Perigo de ser mãe perfeita 1 – O que é ser mãe perfeita hoje?

O problema já começa no conceito. Queremos ser perfeitas, mas não temos muita noção do que isso significa. É, porque toda hora esse referencial muda. Sabe a sensação de “mudar a regra no meio do jogo”? Ou “trocar o pneu com o carro andando”? Mais ou menos isso.

Hoje, o que está em voga é a mãe perfeita natureba. Acontece que, há bem pouco tempo, mãe perfeita tinha que ter o parto no hospital, que afirmavam ser mais “científico” e seguro; dar leite artificial e farinha láctea na mamadeira, que diziam ser mais prático e mais nutritivo, além de permitir independência à “nova mulher moderna”; ser produtiva, desde que dedicasse “tempo de qualidade” aos filhos.

Há apenas uma geração atrás, mãe perfeita enfaixava o umbigo, dava de mamar de 3h/3h, oferecia chazinho de camomila à noite, punha para dormir de bruços, entupia o bumbum DO bebê de talco, dava biotômico Fontoura. Benzetacil era a promessa de cura para todo e qualquer mal. Tudo era meticulosamente esterilizado e haja álcool, inseticida e antibacteriano. Depois de criar um batalhão de alérgicos e ressuscitar superbactérias, trouxeram de volta a ideia da “vitamina S” e “se sujar faz bem”.

Pois ainda houve época em que se aconselhava deixar os filhos chorando, para não ficarem mimados. Aliás, diziam que chorar fazia bem para o pulmão. Que todos os banhos deveriam ser gelados, para aumentar a imunidade. Na década de 1970, era o oposto. Criança tinha que ser plenamente satisfeita, para não ficar traumatizada. Em seguida, mudaram o discurso: tem que impor limites.

Do meu primogênito ao caçula, descobri que tinha que esfregar os mamilos na gestação – depois, não podia mais, não; que o bebê tinha que dormir de lado – depois, não podia mais, não. Enfim. O que não falta é teoria.

Alegam que hoje, finalmente, encontramos o mix perfeito, que somos muito mais informadas que nossas mães, e que a ciência encontrou seu ápice. Pois nem quero pensar o que nossos filhos vão achar de nós quando eles tiverem filhos rsrsrs!

“Uma escritora famosa, mãe de muitos filhos, disse-me que teve cada filho numa década diferente criou cada um segundo o método vigente no momento, com um conjunto de regras diferente e conflitante a cada vez. Se a cada nascimento de um filho ela tivesse acreditado nas palavras da sumidade da moda, concluiria que a vida do filho anterior estava irremediavelmente arruinada.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

“Nós, da geração pós-feminista, parecemos ter perdido o respeito pela sabedoria de mulheres que trilharam o caminho da maternidade antes de nós. Como em todos os casos de jogar fora o bebê com a água do banho, essa foi uma perda incalculável. Em certa medida, o que não sabemos sobre a maternidade é o que nos recusamos a ouvir e ver na vida de mulheres que nos cercam, com a presunção arrogante de que somos únicas, de que vamos ser diferentes.”

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. Pp184-185)

Minha mãe não fez curso de puericultura nem leu as toneladas de livros e artigos que eu li. Mas sabia como ninguém cantar para nós dormirmos. E tinha uma coisa especial que não está em livro algum, sobrevive a qualquer teoria e vai atravessar os tempos: LEVEZA. Algo que é totalmente impossível de alcançar quando se tem perfeccionismo.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

De mãe para filha

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

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