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Mãe Perfeita – Retrospectiva 2013

Escrever a Retrospectiva já virou um ritual do Mãe Perfeita. É válido, porque integra a lista – agora com quatro posts – que conta toda a história do blog, mostrando a tônica de cada ano. O modelo é o mesmo, um texto que amarra todos os outros, com um link em cada palavra em maiúsculas:

Em 2013, pude me dedicar a várias análises e consequentes reflexões. Algumas bem fortes, que demandaram trabalho e suscitaram diferentes reações. Uma delas foi o questionamento acerca do RADICALISMO na relação entre as mães, que por vezes gera GUERRA entre elas, e não a PAZ tão necessária para o compartilhamento de experiências. Esse conflito também se observa entre os que querem ou não TER FILHOS.

Cada ato, cada gesto, cada movimento nosso é político, ainda que nós não percebamos. Em nome dessa consciência, participei da blogagem #protestomaterno, querendo MUITO MAIS. Um Brasil com cidades onde as crianças possam IR E VIR. Um país com respeito às pessoas, em que o HUMOR seja edificante, em que a VIOLÊNCIA não se justifique nem nos livros de ficção.

Esse despertar passa pela ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL – quem dera se a publicidade estivesse a serviço dela… E também a produção de BRINQUEDOS. Tudo para que nossas crianças possam se sentir confiantes acerca de suas individualidades, sem BULLYING, mesmo ostentando BIGODITOS em seus semblantes.

Porque o mundo é múltiplo, composto de muitas VERDADES, com seus lados ao mesmo tempo perversos e doces. De tudo podemos tirar ensinamentos. Mesmo uma PRINCESA a serviço do consumismo pode ser reciclada e inspirar atitudes nobres.

Os desafios se apresentam no cotidiano, no dever de casa, na SEMANA DE PROVAS, nas FÉRIAS. Desejamos o CURSO MAIS INTERESSANTE DO MUNDO. E aí vislumbramos novas formas de APRENDIZADO.

Quando a rotina parece nos engolir, é que devemos exercitar a PACIÊNCIA, parar para OUVIR NOSSOS FILHOS, inclusive as coisas MAIS ENGRAÇADAS, deixar florescer nosso lado MÃE JARDIM. Tudo é intenso, mas também fugaz… Hoje podemos estar às voltas com a AMAMENTAÇÃO, o DESMAME, o DESFRALDE e os DENTES DE LEITE, mas logo nossos filhos crescem…

Tentamos segurar suas infâncias nos brinquedos com os quais eles JÁ NÃO BRINCAM MAIS… E nossas próprias infâncias na partida dos nossos PAIS… E aí entendemos que O AMANHÃ NÃO EXISTE. Os desafios são inerentes a essa grande aventura que é conviver com nossos filhos – uma chance de experimentarmos a FELICIDADE REAL.

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Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2012

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2011

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Três histórias de amamentação

Era uma vez… uma mãe que amamentou seu bebê exclusivamente por 5 meses. No começo, foi bem difícil – rachaduras, empedramento… depois, foi tranquilo. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Era uma vez… uma mãe que teve parto natural, sem analgesia, no melhor estilo indígena. A amamentação, contudo, não foi simples. O bebê “mordia” forte (com a gengiva), ficava impaciente e chorava muito. Com o apoio do marido, a mãe foi a um banco de leite, onde fizeram ordenha e ensinaram massagem. O leite não descia, e o mamilo ficou muito ferido com as investidas do bebê. E dá-lhe água na mãe, comida com “sustança”, homeopatia… E nada. Então chamaram a melhor doula da cidade, o anjo do aleitamento. Ela introduziu a técnica da relactação, para estimular a mama. Foi quando o bebê começou a vomitar sangue, que vinha dos mamilos da mãe. Chegou-se à conclusão de que deveria ser criado um clima de absoluta serenidade, porque a agitação do bebê e a consequente ansiedade da mãe estavam interferindo no processo. Então, ao final do primeiro mês, o leite desceu em plenitude, fazia gosto. Mas o bebê trancou a boquinha, virou o rosto e não quis mais mamar. Nem dormindo. Ninguém contou com a variável “comportamento do bebê”. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Era uma vez… uma mãe que amamentou seu bebê até os dois anos. O começo não foi simples, porque ele ficava o tempo todo no peito. Depois, foi muito bom, e teria ido para além dos dois anos se não tivesse aparecido a horrorosa virose “mão-pé-boca” (mas isso é assunto para outro post). De toda forma, uma experiência maravilhosa para mãe e bebê. O que você diria a essa mãe? O que ela teria a dizer?

Vou me ater à mãe da segunda história. Porque sua presença foi essencial para mim, quando meu primeiro filho nasceu. Eu, do alto da minha arrogância, cheia de cursos de puericultura, com centenas de livros lidos e teorias na cabeça, prostrei diante do desafio. E recebi dela palavras de puro aconchego e humildade, ao mesmo tempo em que traziam transbordante afeto e doação:

“Tá tudo certo.”

“No início, dói. Mas acredite, depois você vai achar uma delícia amamentar.”

“Segura as pontas só mais um pouquinho, confie em mim.”

“Não existe nada igual quando você vem com o peito cheio de leite e sente o bebê esvaziar tudinho.”

“No começo é punk, mas depois que eles crescem a gente morre de saudade de amamentar. Curta cada segundo.”

Eu confiei nela, como as antigas mães em seus círculos, e deu tudo certo.

Meu coração se estilhaça de indignação quando lembro o que ela ouvia dos outros:

“Você não está amamentando?”

“Olha, até o suorzinho do bebê cheira diferente, porque não é leite materno.”

“Essa criança vai viver no hospital.”

“Faltou força de vontade, caiu na esparrela da indústria do leite.”

O que essa mãe tem de diferente das outras duas? NADA.

Nada MESMO, porque essas três histórias são da MESMA MÃE.

Hoje, com três filhos lindos, amados, saudáveis e inteligentes, essa mãe é alvo de toda a minha admiração e gratidão. Pois foi com ela que eu aprendi:

A minha experiência é minha.

Cada experiência minha é única.

Se minha experiência for bem-sucedida, pode inspirar outra mãe.

Se não for, não deve desestimular ninguém. Contudo, minha experiência pode aliviar outra mãe, quando ela descobre que não está sozinha.

E o mais importante:

A minha experiência não é referência para medir outra mãe.

A MINHA experiência não é motivo para julgar – e muito menos condenar – outra mãe.

http://www.youtube.com/watch?v=yEQ_qHcVv2g

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Veja também:

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

O maior inimigo da mãe

Perigo de ser mãe perfeita 5 – Vá pela sombra

“Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” – análise

Este post faz a análise do texto “Culpa zero, menos mãe e outras asneiras” de Lia Miranda e dos comentários, publicados no Portal Minha Mãe que Disse!

Até o dia 14/02/2013, foram publicados 110 comentários. A autora do post não comentou.

Muitas pessoas manifestaram opinião em relação a outros comentários, e não necessariamente ao post. Assim, não há como estabelecer a divisão numérica e precisa de quem concordou e quem discordou do texto em si.

Optou-se, assim, por organizar a análise por tópico, iniciando com o argumento de Lia e prosseguindo com os comentários.

1.       Julgamentos

Argumento de Lia:

“A teoria de que cada um faz o que acha melhor para o próprio filho traz o discurso ingênuo de que não podemos julgar os outros, e que qualquer maneira de maternar é válida. Quem defende essa teoria, embora não o admita, tem suas próprias convicções do que acha melhor e, mesmo que internamente, condena quem faz diferente. [...]

“Essa teoria não traz nenhum benefício para as nossas crianças e abre espaço para que os meios de comunicação de massa (pessoas querendo lucrar) entupam a cabeça das mães mais “abertas” com teorias maliciosas como a da culpa zero.”

Concordam com o texto

  • “Essa coisa de tentar o melhor é um discurso vazio, que não leva ninguém a lugar nenhum, só serve mesmo pra passar a mão na cabeça.”
  • Sou muito grata à minha culpa e ao meu não-conformismo, que me fizeram não virar mais uma ‘mãezinha’ que tudo aceita, que acha que está muito certa e, é claro, julga (mal) as que criam com muito amor, muito peito e muito apego.”
  • “As mães que clamam pelo equilíbrio, as que se dizem coluna do meio, muitas vezes torcem o nariz para as lutas pelos direitos das mulheres (que falam mal da Marcha pelo Parto em Casa, Marcha das Vadias, Mamaços, amamentação prolongada, amamentação em público etc.) Mas estas dizem que não, não julgam ninguém.”

Discordam do texto

  • “Você rejeita a teoria de que cada um faz o que acha melhor. Mas não é exatamente isso o que você tá fazendo? Me incomoda o fato de que este argumento é amplamente utilizado na defesa de causas e teorias que eu acho muito corretas, o que acaba reforçando o rótulo de ‘radical’ de quem o faz.”
  • ” ‘Rejeito a teoria de que cada um faz o que acha melhor’ – só aceito a teoria de que todos tem que fazer o que EU acho que seja melhor.
  • Em geral, julgo, sim, no entanto, julgo atitudes abusivas e incoerentes demais – que não dariam para não serem julgadas por qualquer pessoa de bom senso.
  • Muitas vezes mães que seguem um determinado caminho tendem a querer reforçar a validade deste caminho colocando que todos devem segui-lo e quem não vai por aí é pior. Não acho que seja apenas uma questão de tempo que se dedica aos filhos (não é tão simples esta matemática).”
  • “Tento de verdade não julgar, para ensinar a não julgar, ter bom senso e explicar que na maioria das casas a educação dos coleguinhas será diferente, e que ser diferente nem sempre é melhor ou pior.”
  • “O que não concordo é julgar sem saber, falar que se fez cesárea é pior, se não amamentou é pior, se deixa chorando é pior, se pega no colo toda hora é pior, criação com apego é melhor do que criação sem muito apego.”

2.       Preocupação com o futuro

Argumento de Lia:

“O que eu tenho a ver com o que fazem os outros pais e mães? Muito. Porque essas crianças com as quais minhas filhas estão convivendo na escola, na igreja e no parquinho serão seus futuros amigos, namorados, colegas de trabalho, vizinhos, patrões, governantes.”

 Concordam com o texto

  • “Os pais são sim responsáveis pelo que os seus filhos se tornarão.”
  • “Infelizmente minha filha vai ser amiguinha do filho da idiota que coloca ele do lado de fora do apartamento para ficar gritando porque dá eco. O que para essa mãe [idiota aos meus olhos] é uma coisa bonitinha, para mim é um caos.”

 Discordam do texto

  • “Nossos filhos terão que conviver com o diferente, assim como nós convivemos com pessoas que tiveram criações totalmente diferentes das nossas (e certamente absurdas aos olhos dos nossos pais!). E não acho isso um problema, é um fato imutável.”
  • “Ficar preocupada com que tipo de colega de trabalho e patrão suas filhas irão se relacionar é protecionismo besta! Meus filhos não são prioridade, minha família é! Não por isso serão péssimos colegas de trabalho, vizinhos e quem sabe até governantes. Uma família feliz tem filhos felizes. Simples assim.”

3.       Culpa

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero se traveste de um herói que vem nos resgatar de um sentimento negativo e opressor. Mas não é a culpa que essa teoria tenta aniquilar: é a nossa consciência. As consequências são desastrosas.”

Concordam com o texto

  • “Mães e pais que se colocam como prioridade frente ao bebê colocarão a culpa na criança, no adolescente e no adulto futuro. Se não conseguem dar a educação que gostariam por alguma impossibilidade real, que ao menos sintam culpa e tenham consciência de que a culpa não é dos seus filhos.”
  • “Como uma revista pode me dizer que eu não tenho culpa de nada!? Eu é que tenho que correr atrás, e fazer direito o ‘dever de casa’ para parar de sentir culpa. Se fazemos o melhor que podemos, não tem como a culpa aparecer.”
  • “Eu senti muita culpa por não ter conseguido levar a amamentação da minha primeira filha adiante e, se não fosse por esta culpa, que se transformou em sede de conhecimento, em busca por informação de qualidade, por pessoas e profissionais que me apoiassem, teria ficado satisfeita, pensado que ‘tomou LA e não morreu’ e repetido com a segunda.”
  • “Eu convivo bem com as culpas que carrego e a campanha deveria ser sobre a importância da culpa e não negar a sua existência.”
  • “Acredito que a culpa seja realmente importante, pois ela traz a reflexão, traz a conscientização do que é melhor. E imunizá-la seria cancelar essa consciência do certo e errado.”

Discordam do texto

  • O meu ‘culpa não’ se refere a ausência de culpa por tirar os meus filhos do pedestal e botar a família inteira junto.
  • ” ‘Culpa’ tão somente não nos coloca de frente à responsabilidade das consequências. Culpa e responsabilidade não são a mesma coisa!
  • A culpa é um sentimento que paralisa, que enfraquece, que tira o eixo. O caminho para mudar aquilo que não está legal é autoconhecimento, reflexão, questionamento e na minha visão compaixão. A sociedade é muito cruel com homens e mulheres.”
  • “O meu ‘culpa não’ é o que me dá é leveza no exercício da maternidade, e não um passe-livre para ser uma mãe de merda. De um para outro existe uma enorme diferença.”

4.       A “menos mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero está aí para dizer que ninguém é menos mãe porque – complete com qualquer coisa: não pariu, não amamentou, deu papinha industrializada, não passou tempo suficiente com a criança.

“Minha amiga Cíntia não é ‘menos mãe’ – sejamos francos: mãe pior – porque não amamentou. Mas a Galisteu, que desmamou o filho porque precisava viajar com o marido pra Ibiza quando o bebê tinha dois meses, talvez seja.

“ ‘Menos pais’ e ‘menos mães’ relegam seus filhos a um abandono emocional em nome das suas próprias rotinas. Crianças perdidas, sem educação, sem carinho, sem disciplina, jogadas na frente de uma televisão enquanto a babá fala ao celular.

“Seja porque têm menos disponibilidade para exercerem esses papéis, seja porque os exercem com total irresponsabilidade, pais e mães piores são aqueles que se colocam como prioridade diante de seus filhos, são os que querem a todo custo desvencilhar-se deles com medo se se encontrarem consigo mesmos e preferem viver anestesiados pelo consumo, pelo lazer, pelo ócio.

“É verdade que não se pode jugar a qualidade da prática de uma mãe por um aspecto isolado, especialmente se desconsiderarmos todo o contexto cultural e social no qual ela está inserida.”

Outros conceitos de “menos mãe”, segundo os comentários

  • “Mãe que sai para o bar e deixar o filho dentro do carro esperando é pior do que a que se dedica e busca programas para os quais possa incluir seus filhos.”
  • “Mãe que deixa chorando é pior do que a que acalenta. Faz isso pensado em si própria, em seu sono, não no bebê.”
  • “Mãe que não tem saco de acordar à noite para acolher o filho choroso é uma péssima mãe.”
  • “Eu sinto pena da Adriane Galisteu, porque ela poderia viajar em qualquer outro momento de sua vida. Mas ser mãe daquele recém-nascido e amamentá-lo com esplendor seria um momento único, e na minha opinião, sagrado.”
  • “Mãe que abandona os filhos para ir para Ibiza e substitui tempo com os filhos para ir para uma festa à noite toda semana.”
  • “A Galisteu foi uma ‘menas’ mãe quando desmamou um recém nascido pra sair em lua de mel.”
  • “É menos mãe/pai quem negligencia seus filhos, quem não educa, não passa valores, não dá carinho, tempo, atenção.”
  • “Colocar uma criança no mundo, dar todos os brinquedos tecnológicos, deixá-la sentada a frente da televisão porque a galinha pintadinha canta músicas de criança e se dizer boa mãe.”
  • “Mãezinhas que escolheram a maternidade que tinha salão de beleza para receberem as visitas pós-parto na beca.”
  • “Mulher que prefere assistir seus filhos brincarem no tanquinho de areia do que interagir com eles para não estragar as unhas. Mas não entro no mérito do texto em dizer que isso é ser menos mãe. Até porque sei lá o conceito de mãe que uma pessoa assim tem.”
  • “Mãe que vive na ‘umbigolândia ‘”.
  • “Mães que choram ao quarto ao lado, com o coração apertado por deixar o filho chorando, mas não têm coragem de se desvencilhar dos cordões de marionete que a prendem.”
  • “Mães e pais que terceirizam a criança por causa da ideia cada vez mais popularizada (e levada ao extremo) de que ‘mãe feliz, filho feliz’.”
  • “Mães e pais que acham que devem mais à sociedade que ao seu próprio filho e são capazes de cometer a barbárie de dar uma festa de ‘boas vindas’ ao bebê ainda na maternidade.”
  • “MENOS mãe é aquela que tem todas as informações e ainda assim, age pensando em si mesma apenas.”
  • “Pais que acham que os filhos é que têm que se adaptar a vida deles, e dá-lhe horas em salão de beleza, redes sociais, com celular em punho sem sequer olhar o sorriso da criança, viagem do casal, que precisa muito desse tempo.”

Questionamentos ao conceito de “menos mãe”:

  • “Conheço quem adotou o método horrendo do Nana, neném com a convicção de que isso ajudaria o bebê a dormir melhor, e que estava fazendo o melhor por seus filhos. Não fez para melhorar seu próprio sono porque, mesmo com seus bebês dormindo que nem ‘anjo’ depois do método funcionar, passava a noite acordando para ver se estava tudo em ordem com as crias.”
  • “Não gostei do texto! Achei uma volta ao passado sem tamanho! Cada um com a sua realidade e seus problemas! Julgar é fácil demais, fazer o que a maioria das mães brasileiras faz para sustentar, dar amor e carinho tudo ao mesmo tempo não é tarefa para qualquer um! Isso não é abandono emocional, isso é responsabilidade!”
  • “Ser mãe não é receita de bolo!”
  • “Babá, suco de caixinha, e televisão não é liberalismo ‘demoníaco’, é realidade!!!”

5.       A “mais mãe”

Argumento de Lia:

“A teoria da maternidade ativa e consciente vê mãe e pai como responsáveis pelos filhos, buscando as melhores escolhas, mesmo com sacrifícios pessoais.

“A ‘mais mãe’ exerce a maternidade em maior quantidade (de tempo, por exemplo), ou uma maternidade de melhor qualidade.

“Filhos são uma dádiva. Não caiamos na armadilha de achar que qualquer coisa vale mais do que eles. Nossos filhos são nossos parceiros, representam oportunidade única de nos redescobrirmos.”

