Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Semana Mundial da Amamentação

Site visitado: Sociedade Brasileira de Pediatria

Ano – Madrinha da campanha Tema
1999 – Luiza Brunet Amamentar é educar para a vida. Vamos reaprender!
2000 – Glória Pires Aleitamento materno. Bom para a mãe. Melhor para o bebê.
2001 – Isabel Fillardis Aleitamento materno. Uma forma muito especial de comunicação.
2002 – Claudia Rodrigues Amamentar é dar ao seu bebê saúde em forma de amor.
2003 – Luiza Thomé Amamentação. Saúde e paz para um mundo melhor.
2004 – Maria Paula Até os seis meses, mudança na alimentação do seu bebê só se for do peito direito para o esquerdo.
2005 – Vera Viel e Maria Paula Até os seis meses, seu bebê só precisa do leite materno. Depois, ofereça outros alimentos e continue amamentando.
2006 – Cássia Kiss Amamentação. Garantir esse direito é responsabilidade de todos.
2007 – Vanessa Lóes (com Thiago Lacerda) Amamentação na primeira hora, proteção sem demora.
2008 – Dira Paes (e mãe) Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar.
2009 – Claudia Leitte Amamentação em todos os momentos. Mais saúde, carinho e proteção
2010 – Wanessa Cristina e outras mães Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor

 Campanhas de doação de leite materno do Ministério da Saúde

2008 – Camila Pitanga Doe leite, a vida agradece.
2009 – Samara Fillipo Doe leite materno, a vida agradece.

 

Análise dos cartazes

Os cartazes têm por objetivo:

  • valorizar (e até glamurizar) a amamentação;
  • esclarecer os benefícios para a mãe e a criança;
  • ressaltar as vantagens do leite materno;
  • recomendar expressamente o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
  • chamar à responsabilidade todos os outros envolvidos: pai, outros familiares, empregador.

 Importante, válida, oportuna, necessária, encantadora, inspiradora: tudo isso foi mais do que reverenciado nas campanhas. Mas há outros aspectos que vão além da INQUESTIONÁVEL utilidade pública e beleza, que merecem análise.

O cartaz de 2010 chama atenção por ser o primeiro de uma série, em 12 anos, a apresentar mães que não são celebridades. Também há a figura central de uma negra. As imagens de amamentação são essencialmente “brancas”, com exceção de Isabel Fillardis, em 2001 (vale o teste: procurar “amamentação” na pesquisa de imagens do Google).

Outra novidade em 2010 é a presença de grávidas, ou seja, o aleitamento materno é uma atitude a ser acalentada já na gestação.

A terceira característica diferente é a mãe que amamenta olhando para o bebê (ainda que na foto menor). Na maior parte das vezes, as mães não estão olhando para o bebê, e sim para o espectador, enfatizando o apelo, em que elas se colocam como porta-vozes da campanha (a exceção está no cartaz de Vanessa Lóes e nos anúncios de doação de leite). Essa postura também demarca o caráter incisivo da “pose” para a foto, do momento artificialmente produzido, bem como do destaque da mãe, a heroína que merece ser aplaudida e seguida.

Cores, cenário, sorrisos, tudo contribui para o clima de serenidade e prazer, o que leva a entender que amamentar é um ato natural desde sempre e que não encerra dificuldades – nem quando são gêmeos (Luiza Thomé), nem quando são crianças maiores (Maria Paula). A mãe que não observa essa atmosfera quando tenta amamentar (sente dor, apresenta fissuras, leite empedrado, cansaço, falta de apoio) começa a imaginar que algo está errado – com ELA.

Já começam a ser observadas algumas mudanças positivas. Mas o que realmente falta em todos os cartazes é algo que vai além do “mais informações” com os telefones e o site. Assim, uma recomendação crucial não está explícita nos cartazes: “Havendo dificuldades, não deixe de entrar em contato com…”

Como toda boa propaganda, ninguém vai falar dos problemas. E a intenção aqui não é pretender que as campanhas foquem nas dificuldades. Esta análise propõe, sim, o foco na AJUDA, no apoio. Até porque a credibilidade da própria campanha pode ser prejudicada, a partir do momento que as mães, ao não conseguirem reproduzir o clima perfeito das fotos, comecem a desistir pensando que a amamentação só funciona para as estrelas globais (que desfrutam de todo um universo não acessível às “mortais”).

Pois essas informações estão disponíveis… nos materiais dirigidos aos profissionais da saúde. Não foram concebidas para o grande público. O Ministério da Saúde produziu uma cartilha ótima, honesta, plural, com “gente como a gente”, tão diferente dos cartazes! A ONG Amigas do Peito fez o upload em seu site. VALE O CLIQUE:

Cartilha de Amamentação do Ministério da Saúde

Veja também:

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

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7 pensamentos sobre “Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

  1. Adorei Marusia!
    Acho bem legal a sua ponderação, mas sou muito a favor do “fala na cara”.
    Eu tive logo no início toooodos os problemas de amamentação possíveis (exceto talvez mastite), e vou te falar, briguei com com meio mundo (minha sogra pediatra inclusive) pra que nunca dessem fórmula à minha filha.Eu sabia que amamentar era o melhor, então amamentei com o bico do peito ferido nos primeiros dias, tive empredramento, mas que se resolvia rápido porque minha filha sempre mamou em livre demanda… Então assim, eu acho que depois de ter passado por isso tudo, amamentação pra mim não tem mais mistério, entende? Virei doadora de leite e frequentadora do banco de leite sempre que uma dúvida surgia. Daí muita coisa se clareou pra mim e algumas opiniões surgiram muito fortes. Ex: não aguento ouvir de uma mãezinha dondoca “eu não amamentei porque não tive leite” eu já rebato “nossa, que dó, vc tá doente? teve depressão pós parto? algum problema sério de saúde? já operou as mamas?” ao que me responde um NÃO, sem entender a relação dessas perguntas. E eu emendo “se você tivesse colocado o seu filho pra mamar certamente teria leite” Sabe, não quer amamentar, fala na cara! Não fica disseminando desculpinhas-sem-vergonha-mas-socialmente-aceitas. Essa é a minha posição, admiro a sua mas continuo defendendo a minha.
    beijos

    • Oi, Denise!
      Também fui doadora… e, como você, para mim o início não foi nada fácil, mas no fim (ainda bem) deu certo.
      Você sabe: quando as dificuldades são superadas, a experiência pode ser maravilhosa. Quem opta por não amamentar tem suas razões, mas na verdade não tem consciência do que está perdendo… e também merece ser compreendida. Por isso defendo uma abordagem mais positiva.
      A causa é nobre.
      Um beijo,
      Marusia

  2. Pingback: Amamentação: as delícias e as dificuldades | projeto de mãe

  3. Pingback: Amamentação: as delícias e as dificuldades | DicasON

  4. Hoje comentei no twitter sobre não haver campanhas de amamentação com mulheres negras e me indicaram esse post! Realmente, falta mais informações, mais acessibilidade. Porque você vê esse cartaz onde?Em postos de saúde, e propaganda vinculada(raramente) na televisão. E uma mãe que não tem acesso a televisão por exemplo, que é onde passa mais informação? Sou a favor de fazer panfletos explicativos, que seja dado no pré natal, já é algo, muda algo! Enfim, vale a reflexão!
    beijos

    • Olá, Isabela!
      Sim, falta muita informação, para tratar desse assunto com responsabilidade e sem preconceitos.
      Um beijo, obrigada pela visita!
      Marusia

  5. Pingback: Amamentação: as delícias e as dificuldades | Projeto de Mãe

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