Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Cena 2 – Pai brigando com o filho na fila de entrada do parque aquático

Quando assisti à cena acima, eu ainda não tinha filhos. Fiquei um tempão pensando na contradição absoluta que aquilo representava: quem vai a um parque pretende se divertir. Pois nem ao menos a diversão começou, o estresse já estava instalado. Pensei na frustração da criança com a impaciência do pai. Pensei na frustração do pai, que planejou o passeio.

Aí, um belo dia eu virei mãe. E me vi, por muitas vezes, em contradições parecidas. O mais importante é ter consciência disso, de preferência no momento em que ocorre. Como diz minha mãe: “Atenção, para não haver tensão”. Repita comigo: “Eu estou de férias. Eu estou de férias. OOOOOOMMMMM…”

Outra coisa válida é passar a contar com certas possibilidades. Não se trata de “antever o pior” ou “sofrer por antecipação”. Trata-se de estar preparado para algumas situações (que, com sorte, até podem não ocorrer! rsrs).

Por experiência própria, enumero algumas coisinhas que nunca achei que pudessem acontecer nos meus planos dourados de “férias perfeitas com as crianças”:

  1. Brigas entre irmãos. Claro, sempre por motivos muito graves: “Olha, o avião tá descendo!” “Não, tá subindo.” “Não, tá descendo, você não ouviu o piloto falar?” “Subindo.”. “Claro que não, olha a cidade lá embaixo!” “Subindo!”  “TÁ DESCENDO!!!!” POU, PLAFT, SOC, TUM! “Ô MÃÃÃÃÃÃÃÃEEEEEE!!!!!” (fato verídico).
  2. Processos de bobeira. Não acho correto dizer “ataque” ou “acesso” de bobeira. “Acesso” traduziria algo momentâneo, passageiro. Considero mais adequado falar de “processo” de bobeira (“processo”, realmente, lembra mesmo uma coisa beeem demorada). Em suma, são aquelas risadinhas bestas intermináveis, quando você não consegue a atenção deles para nada.
  3. Teimosia. Principalmente na frente dos outros, porque seus filhos sabem que você hesitará em chamar a atenção.
  4. Desobediência. Em algumas vezes, a desobediência perigosa, como ir para o fundo do mar ou da piscina.
  5. Renúncia. Muito do que a cidade ou o hotel oferecer não vai dar para levar as crianças, o que significa que será difícil para você ir. Mesmo coisas inocentezinhas, como curtir uma caminhada na praia.
  6. Interrupção. As coisas (dentre as que você conseguir fazer) poderão ser interrompidas a qualquer instante. Vai parar para oferecer água, pegar lanche, renovar o protetor solar, encher boia, enrolar na toalha e assim por diante. Ainda tem a CLÁSSICA: você fez o prato de todo mundo, cortou a carne, colocou suco e quando finalmente dá sua primeira garfada… “Mãe!!! Quero fazer cocô!!!”
  7. Improviso. Não espere reproduzir no hotel o conforto e a estrutura que você tem em casa. Isso é ilusão. Aliás, se você quer um lugar igual à sua casa, bem… fique em casa. Sair e viajar pressupõe mudar os ares, espairecer… e improvisar. Faz parte do pacote.
  8. Impaciência. Deles. Ouvir milhões de vezes: “Tá chegando???” “Não quero passar protetor solaaaaaar!” Ou, no auge do bem-bom, quando você finalmente achava que estava chegando ao nirvana do verão: “Ai, tá tão chato, quando a gente vai voltar?”

Aviso aos navegantes: O fato de saber disso tudo ajuda. Mas “não nos responsabilizamos por estresses posteriores”.

 

Via de regra…

Saímos de um restaurante alimentados.

Saímos de uma escola ensinados.

Saímos de uma academia malhados.

De um parque de diversão, temos que sair “divertidos”, né não? kkkkkk

Site visitado: http://www.familycircus.com/

Veja também:

Viajando com crianças. Parte I – A mala

Viajando com crianças. Parte III – O clubinho

Viajando com crianças. Parte IV – Os senões

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Toda a série Viajando com crianças

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2 pensamentos sobre “Viajando com crianças. Parte II – As contradições

  1. KKKKKKK!!
    Achei muito engraçado (por que me caiu como uma luva) e não resisti: acabei deixando um comentário no seu blog! E isso é coisa que realmente não faço!
    kkkkkkk!! Mas estou rindo até agora da coincidência entre algumas contradições que você postou e a minha vida de mãe da Isis. Só tenho ela, mas já vivi muitas dessas cenas! Estamos pensando no segundo filho (isso vai me ajudar a viver todo o restante!) mas a Isis tem nos dado um pouco de trabalho! Realmente, só sendo mãe para entender todas essas contradições que vemos e temos durante a vida! E eu que pensava em jamais permitir que isso acontecesse comigo, a ponto de julgar outros pais nessas situações! Mas é sempre como o ditado diz: “vivendo e aprendendo”!
    Obrigada Marusia, pelas boas risadas!

    • Oi, Faiedra!
      Que legal que você se identificou! 😀 De fato, as crianças dão nó em pingo d’água, e só convivendo com elas para entender – no caso das férias, é contato 24 horas kkkk! A melhor parte é que depois a gente ri um bocado!
      Um beijão, obrigada por comentar!

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