Questionamentos ao conceito de “mais mãe”

Se a “menos mãe” foi duramente criticada, o conceito de “mais mãe”, por oposição, também foi alvo de muitos questionamentos:

  • “Uma mãe culpada ou que age por culpa não é uma boa mãe. Mas isto não significa se isentar de suas responsabilidades.”
  • “O que dizer da mãe que expõe as questões, imagens e intimidades dos filhos em um blog na internet, podendo causar a eles desconforto no futuro?”
  • “Acho que sei como essa mãe, tão comprometida com o maternar, age. Mas sei muito pouco sobre como ela sente. Se essa mãe está verdadeiramente feliz e completa, maravilha. Maternidade ativa é o melhor caminho para o filho e também para ela. E se ela não está assim tão feliz?”
  • “Uma mãe infeliz não seria uma ‘mãe menos’ “?
  • “Não vejo como seria possível uma mulher se negligenciar e, ainda assim, ser boa mãe. Se não cuidarmos de nós mesmas, como poderemos cuidar dos nossos filhos?”
  • “O que é melhor, brincar com o filho quando ele chega em casa da creche ou deixar o filho pra lá brincando sozinho pra fazer uma papinha caseira?”
  • “Não vou comentar mais nada, porque é perigoso eu ficar com sentimento de culpa por estar lendo textos na Net ao invés de brincar com a minha filha neste momento.”
  • “Alguém já inventou a tabela de medição, tipo INMETRO para mãe? Em que tempo/espaço medimos a eficiência da mãe? Na qualidade da infância? Nos confrontos da adolescência? Ou no ser que deixamos para o mundo na idade adulta? Porque eles mudam, e mudam muito. E o meio muda, e a atitude da mãe muda…”
  • “Talvez as pessoas estejam errando a dose: supervalorização da criança em detrimento do coletivo. Quem garante que esse desvio não se deve a pais grudentos demais, anulados como pessoas e dispostos a viver em função do filho 28h por dia? Não dá para dizer isso, nem o contrário.”
  • “Conforme a criança cresce as coisas mudam, pq cada fase é uma fase, e se os filhos são criados para o mundo, então uma hora eles se tornam independentes. Conforme essa independência é construída a mãe precisa saber ir igualando as prioridades.”
  • “Não ha coisa pior, nem pra mãe e nem pro filho, do que depois q a cria cresce e sai do ninho, a mãe fica sem chão e se descobre um ser sem vida própria. Daí podem nascer diversos problemas, uma sogra chata que quer a todo custo continuar vivendo a vida da cria, uma pessoa depressiva/rabugenta/lamurienta que acha q o filho é um ingrato e se revolta contra tudo/todos, e um filho que vai sentir culpa.
  • Se minha mãe me perguntasse se eu gostaria que ela abrisse mão de TODA sua vida e seus sonhos por mim, eu diria que não, acho que se anular -completamente- em prol de outro alguém, mesmo que esse alguém seja seu filho, é um fardo muito, muito pesado de se carregar.”
  • “Mamãe projetou a felicidade dela em nós, mas, como é natural, ao crescermos, cada um tomou o seu caminho. Eu continuo muito próxima dela, mas o afastamento natural de meu irmão para ela é uma mágoa profunda, uma ferida sem cura. Se, por algum motivo, eu não puder me fazer tão presente na vida dela, ela será infeliz. E como eu vivo com isso? Se ela tivesse deixado de passar algumas horas por dia comigo, não teria sido menos mãe por isso. Parte de minha felicidade como filha é a felicidade de minha mãe, e é muito melhor se a felicidade dela não depender apenas do ‘ser mãe’ “.

6.       Ter filhos

Argumento de Lia:

O Dr. José Martins, em A Criança Tercerizada, teve a coragem de dizer que quem não está disposto a mudar suas rotinas para cuidar de seus filhos não os deveria ter.

Concordam com o texto

  • “Não dá pra simplesmente ‘encaixar’ a maternidade e levar a mesma vida de antes de ter um filho – se é pra ser assim, por que tê-lo então?”
  • “Os motivos apontados por TODOS para ter filhos são egocêntricos. Garantir descendência, por costume social ou por que é ‘um sonho’ não são motivos centrados não na criança.”

7.       A influência da Mídia

Argumento de Lia:

“A teoria da culpa zero é a preferida das grandes mídias e agências de publicidade. O princípio demoníaco da identidade própria, auto-suficiente, é um engodo para nos desumanizar e nos tornar vítimas perfeitas do consumismo e do capitalismo industrial. Segundo a grande mídia e a indústria publicitária, ser você mesmo é ser igual a um padrão de sucesso e beleza estabelecido por outras pessoas, ser uma marionete.

“A mídia coloca o adulto em primeiro lugar e pinta a maternidade como uma tarefa de mártir e a criança como um estorvo. O conflito entre mães e filhos é um mito criado para vender.”

Concordam com o texto

  • “Minha avó (84 anos) queria dar ruffles para minha filha e eu disse que não, que fazia mal… ela olhou o rótulo, indignada, e disse ‘Meniiiinaaaa, é só batata’. Minha avó é analfabeta, foi da roça, é megasaudável e ACREDITA que ali só tem batata e que alguma espécie de milagre faz aquela batata não se decompor. Ela achava que era o melhor para a bisneta.”
  • “Isso me lembrou a sugestão da revista Crescer sobre decoração de quartos de bebês e havia lá um berço e uma cama, a cama da babá.”
  • “Queremos mães que entendam os problemas de saúde pública da sociedade brasileira (desmame precoce, epidemia de desnecesáreas, excesso de sódio na alimentação infantil) que se repercutem na saúde de seus filhos e que entendam que somos enganadas e manipuladas cotidianamente em nome do lucro.”
  • “Não é martirizar ninguém pelo passado nem condenar por um evento isolado na vida materna. Estamos aqui como mulheres que defendem mulheres. A maternidade é aprendizado. E é muito interessante ao mercado ter mães não pensantes.”

Discordam do texto

  • “Eu não sei que revistas você anda lendo, mas destoam completamente das que eu leio. Em geral, pregam que a mulher deve ser uma heroína, cuidando integralmente dos filhos, sem abrir mão de todo o resto, como se a mulher tivesse de seguir padrões inviáveis de perfeição.”
  • “Se tem pai e mãe que larga, não são as revistas e as propagandas que ensinam, estimulam ou incentivam esse comportamento.”

8.       Comentário: Adendos ao texto

  • “Há uma teoria de maternidade que não foi contemplada e que é a mais importante: a que considera que a educação e cuidado das crianças não é somente de responsabilidade dos pais, a que considera que a maternidade mais comum será praticada também de acordo com as condições sociais na qual se perpetua. Ter um Estado e uma sociedade que valorizam a infância é fundamental para que sejamos bons pais sem sofrer mais do que necessário.”

9.       O Caminho do meio

Propostas de caminho do meio, segundo os comentários

  • “Não consigo abraçar um estilo de maternidade que considera as necessidades do filho mas não as da mãe.”
  • “O objetivo final é de felicidade, para pais e filhos. Com RESPEITO aos limites e às necessidades pessoais.”
  • “Vislumbro o tal caminho do meio, no qual as pessoas têm direito a fazer suas escolhas.”
  • “O caminho do meio não mata, não fere, só fortalece, porque ser mãe é um dos meus muitos papéis nessa vida.”
  • “O sentir me diz que eu quero ser ‘mais mãe’, sem deixar de ser ‘mais eu’. Dedicar, estender, absorver, me sentir feliz pra fazer feliz, à vezes com muita abdicação, às vezes nem tanto. Observar constantemente para saber onde posso e devo ‘ser mais’ e onde devo ‘ser menos’.
  • Eu sou da maternidade ativa às vezes e sou uma “menas main” outras vezes – depende da hora do dia que você encontrar comigo. Exerço os dois papéis com relativa tranquilidade.”
  • “Não é questão de ficar em cima do muro, e muito menos de falta de envolvimento. Quero o danado do equilíbrio, não consigo me enquadrar em nenhuma categoria, quero fazer do jeito que funcione pra mim e para os meus, quero poder experimentar e mudar de opinião, fazer valer se é que me entendem. Quero valores (morais) sim e amores, quero a honestidade e a capacidade de realizar, quero a frustação para poder crescer, quero a conquista para a determinação e disciplina, quero a reflexão sempre em qualquer atitude, quero bem estar, quero estar bem.”

Críticas ao Caminho do meio, segundo os comentários

  • “O Brasil não precisa de MAIS GENTE passando a mão na cabeça das mães que abdicam do filho para ter uma ‘vida’. Até porque isso é viver em função do mercado, não do filho. Condenam tanto quem vive em função do filho e não se tocam que vivem em função do mercado, do status, da aparência, do carro novo e das unhas e cabelos impecáveis.”
  • “O discurso contemporizador busca minimizar uma responsabilidade que é nossa, faz com que vibre ainda a mais a nossa natureza, que já é egoísta.”
  • “Espero um dia chegar a esse equilíbrio. Mas temo que palavras assim ditas num portal formador de opinião do porte do MMqQ pode fazer mais mal que bem.”
  • “No Canadá esse discurso faz completo sentido, já que a maternidade e a paternidade se completam. Mas não acho que o Brasil está precisando de mais passada de mão na cabeça agora, de mais uma referência pra se apoiarem e se eximirem da responsabilidade.”
  • “Se continuarmos falando, teclando, denunciando, gravando!, engrossando o coro e o caldo… mais e mais pessoas vão se tocar, vão ouvir o barulho e dar atenção a ele.”
  • “Meio termo, mediano, estar na média são sinônimos para medíocre.”

Tréplicas do Caminho do meio, segundo os comentários:

  • “Quando encontrei esse mundo de informações me senti mais desesperada e deprimida, do que acalentada. Isso pq a quantidade de mães que acham que só há um jeito certo de maternar é infinita, e desculpem, mas isso não é legal.”
  • “Essa postura do ‘não precisamos disso agora’ desrespeita as mães que leem o texto. Primeiro porque não é honesta – omite propositalmente um lado da questão para convencê-la de que o outro é certo. Segundo, porque as subestima: diz que a mãe brasileira não está pronta para um discurso que não a trate como uma cretina e que ela precisa ouvir o lado mais duro, ‘que não passa a mão na cabeça’, pra entender direitinho. Terceiro, porque é arrogante: vende uma única verdade possível (mesmo que, no fundo, admita que existem sim outras leituras).”
  • “Com quem o texto está falando? Nunca vi na blogosfera nenhuma mãe assim, tão extrema, tão descomprometida, tão ‘menas’. Nem na vida real eu já vi essa mãe. Essa mãe tão errada – pois foi erroneamente construída pelo sistema – existe e tá aí, condenando o seu filho ao abandono emocional completo. Pergunta: ela tá lendo blog de maternidade? E, na remota possibilidade de estar: ela foi adiante no texto ou parou logo no ‘asneiras’ do título, prevendo as pauladas que viriam? E, se foi adiante: ela está aberta ao texto ou vestiu uma armadura que vai comprometer a sua leitura?”
  • “Mães se sentem agredidas o tempo todo. Mães agredidas levantam as armas. Mães armadas não estão dispostas a ouvir. Distorções de discurso acontecem muito por causa da disposição (ou falta de) de uma mãe ouvir a outra. O que cria essa disposição? Empatia. Como se cria empatia? Pela identificação, pelo respeito, pela tentativa de compreender o outro.”
  • “O problema é que eu vejo a blogosfera mais militante tentando atingir pela dureza justamente quem precisa de acolhimento.”

Marusia fala

Após ler o post, os comentários, as réplicas e as tréplicas, me parece que todos estão de acordo com uma coisa: é necessário investir em uma sociedade melhor, e o cuidado com a infância é imprescindível. O que não tem consenso é a forma de alcançar esse objetivo.

Cada forma é defendida com unhas e dentes, quando não há nada que comprove sua eficácia. Só o futuro poderá dizer como serão os filhos de “mais mães” e “menos mães”. Além disso, essas crianças terão recebido influências múltiplas, o que nos impedirá de afirmar se foi a forma de maternagem que definiu seu modo de ser.

Sem garantia nenhuma, as mães se prendem a convicções. O pensamento diferente é tomado automaticamente como crítica: “se não está comigo, então é meu inimigo”. Não sobra espaço para o meio termo, nem para a tentativa de apaziguamento.

Assim, presas à forma e em eterna guerra pela sociedade de amanhã, nós mães nos desviamos do objetivo de ter uma sociedade melhor HOJE.

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Veja também:

Radicalismo: a que custo?

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai

Quem vai ficar com as crianças? Análise

Li um texto de Rosely Sayão sobre o que fazer quando as crianças entram em férias escolares, ampliando o escopo para o que significa ter filhos. O artigo por si só já chama a atenção, mas os comentários dão novas matizes à discussão. Assim, optei por desdobrar a análise do texto em dois estágios:

  1. Análise do artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?” e os comentários feitos pela internet – neste post;
  2. Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos.

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  1. O artigo de Rosely – “Quem vai ficar com as crianças?”

Leia o artigo e os comentários:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/1195154-quem-vai-ficar-com-as-criancas.shtml

Análise

Em Análise do Discurso, não se busca o que está “por trás” do texto. A mensagem fala por si só. Assim, a segunda coluna evidencia, em outras palavras, o que já está presente no artigo, sem fazer juízo de valor.

Pontos principais do texto Análise
Uma mãe se magoou porque teve que ficar com o filho e não pôde ir a um cruzeiro sozinha. A mãe efetivamente ficou com o filho e não viajou, cumprindo com “suas obrigações”. Ela se magoou, mas não deveria se sentir assim. Afinal, “Reclamar não é produtivo, já que o desejo de ter filhos foi dos próprios pais.” Deste trecho, depreende-se: filhos são sempre fruto de desejo.
Ir para a escola quando a maioria dos colegas não está não deve ser agradável. As crianças sabem o significado de férias. Ninguém gostaria de passar férias em seu local de trabalho. Crianças também precisam de férias.
Ter filhos significa ter de renunciar, mesmo que temporariamente, a diversas coisas. Ter filhos implica sacrifícios, ainda que por um tempo.
É recente essa ânsia dos adultos de criar programação para os filhos. Eles mesmos podem fazer isso, mas só se tiverem tempo para o ócio. Crianças são superestimuladas no decorrer de todo o ano, e os pais devem garantir seu descanso.
Por que muitos pais tratam as férias dos filhos como um problema? Talvez seja difícil conviver com eles por períodos maiores do que os pais estão acostumados. O convívio com os filhos é algo difícil. Se fosse natural e bom, os pais não precisariam se habituar para darem conta.
É um problema quando queremos viver com filhos do mesmo modo que vivíamos antes de tê-los, e quando nossa vida desobrigada deles parece ser muito mais sedutora. Ter filhos muda a vida dos pais para uma vida “obrigada” e pior em comparação com a vida de antes.
Por que temos filhos? A resposta já foi dada no texto: “Ter filhos significa acompanhar a vida de uma criança, cuidar dela, dedicar-se a ela, ficar disponível para o que possa acontecer.” Denota um movimento sempre na direção dos pais para filhos, sem abordar nenhum tipo de contrapartida.

Os comentários ao texto de Rosely

Até o dia 8/1/2013, foram feitos 27 comentários pela web. Participaram 11 homens e 9 mulheres (em certos casos, houve mais de um comentário por pessoa – todos de homens). A maioria (13) concordou com o texto.

Argumentos de quem concordou Análise dos comentários
Ter filhos não é para qualquer um. Ter filhos é uma empreitada complexa, que requer preparação.
As pessoas querem ter filhos e continuar com a vida de solteiro. Isso reflete a imaturidade, o egoísmo e a infantilidade desses pais. A vida de solteiro é imatura, egoísta e infantil, o oposto da vida que devem ter os pais.
Hoje todo mundo quer apenas olhar para os direitos, se esquecendo dos deveres. “Filhos” estão no rol de “deveres”.
Ninguém deve pôr filhos no mundo pra dar trabalho pros outros. Filhos dão trabalho. E quem deve assumir esse trabalho são os pais.
Filhos são pessoas, não bonecos. Filhos nem sempre correspondem às expectativas dos pais.
Os pais abdicam por um período de algumas coisas, como seus próprios pais também fizeram. Dar continuidade ao processo de criar filhos equivale a oferecer um tributo à atitude dos próprios pais. E se os próprios pais foram irresponsáveis? Além disso, se for uma questão de retribuição, não é mais lógico fazê-la com os próprios pais em vez dos filhos?
Em vez de reclamar, eles deveriam aproveitar melhor o tempo, pois em breve as crianças serão adultas. Este é um paradoxo. Se o convívio é bom e deve ser aproveitado enquanto os filhos são crianças, não haveria motivo para reclamar.
A criança não pediu para nascer. Se foi um “um acidente”, é necessário “pagar” o preço pelo “acidente”. Ao contrário do texto, aponta-se a possibilidade de um filho não planejado. Mesmo esse “acidente” deve ser assumido.
A criança enxerga a escola como um depósito. Crianças também precisam de férias.
Por causa da falta do convívio familiar, a criança não vai respeitar os pais, pois são estranhos. Os pais perdem o controle, e os professores também. As consequências de não cumprir a obrigação de pais são funestas e vão além do ambiente familiar.
Filho em casa deve ser uma alegria e não um estorvo. Pela primeira vez, alguém não classifica o convívio com os filhos como algo penoso, dando uma pista de que as férias com eles podem, sim, ser prazerosas.
Caso os pais tratem seus filhos como estorvo, logo aparecerá alguém oferecendo alternativas sedutoras que supostamente preenchem esse vazio, como as drogas. O convívio com os filhos é um sacrifício, mas evita sacrifícios ainda maiores depois que eles crescem.

Houve quem concordasse com Rosely e criticasse quem foi contra:

“A verdade incomoda aqueles que já se sentem culpados, mas tentam esconder até de si mesmos e adoram rebater com jargões do tipo ‘não sou menos mãe porque quero ir pro cruzeiro sozinha’ “.

