Por que temos filhos?

Elisabeth Badinter, no livro “O conflito – A mulher e a mãe” (Editora Record, 2011), cita uma pesquisa realizada em 2009 pela revista Philosophie Magazine, com as justificativas de homens e mulheres para terem filhos:

  • Um filho torna a vida mais bonita e alegre;
  • Permite à família perdurar, transmitir seus valores, sua história;
  • Um filho dá amor e faz com que sejamos menos sós na velhice;
  • Damos a vida de presente a alguém;
  • Torna mais intensa e sólida a relação do casal;
  • Ajuda a tornar adulto, a assumir responsabilidades;
  • Permite deixar parte de si na Terra depois da morte;
  • O filho pode fazer o que não pudemos fazer;
  • É uma nova experiência;
  • Para satisfazer o parceiro;
  • Uma escolha religiosa ou ética;
  • Não houve motivo, foi um acidente.

Filhos: ter ou não ter?

O blog de Ruth Aquino (Mulher 7 por 7) trouxe o depoimento de Mateus Carrilho de Almeida: “Não queremos ter filhos. Por que não nos respeitam?”

http://colunas.revistaepoca.globo.com/mulher7por7/2012/03/26/nao-queremos-ter-filhos-por-que-nao-nos-respeitam/

Abaixo, estão trechos do texto:

Filho não fará falta na minha vida. Não farei algo só porque os outros fazem.

Adotar cumpre a mesma função, acrescido de uma responsabilidade social.

Não tenho o mínimo interesse em abrir mão da minha vida. Eu quero viajar com minha esposa, curtir  ir a show de rock, balé, teatro, ver filme adulto, namorar. Somos colorados, vamos nos jogos. Juntinhos. Poderíamos com bebês? E pior, imagina se eu tenho um filho gremista (rsrsrs)?

Dizem que não teremos quem cuide de nós na velhice. Essas mesmas pessoas não cuidam dos seus pais na velhice. O que lhes garante que seus filhos não farão o mesmo?

E na adolescência, quando te dizem a célebre frase “não pedi pra nascer”? Eu não quero me arrebentar pra dar educação, ensino, abrir mão de um monte de coisa pra ter que ouvir isso depois quando eu não deixar um filho fazer um troço que só irá lhe prejudicar.

Vejo os problemas que conhecidos meus têm com seus filhos. Meninas têm dado mais problemas que os meninos.

Pegamos há pouco um filhote de guaipeca, vira-lata. Agora eu tenho certeza que filho é mesmo para os outros.

Já existem 7 bilhões de pessoas no mundo.

Estou já cheio das cobranças, como se só existisse uma maneira de ser feliz e comprometido nessa vida.

Análise

Até o dia 8/1/2013, este texto recebeu 180 comentários, de 149 pessoas (houve quem comentasse mais de uma vez). Dos que se identificaram, foram 31 homens (28%) e 111 mulheres (78%). Ressalte-se que a coluna Mulher 7 por 7 é voltada ao público feminino.

A opinião dos homens ficou equilibrada: 41% discordaram do texto, enquanto 58% demonstraram concordância.

Entre as mulheres, a diferença foi bem maior. Apenas 27% foram contra, e 60% a favor do texto de Mateus. O restante ficou neutro ou respeitou, apesar de pensar diferente.

No cômputo geral, 33% foram contra, e 57% manifestaram apoio à decisão de não ter filhos.

O mais interessante é observar a reação das pessoas que comentaram. Alguns foram tão radicalmente contra, com comentários por vezes ácidos, que ensejaram a resposta da colunista, Ruth Aquino, do Mateus, da esposa dele, Denise, e até da própria mãe do Mateus, Lucy.

Os que concordam com Mateus

Para o grupo que concorda com o texto, os casais que optam por não ter filhos são criticados e pressionados por pessoas com as seguintes características (expressões retiradas dos comentários): hipócritas, egoístas, irresponsáveis, fundamentalistas, intrometidos e imbecis de uma sociedade julgadora, cujo patrulhamento conservador quer a estandartização dos comportamentos humanos.

Segundo os que concordam com Mateus, filho não é a melhor coisa do mundo. Não tê-los é melhor que terceirizar para babás e creches tomarem conta, melhor que abandonar nas lixeiras, espancar. E a mesma sociedade que cobra filhos é responsável por crianças mimadas, adolescentes rebeldes, pais manipuláveis pelos filhos.

