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Experimento da Prosperidade Amorosa

Marusia

Quando eu era pequena, minha mãe me ensinou uma antiga prática mística chamada “Experimento da Prosperidade”. Consistia em separar um momento do dia para me conectar com todos os pensamentos e sentimentos que eu considerava estarem relacionados à prosperidade – no caso, financeira. Podia ser, por exemplo, imaginar a sensação de receber o salário, usá-lo para comprar as coisas que eu queria ter, ou ainda sonhar com as experiências possíveis com esse dinheiro, etc. Ao mesmo tempo, deveria entrar confiantemente na vibração da abundância do Universo. Durante 40 dias (recomenda-se iniciar após a lua nova e antes da lua cheia), eu faria esse exercício e depositaria um valor fixo em uma caixinha. Ao final, deveria doar o montante de maneira livre.

Repeti esse experimento algumas vezes. Meu primeiro foi com moedinhas de 1 real. É possível, por exemplo, doar o primeiro salário, dividindo-o em 40 partes. Pode ser com o primeiro dinheirinho de estágio, e depois a cada emprego novo ou promoção. A doação pode ser em espécie, ou a compra de algum item como cesta básica, roupa de cama e outros para asilos e orfanatos. O que posso dizer, no mínimo, é que o experimento é efetivo e poderoso. E recebi o mesmo depoimento das pessoas para as quais ensinei.

Neste ano, eu me perguntei se era possível adaptar o Experimento da Prosperidade para o campo emocional, afetivo. E pensei no que poderia depositar na “caixinha” durante 40 dias. A inspiração foi escolher ou deixar chegar uma emoção por dia, em que eu me conectaria verdadeiramente com o Amor, e descobrir uma música que estivesse na mesma sintonia. Ao final, salvaria tudo em uma playlist e compartilharia com o mundo.

O que posso dizer agora, 40 dias depois, é que, no mínimo, foi transformador. Tem sido transformador. E convido você a fazer o mesmo! Se você se permitir fazer o Experimento da Prosperidade Amorosa, lembre-se de compartilhar sua playlist comigo! De preferência, coloque esse nome no título, para facilitar a busca.

Minha única observação é: esteja preparado. Você vai ter vivências intensas. Vai mergulhar bem fundo e também vai voar muito alto.

Aqui vai minha playlist de emoções e canções:

PLAYLIST NO SPOTIFY: bit.ly/prosperidadeamorosa

1. Leveza – Serenidade. Facilidade. Leve e suave (ao vivo) – Lenine

2. Paz – Confiança. Certeza. Fé.  Se fiquei esperando meu amor passar – Isabella Taviani

3. Luz – Intuição. Ir em frente. Seguir o coração.  Girassol – Kell Smith

4. Poder – Liberdade. Força. Conexão direta com a fonte.   O medo de amar é o medo de ser livre – Beto Guedes

5. Entrega – Deixar crescer. Deixar ir. Mind games – John Lennon

6. Amor a Deus – “Por Você, todas as entrelas cantam”. E, por você também, que é uma obra prima de Deus.  A million lights – Michael W. Smith

7. Abertura – Abrir o coração e mente para o novo. Juriti – Célia Porto

8. Serenidade – Calma. Sem ansiedade. Não apresse o rio, ele corre sozinho.  Planting seeds – Nimo e Daniel Nahmod

9. Sonho – Viagem. Esperança. Alegria. Fantasia.  Um tanto – Suricato

10. Sintonia – Alinhamento dos astros. Sincronia.  Encontro das águas – Jorge Vercilo

11. Escuta – Para. Ouve. Sente. “Somente atento à voz do tempo saberei”. Maior – Dani Black e Milton Nascimento

12. Fechamento – Resolução. Avaliação.  Preparação para o novo. Closing time – Semisonic

13. Sorte – Estar alegre com as surpresas da vida. A alegria faz com que as surpresas sejam boas. Get Lucky – Daft Punk

14. Iniciativa – Batei e abrir-se-vos-á. Seja você mesma sempre! Love comes to everyone – George Harrison

15. Amor ao corpo – Atitude. Reverência. Confiança. Tesão. Dança. Não olha assim pra mim – Outroeu

16. Força – Domínio. Expansão. Vigor. Certeza.  Reconvexo – Maria Betânia

17. Companhia – Estar entregue. Estar presente. Estar junto. Estar inteiro. When the stars go blue – The Coors e Bono

18. Fogo – Calor do corpo. Prazer. Libido. Kundalini. Sexo. Burn – Ellie Goulding

19. Partida – Amor ao que vai porque não nos serve. Paz. Birds – Imagine Dragons

20. Conexão interna – Cuide de você. Respire. Tranquilize-se. Traga seu centro para você. Just breathe – Pearl Jam

21. Levantar – Resiliência. Reerguer. Ter coragem e humildade. Never give up – Sia

22. Origem – Volta. Retorno ao EU. Casa. Paradise – Coldplay

23. Amor à Terra – Espírito. Clã. Base. Chão. Mãe. Natureza. Spirit bird – Xavier Rudd

24. Sentimento – Sinto esse desejo. Desejo esse sentimento.  I feel it coming – The weeknd feat Daft Punk

25. Energia – Brilho. Alegria. Estar junto. Resplandecer. Brighter than the sun – Colbie Caillat

26. Amor de Mãe –  Cantiga de ninar. Memória. Laço. Geração.  All is found – (trilha de Frozen 2)

27. Vida – Impulso. Força. Expansão. Crescimento. Vigor. Subida da montanha. Come Alive – The Greatest Showman cast

28. Transbordamento – Descontrole. Vazão. Impulso. Selvagem. Trator – Flávio Venturini

29. Delicadeza – Suavidade. Ternura. Simplicidade. Não precisa explicação. Quando a gente ama – Oswaldo Montenegro

30. Gratidão – Reconhecimento. Amor ao Passado. Thankful for (acoustic) – Adam Sanders

31. Paciência – Espera tranquila. Patience – Take that

32. Completude – Infinito interior. Voo. Mergulho. Vastidão. Autenticidade. Voo do Beija-flor – Elisa Cristal (clip)

33. Amor ao Mar – Fonte de vida. Incansável. Natureza. Todo azul do mar – 14 Bis

34. Espontaneidade – Riso. Brincadeira. Criança interior. Beija eu – Marisa Monte

35. Presente – Consciência do Agora. Transitoriedade. Impermanência. Dust in the Wind – Sarah Brightman

36. Saudade – Querer bem. Sonhar. Braços da paz. Saber que vai reencontrar.  Gostoso demais – Maria Bethânia

37. Calma – Confiança. “Mente quieta, espinha ereta e coração tranquilo”. Camomila.  Serra ao luar ao vivo – Leila Pinheiro

38. Acolhimento – Abraço. Contenção. Gentileza. Reciprocidade.  Dentro de um abraço – Jota Quest

39. Amor à Música – Expressão. Ouvir a si mesma. Diversão. Projeção. Sing – Travis

40. Amor ao Futuro – Fé. Tempo perfeito. Expectativa leve. I have a dream – Westlife

FAIXA BÔNUS:

Amor Próprio – Sou eu. Estou aqui. Não preciso de licença para existir. This is me – the Greatest Showman Cast

 

Descobrindo o espectro autista

O post de hoje foi escrito por minha amiga Sandra. É um relato sobre como descobriu que seu filho Enzo estava no espectro autista. São palavras de coragem e generosidade, para que mais e mais pessoas tenham acesso a mais e mais informações.

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A primeira vez que vi a palavra espectro tinha 14 anos, estava lendo Hamlet, fazia teatro amador na época e me aventurei a conhecer Shakespeare. E lá estava o príncipe Hamlet atormentado pelo “espectro” do pai, rei da Dinamarca. Achei a palavra diferente, e por um bom tempo não a esqueci, mal sabia eu que ela surgiria em minha vida de novo, anos mais tarde, em um diagnóstico.

Enzo já estava com 20 meses quando os primeiros sinais começaram a chamar minha atenção. O garotinho até então muito interativo e sorridente, que me aguardava ansioso em casa me chamando de mamãe, começou a isolar-se. A frase que mais ouvia da Inês, que nos ajuda até hoje, era: “Nossa, o Enzo é tão bonzinho, nem parece que tem criança em casa!” Por isso, fica meu alerta: silêncio em casa com uma criança pequena não é algo comum.

Comecei a reparar que seu contato visual regrediu a zero, assim como sua fala. Enzo fazia tudo em silêncio, corria pela casa em silêncio. Seu refúgio preferido era um pé de limão; lá ele sentava, e, se eu deixasse, ele ficava por horas.

Interesse por outras crianças também não existia mais. O único contato, e mesmo assim quase o perdi uma época, era comigo. Enzo me olhava muito, sentia que ele ficava feliz eu estando por perto. Por uma feliz coincidência do destino, deixei meu trabalho para me dedicar ao pequeno. E foi ao parar de trabalhar que pude perceber tudo isso que relatei.

Sabia que havia algo errado com Enzo, sua regressão era visível para qualquer um. Comecei minha peregrinação em médicos, médicos, exames, exames, exames. Fisiologicamente nada errado. Cérebro perfeito, audição perfeita, pares de cromossomos perfeitos. O que havia de errado? Eu me perguntava o tempo todo, somente o comportamento. Comportamento?!!! E a palavra esquecida lá atrás surgiu como um neon em minha mente: Espectro, Enzo estava na sombra ou fantasma do espectro autista.

Eu e meu marido passamos pelo luto já lutando. Fiquei triste, chorei, mas no choro eu já iniciei terapias. Para psicólogos (me perdoem se não é essa a ordem) eu pulei etapas, porque primeiro você vive o luto, depois a negação, aceitação e aí sim você procura os tratamentos. Eu no luto já estava levando Enzo em terapias. Não sabia se aquilo seria bom para mim, não viver o luto primeiro, mas na altura do campeonato eu já não queria pensar em mim, Enzo já estava em primeiro lugar em nossas vidas.

A sensação que tinha é que alguém estava levando a alma de meu filho embora, ele estava caindo em um precipício, e eu o estava segurando pela mãozinha, ele precisava de muita ajuda.

Passado mais de um ano, com terapias iniciadas, Enzo alcançou progressos significativos. Ainda é não verbal, ainda morde a mãozinha em situações de estresse ou muita felicidade, é sua válvula de escape. Seu contato visual melhorou muito, sua interação com adultos é boa, com crianças ainda um obstáculo, mas estamos trabalhando em conjunto com a escola. Enzo é uma criança querida pelos colegas, diria que um sedutor, Enzo tem seu charme.

Tratamento precoce é fundamental para quem está no espectro autista. Hoje, com diagnóstico sendo fechado mais cedo, teremos uma futura geração de autistas muito diferente da geração passada. Esteja atento a sinais.  Estava devendo esse relato a milhares de pessoas que não conheço me pedindo para contar a história, porque desconfiam de um filho, sobrinho, primo ou alguém conhecido.

Obrigada por ler até aqui, tentei ser breve mas sou geminiana! 😉

guarda-chuva colorido. Espectro autista

Óculos de ver coisa errada – 4 anos de blog

Em homenagem ao Dia das Mães e ao aniversário de 4 anos do Blog Mãe Perfeita.

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Falam sobre os “óculos cor-de-rosa”, que nos fazem ver tudo como se fosse perfeito. Existem também os óculos de ver coisa errada. Esses só focam os pontos negativos, aquilo que não funcionou, que não deu certo. Cor-de-rosa ou cinzenta, nenhuma lente está completa, mas acho que a segunda é mais perigosa. Principalmente com os filhos.

Quanto mais usamos os óculos de ver coisa errada, mais críticos e rabugentos ficamos. Perdemos a noção do todo para fixarmos só nos aspectos ruins. E vicia: é como se estivéssemos empreendendo um perpétuo controle de qualidade, achando defeito até onde não há. Com o passar do tempo, acabamos rotulando coisas, acontecimentos e pessoas, inclusive a nós mesmos. Isso cria a sensação de que sempre vai ser assim, que nunca vai mudar, que não tem jeito.

Vou dar um exemplo. Trabalhei muito tempo com revisão de texto. Meu olhar foi treinado para identificar, no meio de páginas e páginas, palavras e palavras, justamente aquelas que não estavam corretas. Não tenho como evitar fazer isso com o dever de casa das crianças (e com todo o resto). Mas tenho como evitar demonstrar isso para elas. Não é simples.

Dia desses minha filha veio com uma tarefa sobre metáforas. Várias palavras tinham erros de ortografia. Falei com ela sobre isso, para que ficasse mais atenta. Somente depois, vi a criatividade das respostas que ela deu. Fiquei tão surpresa que até perguntei se ela mesma havia inventado tudo, ou se fora uma construção coletiva em sala-de-aula. Ela disse, ressabiada: “Fui eu, por quê?”, imagino que já esperando outra correção. “Porque está o máximo. Você está de parabéns!”

Mas é como se o elogio se perdesse…

Não é raro a gente ter a sensação de que passa o dia chamando atenção de filho, repetindo e repetindo as mesmíssimas orientações. “Putz, parece até que gosta ser repreendido”, pensamos. Se deixarmos, podemos passar todo o tempo somente dirigindo palavras ríspidas a eles. “Putz, minha mãe passa o dia brigando comigo”, eles podem pensar de volta. Aí vale o exercício de elogiar, falar coisas doces (mesmo morrendo de raiva da última estripulia), para quebrar a corrente. Quando conseguimos, o efeito é sensacional.

Claro que, como pais, é importante termos em mente nossa missão de educar, orientar, mostrando o que pode ser melhorado. Entretanto, acusar o caminho errado não é a mesma coisa que apontar o caminho certo.

Há um trecho de um livro que adoro, “A paz de todo dia” (Ed. Brahma Kumaris, p100):

Liderança

Uma vez que os barcos começam a aprender a navegar eles seguem a rota por si mesmos. O verdadeiro líder é aquele que nunca interfere no processo de aprendizagem das outras pessoas. Ele sabe que cada um tem o seu próprio tempo. Porque confia, ele não corrige. Deixa pequenos erros passarem, se o resto que está sendo feito é válido. Ao destacar os acertos ele ajuda a construir a auto-estima nos outros. E o objetivo é alcançado sem labuta.

Nasci e cresci perfeccionista. Não é à toa que me dedico a questionar o perfeccionismo. É ele quem nos incita a usar os óculos de ver coisa errada. Então, por mais que coisas maravilhosas possam nos ocorrer a todo o tempo, só ficamos nos lamentando pelo detalhe que não funcionou do jeito que queríamos.

Os tapeceiros persas são famosos pelo capricho com que executam suas obras. Poucos sabem que eles têm uma postura interessante e humilde na hora de fazerem tapetes. Eles deixam um ponto fora de lugar de propósito, porque “somente Deus é perfeito”.

