Mãe Malabarista? Não, obrigada

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Talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis” – vídeos da TV Câmara disponíveis para assisitir e baixar

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mãe malabarista

Imagem: Journal Times - Tim Ludwig / The Wichita Eagle / MCT)

A expressão “vida de malabarista” sugere uma existência caracterizada por atividade incessante, consciência e concentração, em que o verdadeiro “truque” consiste em manter a ilusão de ausência de esforço.

[…] O castigo para a malabarista de sucesso é maior ainda que para a fracassada. Quanto melhor você é na sua arte, tanto mais vai ter que trabalhar. E quanto mais você trabalha, tanto mais invisíveis se tornam seus esforços.

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade – porque fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. pp 242-243)

Eu trabalho na Câmara dos Deputados, na área de Comunicação. No dia 31 de março deste ano, por ocasião das comemorações do Mês da Mulher, foi organizado o talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis”. A imagem de divulgação era uma sequência de desenhos com a mesma mulher em várias situações: executiva, mãe, atleta, dona de casa e assim por diante.

Na época, postei no Facebook meu desconforto em relação a essa imagem: “não pela pluralidade em si, que pode ser enriquecedora, mas pela insistência no conceito de mulher multitarefa e perfeita em todos os papéis. Ainda dizem que é um atributo cerebral feminino, inato, naturalizando sem questionar. Para mim, esse ‘pedestal’ só gera uma vida fragmentada, exaustiva e frustrante.”

Os comentários foram muito legais! Desde a observação de que todos podem ser múltiplos, tanto homens quanto mulheres; à constatação de que entramos numa piração cansativa, mesmo quando temos consciência de que não precisamos disso. E ainda a vontade de ser só “eu” mesma, sem papel nenhum…

Minha amiga Vera Morgado, a apresentadora do evento, sugeriu que eu abrisse a questão no debate.

Minha pergunta para as debatedoras foi a seguinte:

Fala-se muito da mulher malabarista. Mas a malabarista tem os pratos no ar. Ela não se apropria dos pratos. Não prioriza nenhum para eles não caírem. Se cai um prato, ela é que se quebra. E, quando segura os pratos, o espetáculo acaba e ninguém presta atenção, ninguém valoriza. Como fugir dessa metáfora?

As respostas das participantes do talk show foram muito interessantes!

A atriz Elisa Lucinda falou sobre o perigo de nós confundirmos nossa personalidade com as tarefas que desempenhamos. E que não devemos sofrer com o prato que caiu, afinal, “vão-se os broches, ficam os peitos”.

A psicóloga Carmita Abdo disse que devemos aproveitar nossa característica feminina de multitarefa em nosso benefício, agregando, pacificando, em prol de nosso progresso pessoal.

E a deputada Janete Pietá resumiu em uma frase tudo que eu busco hoje:

Melhor que ser malabarista é ser a dona do circo.

É sermos gerentes de nós mesmas.

Melhor chefe do mundo!

 
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7 pensamentos sobre “Mãe Malabarista? Não, obrigada

  1. adirei esta reflexão!
    também nunca aceitei esse papel.
    vc acredita que ganhei um livro chamado mãe equilibrista há dois anos e ele ainda está no plástico? não foi uma ação deliberada deixá-lo no canto. seria uma atitude inconsciente?

  2. marusia, bela reflexão.
    a gente se acostuma tanto a ouvir que somos malabaristas, que, muitas vezes, nós mesmos acabamos naturalizando.
    fiquei com vontade de estar nesse debate, que deve ter sido bom, hein!
    beijo

  3. Que interessante esse ponto de vista… até então eu ficava dividida entre achar bom (e tirar onda por dar conta de tantas coisas ao mesmo tempo) e achar terrível (pq ao final do dia não sobra nada de mim). E seu texto me fez entender bem essa contradição de sensações.

    Definitivamente, falta eu conseguir largar esses papéis todos e me permitir o apenas eu por alguns instantes sem nenhum “uniforme” me cobrar presença. Agora… como?!

    Também quero ser a dono do circo!! (Adorei isso!)
    Beijos

  4. ó, posso falar?
    acho essa história de multitarefa, multimulher, malabarista e afins uma grande porcaria.
    na minha opinião não dá pra fazer tudo e ser ótima em tudo. alguma coisa sempre acaba perdendo. seja na educação dos filhos, seja no trabalho. não acho que seja possível (pra mim, ok?) ser executiva, mulher e mãe bem sucedida em todas as coisas.
    não consigo entender a ideia de deixar meu baby fofo com outra pessoa pra sair pra trabalhar. acho que, se há necessidade financeira, tudo bem, mas se o homem consegue sustentar a casa sozinho vale a pena a mulher educar de perto os filhos. acho que a presença de ambos os pais é muito importante, mas a da mãe é inquestionável.

    bjbjbj

    http://maeporacaso.spaceblog.com.br/

  5. ADOREI ENCONTRAR SEU BLOG, SOU TO E TRABALHO COM CRIANÇAS COM AUTISMO E MÃES E PAIS MALABARISTAS, RSRS

    ENGRAÇADO E CURIOSO ESSE TEXTO….FAZ REFLETIR COMO ME FEZ UMA VEZ QUANDO OUVI: “DEIXE A PETECA CAIR SIM, SE CAIR DO SEU LADO VOCÊ PEGA..SE CAIR DO OUTRO LADO DEIXE QUE PEGUEM.

    MÃES MALABARISTAS TAMBÉM GANHAM O “OSCAR” DE RESOLVER PROBLEMAS DOS OUTROS E DO MUNDO.
    MUITO OBRIGADA E AGORA EU ASSINEI SEU BLOG
    SE QUISER FAZER UMA VISITA NO MEU, SERÁ UM PRAZER
    AUTISMOENCANTA.WORDPRESS.OM

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