O que aprendi sobre… gravidez

Mais especificamente sobre… os desconfortos da gravidez.

Uma coisa que chamou minha atenção quando eu estava esperando neném eram as fotos de anúncios e reportagens com grávidas. Todas serenas, em clima absolutamente zen.

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo yoga

grávida fazendo alongamento

Grávida fazendo yoga

grávida fazendo automassagem

Bom, também fiz caminhada, yoga e meditação, curti pra caramba a barriga, posso dizer que tive meus momentos zen. Mas também tive meus momentos toscos. Nesses últimos, além de não me enquadrar nas imagens da gravidez perfeita mostrada na mídia, nem sempre conseguia resposta para minhas dúvidas.

A pressão que a mulher enfrenta quando se torna mãe já começa na gravidez. Assim, é na gravidez que ela deve começar a se preparar para se proteger contra essa pressão. Conheça a regra número 1 do desencucamento: NINGUÉM é medida de ninguém. NINGUÉM pode tomar a experiência própria para julgar o outro. Cada um é um. Cada organismo é um. Cada mulher é diferente das outras. Até a mesma mulher: cada gravidez é um evento único e não pode ser comparado.

Você sabia, por exemplo, que toda a “aparelhagem” da gravidez é produzida pelo bebê? Que, após o espermatozoide se unir ao óvulo, o código genético do embrião (e não o da mãe!) cria a bolsa d’água, o cordão umbilical e até mesmo a placenta? E que isso acontece de forma independente? É por isso que cada gravidez é única.

Dito isso, vamos às dicas.

Enjoo

Olha, eu sofri, viu? Me lembro de, em pleno dia de Ano Novo, estar espetada no soro no hospital tomando anti-hemético na veia. E era um alívio momentâneo, porque não tinha remédio que resolvesse. Nem homeopatia. Nem Floral de Bach, do-in, nada fazia efeito.

Quando fui atrás das razões, ouvi de tudo:

– Deve ser um menino. Menino sempre causa mais enjoo na mãe. (No meu caso, que já tive menino e já tive menina, enjoei da mesma forma).

– O bebê deve ser cabeludo. (!!)

– Isso é psicológico.

– Isso é frescura.

– Isso é desculpa pra ficar “se encostando”, sem fazer nada.

– Gravidez não é doença.

– Mas você não está tomando remédio?

(Esta “pérola” eu li na internet): – No fundo, no fundo, você não queria esse bebê.

Até que meu obstetra e minha endocrinologista disseram (em linguagem pra leigo entender):

– Os hormônios da gravidez deixam os tecidos musculares flácidos, para inibir as contrações. Isso inclui os órgãos da digestão. O esôfago, por exemplo, fica “molinho”, e os ácidos do estômago podem retornar (refluxo).

– Há aumento na produção de saliva.

– A circulação sanguínea no corpo da mulher aumenta, e a pressão arterial pode cair – daí a sensação de cansaço e sonolência.

– Os dutos respiratórios podem ficar mais estreitos (isso explica também a alta incidência de congestão nasal, sinusite ou otite nas grávidas).

Quem diria: excesso de hormônios e sintomas desejáveis de uma gravidez saudável.

O cruel do enjoo é que você não tem vontade de fazer nada. A prostração é grande.

Houve uma vez, depois que tive as crianças, que nossa família inteira estava em um passeio de barco e todo mundo enjoou (menos eu, ora vejam só). Não resisti e comentei com cada um deles: “Tá vendo? Viu como você perde o gás? Agora imagina sentir isso todo dia, o dia todo, durante meses seguidos! Era o que eu sentia na gravidez.” Tome.

Se você está passando por isso, o jeito é conviver evitando piorar o negócio:

  1. Não fique de estômago vazio. Faça pequenas refeições, em intervalos menores. Tenha sempre uma coisa “sequinha”, como uma torrada ou uma bolachinha cream-cracker à mão. (Amei quando meu tio trouxe da Bahia um saco de beiju!)
  2. Não tome líquido durante as refeições. Intercale com elas.
  3. Experimente coisas ácidas, como suco de limão e maçã verde. E salgadas, como azeitona e pipoca.
  4. Na hora de escovar os dentes: respire fundo use o mínimo de creme dental possível.
  5. Evite doces e outras coisas de difícil digestão.

