“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Este post faz a análise do texto “Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” de Lia Miranda e dos comentários, publicados no Portal Minha Mãe que Disse!

Até o dia 14/02/2013, foram publicados 110 comentários. A autora do post não comentou.

Muitas pessoas manifestaram opinião em relação a outros comentários, e não necessariamente ao post. Assim, não há como estabelecer a divisão numérica e precisa de quem concordou e quem discordou do texto em si.

Optou-se, assim, por organizar a análise por tópico, iniciando com o argumento de Lia e prosseguindo com os comentários.

1.       Julgamentos

Argumento de Lia:

“A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho traz o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. Quem defende essa teoria, embora não o admita, tem suas próprias convicções do que acha melhor e, mesmo que internamente, condena quem faz diferente. […]

“Essa teoria não traz nenhum benefício para as nossas crianças e abre espaço para que os meios de comunicação de massa (pessoas querendo lucrar) entupam a cabeça das mães mais “abertas” com teorias maliciosas como a da culpa zero.”

Concordam com o texto

  • “Essa coisa de tentar o melhor é um discurso vazio, que não leva ninguém a lugar nenhum, só serve mesmo pra passar a mão na cabeça.”
  • Sou muito grata à minha culpa e ao meu não-conformismo, que me fizeram não virar mais uma ‘mãezinha’ que tudo aceita, que acha que está muito certa e, é claro, julga (mal) as que criam com muito amor, muito peito e muito apego.”
  • “As mães que clamam pelo equilíbrio, as que se dizem coluna do meio, muitas vezes torcem o nariz para as lutas pelos direitos das mulheres (que falam mal da Marcha pelo Parto em Casa, Marcha das Vadias, Mamaços, amamentação prolongada, amamentação em público etc.) Mas estas dizem que não, não julgam ninguém.”

Discordam do texto

  • “Você rejeita a teoria de que cada um faz o que acha melhor. Mas não é exatamente isso o que você tá fazendo? Me incomoda o fato de que este argumento é amplamente utilizado na defesa de causas e teorias que eu acho muito corretas, o que acaba reforçando o rótulo de ‘radical’ de quem o faz.”
  • ” ‘Rejeito a teoria de que cada um faz o que acha melhor’ – só aceito a teoria de que todos tem que fazer o que EU acho que seja melhor.
  • Em geral, julgo, sim, no entanto, julgo atitudes abusivas e incoerentes demais – que não dariam para não serem julgadas por qualquer pessoa de bom senso.
  • Muitas vezes mães que seguem um determinado caminho tendem a querer reforçar a validade deste caminho colocando que todos devem segui-lo e quem não vai por aí é pior. Não acho que seja apenas uma questão de tempo que se dedica aos filhos (não é tão simples esta matemática).”
  • “Tento de verdade não julgar, para ensinar a não julgar, ter bom senso e explicar que na maioria das casas a educação dos coleguinhas será diferente, e que ser diferente nem sempre é melhor ou pior.”
  • “O que não concordo é julgar sem saber, falar que se fez cesárea é pior, se não amamentou é pior, se deixa chorando é pior, se pega no colo toda hora é pior, criação com apego é melhor do que criação sem muito apego.”

2.       Preocupação com o futuro

Argumento de Lia:

“O que eu tenho a ver com o que fazem os outros pais e mães? Muito. Porque essas crianças com as quais minhas filhas estão convivendo na escola, na igreja e no parquinho serão seus futuros amigos, namorados, colegas de trabalho, vizinhos, patrões, governantes.”

 Concordam com o texto

  • “Os pais são sim responsáveis pelo que os seus filhos se tornarão.”
  • “Infelizmente minha filha vai ser amiguinha do filho da idiota que coloca ele do lado de fora do apartamento para ficar gritando porque dá eco. O que para essa mãe [idiota aos meus olhos] é uma coisa bonitinha, para mim é um caos.”

 Discordam do texto

  • “Nossos filhos terão que conviver com o diferente, assim como nós convivemos com pessoas que tiveram criações totalmente diferentes das nossas (e certamente absurdas aos olhos dos nossos pais!). E não acho isso um problema, é um fato imutável.”
  • “Ficar preocupada com que tipo de colega de trabalho e patrão suas filhas irão se relacionar é protecionismo besta! Meus filhos não são prioridade, minha família é! Não por isso serão péssimos colegas de trabalho, vizinhos e quem sabe até governantes. Uma família feliz tem filhos felizes. Simples assim.”