Essa é uma atitude bacana que tento adotar, de forma divertida. À noite, antes de dormir, volta e meia encontro uma peça de quebra-cabeça no chão, uma meia sobre o sofá, um copo com metade d’água, fora da pia. E me obrigo a não colocar nada no lugar – de propósito. Posso lidar com isso no dia seguinte… Com o tempo, vou ficando mais “relax”, e isso acaba se refletindo em todas as outras esferas: relevo um arquivo do trabalho que foi salvo por um colega na pasta errada, uma criatura que não deu seta no trânsito e por aí vai. Assim, vou administrando os pequenos caos da vida, constatando que ninguém vai morrer por causa disso.

Estou usando como símbolo desse processo meu guarda-chuva, um enorme e ótimo guarda-chuva que tenho há anos. São oito hastes. Há alguns meses, uma das peças que segura uma das hastes se soltou. Então ele ficou meio assimétrico, meio torto. Como é muito grande, continua cumprindo sua função muito bem. Eu não me molho por causa da peça faltante. São sete hastes perfeitas, e a que falta é o ponto fora do lugar do meu tapete persa. Podem dizer que sou desleixada, mas não vou trocar meu guarda-chuva. Ele é meu lembrete.

guarda-chuva azul xadrez

Está vendo a haste quebrada? Ali, à direita… Nem dá para perceber, né?

Meu lembrete de não usar os óculos de ver coisa errada. Nem os de lentes cor-de-rosa. Bom mesmo é usar os óculos do amor, que permitem enxergar o todo. Problemas que podem ser solucionados, acertos que devem ser comemorados.

Ah. A propósito, segue o dever de casa das metáforas, feito por uma criança de 8 anos que nunca se cansa de me surpreender:

Isca – onde enforcam a minhoca para ser comida

Janela – a TV real

Luz – o sol que brilha à noite

Minhoca – a furadeira de terra

Nuvem – o travesseiro que flutua

Ovo – a bola frágil

Pulo – quando a pessoa cai para cima

Sopapo – o carinho duro

Urgente – a letra U que quer ser gente

Vaga-lume – a lâmpada voadora

Zebra – xadrez incompleto

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Veja também:

Mãe envelope – 1 ano de blog

Confissões inconfessáveis – 2 anos de blog

O curso mais interessante do mundo – 3 anos de blog

 

O aprendizado do amanhã

Sites Visitados:

Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês – Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Veja também:

O curso mais interessante do mundo

O que aprendi sobre… semana de prova

Quero ser criança quando eu crescer

Caminhos

Dai-me paciência!

De uns tempos pra cá, comecei e a ficar meio encucada com meu limiar de paciência. A criançada andava me tirando do sério, principalmente quando me obrigava a repetir a mesma coisa um milhão de vezes. Na primeira, eu até pedia bonitinho. Na segunda, o tom não era tão amistoso; na terceira, pronto, ficava braba. Uma amiga, rindo, disse que ela já tinha passado do tempo de esperar a terceira vez. Economizava as energias e já chegava berrando na primeira rs!

Um dia, eu estava numa loja de departamentos, e um livro saltou aos meus olhos como se a capa estivesse escrita em neon: “O poder da paciência”. Pensei: “Puxa, preciso realmente disso!” Pela módica quantia de R$ 9,90, em nenhum momento perdi de vista o possível caráter de auto-ajuda “Tabajara” da obra (“Seus problemas acabaram!”) Mas, pela mesma módica quantia de R$9,90, valeria a pena: no mínimo seria um apanhado dessas dicas que a gente sabe mas nunca é demais lembrar.

Livro O poder da paciência

Para minha surpresa, encontrei um livro de linguagem agradabilíssima, bem fundamentado, recheado de citações pertinentes e exemplos de situações reais, em capítulos enxutos e bem alinhavados. Não tem aquele papo de transmissão de sapiência. A própria autora se assume como uma “aprendiz”. O mais interessante, contudo, são as dicas práticas, simples como têm de ser e – imprescindível – que funcionam.

Abaixo, transcrevo alguns trechos só para abrir o apetite deste livro que merece estar na Biblioteca da Mãe Desencucada.

Sobre pontos de vista:

“Existe algo mais encantador do que as crianças? Elas dizem coisas tão afetuosas, cobrem você de beijos e abraços, querem tanto agradar. Observar suas descobertas e avanços é sempre um prazer.

“Existe algo tão exasperador quanto as crianças? Elas derramam suco de uva em seu tapete branco novinho em folha, fazem as mesmas perguntas repetidamente e transformam ações corriqueiras, como escovar os dentes, em incessantes lutas pelo poder. Estar perto delas pode ser um tormento.” (RYAN, M.J. “O poder da paciência”. Rio de Janeiro: Sextante, 2006. p52)

Crianças são tudo isso ao mesmo tempo: adoráveis e punks. Como a vida. E muito do que essa relação pode revelar está em nosso modo de ver as coisas.

Sobre controle (esse capítulo é simplesmente sensacional):

“Tim Gallwey apresenta uma lista do que podemos ou não controlar em relação às outras pessoas. Você não pode controlar a atitude ou a receptividade da pessoa; o quanto ela ouve; suas motivações e prioridades; sua disponibilidade; o fato de ela gostar ou não de você; a capacidade de compreender o seu ponto de vista e aceitá-lo; a maneira como ela interpreta o que você diz.

“Você pode controlar as suas atitudes em relação a uma outra pessoa; sua própria atitude em relação ao aprendizado, sua maneira de ouvir; sua aceitação do ponto de vista de outra pessoa; seu respeito em relação ao tempo dela; sua expressão de entusiasmo pela ideia dela; a quantidade de tempo que você gasta ouvindo e falando; sua auto-imagem.” (vide acima, p96)

A autora também nos convida a descobrir o que nos tira a paciência. Descobri, por exemplo, que repetir a mesma coisa faz com que eu me sinta “invisível”, desimportante. Sob outro prisma, vale questionar a eficácia dessa insistência e ver se não é hora de mudar de estratégia…

Para coroar, um parágrafo que tem tudo a ver com o tema do blog (grifo meu):

“A impaciência é, na verdade, um sintoma de PERFECCIONISMO. Se esperarmos que nós e os outros sejamos perfeitos, que o metrô, os elevadores e os sistemas de mensagens eletrônicas sempre funcionem bem, perderemos a paciência todas as vezes que alguma imperfeição surgir: a bagagem extraviada, um esquema de horários arruinado, garçons mal-educados, familiares intrometidos, crianças malcriadas. Por outro lado, quanto mais admitirmos que a vida é desorganizada e imprevisível, e que as pessoas se viram da melhor maneira possível, mais paciência teremos em relação às circunstâncias e às pessoas que nos cercam.” (vide acima, pp-181-182).

Tão eu!

E você? Como está seu limiar de paciência?

Bebê rezando

E não é que agora até está dando sinal de vida?

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Veja também:

Biblioteca da Mãe Desencucada

Irritada?? EEEEEEU???!!!?

A linguagem secreta da birra: o que é preciso saber

Frases de Mãe

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Mãe Horta, Mãe Jardim

Observo em mim duas funções maternas: a Mãe Horta e a Mãe Jardim. Essas analogias vieram da seguinte história:

Uma menina fica órfã de pai e mãe e vai morar com o primo em uma mansão. Ele é doente e também não tem mãe. As duas crianças iniciam uma amizade. Um dia, descobrem um jardim secreto (e abandonado) na mansão. Com a ajuda de uma aia, os primos voltam a cultivá-lo e desabrocham como as flores, em plena saúde e alegria de viver.

Esse é o enredo de “O Jardim Secreto”, sucesso de literatura escrito em 1911 por Frances Burnett. Diana e Mario Corso fazem uma linda análise deste livro. Na falta da presença materna física, os autores localizam duas pessoas que fazem as vezes de mãe na história: a rígida governanta, que cuidava do bem-estar básico; e a aia, que supria de fantasia os dias do menino doente e da prima.

Os Corsos ainda fornecem a metáfora-chave para a compreensão do clássico: o jardim evoca o símbolo materno, cuja função não pertence à ordem das necessidades básicas, mas à da beleza. Flores são cultivadas não como alimento, mas pelo deleite (“A Psicanálise na Terra do Nunca”, p 219). Aí reside o desabrochar da vida.

Eu sou Mãe Horta quando me preocupo com as necessidades básicas, com cada detalhe. Unha cortada, dente escovado, dever de casa feito. A Mãe Horta é racional. É o meu lado que pede para levar o casaco. Que programa cada segundo da viagem de férias, faz as malas. E também matricula na natação, leva ao médico e ao posto de vacinação. Participa das reuniões na escola. Elabora o cardápio diário. Impõe limites. Devora milhões de livros e lê os sites sobre maternidade.

Sou Mãe Jardim quando brinco, dou risada, fico espontânea. Conto história, canto, danço. Quando deixo a lógica de lado e abraço, mesmo quando meus filhos mereciam uma bronca.

O problema é que a Mãe Horta não deixa muito espaço para a Mãe Jardim. São tantas tarefas, num cotidiano cronometrado, mediante tanta pressão, que quando tudo é cumprido muitas vezes só resta o cansaço. Sobram ali as florezinhas murchas e mixurucas.

É como se meu lado Mãe Jardim, o arquétipo materno em sua essência e totalidade, estivesse sufocado. Sendo ele o componente fundamental para a constituição de uma criança, como afirmam os Corsos, essa constatação me fez parar diversos momentos para refletir.

A dificuldade existe porque a Mãe Horta também é fundamental. Tudo bem que essa função pode ser dividida com outras pessoas, mas nem sempre. Além disso, há um perigo: a Mãe Horta exagerada se enrijece, é repressora e tende a projetar nas outras mães tudo o que ela não concorda.

Então estou em busca de um outro símbolo: quero ser Mãe Pomar. No pomar, às flores sucede o alimento. Ser Mãe Pomar é tentar colocar afeto e criatividade nas tarefas, mesmo as mais comezinhas, fazendo com que elas percam o caráter de obrigação. Uma conversa legal durante o almoço, uma brincadeira na hora do banho, uma piada para cortar a unha. O simples ato de estar junto é uma oportunidade de conhecer melhor as crianças.

Confesso que estou mais para uma plantação de morango. Nutritiva, mas azedinha… 😉

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Veja também:

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Caminhos

Feche a boca e abra os braços

A sabedoria que só se conquista aos dois anos

Princesa da Sucata

Já tinha falado antes sobre as feiras científicas e culturais da escola, ávidas por criações mirabolantes de sucata, feitas pelos… pais. Tem pai e mãe superprendados, levam coisas lindas e sofisticadas, ao passo que eu continuo sem levar jeito pro negócio. Não sei costurar, não sei fazer papel machê e procuro algo mais simples pra incluir as crianças no processo.

“Escolha um personagem de conto maravilhoso e represente-o usando sucata.”

Aí vem minha filha: “Quero a Cinderela”.

Não tem um mais fácil, não? O Sr. Ovo? O Homem de Lata do Mágico de Oz, ó que massa, já é de sucata! Que tal a Lagarta de Alice no País das Maravilhas feita de meia?

“Não, quero a Cinderela.”

Então vamos lá, dar uma de fada-madrinha e preparar Cinderela para o baile. Você vai precisar de:

  • Uma garrafa pet;
  • Uma bola de isopor;
  • Papel amarelo;
  • 3 folhas A4 de papel azul ou 3 folhas A4 de papel branco + tinta guache azul;
  • Papel branco;
  • Papel cartão branco;
  • Palito de dente;
  • Fita crepe;
  • Hidrocor;
  • Fita de cetim azul;
  • Miçangas;
  • Cola de artesanato.

Eu podia ter feito o vestido com o papel azul, mas preferi que minha filha pintasse o papel branco com guache azul. A textura fica mais interessante, o papel mais rígido, e ela adorou fazer.

Meça a bola de isopor. A metade do diâmetro é a largura do papel amarelo. Corte uma franja curta e estreita em cima e outra maior embaixo. A franja maior vai se superpondo para a parte de trás da cabeça. Outro retângulo pequeno de papel amarelo, outra franja para o coque. O arremate é com papel azul, para a tiara.

cinderela de sucata

Cinderela de Sucata

Forre o colo com papel branco.

Faça o babado grande em 2 folhas de papel azul ou pintado. Cole a primeira saia. Cole a segunda saia alternando o babado e fazendo o arremate atrás.

cinderela de sucata

O terceiro papel, corte ao meio. Faça babados menores. Cole o primeiro para cima e o segundo alternando e fazendo o arremate. Curve todos os babados para fora.

Faça o acabamento com a fita azul na cintura.

Faça os braços de papel cartão, coloridos com hidrocor. Faça o rostinho com hidrocor.

Cinderela de sucata

Coloque um palito de cada lado da bola e fixe na boca da garrafa com a fita crepe.

Cole miçangas na tiara (essa é a parte em que as crianças mais curtem). Duas para os brincos. E um colar como acabamento no pescoço.

Cinderela com garrafa pet

Dica: escolha uma bola de isopor maior do que a que eu escolhi, para a boneca ficar mais proporcional.

Minha pimpolha foi uma das primeiras a entregar na escola. No dia da feira, fiquei contente com mais outra Cinderela, uma Aurora e uma Bela usando a mesma “técnica” kkkkk!!

Mas o mais engraçado foi a plaquinha em cada personagem, com o que cada criança aprendeu com ele. Na Cinderela da minha filha, ela escreveu: “Aprendi com Cinderela que devemos amar as irmãs.”

#AMO

irmãs de Cinderela sorrindo

Veja também:

Verdades

Uns peixes, um coelho e uma mula

O que aprendi sobre… semana de prova

O curso mais interessante do mundo

O que aprendi sobre… semana de prova

criança fazendo o dever de casa

Foto: hvaldez Stock Xchng

Então aqueles bebezinhos que mamavam e dormiam de repente começam a andar, a trazer dever de casa e a ter semana de prova. Então você tenta se lembrar de como era quando você estava na escola, tenta reproduzir o que na época dava certo (e evitar o que dava errado) nesse novo empreendimento. Então descobre que algumas coisas funcionam – e outras, não.

Semana de prova começa com dever de casa. Este post também poderia se chamar “O que aprendi sobre… dever de casa”. E é por aí que vamos começar.

O que aprendi com meus pais

Somos cinco irmãos. Todos nós fazíamos o dever de casa e estudávamos sozinhos. E isso se devia a algumas “técnicas” aplicadas pelos meus pais.

Não havia “ajuda”. Quando eu tinha dúvidas, meus pais diziam: “Ah, eu estudei isso há muito tempo, não lembro mais”. Tinha hora que ficávamos estupefatos. Minha mãe tinha sido professora primária por anos, dessas que ganhavam medalha. Meu pai era diretor de um banco. Uma duvidinha besta, uma conta de divisão, eles não conseguiam lembrar? Uma vez, a gente até se confidenciou: “Não é por nada, não, mas nossos pais são bem burrinhos, né?” De “burrinhos” não tinham nada. Qual o efeito disso? Eu sabia que não teria suporte em casa, então me esforçava para prestar MUITA atenção na aula e tirar as dúvidas com o professor. Lição número 1 de autonomia.