Anemia

  1. Nas refeições, não misture alimentos com ferro (carne, feijão, brócolis) e alimentos com cálcio (leite, queijo, iogurte), porque esses últimos atrapalham a absorção dos primeiros. Sugestão: muito cálcio no café-da-manhã, muito ferro no almoço e no jantar.
  2. Se houver necessidade de complemento, cuidado. Alguns compostos com ferro causam diarreia. Fiquei meses indo ao WC oito vezes ao dia, até exame de ameba eu fiz, e era o comprimido de ferro.

Dor nas costas

  1. Sempre que puder, deite e ponha os pés para cima (literalmente).
  2. Não fique muito tempo na mesma posição (nem de pé, nem sentada, nem deitada).
  3. Se seu médico concordar, experimente massagem e drenagem linfática.
  4. Para dormir, use uma almofadinha em forma de cunha: parece besteira, mas o efeito é fantástico, principalmente nos últimos meses.almofada para grávidas

Medo

– E se eu perder o bebê?

– Meu corpo voltará a ser como antes?

– Como será o parto? Vai doer?

– Será que meu bebê é normal?

– Será que vou dar conta?

Se você já se fez alguma dessas perguntas, saiba que isso é natural. Não se culpe. No que depende da gente, é mais simples. O problema está no que não depende (a maior parte dos medos).

O segredo é: permita-se sentir e observe. Mas em seguida libere os pensamentos e não se deixe envenenar ou dominar por eles, ok?

Proteja-se. Evite ler ou ver reportagens ou filmes violentos. Não permita que lhe contem histórias trágicas. Mantenha-se em uma vibração diferente.

Todos os desconfortos

Se, depois de esgumitar até as tripas no WC e sair com uma aparência meio verde, você ouvir:

– Oh, você deveria estar tão feliz! Tanta gente quer e não consegue engravidar!

Nessas horas, pense que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Sorria e faça como as Motherns: ative “um canal auditivo suplementar instantaneamente ligado a um canal auditivo de retorno – ou seja: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.”

As mudanças orgânicas e as reações VARIAM DE MULHER PARA MULHER, por isso ninguém é parâmetro. Se alguém que você conhece está grávida e não sentiu nadica de nada, passou em brancas nuvens, zen como as fotos do ínicio do post, que bom para ela e ponto final.

Se você estiver grávida, pode ser que sinta algum desses desconfortos; pode ser que não, e assim espero. Mas, se você sentir, procure encontrar o SEU ponto de equilíbrio:

  1. Respeite-se. Se quiser ficar quietinha, fique. Se quiser espairecer, dê uma volta com seus amigos.
  2. Não fique se comparando.
  3. Compartilhe suas emoções. Pode ser com seu marido, um(a) amigo(a) de verdade, um terapeuta.
  4. Expresse sua criatividade. Desenhe, cante, dance.
  5. Curta muito a hora do banho. Deixe a água levar a tensão embora.
  6. Ouça música clássica ou de relaxamento, leia poesia, assista a filmes com mensagens alegres.
  7. Concentre-se na respiração. Imagine o seu coração como um ponto de luz. Imagine o coração do bebê como outro ponto de luz unindo-se ao seu e expandindo-se.
  8. Escreva. Pode ser num blog ou num diário secreto. Ou aproveite o espaço e deixe seu comentário.

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4 pensamentos sobre “O que aprendi sobre… gravidez

  1. Kkkkk são duas da manhã e eu rindo igual louca!!! Adorei essa parte do enjoo aconteceu exatamente assim comigo. Não foi exatamente um conto de fadas. Bjs

    • Oi, Sandra!
      Uma vez me disseram que as lembranças mais engraçadas de uma viagem, as histórias que todo mundo depois quer que a gente conte de novo, são exatamente sobre as coisas não saem bem como o esperado… É claro que, quando estamos no meio da situação, não é mole. Mas, quando a gente ri e se identifica, se sente mais leve.
      Um beijo, obrigada pela visita!

  2. E como é bom a gente rir de si mesma!!! Acho que torna qualquer situação menos difícil, a gente encara com mais facilidade. Pelo menos eu tento agir assim para tornar “as cargas” da vida mais leves e mais divertidas. Beijos.

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