3.       Culpa

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero se traveste de um herói que vem nos resgatar de um sentimento negativo e opressor. Mas não é a culpa que essa teoria tenta aniquilar: é a nossa consciência. As consequências são desastrosas.”

Concordam com o texto

  • “Mães e pais que se colocam como prioridade frente ao bebê colocarão a culpa na criança, no adolescente e no adulto futuro. Se não conseguem dar a educação que gostariam por alguma impossibilidade real, que ao menos sintam culpa e tenham consciência de que a culpa não é dos seus filhos.”
  • “Como uma revista pode me dizer que eu não tenho culpa de nada!? Eu é que tenho que correr atrás, e fazer direito o ‘dever de casa’ para parar de sentir culpa. Se fazemos o melhor que podemos, não tem como a culpa aparecer.”
  • “Eu senti muita culpa por não ter conseguido levar a amamentação da minha primeira filha adiante e, se não fosse por esta culpa, que se transformou em sede de conhecimento, em busca por informação de qualidade, por pessoas e profissionais que me apoiassem, teria ficado satisfeita, pensado que ‘tomou LA e não morreu’ e repetido com a segunda.”
  • “Eu convivo bem com as culpas que carrego e a campanha deveria ser sobre a importância da culpa e não negar a sua existência.”
  • “Acredito que a culpa seja realmente importante, pois ela traz a reflexão, traz a conscientização do que é melhor. E imunizá-la seria cancelar essa consciência do certo e errado.”

Discordam do texto

  • O meu ‘culpa não’ se refere a ausência de culpa por tirar os meus filhos do pedestal e botar a família inteira junto.
  • ” ‘Culpa’ tão somente não nos coloca de frente à responsabilidade das consequências. Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa!
  • A culpa é um sentimento que paralisa, que enfraquece, que tira o eixo. O caminho para mudar aquilo que não está legal é autoconhecimento, reflexão, questionamento e na minha visão compaixão. A sociedade é muito cruel com homens e mulheres.”
  • “O meu ‘culpa não’ é o que me dá é leveza no exercício da maternidade, e não um passe-livre para ser uma mãe de merda. De um para outro existe uma enorme diferença.”

4.       A “menos mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero está aí para dizer que ninguém é menos mãe porque – complete com qualquer coisa: não pariu, não amamentou, deu papinha industrializada, não passou tempo suficiente com a criança.

“Minha amiga Cíntia não é ‘menos mãe’ – sejamos francos: mãe pior – porque não amamentou. Mas a Galisteu, que desmamou o filho porque precisava viajar com o marido pra Ibiza quando o bebê tinha dois meses, talvez seja.

“ ‘Menos pais’ e ‘menos mães’ relegam seus filhos a um abandono emocional em nome das suas próprias rotinas. Crianças perdidas, sem educação, sem carinho, sem disciplina, jogadas na frente de uma televisão enquanto a babá fala ao celular.

“Seja porque têm menos disponibilidade para exercerem esses papéis, seja porque os exercem com total irresponsabilidade, pais e mães piores são aqueles que se colocam como prioridade diante de seus filhos, são os que querem a todo custo desvencilhar-se deles com medo se se encontrarem consigo mesmos e preferem viver anestesiados pelo consumo, pelo lazer, pelo ócio.

“É verdade que não se pode jugar a qualidade da prática de uma mãe por um aspecto isolado, especialmente se desconsiderarmos todo o contexto cultural e social no qual ela está inserida.”