Outros argumentos:

  • “É por pensar demais se meu filho será feliz que não o tenho”.
  • Melhor que ser maria-vai-com-as-outras, ter filho só por causa da cobrança da sociedade. “Quem tem filho e vive dizendo que é uma maravilha é como aquela pessoa que pulou numa piscina fria num dia de inverno e fica te chamando, dizendo que tá gostoso”. Ter filhos é uma coisa muito séria, tem que parar para pensar, o que muita gente não faz.
  • Narcisista é quem precisa de um “mini mim” pra “ser feliz”. Se a felicidade não está em nós, não é em esposas, maridos e em filhos que vamos achá-la.
  • Muitos usam os filhos como desculpas pra não fazer nada. “Não posso, não dá, meu filho e coisa e tal”.
  • Nem todos os filhos são umas gracinhas, vide o caso Ricthofen e tantos outros que matam para ficar com herança, abandonando em em asilos, na rua… se a mãe de Suzane Von Richtofen tivesse pensado como o Mateus, pelo menos ainda “estaria entre nós”.
  • Filho JAMAIS será garantia de apoio e amor incondicional na velhice.
  • Casamento não é contrato de procriação!
  • A decisão afeta EXCLUSIVAMENTE a quem não quer ter filhos!
  • A humanidade não vai acabar por causa disso. Viva o controle de natalidade. “A superpopulação é um dos reais fatores que podem levar à extinção da humanidade. Mesmo quem deseje filho, deve limitá-los. Todas as demais campanhas como economizar água, racionar isso, racionar aquilo, somente são paliativos a curto prazo. Maternidade responsável, onde se inclui a ausência de maternidade, é a única salvação!!!”
  • Melhor coisa do mundo é ser tia.
  • Mulher grávida é horrorosa.
  • É melhor adotar as crianças que ninguém deseja, como crianças maiores e até mesmo adolescentes que estão precisando de uma família.
  • Quem abriu mão de sua liberdade para procriar sabe que não pode recuar e fica uma pessoa amarga.

 

Por fim, um contundente depoimento de uma filha indesejada:

Ana28/03/2012 | 3:44

Bom…parece que estão todos a discutir motivos de ter X motivos de não ter. Sabem de uma coisa? Esses motivos não importam. Vou dar meu depoimento de filha que nasceu indesejada. E pessoas como eu existem aos montes, mas grande parte das pessoas (principalmente do time pater-/maternidade-a-qualquer-custo) acham que ignorando o problema e contando sobre o mito do amor materno o problema desaparece. Minha mãe nunca me deixou faltar nada, materialmente falando. Sempre tive roupa, comida, estudo e médico. Mas eu carrego até hoje as frustracões dela, ela me culpa e me cobra a vida que ela não teve pra me criar. Me culpa e me cobra cada centavo que gastou comigo. Sempre desmerece o que eu faço, me humilha sempre que tem oportunidade, nunca festejou uma vitória minha, mas sempre engrandeceu minhas derrotas. Sempre disse que o maior erro da vida dela foi ter filhos e se pudesse voltar atrás jamais nos teria. Tive uma colega na faculdade que passava por algo ainda pior – a mãe dela tentou abortá-la e não conseguiu – passou a vida inteira falando pra filha o quanto se ressente de não ter conseguido abortá-la!!! Alguém aqui tem noção do que é ser rejeitado pela própria mãe? Aqui alguém tem noção das marcas que eu carrego e tantos outros carregam por isso? Hoje estou numa luta para fazer meu plano de saúde pagar o meu psiquiatra – desenvolvi distúrbios de atenção e às vezes machuco a mim mesma. Eu tenho um pedido a fazer – nao critiquem quem não quer ter filhos. Não os chamem de monstros egoístas e qualquer outro adjetivo. Sei que há pais que amam profundamente seus filhos – mas não são todos! Os motivos de não querê-los não importam – o importante que essa decisão JAMAIS vai machucar alguém. Mas ter filhos indesejados – essa decisão, sim, pode ser catastrófica para os envolvidos!!!

Os que discordam de Mateus

Para o grupo de discorda do texto de Mateus, as pessoas que não querem filhos são (expressões retiradas dos comentários): despreparadas, cruéis, insanos, infantis, sem atitude, sem amor, sem nada, desnaturadas, imaturas, fracotes, egoístas, extremamente individualistas, indiferentes a tudo e a todos, a não ser suas carreiras e suas posses. Fazem parte de uma sociedade do espetáculo, adultocêntrica, do prazer imediato. Tiveram problemas na criação, deveriam ser sido abortados pelos próprios pais, e é até melhor que não tenham filhos, porque  SER MÃE É ALGO ESPECIAL, SOMENTE PARA PESSOAS RESPONSÁVEIS, VERDADEIRAS, BATALHADORAS, HUMANAS E AMOROSAS…

Outros argumentos:

