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Em boa hora

Este post é dedicado a minhas primas e a todas as outras mulheres que estão pertinho de ganhar neném.

mulher grávida com céu estrelado

Imagem: Another Sunrise

É um costume antigo desejar “uma boa hora” para a grávida que está prestes a dar à luz. É uma expressão curiosa, porque não se relaciona nem ao ato, nem à pessoa, mas ao tempo. Em especial, ao momento, ao presente. Ao agora. Desejamos que tudo corra bem nesse instante.

As mamães de primeira viagem me perguntam muitas coisas sobre essa “hora”: é normal ter medo? É normal chorar? É normal sentir dor? Sentir tristeza? Insegurança? É normal não sentir nada?

Respondo com outras perguntas: o que significa “normal”? Aquilo que segue “a norma”? O mais comum? Ou “o que é passível de acontecer”?

Bom, é possível ter medo, ou ser invadida por uma coragem inexplicável. É possível chorar, sorrir ou ficar em silêncio. É possível sentir dor, tristeza, insegurança. É possível entrar em êxtase, amar de paixão. Pode ser uma experiência transformadora, iniciática ou mesmo revolucionária. Ou ser fluida, natural. E até as duas coisas simultaneamente.

É possível não sentir nada. É possível que nada do que a gente imaginou ou planejou aconteça. É possível ficar frustrada. Ou surpresa.

Relógio com palavra AGORA no lugar dos númerosPara mim, a energia focada no presente é a chave. Quase um treinamento para a chegada da criança. O tempo inteiro a criança chama a nossa consciência para o agora. Por isso, é tão desafiante para nós, adultos, que nos acostumamos a remoer o passado e a nos preocupar com o futuro.

O que quer que ocorra, do modo que for, viva o agora. Entregue-se. Não existe norma, não existe o que é normal, porque é uma experiência ímpar.

Não há conhecimento, curso, dica, conselho, vivência anterior que prepare você para esse momento. É um mistério absoluto até para uma médica obstetra que está tendo o primeiro filho. Aliás, até quem já passou por isso mais de uma vez (no meu caso, três!), é incomparável.

E aí está a coisa mais louca. Cada parto é um parto, é um ato único, como cada um de nós é único. Ao mesmo tempo, o parto nos une como humanidade. Olhe em volta. Olhe para você. As pessoas podem ser diferentes em tudo, exceto numa coisa: necessariamente elas passaram pela experiência do parto, na hora do nascimento. Desde que o mundo é mundo.

Viva a perplexidade de olhar para alguém que simplesmente não existia antes de você engravidar. Que seja uma pessoa que possa nos ajudar a tornar este mesmo mundo o lugar que queremos.

Em boa hora!

grávida com planeta Terra na barriga

Imagem: Wild+Wee

Veja também:

Para as gravidinhas

Mãe envelope

O que aprendi sobre… gravidez

É só o meu, ou seu bebê também…

O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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Veja também:

Para as gravidinhas

Você está esperando seu filho há muito mais que nove meses

Conselhos que amei

As coisas não acontecem como a gente quer

100º post, 1 ano de blog

Falando de sexualidade

Site visitado:

Aprendiz de Mãe – As crianças e a transmissão da cultura

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Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Cresci com 4 irmãos. Acostumadíssimos a tomar banho juntos – uma farra! Meus pais nunca trancaram a porta do banheiro, então era supernatural vê-los sem roupa. Sempre com muito respeito, claro. A conversa sempre fluiu tranquila, muito livro pra ler. Mas, ao mesmo tempo, muita inocência. Lembro de um de nós, com um tom risonho, segredando para os outros: “papai e mamãe transaram cinco vezes kkkkkkkkk!”

A vergonhinha veio na adolescência, a timidez para comprar modess (modess!!! vixi, tô ficando velha rsrs), sutiã e afins. Mas tudo sempre com muita naturalidade e cumplicidade.

Não tinha como ser diferente aqui em casa. A meninada toma banho com a gente, sempre há abertura para tirar qualquer dúvida.

Quando minha filha nasceu, o mais velho ficou intrigado com uma anatomia tão “explícita” (diferente da minha rsrsrs):

– Mãe! Olha! Ela não tem pinto! E o bumbum vem até a frente!!!!

***

Essa história de bumbum ainda rendeu. Quando minha cunhada ficou grávida, meu filho perguntou:

– O médico vai cortar sua barriga pra tirar o neném?

– Vou torcer para que não, querido.

– Ué, mas aí ele vai sair como?

-(já ficando vermelha) Ora, do jeito natural.

– Como?

– Por baixo.

– Onde?