Outros conceitos de “menos mãe”, segundo os comentários

  • “Mãe que sai para o bar e deixar o filho dentro do carro esperando é pior do que a que se dedica e busca programas para os quais possa incluir seus filhos.”
  • “Mãe que deixa chorando é pior do que a que acalenta. Faz isso pensado em si própria, em seu sono, não no bebê.”
  • “Mãe que não tem saco de acordar à noite para acolher o filho choroso é uma péssima mãe.”
  • “Eu sinto pena da Adriane Galisteu, porque ela poderia viajar em qualquer outro momento de sua vida. Mas ser mãe daquele recém-nascido e amamentá-lo com esplendor seria um momento único, e na minha opinião, sagrado.”
  • “Mãe que abandona os filhos para ir para Ibiza e substitui tempo com os filhos para ir para uma festa à noite toda semana.”
  • “A Galisteu foi uma ‘menas’ mãe quando desmamou um recém nascido pra sair em lua de mel.”
  • “É menos mãe/pai quem negligencia seus filhos, quem não educa, não passa valores, não dá carinho, tempo, atenção.”
  • “Colocar uma criança no mundo, dar todos os brinquedos tecnológicos, deixá-la sentada a frente da televisão porque a galinha pintadinha canta músicas de criança e se dizer boa mãe.”
  • “Mãezinhas que escolheram a maternidade que tinha salão de beleza para receberem as visitas pós-parto na beca.”
  • “Mulher que prefere assistir seus filhos brincarem no tanquinho de areia do que interagir com eles para não estragar as unhas. Mas não entro no mérito do texto em dizer que isso é ser menos mãe. Até porque sei lá o conceito de mãe que uma pessoa assim tem.”
  • “Mãe que vive na ‘umbigolândia ‘”.
  • “Mães que choram ao quarto ao lado, com o coração apertado por deixar o filho chorando, mas não têm coragem de se desvencilhar dos cordões de marionete que a prendem.”
  • “Mães e pais que terceirizam a criança por causa da ideia cada vez mais popularizada (e levada ao extremo) de que ‘mãe feliz, filho feliz’.”
  • “Mães e pais que acham que devem mais à sociedade que ao seu próprio filho e são capazes de cometer a barbárie de dar uma festa de ‘boas vindas’ ao bebê ainda na maternidade.”
  • “MENOS mãe é aquela que tem todas as informações e ainda assim, age pensando em si mesma apenas.”
  • “Pais que acham que os filhos é que têm que se adaptar a vida deles, e dá-lhe horas em salão de beleza, redes sociais, com celular em punho sem sequer olhar o sorriso da criança, viagem do casal, que precisa muito desse tempo.”

Questionamentos ao conceito de “menos mãe”:

  • “Conheço quem adotou o método horrendo do Nana, neném com a convicção de que isso ajudaria o bebê a dormir melhor, e que estava fazendo o melhor por seus filhos. Não fez para melhorar seu próprio sono porque, mesmo com seus bebês dormindo que nem ‘anjo’ depois do método funcionar, passava a noite acordando para ver se estava tudo em ordem com as crias.”
  • “Não gostei do texto! Achei uma volta ao passado sem tamanho! Cada um com a sua realidade e seus problemas! Julgar é fácil demais, fazer o que a maioria das mães brasileiras faz para sustentar, dar amor e carinho tudo ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um! Isso não é abandono emocional, isso é responsabilidade!”
  • “Ser mãe não é receita de bolo!”
  • “Babá, suco de caixinha, e televisão não é liberalismo ‘demoníaco’, é realidade!!!”

5.       A “mais mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da maternidade ativa e consciente vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos, buscando as melhores escolhas, mesmo com sacrifícios pessoais.

“A ‘mais mãe’ exerce a maternidade em maior quantidade (de tempo, por exemplo), ou uma maternidade de melhor qualidade.

“Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. Nossos filhos são nossos parceiros, representam oportunidade única de nos redescobrirmos.”

Questionamentos ao conceito de “mais mãe”

Se a “menos mãe” foi duramente criticada, o conceito de “mais mãe”, por oposição, também foi alvo de muitos questionamentos:

  • “Uma mãe culpada ou que age por culpa não é uma boa mãe. Mas isto não significa se isentar de suas responsabilidades.”
  • “O que dizer da mãe que expõe as questões, imagens e intimidades dos filhos em um blog na internet, podendo causar a eles desconforto no futuro?”
  • “Acho que sei como essa mãe, tão comprometida com o maternar, age. Mas sei muito pouco sobre como ela sente. Se essa mãe está verdadeiramente feliz e completa, maravilha. Maternidade ativa é o melhor caminho para o filho e também para ela. E se ela não está assim tão feliz?”
  • “Uma mãe infeliz não seria uma ‘mãe menos’ “?
  • “Não vejo como seria possível uma mulher se negligenciar e, ainda assim, ser boa mãe. Se não cuidarmos de nós mesmas, como poderemos cuidar dos nossos filhos?”
  • “O que é melhor, brincar com o filho quando ele chega em casa da creche ou deixar o filho pra lá brincando sozinho pra fazer uma papinha caseira?”
  • “Não vou comentar mais nada, porque é perigoso eu ficar com sentimento de culpa por estar lendo textos na Net ao invés de brincar com a minha filha neste momento.”
  • “Alguém já inventou a tabela de medição, tipo INMETRO para mãe? Em que tempo/espaço medimos a eficiência da mãe? Na qualidade da infância? Nos confrontos da adolescência? Ou no ser que deixamos para o mundo na idade adulta? Porque eles mudam, e mudam muito. E o meio muda, e a atitude da mãe muda…”
  • “Talvez as pessoas estejam errando a dose: supervalorização da criança em detrimento do coletivo. Quem garante que esse desvio não se deve a pais grudentos demais, anulados como pessoas e dispostos a viver em função do filho 28h por dia? Não dá para dizer isso, nem o contrário.”
  • “Conforme a criança cresce as coisas mudam, pq cada fase é uma fase, e se os filhos são criados para o mundo, então uma hora eles se tornam independentes. Conforme essa independência é construída a mãe precisa saber ir igualando as prioridades.”
  • “Não ha coisa pior, nem pra mãe e nem pro filho, do que depois q a cria cresce e sai do ninho, a mãe fica sem chão e se descobre um ser sem vida própria. Daí podem nascer diversos problemas, uma sogra chata que quer a todo custo continuar vivendo a vida da cria, uma pessoa depressiva/rabugenta/lamurienta que acha q o filho é um ingrato e se revolta contra tudo/todos, e um filho que vai sentir culpa.
  • Se minha mãe me perguntasse se eu gostaria que ela abrisse mão de TODA sua vida e seus sonhos por mim, eu diria que não, acho que se anular -completamente- em prol de outro alguém, mesmo que esse alguém seja seu filho, é um fardo muito, muito pesado de se carregar.”
  • “Mamãe projetou a felicidade dela em nós, mas, como é natural, ao crescermos, cada um tomou o seu caminho. Eu continuo muito próxima dela, mas o afastamento natural de meu irmão para ela é uma mágoa profunda, uma ferida sem cura. Se, por algum motivo, eu não puder me fazer tão presente na vida dela, ela será infeliz. E como eu vivo com isso? Se ela tivesse deixado de passar algumas horas por dia comigo, não teria sido menos mãe por isso. Parte de minha felicidade como filha é a felicidade de minha mãe, e é muito melhor se a felicidade dela não depender apenas do ‘ser mãe’ “.

6.       Ter filhos

Argumento de Lia:

O Dr. José Martins, em A Criança Tercerizada, teve a coragem de dizer que quem não está disposto a mudar suas rotinas para cuidar de seus filhos não os deveria ter.

Concordam com o texto

  • “Não dá pra simplesmente ‘encaixar’ a maternidade e levar a mesma vida de antes de ter um filho – se é pra ser assim, por que tê-lo então?”
  • “Os motivos apontados por TODOS para ter filhos são egocêntricos. Garantir descendência, por costume social ou por que é ‘um sonho’ não são motivos centrados não na criança.”

7.       A influência da Mídia

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. O princípio demoníaco da identidade própria, auto-suficiente, é um engodo para nos desumanizar e nos tornar vítimas perfeitas do consumismo e do capitalismo industrial. Segundo a grande mídia e a indústria publicitária, ser você mesmo é ser igual a um padrão de sucesso e beleza estabelecido por outras pessoas, ser uma marionete.

“A mídia coloca o adulto em primeiro lugar e pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. O conflito entre mães e filhos é um mito criado para vender.”

Concordam com o texto

  • “Minha avó (84 anos) queria dar ruffles para minha filha e eu disse que não, que fazia mal… ela olhou o rótulo, indignada, e disse ‘Meniiiinaaaa, é só batata’. Minha avó é analfabeta, foi da roça, é megasaudável e ACREDITA que ali só tem batata e que alguma espécie de milagre faz aquela batata não se decompor. Ela achava que era o melhor para a bisneta.”
  • “Isso me lembrou a sugestão da revista Crescer sobre decoração de quartos de bebês e havia lá um berço e uma cama, a cama da babá.”
  • “Queremos mães que entendam os problemas de saúde pública da sociedade brasileira (desmame precoce, epidemia de desnecesáreas, excesso de sódio na alimentação infantil) que se repercutem na saúde de seus filhos e que entendam que somos enganadas e manipuladas cotidianamente em nome do lucro.”
  • “Não é martirizar ninguém pelo passado nem condenar por um evento isolado na vida materna. Estamos aqui como mulheres que defendem mulheres. A maternidade é aprendizado. E é muito interessante ao mercado ter mães não pensantes.”

