Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

ESCRITORA CONVIDADA: Maria Amélia de Amaral e Elói*
Enquanto mãe de segunda viagem, agora já posso perguntar, zombeteira: “Espelho, espelho meu, existe alguma mãe mais perfeita do que eu?” E a resposta nua e crua nem me abate: “Decerto que sim, e muito mais que uma”. O amor crescente que sinto por minhas duas filhotas me convence de que o dia a dia em família não precisa ser perfeito para ser feliz.

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Sou Amélia e mãe que ama as duas crias de paixão, mas sinceramente:

senti muuita dor nos dois partos naturais;

odeio a queda de cabelo no pós-parto;

reclamo muito ao levantar de madrugada para amamentar;

sinto dor nas costas e pescoço por amamentar;

adoro ouvir o pediatra dizer que meu leite sustenta e engorda meu bebê;

sou superdesengonçada com bebês (todos choram quando eu os pego no colo, exceto as minhas filhas, graças a Deus);

acho dificílimo impor um ritmo de sono aos filhos;

adoro poder comer loucamente e não engordar enquanto estou amamentando;

prefiro trocar fralda de xixi a de cocô (ou melhor, prefiro mesmo as fraldas limpinhas);

tenho raiva da tal da cólica, que normalmente chega à tardinha, quando a mãe está cansada, a filha mais velha chegou da escola e a babá já foi embora;

morro de medo quando o bebê engasga;

adoro quando o bebê dorme;

não gosto de ouvir choro de bebê;

detesto lavar roupinha vomitada ou cagada;

não consigo, de pé, carregar o bebê no colo por muito tempo;

não sei equilibrar bebê e bolsa dentro de ônibus ou metrô (na verdade, não me equilibro bem nem sozinha);

acho complicado ajustar a cadeirinha do bebê ao cinto de segurança do carro;

tenho preguiça de fazer sopinha nova para o bebê todo santo dia;

odeio todas as vacinas e suas reações;

perco a paciência com birra de criança;

às vezes finjo que não vi minha filha desobedecendo, só para não ter de brigar;

muitas vezes já desejei que os dentes só nascessem quando as crianças completassem sete anos;

gostaria de ter corpo sarado logo após o parto e sem fazer nenhum esforço;

tenho preguiça de contar história e pôr as crianças para dormir toda noite;

gosto quando meu marido sai com as crianças para eu dormir;

quero ser elogiada não só como mãe, mas também como mulher;

não entendo por que, enquanto grávida, a mulher recebe tantos elogios pelo barrigão e, quando ganha bebê, todos acham um horror sua barriga flácida e murcha;

adoraria que a babá não tirasse folga nos sábados e domingos nem tivesse direito a férias.”

Maria Amélia, mãe da Luana Lis e da Mariana Flor

* Maria Amélia de Amaral e Elói venceu o 3º Concurso Literatura para Todos do Ministério da Educação, com o livro Poesia Torta, e o 5º Desafio de Escritores do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara, na categoria Crônica.

Veja também:

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6 pensamentos sobre “Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

  1. Amélia é mulher real, de carne e osso. De palavra. De verdade.
    A melhor parte é que as experiências, alegrias e conquistas também são DE VERDADE. Algo que não trocamos por nada neste mundo.

    Marusia

  2. Amigas queridas, saudade da convivência entre mães e grávidas tão especiais. Quando forem visitar a Maíra e a Pirueta (que já deve ter outro nome), me convidem. Qualquer dia, levo a Mariana pra vocês conhecerem. Bjo, Maria Amélia.

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