Não havia “correção”. Se o dever fosse corrigido em casa, como o professor iria saber se a criança estava tendo dificuldades, e quais eram? Como ele iria direcionar a matéria, dedicar melhor a alguns pontos? Para ele, com o dever sempre certo, seria sinal de um aluno prodígio.

mafalda e manolito na escola

Criação: Quino

O professor é a autoridade. Se os pais não confiam nele, devem alertar a escola. Se não confiam na escola, o melhor é… mudar de escola. O que não dá é criar um cabo de guerra entre os pais e quem está ensinando. No mínimo, isso cria um nó na cabeça da criança.

Botar para “pensar” no cantinho? Tá por fora. O negócio é aprender no cantinho. Quando tinha que deixar a gente “de castigo”, meu pai dava uma tarefa pra cumprir. Tipo copiar verbete de enciclopédia (à mão, óbvio, não existia Google – aliás, não existia PC), ou escrever de 1 a 100 em algarismos romanos. Cantinho educativo.

Tira do Calvin
O que aprendi hoje

A técnica número 1, a de sonegar ajuda, não é totalmente aplicável, hoje. No meu tempo, não tinha exercício cujo enunciado era: “com a ajuda da família”, “com a ajuda de um adulto”, acompanhado de missões que a criança nunca faria sozinha. Por exemplo: “Com a ajuda da família, faça uma maquete.” Um elasmossauro de sucata, um monumento de Brasília. Ou, como já postei, um aquário, um coelho, uma mula.

pai observando o filho fazer o dever de casa

Foto: Halton Parents

Eu procuro discernir. Aqueles deveres de procurar imagens ou palavras em revistas para formar frases, ou ainda “rótulos de embalagem com a letra do seu nome” são cruéis. Se a gente não ajudar, a criança fica até meia-noite procurando. Eu localizo uma página que tenha a figura ou a palavra e pergunto: onde está? Daí por diante, eles acham, recortam, colam e fazem as frases. E o objetivo do exercício é alcançado.

Pesquisa na internet: como uma criança de 4 anos vai fazer isso? Dependendo do tema, é impossível. Uma vez, veio: “pesquisar como eram os currículos escolares na década de 1910”. Sério. Experimente você, que é rato de Google, achar isso. Depois de horas, eu achei em um arquivo de “memória oral” de idosos que estudaram em uma escola no interior de São Paulo.

Importante: em hipótese nenhuma, a gente deve fazer o dever pela criança. A gente orienta, inicia o estímulo, mas o dever é dela.

A técnica número 2, a de não corrigir, é a mais árdua. Para mim, que trabalhei anos e anos com revisão de texto, encontrar uma redação cheia de erros de ortografia dói no coração. Quando eu não aguento, circulo a palavra errada e pergunto: onde está o erro? O drama reside em três pontos:

  1. Diferentemente do professor, eu não tive aula de didática, não tenho formação pedagógica, não domino a técnica de ensinar da melhor forma, não sou profissional de ensino. Menos ainda quando entram as teorias de que “a criança tem que construir o próprio conhecimento.”
  2. Ensinar é se lembrar de como era antes de aprendermos, já disse Richard Saul Wurman (no livro “Ansiedade de Informação” – SENSACIONAL). Não é fácil. O pior é quando nós aprendemos de um jeito fácil e simplesmente não sabemos onde está a dificuldade. Fui alfabetizada do jeito tradicional, e não por “escrita espontânea”, e até hoje não vi muita lógica nisso de aprender a escrever antes de aprender a ler. Mas eu tenho que confiar no professor…
  3. Sou mãe. Tem coisa que meus filhos vão fazer comigo (por exemplo testar minha paciência, ou fazer chantagem emocional) que não fazem com os professores. É um relacionamento diferente.

E aí eu me deparo com “pérolas” como estas (diálogos reais):

– P com A é…

– …

– Se P com E é pe, P com I é pi, P com O é po, P com U é pu, P com A é…

– TE!!!!

***

– O que é um pinguim?

– Um mamífero!!!

***

– Por que surgiram os conflitos entre os colonizadores e os nativos?

– Porque os índios já tinham muitos espelhos.

***
keep calm and do your homework
Acho o ó:

Pirações, como recortar milhares de notinhas e moedinhas de papel.

Pedir coisas esdrúxulas de um dia para outro, que você precisa achar um tempo na agenda e ir a uma loja específica para comprar, como sementes de árvores típicas.

Pedir garrafa pet de refrigerante pra fazer reciclagem. Aqui em casa a gente não toma refrigerante, oras bolas.

Enviar trocentas tarefas em feriadão ou nas férias. Momento de família, puxa, muitas vezes a gente escapole da cidade e viaja. Meus filhos já tiveram que fazer dever no hotel.

Às dicas dos meus pais, acrescento estas:

Ensinar é a melhor forma de aprender. De vez em quando, peço aos meus filhos mais velhos que ajudem o caçula. Antes que digam que sou exploradora de inocentes, saliento que eles adoram. Se sentem sábios, se sentem prestigiados. Por incrível que pareça, são pacientes. E reproduzem o que ensinamos para eles: “olha, presta atenção aqui…” (muito fófis!!)

Prestar atenção na aula é 60% do sucesso na prova. Somam-se 30% de exercício em casa e 10% de estado de espírito na hora de resolver as questões.

Ensinar a estudar – esse é o melhor investimento que podemos fazer. Para isso, as crianças precisam de espaço e tempo adequado. Mais dicas:

  • Comece “tomando prova” – fazendo perguntas para a criança, para ver se houve fixação do conteúdo lido. Crie historinhas, correlacione os assuntos: fica divertido e o que é aprendido não é esquecido nunca mais.
  • Na segunda vez, peça para que a criança faça as perguntas.
  • Da terceira vez, ela já estará estudando sozinha – e até fazendo “testes” para si mesma. Em matemática, exercício é primordial. Hoje, meus filhos criam as próprias contas, resolvem e testam o resultado fazendo operação inversa.

Ensinar a fazer prova – tem que ter malícia. Dicas:

  • Ler a prova inteira antes de começar. Muitas vezes, a própria prova já fornece algumas respostas.
  • Depois da leitura da prova, o passo seguinte é a redação e a parte subjetiva (se houver). A cabeça está mais fresca.
  • Ler cada comando no mínimo duas vezes.
  • Começar sempre pelas questões mais fáceis.
  • Revisar tudo ao final.

O que realmente importa

No meu tempo, existiam países como Iugoslávia e URSS, que hoje não existem mais. Havia um conflito chamado Guerra Fria. O Tocantins ainda não havia sido criado. As grandes revoluções da comunicação, como a internet, nem sequer eram cogitadas.

“Quando tínhamos todas as respostas, mudaram as perguntas”.

(frase recolhida de um muro de Quito-Equador por Eduardo Galeano)

Respostas têm prazo de validade. Na atual velocidade da informação, já surgem obsoletas.

O que realmente importa não é saber as respostas. É saber fazer as perguntas. Essa é a grande lição que devemos deixar para nossas crianças.

mafalda perguntando o que é filosofia

Criação: Quino

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O curso mais interessante do mundo

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Da série O que aprendi sobre…

… sono

… desfralde

… gravidez

Os segredos dos publicitários

Dia desses eu li no Facebook uma definição para alimentos saudáveis: todos os que não têm propaganda.

Os intervalos comerciais trazem realmente uma sucessão de produtos industrializados, cujos apelos se apoiam em:

  • Personalidade de Marca;
  • Design chamativo;
  • Predominância de enredos de conteúdo emocional, com associação a situações prazerosas, até mesmo fantásticas;
  • Praticidade no consumo. Exemplo: “pronto para beber”;
  • Algum elemento racional. Exemplo: “enriquecido de vitaminas”;
  • Presença constante na mídia; repetição.

A propaganda é o que garante visibilidade a esses produtos. E vai se estender em cuidadosas estratégias até ao ponto de venda, seja o supermercado ou a lanchonete.

Propaganda não é mera informação; é informação “embalada para presente”. Para encantar, convencer, persuadir. E superar a concorrência.

Os alimentos saudáveis têm todas as características para superar essa concorrência. Podemos aplicar as táticas da propaganda para dar a eles mais visibilidade.

Então, seguem alguns anúncios que gostaríamos de ver:

propaganda de banana. publicidade de alimento saudável.

Clique na imagem para ampliar

propaganda de água de coco. publicidade de alimento saudável

Clique na imagem para ampliar

anúncio publicitário de palitos de cenoura

Clique na imagem para ampliar

Nos Estados Unidos, a simples reorganização dos refeitórios gerou resultados impressionantes. O que foi feito?

  • Cartazes e banners com fotos maravilhosas de alimentos saudáveis logo na entrada;
  • Mesas com buffet permanente de frutas cortadinhas;
  • Frutas e legumes em bandejas separadas por cor, apresentados bem suculentos;
  • Refrigerantes, frituras, guloseimas fora do alcance dos olhos e da mão – todos escondidos atrás do balcão. Se a criança quiser, vai ter que pedir.
refeitório escolar

Foto: Larry Fisher

Podemos tomar emprestadas essas ideias e testar em casa. Os “garotos-propaganda” não poderiam ser melhores: nós, os pais. Saborear essas delícias em família é o melhor exemplo…

A propaganda é inteiramente fundamentada na marca. Todos os outros apelos são para enaltecer a assinatura, a marca. Podemos convidar as crianças a pensar em nomes, slogans e enredos divertidos para os alimentos.

Os mestres de redação publicitária são taxativos para que os trocadilhos sejam banidos para todo o sempre; mas estes são tão engraçados que a gente abre uma exceção…

Para a criançada que curte super-heróis:

(Campanha completa)

anúncio publicitário de uvas Hortifruti

anúncio publicitário laranja verde Hortifruti

anúncio publicitário He manga Hortifruti

Anúncio publicitário Mulher Marervilha Hortifruti

Para quem gosta de cinema:

(Campanha completa)

anúncio publicitário A incrível Rúcula Hortifruti

anúncio publicitário Hortaliça rebelde. Hortifruti

anúncio publicitário dois milhos de francisco. Hortifruti

batatas do caribe

anúncio publicitário Pepino Maluquinho Hortifruti

anúncio publicitário chuchurek hortifruti

anúncio publicitário e o coentro levou... hortifrutiPara quem adora música:

(Campanha completa)

anúncio publicitário couve garota de ipanema Hortifruti

anúncio publicitário eu uso brócolis Hortifruti

anúncio publicitário like a vagem hortifruti

Para exercitar a imaginação e encontrar formas semelhantes (como nas nuvens!):

(Campanha completa)

anúncio de gengibre Hortifruti

anúncio publicitário beterraba hortifruti

anúncio de tangerina Hortifruti

Para quem lê revista de fofoca:

(Campanha completa)

Revista Cascas Hortifruti

anúncio publicitário Revista Cascas alho hortifruti

Para os antenados em moda:

(Campanha completa)

Publicidade. A moda é usar roxo Hortifruti

A moda é usar verde anúncio da Hortifruti

Esta é importada (Diana Ross):

Na pesquisa, ainda encontrei perdido um anúncio de frutas brasileiras. Mas só foi veiculado no exterior. Apex, vamos divulgar no Brasil também…

campanha para promoção de frutas brasileiras no exterior

Um tiquinho de contrapropaganda:

Pense fora da caixinha. Salada de frutas Hortifruti

A diferença entre a publicidade e a realidade (rs!)

(post completo)

diferença entre foto da embalagem e a realidade

Nossa, agora vou ali na cozinha comer uns palitos de cenoura com água de coco… De sobremesa, uma banana amassadinha, hmmmmmmm! ^^,

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Veja também:

Brinquedos que gostaríamos de ver

Verdades

O que aprendi sobre… desfralde

Bebê usando fralda com gráfico

Por ocasião do desfralde dos pimpolhos, recebi várias dicas da família (mamãe, irmã, cunhada), que funcionaram para mim. A lista foi originalmente publicada no grupo “Desfralde” da Rede Mulher e Mãe.

Qual o melhor momento para o desfralde?

  • Não existe regra. Cada criança tem seu ritmo. Dois anos e meio é uma idade boa para começar, se a criança demonstrar vontade de desfraldar;
  • No inverno, como as crianças suam menos, tendem a fazer mais xixi. A época bacana pra desfraldar é o verão (no calor);
  • Crianças aprendem muito por imitação, e nem sempre os pais ficam à vontade para fazer da ida ao banheiro um evento público. Se ela tiver irmãos mais velhos ou estiver na escolinha, assistir a outras crianças fazerem o mesmo ajuda muito. Outra opção é usar brinquedos – ursinho, boneca, soldadinho…
  • Envolva ao máximo a criança no processo. Explique tudo, convide-a para ir à loja escolher as cuequinhas e calcinhas;
  • Não subestime a quantidade de calcinhas / cuequinhas que eles sujam no início. Compre mais de 1 dúzia;
  • O aspecto emocional é importantíssimo no desfralde. Evite iniciar o processo quando a criança está enfrentando outros desafios, como nascimento do irmão, volta da mamãe ao trabalho, adaptação na escola, alguma doença ou desarmonia em casa;

bye bye fraldas com Piggy muppets

Os apetrechos

  • No início, até comprei peniquinho colorido, desses que toca música. Mas não achei muito prático. Tinha que esvaziar no vaso sanitário e depois proceder à limpeza completa para não deixar mau cheiro. Preferi um assento adaptador, que usaram por muito tempo, até ficarem mais seguros;
  • Se optar por um adaptador, observe se ele está bem preso ao vaso. Se ele ficar frouxo, pode causar acidentes;
redutor para vaso sanitário

Gosto desse, que acopla no assento

  • Até hoje eu acho o Ó do Borogodó levar meus filhos aos banheiros públicos. Uma ótima sugestão é comprar protetores descartáveis de plástico para forrar o assento (aprendi com as Motherns);
  • Aproveito para fazer o apelo de órgãos públicos e empresas incluírem, em seus projetos arquitetônicos, o WC de família. Pai passeando com a filha: em que WC ele entra, oras bolas?
protetor de assento de vaso sanitário descartável

Protetor de assento

As “escapadas”

  • Xixi e cocô escapam, mesmo. Isso é natural;
  • Lembre-se de que a criança NUNCA teve necessidade de avisar ou de segurar para fazer no banheiro, uma vez que até agora ela usava fraldas. Tudo é novo para ela, e é necessário ter paciência;
  • Compre dois plásticos (desses de forrar livro), mais ou menos com 80x80cm. Quando eles estiverem no sofá / tapete / na cadeirinha do carro, forre com um dos plásticos e ponha por cima uma fralda de pano (para não escorrer). Ajuda muito na hora de limpar quando o xixi ou cocô “escapole” e evita molhar o sofá / tapete / o carro etc…;
  • Em casa, não é necessária superprodução, dá para nos primeiros dias a criança ficar só de calcinha ou cuequinha (menos roupa para lavar);
  • Criança que se entretém na brincadeira se esquece de ir ao banheiro. Ou fica segurando. Cuidado com isso, pode causar problemas sérios como prisão de ventre ou infecção urinária, e o desfralde pode ficar mais complicado;

criança usando o vaso sanitário

O desfralde noturno

  • Tire primeiro a fralda do dia; somente depois de totalmente controlado, comece a tirar a fralda da noite. Um bom indício é a fralda amanhecer sequinha;
  • Para tirar a fralda da noite, lembre-se de no início oferecer o último líquido para a criança 1 hora antes de dormir; leve ao banheiro antes de deitar; se for o caso, acorde de madrugada para levá-la, mesmo que esteja dormindo;
  • Eu também usava um plástico em tamanho maior para forrar a cama, por baixo do lençol. É fácil para limpar: apenas tirar o excesso, passar Veja e depois Álcool para evaporar. O protetor de colchão é mais um item para lavar, demora para secar e, mesmo que vc tenha mais de um, pode acontecer de a criança fazer xixi mais de uma vez na mesma noite;

bebê lendo livro sentado no vaso sanitário

As Dicas de Ouro

  • Uma vez iniciado o desfralde, RESISTA À TENTAÇÃO DE VOLTAR ATRÁS. Interromper toda hora faz com que a criança não aprenda e se sinta insegura;
  • Não compare. Um dos meus filhos levou 15 dias; o outro, apenas 3; e a outra… 3 meses.

