim são uma hipocrisia ou no mínimo uma chatice. Estou falando de perpetuar preconceitos só “para não perder a piada”.

Pra ninguém dizer que eu sou rabugenta, vou transcrever o tweet do “Frases de Crianças” que também fala de bebês e carecas – esse, sim, ótimo:

 Isabelly, dona de uma vasta cabeleira enrolada, observava fotos de quando era um bebê, praticamente careca, e soltou: “Mãe, eu nasci homem?”

(postado em 18 de maio de 2010)