– Por baixo…

Ele parou, pensou e perguntou curioso e empolgadíssimo:

– Mas aí o seu bumbum vai ter que abrir muito!!!!

– (rindo muito) Pois é, vai ter que ser!

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

***

Mais tarde, ele viu uma propaganda da campanha de prevenção à Aids: Não deixe a Aids te pegar, use camisinha. Seguiu-se o diálogo:

– Mãe, o que é Aids?

– É uma doença. As pessoas ficam com problemas nas células de defesa e podem pegar outras doenças.

– Quando a gente usa a camisinha, não pega?

– Não pega.

– Só de usar uma camisa?

– Bom, na verdade, não é bem uma roupa.

– Não? É como, então?

– É uma coisa que o homem coloca no pinto.

– Por quê, a Aids pega pelo pinto???

Observe-se que, até então, ele tinha somente a noção de que papai põe uma sementinha na mamãe e estava satisfeito. Até já sabia que o bebê saía da barriga da mãe “por baixo”. Mas, agora, a explicação tinha que se enveredar por mais detalhes. Fiquei com vergonhinha, botei desculpa na presença da irmã menor no recinto e apelei para o maridão.

Achei supercomédia quando cheguei à noite e vi, sobre a mesa do escritório, o livro da Larousse sobre corpo humano, cheio de páginas marcadas. Ele não me deixou acompanhar a conversa: “Ah, não, você jogou a pepinosa na minha mão, agora somos só eu e ele.”

Fiquei pra morrer de curiosidade, mas respeitei. Ao final, meu marido contou:

– Fui respondendo à medida que ele perguntava, nem mais nem menos. Ele me olhou e falou: “Só isso? Intão tá.” E foi brincar.

Dirimidas as dúvidas, diferenciados “bumbum” do órgão sexual feminino e tudo mais, fiquei contente: o mecanismo está todo explicadinho e bem aceito; a inocência continua.

Dá, sim, para mostrar para nossos filhos como a sexualidade é natural – e linda.

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Sugestões de livros:

Livro "Sexo não é bicho papão", de Marcos Ribeiro. Editora Zit.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Coleção Tris-Trás - Livro "De Onde Eu Venho?", de Sergi Càmara. Editora Escala

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Livro "Planeta Eu: Conversando sobre sexo", de Liliana e Michele Iacocca. Editora Ática

100º post, 1 ano de blog

Aniversário de 1 ano do Blog Mãe Perfeita! E post número 100! Para marcar esta ocasião tão especial para mim, resolvi desenvolver uma metáfora que me ocorreu quando estava grávida do meu caçula. E aproveito para agradecer cada visita, cada sugestão, cada link, cada retorno e mensagem carinhosa.

 Envelope

Estou grávida

Carrego dentro de mim um conteúdo muito precioso

Tal qual um envelope

Que mensagem eu trago comigo?

Um telegrama?

Isso que é entrega expressa!

Curto, objetivo, específico, direto, específico, imediato – fugaz – que não tem tempo a perder?

Um folheto de propaganda?

Slogan convincente, que alardeia ao mundo somente as maravilhas, que esconde os problemas, que compara (e diminui) os outros, com promessas de sucesso absoluto – que insiste na imagem mais perfeita da perfeição?

Um boleto bancário?

Com tudo o que deve ser pago, investido, poupado, aplicado, com planilhas de cálculos, fixando preços, valores, contas a prestar – com data certa e previsão de juros e multa?

Um formulário de pesquisa?

Muitas perguntas, interrogações, dúvidas – muitas lacunas a preencher, muitos campos obrigatórios?

Uma encomenda?

Em uma caixa muito bem embalada e lacrada, que atende aos requisitos da maneira exata, cumprindo fielmente o que foi predefinido e solicitado – que não tolera atrasos, que não tolera erros?

Ou uma carta de amor?

Imprecisa, às vezes engraçada, às vezes sem encontrar palavras, querendo acertar? Compromissada, às vezes meio doidinha, às vezes sem jeito, querendo melhorar?

Carta de amor de mãe e filho, de pai e filho, de irmão para irmão, de amor à família, de amor ao mundo, de amor à vida?

Selos produzidos pelos Correios da Turquia em homenagem ao Dia das Mães - 2009

Sim, quero enviar neste envelope uma linda carta de amor.

E já tem destinatário:

Esta é uma carta para ser entregue em mãos…

Nas mãos de Deus.