Boa sorte!

=)

mãe vem me limpar

Esse “ritual” vai até os seis anos…Criação: Laerte

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A cidade dos cocôs

Do travesseiro ao copinho de boneca: breve história da menstruação

O que aprendi sobre… sono

O que aprendi sobre… gravidez

Conselhos que amei

Ouvindo os filhos

gato com a pata na orelha

Meu irmão me deu de presente de Natal o livro “Melhores pais, melhores filhos”, de Angela Cota e J. Augusto Mendonça, psicólogos clínicos com mais de 30 anos de experiência no atendimento a famílias.

Gostei muito do livro. Ele não traz fórmulas prontas (até porque elas não existem), mas apresentam um “caminho especial e possível: o do coração”.

Em um dos capítulos, os autores falam sobre a importância de ouvir nossos filhos. Isso traz um resultado enorme na correção de comportamentos, desde que a criança perceba que realmente foi ouvida. Experimente repetir e confirmar o que ela disse, para compreender o que ela sente, antes de dizer o que pode ser feito.

Os autores relatam esse diálogo tocante:

Um exemplo de confirmação aconteceu quando meu filho tinha cinco anos. Nesse dia, quando eu disse que já estava tarde e que era hora de ir para a cama dormir, ele me disse:

– Não quero dormir. Não vou dormir.

Então eu confirmei:

– Eu escutei que você não quer dormir, que não vai dormir.

– Eu nunca mais vou dormir. Eu não quero dormir nunca mais.

– Você disse que nunca mais vai dormir, que não quer dormir nunca mais.

– Eu não quero dormir porque se a gente dorme a gente morre.

– Eu escutei você dizer que não quer dormir porque se a gente dorme a gente morre.

– O João não foi à escola hoje e a Tia Márcia disse que foi porque o irmãozinho bebê dele dormiu e de manhã estava morto.

– Eu escutei que você disse que não quer dormir porque se a gente dorme a gente morre, mas isso que aconteceu com o irmãozinho do João se chama “morte súbita no berço” e acontece muito raramente, com criança de até seis meses de idade. O bebê não sabe se mexer, se levantar, tem problema para respirar e então morre. Você já está maior, já tem cinco anos, sabe se mexer bem, virar de lado, levantar. Isso não vai acontecer com você. Você pode dormir assim como a mamãe, o papai e seus dois irmãos, sem se preocupar.

Esse é um exemplo interessante porque mostra uma maneira bastante saudável de descobrir por que a criança não quer algo, sem passar por cima do que ela acredita, sem forçá-la a fazer uma coisa que ela está com medo de fazer. Além disso, depois de confirmar e descobrir o porquê da criança não dormir, foi possível orientá-la, ensinando o que ela desconhece.

(COTA, Angela & MENDONÇA, J. Augusto. “Melhores pais, melhores filhos”. Belo Horizonte: Diamante, 2012. Pp 117-118).

Gente, eu tenho feito aqui em casa. É impressionante.

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A linguagem secreta da birra: o que é preciso saber

Feche a boca e abra os braços

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Você está esperando seu filho há muito mais que nove meses

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As coisas não acontecem como a gente quer

100º post, 1 ano de blog

O que aprendi sobre… sono

Vou começar a série “O que aprendi sobre…” por um pedido muito especial das minhas amigas. Digo isso porque relutei a escrevê-la. Por acreditar que não existem receitas, que cada família tem seu próprio arranjo. Mas elas me advertiram que isso não era motivo para deixar de compartilhar experiências. Então, inicio com um tema sensível: o sono das crianças.

Para dormir a noite toda, todas as noites

Eu AMO dormir. Como já disse em outros posts, sou aficionada por sonhos. São fontes seguras de soluções, de informações sobre mim, sobre o que me cerca. De jeito nenhum considero dormir uma coisa improdutiva, muito pelo contrário. Então, eu amo dormir, é um momento sagrado e quero conservá-lo.

A vida toda foi assim. Não tenho problemas para dormir. Fico consternada quando vejo batalhões de pessoas em todo o mundo com casos tão sérios, precisando de remédios. Mas o que mais me impressiona é ver como agora isso atinge também as crianças. “Dormir como uma criança” é um dito popular que está perdendo o sentido.

Minhas mais remotas lembranças mostram a hora de dormir como algo absolutamente pacífico na minha família. Essa é uma herança da qual nunca vou abrir mão. Tenho três crianças completamente diferentes entre si, mas com algo em comum: o sono tranquilo.

Isso não é fruto de genética. Há um pouco de técnica, sim. Mas existe um componente muito mais importante: a DECISÃO. E é esse aspecto que quero enfatizar.

As decisões têm que ser amparadas por informação, que obtive do meu sábio pediatra:

  1. A criança PRECISA dormir. Isso é crucial para qualquer ser-humano. Não à toa, Nuno Cobra, autor do best-seller “A Semente da Vitória”, coloca o sono como o mais indispensável aspecto para a saúde. Sem sono de qualidade, todos os outros aspectos perdem poder.
  2. Há conexões cerebrais preciosas que só se formam na infância, e durante o sono.
  3. Os hormônios do crescimento têm seu pico no corpo da criança entre 20h e 22h. O início do sono deve abranger esse pico, por isso é importante dormir cedo.
  4. A “Crise dos 8 meses” é verdadeira. Mais ou menos nessa idade, a criança toma consciência que é um ser separado da mãe. Quando a mãe não está presente, ela imagina que isso é para sempre.
  5. A partir dos 8 meses, o sono faz parte de um aprendizado. Não é natural, tem que ser ensinado.
  6. Crianças gostam da rotina porque se sentem seguras, ao conseguir antecipar cada próximo passo.
  7. Dia tranquilo, noite tranquila. O maior mito que existe é agitar a criança de dia, sem deixá-la cochilar, na esperança de ela possa “capotar” de noite. É justamente o contrário, ela vai ficar excitada e acordar às prestações por toda a madrugada.

 O aconchego do quarto

Cochilos de dia

  1. As janelas estão abertas, a rotina da casa se mantém. Mas, para não interromper o sono com algum barulho alto e súbito, eu acionava um “som rosa”. Trata-se de um som frequente e baixo, uma onda sonora que anula as ondas externas. O mesmo que é usado na engenharia dos aviões. Para mim, um ventilador virado para a parede, no canto oposto ao do berço.
  2. Porta fechada, babá eletrônica ligada. Quando acordavam, ficavam ronronando no berço. Deixava-os curtirem esse momento.
  3. Se a criança dorme serenamente de dia e acorda alegrinha, NÃO HÁ POR QUE isso não se repetir à noite.
  4. O berço tem que ser o lugar mais gostoso do mundo, mas é para dormir. Não é lugar de brincar. A criança só deve estar no berço quando estiver dormindo e um pouquinho a mais para espreguiçar (e ronronar, como disse antes). Isso cria uma programação positiva em sua cabecinha.
  5. Depois das 17h, nada de cochilo.

O sono noturno

  1. Rituais, quanto já não se ouviu falar deles? Importantíssimos. Diminua as luzes e o som da casa. Dê um banho, coloque o pijaminha, cante, ponha uma música suave.
  2. Use o blecaute ou as venezianas, para escurecer o quarto e prolongar o sono da manhã. Ao contrário, acordarão ao primeiro sinal de claridade.
  3. Mantenha uma luz de referência. Use uma luz azul no abajur (somente nos dias em que perceber mais agitação). Verde para os demais dias.
  4. Use uma fralda que absorva a umidade por toda a noite.
  5. A criança não pode adormecer em um lugar e acordar em outro. Além disso, o berço tem que estar EXATAMENTE do mesmo jeito todos os dias. Se a criança acordar no meio da noite em um local diferente, é lógico que ela vai estranhar. A gente, que é adulta, estranha! Eu mesma, de vez em quando, fico meio desnorteada em quarto de hotel.
  6. Crie um incentivo para o berço à noite. Meu caçula tinha um coelhinho de pano que só entregávamos a ele na hora de dormir, no berço. Ele adorava, e o coelhinho era uma companhia constante, que lhe dava segurança.
  7. Os rituais são essenciais, mas não crie muitos artifícios para que seu filho durma. Se ele ficar dependente de coisas que não consegue reproduzir sozinho para conseguir pegar no sono, você vai precisar repeti-los a cada vez que ele acordar. Isso inclui dar corda em móbile e a famosa voltinha de carro. Pense bem se você está a fim de fazer isso toda noite. Não tente resolver um problema criando outro mais complicado. Permitir que a própria criança crie formas de “autoaconchego” é fundamental.

Situações especiais

  • Bebês de até 6 meses, em amamentação exclusiva;
  • Dentinho nascendo;
  • Reação de vacina;
  • Qualquer dor ou doença;
  • Distúrbios do sono: apneia, terror noturno, sonambulismo;
  • Novidade grande em casa.

Em NENHUM desses casos, você deve esperar que seu filho durma a noite toda. Não se iluda para não se frustrar.

Por que a criança chora?

Se dormir é uma delícia, por que então a criança chora? Esse é o grande nó que tomou conta das famílias.

Se não for nenhuma situação especial descrita acima, vamos tentar desatar esse nó. Você já se fez alguma das perguntas abaixo?

Meu bebê dormia direitinho, de repente começou a acordar de hora em hora, por quê?

Por causa da “Crise dos 8 meses”. Brincadeiras como “achou” e ioiô vão mostrando para ele que, quando os pais não estão em seu campo de visão, não quer dizer que eles desapareceram para sempre.

Não ponha em cheque a confiança que seu filho deposita em você. Evite sair na surdina, não minta. Explique com clareza, sem tensão, e despeça-se.

Vi uma dica incrível em uma antiga revista Crescer, de 2001, da leitora Cláudia Barreto, mãe da Marina. Ela orientou a babá a ir para o parquinho com a criança antes que ela saísse para o trabalho. Então, era a Marina quem dava “tchau”. A filha passou a entender que, do mesmo jeito que ela própria, a mãe também voltaria para casa. A separação se transformou em um momento positivo e sem dor. Isso é perfeitamente aplicável na hora de dormir. Pode-se criar a situação para que A CRIANÇA dê “boa noite”.

Por que ele só dorme depois das 23h?

Observe se a noite é o único horário que você tem com o seu filho, porque ele não vai querer perder nenhum segundo da sua companhia.

Por que o bebê simplesmente não fecha os olhos e dorme?

A criança quando está com sono fica irreconhecível. Nada agrada, ela fica irritadiça e chora sem motivo. Ela LUTA contra o sono. Seria tão fácil simplesmente se render a ele, não?

É que o sono pressupõe entrega. É uma sensação de perda de controle e pode assustar. E é o adulto que deve mostrar à criança que não há o que temer, que é algo prazeroso e necessário. Se existe tensão na hora de dormir, esse aprendizado não vai ocorrer nunca.

E é aí que entra o seu poder de decisão.

Se eu quero que meus filhos durmam às 20h, por conta dos hormônios do crescimento, devo estar consciente que eles vão dormir cedo para ACORDAR cedo. Entre 6h e 7h da manhã, para ser mais exata.

Se eu quero que eles adormeçam e saibam retomar o sono caso acordem no meio da noite, devo dá-los a chance de aprender a fazer isso. Se, a qualquer resmunguinho, eu apareço esbaforida no quarto e tiro do berço, qual é a mensagem que estou passando? Que o berço é um lugar execrável e tenebroso, e que eu sou a única a “resgatá-lo” e “salvá-lo” desse tormento. Caso a criança chore, procure atender com tranquilidade.

Eu costumava repetir igual a um mantra: “Ah, que delícia seu quartinho, seu bercinho fofinho e quentinho; você agora vai descansar, dormir um soninho gostoooooooso até amanhã de manhã, que vai ser um dia lindo. Tá tudo bem. Dorme com os anjinhos.”

Entendo o princípio que prega “o que é mais importante para a criança”. Afinal, ela é indefesa, dependente em tudo. Mas prefiro “o que é mais importante para a família”. A família é um sistema. E a criança faz parte dele. A família estando bem, consequentemente a criança estará bem.

Nesse raciocínio, prezo totalmente a intimidade do meu casamento. E não vejo o desfrutar de momentos exclusivos como algo que possa ser prejudicial para minha família.

É recompensador ser “insubstituível” para o filho. Tentador, até. Mas um grande risco é a potencialização de algo que começa natural (a dependência da mãe por parte do filho), e a criança passa a ser “ensinada” a sentir falta da mãe, e só dela.

Se eu quero que meus filhos possam ir para suas caminhas na hora em que estão com sono e durmam sossegados, eles têm que sentir autoconfiança e perceber que não há motivo para chorar. Se pararmos para pensar, muitas serão as situações de insegurança que eles vão enfrentar. Pode ser ficar na cadeirinha do carro enquanto dirigimos. A adaptação na escola, o nascimento de um irmão. Uma dieta especial no caso de um distúrbio de alimentação. A chegada da adolescência. Não somos onipresentes. Reafirmando a autoconfiança dos filhos, o trajeto é menos pesado. E mais rico.

Eu tomei essas decisões e estou satisfeita com elas. Senti isso no dia em que precisei passar por uma cirurgia para retirada da vesícula, que se complicou. Por vários dias fiquei no hospital com meu marido. Meus sogros ficaram com meus filhos. E me diziam: “às oito da noite, todos já tinham ido para suas caminhas.” E assim eu também podia dormir tranquila.

E você? Que dica tem para o sono infantil?

