Caminhos

Ryotiras

Ryotiras

Recentemente, escrevi sobre o Meio Termo de Ouro, ou o Caminho do Meio. Na pesquisa, havia encontrado a tirinha acima. Acabei ilustrando o post com fotos, mas a deixei guardada. Hoje, abri os arquivos e me deparei com o bonequinho andando pela grama. Mantendo de lado a metáfora de criar nossos próprios caminhos alternativos, me perguntei: quando foi a última vez que andei na grama?

De sapatos não vale. De salto, então, nem se fala, porque ele teima em se enterrar, uma lambreca só. Estou falando de andar descalça (e sem me importar com a lambreca). Eu, que jogava bolinha de gude, descia o barranco em caixa de papelão, subia em árvore, guiava de propósito a bicicleta para as poças de lama, me transformei na Miss Fresca. Por si só já seria uma perda individual; o problema é estender a frescura para meus filhos. Já deixei que andassem descalços, mas com o Baby Wipes na bolsa para limpar depois…

Deve ser por isso que adoro praia. Deve ser o único lugar do universo em que sento e deito na areia, que mexo com lama. Deve ser porque, depois de seca, a areia desprende.

Dia desses vi um vídeo sobre Aelita Andre, uma menina de 5 anos, um talento precoce, considerada um fenômeno em galerias de arte. O pai montou na garagem um ateliê para que ela tivesse liberdade de criação. Bom, moro em apartamento, mas, mesmo se eu tivesse uma garagem, pensaria duas vezes antes de permitir tamanha lambreca. Junte-se a isso meu drama com o desperdício (veja como ela derrama as latas de tinta!) e talvez não despertasse essa pequenina gênia no mundo… o_O

Também vi uma plaquinha dessas de boas-vindas, que dizia: “Perdoe a bagunça. Aqui as crianças estão criando memórias”. Assim, não tenho impedido meus filhos de fazer cabana de lençol, encher a janela de adesivos, ampliar os territórios dos brinquedos para a casa toda. Mas, por que, na hora que eles mexem com guache, ainda faço questão de forrar o chão com jornal? Por que deixo, mas fico agoniada quando eles não limpam o pincel antes de mergulhá-lo em outro pote de tinta? Por que deixo, mas temo que sujem a roupa?

Semana passada, estávamos na aula de natação (sim, fazemos eu e os três no mesmo horário, para otimizar) e de repente o solzão deu lugar ao maior pé d’água. Se é chuva sem relâmpago, os professores não interrompem a aula. Acho que foi a primeira vez, em décadas, que peguei chuva. Já tinha me esquecido de como é bom… O curioso é que também deve ter sido a primeira vez que o caçula (de 4), e quiçá os outros dois, tinham a experiência de ficar embaixo na chuva por um tempo tão comprido (e não correndo dela).

Ainda falta 1 mês, mas uma das resoluções de Ano Novo será: pegar o caminho da grama. De preferência, com chuva.

Chorei rios com esse anúncio…

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Veja também:

Só as mães são felizes – Marusia fala

Quero ser criança quando eu crescer

O anjo na areia

O Meio Termo de Ouro para Pais e Mães

This post in English: Paths

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6 pensamentos sobre “Caminhos

  1. com certeza a cada fase temos que escolher os caminhos certo, mais as vezes o que pensamos que é o certo aborrecem muita gente, principalmente os filhos, então temos que parar e analisar cada detalhe para não passar despercebido.
    Meu filho tem 7 meses, então o deixo no tapete brincando e também o estimulando , ai é coisa que ele come como biscoito, é brinquedos espalhados por todo lado e assim quando o mesmo vai dormi limpo, coloco cada coisa em seu devido lugar e no outro dia ou mais tarde começa tudo de novo.
    P.S: não faça uma visita
    Um super beijo da Adelaine e do Pedro
    http://pedroantoniog.blogspot.com.br

    • Oi, Adelaine!
      Sim, temos que curtir esses momentos gostosos! Se a visita aparecer, a gente chama para comer biscoito, também! 😉
      Beijos!

  2. Que lindo, amada, sentir a re-conexão da sua “mulher selvagem” com seu habitat preferido: a mãe terra! Foi emocionante! Ela sempre dá uma escapada… no seu canto, nos seus quadros, na sua dança, nos seus escritos… e sempre me encanta quando aparece!

    • Oi, Dri,
      chorei, chorei com seu comentário, porque identifiquei o processo com exatidão! E como essas “chuvas internas” fazem igualmente bem! É muito bom me sentir nesse poderoso círculo de amparo, do qual você faz parte!
      Um beijo no coração,
      Marusia

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