Ana Marusia Pinheiro Lima Meneguin – maio de 2011

Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Decálogo dos meus desafios

Para as gravidinhas

Conselhos que amei

 

Foto: Anne Guedes

Sempre se fala da “chuva de palpites” a que uma grávida, mãe de primeira viagem (ou até de terceira viagem, como eu) está sujeita. De fato, em certos momentos, muitas intervenções, de fontes e conteúdos tão variados, podem acabar confundindo. Mas hoje quero falar de conselhos campeões, desses que fizeram e continuam fazendo a diferença e que faço questão de compartilhar: os conselhos que amei.De minha irmã, Maria: “Não espere a barriga crescer para passar hidratante.”

A pele tem que estar previamente preparada e hidratada, logo no comecinho da gravidez, mesmo quando a barriga ainda não apareceu. Assim, você evita que a pele fique sensível e frágil, o que pode originar estrias e manchas. A bem da verdade, a hidratação é bacana mesmo quando não estamos grávidas, é um ritual que merece ser diário.

 Da minha amiga Luciana: “O bebê suga com muita força logo na primeira mamada.”

Eu tinha uma ideia de que a amamentação não é tão simples no começo, mas pensava que isso decorresse da frequência de mamadas, e não da força de sucção e da pega do bebê. A frase de Luciana foi ótima para eu não ser pega de surpresa (com perdão do trocadilho rsrsrs)!

Da minha irmã, Maria: “Tudo passa.”

No pós-parto, quando a gente tem a sensação de que está no meio do furacão, com milhares de hormônios à flor da pele, de novas incumbências e emoções inéditas, tende a não acreditar nessa verdade. Mas, se nos permitimos aceitá-la, seu poder é libertador. Tudo passa. E passa rápido.

Da minha amiga Daniela, quando eu esperava o segundo filho: “Quando o bebê nascer, seu filho mais velho vai parecer muito grande.”

Isso é muito correto e valioso. Meu primogênito tinha somente 2 anos quando minha filha nasceu, mas pareceu um gigante perto da recém-nascida. O perigo, sabiamente alertado por Daniela, era agir como se ele já estivesse crescido e maduro. Foi ótimo, para que eu tivesse o cuidado de não exigir posturas e comportamentos para muito além da idade dele. Afinal, ele era um bebê, também, com necessidades e dengos, encarando a circunstância absolutamente nova da chegada de um irmão com quem teria que dividir a atenção dos pais.

 Do meu irmão, Jr: “Criança tem prazo de validade de alegria.”

Ficar atento a esse sábio conselho é evitar muita chateação. Quando o “prazo de validade de alegria” de uma criança se esgota, é sinal de que está na hora de voltar para casa e descansar. Insistir é arcar com as consequências de uma criança irritada, que vai fazer de tudo para tirar a gente do sério, e aí o passeio já perde o sentido. É importante lembrar que, ao levar uma criança para um “esquema de adulto”, sem atividades que a incluam e divirtam, o “prazo de validade” dela fica mais curto. Isso explica em parte as birras em supermercados e shopping-centers.

Do pediatra das crianças (que foi meu pediatra): “Toque seus filhos.”

Fala-se tanto em shantalla, massagem no banho, necessidade de colo, de contato pele-a-pele com os bebês. Basta a criança começar a crescer para o carinho rarear. Pois isso não é só com os bebês, não! Crianças de 8, 9, anos, adolescentes, mesmo os adultos precisam de abraço, do calor do toque dos pais. Chega a ter poder terapêutico, profilático, de cura mesmo.

 Da minha mãe: “Se quiser, você pode manter suas atividades, pode trabalhar fora. Mas é muito importante estar em casa na hora de colocar seus filhos para dormir.”

A hora de dormir realmente é sagrada e tem uma representação diferente na cabeça das crianças, de aconchego, de acolhimento. Vale a pena experimentar.

E você? Tem um conselho campeão?

Veja também:

This post in English: Advice I love

Para as gravidinhas

Minha irmã está esperando o terceiro filho, feliz da vida.

Em homenagem a ela e às minhas sete amigas de trabalho que estão grávidas ou acabaram de ganhar neném (pense na maior densidade demográfica possível em um mesmo setor!!), segue a versão “São só os meus?” para grávidas.

 Foi só comigo ou também aconteceu quando você estava grávida:

… fez o exame de farmácia antes do Beta HCG?

… sua barriga se transformou em algo público – todo mundo queria tocar?

… respondeu 15876431 vezes: se era o primeiro; se era menino ou menina; se já tinha nome e qual; de quantos meses estava; e pra quando o bebê ia nascer? (eu adorava)

… todo mundo tinha uma receitinha ou um palpite pra te dar (alguns até contraditórios)?

… enjoou muito e, nesses momentos, não via muita graça em nada?

