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Maneiras idiotas de morrer

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Blog do Eduardo Biavati

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“Não se acostume com o que não o faz feliz.” (Silvana Duboc – leia a íntegra)

Nesta semana, participei do 8º Congresso Brasileiro e 4º Internacional de Trânsito e Vida, em Salvador, que apresentou dados contundentes sobre essa realidade que insiste em se perpetuar no Brasil: pessoas morrendo ou sofrendo graves consequências devido à cultura insana de sobrepor interesses monetários aos interesses coletivos.

Uma das pessoas que conheci foi Eduardo Biavati. Ele observa o trânsito por um ângulo bem maior. Em sua palestra, acrescentou a última pesquisa Pense, que mapeia hábitos dos adolescentes. Mostrou, por exemplo, que nossas crianças não mais vão à escola a pé, de bicicleta ou de ônibus. A rua tornou-se “perigosa” demais, e os pais, visando à proteção, motorizou os trajetos dos filhos. Filhos que passaram a ver o mundo através da janela de um veículo, perdendo a noção do risco e – pior ainda – o senso do coletivo. Da cidadania.

Me identifiquei duplamente na palestra do Biavati. Com 8 anos, eu ia a pé sozinha para o ballet (ou de ônibus, quando chovia). Não sei se tenho a mesma coragem de deixar meus filhos fazerem o mesmo no dia-a-dia. Para eles, o ápice da aventura foi andar a pé e de metrô em São Paulo, mas sempre acompanhados por nós. Fico preocupada quando vão brincar com os amigos na quadra ao lado, e precisam atravessar as ruas. E não é só pelo trânsito, mas pelos usuários de crack, pelos pedófilos.

Ao final da palestra, Biavati apresentou um vídeo do Metrô de Melbourne, em Victoria, na Austrália, que integra a campanha pela segurança nas linhas de trem, chamada “Dumb ways to die” (“maneiras idiotas de morrer”). A propaganda alerta para diversos tipos de risco no cotidiano, tais como tomar remédio com validade vencida ou usar eletrodomésticos de forma inadequada, combinados a bizarrices como servir de isca para piranha ou se vestir de alce na temporada de caça, terminando com os perigos de não respeitar as regras de segurança nos trilhos de trem. O sucesso está na abordagem ampla, na metáfora, na dose certa de choque e na informação.

http://www.youtube.com/watch?v=jfEHAVH20hY

Quando assisti, lembrei instantaneamente da musiquinha chiclete que ouvia nos jogos eletrônicos dos meus filhos, dias antes de viajar. Eu tinha desconfiado do refrão e pensado: “quando chegar de viagem, vou investigar que jogo é esse.” Pois o jogo consiste justamente em “salvar” a vida dos monstrinhos nas diversas situações.

Incrível o poder dessa propaganda, associada a outras iniciativas como o game, que cruzou o planeta para ser conhecida pelas crianças aqui no Brasil.

Pesquisando no YouTube, encontrei duas paródias brasileiras, uma para o Rio de Janeiro, outra para Belo Horizonte. Fiquei, ao mesmo tempo, surpresa com a criatividade e estarrecida com a crítica.

http://www.youtube.com/watch?v=OVOQU041u6Q

http://www.youtube.com/watch?v=hCk3j0Q0gQE

No Brasil, andar na ciclovia, parar no sinal vermelho, seguir a sinalização de trânsito, usar o transporte público são maneiras idiotas de morrer.

Enquanto isso, assistimos, de forma impotente, nossos governos apostarem tudo na produção cavalar de veículos motorizados, reduzindo o IPI para incentivar o consumo, glorificando o petróleo. Mas não, o governo se exime na propaganda e põe a “culpa” no cidadão, é ele o responsável único pelo trânsito. Esse foi o tema da minha palestra no Congresso Trânsito e Vida: por que a propaganda de paz no trânsito não surte efeito?

campanha Parada Seja você a mudança no trânsito

Se a rua está perigosa, não quero me acostumar a isso (é fácil acostumar, quando estamos na nossa zona de conforto). E, se a mudança está nas mãos do cidadão, vamos ver nas próximas eleições quem são os candidatos que colocam o transporte público de qualidade como prioridade. Status não é sair de carrão, é poder ir e vir sem se preocupar com engarrafamento e vaga para estacionar. É cruzar com outras pessoas e restituir nosso senso de cidadania.

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

País desenvolvido não é onde pobre tem carro, é onde rico anda de transporte público

Se abrir fábricas monstruosas da indústria automobilística gera emprego, então vamos abrir fábricas de metrô, de trem. Diminuindo os desastres, o dinheiro que hoje é usado para pagar os tratamentos e pensões por invalidez das vítimas do trânsito poderia ser investido em mais ciclovias e linhas coletivas.

Chega de perdermos vidas por causas idiotas.

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Veja também:

Protesto Materno: eu quero mais

O dia em que falamos da Constituição para meu filho

Olho de boi, olho d’água

Campanhas de amamentação: uma análise séria e franca

O aprendizado do amanhã

Sites Visitados:

Entrevista com José Pacheco – Revista Escola

Entrevista com José Pacheco – Revista Fórum

Projeto Âncora

Dez razões para achar que a escola parece uma prisão (em inglês - Top 10 reasons School is like prison)

Um sonho de educação

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Imagine uma escola sem classes, horários, provas. Um currículo que é decidido pelas crianças, em consenso, e inclui matérias como circo e meditação. Não há lista de chamada nem ponto, mas estudantes e professores não faltam. Tudo de graça. Agora imagine que esses estudantes provêm de lugares violentos, e já foram expulsos de diversas escolas. Pode parecer utopia. Até o dia em que você conhece a proposta da Escola da Ponte.

