Quando não é possível amamentar

Na campanha de 2010, a frase: “Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor”, em letras manuscritas, e o papel de aparência envelhecida recorrem à memória discursiva de um anúncio do Leite Ninho da década de 1960. A mãe, com a lata nas mãos, diz: “Para os meus… Leite Ninho – o melhor do mundo.”

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Não há como afirmar que a campanha de 2010 seja uma resposta direta a esse anúncio. Mas todas as campanhas de aleitamento são respostas às campanhas de leite artificial.

Muito disso se deve a uma mudança profunda que ocorreu na geração das mães que antecedeu a atual: as mães das mães. Elas não amamentaram e foram até mesmo persuadidas a não fazê-lo. O leite artificial era uma promessa de liberdade, nutrição garantida, modernidade. O preço foi alto e até hoje está sendo pago, em todo o mundo.

Quando se tornou um problema de saúde pública, foi necessário agir em duas frentes: criar severas restrições às propagandas de leite de vaca e outras fórmulas lácteas; e investir pesado em campanhas de motivação ao aleitamento materno.

Ninguém nega a importância dessas ações. Mas, assim como o elástico volta com força proporcional à extensão com que foi puxado, esse movimento acabou dando origem a efeitos colaterais, de extremismo. Está criando uma legião de mães bem-intencionadas mas frustradas porque não conseguem amamentar – muitas vezes, por falta de apoio.

 Há mães que não podem – aliás, não DEVEM amamentar.

Não é aconselhável amamentar com:

  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tuberculose ativa não tratada e até uma semana após o início do tratamento, o que de obriga, durante este período, a separação de mãe e filho;
  • Medicamentos usados em doenças malignas (anti-neoplásicos) e isótopos radioativos para tratamento ou diagnóstico;
  • Raras doenças metabólicas inatas, do bebê, como a galactosemia;
  • Infecção com vírus citomegálico, em bebês prematuros;
  • Doenças maternas psiquiátricas, como depressão pós-parto.

 Não é possível amamentar quando:

  • A mãe passou por masectomia total – retirada dos seios necessária, por exemplo, na presença de câncer de mama;
  • A mãe passou por cirurgia nos seios e teve danificados os dutos, as glândulas produtoras de leite ou os nervos que rodeiam a aréola.

Outras dificuldades:

  • Mães com baixa produção de leite;
  • Mães ou bebês com problemas anatômicos;
  • Falta de informação (como as mães da geração anterior não amamentaram, não puderam passar adiante esse conhecimento. Hoje, é necessária a ajuda dos profissionais da área da saúde);
  • No caso de adoção (ainda que existam técnicas de lactação).

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

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