"Dê qualquer roupinha e continue não entendendo por que ele chora a noite toda". Ah, se tudo fosse só uma questão de roupinha...

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Veja também:

O que aprendi sobre…

a linguagem secreta da birra

viagens com crianças

A Linguagem Secreta da Birra

Sites visitados:

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Tenho visto diversos livros e artigos que se dedicam a ensinar os pais a reconhecer, combater e até mesmo a prevenir a birra infantil. O objetivo máximo é evitar que esse comportamento se prolongue, intensifique, repita ou se torne uma constante. Muito do que li, entretanto, foca a birra do ponto de vista dos pais, em busca de algo que aplaque o alto poder irritante que ela tem sobre os adultos. Este post procura revelar a birra pela perspectiva da criança – a linguagem secreta dessa prática. E fala da importância de desenvolver a maturidade emocional: para filhos e também para mães e pais.

Para lidar com a birra, em primeiro lugar, a gente tem que afastar as possibilidades universais que estressam uma criança. São elas, segundo as Motherns:

  • TPS: Tensão Pré-Soninho;
  • TPA: Tensão Pré-Almoço;
  • TPD: Tensão Pré-Dentinho.

(CORRÊA, Laura Guimarães & OLIVEIRA, Juliana Sampaio. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005)

 As Motherns também mencionam a “Verdade”: a de que todas as crianças choram. Em algumas vezes, só por vontade de dar uma chorada básica, mesmo. Sem razão. E sem neura, é bom extravasar, normal até para os adultos.

Vamos lembrar ainda que a criança tem o “prazo de validade de alegria”. Não insista em compras quilométricas em supermercados, visitas intermináveis ou outro programa típico de adulto quando sentir que esse prazo está findando.

Outra possibilidade é a criança ficar doentinha e, por isso, mais sensível e manhosa.

Esses casos tem origem certa e geralmente se resolvem com a supressão das tensões. Vamos então aos casos mais complicados.

Muitas vezes, nossos filhos estão assim:

Claudia Bebê n523B

Pais & Filhos 394

 

Guia da Mamãe 3

 
 

Crescer 98

 
 

Meu Nenê n85

Mas, muitas vezes, eles também estarão assim:

Família Bico. Montagem de Marusia com foto de Duchessa / Stock Xchng

Guia da Manha. Montagem de Marusia com foto de GerryT / Flickr

Meu Auê. Montagem de Marusia

Pitis & Pirraças. Montagem de Marusia com foto de Capture Queen / Flickr

Em um post só não iria caber tudo, então fiz uma série (cada item é um link)

  1. ACESSO DE RAIVA – Sobre esse eu já tinha escrito: Seu filho como você sempre sonhou
  2. TEIMOSIA
  3. FASTIO
  4. NECESSIDADE DE PALCO
  5. ATENÇÃO NEGATIVA
  6. O que é importante saber

P.S.: Essa sequência de posts foi escrita para todo mundo que se identifica, mas tendo em mente um destinatário em particular: eu mesma. (VIU, MARUSIA???)

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

Há quem atribua a chegada aos 2, 3 anos, como a “adolescência” do bebê. Então aquele neném fofinho de repente começa a questionar os pais por tudo: é fase do “Por quê?” e do “Não.”

Quando uma criança diz NÃO, principalmente em resposta a alguma instrução (“Guarde seus brinquedos”, “calce o sapato” etc), ela está imitando os adultos. Ela não tem a noção completa de que os pais dizem NÃO para impor limites. Para ela, é simplesmente o impedimento de algo que ela gostaria de fazer, e é essa recíproca que ela quer infligir aos pais.

Quando a gente explica com carinho, eles aprendem (e imitam) direitinho (aaaaawn, que foooooofa!!!):

O QUE FAZER?

Consiga a cooperação, ou seja, trabalhe junto. Se a criança diz NÃO como um treinamento para ser adulto, dê a ela o “gostinho” de tomar decisões pequenas, enquanto você toma as decisões importantes (que incluem as situações de risco).

Há quem leve muito a sério essa coisa de interpretar a linguagem das crianças. Quer testar?

Quando começa a crescer, a motivação para a teimosia ganha outras nuances. Nessa hora, é interessante lembrar o que nos fazia teimar com nossos pais. Trata-se de um jogo sutil onde o PRAZER que a criança sente ao fazer algo indevido é MAIOR que o MEDO da repreensão.

O QUE FAZER?

Não fique dizendo NÃO para tudo, até para não “gastar”, sob o risco de não ser levado a sério quando o caso for mais grave.

Pirraça e crise de riso dão uma raiva danada, a gente se sente com cara de palhaço. Mas se não for nada que machuque (em todos os sentidos), é só coisa de criança e não precisa virar um cavalo de batalha.

Nem os adultos, no meio de um trabalho sério, na frente do chefe e de toda a equipe, sendo acompanhados ao vivo por milhares de pessoas, conseguem se segurar! o que dizer das crianças??

A partir dos 8 anos e na adolescência propriamente dita, vem o desejo de autoafirmação. O jovem quer se diferenciar dos pais, quer ter vontade própria. Isso significa que QUALQUER coisa que os pais digam ou proponham será negada. Nem adianta perder tempo mostrando que não faz sentido. Faz parte.

O QUE FAZER?

Lógico que, no momento da birra, a primeira coisa que nos vem à cabeça como pais é que nossa autoridade está sendo posta em xeque, e a tendência é reagir com autoritarismo. O problema é que não funciona…

Não fique discursando. No meio de uma crise, ninguém quer ouvir nada. E, com o passar do tempo, vai se criando um mecanismo de não prestar atenção em coisa alguma. É igual ao desenho do Snoopy. Já viu como é a voz dos adultos? Plá, plá, plá… plá, plá, plá…

Ou como essa linguagem engraçadíssima:

Não seja irônico, sarcástico. Crianças aprendem com exemplos, e numa hora vão querer fazer igualzinho. E pode acreditar: dá muita raiva.

Não dissimule, não finja que está tudo bem. Não precisa perder a estribeira, mas mantenha a firmeza. Você fica ali, artificialmente calma, cheia de dengo e nhém-nhém-nhém e a criança só obedece na hora que você berra. E aí ela volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Não é que ela seja “movida a grito”, ou só faça quando você perde a paciência pra valer; na verdade, é um alívio. Primeiro, porque a criança PEDE limites (por incrível que pareça). Segundo porque, no entender dela, você não estava sendo autêntica. Ela pensa: “Puxa, minha mãe foi abduzida por um ET, mas graças a Deus, voltou. ESSA SIM é minha mãe!”

Veja também:

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Frases de Mãe

Frases de Mãe – Marusia fala

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

Site visitado: Meu filho, você não merece nada

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Chiliques são imprevisíveis. Podem acontecer a qualquer momento, e pelos motivos mais bobos (pelo menos pra gente). Mas existe um motivo difícil de perceber: o fastio. Ou seja, o tédio, quando tudo perde a graça.

Você já se sentiu como uma animadora de circo? Que tem que ficar inventando novas atrações o tempo inteiro? Que o seu filho está sempre demandando? Isso é resultado de uma geração superestimulada, que não consegue lidar com os “vazios”, que não consegue ficar sozinha.

Muito cuidado, porque a abundância de estímulos gera futuras compulsões. Em busca permanente de algo que preencha esses vazios, vêm as tentações “fáceis”: gula, consumismo, hipocondria, sexo, bebida e o pior: drogas.

Se um dia, como eu, você perguntar a seu filho: “Você tem tudo, o que falta para você????”- a resposta está implícita: “A falta da falta”. É o que preconiza a psicanálise de Lacan.

O QUE FAZER?

Dê espaço a ele. Mostre que ficar sozinho também é importante, pra gente “processar”, “digerir” os fatos da vida.

Incentive-o a criar, do nada, coisas interessantes. Não o deixe dependente de você, dos outros, do mundo.

Ensine-o a lidar com as frustrações. Demonstre apoio, mas deixe-o experimentar a falta, a tristeza, o luto.

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Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e Apareça

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

Uma criança calma, carinhosa e cooperativa de repente se torna rebelde e agressiva. Qualquer momento que os pais se aproximam, ela cria uma confusão. Parece uma estratégia burra, não é? Ela quer atenção, mas o que consegue é irritar e afastar os pais cada vez mais.

Trata-se da atenção negativa. Apesar de aparentemente ser um comportamento ilógico, isso não acontece de graça. Quando acontece alguma mudança profunda na relação familiar, que reduz a atenção que ela vinha recebendo até então, ela reage. Que mudança pode ser essa? Os pais que aos poucos retomam seu ritmo de vida, a entrada na escola e a chegada de um irmãozinho são bons exemplos.

Mamãe está tricotando isto para meu futuro irmãozinho. Meu querido irmãozinho. Meu adorado irma... (Criação: Quino)

Ao contrário do que se pensa, a criança procura sempre agradar os pais (até por instinto de sobrevivência). Então, se ela percebe que o tempo dedicado a ela está diminuindo, ela vai criar uma RAZÃO CONCRETA que justifique isso. Inconscientemente, ela diz: “Mamãe, eu vou fazer uma birra e te dar um motivo real para não ficar comigo.”

O QUE FAZER?

Não é que a criança mudou e ficou irreconhecível. Ela sempre teve essas “armas” em sua personalidade, só não precisou usá-las até então. Assim, é importante observar o fenômeno como uma REAÇÃO a algo, externo a ela e ANTERIOR a seu comportamento.

Reproduzo aqui o que disse meu pediatra:

Quando a família atravessa um momento novo, NÃO É HORA DE DISCIPLINAR. Intensifique o carinho, o toque, e em frases curtas repita os ensinamentos quantas vezes forem necessárias.

Dá um trabalhão monstro. Mas funciona.

São gestos que passam confiança e retribuem com outra linguagem secreta: “Muita coisa mudou, mas meu amor por você, não. E, mesmo que você esteja aprontando um monte, eu continuo te amando muito.”

Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

Cada criança é única, cada caso é um caso, cada momento também, e não existe dica universal e eterna. Mas uma coisa é fato: não vá VOCÊ fazer birra também…

(Engraçado pra caramba, mas, como muita coisa na vida, só funciona na propaganda…)

Não se preocupe: toda criança faz birra, é inclusive um componente importante que indica que ela está crescendo.

Não prossiga com discursos intermináveis após a crise passar. Faça o fechamento com uma frase “moral da história” e pronto. Acabou, acabou. Também não vale jogar na cara depois.

Não precisa ficar se mortificando ou se questionando, a cada birra, se a educação que você está dando é falha, #mimimi. É coisa de criança, é normal, todo mundo enfrenta isso.

Respeito sempre. Dos filhos com os pais, dos pais com os filhos, e também auto-respeito.

Mostre a seus filhos que você faz questão deles, que eles são importantes para você.

Ao começar a entender a linguagem secreta por trás da birra, você aguça sua sensibilidade para outras linguagens secretas. Surpreenda-se com declarações de amor sutis e incríveis.

Para crescer um adulto responsável, a criança deve aprender desde cedo que, a cada ato, sobrevém uma consequência.

Encare o processo todo de outro jeito: não como se estivesse “moldando” uma criaturinha para que se adapte ao “mundo civilizado”. Eduque para que ela saiba lidar com seus desafios internos, tenha maturidade para se moldar e discernimento para moldar o exterior quando necessário.

O MUNDO PRECISA DE CRIATIVIDADE.

Fico de cara nas teimosias mais bizarras, que nunca fui capaz de fazer quando criança: mas não é o que o moleque é valente?… Longe de mim querer filhos que “só sabem dizer sim”. No fim das contas, o que mais me irrita também é o que mais espero e admiro.

Veja também:

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

Decálogo dos meus desafios

Imersa em um turbilhão de pensamentos e sentimentos e tendo que administrar expectativas e cobranças, estou, aos poucos, em busca de equilíbrio. Escrever me faz bem, e o registro é importante para internalizar, compreender e só então deixar fluir. Diria que estou em processo. Resolvi organizar tudo em dez propósitos.

O que quer que eu faça com meus filhos:

1.  vou fazer sem esperar algo em troca.

Penso em minha infância. Nossa, para mim seria um fardo muito grande se meus pais contabilizassem cada gesto para cobrar a conta depois. Além disso, vou procurar observar que dar e receber são dois lados da mesmíssima moeda.

Montagem sobre charge de Piero Tonin

2. vou fazer sem esperar gratidão.

Permito-me voltar novamente e lembrar quando eu era pequena. Eu não enxergava o que meus pais faziam por mim como algo que eu devesse expressar continuamente minha gratidão. Não porque eu era ingrata ou incapaz de dar o reconhecimento que eles mereciam. É apenas um traço típico da infância. Crianças têm um mecanismo interno de proteção psíquica que as torna propícias a receber cuidados sem se sentirem em eterno débito. Em outras palavras, tudo o que os pais fazem, na cabecinha delas, é absolutamente natural.

“Suportar a dependência é uma capacidade própria da infância.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011 P250)

Gratidão, portanto, é uma coisa que devemos adquirir à medida que crescemos e ficamos autônomos. Para que as crianças aprendam, é importante os pais darem o exemplo: nem sempre nos lembramos de agradecer nossos filhos.

3. vou fazer sem pensar no que os outros vão achar.

O dia-a-dia da maternidade já é bastante complexo para ficarmos tentando “agradar à plateia”.

“Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.” (Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha)

4. não vou fazer só porque os outros estão fazendo.

Cada criança é um indivíduo, cada família tem sua realidade. Não é porque todo mundo está fazendo que é a atitude mais adequada para meu caso. E, para alcançar esse discernimento, devemos observar e ficar sensíveis ao que se passa em nossa casa.

Cada vez que almejamos o lugar do outro, deixamos nosso lugar vazio.

5. não vou fazer somente por obrigação.

Se não houver prazer, a maternidade pode se tornar um peso insuportável. Estou atrás de mais espontaneidade.

Montagem sobre charge de Amâncio

6. não vou fazer por medo.

O medo é uma emoção perigosa. Não é a mesma coisa de ter prudência ou precaução. É um sentimento que paralisa. Está na raiz de toda emoção negativa: ciúme é medo de perder; inveja é medo de fracassar; e assim por diante.

“Ei, Medo! Eu não te escuto mais! Você não me leva a nada. E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol: é pra lá que eu vou.” (Antônio Júlio Nastácia)

7. não vou fazer por culpa.

Esse propósito está no mesmo rol dos dois primeiros, tem a ver com algo que ficamos “computando”, “calculando” para compensar uma suposta ausência, uma omissão. Às vezes fazemos isso até por antecipação, prevendo uma falta futura e já amealhando “créditos”. Culpa é um sentimento torturante, melhor substituir por uma responsabilidade sadia, sem “cálculos”.

8. vou fazer sem raiva.

É muito fácil perder a paciência às vezes. Mas fazer uma coisa com raiva é certeza de arrependimento depois. Não significa “ter sangue de barata” e ficar serena e linda o tempo todo. Faço questão de assinalar para meus filhos algo que tenha me irritado: é uma questão de transparência didática, tenho esse direito. Mas meu desafio agora é procurar me acalmar antes de tomar qualquer atitude.