Discordam do texto

  • “Eu não sei que revistas você anda lendo, mas destoam completamente das que eu leio. Em geral, pregam que a mulher deve ser uma heroína, cuidando integralmente dos filhos, sem abrir mão de todo o resto, como se a mulher tivesse de seguir padrões inviáveis de perfeição.”
  • “Se tem pai e mãe que larga, não são as revistas e as propagandas que ensinam, estimulam ou incentivam esse comportamento.”

8.       Comentário: Adendos ao texto

  • “Há uma teoria de maternidade que não foi contemplada e que é a mais importante: a que considera que a educação e cuidado das crianças não é somente de responsabilidade dos pais, a que considera que a maternidade mais comum será praticada também de acordo com as condições sociais na qual se perpetua. Ter um Estado e uma sociedade que valorizam a infância é fundamental para que sejamos bons pais sem sofrer mais do que necessário.”

9.       O Caminho do meio

Propostas de caminho do meio, segundo os comentários

  • “Não consigo abraçar um estilo de maternidade que considera as necessidades do filho mas não as da mãe.”
  • “O objetivo final é de felicidade, para pais e filhos. Com RESPEITO aos limites e às necessidades pessoais.”
  • “Vislumbro o tal caminho do meio, no qual as pessoas têm direito a fazer suas escolhas.”
  • “O caminho do meio não mata, não fere, só fortalece, porque ser mãe é um dos meus muitos papéis nessa vida.”
  • “O sentir me diz que eu quero ser ‘mais mãe’, sem deixar de ser ‘mais eu’. Dedicar, estender, absorver, me sentir feliz pra fazer feliz, à vezes com muita abdicação, às vezes nem tanto. Observar constantemente para saber onde posso e devo ‘ser mais’ e onde devo ‘ser menos’.
  • Eu sou da maternidade ativa às vezes e sou uma “menas main” outras vezes – depende da hora do dia que você encontrar comigo. Exerço os dois papéis com relativa tranquilidade.”
  • “Não é questão de ficar em cima do muro, e muito menos de falta de envolvimento. Quero o danado do equilíbrio, não consigo me enquadrar em nenhuma categoria, quero fazer do jeito que funcione pra mim e para os meus, quero poder experimentar e mudar de opinião, fazer valer se é que me entendem. Quero valores (morais) sim e amores, quero a honestidade e a capacidade de realizar, quero a frustação para poder crescer, quero a conquista para a determinação e disciplina, quero a reflexão sempre em qualquer atitude, quero bem estar, quero estar bem.”

Críticas ao Caminho do meio, segundo os comentários

  • “O Brasil não precisa de MAIS GENTE passando a mão na cabeça das mães que abdicam do filho para ter uma ‘vida’. Até porque isso é viver em função do mercado, não do filho. Condenam tanto quem vive em função do filho e não se tocam que vivem em função do mercado, do status, da aparência, do carro novo e das unhas e cabelos impecáveis.”
  • “O discurso contemporizador busca minimizar uma responsabilidade que é nossa, faz com que vibre ainda a mais a nossa natureza, que já é egoísta.”
  • “Espero um dia chegar a esse equilíbrio. Mas temo que palavras assim ditas num portal formador de opinião do porte do MMqQ pode fazer mais mal que bem.”
  • “No Canadá esse discurso faz completo sentido, já que a maternidade e a paternidade se completam. Mas não acho que o Brasil está precisando de mais passada de mão na cabeça agora, de mais uma referência pra se apoiarem e se eximirem da responsabilidade.”
  • “Se continuarmos falando, teclando, denunciando, gravando!, engrossando o coro e o caldo… mais e mais pessoas vão se tocar, vão ouvir o barulho e dar atenção a ele.”
  • “Meio termo, mediano, estar na média são sinônimos para medíocre.”