  • “Daqui a pouco vão chamar eles de heróis. Hérois são os pais que trabalham duro, e ainda dão amor, têm que pagar escola, universidade, dividem tudo.”
  • E mais infantilidade ainda ficar dizendo que não quer seguir os conceitos da sociedade, mas fica pondo a culpa na sociedade, achando que quem tem filhos os teve por imposição social.
  • “Se não gosta da sociedade, caro amigo sem filhos, crie uma nova. Mas adotar pets não vai te fazer uma pessoa melhor.”
  • Vão se arrepender mais tarde e fazer tratamento para engravidar.
  • Muita justificativa denota indecisão, o discurso não convence, há problemas em aceitar a própria decisão. Para se expor assim, o casal não respeita nem a si mesmo. Devem parar de se fazer de vítimas. Reclamões, só ficam dando desculpas.
  • Casamento não é sinônimo de felicidade.
  • “Viemos ao mundo para reproduzir, isso é da nossa natureza, escolher o contrário é ir contra um fato natural.”
  • “Se mata, amigo, vai ter menos uma pessoa, e suas preocupações estarão resolvidas.”
  • Só focam o lado negativo de ter filhos. “Não respeito casais que acham que estão certíssimos em ñ terem filhos se eles acham que os outros são idiotas em tê-los.”
  • Filhos crescem tão rápido que logo os pais poderão viajar, ir a shows, peças de teatro, etc
  • Filhos adotados também precisam de cuidados. “Vc não abriria mão da sua vida para criar do mesmo jeito????”

Por fim, o relato de uma mulher que ama ser mãe e não condena aqueles que optam por não ter filhos:

“[…] Sua explicação pra não querer procriar é típica de quem não tem filho. Nasce com filho um altruísmo que supera vc querer ir ao jogo de futebol ou balé, Mateus. Não vou explicar muito porque vc não entenderia. E nem precisa. Já decidiu e a decisão é o que conta. Só cuidado para não desmerecer a vontade daqueles que querem ter filhos. Não faço o jogo oposto, usando as mesmas armas. A pressão. As explicações bobas. E, mais do que tudo, comece a selecionar melhor seus amigos.”

Os childfree

Mais e mais mulheres optam por não serem mães. Não é por acaso que governos investem em políticas de incentivo à natalidade, principalmente naqueles países que se concebe comumente como “desenvolvidos”: quem vai pagar a conta de uma população que envelhece?

Existe até um termo para definir as pessoas que não desejam filhos: childfree (“livre de crianças”, em tradução sem compromisso). Há comunidades Childfree em diversos países do mundo. No site do grupo brasileiro, entre as diversas razões que balizam sua escolha, estão:

http://www.semfilhos.org/trocentos-motivos-para-nao-ter-filhos/

  1. O parto é uma tortura;
  2. Não se tem vontade de fazer sexo tendo em volta o alvoroço de pirralhas brigando;
  3. Crianças custam caro;
  4. Você vai passar noites acordada e não será na balada e sim ouvindo choro;
  5. O filho é a despedida dos seus sonhos de juventude;
  6. Ser mãe ou ter sucesso: é preciso escolher;
  7. Quando o filho aparece, o pai desaparece;
  8. Você não tem tempo para os amigos;
  9. Sua pele fica feia com estrias, varizes, celulites e gordura localizada;
  10. Tem crianças demais na Terra.
  11. Filhos dão muito trabalho
  12. A gravidez deixa a mulher chata
  13. Filhos são uma obrigação eterna
  14. Desnecessário para perpetuação da espécie (já são 8 bilhões de seres humanos no mundo)
  15. Crianças são capazes de colocar os pais em situação de vexames na rua
  16. Filhos são como alto-falante de pedir coisas.
  17. O filho é um ser humano como outro ser qualquer então dele se pode esperar de tudo, inclusive fazer mal aos pais
  18. Filhos tomam tempo, algo cada vez mais escasso
  19. É frustrante ficar corrigindo seu filho todo tempo.
  20. Com filhos, liberdade limitada
  21. Criança boa só tem duas: aquela que já fomos e a dos outros.
  22. Colocar alguém no mundo só pra ele cuidar de você na velhice, e atender seus projetos pessoais é egoísta e mesquinho.
  23. Se vc for procurar uma casa de aluguel e outra pessoa também, se você tiver filhos, difícil conseguir!
  24. Filhos dão muita dor de cabeça, e exigem muita paciência além gasto físico e mental.
  25. Se divorciar e tentar uma vida nova com alguém, fica muito difícil por está ligada à outra pessoa por causa dos filhos e dessa nova pessoa vai aceitar você com seus filhos.
  26. Quando for viajar terá que levar os filhos e todos os ônus que trazem consigo, ou deixá-las com seus pais (ou com sua sogra!).
  27. Ter filhos é igual piscina gelada, depois que o primeiro tonto entra, fica falando para os outros: – Pula que a água tá boa.
  28. Chegada dos filhos atrapalha vida sexual do casal.
  29. Você pode ser uma péssima mãe ou um péssimo pai.
  30. Criar filhos é igual criar cachorro: depois que cresce perde a graça.
  31. Filhos só sabem limpar a bunda após os 4 anos. São 4 anos ouvindo Acabeeeeiiiiii
  32. Se você for homem e se divorciar, cada filho seu vai levar no mínimo 10% do seu salário, isso se a mãe não tiver bem orientada por um bom advogado!
  33. Ser pai ou mãe é o trabalho mais difícil do mundo, e pior que não existe aposentadoria!
  34. A gravidez deixa a mulher horrorível e traz uma série de complicações de saúde.
  35. Meio milhão de mães morrem durante o parto todos os anos.
  36. Seu filho pode nascer hiperativo (já pensou que inferno?).