… disse (ou pensou) pelo menos 1 vez: “Oi, neném, te amo muito e não é nada com você… Mas mamãe tá ruizona…” ?

… no início ficou meio envergonhada de furar fila, mas depois ia mesmo, toda pomposa?

… adorava ouvir o coração do bebê amplificado no consultório do obstetra?

… sentia o bebê soluçando dentro da sua barriga, principalmente depois de você comer?

…o xixi saía “fininho”?

… o dia do ultrassom era pura expectativa? E gravou tudo em DVD, mesmo sabendo que nunca mais iria assistir aos vídeos depois do nascimento do bebê?

… ficava besta com o número de detalhes que o médico apontava no ultrassom?

… se divertia com o bebê mexendo?

… ficava apreensiva quando o bebê se mexia demais?

… ficava apreensiva quando o bebê estava muito quietinho?

… seu umbigo ficou plano?

… ficou admirada com o colostro no sutiã lá pelo sétimo mês?

… no terceiro trimestre sentiu uns choques na virilha, desses de unir os joelhos?

… não conseguia mais amarrar os cadarços na última semana?

… sempre achou que o bebê ia nascer antes do tempo previsto?

… tomou o maior sustão achando que tinha entrado em trabalho de parto, e eram somente… gases?

… experimentou o mistério muito doido de ter uma pessoa morando dentro de você?

… achou um barato ficar parecida com um fusca?

 

Montagem de Marusia sobre fotos de Bjearwicke e Ale_Paiva – Stock Xchng

E você? O que complementaria nessa lista?

Veja também:

São só os meus?…

É só o meu, ou seu bebê também…

This post in English: To my dear moms-to-be

Cadê o barrigão? Sumiu

Matéria publicada na Revista Veja, no item Beleza

Emagrecer muito e depressa é o sonho das grávidas – mas não precisa exagerar

 Qual a mulher grávida que não sonha com o momento de voltar a vestir as roupas de “antes” e recuperar suas formas? É um anseio perfeitamente natural, contato que não se transforme em preocupação única e sem parâmetros. (…)

“Uma mulher gorda amamentando, há dez anos, era sinal de saúde. No período de seis semanas pós-parto, o chamado resguardo, não se exigia nada da mulher, nem beleza. Ela ficava lá, “chocando”, diz Wladimir Taborda, coordenador de ginecologia e obstetrícia do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “Hoje, é diferente. Seis horas depois do parto, as mulheres estão caminhando. No dia seguinte, começa o processo de embelezamento”, diz ele. Exemplos não lhes faltam – maus exemplos (…). Atrizes, cantoras e modelos, que já são esteticamente privilegiadas e ainda ganham para se manter bonitas e exibir excelente forma física, praticamente já saem da maternidade com o corpinho de antes.

Para a nova mãe, não é fácil seguir o exemplo, nem recomendado, em razão dos exageros a que muitas estrelas se submetem. “As celebridades chegam ao resultado que querem com a ajuda de uma equipe de especialistas, que vai de babás a personal trainers e nutricionistas. A maioria das mulheres não tem como bancar nem o tempo nem os profissionais que o esforço exige”, alerta o obstetra Yehudi Gordon, que cuidou das ex-modelos Jerry Hall, mãe de quatro filhos de Mick Jagger, e Elle MacPherson, que tem dois meninos.

(…) Há sessenta anos, elas engordavam sem nenhum controle, e se achava bonitinho. Hoje, quando vemos uma gestante gorda, a primeira coisa que pensamos é que ela não se cuidou”, diz o ginecologista Rubens Paulo Gonçalves, autor do livro Gravidez para grávidas. (…)

Legenda da foto de Kate Hudson:

Kate, ainda enorme 26 dias após o parto e três meses depois: adeus a 30 quilos com dieta e muita ginástica

 

Análise

A matéria traz um grande paradoxo: ainda que classifique como exagero o que as celebridades fazem para emagrecer depois do parto e queira enfatizar a saúde e não a forma física, traz citações de ginecologistas e uma série de expressões que desqualificam sobremaneira o corpo das mulheres grávidas e no pós-parto. Ao mesmo tempo, utiliza palavras bem mais elogiosas para quem se impõe a meta voltar à forma:

Grávidas, segundo a reportagem Metas, segundo a reportagem
Barrigão Embelezamento
Gorda Excelente forma física
Chocando Corpinho
Enorme Alta, magra e bela
Imensa Perfeitíssima forma
Engordavam sem nenhum controle e se achava bonitinho Esbelteza e glamour
Não se cuidou Esplendorosa
Barriguda Bela figura

 

Veja também: Cadê o barrigão? Sumiu – Marusia fala