Tréplicas do Caminho do meio, segundo os comentários:

  • “Quando encontrei esse mundo de informações me senti mais desesperada e deprimida, do que acalentada. Isso pq a quantidade de mães que acham que só há um jeito certo de maternar é infinita, e desculpem, mas isso não é legal.”
  • “Essa postura do ‘não precisamos disso agora’ desrespeita as mães que leem o texto. Primeiro porque não é honesta – omite propositalmente um lado da questão para convencê-la de que o outro é certo. Segundo, porque as subestima: diz que a mãe brasileira não está pronta para um discurso que não a trate como uma cretina e que ela precisa ouvir o lado mais duro, ‘que não passa a mão na cabeça’, pra entender direitinho. Terceiro, porque é arrogante: vende uma única verdade possível (mesmo que, no fundo, admita que existem sim outras leituras).”
  • “Com quem o texto está falando? Nunca vi na blogosfera nenhuma mãe assim, tão extrema, tão descomprometida, tão ‘menas’. Nem na vida real eu já vi essa mãe. Essa mãe tão errada – pois foi erroneamente construída pelo sistema – existe e tá aí, condenando o seu filho ao abandono emocional completo. Pergunta: ela tá lendo blog de maternidade? E, na remota possibilidade de estar: ela foi adiante no texto ou parou logo no ‘asneiras’ do título, prevendo as pauladas que viriam? E, se foi adiante: ela está aberta ao texto ou vestiu uma armadura que vai comprometer a sua leitura?”
  • “Mães se sentem agredidas o tempo todo. Mães agredidas levantam as armas. Mães armadas não estão dispostas a ouvir. Distorções de discurso acontecem muito por causa da disposição (ou falta de) de uma mãe ouvir a outra. O que cria essa disposição? Empatia. Como se cria empatia? Pela identificação, pelo respeito, pela tentativa de compreender o outro.”
  • “O problema é que eu vejo a blogosfera mais militante tentando atingir pela dureza justamente quem precisa de acolhimento.”

Marusia fala

Após ler o post, os comentários, as réplicas e as tréplicas, me parece que todos estão de acordo com uma coisa: é necessário investir em uma sociedade melhor, e o cuidado com a infância é imprescindível. O que não tem consenso é a forma de alcançar esse objetivo.

Cada forma é defendida com unhas e dentes, quando não há nada que comprove sua eficácia. Só o futuro poderá dizer como serão os filhos de “mais mães” e “menos mães”. Além disso, essas crianças terão recebido influências múltiplas, o que nos impedirá de afirmar se foi a forma de maternagem que definiu seu modo de ser.

Sem garantia nenhuma, as mães se prendem a convicções. O pensamento diferente é tomado automaticamente como crítica: “se não está comigo, então é meu inimigo”. Não sobra espaço para o meio termo, nem para a tentativa de apaziguamento.

Assim, presas à forma e em eterna guerra pela sociedade de amanhã, nós mães nos desviamos do objetivo de ter uma sociedade melhor HOJE.

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

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4 pensamentos sobre ““Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

  1. Está aí um dos textos mais controversos do Minha mãe me disse e lá fui eu rever o texto para ver se fui eu mesma que escrevi sobre a culpa de ficar na Net e não brincar com minha filha…rs
    Sabe, agora que encerrei minha participação na blogosfera maternal, é mais fácil admitir: esta tentativa de se fazer doutorado em maternidade é meio entediante…é aquele negócio de discutir e discutir e cada um fazer o que achar melhor e pronto. Não acredito que alguém vai mudar a sua maneira de amamentar, parir, educar só porque alguém diz. As nossas definições e decisões foram formadas no decorrer da nossa vida toda…e qdo um caso de descaso maternal acontece o efeito é tão grande que o choque é sentido por qualquer que seja capaz de ter bom senso e sensibilidade.
    Mas sabe o que adoro? Análise Textual. Acho que nunca vou deixar de passar por aqui…

    • Oi, Josi!
      É muito compensador fazer esse tipo de análise, porque sempre há reflexões interessantes, algumas vezes surpreendentes! (ainda que isso demande um tempo enorme – são os posts mais trabalhosos de fazer…)
      Adoro sua participação, venha sempre! 😀
      Um beijão!
      Marusia

    • Oi, Alyne! Quanto “mais mães” nós tivermos nesse movimento, “menos mães” inseguras e isoladas veremos no mundo! Todo mundo ganha, principalmente as crianças! Um beijo!

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