As justificativas de quem não concordou foram:

Argumentos de quem discordou Análise dos comentários
As mulheres trabalham e têm somente 30 dias de férias por ano, enquanto as crianças têm no mínimo 60 dias. Em pelo menos metade das férias as crianças não poderão ficar com os pais que trabalham. A insistência nisso força o conceito de incompatibilidade entre trabalhar fora e cuidar dos filhos.
As famílias que não herdaram fortunas precisam trabalhar para criar os filhos e fazer deles pessoas felizes. Filhos demandam investimentos financeiros.
As mães não devem ser julgadas. Elas trabalham por necessidade, e não por hobby. É muito fácil falar quando se pode optar simplesmente por “não trabalhar” para cuidar dos filhos. Nem sempre a mãe pode optar entre trabalhar fora e ficar em casa, principalmente na ausência do pai.
“Não deixaria de trabalhar por causa dos meus filhos, e não deixaria de ter filhos por causa do trabalho.” As mães querem conciliar maternidade e carreira.
A inexistência de estruturas adequadas para as crianças nos 60 ou mais dias de férias é um problema real e não deveria ser apresentada nunca como “pais irresponsáveis que não ligam para os filhos”. A criação dos filhos também é um dever do Estado.
Seria um retrocesso obrigar as mulheres a ficar em casa e serem donas de casa. O texto cita o exemplo de uma mãe, mas não distingue o trabalho dos pais entre os sexos. Entretanto, para maioria dos leitores, é uma obrigação típica das mulheres.
Todos tivemos na criação a presença marcante e fundamental de uma das avós ou tias ou afins. Isso também é terceirizar? Antigamente, havia uma rede de apoio familiar e comunitária, que assumia a criação das crianças como um compromisso coletivo – e não uma obrigação exclusiva dos pais. Tal rede já não se vê na atual classe média.

Houve quem perguntasse à autora: “E você trabalhava ou era professora?” Respostas de internautas nos comentários salientam que os professores têm férias de 60 dias, como as crianças, e que assim poderiam acompanhar seus filhos por conta disso.

Marusia fala

O único lado não ouvido nessa discussão inteira foi justamente o mais interessado: as crianças. O que ELAS preferem fazer nas férias?

Sobre o texto de Rosely, se a motivação foi conscientizar os pais a manterem o convívio com as crianças, digo que não aposto nesse tipo de abordagem. Primeiro, porque os pais que realmente não têm responsabilidade, e não se sensibilizam com seus próprios filhos, não vão se sensibilizar com um texto de internet. Aliás, eles nem sequer leem esse tipo de coisa. E quem é que lê? Os pais (principalmente as mães) que querem melhorar. E o que eles vão conseguir? Apenas a sensação de que nunca vão dar conta.

Segundo, porque critica determinados comportamentos sem oferecer nenhuma sugestão. Além disso, apresenta a convivência com as crianças como algo penoso, como um fluxo infindável de obrigações que deve partir dos pais em direção aos filhos, sem que se obtenha contrapartida de satisfação.

Terceiro, porque esses artigos contribuem para polarizar ainda mais uma discussão absolutamente infrutífera sobre as decisões de ter ou não filhos. Uma decisão que é pessoal, intransferível.

Faço questão de acompanhar meus filhos sempre, mas também me dou o direito de descansar – e de reclamar, principalmente quando eles não cooperam. Não existe coisa mais opressora para uma criança do que ter uma mãe perfeita, nas férias ou não…

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Veja também:

Um ensaio sobre a pergunta que fecha o texto: “Por que temos filhos?”, com os argumentos a favor e contra ter filhos

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

Viajando com crianças. Parte II – As contradições

Somente a título de exemplo, dois links do Portal Minha Mãe que Disse com dicas de diversão conjunta – pais e filhos – no período de férias:

http://minhamaequedisse.com/2012/12/o-que-fazer-com-as-criancas-nas-ferias-parte-1/

http://minhamaequedisse.com/2012/12/o-que-fazer-com-as-criancas-nas-ferias-parte-2/

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2012

Os posts de retrospectiva são interessantes porque traçam um panorama do ano em uma única publicação. Este é o terceiro, então é possível ver todo o conteúdo do blog em três posts. Agora, percebi que não trazem apenas a síntese da produção como blogueira: eles são o espelho do meu ano em todos os aspectos.

Por exemplo: observei que este ano foram escritos 20 posts, o que denota atividade intensa extra blog. Como o tempo estava preenchido por muito mais compromissos, os assuntos foram escolhidos com cuidado, somente aquilo a que realmente valia a pena dedicar (cada título em maiúsculas é um link).

Os temas também refletem um ano nostálgico: voltei à infância, ao contato com a NATUREZA (e a redescoberta da minha própria natureza interior). Falei do meu pai e o que ele desejou para meu futuro no LIVRO DO BEBÊ. Lembrei minha querida VOVÓ, que neste ano realizou a Grande Viagem.

O passado revisitado não traz tristeza, mas consciência ainda maior do presente, de estar atento a cada pequeno instante como um TESOURO. Na alegria que não encontra limites para se expressar e que traz o toque ANGÉLICO aos nossos dias. Se a gente não se entrega ao agora e ao ESTAR JUNTO, depois não consegue entender: ONDE ESTÁ MEU BEBÊ?

Houve ainda os posts engraçados, com as tiradas impagáveis das crianças, ESTRATEGISTAS NATAS, capazes das CONEXÕES de FANTASIA mais imprevistas. Que nos permitem rir de nós mesmos, de confessar o INCONFESSÁVEL. De fazer graça até com MENSTRUAÇÃO.

Foram dois compilados de dicas, para as GRAVIDINHAS e sobre COMO FAZER A CRIANÇA DORMIR A NOITE INTEIRA, todas as noites. E a citação de uma série de 2011, para lidar com as BIRRAS.

Um post foi publicado no Portal Minha Mãe que Disse, ponderando sobre o que se perde na COMPETIÇÃO materna. E outro, por aqui mesmo, mostrando quem é o verdadeiro INIMIGO DA MÃE.

Foi feita uma reflexão profunda sobre o EQUILÍBRIO imprescindível na arte de criar os filhos – para mim, o post que mais me exigiu para escrever (e que me exige diariamente para tentar cumprir…)

Há um ano, escrevi uma CARTA A MEUS FILHOS, com tudo o que eu esperava para 2012. Hoje, vejo que foi um ano de muito aprendizado. Quero reafirmar todos os compromissos, para que também 2013 seja um ano bom.

É o que te desejo, também!

Linda música, linda letra, lindo clip!
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Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2011

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Confissões inconfessáveis – 2 anos de blog

Site visitado:

Scary Mommy

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O blog “Scary Mommy” traz posts engraçados, por vezes também cáusticos, sobre a maternidade. (O curioso é que “scary” tanto pode significar “que mete medo” quanto “que tem medo”). Conta com mais de 1 milhão e meio de acessos por mês. Um dos espaços de debate é o “confessionário”: pais e mães inserem comentários, sob anonimato, e descem o verbo no mundo cor-de-rosa que se vende como a realidade de criar filhos.

Já dei muita risada com algumas confissões, me enterneci, me surpreendi com a franqueza escancarada de outras. E me peguei pensando o que postaria nesse confessionário.

Então, em comemoração aos 2 anos do meu blog, segue um compêndio dos segreditos que, com toda certeza, não fariam parte jamais do vocabulário de uma mãe perfeita:

Confesso que…

… senti uma inveja danada da minha irmã, que teve três partos normais, e saía lépida e fagueira do centro obstétrico, ia tomar um banho e pedia sem a menor cerimônia um Big Mac, enquanto eu tava toda costurada sem poder nem usar travesseiro. Mas também confesso que não senti inveja na hora que ela tinha que pulverizar Andolba na episio…

… dei papinha Nestlé quando viajávamos. Mil vezes a arriscar, sem saber de que jeito os legumes do hotel tinham sido lavados.

… ri pra caramba quando meu caçula de 3 anos chegou cantando “Ai se eu te pego”, do Michel Teló.

… já liguei algumas vezes o “hã-hã”, diante de histórias intermináveis.

… já chorei escondida no banheiro.

… já perdi a paciência ajudando menino a fazer dever de casa. Principalmente aqueles com o comando: “com a ajuda de um adulto, recorte de revistas e jornais 3 milhões de palavras com Cê cedilha e escreva frases com elas.”

… disse a meus filhos que, todas as vezes que eles contassem uma mentira, ela apareceria escrita na testa deles, e assim eu SEMPRE saberia.

… minha mãe me disse a mesma coisa acima. Eu acreditei e até hoje sempre conto logo tudo, porque nunca consigo esconder nada dela. E assim se criou uma relação de confiança.

… já fiz chantagem emocional, do tipo: “oh, vem me dar um abracinho, ohh, puuuxa, é assim, né…”

… já cronometrei com meu marido a tarde de sábado, revezando os intervalos: “pronto, agora é sua vez de tomar conta dos meninos.”

… quando vejo uma grávida de primeira viagem afirmando “com meu filho será assim”, “com meu filho será assado”, ou “nunca vou fazer isso ou aquilo”, eu fico me perguntando: “conto ou não conto?”

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Veja também:

100º post, 1 ano de blog

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Achei lindo quando… mas sinto falta de…

Decálogo dos meus desafios

São só os meus?…

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2011

Para mim, 2011 foi um ano significativo, que me impôs muitas reflexões. Elas vieram acompanhadas de aprendizados- e de mais questionamentos. E também de reencontros, de novos amigos feitos aqui no Blog, no Facebook, no Twitter. De gente que se identificou, riu, se emocionou, compartilhou. #AMO

Neste ano (links em maiúsculas)…

… além de descobrir que a perfeição na maternidade é irreal, atinei que essa busca pode também trazer PERIGOS, que não valem o ESFORÇO. Até porque ninguém sabe muito bem O QUE É isso.

As COISAS nem sempre acontecem do jeito que a gente imagina. Para as GRAVIDINHAS, é só EXPECTATIVA… tem muito curso de gestação, parto e cuidados com o recém-nascido, mas nunca vi aula de como lidar com as BIRRAS dos filhos. TEIMOSIA, NECESSIDADE DE PALCO, FASTIO, ATENÇÃO NEGATIVA… O que é IMPORTANTE SABER nesses casos?

E as crianças podem, sim, TIRAR A GENTE DO SÉRIO, deixar a gente DOIDA, fazer repetir mil vezes as MESMAS COISAS, as mesmas FRASES

É, porque, do mesmo jeito que não existe mãe perfeita, também não existem FILHOS PERFEITOS nem FAMÍLIA PERFEITA.

Como ninguém sabe muito bem aonde vai, a gente vai atrás de referências do que, afinal, seria uma “BOA MÃE”. Aí serve tudo, até as PERSONAGENS de FICÇÃO. Wilma Flintstone, Mulher Elástica… você se IDENTIFICA com alguma delas?

Mesmo as viagens. Com os filhos, elas nunca mais serão as mesmas. Isso vai desde a preparação da MALA, a escolha do HOTEL, até as COISAS MALUCAS que acontecem, alguns SENÕES, mas também ALEGRIAS para quem estiver atento para percebê-las…

Outra coisa que nunca está no script de quem planeja ter filhos são os problemas de SAÚDE. Alguns parecem simples, mas estão cercados de significados profundos, como uma MIOPIA; outros são mais sérios… ainda bem que existe uma rede fantástica de gente disposta a AJUDAR!

No corre-corre, principalmente para quem tem TRÊS FILHOS ou mais, a gente acha que é preciso ser MALABARISTA para dar conta! Mas não é assim.

Vale tudo para desencucar: LIVROS bacanas, CONSELHOS sinceros, DESABAFOS de amigas de verdade, 10 MANDAMENTOS para cumprir, VAZIOS para criar. Ensinamentos que vêm da SIMPLICIDADE. Ou até em outra LÍNGUA.

E também da criação de um novo lugar para o HOMEM nisso tudo.

Vale lembrar de quando éramos crianças, de BRINCADEIRAS, formas na AREIA, PERFUMES e CANTIGAS que trazem nossa infância de volta.

E assim a gente se permite entrar no espírito da infância deles, na fantasia das FADAS ou do PAPAI NOEL. Na maravilha de conhecer nosso CORPO ou nosso PAÍS. No poder dos ANJOS.

E assim a gente permite que eles CRESÇAM. Que a gente CRESÇA junto, mas mantenha nossa ALEGRIA.

Vida de mãe, com certeza, não é perfeita. Mas, cá pra nós… se fosse, não ia ter graça!

Ao digitar "mae perfeita" no Google, o Blog Mãe Perfeita vem em 1º lugar! o/

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Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Now also in English

22 de outubro, dia do meu aniversário! Inaugurando meu ano novo, me lanço também a uma nova aventura: fazer a versão em inglês do blog.

http://theperfectmother.wordpress.com

A ideia surgiu porque precisava de um projeto para meu curso de inglês. Que outro assunto me tomaria de modo tão especial como a maternidade?

Devagarinho, devagarinho, parto do começo, até que os posts estejam pareados. Mas o blog “The Perfect Mother” ainda agrega outra proposta, a de uma estudante de inglês em aprendizado, às voltas com as peripécias de um novo idioma. Do mesmo jeito que também me considero uma mãe em (constante) aprendizado, às voltas com um cotidiano pra lá de radical!  :)

Sugestões são bem-vindas!

Mãe Malabarista? Não, obrigada

Site visitado:

Talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis” – vídeos da TV Câmara disponíveis para assisitir e baixar

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mãe malabarista

Imagem: Journal Times - Tim Ludwig / The Wichita Eagle / MCT)

A expressão “vida de malabarista” sugere uma existência caracterizada por atividade incessante, consciência e concentração, em que o verdadeiro “truque” consiste em manter a ilusão de ausência de esforço.

[...] O castigo para a malabarista de sucesso é maior ainda que para a fracassada. Quanto melhor você é na sua arte, tanto mais vai ter que trabalhar. E quanto mais você trabalha, tanto mais invisíveis se tornam seus esforços.

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade – porque fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. pp 242-243)

Eu trabalho na Câmara dos Deputados, na área de Comunicação. No dia 31 de março deste ano, por ocasião das comemorações do Mês da Mulher, foi organizado o talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis”. A imagem de divulgação era uma sequência de desenhos com a mesma mulher em várias situações: executiva, mãe, atleta, dona de casa e assim por diante.

Na época, postei no Facebook meu desconforto em relação a essa imagem: “não pela pluralidade em si, que pode ser enriquecedora, mas pela insistência no conceito de mulher multitarefa e perfeita em todos os papéis. Ainda dizem que é um atributo cerebral feminino, inato, naturalizando sem questionar. Para mim, esse ‘pedestal’ só gera uma vida fragmentada, exaustiva e frustrante.”

Os comentários foram muito legais! Desde a observação de que todos podem ser múltiplos, tanto homens quanto mulheres; à constatação de que entramos numa piração cansativa, mesmo quando temos consciência de que não precisamos disso. E ainda a vontade de ser só “eu” mesma, sem papel nenhum…

Minha amiga Vera Morgado, a apresentadora do evento, sugeriu que eu abrisse a questão no debate.

Minha pergunta para as debatedoras foi a seguinte:

Fala-se muito da mulher malabarista. Mas a malabarista tem os pratos no ar. Ela não se apropria dos pratos. Não prioriza nenhum para eles não caírem. Se cai um prato, ela é que se quebra. E, quando segura os pratos, o espetáculo acaba e ninguém presta atenção, ninguém valoriza. Como fugir dessa metáfora?

As respostas das participantes do talk show foram muito interessantes!

A atriz Elisa Lucinda falou sobre o perigo de nós confundirmos nossa personalidade com as tarefas que desempenhamos. E que não devemos sofrer com o prato que caiu, afinal, “vão-se os broches, ficam os peitos”.

A psicóloga Carmita Abdo disse que devemos aproveitar nossa característica feminina de multitarefa em nosso benefício, agregando, pacificando, em prol de nosso progresso pessoal.

E a deputada Janete Pietá resumiu em uma frase tudo que eu busco hoje:

Melhor que ser malabarista é ser a dona do circo.

É sermos gerentes de nós mesmas.

Melhor chefe do mundo!

 

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: as mães de animações e seriados

Alguns seriados e animações da TV e do cinema encantam gerações por décadas, desde que foram lançados: “Família Dinossauro”, “Os Flintstones”, “Shrek”, “A Família Addams”, “A Feiticeira”, “Os Simpsons”, “A Grande Família”, “Os Incríveis”, “Os Jetsons”…  São histórias que continuam a fazer rir, com personagens que parecem já fazer parte da nossa própria família. Já parou para pensar quais as semelhanças existentes entre as personagens mães? E entre elas e você?

 (Você curte Análise do Discurso? Confira o texto completo: De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011)

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Olha o que o público fala sobre elas e os motivos pelos quais elas são consideradas “boas mães”:

“Família Dinossauro”. Mãe: Fran da Silva Sauro

O enredo se passa na Era Mesozóica. Fran é casada com Dino e tem três filhos: Bob, Charlene e Baby. Segundo a web, é a “simpática matriarca da família e perfeita dona de casa. Muito dedicada, Fran vive apenas para cuidar do marido e dos filhos”, filhos esses “muito barulhentos e revoltados”, para os quais é necessária “uma paciência incomparável”. Fran “muitas vezes se sente caçoada e deseja conversar mais tempo com a família. Sua melhor amiga, Mônica Desvertebrada, influencia Fran a lutar pelos seus direitos”.

 “Os Flintstones”. Mãe: Wilma Flintstone

O enredo se passa no ano 1.040.000 A.C. Wilma é casada com Fred e é mãe de Pedrita. É “exímia dona-de-casa. Já pensou em trabalhar fora várias vezes, mas seu marido Fred é contra”. “Uma mãe muito vaidosa, gentil, paciente e talentosa. A filha dela, Pedrita, diz que ela é o tipo de mãe perfeita, e faz de tudo para proteger toda a família” e “apesar de viver no tempo dos dinossauros, é muito moderna.”

 “Os Flintstones”. Mãe: Betty Rubble

Esposa de Barney, Betty é mãe adotiva de Bambam. Segundo a web, “está sempre de bom humor. As famosas risadinhas encantam toda a família. Bambam, seu filho, adora o jeito atencioso e engraçado da mãe.” É “o modelo de esposa perfeita, devotada e muito paciente e talentosa, para livrar seu marido das encrencas que ele se mete.”

 “Shrek”. Mãe: Fiona

O enredo se passa no mundo dos contos de fadas, na Idade Média. A princesa Fiona é esposa do ogro Shrek e tem trigêmeos. “É o tipo de mãe que acompanha todos os passos do filho e não perde nenhum movimento dele. Sempre participativa, ela adora fazer comidinhas para a família.”

 “A Família Addams”. Mãe: Mortícia Addams

Morticia é casada com Gomez e tem dois filhos: Wandinha e Feioso. A web lhe atribui os seguintes adjetivos: “é o coração e a alma da família Addams”. “É uma mãe não-convencional. Ela deixa os filhos brincarem com cobras, veneno e poções perigosas. Mas também, pudera. Ela é a matriarca da Família Addams, a família mais esquisita dos cinemas.” Morticia também faz questão de organizar o lar, ainda que “com um ar bem tétrico.”

