Em boa hora

Este post é dedicado a minhas primas e a todas as outras mulheres que estão pertinho de ganhar neném.

mulher grávida com céu estrelado

Imagem: Another Sunrise

É um costume antigo desejar “uma boa hora” para a grávida que está prestes a dar à luz. É uma expressão curiosa, porque não se relaciona nem ao ato, nem à pessoa, mas ao tempo. Em especial, ao momento, ao presente. Ao agora. Desejamos que tudo corra bem nesse instante.

As mamães de primeira viagem me perguntam muitas coisas sobre essa “hora”: é normal ter medo? É normal chorar? É normal sentir dor? Sentir tristeza? Insegurança? É normal não sentir nada?

Respondo com outras perguntas: o que significa “normal”? Aquilo que segue “a norma”? O mais comum? Ou “o que é passível de acontecer”?

Bom, é possível ter medo, ou ser invadida por uma coragem inexplicável. É possível chorar, sorrir ou ficar em silêncio. É possível sentir dor, tristeza, insegurança. É possível entrar em êxtase, amar de paixão. Pode ser uma experiência transformadora, iniciática ou mesmo revolucionária. Ou ser fluida, natural. E até as duas coisas simultaneamente.

É possível não sentir nada. É possível que nada do que a gente imaginou ou planejou aconteça. É possível ficar frustrada. Ou surpresa.

Relógio com palavra AGORA no lugar dos númerosPara mim, a energia focada no presente é a chave. Quase um treinamento para a chegada da criança. O tempo inteiro a criança chama a nossa consciência para o agora. Por isso, é tão desafiante para nós, adultos, que nos acostumamos a remoer o passado e a nos preocupar com o futuro.

O que quer que ocorra, do modo que for, viva o agora. Entregue-se. Não existe norma, não existe o que é normal, porque é uma experiência ímpar.

Não há conhecimento, curso, dica, conselho, vivência anterior que prepare você para esse momento. É um mistério absoluto até para uma médica obstetra que está tendo o primeiro filho. Aliás, até quem já passou por isso mais de uma vez (no meu caso, três!), é incomparável.

E aí está a coisa mais louca. Cada parto é um parto, é um ato único, como cada um de nós é único. Ao mesmo tempo, o parto nos une como humanidade. Olhe em volta. Olhe para você. As pessoas podem ser diferentes em tudo, exceto numa coisa: necessariamente elas passaram pela experiência do parto, na hora do nascimento. Desde que o mundo é mundo.

Viva a perplexidade de olhar para alguém que simplesmente não existia antes de você engravidar. Que seja uma pessoa que possa nos ajudar a tornar este mesmo mundo o lugar que queremos.

Em boa hora!

grávida com planeta Terra na barriga

Imagem: Wild+Wee

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Mãe envelope

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4 pensamentos sobre “Em boa hora

    • Oi, Méia!
      Acordei com a inspiração desse texto. Foi inescapável, porque já não me pertencia, e sim às futuras mamães (e às dos presente, tb!).
      Beijos!

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