Conclusão

Que pai e que mãe, ao ler a lista dos childfree (ainda que se repita em diversos pontos), não fica com a língua coçando para gritar? “Espera aí! Não é bem assim! Vocês só estão focando o lado pesado, e de forma exagerada!”

Que pai e que mãe não ficaria inclinado a enumerar outra lista, somente com as benesses de ter filhos?

Abrindo o leque: por que a discussão em torno da escolha entre ter ou não ter filhos é tão inflamada? Por que as pessoas se ofendem e chegam ao ponto de se xingarem?

O que está em jogo no artigo de Rosely Sayão, na pesquisa citada por Elisabeth Badinter, no texto de Mateus de Almeida, nos comentários?

  • O eterno binômio da natureza humana: obrigação x prazer;
  • Os apelos de uma sociedade cada vez mais individualista;
  • A polêmica em torno do aborto;
  • O aumento da violência no mundo;
  • A questão da adoção;
  • As diferentes relações de trabalho entre homens e mulheres;
  • O papel do Estado e da comunidade em relação às crianças;
  • A pressão real da sociedade para que as pessoas tenham filhos, que surge até para quem tem filho único;
  • A promessa para a mulher, como se somente depois de virar mãe ela seria realizada;
  • O trabalho intenso e a responsabilidade que envolve a criação dos filhos;
  • A velha conhecida que fazem questão de imputar às mães: a culpa.

Toda vez em que há um esforço para defender determinado ponto de vista, aparecem alguns problemas: a radicalização e a generalização.

Não adianta querer colocar todas as pessoas no mesmo balaio. Se formos subdividindo, teríamos um grupo com os que não querem ter filhos. Desses, há os que não querem agora, os que querem adotar, os que não querem de jeito nenhum. Há os convictos e os que se arrependem.

No outro grupo, há os que querem ter filhos. Desses, há quem esteja preparado e quem não esteja. Dos que não estão preparados, há os que aprendem e os que não aprendem. Dos que estão preparados, os que se desapontam com expectativas. Os que estão realizados, mas enfrentam situações de estresse, afinal são todos humanos: filhos e pais.

Pessoas sonham, se frustram. Erram. Mudam de opinião. Crescem.

Marusia fala

Sempre quis ter filhos, por uma série de motivos. O principal era querer transmitir a eles o que eu havia aprendido. É óbvio que eu não pensei: “quero filhos porque eles dão trabalho, é preciso dinheiro, vou ficar acordada muitas noites, vou ter que repetir a mesma coisa mil vezes, vou renunciar a isso ou àquilo.” Eu estava consciente disso e disposta a enfrentar tudo em prol de outros desejos. Mas eu tinha uma ideia muito diferente do que era ser mãe. Na minha cabeça, planejamento e informação seriam suficientes para manter tudo sob meu controle.

Quanta ilusão…  com crianças, nada segue um roteiro predeterminado, nada está sob nosso controle. Nunca havia me deparado com situações que exigissem tanta humildade, além de desapego, força, calma, discernimento, superação. Já até reconfigurei meu motivo original: muito mais que transmitir o que eu aprendi, eu é que tenho que ser ensinada…

________________

Veja também:

“Quem vai ficar com as crianças?” – Análise

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6 pensamentos sobre “Por que temos filhos?

  1. Marusia, leio sempre seus posts e esse foi um dos melhores. Por que temos tanta dificuldade em respeitar? Minha verdade é só minha. Parabéns pela reflexão.

    • Marília,
      fico muito honrada com seu comentário. Sim, “respeito” é a palavra-chave que permite nosso aprimoramento como pessoas. Indispensável.
      Beijos,
      Marusia

    • Oi, Sueli!
      É mesmo uma decisão e tanto, por isso é tão pessoal, tão exclusiva.
      Um beijo, obrigada por comentar!

      • Parabéns pelo seu texto. Nunca quis ter filhos e fiz vasectomia aos 32 anos, mas foi mto dificil achar um médico para fazer o procedimento. Tive que ir em outra cidade para conseguir. Para mim, o médico não poderia se recusar. Fui mto claro que não queria filhos…hoje tenho 39 e não me arrependo. Fico com pena das pessoas sem condições financeiras que não podem fazer esse procedimento no sus… e depois terem filhos indesejados…]

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