 “A Feiticeira”. Mãe: Samantha / A Feiticeira

Samantha é casada com James e tem dois filhos: Tabatha e Adam. Ela é uma feiticeira, e pode fazer mágica com um simples movimento do nariz. “Está sempre tentada a usar todos os seus poderes, para facilitar a vida do casal. Mas o amor fala mais alto e para não desagradar ao marido, vive driblando sua natureza de bruxa.”

 “Os Simpsons”. Mãe: Marjorie/Marge Simpson

Marge é casada com Homer e é mãe de Lisa, Bart e Maggie. Tem “personalidade muito paciente. Mesmo Homer aprontando inúmeras confusões, ela continua sendo uma esposa fiel e dedicada, assim como é para com os filhos. Com poucas exceções, Marge gasta a maior parte de seu tempo como dona de casa. É na verdade um estereótipo de dona de casa suburbana dos anos 1950.” Mais adjetivos: “compreensiva, paciente e tranquila”, “superbrincalhona, mas ao mesmo tempo, educada e preocupada com as trapalhadas do marido e do filho, Bart”. Marge “é do tipo que dá a vida por sua família.”

 “A Grande Família”. Mãe: Irene / Dona Nenê

Irene, conhecida como Dona Nenê, é casada com Lineu e tem dois filhos: Tuco e Bebel. A web a descreve como “a matriarca de todos os telespectadores brasileiros. Dona de casa primorosa, companheira e mãe zelosa, um porto seguro para aqueles que vivem a sua volta. Compartilha dívidas, discussões e uma disposição agregadora incrível. Nunca diz não para a família. Se a sua mãe não é igual a Nenê, provavelmente você adoraria que ela fosse como a personagem.” Ter uma mãe assim “significaria poder contar com ela mesmo quando fizéssemos algo bem errado. Se não fosse por ela, a harmonia da família Silva já teria ido por água abaixo há muito tempo.”

 “Os Incríveis”. Mãe: Mulher Elástica / Helena Pera

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, é esposa de Roberto Pera, o Sr. Incrível. Têm três filhos, todos superpoderosos: Violeta, Flecha e Zezé. Assim a web descreve sua personalidade: “Helena parece ser a única no casal a se preocupar com os filhos. Ela parece bastante estressada em sua tentativa de preencher o vazio deixado por Beto em sua ausência como pai de verdade.” “Mãe aventureira, radical e superprotetora. Ela possui superpoderes incríveis e consegue esticar o corpo todo para enfrentar as aventuras que passa junto aos filhos e marido”. “Qual mamãe não gostaria de ser elástica para poder dar conta de todos os serviços e ainda brincar com os filhos?”

“Os Jetsons”. Mãe: Jane Jetson

O enredo se passa no futuro, com a tecnologia presente em cada detalhe do dia-a-dia das personagens. Jane é esposa de George e mãe de Elroy e Judy. “É o tipo de mãe exemplar e ao mesmo tempo moderninha.” “A mamãe do futuro cuida dos filhos e ainda tem que fazer de tudo para manter o apartamento da família (o Sky Pad) impecável.”

Veja também:

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Fran, Wilma, Beth, Fiona, Morticia, Samantha, Marge, Nenê, Helena, Jane: o que elas têm em comum? São ponderadas, sensatas. Centralizam e organizam a família em torno de si, são responsáveis por manter o equilíbrio da casa. São amorosas e dedicadas e suportam tudo.

Nenê da Grande Família é exceção: não encarna o lado racional da família. Puro sentimento, às vezes se atrapalha. Lineu assume a posição de sensato da casa, papel normalmente confiado às mulheres nessas produções.

Nenhuma das personagens trabalha fora de casa. As que experimentam acabam voltando. O dilema trabalho versus casa, portanto, é extirpado, bem como o babá versus creche.

O trabalho da casa é realizado integralmente pelas mães, exceto Jane Jetson, que tem a ajuda da robô Rose, e Mortícia Addams, que conta com o mordomo Frank e a mãozinha Coisa. Wilma Flintstone também tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais.

Todas as mães têm que esconder seus “superpoderes”, mas sempre “salvam” a família de enrascadas. Esses poderes podem ser mágicos, como no caso da Feiticeira Samantha, ou talentos profissionais, como o da hábil comunicadora Fran Sauro, que desiste de apresentar um programa de TV para cuidar da casa.

Não existe revolta. Todas estão resignadas em seu papel, cientes disso e de sua importância para a família.

Todas as personagens estão em boa forma física, ainda que não se explicite de que maneira elas chegam a esse resultado. Fran Sauro também, dentro do que se espera de um ser de sua espécie.

Os maridos são infantilizados e atrapalhados (também com exceção de Lineu). Trabalham como funcionários em empresas. Estão insatisfeitos com o trabalho, mas são conformados (exceto Gomez Addams: “um advogado que acumulou uma riqueza invejável e que agora vive tranquilamente acariciando seu polvo e explodindo trens de brinquedos em sua mansão”).

Sugestionáveis, ingênuos e teimosos, os pais das famílias de seriados e animações sempre se metem em confusão. Assim, as mulheres se posicionam como mães de toda a família, incluindo os maridos.

Seja na Idade da Pedra, na Idade Média ou no futuro, os padrões se repetem, se mantêm. Shrek, por mais anárquico que se pretenda, apresenta Fiona como uma mãe zelosa ao molde das demais. Ou seja, o roteiro de Shrek subverte tudo – a princesa é uma ogra, o herói é um ogro, a fada madrinha é má -, exceto o que se entende como amor materno.

São todas famílias nucleares – pai, mãe, filhos -, com intervenções de parentes em alguns casos. O protótipo do que se difunde como uma típica família dos anos 1950.

Nas produções, é curiosa a presença de outras mães, as mães das mães: as sogras. São vozes femininas de chamado à consciência. Elas parecem discordar da escolha das filhas e de tudo a que as elas se submetem, e estão sempre dispostas a aborrecer os genros. São incômodas mas também não ajudam nos afazeres (às vezes até pelo fato de contestá-los). Trata-se de um reforço contínuo ao estereotipado conflito entre sogras e genros.

Outras figuras podem cumprir o papel da sogra: a dinossaura Mônica (Família Dinossauro), a modista Edna (Os incríveis), as irmãs de Marge Simpson (Os Simpsons). Em Shrek, quem cria problemas é o sogro, mas por temor de que sua identidade verdadeira seja revelada (trata-se de um sapo transformado em humano).

 

Mulher elástica – algumas diferenças

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, merece uma análise à parte porque, no decorrer do filme, vai revelando facetas que a princípio podem distanciá-la das demais mães apresentadas anteriormente.

A Mulher Elástica é feminista no início da história. Em uma entrevista jornalística, ela discursa: “Sossego, qual é? Tô no auge da forma, em briga de cachorro grande. Garotas, na boa: deixar o mundo ser salvo pelos homens? Claro que não. É claro que não.”

Ela se casa com Beto Pera, o Sr. Incrível, mas algo põe a perder suas carreiras de super-heróis. O Sr. Incrível não se conforma em se esconder por trás de um medíocre vendedor de seguros. Mas a ex-Mulher Elástica parece conformar-se com a nova vida. Isso é um paradoxo, que vai contra o que ela diz na entrevista do começo do filme, no auge da juventude, e também para ele, que na mesma entrevista diz planejar constituir família.

Helena se resigna com seu papel de mãe zelosa. E luta para defender essa nova situação como uma escolha própria sua.

Em casa, as coisas são superdimensionadas por ela (e menosprezadas pelo marido, Beto). Seus superpoderes, que outrora salvavam o mundo, agora são utilizados para lidar com os desafios em família, a própria metáfora da mãe-malabarista, a quem se exige todo o tempo que se adapte, que se molde.

Sim, Helena está tentando se adaptar à vida de dona de casa e mãe, e está muito empenhada em manter as aparências, mas deixa transparecer aqui e ali o seu descontentamento. De todas as mães das séries e animações, é a mais impaciente e estressada.

Com o desaparecimento de Beto, que ela suspeita ser algo relacionado a traição conjugal, Helena deixa os filhos ao cuidado da primogênita para recuperar o casamento. Nesse raciocínio, o casamento é mais precioso para os filhos; o fim da união do casal é um perigo muito maior que o abandono. E, ao mesmo tempo, sob os conselhos de Edna, ela descobre que também precisa recuperar a heroína que um dia foi, para que se mantenha admirável aos olhos do marido – e aos próprios olhos.

A Mulher Elástica, então, volta à “ativa”. Mas somente porque os filhos vão junto com ela, quando demonstram poder se virar sozinhos. Ela percebe que sua superproteção tolhia os filhos, tornava-os infelizes. O desfecho traz a ideia de que a família é invencível quando está unida.

Helena é a única mãe das animações e seriados que volta para a sua profissão, ainda que sob circunstâncias próprias de quem tem uma família inteira com poderes especiais, que podem dispensar a dedicação absoluta da mãe.

Contudo, ainda que existam algumas diferenças entre Helena e as outras personagens de mães, o fio condutor é o mesmo: todas são mulheres que têm na família seu bem maior.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Nunca foram necessárias tantas qualidades para que uma mulher se sinta uma boa mãe, como nas últimas gerações. Um misto de administradora, executora, conciliadora, sempre com um sorriso no rosto e uma deliciosa refeição à mesa, tudo sem descuidar da beleza. Mas a mais preciosa e indispensável de todas as características é o amor incondicional, a capacidade inesgotável de suportar tudo a fim de manter a unidade da família.

Aminatta Forna encontra a imagem que melhor representa o amor materno: Nossa Senhora. Mas, segundo ela, é fácil ser plácida e serena com um bebê como o menino Jesus. Ser plácida e serena com filhos como Bambam Rubble (que hoje seria considerado hiperativo), Bart Simpson e Baby Sauro é muito mais heroico – e digno de admiração.

Para Elizabeth Badinter, esse conceito de amor materno (ou mesmo a noção de “instinto maternal”) é algo que foi construído – e o mais instigante: não pelas mães. O que ela chama de mito do amor materno tem sua raiz na necessidade de mudança de foco em relação à infância: as crianças, antes tidas como seres imperfeitos e incompletos que necessitavam de correção, passam a encarnar a esperança do futuro. A partir desse momento, os especialistas se dedicam de forma insistente a provar que sobre a mãe recai a responsabilidade primordial (e exclusiva) de formar os novos indivíduos.

Com o passar do tempo, o conceito fabricado de amor materno passou a ser ampla e irrefutavelmente aceito, naturalizado como se sempre tivesse existido.

Segundo Trisha Ashorth e Amy Nobile, muitas transformações ocorreram na vida de muitas mulheres das últimas gerações, que as impede de olharem para as próprias mães como modelos.

Susan Maushart enfatiza ainda a presunção e arrogância que torna maior o abismo entre as mães de hoje e a de mulheres que as antecederam na maternidade. Para ela, um conhecimento inestimável foi perdido com a quebra desse elo, inédita na história da humanidade. Tudo sob a alegação de que as mães da geração atual podem fazer diferente.

As mulheres não se espelham mais nas próprias mães. A grande contradição é que, enquanto os ideais de perfeição no “fazer” mudam com o tempo, os ideais de perfeição na postura da “mãe perfeita” se mantêm.

Somado à constatação de que as crianças também mudaram muito – a mulher também não vê nos filhos a criança que foi –, tudo isso resulta em um perene sentimento de inadequação, de estar perdido, em busca por um lugar.

Para Diana e Mário Corso, os pais parecem andar com aquele adesivo: "Não me siga, eu também estou perdido!"

Em sua experiência de psicanalistas, Diana e Mario Corso relatam o “sofrimento daqueles que julgam estar na família errada, uma ideia de que sua família não é como deveria ser ou não se comporta adequadamente como uma ‘verdadeira família’.” Os autores se perguntam: e qual é a família certa para os dias de hoje?

Sem bússola, e diante do excesso de escolhas, de expectativas e de responsabilidades, as mães encontram na mídia modelos dourados, que se acredita serem eternos desde sempre.

Sempre paira a tentação de se atribuir à “indústria cultural” (ou qualquer outra nomenclatura mais moderninha) a massificação de valores a fim de se obter boa-vontade por parte do público. Em outras palavras, a “teoria da conspiração”, que estaria “por trás” da fixação desses modelos da mãe perfeita, de paciência infindável, que se anula em prol da família.

Entretanto, o papel da mídia aqui é outro. As razões do sucesso desses produtos, ainda que sejam fonte de inspiração, repousam mais na necessidade de compartilhamento de experiências. Desenhos e seriados populares são produtos de entretenimento que colhem, sedimentam, reforçam, retroalimentam modelos que não são impostos, são acolhidos pelas mães de forma natural.

Para uma parcela de mães, a responsabilidade exclusiva pela criação dos filhos é um “poder” do qual não querem abrir mão e pelo qual abrem mão de todo o resto – razão da indignação de Helena no diálogo citado anteriormente. Para elas, um poder que só é legítimo pela via do sofrimento e da renúncia. Qualquer outra coisa que fuja a esse princípio é considerado egoísmo e só leva a um destino: o da eterna culpa.

“Como mulheres, e principalmente como mães, ainda não deixamos de ter medo de que, se é bom, deve ser egoísmo – e que cuidarmos de nós mesmas significa inevitavelmente faltar com nosso primeiro e mais legítimo dever: cuidar de todos os outros.”  (Susan Maushart)

 Assim, em muitos casos são as próprias mães que se agarram a esses padrões de perfeição. “Conspiração”, para elas, seria o que é praticado por quem tenta chamar a atenção para os padrões, quem tenta “libertá-las”: são as “máfias” das feministas, dos médicos, dos fabricantes de leite, dos homens, do sistema, do capitalismo, enfim.

Quando a realidade insiste em se impor ao idealizado, surge o mal-estar; mas, ainda assim, elas preferem continuar ostentando sua “máscara da maternidade”, como diz Susan Maushart.

“Quem quer a pressão de ser super em tempo integral?” pergunta o Sr. Incrível. Do que se depreende da presente análise, muitas mulheres querem.

Talvez por absoluta falta de opção do que pôr no lugar.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Sites visitados

http://www.anos80.com.br/desenhos/flintstones.html

http://natelinha.uol.com.br/noticias/2010/06/17/151402.php

http://www.tiosam.org/enciclopedia/index.asp?q=The_Incredibles

http://www.uarevaa.com/2010/12/nostalgia-animada.html

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Para dar conta da casa, Wilma Flintstone tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais. Confira alguns deles:

  • Máquina de lavar roupa: um pássaro que fica sapateando numa tina de pedra cheia de água e sabão.
  • Chuveiro e torneira: um mamute que fica do lado de fora da janela, espirrando água pela tromba.
  • Aspirador de pó: pequeno mamute sobre rodas, que aspira a poeira.
  • Vitrola: disco de pedra que gira sobre o casco de uma tartaruga. A agulha é o bico de um pássaro.
  • Triturador de alimentos: um porco (ou javali?) que fica instalado debaixo da pia.
  • Fogão: um quadrado de pedra, com bocal e tudo. Uma das partes é aberta, por onde um dragãozinho fica soltando fogo.
  • Ventilador: um pássaro que fica girando a cauda.

 

Após o nascimento de Pedrita, os Rubble ficam meio chateados de não poderem ter um filhinho só deles. E resolvem adotar Bam-Bam, um garoto com força sobre-humana que depois se tornaria namorado – e marido – de Pedrita. Agora, um parêntese: você já viu alguma outra série infantil, nos anos 60, tratar do tema da adoção de crianças?

(Fonte: site Anos 80)

Tem muito marmanjo encantado com os dotes físicos das mamães de seriados e animações. Duas delas já “posaram” para a Playboy:

 

Tem gente suspirando pela Mulher Elástica na web, como pode ser visto no trecho abaixo:

Helena possui quadris avantajados e usa roupa colante, o que eleva seu sex appeal. Ao mesmo tempo, Helena representa a companhia perfeita que todo homem gostaria de ter. Um usuário postou no fórum de discussão IMDB: ‘Acho que é por isso que tanta gente acha ela gostosa. Ela é esposa ideal. Inteligente, capaz, divertida, doce, gentil, forte, sexy…’ E flexível…”  (Fonte: site Tio Sam)

Já Dona Nenê, da Grande Família, fez um ensaio sensual vestida de oncinha:

“Indignada com uma reportagem que chama sua família de careta, ela resolve provar o contrário. O episódio foi ao ar no dia 1º de julho de 2010. A ideia surge quando um estúdio de fotografia abre perto de sua casa, e Nenê resolve investir pesado. Ela aparecerá toda vestida de onça e no começo ficará inibida em frente às câmeras, porém acaba se soltando logo depois.”  (Fonte: site Na Telinha)

Pois, com tudo isso, ainda tem quem ache que as personagens mães podem ser “mais” perfeitas do que já são. Olha essa campanha da Dove:

Quem diria, hein, Dove, com toda aquela conversa de “beleza real”… por que a insistência na ditadura do cabelo liso? Nisso O Boticário é menos hipócrita, quando assume ser uma empresa cuja razão de ser é vender cosméticos.

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Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

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De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

As coisas não acontecem como a gente quer

Sites visitados:

Ser mãe é descobrir a arte de morder a língua

Coisas que o manual da mamãe não diz

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 As coisas

as coisas não acontecem

como a gente quer

 

nem mesmo como a gente

não quer

 

as coisas nunca pedem

a nossa opinião

(DÍDIMO, Horácio. Amor, palavra que muda de cor. São Paulo: Ed. Paulinas, 1984)

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Os filhos nascem, os filhos crescem, nem sempre “as coisas” acontecem da maneira como planejamos, ou imaginávamos. Ninguém conta, realmente, com o fato de um dia se deparar com uma birra, uma nota baixa, uma doença ou mesmo uma síndrome grave. Um dia chato, um cansaço, uma tristeza nunca fazem parte do que a gente pensa sobre os filhos antes de tê-los.

A blindagem da gravidez

O advento da gravidez é um fenômeno intrigante. No momento em que recebemos o resultado, algo diferente começa a se processar em nossa mente. É como se nos revestíssemos de uma poderosa armadura, que nos tornasse imunes a qualquer coisa.

Por quê? Porque estamos sob a égide do sonho. Porque nos achamos diferentes. Porque achamos que, por sermos diferentes, nossos filhos serão diferentes. Porque achamos que, se FIZERMOS diferente, nossos filhos também farão diferente.

O choque da realidade

Aí o bebê nasce. E tudo que a gente concebia começa a cair por terra, nos primeiros choros, nas primeiras noites em claro, nas primeiras desobediências e tudo mais que se segue naturalmente na infância.

Então, nasce o filho, mas também a mãe, o pai, a família. São todos recém-nascidos. O que nem sempre nos damos conta é que, paulatinamente, morrem as fantasias: o bebê perfeito, a mãe perfeita, a família perfeita, a vida perfeita.