9. vou fazer por eles, com consciência de que também vou fazer algo pelo casamento – e algo por mim.

Um grande equívoco é cuidar das crianças achando que isso está colaborando para o casamento. Todo relacionamento merece seu próprio cuidado. Não que a criação dos filhos e a relação do casal sejam coisas concorrentes ou excludentes. Diria que são coexistentes e devem estar em harmonia, até para incluir o pai no processo. Crianças tomam um tempão da nossa atenção, mas também devemos abrir espaço para estarmos enamoradas. Ah! E um momento para cuidar de nós mesmas, claro.

"A preguiça é a mãe de todos os vícios, mas uma mãe é uma mãe e é preciso respeitá-la, pronto!" Charge de Quino

10. Pensando bem, nove propósitos é muita coisa. Vou substituir tudo por um só: Vou fazer por e com amor.

“Meu amor, minha prenda encantada

Minha eterna morada

Meu espaço sem fim

Meu amor não aceita fronteira

Como a primavera

Não escolhe jardim”

(Silvio Rodriguez)

Veja também:

Os perigos de ser uma mãe perfeita

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Lei da Palmada

Conselhos que amei

 

Foto: Anne Guedes

Sempre se fala da “chuva de palpites” a que uma grávida, mãe de primeira viagem (ou até de terceira viagem, como eu) está sujeita. De fato, em certos momentos, muitas intervenções, de fontes e conteúdos tão variados, podem acabar confundindo. Mas hoje quero falar de conselhos campeões, desses que fizeram e continuam fazendo a diferença e que faço questão de compartilhar: os conselhos que amei.De minha irmã, Maria: “Não espere a barriga crescer para passar hidratante.”

A pele tem que estar previamente preparada e hidratada, logo no comecinho da gravidez, mesmo quando a barriga ainda não apareceu. Assim, você evita que a pele fique sensível e frágil, o que pode originar estrias e manchas. A bem da verdade, a hidratação é bacana mesmo quando não estamos grávidas, é um ritual que merece ser diário.

 Da minha amiga Luciana: “O bebê suga com muita força logo na primeira mamada.”

Eu tinha uma ideia de que a amamentação não é tão simples no começo, mas pensava que isso decorresse da frequência de mamadas, e não da força de sucção e da pega do bebê. A frase de Luciana foi ótima para eu não ser pega de surpresa (com perdão do trocadilho rsrsrs)!

Da minha irmã, Maria: “Tudo passa.”

No pós-parto, quando a gente tem a sensação de que está no meio do furacão, com milhares de hormônios à flor da pele, de novas incumbências e emoções inéditas, tende a não acreditar nessa verdade. Mas, se nos permitimos aceitá-la, seu poder é libertador. Tudo passa. E passa rápido.

Da minha amiga Daniela, quando eu esperava o segundo filho: “Quando o bebê nascer, seu filho mais velho vai parecer muito grande.”

Isso é muito correto e valioso. Meu primogênito tinha somente 2 anos quando minha filha nasceu, mas pareceu um gigante perto da recém-nascida. O perigo, sabiamente alertado por Daniela, era agir como se ele já estivesse crescido e maduro. Foi ótimo, para que eu tivesse o cuidado de não exigir posturas e comportamentos para muito além da idade dele. Afinal, ele era um bebê, também, com necessidades e dengos, encarando a circunstância absolutamente nova da chegada de um irmão com quem teria que dividir a atenção dos pais.

 Do meu irmão, Jr: “Criança tem prazo de validade de alegria.”

Ficar atento a esse sábio conselho é evitar muita chateação. Quando o “prazo de validade de alegria” de uma criança se esgota, é sinal de que está na hora de voltar para casa e descansar. Insistir é arcar com as consequências de uma criança irritada, que vai fazer de tudo para tirar a gente do sério, e aí o passeio já perde o sentido. É importante lembrar que, ao levar uma criança para um “esquema de adulto”, sem atividades que a incluam e divirtam, o “prazo de validade” dela fica mais curto. Isso explica em parte as birras em supermercados e shopping-centers.

Do pediatra das crianças (que foi meu pediatra): “Toque seus filhos.”

Fala-se tanto em shantalla, massagem no banho, necessidade de colo, de contato pele-a-pele com os bebês. Basta a criança começar a crescer para o carinho rarear. Pois isso não é só com os bebês, não! Crianças de 8, 9, anos, adolescentes, mesmo os adultos precisam de abraço, do calor do toque dos pais. Chega a ter poder terapêutico, profilático, de cura mesmo.

 Da minha mãe: “Se quiser, você pode manter suas atividades, pode trabalhar fora. Mas é muito importante estar em casa na hora de colocar seus filhos para dormir.”

A hora de dormir realmente é sagrada e tem uma representação diferente na cabeça das crianças, de aconchego, de acolhimento. Vale a pena experimentar.

E você? Tem um conselho campeão?

Veja também:

This post in English: Advice I love

Saúde infantil

O post “Saúde é coisa séria” fala sobre a importância do diagnóstico médico quando as crianças adoecem.

Mas o que fazer quando até mesmo os médicos se veem diante de um desafio? Nesse caso, família, amigos, especialistas se unem em prol de um valioso objetivo: apoiar outras pessoas com o mesmo problema, seja estudando uma doença em busca da cura, seja oferecendo carinho.

A seguir, estão os sites de organizações, institutos, associações de gente disposta a ajudar, promovendo a saúde das crianças e o bem-estar de suas famílias. Se você conhecer outras entidades que tratem especificamente da saúde infantil, deixe um comentário para que eu possa incluí-las.

 Doenças

Deficiências

Síndromes

Transtornos

Para dar alegria e conforto

  • Instituto Abrace – amparo e conforto aos pais de crianças internadas em UTI 
  • Doutores da Alegria – alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde 
  • Make a wish Brasil – realização dos desejos de crianças com enfermidades que colocam em risco as suas vidas 

Prevenção

  • Criança Segura – prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Cena 6 – um disco voador pousou e um ET menino entrou em minha casa

Um disco voador pousou no gramado em frente ao meu apartamento. Dele emanavam ondas de energia com minúsculas partículas de luz, um espetáculo lindo. Eu e meu marido, junto com meus pais e irmãos, assistíamos a tudo da janela da cozinha. Logo, havia uma porção de gente no local, inclusive pipoqueiro, sorveteiro e repórteres. De repente, duas luzinhas daquelas pousaram no chão e se transformaram em dois ETs, como os que aparecem em filmes (com a cabeça branca grande e dois olhos grandes). Usavam roupa de astronauta.

Uma dessas luzes entrou pela nossa janela, pousando devagar. Todos correram para a sala, exceto eu e meu marido. A luz se transformou também em um ET. Percebi que a cabeça e os grandes olhos eram apenas um capacete, e o ET na verdade tinha a aparência de um lindo menino loiro, de mais ou menos 7 anos. Comecei a lhe fazer várias perguntas e descobri que ele era um adulto. Estava muito assustado com tudo aquilo.

De repente, todos começaram a gritar na sala e a bater na porta para saber o que estava acontecendo. Ele se assustou mais e começou a chorar. Eu o abracei e disse que não tivesse medo, que não iríamos deixar nada de ruim acontecer. Então sugeri que fôssemos continuar a conversa em seu disco. Ele concordou.

Imagem: digitalFRANCE/Flickr

Estávamos nos preparando para desmaterializar quando meu marido deixou o casaco do ET cair no gramado. Eu fiquei com medo que aquilo chamasse a atenção e sugeri que os dois fossem na frente enquanto eu recuperaria o casaco. Eles foram e eu desci pelas escadas. Minha mãe foi atrás. Quando chegamos no térreo, tinham acabado de construir uma parede fechando a saída. Pensava que tinha que atravessar a parede, uma vez que precisava fazer a mesma coisa para chegar ao disco. A falta de fé era tanta que acabei desistindo. Minha mãe dizia que não havia mistério algum e mostrava como fazer. Mas eu dava a volta.

Isso aconteceu de verdade. Nos meus sonhos.

E também na vida real.

Quando viajei com meu primogênito, na época com 11 meses, foram sete dias em que ele não chorou nenhuma vez. Claro, antes que ele sentisse qualquer coisa, eu já tinha me antecipado a todas as necessidades. Fome? Leite quentinho, papinha pronta. Cansaço? Banheira com água morna, roupinha escolhida, tudo já preparado. Eu me transformei em uma espécie de “ministra do bem-estar”, com cada hora do dia devidamente planejada nos mínimos detalhes.

É verdade, ele nem precisou chorar. Todo mundo ficou admirado: “que coisa linda, não dá um pingo de trabalho.” Como assim? E, por que, ao fim da viagem, eu estava exausta?

Ora essa, porque eu não tinha “subido ao disco”. Enquanto meu filho e meu marido partilhavam juntos a mesma experiência e a mesma energia, eu estava na retaguarda, “pegando o casaco”, cuidando da parte burocrática e não aproveitando nada. E, exatamente como no sonho, ninguém entende como uma coisa simples pode ser vista como complicada.

Hoje eu continuo preocupada com o casaco, mas me permito subir ao disco. Seguem alguns pré-requisitos, já fazendo uma síntese do que tratamos nos outros posts da série:

  1. Ter planejamento e organização;
  2. Contar com possibilidades adversas e já arquitetar o plano B (e o C e o D);
  3. Internalizar e racionalizar o trabalho – foco no AGORA;
  4. Dar-se tempo. Como eu começo a relaxar só a partir do 3º dia, nunca planejo férias com as crianças com menos de sete dias (até porque a mala de higiene é idêntica para um dia e para sete, não vale a pena);
  5. Reconfigurar seu conceito anterior de “férias”.

Mais dicas da Libby Purves, autora do livro “Como NÃO ser uma mãe perfeita” (São Paulo: Publifolha, 2003):

  1. “O segredo, para quem tem filhos pequenos, é reduzir as expectativas em relação às atividades adultas. […] O esforço de tentar fazer uma atividade de adultos tendo junto crianças pequenas raramente vale a pena. Já me veio à cabeça que uma coisa que os pais nunca devem fazer é embarcar, com seus filhos pequenos, no tipo de excursão que lhes dava enorme prazer quando estavam sozinhos.
  2. Quem tem dois ou mais filhos abaixo dos 5 anos precisa tirar proveito de cada pequeno prazer.”

Quando você se entrega, experimenta um prazer diferente nas suas férias. É quando o momento começa a se parecer com as fotos dos anúncios dos resorts. Nossos álbuns de férias não são realmente muito diferentes. A gente só gosta de registrar os momentos felizes, não é? 

Mas, aos poucos, vai descobrindo que as melhores fotos, MESMO, não são as posadas. As poses não são naturais, saem aqueles sorrisinhos armados, congelados. As mais deliciosas histórias de viagem são repletas de tragicomédias, coisas engraçadas. E as melhores fotos captam o instante, a brincadeira, o inesperado.

Essas fotos podem até não refletir o que aconteceu na maior parte do tempo. Mas vão traduzir o que de fato importa. Aquilo que, com toda a certeza, é inesquecível.

E aí? Preparou-se para subir no disco e explorar o fantástico universo que só as crianças podem proporcionar?

Foto: The Scarer/Stock Xchng

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Toda a série Viajando com crianças

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Cena 5 – minha filha de 1 ano e meio correndo e batendo palmas em todos os cômodos da casa. Ao final, beijando o berço

Foto: Brokenarts / Stock xchng

Fizemos uma viagem de 10 dias com meu filho de 4 e minha filha de 1,5 ano. Desses, sete dias foram um cruzeiro. Para o menino, foi uma viagem maravilhosa e inesquecível. Mas para ela… Descobri – lá no navio – que cruzeiros não são o melhor esquema para bebês. Por quê?

  1. Ela não se deu bem com a comida. E a única opção que tínhamos (já que estávamos no meio do mar) era papinha Nestlé.
  2. Era verão, muito calor, mas o ar condicionado central (sobre o qual não tínhamos controle) era muito frio.
  3. Ela pegou uma virose, teve febre e diarreia.
  4. Ela sujou todas as roupinhas. O WC da cabine não tinha exaustão adequada para secá-las. Foi tudo para a lavanderia do navio, que demora para retornar.
  5. O navio em alto-mar balançava pra burro e deixou todo mundo enjoado.
  6. Ela estava aprendendo a andar e se sentiu insegura.
  7. O WC da cabine era um ovo, mal cabia a piscina inflável que usávamos como banheira.
  8. Tudo era muito demorado: o desembarque em cada cidade do circuito, os traslados até o aeroporto, as conexões etc.

Resumo da ópera: quando chegamos em casa, ela começou a dar gritinhos de alegria já na garagem. Era como se, na cabecinha dela, ela tivesse feito algo de MUITO errado e que estava sendo punida. Mas, graças a Deus, o castigo havia finalmente terminado. Quando ela beijou o berço, meu coração ficou minúsculo. Puxa vida, pensei, nunca mais vou fazer isso.

Essa história é para dizer que, nas viagens planejadas para serem momentos de sonho, podem acontecer alguns senões. Eles devem ser avaliados previamente para que o melhor programa seja escolhido – em algumas vezes ele pode mesmo ser adiado para quando as crianças forem maiorzinhas. E, também, com a decisão já tomada, para nos cercarmos de alguns cuidados:

  1. Crianças podem adoecer. Faça check-ups antes da viagem. Leve farmacinha, de acordo com orientações do pediatra.
  2. Remédios fazem efeito 30 minutos depois. Quando eu vejo que um dos meus filhos está meio constipado (o que pode causar uma dor de ouvido bizarra no avião) já dou logo o Paracetamol assim que a gente embarca. Dou mesmo. (veja isso com seu pediatra).
  3. Leve sempre mudas de roupa reserva na mala.
  4. Crianças podem estranhar o ambiente. Leve o travesseiro e um bichinho de pano com o qual seu filho esteja acostumado a dormir, para que tenha alguma referência de casa.
  5. Crianças podem vomitar. E, como “remédios fazem efeito 30 minutos depois”, antes de viagens de carro ou de barco já dou logo o anti-hemético (veja isso com seu pediatra). Além disso, eles devem evitar ler dentro do carro e não comer comida-de-beira-de-estrada não confiável.
  6. Leve sempre mudas de roupa (inclusive para os adultos) na bagagem de mão. Dizem que isso é útil para o caso de extravio de bagagem. Mas eu faço porque uma vez tive que comprar roupa para mim no aeroporto depois de uma “esgumitada” homérica do caçula.
  7. Crianças podem atrasar. Não dê chance à Lei de Murphy e sempre se programe para chegar aos lugares com pelo menos 30 minutos antes do que for determinado.
  8. Deixe a mala “pré-pronta” na véspera de ir embora. Na hora de desocupar o quarto, coisas como tirar a areia dos baldes e esvaziar boias e piscininhas infláveis demoram mais do que se imagina.
  9. Antes de qualquer esquema, leve ao banheiro, mesmo que eles digam que “não estão com vontade”. Por três vezes resolveram fazer “o número 2” na hora que o atendente da companhia chamou no microfone para embarcar.
  10. Tenha sempre protetores plásticos de vaso sanitário para as meninas e para “o número 2” dos meninos. WCs públicos são nojentos.
  11. Se decidir por um cruzeiro, NUNCA escolha cabines internas sem iluminação natural. Por mais que digam que é frescura, que a escotilha é pequena etc, luz do sol FAZ DIFERENÇA. A menos que você curta a sensação de que está dormindo dentro do elevador ou do WC do avião.

