A doação de brinquedos ou Síndrome de Toy Story

Toy Story é um fenômeno. A história é cativante, inteligente, a animação é primorosa. Mas penso que há outro aspecto que explique seu sucesso: a identificação do público com os personagens. Quem nunca imaginou que seus brinquedos tivessem realmente vida própria?

andy and woody
brinquedos de toy story na caixa

Eu, por exemplo, tinha 16 bonecas. Aos 9 anos, me apaixonei por uma que ganhei de Natal, a Dindin. Ao mesmo tempo, olhava para as outras 15, na prateleira… Tadinhas! Em brincadeira pode tudo, mas ser mãe de 16 definitivamente não estava em meus planos. Então resolvi abrir um “orfanato”. Era ótimo, porque eram horas e horas brincando, pra dar conta de lavar tantos pratinhos e roupinhas, dar banho em todas e colocar para dormir.

boneca Dindin, da estrela

Dindin

O problema é que até hoje eu tenho síndrome de Toy Story. Não posso dizer que os brinquedos têm vida (ninguém me provou o contrário rsrs!), mas com certeza eles têm história. Estão impregnados dos significados que damos a eles.

Todos os anos, fazemos uma triagem enorme aqui em casa. Separamos o que não serve mais, o que segue para doação e o que é para o lixo. Com roupa não há problema. O problema são os brinquedos. O “estado” dos ditos cujos não é o critério, afinal os mais velhinhos tendem a ser os mais “brincados”. Idem os brinquedos de sucata, afinal, qual merece ficar: um brinquedo lindo industrializado ou um todo amarfanhado mas feito por eles?

pesadelo do Woody

Meus filhos estão acostumados e ajudam em tudo, separam os que não querem mais. Mas aí eu começo: “Ooooooh, o cachorrinho que foi presente da sua vó… tem certeza?….”

Pois no fim do ano passado, com a Campanha Natal sem Fome do Comitê de Ação e Cidadania (o do Betinho), lá vai Marusia e sua sacola com vários bichinhos de pano. Meu caçula chegando aos 5, ninguém mais brincava com os bichinhos. Entre eles, estava uma tartaruga de plush que eu havia comprado para meu filho mais velho, quando estava grávida de 2 meses. Foi o primeiro brinquedo que eu comprei pra ele. Bastou eu olhar para a tartaruga e pronto. Disfarcei pra ninguém me ver chorando ao depositá-la na caixa de coleta.

woody dando tchau

Mais tarde, entendi que meu choro não foi apego ao bichinho, mas saudade de quando meu filho era bebê, saudade de quando ele estava na minha barriga… E, no final, a mesma síndrome de Toy Story que me fez chorar foi o que me salvou, ao pensar na criancinha que ia receber a tartaruga de Natal…

Bonnie abraçando Woody

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6 pensamentos sobre “A doação de brinquedos ou Síndrome de Toy Story

  1. Que lindo esse texto!Se eu te disser que tenho guardada ate hj a primeira boneca que a minha mae me deu?rs!Não desapego nunca!até o cheirinho que ela tem me remete imediatamente a infância.
    Como o Arthur ainda é bem pqueno, não temos tantos brinquedos, mas mesmo assim doamos ano passado todos aqueles que ele nao brincava mais.Tão bom quanto guardar essas lembranças e fazer outra criança feliz!
    Beijão Pri!

  2. Está síndrome de Toy Story é bem compreensível: como vc bem disse, desfazer deles é como desfazer das fases de nossos filhos. O negócio é tentarmos lembrar de outros filhos do mundo por aí.
    Bjs

    • Pois é, Josi, com roupas e outros objetos é mais simples. Já os brinquedos e os trabalhinhos de escola remetem imediatamente a tantos momentos… então que continuem propiciando esses momentos a mais crianças. 🙂
      Beijos!

  3. Oi Marsia! Muito difícil não se apegar aos brinquedos que tiveram um significado importante na nossa vida, dos filhos, dos pais… Na vida da casa. Rever um brinquedo é como sentir uma fragrância, você volta no tempo. Mas como é impossível guardar tudo, vou selecionando objetos que realmente importam. Talvez uma saída seria fotografar a criança com seus brinquedos antes de doar. Assim podemos recordar o brinquedo e registrar essa boa ação. Beijos! Gisa Hangai / http://www.maebacana.com.br

  4. Oi, Gisa!
    Eu faço isso mesmo: fotografo tudo, faço questão de revelar e ainda escrevo as legendas! Os álbuns aqui em casa são antológicos e a criançada adora folhear…
    Beijos,
    Marusia

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