E “as coisas” se sucedem, independentemente  do que a gente faça e de quem a gente seja. Coisas que não estão nos manuais. Que nos forçam a morder a língua. Achávamos que, conosco, seria diferente… E é mesmo… diferente do que a gente pensava kkkkkkkkk!

Nossa primeira reação pode ser de silêncio. Em seguida, a busca: o que está errado? Quando começamos a descobrir que outras pessoas passam ou passaram pela mesma experiência, sobrevém o sentimento de alívio. E, depois, a vontade de expressar.

O alerta no megafone

Surge um afã inesgotável de dizer pra todo mundo o que sentimos, de compartilhar, de alcançar plateias, para que ninguém precise “padecer no paraíso”. Mas tudo é um misto de muito altruísmo com muita ingenuidade.

E por quê?

Porque estamos sob a égide do sonho. Pensamos que nossas experiências podem fazer a diferença. Mas, do mesmo modo que não temos controle sobre o impacto que nossa experiência pode ter para nossos filhos, descobrimos que não temos a menor influência sobre as grávidas e neomamães. Elas, afinal, estão blindadas, filtrando as informações para continuarem sob a égide dos sonhos… Quem sou eu para dizer nada?…

 O que realmente faz diferença

Chegando nesse ponto do caminho, entre a desilusão e as altas doses de “vida real”, talvez a gente se sinta um pouco hesitante de dar o próximo passo. O segredo é não ficar passivo, nem “maria vai com as outras”. Ora, o tempo todo eu quero que “as coisas” ouçam, sim, a minha opinião. Acho legítimo querer ser a protagonista – melhor ainda, a roteirista da minha história.

Mas nunca devemos esquecer a lição – a mais rica de todas – que o “choque de realidade” nos proporciona: a humildade. A humildade de aceitar que não sou a dona da verdade. O que, cá pra nós, também é um alívio.

Veja também:

Biblioteca da Mãe desencucada

Conselhos que amei

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Biblioteca da Mãe Desencucada

Mafalda, que que você deu para tua mãe no Dia das Mães? Um livro. Fala sério, que que você deu? Mas é sério, dei um livro. Um livro, sei, agora você está me achando com cara de bobo! Você acha que eu não sei que tua mãe já tinha um?

Ao longo dos anos desde que me tornei mãe, enfrentei várias fases. No início, com o primeiro filho, via um amor incomensurável mas também SOBRECARGA. Pensava que era “normal”, então me calei em um silêncio resignado e envergonhado. Senti SOLIDÃO. Em seguida, veio o sentimento de INADEQUAÇÃO, a PERPLEXIDADE. Que não me empurrariam para nenhum outro lugar diferente de uma posição de CONFRONTO. Essa fase foi a mais cruel.

Daí, comecei a descobrir nos livros gente que não apenas passou pelo que passei e sentiu o que senti. Era gente que já estava até teorizando a respeito do assunto.

Nesse Dia das Mães, quero “socializar” a informação. Dividir o percurso, atualmente em fase de TOMADA DE CONSCIÊNCIA, APAZIGUAMENTO. Melhor dizendo: DESENCUCAMENTO.

Já aviso de antemão: muitas vezes a inocência protege a gente. Ter acesso a determinados conteúdos internos é como tomar a pílula de Matrix.

Fase 1: É só comigo?

“Só depois de ter seu próprio bebê você descobre ‘A Verdade’ universal e irrefutável: criança chora mesmo!

“Mesmo a criança mais amada, cuidada, bem-tratada, saudável e feliz… chora. Mesmo as mais calminhas.

“[...] É claro, existem choros que indicam problemas: cólicas, fome, alguma dor, doença, maus tratos. Mas, excluídas essas possibilidades (e outras que eu possa ter esquecido) ainda assim ‘A Verdade’ é válida: criança chora mesmo.

“[...] Na verdade, as crianças não têm ainda maturidade emocional para falar para você: ‘Olha, mãe, não se preocupe, tá tudo bem, mas dá licença que agora me deu uma vontade de dar uma chorada boa, assim, só para relaxar, tá? Por favor, não me leve a mal’.”

CORRÊA, Laura Guimarães & OLIVEIRA, Juliana Sampaio. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005 Pp50-51

“[...] a gravidez é uma péssima preparação para a maternidade. Quando ficamos grávidas, compramos roupas novas, cuidamos da alimentação, evitamos fazer esforço, colocamos os pés para cima e prestamos atenção permanente a qualquer mudança em nosso precioso corpo. [...] Quando o bebê chega, o que acontece? Nunca mais colocamos os pés para cima, usamos camisetas velhas cobertas de banana amassada seca e carregamos uma carga de chumbo o dia inteiro. [...]

“A gravidez só prepara você, realmente para o parto – que, embora duro, é, no fundo, um evento em que você é o centro das atenções. [...] Você nunca pensa em se preparar para todos os anos depois dessas poucas horas de emoção, quando você será apenas o pano de fundo para o crescimento do bebê e quando longe de elogiar seu desempenho – o mundo inteiro a culpa explicitamente por todo machucado, birra e mau comportamento de seu filho.”

PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 P15

Fase 2: Quero colocar a mão na massa

“Não é preciso dizer que, se você tem filhos, provavelmente possui o bom senso de saber que não conseguirá controlar tão cedo sua vida como mãe. Nem adianta tentar: isso também não a tornará mais feliz.”

ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008 P67

“Muitos papais e mamães ficam em sérias dificuldades ao tentarem colocar em prática aquelas ideias tão lindas que tinham em mente ao iniciarem o longo e delicado caminho da formação das novas gerações: ‘comigo vai ser diferente; não vou ser igual aos meus pais em nada…’, afirmam, convictos. Cheios de boas intenções lá vão eles e… de repente, as coisas deixam de ser tão simples e fáceis. Pelo contrário. O dia-a-dia parece se tornar muito, mas muito complicado mesmo.

“[...] Onde foi que eu errei? Perguntam-se, desesperados, os pais. Afinal, conversam, explicam, não agridem, não impõem, não batem, não castigam… e, no fim, a vida está virando um verdadeiro inferno, quanto mais fazem, mais os filhos querem que se faça.”

ZAGURY, Tania. “Limites sem trauma”. 43 ed.- Rio de Janeiro: Record, 2002. P15

Fase 3: Quero conhecer minha essência feminina

“Como alimentar a intuição para ela seja bem-nutrida e responda aos nossos pedidos de que esquadrinhe as cercanias? Nós a alimentamos de vida – ela se alimenta de vida quando nós prestamos atenção a ela. De que vale uma voz sem um ouvido que a receba?”

ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos.” Rio de Janeiro: Rocco, 1994. P118

“A gravidez é um processo que afeta a identidade da mulher, altera seu senso físico e convida-a a reconsiderar vários aspectos dessa identidade: na relação com seu corpo, com o pai da criança, com seus próprios familiares, com os outros planos e esperanças para sua vida e com a imagem social da mulher grávida.”

GALLBACH, Marion Dauscher. “Sonhos e gravidez: Iniciação à criatividade feminina.” Ed. Paulus, 1995. P11

Passadas as fases iniciais, a coisa vai ficando mais punk. A fase seguintes são recomendadas SOMENTE PARA QUEM TEM ESTÔMAGO:

Fase 4: Quero conhecer as raízes históricas do mito da mãe perfeita (condições de produção do discurso)

“Enclausurada em seu papel de mãe, a mulher não mais poderá evitá-lo sob pena de condenação moral.

“[...] Ao mesmo tempo em que se exaltavam a grandeza e a nobreza dessas tarefas, condenavam-se todas as que não sabiam ou não podiam realizá-las  à perfeição.

[...] Tomara-se o cuidado de definir a ‘natureza feminina’ de tal modo que ela implicasse todas as características da boa mãe. Assim fazem Rousseau e Freud [...]: sublinham o senso da dedicação e do sacrifício que caracteriza, segundo eles, a mulher ‘normal’. Fechadas nesse esquema por vozes tão autorizadas, como podiam as mulheres escapar ao que se convencionara chamar de sua ‘natureza’?”

BADINTER, Elisabeth. “Um amor conquistado: o mito do amor materno”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. P238

“Nos anos 1990, o resultado acumulado da chuva de conselhos e ameaças é uma hiperconscientização em relação à maternidade, principalmente entre mulheres da classe média, muitas das quais trabalham e têm filhos depois dos trinta anos. As pressões atuais sobre as mães significam que essas mulheres embarcam na maternidade com uma culpa antecipada e assumem seu papel com um enorme grau de ansiedade, decididas a fazer tudo certo, decididas a não serem criticadas. A falta de apoio da sociedade em geral as deixa como trapezistas de circo voando sem rede de segurança, sem poder se dar ao luxo de um único erro. Tudo é sublimado em função das necessidades e desejos do filho.

“[...] Como a responsabilidade a culpa são de cunho pessoal e intransferível, a mãe se considera absolutamente indispensável e ninguém mais [...] para cuidar da criança. Para as não mães parece ridículo, mas ela, movida a culpa e medo, não consegue ver os excessos em suas ações. Aí estão os ingredientes da tragédia.”

FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999 Pp22-23

Fase 5: Quero a verdade, não me esconda nada

“É um caso clássico de que a literatura psicológica chama do paradoxo de ‘ser espontâneo’. ‘Confie em seus instintos’, recomendam os especialistas – e depois passam a ditar e controlar todo e qualquer ato das mães. A própria existência desses textos solapa [...] a confiança da nova mãe não só em seu próprio discernimento, como também na sabedoria acumulada das outras mulheres da mesma idade e das mais velhas.”

MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. P181

“Toda gestação, mesmo tratando-se de uma gravidez desejada, é potencialmente assustadora. Uma vez deflagrada, mostrará um poder maior que a vontade da mulher em cujo interior se desenvolve. Tudo o que nos coloca em uma posição indefesa, passiva, poderá ser sentida como uma evocação do nosso desamparo infantil e da insuficiência que sentíamos quando éramos incapazes de sobreviver sem ser alimentados, abrigados e carregados.”

CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011 P32

Por último…

Fase 6: Já sei disso tudo, agora quero canja de galinha

Descubra por que uma plantinha murcha pode ser o melhor presente do Dia das Mães:

Flores para o Dia das Mães

 

Os perigos de ser uma mãe perfeita

Blogagem Coletiva Maternidade Real

Blogagem coletiva proposta por Carol Passuelo.

Toda mãe já se deparou com o alerta de que a perfeição é uma coisa inatingível, impossível, inviável. Ainda assim, muitas vezes a gente se deixa seduzir pela ideia. O que nem todo mundo sabe é que a busca por ser uma mãe perfeita não é somente infrutífera. Ela pode surtir o efeito contrário.

Exatamente por já ter caído igual a uma patinha nessas armadilhas, que compartilho aqui. São tantos os perigos que não couberam em um post só, deram origem a uma série (cada título é um link):

1. O que é ser mãe perfeita hoje?

     A todo momento surge uma teoria nova que põe por terra as teorias anteriores. Quem vai arriscar?

2. Ser perfeita vale o esforço?

     O tempo que dedicamos a sermos perfeitas, estamos perdendo em relação ao que realmente importa: sermos mães REAIS.

3. Você já combinou com os russos?

   A maternidade que idealizamos nem sempre corresponde ao que os principais interessados – os filhos – querem ou necessitam.

4. Mãe perfeita quer família perfeita

    E às vezes a família não quer ser perfeita.

5. Vá pela sombra

    Quanto mais obstinada for nossa busca pela perfeição, mais poderosa, perigosa e incontrolável fica a nossa “mostra interior”. Vai encarar?

6. Cresça e Apareça

   “Educar é a arte de tornar-se desnecessário”, diz o psicanalista Paulo Gaudêncio.

7. Parou por quê? Por que parou?

     Parar para pensar não é o mesmo que parar de pensar. Mania de perfeição gera estagnação.

PS: A imagem do selo da Blogagem Coletiva é muito semelhante à que ilustra a medalha-símbolo do blog. Feliz coincidência, porque a proposta é essa: sair da “maternidade dourada”, solidificada no metal, e ir lá fora brincar com as crianças no sol.

Perigo de ser mãe perfeita 1 – O que é ser mãe perfeita hoje?

O problema já começa no conceito. Queremos ser perfeitas, mas não temos muita noção do que isso significa. É, porque toda hora esse referencial muda. Sabe a sensação de “mudar a regra no meio do jogo”? Ou “trocar o pneu com o carro andando”? Mais ou menos isso.

Hoje, o que está em voga é a mãe perfeita natureba. Acontece que, há bem pouco tempo, mãe perfeita tinha que ter o parto no hospital, que afirmavam ser mais “científico” e seguro; dar leite artificial e farinha láctea na mamadeira, que diziam ser mais prático e mais nutritivo, além de permitir independência à “nova mulher moderna”; ser produtiva, desde que dedicasse “tempo de qualidade” aos filhos.

Há apenas uma geração atrás, mãe perfeita enfaixava o umbigo, dava de mamar de 3h/3h, oferecia chazinho de camomila à noite, punha para dormir de bruços, entupia o bumbum DO bebê de talco, dava biotômico Fontoura. Benzetacil era a promessa de cura para todo e qualquer mal. Tudo era meticulosamente esterilizado e haja álcool, inseticida e antibacteriano. Depois de criar um batalhão de alérgicos e ressuscitar superbactérias, trouxeram de volta a ideia da “vitamina S” e “se sujar faz bem”.

Pois ainda houve época em que se aconselhava deixar os filhos chorando, para não ficarem mimados. Aliás, diziam que chorar fazia bem para o pulmão. Que todos os banhos deveriam ser gelados, para aumentar a imunidade. Na década de 1970, era o oposto. Criança tinha que ser plenamente satisfeita, para não ficar traumatizada. Em seguida, mudaram o discurso: tem que impor limites.

Do meu primogênito ao caçula, descobri que tinha que esfregar os mamilos na gestação – depois, não podia mais, não; que o bebê tinha que dormir de lado – depois, não podia mais, não. Enfim. O que não falta é teoria.

Alegam que hoje, finalmente, encontramos o mix perfeito, que somos muito mais informadas que nossas mães, e que a ciência encontrou seu ápice. Pois nem quero pensar o que nossos filhos vão achar de nós quando eles tiverem filhos rsrsrs!

“Uma escritora famosa, mãe de muitos filhos, disse-me que teve cada filho numa década diferente criou cada um segundo o método vigente no momento, com um conjunto de regras diferente e conflitante a cada vez. Se a cada nascimento de um filho ela tivesse acreditado nas palavras da sumidade da moda, concluiria que a vida do filho anterior estava irremediavelmente arruinada.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

“Nós, da geração pós-feminista, parecemos ter perdido o respeito pela sabedoria de mulheres que trilharam o caminho da maternidade antes de nós. Como em todos os casos de jogar fora o bebê com a água do banho, essa foi uma perda incalculável. Em certa medida, o que não sabemos sobre a maternidade é o que nos recusamos a ouvir e ver na vida de mulheres que nos cercam, com a presunção arrogante de que somos únicas, de que vamos ser diferentes.”

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. Pp184-185)

Minha mãe não fez curso de puericultura nem leu as toneladas de livros e artigos que eu li. Mas sabia como ninguém cantar para nós dormirmos. E tinha uma coisa especial que não está em livro algum, sobrevive a qualquer teoria e vai atravessar os tempos: LEVEZA. Algo que é totalmente impossível de alcançar quando se tem perfeccionismo.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

De mãe para filha

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Perigo de ser mãe perfeita 2 – Ser (ou parecer) perfeita vale o esforço?

“Mãe perfeita:

  • Sorri serenamente
  • Tem uma casa impecável
  • Pega uma fralda e a transforma numa pipa
  • Lê livros sobre o desenvolvimento das crianças
  • Nunca levanta a voz.”

(PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 – quarta capa)

 “Veja um exemplo parcial do que as mães nos disseram que PRECISAVAM executar:

  • Passar tempo de qualidade com cada filho individualmente [...] e família.
  • Parecer descansada, descontraída, em forma e na moda – mesmo com um orçamento apertado e poucas horas de sono.
  • Fazer um jantar delicioso e nutritivo toda noite e conseguir que as crianças o comam.
  • [...] Avaliar todos os prestadores de serviços: médicos, babás, professores.
  • Controlar todas as flutuações de humor de… todo mundo.
  • Voltar do trabalho com toneladas de energia para gastar com seus filhos.”

(ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008, p35)

Diana e Mário Corso também identificaram outra lista de pressões:

  • Ser bem-sucedida na profissão e no trabalho;
  • Ter participação no mundo, engajar-se em causas sociais;
  • Ser atraente para o marido;
  • Ser alegre e criativa com as crianças, como Mary Poppins.

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p87)

A busca pela perfeição não é mole. Em nenhuma ocupação humana. Mas a busca por ser mãe perfeita consegue ser a mais exaustiva de todas. Porque são muitíssimas as variáveis: comportamento, casa, corpo, saúde, relacionamento, intelecto, tempo, trabalho, causas sociais, tudoaomesmotempoagora, tudo irretocável.

Tudo tem que estar planejado nos mínimos detalhes, sem nenhum furo. E quem disse que a maternidade é “controlável”? Pelo contrário. Não há coisa mais fora de controle.

Aí, claro que nosso ideal de mãe perfeita se encaminha para um lugar ermo. Vou no popular: vai para a cucuia. Mas nós não queremos dar o braço a torcer: continuamos perfeitas nem que seja na fachada.

Uma pesquisa no Reino Unido mostrou que:

“69% das cinco mil mulheres inquiridas admitiram ter escondido a verdade sobre a facilidade com que lidam com as exigências da vida familiar. [...] Apesar de 64% das mães reconhecerem que é impossível ser a “mãe perfeita”, 41% sentem-se culpadas por não conseguirem alcançar esse ideal.”

(Mães mentem sobre forma como cuidam dos filhos. Disponível em: <http://www.mae.iol.pt/maternidade/maternidade-mae/1233026-5535.html> março de 2011)

Quase 70% admitiram que mentiam. Não ponho minha mão no fogo pelos 30% restantes, não. Mas 70% é um número considerável.

O negócio é que, tal qual a busca pela perfeição, segurar essa fachada NÃO É MOLE. Para dizer a verdade, é MUITO mais desgastante que as exigências da maternidade em si.

São necessários oito braços para fazer tantas tarefas. Mas apenas dois para abraçar seu filho.

 Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tô ocupada

Perigo de ser mãe perfeita 3 – Você combinou com os russos?

Reza a lenda futebolística que o jogador Garrincha, ao ser informado pelo treinador da seleção que bastaria driblar todos os adversários e fazer o gol para vencer a Rússia, perguntou: “Mas vocês já combinaram isso com os russos?”