Enfim, conhecer os “senões” é importante. Se não há como impedi-los, pelo menos estamos conscientes.

Mas “estar junto 24h” com as crianças não está no rol dos “senões”.

Fiquei atônita com uma matéria da Revista Viagem e Turismo que compara resorts e cruzeiros, e fala sobre o assunto:

Viagem e Turismo n9 ano 12 set 2006 p64 – Ed. Abril

Cruzeiros ou resorts?

“Lazer Criança – Vencedor: Resort

Todos os navios têm kids club. Mas nenhum tem baby-sitter. Ou seja, se quiser alguma independência das crianças, vá para um resort, com trupes de funcionárias treinadas para entreter e cuidar dos pequenos a pequenas fortunas […]. Você agradecerá cada vintém, verá a lua da praia, tomará um drinque a mais no bar… É muito chato ser obrigado a voltar para o quarto por não ter com quem deixar as crianças. E nos navios, […] você terá de: a) dormir mais cedo; b) se consolar com a pobre programação da TV ou c) arrastar as crianças para todo lado. Durante o dia, os cruzeiros levam um olé dos resorts de novo. […] Nos resorts, a programação para a criançada é interminável. Aliás, os “tios” recebem os pequenos pela manhã e, com exceções, devolvem só para o banho. […] Quer mais que isso? Mande-os para uma ilha.”

TÔ BEGE!!!!

Na minha experiência, o cruzeiro não foi bacana para crianças pequenininhas por OUTROS motivos, nunca por causa do “contato full time”. Se esse contato se transformar em um dos “senões”, tem alguma coisa fora do lugar aí – e não é exclusiva da viagem.

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças 

 

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Cena 2 – Pai brigando com o filho na fila de entrada do parque aquático

Quando assisti à cena acima, eu ainda não tinha filhos. Fiquei um tempão pensando na contradição absoluta que aquilo representava: quem vai a um parque pretende se divertir. Pois nem ao menos a diversão começou, o estresse já estava instalado. Pensei na frustração da criança com a impaciência do pai. Pensei na frustração do pai, que planejou o passeio.

Aí, um belo dia eu virei mãe. E me vi, por muitas vezes, em contradições parecidas. O mais importante é ter consciência disso, de preferência no momento em que ocorre. Como diz minha mãe: “Atenção, para não haver tensão”. Repita comigo: “Eu estou de férias. Eu estou de férias. OOOOOOMMMMM…”

Outra coisa válida é passar a contar com certas possibilidades. Não se trata de “antever o pior” ou “sofrer por antecipação”. Trata-se de estar preparado para algumas situações (que, com sorte, até podem não ocorrer! rsrs).

Por experiência própria, enumero algumas coisinhas que nunca achei que pudessem acontecer nos meus planos dourados de “férias perfeitas com as crianças”:

  1. Brigas entre irmãos. Claro, sempre por motivos muito graves: “Olha, o avião tá descendo!” “Não, tá subindo.” “Não, tá descendo, você não ouviu o piloto falar?” “Subindo.”. “Claro que não, olha a cidade lá embaixo!” “Subindo!”  “TÁ DESCENDO!!!!” POU, PLAFT, SOC, TUM! “Ô MÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEEE!!!!!” (fato verídico).
  2. Processos de bobeira. Não acho correto dizer “ataque” ou “acesso” de bobeira. “Acesso” traduziria algo momentâneo, passageiro. Considero mais adequado falar de “processo” de bobeira (“processo”, realmente, lembra mesmo uma coisa beeem demorada). Em suma, são aquelas risadinhas bestas intermináveis, quando você não consegue a atenção deles para nada.
  3. Teimosia. Principalmente na frente dos outros, porque seus filhos sabem que você hesitará em chamar a atenção.
  4. Desobediência. Em algumas vezes, a desobediência perigosa, como ir para o fundo do mar ou da piscina.
  5. Renúncia. Muito do que a cidade ou o hotel oferecer não vai dar para levar as crianças, o que significa que será difícil para você ir. Mesmo coisas inocentezinhas, como curtir uma caminhada na praia.
  6. Interrupção. As coisas (dentre as que você conseguir fazer) poderão ser interrompidas a qualquer instante. Vai parar para oferecer água, pegar lanche, renovar o protetor solar, encher boia, enrolar na toalha e assim por diante. Ainda tem a CLÁSSICA: você fez o prato de todo mundo, cortou a carne, colocou suco e quando finalmente dá sua primeira garfada… “Mãe!!! Quero fazer cocô!!!”
  7. Improviso. Não espere reproduzir no hotel o conforto e a estrutura que você tem em casa. Isso é ilusão. Aliás, se você quer um lugar igual à sua casa, bem… fique em casa. Sair e viajar pressupõe mudar os ares, espairecer… e improvisar. Faz parte do pacote.
  8. Impaciência. Deles. Ouvir milhões de vezes: “Tá chegando???” “Não quero passar protetor solaaaaaar!” Ou, no auge do bem-bom, quando você finalmente achava que estava chegando ao nirvana do verão: “Ai, tá tão chato, quando a gente vai voltar?”

Aviso aos navegantes: O fato de saber disso tudo ajuda. Mas “não nos responsabilizamos por estresses posteriores”.

 

Via de regra…

Saímos de um restaurante alimentados.

Saímos de uma escola ensinados.

Saímos de uma academia malhados.

De um parque de diversão, temos que sair “divertidos”, né não? kkkkkk

Site visitado: http://www.familycircus.com/

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Cena 1 – minha mãe arrumando as malas de toda a família

Todo fim de ano, quando era pequena, viajávamos para a Bahia. Era uma festa total. Apenas meus pais e meus irmãos moram em Brasília, o restante da família é todo de lá. Então era a garantia certa de diversão, com minhas avós, meus tios, primos, praia, sol e tudo de bom. Todo ano era o mesmo itinerário, Salvador e Vitória da Conquista. Nunca ficamos em hotel, sempre em casa de parentes. Adoro todas as lembranças, mas uma em particular é interessante: minha mãe organizando as malas para o casal e nada menos que cinco pimpolhos.

Lembro da minha mãe preocupada com a arrumação. E dizia para ela: “Mãe, nós vamos viajar, tem que ficar alegre!” Ela não só compreendia, como concordava. O problema era aplicar isso na prática.

Hoje eu a entendo completamente. Arrumar mala, pra mim, é um estresse tamanho, que povoa repetidamente meus pesadelos. Nesses sonhos, eu sempre estou louca, atrasada, arrumando mala, sem encontrar as roupas, e o ônibus/avião/barco indo embora.

Fico pensando a origem dessa apreensão. Apesar de ter menos filhos (três, em vez de cinco da minha mãe), agora nunca ficamos em casa de parente. A casa de parente de certa forma facilita, porque não precisamos nos preocupar com a infra-estrutura (gente para ajudar, comida, lavagem de roupa e o fato de estar em uma cidade com tudo por perto, caso algo falte). Então minha paranoia é de esquecer alguma coisa. Com o agravante de já ter me arrependido de não ter levado algum item – Lei de Murphy total: eu SEMPRE acabo precisando daquilo que deixei de fora da mala.

Dicas campeãs de Marusia

Uma coisa que ajuda muito é fazer uma lista do que levar. Leve a lista, também, para o check-list da volta.

Segue a que uso (se gostar, pode imprimir):

Item OK
Roupas:  
Camisas/camisetas
Shorts/bermudas
Cuecas/calcinhas
Meias
Sungas/biquínis
Boné
Calças (com cintos)
Saias/Vestidos (meninas)
Agasalhos
Pijamas
Elásticos de cabelo (meninas)
Tênis/sapatos
Sandálias
Higiene:  
Shampoo
Condicionador
Sabonete
Pasta de dente
Escova de dente
Fio dental
Filtro solar
Cotonete/algodão
Pente/escova
Touca (meninas)
Lenços umedecidos
Sacos para roupa suja
Sacos para roupa molhada
Tesourinha de unha
Sabão em pedaço
Fita crepe
Farmacinha:  
Analgésico antitérmico
Repelente de insetos
Antisséptico
Band-aid
Pinça
Pomada para hematoma
Termômetro
Remédio para enjoo
Antialérgico
Diversão:  
Balde/pás
Boias
Brinquedos/jogos
Revistas/livros
Bola
Máquina fotográfica com carregador
Filmadora com carregador
Toalha de praia
Alimentação:  
Água
Sucos
Bolachas
Frutas
Tupperware
Documentos:  
Certidão de nascimento
Carteirinha do plano de saúde
Telefones do pediatra
Vouchers, passagens

A fita crepe é para, entre outros usos que forem necessários, vedar as tomadas de eletricidade do hotel.

O sabão em pedaço é para lavar as roupinhas, principalmente os biquínis. O sabonete nem sempre cumpre bem essa função.

O tupperware é para guardar lanchinhos do café da manhã.  Nem sempre os pimpolhos estão com fome de manhã. Em compensação, mais tarde, adoram um pãozinho com queijo, um pedaço de bolo, um croissant.

Para os bebês, a lista obviamente é maior. Além dos itens acima, acrescente:

Item OK
Mochila do bebê:
Trocador
Lenços umedecidos
Fraldas básicas e noturnas
Fraldas de pano
Creme para assaduras
Bodies
Macacões
Babadores
Toalha de banho
Toalha-fralda
Piscininha inflável
Copos
Porta-papinhas
Bolsa térmica

A piscininha inflável é muito prática, serve para substituir a banheira. Você pode levar duas, escrevendo “Praia” e “Banho”, a fim de diferenciá-las.

Se o bebê usa mamadeira, há outros complicadores:

Item OK
Esterilizador de mamadeira
Escova de mamadeira
Sabão em pedaço
Esponja
Leite em pó com colher-medida
Garrafa térmica
Isopor de mamadeira
Tampas das mamadeiras
Paninho de prato novo

O paninho de prato é para escorrer ou secar o que você lavar.

Dependendo de como ou para onde você vai, acrescente à lista:

  • Papel higiênico;
  • Roupão;
  • Travesseiros (com fronhas reservas);
  • Cobertores;
  • Roupas de frio: cachecol, gorro, luvas, ceroulas térmicas;
  • Berço portátil e carrinho (para bebês);
  • Passaporte, vistos, cartão internacional de vacinas.

Dependendo da criança, acrescente:

  • Aparelho de dentes (com a caixinha);
  • Óculos e óculos reserva (com caixinhas);
  • Remédios manipulados, como homeopatias. Sempre lembrar de levar na bagagem de mão, com a receita médica, e tirar da bolsa na hora de passar no raio-x do aeroporto (homeopatia perde o efeito com raio-x).

Mais dicas:

  1. Você pode estar viajando para o lugar mais frio do mundo: leve roupa de banho (biquíni, sunga). Nunca se sabe se há piscinas cobertas e aquecidas lá.
  2. Você pode estar indo para o lugar mais quente do mundo: leve agasalho. Ar condicionado de avião/ônibus/barco é de lascar, bem como de certos restaurantes ou mesmo o ar central do hotel;
  3. Calcule duas mudas de roupa por criança por dia, uma para o dia, outra mais arrumadinha para a noite. Coloque ainda mais duas mudas de reserva.
  4. Monte os conjuntinhos na mala: camiseta + short/bermuda/saia, de cada muda de roupa. Isso facilita muito, tanto para arrumar quanto para vesti-los lá!
  5. Deixe separada no fundo da mala, também, a roupa de voltar: calça + camisa + casaco + meia + cueca/calcinha.
  6. Separe um saquinho para cada conjunto de peças miúdas: biquínis, calcinhas, meias. E um saquinho para cada calçado.
  7. Mantenha o quarto do hotel arrumado. Escolha um local arejado para colocar a roupa suja, já dobrada. Na hora de voltar, é muito mais fácil para recolocar na mala.

Bem, isso tudo é muito útil, mas ainda considero um verdadeiro quebra-cabeças montar minha mala! … (Alguém tem alguma sugestão?…)

Viajando com crianças: a aventura começa na arrumação da mala!

Veja também:

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças

Uns peixes, um coelho e uma mula

 Site visitado: Origami Club

Escola adora mandar dever de casa… para os pais. Neste fim de ano, tivemos que confeccionar, com sucata, vários mimos artesanais (até porque são três crianças). Entre eles, um aquário, um coelho e um personagem do nosso folclore.

Então, são muitos os desafios. Primeiro, porque tem que envolver a participação da criança – o trabalhinho é dela, cabendo-nos somente ajudar. Segundo, porque eu não levo o menor jeito, principalmente no quesito acabamento. Então, para driblar isso, tento apostar pelo menos na originalidade.

Aquário

Ainda bem que, na escola mesmo, uma mãe generosamente compartilhou a ideia de usar garrafão PET de água.

Você vai precisar de (kkkkk):

  • Um garrafão PET 5 litros de água (vazio e sem a boca);
  • Cascalho colorido para aquário;
  • Papel celofane azul;
  • Cola branca e cola de artesanato;
  • Várias folhas coloridas;
  • Hidrocor;
  • Furador de papel.

A parte mais gostosa foi fazer os peixinhos de origami. Entrei no Google e encontrei uns sites super instrutivos. Testei primeiro em papel rascunho, fiz um bando de vezes até memorizar e depois mostrei para minha filha. Cada uma de nós fez metade dos peixes. Depois que você aprende, é uma delícia; viciante, mesmo.

Ela enfeitou os peixes com várias padronagens, da cabeça dela, muito legal! Os olhinhos, fizemos com “retalhos” redondinhos que sobram quando furamos papel (viu por que coloquei furador de papel na lista?), e as pupilas, desenhamos com hidrocor.

Colamos os peixes na superfície de dentro do garrafão. O cascalho no fundo é legal para dar estabilidade. Depois, colocamos desses enfeites de aquário (quanto mais brega, melhor): uma placa “Não jogue lixo” e uma planta de plástico. Até pensei que deveria ter feito a planta de origami, também.

Coelho

Como é que eu ia construir um coelho de sucata? Não fazia a menor ideia. Fui pegando caixa, pote de iogurte, tampinha, até chegar a uma lata. Eureka! Pensei: se toda a turminha vai fazer coelho (e devem vir uns coelhos lindos, pelas mãos prendadas das outras mães, coisa que não se aplicava à minha pessoa), a gente podia compensar fazendo algo diferente. Claro que isso era só uma falácia para justificar a malandragem “improvisação”: fazer o coelho dentro da cartola. Daí, bastavam a cabeça e as patinhas da frente.

