Onde está meu bebê?

Site visitado: Antes que elas cresçam – Affonso Romano de Sant’Anna

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sapatinhos de bebê

Foto: Jynmeyer / stock xchng

A crônica de Affonso falou fundo ao meu coração. Tantas verdades, em um espaço tão curto de linhas! Textos como esse dão origem a sentimentos antagônicos. No início, algo como: devo curtir mais o presente, pois tudo passa muito rápido. Em seguida, um olhar sobre meus pais e avós, em busca da conexão que existe entre o que fomos como crianças e os nossos filhos.

Mas, em outros instantes, também veio a raiva. Relembrar o passado se faz com óculos cor-de-rosa. Affonso não disse que deveríamos enfrentar mais birras, limpar mais vômitos, virar mais noites, perder mais a paciência. E a culpa: essas lentes, de uma voz vinda da experiência, pedem que relevemos esses fatos chatos para nos dedicarmos aos fatos bacanas. Cá pra nós, no rame-rame do dia-a-dia, isso requer postura de Madre Teresa de Calcutá.

Vou contar uma historinha. Quando minha filha terminou o 2º período na Educação Infantil, a escola organizou um “pernoite”, ou seja, as crianças de sua turma fizeram dezenas de atividades e dormiram na escola. No dia seguinte, elas acordariam e encontrariam mensagens da família debaixo de seu travesseiro.

(Para as mamães inseguras, digo que dois de meus filhos já pernoitaram na escola. Até hoje é, para eles, uma das experiências mais fantásticas de que se recordam).

Como minha família é imensa, resolvi encadernar em espiral as mensagens de todos. Imprimi Hello Kitties, anjos, bailarinas, fadas, flores para enfeitar. Na hora de fazer minha mensagem, resolvi fazer uma retrospectiva, desde que ela era bebê, ano a ano. Olhar álbuns de fotografia é uma brincadeira frequente aqui em casa, mas dessa vez foi diferente. Era uma comprovação inequívoca de que o tempo tinha passado.

Fiquei olhando aquelas fotos e me perguntando: onde está esse bebê? E olhava para minha filha tentando encontrar alguns traços. Mas ela tinha se transformado em uma mocinha, esperta, graciosa, independente e elegante.

Não preciso dizer que me acometeu um sentimento confuso, de alegria pelo que ela se tornou, mas de saudade, muita saudade, e perplexidade. Já tinha ouvido muitas mães contarem que os bebês consomem uma dedicação tão intensa de cuidados, um atrás do outro, preenchendo o dia inteiro em cada segundo, que o cansaço por vezes não nos deixa “curti-los”. E assim, quando elas se davam conta, eles já tinham crescido, sem que elas percebessem.

Com isso em mente, fiz de tudo para me focar no presente e curtir cada instante. Meus bebês foram muitíssimo “curtidos”. Entretanto, isso não impediu que eu visse as roupinhas e sapatinhos ficando pequenos, as fraldas e mamadeiras sendo aposentadas, e tentando, como no filme Mama Mia, segurar suas infâncias como areia entre os dedos.

E chorei fazendo o caderninho do 2º período.

À noite, sonhei que minha filha era de novo um bebê. Era como se meu anjo da guarda estivesse me dando uma oportunidade de matar a saudade. Foi maravilhoso. Mas acordei com a voz do anjo: “Muito bem. Agora não espere passarem outros seis anos para se perguntar: Onde está minha menininha de seis anos?

sapatos de menina

Foto: 38 parrots / stock xchng

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Veja também:

Achei lindo quando… mas senti falta de…

Lembranças de infância

Cheiro de infância

This post in English: Where’s my baby?

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9 pensamentos sobre “Onde está meu bebê?

  1. Nossa, vc escreveu esse texto e ontem eu relembrava através de fotos o quando meu filho ficou grande, peguei olhei foto por foto desde a primeira ultra até a última tirada, fui observando que era carequinha, e que agora está tão cabeludo, dentre tantas coisas.
    Amei seu texto.
    bjs
    #amigacomenta

  2. Olá, Marusia.
    Confesso que li metade do seu texto e parei. Não consegui prosseguir. Não QUERO prosseguir. O problema não é com o texto não, é comigo, que não quero imaginar ele crescendo…
    sei que é inevitável, mas não estou preparada.

    Beijos
    #amigacomenta

  3. Chorei com seu texto e com o comentário da Lívia… me sinto assim também! É um misto de alegria e tristeza: as crianças se desenvolvem e nos surpreende de outra forma; mas amamos tanto a fase bebê que dá vontade de fazer o tempo parar!!

    Beijão.
    @_maejestade

  4. Que lindo!! Sabe o que eu acho mais lindo? Eles crescem e vêm outras fases maravilhosas!! Eu olho para o Vítor hoje e sinto o maior orgulho dele, mas ao mesmo tempo me pergunto: como assim esse meninão, deste tamanho, saiu de dentro de mim? kkk

    Muito amor…:)

    Ótimo post!

    Beijos
    Tati
    Mulher e Mãe
    #amigacomenta

  5. Os meus tem 9 e 11 anos, olho as fotos e faço a mesma pergunta, as feições mudaram, os gostos mudaram o comportamento mudou… estão crescendo e cada dia mais afastando-se de mim, procurando novos caminhos, novas coisas… eu choro e sofro com isso, mas sei que é um caminho normal que um dia eu tbém fiz e que fez a minha mãe chorar… Hoje mesmo enquanto esperava eles saírem da escola fiquei observando os jovens do ensino médio e imaginando eles sozinhos vivendo tudo sem mim… affffffff…
    Bjs, bom findi…
    P.S.: um dia minha mãe falou que eu sentiria saudades dos tempos que eles eram bbs…
    #amigacomenta
    umespaoprachamardemeu.blogspot.com.br

  6. Que lindo texto…eu sou mãe de um bebê de 9 meses e vivo ouvindo que devo curti-lo mais porque passa rápido e assim tento fazer. Brinco bastante com ele, as vezes deixo os trabalhos domésticos de lado para me divertir ou sair com ele, porque, acredite, já me peguei com saudades de quando ele era apenas um RN.
    Bjs!
    Mãe do Theo
    http://docerotinamaterna.blogspot.com.br
    #amigacomenta

  7. Ah!
    Minha neninha vai fazer um ano, e eu me pego vendo fotos e videos de quando ela era miudica e sinto uma saudaaaaade!
    Mas com certeza estamos aproveitando cada minutinho!

    Beijão!
    @JuLeite
    #amigacomenta

  8. Marusia, ler seu texto me emocionou… Os olhos chegaram a arder… Como é doloroso e ao mesmo tempo gratificante vê-los crescer! A minha só tem 2 anos e já sinto a velocidade do tempo. Choro às vezes, noutras me pego de longe, observando suas sapequices e suas descobertas. É nessas horas que entendo porque nossos pais continuam nos vendo como criancinhas, que precisam de cuidado. Crescer dói. E ver crescer também!

    Silvia Azevedo @silvia_az
    http://umapitadadecadacoisa.blogspot.com

    #amigacomenta

  9. ô querida…
    tô aqui chorando… isso não se faz…
    pois é, identificação total, como você bem disse…
    e acho que vou chorar muuuuuito se tiver que fazer um caderninho como esse…
    beijos molhados de lágrimas que não param de cair
    thaís

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