Aproveito a deixa do Garrincha para refletir. A gente adota um modelo de mãe perfeita. E os filhos? Estão sabendo disso? Concordam?

Li a respeito de uma pesquisa com crianças inglesas (ingleses são doidos por uma pesquisa, né não?), sobre como deveria ser a mãe perfeita. Reuni as respostas em quatro grupos:

  • Intelectual – Ajuda no dever de casa (73%) e Lê histórias antes de dormir (43%)
  • Amorosa – Dá muitos beijos e abraços (63%) e Está sempre presente quando chamada (51%)
  • Mestre-cuca – Faz bolos caseiros (65%), Permite que as crianças ajudem a cozinhar (60%) e Faz o lanche da escola todos os dias (58%)
  • Brincalhona – Adora brincar (69%), Leva a criança ao parque regularmente (54%) e Gosta de se sujar no jardim (41%)

De cara, já fiquei “de cara”. Minha parcela mestre-cuca deixa muito a desejar (quer dizer que a história de “avental sujo de ovo” tem fundamento??). Também não gosto de me sujar no jardim. Oras, de repente, é o que os inglesinhos pensam, não sei se dá para aplicar à realidade brasileira.

Mãe Maravilha

Então, como boa mãe “noiada”, resolvi fazer uma enquete em casa:

- O que você acha que mamãe tem que fazer?

- Brincar mais.

- Ué, mamãe não brinca?

- Brinca, mas tem que brincar mais.

(A que insiste)– Quando vc tiver seus filhos, o que você vai fazer com eles?

- Brincar muito.

- E se eles fizerem coisa errada?

- Vou falar com eles e botar no cantinho.

Oh, yes! Fiquei satisfeita com o resultado (ninguém falou em bolo rsrsrsrs), apesar da amostra viesada e suspeita pra falar kkkkk! A parte da disciplina tá ok!

Quanto ao “brincar mais”, só reduzindo a perfeição de cada um dos outros níveis. Tá combinado com os russos.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Perigo de ser mãe perfeita 4 – Mãe perfeita quer família perfeita

Esse item é primo do item 3. Quem foi que disse que nossos filhos querem ser perfeitos? Que nosso marido quer ser perfeito? Ou seja, a gente endoida e quer endoidar todo mundo também, para que eles se encaixem em padrões que NÓS criamos. E nossa família pode simplesmente não estar a fim.

Além disso, ser mãe perfeita significa nunca falhar. Nunca errar.

“Hoje, qualquer mulher que decide ser mãe o faz com o cuidado e o medo de quem desarma uma bomba.”

“Vemo-nos refletidos das promessas de sucesso ou fracasso de nossos filhos, enquanto antes era o contrário, era nos antepassados que vinha nosso valor. Em função disso, como sabemos que tudo o que fizermos ou pensarmos influenciará o destino deles, nunca tivemos tanto medo de errar.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p54 e p108)

E mais: a mãe perfeita passa o exemplo de que os filhos também não podem falhar. Por medo do fracasso, eles evitam se aventurar, experimentar, CRIAR.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 5 – Vá pela sombra

Alguma vez você já agiu de modo esquisito, como se não fosse você? Tipo explodir e não se reconhecer depois? Eu chamo de “despertar da monstra”. O psicólogo Carl Jung chamou de “manifestação da Sombra”.

A Sombra é um aspecto da personalidade que se alimenta de tudo o que a gente rejeita, de tudo o que a gente não quer ser. Essa repressão de emoções negativas é útil para a vida em sociedade, mas a negação absoluta desse nosso “lado B” pode se transformar em uma bomba-relógio.

Quanto mais perfeita a mãe quer ser, mais lixo ela empurra para debaixo do tapete de sua psique. Quanto mais luz ela joga na perfeição, maior fica sua Sombra. E quanto mais a Sombra é ignorada, mais poderosa, perigosa e imprevisível ela fica. Parece até história de “dupla-personalidade”.

Aí, entra em cena o “triângulo nefasto”: frustração – explosão – culpa. É o que explica quando a gente se comporta de modo explosivo com as crianças, se arrepende e se pergunta depois: “fui eu mesma que fiz essas coisas?” E haja culpa!!!

Há outra manifestação da Sombra que é batata: julgar os outros. Só conseguimos identificar nos outros o que temos dentro de nós.

“Não aceitamos nos outros o que não aceitamos em nós mesmos.”

(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p37)

“Precisamos culpar alguém pela nossa imperfeição.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p117)

Charge: Matt Golding

Então, é bom ficar atento. Se a “monstra” de quando em quando está mostrando a cara (à nossa revelia), e estamos nos dedicando muito a julgar as outras mães e culpá-las, devemos fazer uma pausa para olhar debaixo do tapete e admitir que somos duais: pessoas muito legais, mas ao mesmo tempo com problemas. Somos humanas. E isso não é ruim, não. Assumir é fazer amizade com a Sombra. Lulu Santos já cantava: sem escuridão, não haveria luz.

“Somos imperfeitos, por mais que neguemos. Naquilo que não aceitamos em nós mesmos – agressividade, vergonha, culpa, dor – descobrimos nossa humanidade”.

(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p27)

"Mãe, eu posso ser uma sombra cheia de más intenções?" Charge: Stuart

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e apareça

“O mito da maternidade é o mito da ‘Mãe Perfeita’. Ela deve ser completamente devotada não só aos filhos, mas a seu papel de mãe. Deve ser a mãe que compreende os filhos, que dá amor total e, o mais importante, que se entrega totalmente. Deve ser capaz de enormes sacrifícios.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

Com essa entrega total, que inevitavelmente corresponde a uma auto-anulação, a mãe perfeita procura cercar o filho para que nada lhe falte, nada lhe incomode. O filho não tem sequer a oportunidade de sentir necessidade: a mãe lhe antecipa tudo. Lógico que essa proteção é fundamental para o bebê. O problema é quando ela se prolonga para sempre.

Isso cria um laço de eterna dependência e dificulta a construção da individualidade por parte da criança. O filho também fica sem “lastro” para a frustração, porque nunca a experimentou.

“Uma mãe, mais do que aquela que se faz imprescindível, seria a que permite que o filho construa nela, através dela e mesmo longe dela, um espaço para si.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p219)

Acho que a mãe perfeita nunca se deu conta de que sua perfeição pode prejudicar os filhos – justamente seu maior medo.

A banda Ultraje a Rigor fez uma brincadeira que ilustra isso muito bem:

“Meus dois pais me tratam muito bem

(O que é que você tem que não fala com ninguém?)

Meus dois pais me dão muito carinho

(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)

Meus dois pais me compreendem totalmente

(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)

Meus dois pais me dão apoio moral

(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)

[...] Meus pais não querem que eu fique legal

Meus pais não querem que eu seja um cara normal

Não vai dar, assim não vai dar

Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar?

Não vai dar, assim não vai dar

Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar?”

(“Rebelde sem causa” – Ultraje a rigor. Composição: Roger Moreira)

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte V: A alegria

Perigo de ser mãe perfeita 7 – Parou por quê? Por que parou?

Perfeito é algo que não tem mais o que melhorar. Como mães perfeitas, portanto, nos apegamos a uma verdade absoluta e pronto. Estamos sempre certas. Não nos abrimos para o aprendizado, não nos permitimos evoluir.

“Um expert é um sujeito que parou de pensar. Para que pensar, se ele é um expert?” (Frank Lloyd Wright)

Proibido parar e estacionar!

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – toda a série

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

ESCRITORA CONVIDADA: Maria Amélia de Amaral e Elói*
Enquanto mãe de segunda viagem, agora já posso perguntar, zombeteira: “Espelho, espelho meu, existe alguma mãe mais perfeita do que eu?” E a resposta nua e crua nem me abate: “Decerto que sim, e muito mais que uma”. O amor crescente que sinto por minhas duas filhotas me convence de que o dia a dia em família não precisa ser perfeito para ser feliz.

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Sou Amélia e mãe que ama as duas crias de paixão, mas sinceramente:

senti muuita dor nos dois partos naturais;

odeio a queda de cabelo no pós-parto;

reclamo muito ao levantar de madrugada para amamentar;

sinto dor nas costas e pescoço por amamentar;

adoro ouvir o pediatra dizer que meu leite sustenta e engorda meu bebê;

sou superdesengonçada com bebês (todos choram quando eu os pego no colo, exceto as minhas filhas, graças a Deus);

acho dificílimo impor um ritmo de sono aos filhos;

adoro poder comer loucamente e não engordar enquanto estou amamentando;

prefiro trocar fralda de xixi a de cocô (ou melhor, prefiro mesmo as fraldas limpinhas);

tenho raiva da tal da cólica, que normalmente chega à tardinha, quando a mãe está cansada, a filha mais velha chegou da escola e a babá já foi embora;

morro de medo quando o bebê engasga;

adoro quando o bebê dorme;

não gosto de ouvir choro de bebê;

detesto lavar roupinha vomitada ou cagada;

não consigo, de pé, carregar o bebê no colo por muito tempo;

não sei equilibrar bebê e bolsa dentro de ônibus ou metrô (na verdade, não me equilibro bem nem sozinha);

acho complicado ajustar a cadeirinha do bebê ao cinto de segurança do carro;

tenho preguiça de fazer sopinha nova para o bebê todo santo dia;

odeio todas as vacinas e suas reações;

perco a paciência com birra de criança;

às vezes finjo que não vi minha filha desobedecendo, só para não ter de brigar;

muitas vezes já desejei que os dentes só nascessem quando as crianças completassem sete anos;

gostaria de ter corpo sarado logo após o parto e sem fazer nenhum esforço;

tenho preguiça de contar história e pôr as crianças para dormir toda noite;

gosto quando meu marido sai com as crianças para eu dormir;

quero ser elogiada não só como mãe, mas também como mulher;

não entendo por que, enquanto grávida, a mulher recebe tantos elogios pelo barrigão e, quando ganha bebê, todos acham um horror sua barriga flácida e murcha;

adoraria que a babá não tirasse folga nos sábados e domingos nem tivesse direito a férias.”

Maria Amélia, mãe da Luana Lis e da Mariana Flor

* Maria Amélia de Amaral e Elói venceu o 3º Concurso Literatura para Todos do Ministério da Educação, com o livro Poesia Torta, e o 5º Desafio de Escritores do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara, na categoria Crônica.

Veja também:

Só as mães são felizes
São só os meus?…
É só o meu, ou seu bebê também…

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tive complicações nas gravidezes. Pós-partos difíceis. Mas isso não faz de mim uma mãe melhor.

Tive o imenso desafio e privilégio de amamentar meus filhos até quando quiseram. Mas não é isso o que realmente importa.

Bem como o número de mamadas, de litros de leite doados. De horas insones na madrugada.

Número de fraldas trocadas, de limpar xixi, cocô, vômito, de assoar narizes, cortar unhas, escovar dentes. Fazer curativos.

Número de horas nas filas das papelarias, de preencher etiquetas, identificar material escolar. De fazer dezenas de bainhas de calças e bermudas. E, no ano seguinte, mandar tudo pra costureira.

Nem o número de horas negociadas e compensadas no trabalho para participar de reuniões na escola. Número de vezes que deixei de fazer algo para mim, de cancelamentos, de adiamentos.

De guloseimas proibidas, de guloseimas liberadas. De escolher pessoalmente cada fruta e verdura na feira. E também de dar mamadeira, papinha Nestlé.

De leva pra lá, leva pra cá, médico, dentista, vacina, fono, academia, piano, escola.

De programas milimetricamente planejados para ser divertidos e que foram um fiasco.

De argumentações infinitas, de broncas, de mandar para o cantinho.

Febres, doenças ou síndromes mais sérias, sensação de impotência.

De cansaço, desânimo, destempero, dúvida, culpa, medo.

Nada disso faz de mim uma mãe melhor.

Nenhuma dessas coisas importa em si. O que realmente importa é como as encaramos e o que transmitimos em cada gesto.

Quanto maior o sacrifício, maior é a expectativa. O que leva a riscos:

  1. esperar retorno ou querer cobrar a conta depois, quase inevitável;
  2. criar álibis: amamentei, cuidei, dei tudo de mim, cumpri minha cota e agora chega;
  3. não se conformar quando alguém faz de forma diferente, pior ainda se for de um jeito mais fácil. É quase como se a pessoa estivesse cometendo um delito.

 Fala-se muito de “escolha”: “devia ter pensado nisso antes de ter filhos”, “há tanto anticoncepcional no mercado”. Acontece que a ideia de maternidade em voga é muito diferente da realidade. Quase oposta. Lindas mães perfeitas sempre sorridentes, com filhos fofuchos e saudáveis, eternizados nas capas de revista, em outdoors, na TV, no cinema e na internet, falando em como tudo é mágico e doce. Pode observar: NENHUMA delas mostra mastites, birras, adaptações na escola, doenças. Fora o discurso de que a mulher SÓ se realiza quando é mãe.

E de repente a gente vê que as coisas não estão acontecendo como o esperado; que, na teoria, tudo é muito mais simples; que por vezes acabamos lançando mão do que antes criticávamos. E aí vem a pergunta que cai como uma bomba:

“Eu estou me esforçando tanto, mas nunca é suficiente. O que estou fazendo de errado?”

Pois a resposta já está implícita: o que você está fazendo de errado é justamente achar que está SE ESFORÇANDO TANTO. Quem disse que tudo tem que ser assim, que só é legítimo se for penoso?

Assim como a maternidade idealizada é falsa, a maternidade de sujeição suprema também é. Uma coisa é a lida diária com os filhos, que exige bastante mesmo, é básico, necessário. Outra coisa é pautar a maternidade somente nisso. É fardo demais. Sem contar que é reducionista, míope.

Quero ressaltar que entendo e respeito quem se sente melhor no sacrifício. Existe algo em nossa cultura que endossa isso. O que não deixa de ser paradoxal, porque convive com o consumismo, o hedonismo, as promessas de soluções fáceis e prontas. Enfim, o fato é que a superação de um sacrifício traz a sensação de vitória.

Acho simplesmente fantástico quem consegue transformar tragédia em atitudes concretas, quem abre espaços e funda entidades para ajudar os outros. O problema é quando a superação traz um sentimento arrogante, de status, de poder, se superioridade. E a tentação irresistível de comparar, rotular e condenar o comportamento dos outros. Uma coisa é se sentir melhor como mãe. Outra coisa é se julgar uma mãe melhor que as demais.

A preocupação é até genuína: preocupação com os filhos das outras, crianças indefesas ou potenciais adultos problemáticos que dividirão o mundo com os NOSSOS filhos. (Óbvio que não estou falando dos casos de polícia.) Mas aí caímos em outra ilusão perigosíssima: acreditar que a mãe é a exclusiva responsável (e, por conseguinte, culpada) por tudo o que os filhos virão a ser.

Volto à questão inicial:

O sacrifício faz de mim uma mãe melhor?

No MEU CASO, não, nunca. Acho que até é o contrário: faz de mim uma mãe pior, focada na cobrança, primeiro comigo, depois com meus filhos.

Os melhores momentos da maternidade aconteceram quando fui espontânea. Isso é verdadeiro para mim e para meus filhos. Sem pensar se era por direito ou por obrigação. Sem pensar se estava certa ou errada. Esses momentos surgem quando você se entrega, deixa a situação te ensinar, deixa de ver como sacrifício e sente fluir, sente prazer, sente amor. Confesso – são muito menos frequentes do que gostaria; é muito difícil a gente se permitir tê-los no cotidiano que por vezes lembra a rotina militar. Mas são eternos, inesquecíveis. É quando conhecemos nossos filhos e nos deixamos conhecer.

O que faz de mim uma mãe melhor é ter a certeza de que conheço meus filhos. E o que mais espero é que eles não me vejam pelo tipo de parto, de horas de amamentação, de noites em claro, de dinheiro investido ou qualquer outro sacrifício que possa ter empreendido. O que mais espero é que eles saibam que podem CONFIAR EM MIM.

Os segredos das supermulheres – análise

Matéria publicada na Revista Claudia Bebê nº 523b

 “Os segredos das supermulheres

Cinco profissionais com rotinas marcadas por longas horas de trabalho e muito stress mostram que, com amor e sabedoria, dá para viver intensamente a maternidade sem abrir mão da carreira.”

Os segredos, segundo a reportagem:

Profissão Coordenadora de relações públicas e marketing de uma grande empresa de eletrônicos
Carga horária 14h
Filhos Trigêmeos de 11 meses
O suporte Não informado
Como dá conta Explica que está saindo para trabalhar; Liga pelo menos 2 vezes; Nos fins-de-semana dedica-se às crianças, desliga o telefone
   
Profissão Médica anestesista
Carga horária Dois hospitais com dois plantões de final de semana por mês
Filhos Uma menina de 1 ano
O suporte Berçário próximo ao trabalho Funcionária do próprio berçário quando tem plantão e o marido, que é médico, também
Como dá conta Desligou das emergências; Vê a filha nos intervalos; Quando sai cedo, brinca; Espera a filha dormir
   
Profissão Comissária de bordo
Carga horária Jornadas que exigem vários dias fora de casa
Filhos 1 filho de 10 meses
O suporte Escola maternal; Avó materna; Marido
Como dá conta Nos fins de semana de folga, deixa tudo; Marido e filho acompanham em voos longos
   
Profissão Representante comercial
Carga horária 12 horas; Viagens pelo Brasil
Filhos Gêmeas de 1 ano
O suporte Enfermeira experiente; Pessoa para cuidar da casa; Ajudante que cobre folgas; Escola em tempo integral
Como dá conta Monta um cardápio com ajuda do pediatra; Dispensa as auxiliares à noite, fazendo papinha, contando histórias; Ajudantes anotam tudo em uma caderneta
   
Profissão Capitã do Corpo de Bombeiros
Carga horária Das 8h às 17h, fora atendimentos de emergência até de madrugada
Filhos Um filho de 2 e um de 4 anos
O suporte Marido
Como dá conta Quando está em casa é o centro das atenções; A hora do jantar é sagrada, quando todos conversam; Se leva trabalho para casa, só inicia depois que filhos dormiram

 

Análise

 Segundo a matéria, para ser supermulher, é preciso trabalhar fora em longas jornadas, e conciliar com amor a maternidade. Mas o que se depreende é que a maternidade se dá sempre nas sobras de tempo.

Na verdade, o “segredo” para dar conta está no suporte que elas têm: ajudantes domésticas, berçários, maridos, avós. A reportagem, entretanto, silencia sobre os superpoderes dessas pessoas que ficam com as crianças a maior parte do dia.