Você vai precisar de:

  • Uma lata média (vazia), com tampa;
  • Três bolas de isopor, uma média e duas pequenas;
  • Papel cartão preto;
  • Papel branco;
  • Tinta guache, lápis de cera;
  • Hidrocor;
  • Chumaços de algodão;
  • Cola de artesanato e cola de isopor;
  • Um saco pequeno de TNT;
  • Cartolina branca;
  • Estilete;
  • Grampeador.

Com o papel cartão, fizemos o cilindro fechando com grampos (para não abrir, porque o papel é mais firme) e “vestimos” a lata. Depois, colocamos a aba da cartola. A tampa da lata ficou embaixo, dando o toque final.

Fizemos um corte nas bolinhas das patinhas para encaixar na lata, como se o coelho estivesse “segurando” a borda. Na cabeça, duas fendas para inserir as orelhas, feitas de cartolina com algodão colado. Depois desenhamos a carinha e fixamos tudo com cola de isopor. O saco de TNT envolveu o “pescoço”, escondendo a falta do corpo (kkkk)

Para ampliar ainda mais a participação do meu filho no esquema, resolvi colar umas estrelas na cartola, até para enfatizar a ideia de mágica. E, em vez de usar papel colorido, pedi a ele que pintasse folhas em branco com guache ou lápis de cera. Depois foi só marcar no avesso e recortar.

No dia da exposição, para minha surpresa, descobri que os coleguinhas não tinham feito coelho – cada um ficou com um animal diferente. A proposta era fazer uma floresta. Aí tinha de tudo: elefante, jacaré, tigre, girafa, zebra, com destaque para o hipopótamo feito com caixa de ovo (devia ter fotografado!). Mas, em suma, óbvio que um coelho dentro de uma cartola não combinava com o cenário. As professoras, então, cercaram o dito-cujo de mato, feito com papel crepom! Kkkkkkkkkk

A mula sem cabeça

Você vai precisar de:

  • Uma caixa de leite (vazia);
  • Quatro potes de Yakult (vazios);
  • Papel marrom;
  • A boca de um garrafão PET 5 litros de água (que sobrou do aquário);
  • Cola branca e cola de artesanato;
  • Lã marrom;
  • Fita crepe.

Na hora que peguei a caixa de leite, fiquei pensando no que faria com o gargalo, já que a cabeça (ou melhor, o pescoço, uma vez que se trata de uma mula SEM cabeça) seria a boca do garrafão de água, até para manter a proporção. Ah, lógico: no gargalo seria colada a cauda da mula, feita de lã.

O pimpolho colou o papel marrom pela caixa e pelas patas e fez as labaredas que saem do pescoço. Depois que estava tudo pronto, me toquei que podia ter tirado o gargalo de plástico da caixa e feito o acabamento com o papel marrom. Achei que a pobre mula tinha ficado muito “exposta” (kkkkkkkkkkkkkk).

Então resolvi cobrir o gargalo com fita crepe (viu por que tinha fita crepe na lista?) e assim preservar as vergonhas da mulinha.

Com toda certeza, não levo jeito para trabalho manual. No início, a gente até acha que a escola alopra com as tarefas, mas no fim as crianças curtem tanto, se divertem tanto enquanto estamos montando e depois que veem o bicho tomar forma! Aí a gente vê que vale muito, muito a pena (e é garantia de boas risadas)!

Seu filho como você sempre sonhou

Anúncio do Vitabase - Johnson&Johnson

“Bagunceiro, capeta, sem-vergonha, malandro, impossível. Seu filho como você sempre sonhou.

Vitabase Complexo Vitamínico ajuda a garantir as vitaminas e minerais para seu filho crescer forte e saudável. Vitabase Vitamina C ajuda a aumentar a resistência das crianças. Vitabase é gostoso e suas pastilhas mastigáveis vêm no formato de personagens da Turma da Mônica.

Johnson&Johnson

Vitabase. Nunca uma geração teve tanto para crescer forte e saudável.”

 Marusia fala

“Bagunceiro, capeta, sem-vergonha, malandro, impossível. Seu filho como você sempre sonhou.” VOCÊ quem, cara pálida? Alguém já sonhou ter um filho “impossível”?

 Já vi esse mesmo mote em uma campanha de vacinação. Dá a entender que a mãe deve ter uma paciência infinita e agradecer aos céus pela bagunça do filho, sinal de “boa saúde”.

Prefiro fazer a distinção:

“Ser criança + Ser saudável” não é a mesma coisa que “não ter limites”.

Mas diferenciar isso não é fácil. Quantas vezes a criança realmente está só “sendo criança” e brincando com a vivacidade própria da infância, e nós a tolhemos em prol da “boa educação” ou – mais provavelmente – porque estamos cansados demais para acompanhar?

De fato, o título do anúncio do Vitabase não é regra geral, pelo contrário. (Veja o post “Como educar  crianças para a paz”).

Mas como lidar com a agressividade natural da criança?

  1. Reconheça e respeite o sentimento da criança. Por mais que achemos que o motivo não justifique o “acesso de fúria”, não subestime, não ironize nem ridicularize;
  2. Por outro lado, não supervalorize. Esperar acalmar é uma boa alternativa;
  3. Faça a criança perceber que a cada ato dela corresponderá uma consequência.

 Na prática:

Não diga: “Você tá com raivinha?” “Quando casar, sara.” “Ai, que mêda!”

Diga: “Olha, você tem todo o direito do mundo de estar com __________ (raiva, medo, frustração, chateação, ciúme etc). Mas não pode machucar ninguém, nem se machucar.”

Qualquer coisa que ele fizer, terá que assumir:

  • Rabiscou ou rasgou o dever de casa? A criança vai ter que explicar à professora;
  • Quebrou o brinquedo? Não vai ter reposição.

E assim por diante.

Não se iluda: você não vai ficar imune a um novo “acesso”. Vai ter que lidar com isso um milhão de vezes.

Contudo, agindo assim, você ensina que não dá para controlar o sentimento, mas dá para controlar a reação. E também proporciona a você próprio, como pai e mãe, o direito de fazer o mesmo: ficar com raiva, medo, frustração, chateação, ciúme etc.

Feche a boca e abra os braços

Minha querida tia Leninha me enviou esta linda mensagem. Já conhecia, mas foi tão bom lembrar!

“Feche a boca e abra os braços

Diane C. Perrone

Uma amiga ligou com notícias perturbadoras: a filha solteira estava grávida.

Relatou a cena terrível ocorrida no momento em que a filha finalmente contou a ela e ao marido sobre a gravidez. Houve acusações e recriminações, variações sobre o tema “Como pôde fazer isso conosco?” Meu coração doeu por todos: pelos pais que se sentiam traídos e pela filha que se envolveu numa situação complicada como aquela. Será que eu poderia ajudar, servir de ponte entre as duas partes? Fiquei tão arrasada com a situação que fiz o que faço – com alguma frequência – quando não consigo pensar com clareza: liguei para minha mãe.

Ela me lembrou de algo que sempre a ouvi dizer. Imediatamente, escrevi um bilhete para minha amiga, compartilhando o conselho de minha mãe: “Quando uma criança está em apuros, feche a boca e abra os braços.” Tentei seguir o mesmo conselho na criação de meus filhos. Tendo tido cinco em seis anos, é claro que nem sempre conseguia. Tenho uma boca enorme e uma paciência minúscula.

Lembro-me de quando Kim, a mais velha, estava com quatro anos e derrubou o abajur de seu quarto. Depois de me certificar de que não estava machucada, me lancei numa invectiva sobre aquele abajur ser uma antiguidade, sobre estar em nossa família há três gerações, sobre ela precisar ter mais cuidado e como foi que aquilo tinha acontecido – e só então percebi o pavor estampado em seu rosto. Os olhos estavam arregalados, o lábio tremia. Então me lembrei das palavras de minha mãe. Parei no meio da frase e abri os braços. Kim correu para eles dizendo:

– Desculpa… Desculpa – repetia, entre soluços. Nos sentamos em sua cama, abraçadas, nos embalando. Eu me sentia péssima por tê-la assustado e por fazê-la crer, até mesmo por um segundo, que aquele abajur era mais valioso para mim do que ela.

– Eu também sinto muito, Kim – disse quando ela se acalmou o bastante para conseguir me ouvir. Gente é mais importante do que abajures. Ainda bem que você não se cortou. Felizmente, ela me perdoou.

O incidente do abajur não deixou marcas perenes. Mas o episódio me ensinou que é melhor segurar a língua do que tentar voltar atrás após um momento de fúria, medo, desapontamento ou frustração. Quando meus filhos eram adolescentes – todos os cinco ao mesmo tempo – me deram inúmeros outros motivos para colocar a sabedoria de minha mãe em prática: problemas com amigos, o desejo de ser popular, não ter par para ir ao baile da escola, multas de trânsito, experimentos de ciência malsucedidos e ficar em recuperação.

Confesso, sem pudores, que seguir o conselho de minha mãe não era a primeira coisa que me passava pela mente quando um professor ou diretor telefonava da escola. Depois de ir buscar o infrator da vez, a conversa do carro era, por vezes, ruidosa e unilateral.

Entretanto, nas ocasiões em que me lembrava da técnica de mamãe, eu não precisava voltar atrás no meu mordaz sarcasmo, me desculpar por suposições errôneas ou suspender castigos muito pouco razoáveis. É impressionante como a gente acaba sabendo muito mais da história e da motivação atrás dela, quando está abraçando uma criança, mesmo uma criança num corpo adulto. Quando eu segurava a língua, acabava ouvindo meus filhos falarem de seus medos, de sua raiva, de culpas e arrependimentos. Não ficavam na defensiva porque eu não os estava acusando de coisa alguma. Podiam admitir que estavam errados sabendo que eram amados, contudo. Dava para trabalharmos com “o que você acha que devemos fazer agora”, em vez de ficarmos presos a “como foi que a gente veio parar aqui?”

Meus filhos hoje estão crescidos, a maioria já constituiu a própria família. Um deles veio me ver há alguns meses e disse “Mãe, cometi uma idiotice…”

Depois de um abraço, nos sentamos à mesa da cozinha. Escutei e me limitei a assentir com a cabeça durante quase uma hora enquanto aquela criança maravilhosa passava o seu problema por uma peneira. Quando nos levantamos, recebi um abraço de urso que quase esmagou os meus pulmões.

– Obrigado, mãe. Sabia que você me ajudaria a resolver isto.

É incrível como pareço inteligente quando fecho a boca e abro os braços.”

(CANFIELD, Jack. [e al.]. “Histórias para aquecer o coração das mães”. Rio de Janeiro: Sextante, 2002, pp99-102

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

O início nem sempre é como a gente imagina. Mas, se não houver impedimento e você insistir, vai ver que vale a pena.

Falei sobre isso no post “Porque nós somos mamíferos”.

Veja o que diz Roberta Trevisan ao Papo de Mãe:

“Bom, eu não vejo como amamentar perfeitamente no início. Isso acaba acontecendo com o tempo. Existe, claro, uma teoria de abocanhar corretamente a mama para que não faça ferida no bico. O primeiro filho, com certeza, é mais difícil. Tem aquele medo, a insegurança… Então, o que eu diria para essas mães? Se no começo está doendo, se está insegura, não espere. Procure um banco de leite, onde profissionais especializados vão ajudar e vão acompanhar essa mulher diariamente, dando segurança e apoio para tudo que ela está fazendo.”

 As campeãs de Marusia

 Rachaduras

  • Tome MUUUUITO sol direto nos mamilos, na gravidez e SEMPRE que tiver uma chance depois que o bebê nascer.
  • NUNCA dê o peito se a aréola estiver endurecida! Ordenhe um pouco à mão para deixá-la bem macia.
  • Depois da mamada, não lave os mamilos com água. Lave com seu leite.
  • Experimente um produto cicatrizante natural chamado Dersany.
  • Enquanto o mamilo estiver muito machucado, ordenhe à mão e dê o leite ao bebê no copinho.
  • NUNCA, jamais, em nenhuma hipótese, massageie o seio no sentido da base para o bico. Faça sempre no bico, subindo aos poucos para a base à medida que ele vai esvaziando, para não ter entupimento dos dutos e empedramento do leite.

Outras dicas ótimas da ONG Amigas do Peito – essas sim, amigas de verdade:

Produção

Boa sorte!

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Quando não é possível amamentar

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

As 10 famílias que beiram a perfeição – Marusia fala

Tirando as fraldas – ou o lado escatológico da humanidade

Quando meu filho mais velho estava desfraldando, a maior dificuldade foi em relação ao cocô. Ele sempre fazia na hora de acordar, na cuequinha. Eu tinha que criar algum incentivo pra ele fazer no vaso. Daí inventei uma história ridícula: que, se ele fizesse no vaso, ao dar a descarga, o cocô iria para o esgoto, a “cidade dos cocôs”. E que lá era divertidíssimo, encontraria muitos amigos etc. Se ele fizesse na cuequinha, a pobre caquinha não iria para a festa… (sim, eu confesso: usei desse expediente sórdido, o da chantagem emocional em seu nível mais rasteiro. Não aconselho ninguém a fazer isso em casa, mas que deu certo, deu).

Entretanto, o que mais chamou a atenção dele foi quando eu disse que a caquinha de todo mundo iria se encontrar na tal cidade – a do papai, a da mamãe… “A da professora também? A do vovô também?” Ficou animadíssimo e surpresíssimo com o fato de todos, inclusive “autoridades”, fazerem caquinha também.

(SENHOR DO BONFIM, que conversa porca é essa??!! Diria minha avó). Eu contei essa história escalafobética aqui só para dizer que:

  1. Não sei se as 10 famílias da Veja são perfeitas o tempo todo;
  2. Não sei se algumas só são fachada, e intramuros o barraco corre solto;
  3. Claro que ter dinheiro ajuda um bocado, mas eles devem ter outro tipo de problema – ter um bando de fãs e paparazzi acompanhando cada movimento seu, por exemplo;
  4. Também não deve ser nada fácil ter que se manter em um pedestal o tempo todo e nunca se permitir um deslize;
  5. Nada que você faça tem reconhecimento, quando a vida foi generosa.

 Não convivo com eles e não faço a menor ideia de nenhuma dessas coisas. A única certeza que tenho é:

TODAS (eu disse TODAS) essas pessoas vão ao banheiro. Brad Pitt? Claro. Tom Cruise, Obama, Will Smith também dão sua contribuição à cidade das caquinhas. Gisele Bundchen, Fátima Bernardes, Xuxa, Cláudia Raia idem. E até a princesinha Suri também comparece ao troninho. Todo mundo faz o “número dois”. Todo mundo é HUMANO.

Igualzinho à gente.