Veja também: Os segredos das supermulheres – Marusia fala

Os segredos das supermulheres – Marusia fala

Agendas de Marusia

Em 1992, fazendo faculdade, início de namoro…

 

2 good 2 be 4gotten (4 meses de namoro!)

Impeachment de Collor!

  • Os compromissos eram entregas de trabalhos, provas, seminários, reuniões de grupo…
  • Encontros de jovem na igreja…
  • Ingressos de shows, bilhetinhos apaixonados de mês de namoro, recortes de jornal, desenhos e até as filipetas do histórico impeachment de Collor na Esplanada – tudo colado como recordação.

 Em 2000, trabalhando e dando aula…

  • Os compromissos eram reuniões, apresentações, visitas técnicas…
  • Bancas de conclusão de curso, entrega de notas, palestras…
  • Muitos cartões de visita, números de telefones e faxes anotados.

 Em 2010, trabalhando e com 3 pimpolhos…

Os compromissos são:

  • Comprar prendas da festa junina da escola
  • Comprar presente do amiguinho cuja festa é nesse fim-de-semana
  • Consulta no pediatra
  • Levar pra tomar vacina
  • Consulta no dentista
  • Comprar saco do aspirador de pó
  • Fazer exame médico para entrar na piscina
  • Levar recibos para ressarcimento no plano de saúde
  • Imprimir comprovantes do imposto de renda
  • Levar suco na festa da academia
  • Pagar professora de piano
  • Comprar livro de piano
  • Reunião na escola
  • Fazer feira
  • Comprar maçã (porque no dia da feira a maçã não tava bonita)
  • Pagar academia
  • Pegar álbum de formatura do jardim de infância
  • Ligar na malharia pra ver se o uniforme ficou pronto
  • E congêneres (todos reais, pinçados da agenda de 2010).

 Bom. O dia tem 24 horas. O banho tem que ser bem rapidinho, pra economizar luz e água, e o trânsito deve estar sempre light – a menos que você tenha um helicóptero. Também não compute nada como academia, salão de beleza ou outra coisa em causa própria. Supondo também que as refeições e idas ao WC sejam durante o expediente…

… pra resumo da ópera:

TEM QUE TER ALGUM SEGREDO pra dar conta dessa agenda e conseguir trabalhar fora 14 horas, como na matéria “O segredo das supermulheres”! Ah, já sei, e o turno entre meia-noite e 6h da manhã? Dormir? Ora, depois que você é mãe isso não te pertence mais! rsrs

Agora falando sério. Deve mesmo ser um superpoder. Eu, definitivamente, não sou supermulher. E nem quero.

 Na agenda de 2010 não tem nada colado de recordação… Descobri que agora gosto de colecionar outras coisas que não cabem na agenda:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Semana Mundial da Amamentação

Site visitado: Sociedade Brasileira de Pediatria

Ano – Madrinha da campanha Tema
1999 – Luiza Brunet Amamentar é educar para a vida. Vamos reaprender!
2000 – Glória Pires Aleitamento materno. Bom para a mãe. Melhor para o bebê.
2001 – Isabel Fillardis Aleitamento materno. Uma forma muito especial de comunicação.
2002 – Claudia Rodrigues Amamentar é dar ao seu bebê saúde em forma de amor.
2003 – Luiza Thomé Amamentação. Saúde e paz para um mundo melhor.
2004 – Maria Paula Até os seis meses, mudança na alimentação do seu bebê só se for do peito direito para o esquerdo.
2005 – Vera Viel e Maria Paula Até os seis meses, seu bebê só precisa do leite materno. Depois, ofereça outros alimentos e continue amamentando.
2006 – Cássia Kiss Amamentação. Garantir esse direito é responsabilidade de todos.
2007 – Vanessa Lóes (com Thiago Lacerda) Amamentação na primeira hora, proteção sem demora.
2008 – Dira Paes (e mãe) Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar.
2009 – Claudia Leitte Amamentação em todos os momentos. Mais saúde, carinho e proteção
2010 – Wanessa Cristina e outras mães Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor

 Campanhas de doação de leite materno do Ministério da Saúde

2008 – Camila Pitanga Doe leite, a vida agradece.
2009 – Samara Fillipo Doe leite materno, a vida agradece.

 

Análise dos cartazes

Os cartazes têm por objetivo:

  • valorizar (e até glamurizar) a amamentação;
  • esclarecer os benefícios para a mãe e a criança;
  • ressaltar as vantagens do leite materno;
  • recomendar expressamente o aleitamento materno exclusivo até os seis meses;
  • chamar à responsabilidade todos os outros envolvidos: pai, outros familiares, empregador.

 Importante, válida, oportuna, necessária, encantadora, inspiradora: tudo isso foi mais do que reverenciado nas campanhas. Mas há outros aspectos que vão além da INQUESTIONÁVEL utilidade pública e beleza, que merecem análise.

O cartaz de 2010 chama atenção por ser o primeiro de uma série, em 12 anos, a apresentar mães que não são celebridades. Também há a figura central de uma negra. As imagens de amamentação são essencialmente “brancas”, com exceção de Isabel Fillardis, em 2001 (vale o teste: procurar “amamentação” na pesquisa de imagens do Google).

Outra novidade em 2010 é a presença de grávidas, ou seja, o aleitamento materno é uma atitude a ser acalentada já na gestação.

A terceira característica diferente é a mãe que amamenta olhando para o bebê (ainda que na foto menor). Na maior parte das vezes, as mães não estão olhando para o bebê, e sim para o espectador, enfatizando o apelo, em que elas se colocam como porta-vozes da campanha (a exceção está no cartaz de Vanessa Lóes e nos anúncios de doação de leite). Essa postura também demarca o caráter incisivo da “pose” para a foto, do momento artificialmente produzido, bem como do destaque da mãe, a heroína que merece ser aplaudida e seguida.

Cores, cenário, sorrisos, tudo contribui para o clima de serenidade e prazer, o que leva a entender que amamentar é um ato natural desde sempre e que não encerra dificuldades – nem quando são gêmeos (Luiza Thomé), nem quando são crianças maiores (Maria Paula). A mãe que não observa essa atmosfera quando tenta amamentar (sente dor, apresenta fissuras, leite empedrado, cansaço, falta de apoio) começa a imaginar que algo está errado – com ELA.

Já começam a ser observadas algumas mudanças positivas. Mas o que realmente falta em todos os cartazes é algo que vai além do “mais informações” com os telefones e o site. Assim, uma recomendação crucial não está explícita nos cartazes: “Havendo dificuldades, não deixe de entrar em contato com…”

Como toda boa propaganda, ninguém vai falar dos problemas. E a intenção aqui não é pretender que as campanhas foquem nas dificuldades. Esta análise propõe, sim, o foco na AJUDA, no apoio. Até porque a credibilidade da própria campanha pode ser prejudicada, a partir do momento que as mães, ao não conseguirem reproduzir o clima perfeito das fotos, comecem a desistir pensando que a amamentação só funciona para as estrelas globais (que desfrutam de todo um universo não acessível às “mortais”).

Pois essas informações estão disponíveis… nos materiais dirigidos aos profissionais da saúde. Não foram concebidas para o grande público. O Ministério da Saúde produziu uma cartilha ótima, honesta, plural, com “gente como a gente”, tão diferente dos cartazes! A ONG Amigas do Peito fez o upload em seu site. VALE O CLIQUE:

Cartilha de Amamentação do Ministério da Saúde

Veja também:

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar

Na campanha de 2010, a frase: “Amamente. Dê ao seu filho o que há de melhor”, em letras manuscritas, e o papel de aparência envelhecida recorrem à memória discursiva de um anúncio do Leite Ninho da década de 1960. A mãe, com a lata nas mãos, diz: “Para os meus… Leite Ninho – o melhor do mundo.”

Anúncio disponível no Blog Propagandas Antigas

Não há como afirmar que a campanha de 2010 seja uma resposta direta a esse anúncio. Mas todas as campanhas de aleitamento são respostas às campanhas de leite artificial.

Muito disso se deve a uma mudança profunda que ocorreu na geração das mães que antecedeu a atual: as mães das mães. Elas não amamentaram e foram até mesmo persuadidas a não fazê-lo. O leite artificial era uma promessa de liberdade, nutrição garantida, modernidade. O preço foi alto e até hoje está sendo pago, em todo o mundo.

Quando se tornou um problema de saúde pública, foi necessário agir em duas frentes: criar severas restrições às propagandas de leite de vaca e outras fórmulas lácteas; e investir pesado em campanhas de motivação ao aleitamento materno.

Ninguém nega a importância dessas ações. Mas, assim como o elástico volta com força proporcional à extensão com que foi puxado, esse movimento acabou dando origem a efeitos colaterais, de extremismo. Está criando uma legião de mães bem-intencionadas mas frustradas porque não conseguem amamentar – muitas vezes, por falta de apoio.

 Há mães que não podem – aliás, não DEVEM amamentar.

Não é aconselhável amamentar com:

  • Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  • Tuberculose ativa não tratada e até uma semana após o início do tratamento, o que de obriga, durante este período, a separação de mãe e filho;
  • Medicamentos usados em doenças malignas (anti-neoplásicos) e isótopos radioativos para tratamento ou diagnóstico;
  • Raras doenças metabólicas inatas, do bebê, como a galactosemia;
  • Infecção com vírus citomegálico, em bebês prematuros;
  • Doenças maternas psiquiátricas, como depressão pós-parto.

 Não é possível amamentar quando:

  • A mãe passou por masectomia total – retirada dos seios necessária, por exemplo, na presença de câncer de mama;
  • A mãe passou por cirurgia nos seios e teve danificados os dutos, as glândulas produtoras de leite ou os nervos que rodeiam a aréola.

Outras dificuldades:

  • Mães com baixa produção de leite;
  • Mães ou bebês com problemas anatômicos;
  • Falta de informação (como as mães da geração anterior não amamentaram, não puderam passar adiante esse conhecimento. Hoje, é necessária a ajuda dos profissionais da área da saúde);
  • No caso de adoção (ainda que existam técnicas de lactação).

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Li um post em um blog que me deixou estarrecida:

“Leite de vaca é pro bezerro;
Leite de cabra é pro cabrito;
Leite de lata é pra quem não tem mãe.
Minha filha só mama no meu peito.”

 Todas as mães que estiveram em situações de impedimento precisaram oferecer mamadeira com leite de lata a seus filhos. Essas crianças, por causa disso, não podem dizer que têm mãe???

Na resposta aos comentários, os autores do blog esclarecem o radicalismo (e depois, aqui, no Blog Mãe Perfeita. Muito legal, é no diálogo que a gente se fortalece!) Digo aqui o que disse a eles lá:

 Inspiração, incentivo, apoio, sim – sempre. Mas também precisamos cultivar uma postura de mais respeito, solidariedade e acolhimento, em vez de terrorismo, julgamento (julgamento, não! condenação!) e exclusão de quem não pôde amamentar!

 Simplesmente porque essa condenação NÃO AJUDA!

E ainda pode surtir efeito contrário: criar repulsa e resistência à causa, tão valiosa.

 Separei o trecho de um livro – poucas linhas no meio de 24 páginas inteiras falando das maravilhas da amamentação. Mas, sendo o último parágrafo, se reveste de importância:

 “Há várias dificuldades que contribuem para que algumas mulheres não consigam ou não queiram amamentar. De qualquer forma, é importante não confundir o conceito de ‘boa mãe’ com ‘mãe que amamenta’. Ser boa mãe é a mãe que se pode ser, de acordo  com sua vida e sua história pessoal, com limitações e possibilidades. Ter leite no peito é apenas uma das possibilidades – mas não a única – de aproximar-se do bebê e ter um contato amoroso e íntimo. Mas a relação de amor também pode acontecer quando o bebê é alimentado com mamadeira.”

(MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 131)

 E outro texto muito bacana sobre o assunto na Revista Claudia (até ele apresenta a foto de um bebê mamando no peito da mãe!, o que mostra como a cobrança está arraigada. A despeito da imagem, vale a pena ler).

Cabe salientar que não foi escrito por um médico que faz pouco do aleitamento materno, muito pelo contrário. Quem escreveu foi Sônia Maria Salviano Matos de Alencar – Pediatra, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Bancos de Leite Humano e Aleitamento Materno, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria e coordenadora dos bancos de leite humano da Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

 Me sinto um fracasso porque não consigo amamentar

Revista Claudia – Dilema de mãe. Edição 516-F Editora Abril. pp4-5

  “[...]

Ser mãe é muito mais que dar o peito.

 Sua decepção também pode estar relacionada a um bombardeamento de campanhas que pregam o aleitamento materno como uma obrigação. De certa forma, essa pressão toda tem aumentado o sentimento de culpa de mulheres que por algum motivo não conseguem amamentar. É um peso que nenhuma mãe precisa carregar, muito menos aquela que fez o possível para dar conta do recado. Também não há motivo para temer pela saúde da criança. O leite materno é sem dúvida a melhor e mais prática opção de alimentação para o bebê, porque já vem pronto, aquecido e com todos os ingredientes bem dosados. Porém, há fórmulas lácteas excelentes  à venda no mercado, que suprem satisfatoriamente as necessidades nutricionais da criança recém-nascida. [...] O essencial para que você e seu pequeno se sintam bem e ligados intimamente é não delegar a ninguém o ato de dar mamadeira. Aproveite esse momento para aconchegá-lo, acariciá-lo, trocar olhares amorosos com ele enquanto sacia sua fome.

 É a maneira ideal de garantir um alimento imprescindível a qualquer ser humano: o amor.”

 É isso aí. Sendo no peito ou na mamadeira, o que realmente importa é alimentar nossos filhos com muito amor.

 

Veja também:

Campanhas de amamentação – uma análise séria e franca

Dificuldades para amamentar? Veja as dicas

Quando não é possível amamentar

Simplesmente lindos – Análise

Trechos de matéria da Revista Claudia nº 5, ano 43, de maio de 2004. Editora Abril.

 Simplesmente lindos

O comentário é geral: ela está linda como nunca. O azul dos olhos ganhou força: a pele, um brilho incrível; e suas poses e expressões, uma feminilidade hipnotizante. Mistério. O que fez a modelo paranaense Isabeli Fontana, 20 anos, se tornar ainda mais deslumbrante? “O Zion. É o meu anjo, minha luz, não consigo disfarçar meu estado de espírito. As pessoas pensam que estou mais bonita. Que nada, estou é muito mais feliz”, revela Isabeli. Com 1 ano e 1 mês, Zion não está nem aí para a declaração de amor da mãe. Ele começa a dar os primeiros passos, mas quer mais é ficar no colo dela, (…) deixando desabar farelos de biscoito sobre as longas pernas da top.

 (…) Comenta a papisa da moda no Brasil, Costanza Pascolato: “Envolvidos com o glamour do ambiente fashion, Isabeli e Alvaro são lindos, modernos, jovens e deram a sorte de formar uma família no momento em que os americanos querem resgatar essa instituição. (…) “Ela deixou de ser um cabide (…) para ser reconhecida como mulher, mãe, profissional.”

 (…) Não há trabalho bom que não aceitem, em qualquer parte do planeta. (…) “Eu e o Álvaro nunca passamos mais de um mês juntos”, revela Isabeli. (…)“A gente não se cansa um do outro e quando nos encontramos… é uma felicidade tremenda!”

(…) O que não estava nos planos era a gravidez. (…) A notícia caiu como uma bomba. (…) “Quando soube que esperava um filho, fiquei maluca. Eu usava DIU, não podia ser” Mas nunca abortaria. Alguma coisa me dizia: ‘Calma, não vai ser o fim do mundo, e sim o começo de muita coisa boa.’”

Zion nasceu de parto normal, como Isabeli queria. O plano era ter Álvaro por perto nesse dia, mas ele estava desfilando na Europa e não pôde voltar a tempo. “Ele me acalmava pelo celular”, lembra. (…) O bebê, grande e fofo, com quase 4 quilos, já tinha nome certo: Zion, a terra prometida dos rastafáris.

(…) Enquanto amamentava Zion – e ela só parou quando o leite sumiu, sete meses depois do parto -, pensou muito e adquiriu algumas certezas: a de que adora ser mãe; de que a vida de modelo tem prazo curto; e, finalmente, a de que quer construir um futuro tranqüilo para o filho.

(…) Isabeli integra o ranking das 50 melhores modelos mundiais (…). É a nona da lista. (…).

Entre todos, é a psicóloga Maribel Bergossi, 44 anos, mãe de Isabeli, quem mais se entusiasma com o sucesso. (…)

Como eles optaram por não ter babá, Maribel se encarrega do neto e da administração do lar do casal. (…) “Trabalho muito mais tranquila sabendo que Zion está com alguém da família”, confessa Isabeli. “Ser só top model não é tudo, faço questão de ser também top mãe”.

Análise

 De acordo com a reportagem, estas são as provas de que Isabeli Fontana é “top model” e “top mãe”: 

Top Model Top Mãe
Participa de badalados desfiles de moda de São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Milão, Paris O que fez a modelo se tornar ainda mais deslumbrante foi o filho Zion
Tão logo perdeu os 12 quilos adquiridos durante a gestação, recuperando a forma, ela passou a receber mais convites de trabalho – e a ganhar mais dinheiro. Para onde Isabeli vai, leva o filho. Ele tira sonecas enquanto ela posa.
É do time das modelos brasileiras que faturam acima de 1 milhão de dólares por ano. Ela deixou de ser um cabide para ser reconhecida como mulher, mãe, profissional
Álvaro e Isabeli têm o título de o casal mais lindo do mundo. Nunca abortaria. O filho foi o começo de muita coisa boa.
Isabeli, Álvaro e Zion estamparam diversas páginas da revista Vogue americana. Zion nasceu de parto normal, como Isabeli queria. O bebê, grande e fofo, com quase 4 quilos, já tinha nome certo: Zion, a terra prometida dos rastafáris.
Isabeli é a nona do ranking das 50 melhores modelos mundiais. Amamentou por sete meses e só parou porque o leite secou.
  Adora ser mãe e quer construir um futuro tranqüilo para o filho.
  A avó de Zion cuida dele.

 Mesmo quando surgiam as poucas adversidades em um cenário tão perfeito, a matéria faz questão de pontuar, incisivamente: ou foram superadas ou se revelaram, na verdade, grandes vantagens: 

Contras Os prós dos contras
Isabeli e Alvaro não passam nem mesmo um mês juntos “A gente não se cansa um do outro e quando nos encontramos… é uma felicidade tremenda!” 
A gravidez não estava nos planos. Zion foi o começo de muita coisa boa.
Álvaro não estava com Isabeli no parto Álvaro estava desfilando na Europa e acalmou Isabeli pelo celular.
O leite secou. Isabeli amamentou por sete meses e viu que adorava ser mãe.

 

Veja também:  Simplesmente lindos – Marusia fala

Simplesmente lindos – Marusia fala

Bom, eu não ganho 1 milhão de dólares por ano; não estou na capa da Claudia nem da Vogue; não sou a nona modelo do mundo; minha mãe trabalha como eu; não tenho o privilégio de levar meus filhos comigo o tempo todo.

Entretanto, vou fazer como a reportagem “Simplesmente lindos” e ver o lado bacana de tudo. Não tenho muita coisa em comum com Isabeli Fontana, mas tenho em comum com Zion, o filhinho dela: também ADORO comer biscoito.

 Mundo perfeito até quando há problema: querer levar isso a sério é ficar top maluca!  =)

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Anúncio publicado na Revista Pais e Filhos, em setembro de 2001

Menina brincando com boneca

Anúncio da Clínica Perinatal Laranjeiras

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses. No momento mais esperado da sua vida, escolha a melhor maternidade do Rio. 

Análise

Às mulheres, sempre se atribuem habilidades inatas, como o sexto sentido feminino e o propalado instinto materno. Que a maternidade é a única possibilidade de realização feminina, e que por isso todas nasceram para ser mães, ou melhor – já nasceram mães. Isso tem que ser desmitificado: maternagem também envolve escolhas difíceis, aprendizado, imprevistos e, claro, erros. A nova mãe é tão recém-nascida quando o seu bebê. Precisa de apoio, cuidado, conforto.

Veja também: 

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Trecho do livro “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”

Especialmente as mulheres que estão sendo mães pela primeira vez têm dentro de si, não uma velha experiente, mas uma mãe-criança. [...] Toda nova mãe começa como mãe-criança. Ela tem a idade suficiente para procriar e tem bons instintos que a orientam corretamente, mas ela precisa da atenção de uma mulher mais velha, ou de várias mulheres, que basicamente lhe dê sugestões, estímulo e apoio no cuidado com os filhos.

[...] As mulheres mais velhas eram os repositórios do comportamento e do conhecimento instintivo e podiam transmiti-los para as jovens mães. [...]

[...] Esse círculo de mulheres foi outrora o domínio da Mulher Selvagem, e era aberto a quem dele quisesse participar. Absolutamente qualquer uma tinha essa possibilidade. No entanto, tudo o que sobrou dele nos nossos dias é um farrapinho chamado “chá-de-bebê”, em que são comprimidas no espaço de duas horas todas as piadas sobre partos – dons maternos e as histórias sobre os órgãos genitais, que não se encontrarão mais disponíveis para a mulher durante toda a sua vida de mãe.

Na maioria dos países industrializados, hoje em dia, a jovem mãe choca, dá a luz e tenta beneficiar seus filhos completamente só. Trata-se de uma tragédia de enormes proporções. Como muitas mulheres nasceram de mães frágeis, mães-crianças e mães sem mãe, elas próprias podem possuir um modelo interno de “automaternagem”.

É provável que a mulher que tem um construto de mãe-criança ou de mãe sem mãe em sua psique ou que veja essa imagem ser glorificada na sua cultura e mantida no trabalho e na família sofra de pressentimentos ingênuos, de uma falta de experiência e, em especial, de uma redução de sua capacidade instintiva para imaginar o que irá acontecer daqui a uma hora, uma semana, um mês, um ano, cinco ou dez anos.

Uma mulher com uma mãe-criança interna assume a aura de uma criança que finge ser mãe.

ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem”. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. pp 226-227

Veja também: 

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Trecho do livro “Nós estamos grávidos”:

O tipo de ajuda que as pessoas oferecem é de grande importância. (…) No entanto, é comum a mulher que acabou de ter um filho se ver cercada de muitas pessoas “bem-intencionadas” – amigos, tias, mãe, sogra, babás especializadas em recém-nascidos – que sempre têm um palpite certo para dar ou uma maneira melhor para ensinar. Isso deixa a mãe confusa e atrapalhada, com dificuldade de saber selecionar o que pode aproveitar ou o que deve descartar. A grande diversidade de palpites e opiniões bloqueia a intuição e a sensibilidade da mãe.

Muitas vezes, as pessoas que oferecem ajuda colocam-se em posição de superioridade frente à mãe: “Eu tenho muita experiência com bebês, sei do que necessitam”; “já criei cinco filhos”; “sei como lidar com crianças melhor que você que só tem teoria na cabeça” são frases que fazem com que a mãe se sinta ainda mais insegura, inadequada e incompetente. A mãe, a sogra, a tia ou a babá sabem mais, têm mais prática, e a ulher fica como espectadora, entregando o filho aos cuidados de uma outra pessoa para deixá-lo “a salvo”. Dessa forma, perde a oportunidade de entrar em sintonia com ele.

MALDONADO, Maria Tereza & DICKSTEIN, Julio. “Nós estamos grávidos”. 11 ed.-São Paulo: Saraiva, 2000. p 146

Veja também:

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

O dilema entre estar sozinha ou afogada em palpites

Imagino que nas antigas “rodas de mulheres” os papéis da mulher, da mãe, do pai estavam muito bem definidos e existia um “modus operandi”, ou seja, um conjunto de regras mais ou menos comuns de como se deveria cuidar da criança e educá-la. Não vou entrar no mérito dos métodos utilizados. Vejo hoje as grávidas e as mães sedentas por informação, matriculando-se em cursos, devorando livros e revistas, participando de fóruns na Internet.

Ocorre que agora existe uma profusão de “vozes”, milhares de receitas diferentes e muitas vezes contrárias umas às outras. Vozes “oficiais”, vozes individuais ou coletivas, comunidades que se reúnem sob um mesmo lema e radicalismos que parecem religiões. Quem não é adepto é inimigo: “se você não estiver comigo, está contra mim”.

E você é obrigada a fazer uma opção, sem levar em conta que escolher um caminho significa abrir mão de outro, como se fossem coisas excludentes, incompatíveis. Parece uma competição, e não raro essas escolhas são permeadas de muita culpa:

  • parto normal x cesárea;
  • amamentação x mamadeira;
  • dedo x chupeta;
  • homeopatia x alopatia;
  • fralda de pano x fralda descartável;
  • cama compartilhada x método nana-nenê;
  • babá x creche;
  • trabalhar x não trabalhar;

e por aí vai. Sem contar que, a cada hora, surgem novas “descobertas”. Aquilo que antes se recomendava agora é condenado. O que funcionava para um filho não funciona para o outro. O que funcionava em uma fase não funciona na seguinte.

Meu negócio é: em vez de tentar descobrir em que “time” estou, vou brincar de boneca com minha filha. A boneca, aliás, vem na caixa, com manual de instruções e selo de padronização do Inmetro – muito diferente dos bebês. Mas a brincadeira pode ser um bom treinamento para o que realmente importa em ser mãe: curtir, sem culpa.

Veja também:

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – um lado

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – outro lado

Super-heroína

Mulher-maravilha é a mãe.”

(GUIMARÃES, Laura e OLIVEIRA, Juliana Sampaio de. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005)

Marusia fala: essa é ótima, porque, tanto com carinho quanto com raiva, está sempre verdadeira (a segunda entonação é muito útil: É A MÃE!!!)

Só as mães são felizes

Matéria publicada na Revista Crescer nº 138, em maio 2005.

Matéria da Revista Crescer mai 2005 ed. 138 - Abril

 Só as mães são felizes

Dez razões para explicar por que a gente fica muito melhor depois que os filhos nascem

Malu Echeverria

 

Esqueça as noites maldormidas, a culpa por deixar seus filhos em casa para trabalhar, a falta de tempo para cuidar de si mesma. Ignore a conta do cartão de crédito, a casa meio bagunçada, o cansaço. Ao menos por uns instantes, pare de se cobrar por não ser uma mulher perfeita. No dia das Mães, curta os momentos felizes trazidos pela maternidade.(…)

 Você faz novos amigos

(…) Na porta da escola, nas reuniões de pais e nas festinhas infantis, você conhece os pais dos amigos dos seus filhos. Eles acabam virando seus amigos, ampliando e diversificando sua rede de contatos. Afinal, assunto em comum é o que não falta. (…)

 Torna-se uma pessoa mais saudável

(…) Até quem detesta caminhar, depois de virar mãe, descobre quanto é legal andar de bicicleta, jogar bola ou peteca. A preocupação é pertinente: você quer estar bem para ver seu filho crescer. (…)

O tempo rende muito mais

(…)‘A capacidade que as mulheres têm de pensar e fazer várias coisas ao mesmo tempo se amplia depois da maternidade, pois as demandas também aumentam.’, explica a psicanalista Ana Paula Pires. (…) Você imaginou que conseguiria trocar de roupa, conversar ao telefone e segurar o bebê no colo, tudo ao mesmo tempo?

 Você é poderosa

Descobre que seu corpo tem uma missão mais nobre do que só encantar os homens. (…)

A descoberta de que o corpo é capaz de gerar um ser humano traz mesmo uma sensação de poder para as mulheres. (…)

 Quer que o mundo seja melhor

(…) Como toda boa mãe, você quer fazer do planeta um lugar melhor para viver. (…)

 Você se descobre um poço de paciência

(…) Assim como releva as birras em público, as reclamações na hora de tomar banho, o choro na madrugada. ‘Quando estamos apaixonados, suportamos quase tudo. (…)’ compara a terapeuta familiar Marília de Freitas Pereira, do Instituto Familiae, de São Paulo. (…)

 As frescuras ficam de lado

(…) Hoje, aparece algum problema (sim, você não os procura mais!) e logo arranja uma solução e ponto final. (…)

 Sente o maior amor

O amor que existe na relação com os filhos compensa qualquer dificuldade. (…)

 Aparecem outros talentos

Talvez você tivesse algumas habilidades manuais antes de se tornar mãe. Mas, com certeza, nunca as usou com tanto prazer quanto faz hoje. (…)

 Você volta a brincar

(…) A psicanalista Ana Paula resume por que é tão bom ser mãe: ‘a maternidade traz consigo um jeito mais leve de viver.’ Aproveite!

Análise:

À primeira vista, a matéria é um reconhecimento – veja toda a felicidade que é privilégio só das mães!

À segunda vista, a matéria é um elogio – orgulhe-se de todas as qualidades que só a maternidade proporciona!

À terceira vista, a reportagem é um convite – conscientize-se de todas as maravilhas que estão ao alcance de todas as mães e desfrute!

À quarta vista, é um consolo (ou uma repreensão): os problemas são irrelevantes diante de tantas dádivas que as mães recebem!

Mas há uma quinta verdade: o reconhecimento, o elogio, o convite ao desfrute e o consolo são apresentados sob tantas condições, que ao final a homenagem acaba por se transformar em obrigação. E toda imposição pode se transformar em culpa.

Razões para ser feliz, segundo a reportagem Condições da reportagem
Só as mães são felizes Se você não é feliz, não é boa mãe
Ao menos por uns instantes, pare de se cobrar por não ser uma mulher perfeita Depois desses instantes, pode voltar a se cobrar. Segue a lista:
Novos amigos Se você não fica amiga dos pais dos seus filhos, não é boa mãe
O tempo rende muito mais Se você não consegue trocar de roupa, conversar ao telefone e segurar o bebê no colo, tudo ao mesmo tempo, não é boa mãe
Poderosa O corpo feminino serve SÓ para os homens (!!!) e depois aos filhos. A matéria descarta tudo o que a mulher pode acessar por meio do próprio corpo como extensão de sua consciência individual.
Mundo melhor Se você não se engaja em ecologia, direitos humanos e paz mundial, não é boa mãe
Poço de paciência Se você não tem paciência de sobra com as birras, as reclamações e o choro, não é boa mãe. Se você não suporta tudo, não está apaixonada pelos filhos.
Frescuras de lado Se você não arranja logo uma solução para os problemas, está de frescura e não dá prioridade ao que importa – os filhos.
Sente o maior amor Se o amor ilimitado não surge à primeira vista, você não é boa mãe
Outros talentos Se você não é criativa, não é boa mãe
Brincar Se você não voltou a brincar e não leva a vida mais leve, não é boa mãe.

O texto é todo escrito no tempo presente: você faz, torna-se, define, descobre, quer, arranja, sente, acredita, é. O tom afirmativo, junto com depoimentos e fotos de 6 mães em êxtase com seus filhos e os comentários de 4 psicólogos, contribui para reforçar que “ser feliz” não é uma constatação. É um dever para as mães.

Veja também: Só as mães são felizes – Marusia fala

Só as mães são felizes – Marusia fala

Acho que no curso “Só as mães são felizes”, faltei às aulas quando ensinaram o módulo “Descobre-se um poço de paciência”. Fui reprovada com louvor. Não tenho a menor paciência para desleixo nem para provocação.

No módulo “As frescuras ficam de lado”, foi uma espécie de transferência – arrumei um bando de frescuras com as crianças, principalmente quando eram bebês, do tipo: ferver Lego (pra esterilizar) e não mudar o relógio para o horário de verão nas viagens (para manter a rotina intacta).

Também não gosto das reuniões de pais e mestres (só gosto das individuais com a professora); andei me arriscando fazendo um rappelzinho por aí;usei fraldas descartáveis, pra desespero dos ecologistas; e tem hora que não estou com muita criatividade para brincar.

Não acho que só as mães são felizes. Penso que todo mundo pode ser feliz se não ficar perdendo tempo em querer ser perfeito (e não só por “alguns instantes”, como diz a reportagem).

A aventura do primeiro bebê

Os trechos a seguir são de uma matéria foi publicada na Revista Claudia nº 5, ano 42, maio de 2003 – Ed. Abril:

 

O apartamento da produtora Priscila Borgonovi, 24 anos, e do ator Fabio Assunção, 31, (…) deixa bem claro quem reina no pedaço. No hall de entrada, continua estendida uma faixa com letras azuis: “Bem-vindo, João”, colocada pelos padrinhos do bebê, nascido em São Paulo, no dia 21 de janeiro.

 “No dia seguinte ao parto, acordei serena, me sentindo diferente e vendo tudo diferente. Desceu uma mãe em mim.”

 A verdade é que o recém-nascido contribui como poucos para a paz familiar: não tem cólicas, só chora quando está com fome, nunca engasgou ou pregou pequenos sustos na mamãe orgulhosa e dorme direto. “Dou a última mamada à meia-noite, daí ele só acorda às 6 da manhã. Mesmo dormindo menos do que gostaria, eu descanso legal”, revela Priscila. Ela tem consciência de ser privilegiada. “Ele é calmo, forte, nos deixa seguros. Nunca me fez passar uma noite em claro.”

 Grávida, levava a vida normalmente: fez hidroginástica até os sete meses e trabalhou até quase o bebê nascer. “Me sentia ótima, bonita, amada, com uma energia sensacional”. Assim, conseguiu vencer o medo do parto normal. (…)“Correu tudo bem, apesar das cinco horas de trabalho de parto e da indução, por causa do rompimento da bolsa. Na hora, fiz três esforços e o João nasceu, em quatro minutos.”.

 Fabio assistiu ao parto e também se emocionou profundamente. “Fiquei em transe, nem sabia onde eu estava. Como um evento tão normal pode ser tão extraordinário? Você tenta se enxergar no bebê e não se encontra… ele é outro, único. É lindo ver a mistura de nós mesmos com a pessoa que amamos.”

 Aos poucos, Priscila estabeleceu uma nova rotina. (…) “Mas devagar as coisas estão entrando nos eixos. A gente vai retomando o contato com o mundo, com a vida normal. (…) Também recupera a libido. É importante e gostoso você se sentir de novo bonita, mulher, lembrar de namorar o marido.” (…)

 Quando o bebê fez um mês, ela já havia perdido tudo o que engordou na gravidez e logo estava entrando nos jeans e calças justas. Com 1,75 metro, pesa agora 53 quilos. “Menos que antes”, orgulha-se.

 Fabio concorda que a vida do casal mudou bastante, mas não como o pessoal anunciava. “Todo mundo dizia; ‘Olha, cara, você vai ver só quando o bebê nascer… sua vida vai acabar’ etc etc. O João não nos cerceou de jeito nenhum, abriu uma nova vertente. (…)”.Paizão, o ator troca fraldas, dá banho, ajuda em tudo e adora curtir o filho.

 

Análise

Segundo o texto, podemos elaborar uma lista do que contribui para um início de maternidade feliz:

1. Mãe segura e serena;

2. Bebê que não chora, não tem cólica, mama bem e dorme a noite toda;

3. Gravidez tranquila, com a mãe trabalhando, fazendo ginástica e sentindo-se bonita e amada;

4. Parto normal e tranquilo;

5. Pai presente;

6. Vida voltando aos eixos;

7. Volta da libido;

8. Volta rápida à forma física.

Veja também: A aventura do primeiro bebê – Marusia fala

A aventura do primeiro bebê – Marusia fala

Meu primeiro filho nasceu no mesmo dia que o João: 21 de janeiro de 2003. Mas minha “aventura do primeiro bebê” foi totalmente diferente.
Quando fui inventar de preencher o “check-list” acima, já transcorridos quatro meses (a reportagem é de maio), fiquei pra morrer:
1. Mãe estressadinha e exausta;
2. Bebê que chora, mama de hora em hora e não dorme a noite toda;
3. Gravidez apreensiva, enjoo pra burro, mas ainda assim se sentindo bonita e amada;
4. Cesárea horrorosa e pós-parto mais horroroso ainda;
5. Pai presente.
6. Vida bem fora dos eixos;
7. Libido? Que libido?
8. Forma? Que forma?

Mas podia ser pior, né. Já pensou: “nenhuma das anteriores” …?
E esse negócio de horóscopo, então, também é bem maleável, porque como podem dois bebês do mesmíssimo dia serem tão diferentes? Bom, a matéria não dizia a hora do nascimento do João; às vezes é essa coisa de ascendente com Lua não sei onde…
Brincadeiras à parte, ainda bem que aos poucos fui percebendo que era maluquice total tentar ficar comparando e me enquadrar nesses padrões.
Padrões que comecei a reconhecer em outras matérias, em outras revistas… Daí surgiu a vontade de pesquisar sobre o assunto. E a necessidade de DESENCUCAR: Todas ao Manifesto do Desencucamento!!!

Marusia fala 2


Não tem nada a ver com maternidade, mas cá pra nós, uma das manchetes da capa é: “Elas não fazem chapinha e são felizes!”.
Como se felicidade e cabelo cacheado fossem uma combinação absolutamente inegociável.
(Meu Deus, como eu sobrevivi até hoje sem essa informação? Eu NÃO era feliz e não sabia!…)