Nesta semana, tive a oportunidade de assistir a uma palestra com o idealizador da Escola da Ponte, o Professor José Pacheco, de Portugal. Ele está no Brasil supervisionando a implantação de iniciativas similares, como a escola do Projeto Âncora, em São Paulo. Abaixo, estão as ideias que mais me chamaram a atenção:

Hospital não tem férias. Transporte público, jornal, supermercado não têm férias. Por que, então, a escola tem férias? Por acaso o conhecimento precisa de pausa? O que acontece é todo mundo sair ao mesmo tempo em julho, dezembro e janeiro, enfrentar engarrafamentos quilométricos e pagar mais caro na chamada “alta temporada”.

Atualmente, a letra D de Ideb não é Desenvolvimento. É Decoreba. A criança decora o conteúdo e depois da prova esquece tudo.

Uma boa maneira de avaliar se a escola tem noções básicas de cidadania é visitar os banheiros. Quem é consciente de seu papel na coletividade não precisa de cartazinho “por favor dê descarga”.

Palavras constroem a realidade. É de se admirar, por exemplo, termos como “grade” curricular, “carga” horária, “trabalho” escolar, “prova”, aluno “evadido”. É uma escola ou uma penitenciária?

Escola são pessoas. Pessoas são valores. Valores são projetos. Só não consegue quem não quer. O Projeto Âncora está aí para provar que não é só uma teoria de livro. E nem é coisa que só funciona na Europa.

E você? O que acha da proposta?

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Veja também:

O curso mais interessante do mundo

O que aprendi sobre… semana de prova

Quero ser criança quando eu crescer

Caminhos

Frases de mãe… na boca dos filhos

Um dia, meu filho de dois anos, de uniforme e mochilinha, aproximou-se da irmã de sete meses e disse, com o maior carinho:

- Maninha, agora eu vou para a escola, mas tá tudo bem, porque de noite eu volto, tá?

Ooooownn, do jeitinho que a gente dizia para ele quando precisava sair…

Nesse embalo, vamos experimentar mais “frases de mãe” na boca dos filhos:

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

frases de mãe na boca dos filhos

 

mafalda discorda da mãe

Criação: Quino

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Veja também:

Frases de mãe

Frases de mãe – Marusia fala

Achei lindo quando… mas sinto falta de…

São só os meus?…

Confissões inconfessáveis

Dentes de leite

dente sendo preenchido por leite

Minha filha ficou encafifada quando o dentinho de baixo começou a bambear.

- Mãe, meu dente vai cair?

- Vai, pra nascer o dente permanente. Esse que vai cair é um dente de leite.

- Dente de LEITE?????…

Pausa para ela tocar o dente com a mão.

- Mãe, mas é um leite bem duro, né???

***

capa de livro Charlie e Lola dentes de leite- Mãe, por que o dente cai e vem outro?

- Porque sua boca era pequenininha, agora ela cresceu e vai precisar de mais dentes, e de tamanho maior.

- Minha boca era pequena e cresceu?

- Cresceu.

- Minha cabeça era pequena e cresceu?

- Isso mesmo.

- Então por que os dentes não cresceram junto, ora bolas????

***

Boa pergunta. Osso cresce, cabelo cresce, até unha cresce. Por que os dentes não?

escova de dentes para banguela

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Veja também:

A fada dos dentes

Falando sobre sexualidade

A receita de Sofia

Merenda

Felicidade real

Hoje estou no Blog Mãe Bacana, em postagem especial para o Mês das Mães:

Felicidade real

De todas as definições para “filhos”, esta é a que adoro:
“Crianças: adoráveis seres com objetivo de nos fazer sempre revisitar nossas certezas.” (Nanci)
Trata-se de uma permanente reconfiguração do que parecia estabelecido para sempre, acompanhada da inevitável comparação entre “antes” e “agora”.

[continue lendo]

Blog Mãe Bacana de Gisa Hangai

O Meio Termo de Ouro para pais e mães

Aristóteles nos fala do “meio termo de ouro”. Devemos ser corajosos, nem mais nem menos: coragem de menos é covardia; coragem de mais é audácia. Devemos ser generosos, nem mais nem menos: generosidade de menos é avareza; generosidade de mais é extravagância.

Pitágoras também diz:

“Ousar pouco é não ir além, ousar demais é utopia.”

“Prudência de mais é timidez, de menos é irresponsabilidade.”

Com os filhos, nos deparamos com uma série de situações em que o limiar entre a falta e o excesso nem sempre é claro. Assim, segue uma lista de reflexões (nada fáceis) sobre equilíbrio.

O “Meio Termo de Ouro” para Pais e Mães

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Proteção de menos é negligência; proteção de mais é aprisionamento.

Incentivo de menos é descaso; incentivo de mais é bajulação.

Incentivo de menos é descaso; incentivo demais é bajulação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Fantasia de menos é apatia; fantasia de mais é alienação.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Confiança de menos é paranoia; confiança de mais é cegueira.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Sensibilidade de menos é frieza; sensibilidade de mais é fragilidade.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Interesse de menos é abandono; interesse de mais é invasão.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Orgulho de menos é submissão; orgulho de mais é arrogância.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Responsabilidade de menos é inconsequência; responsabilidade de mais é culpa.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Dedicação de menos é egoísmo; dedicação de mais é autoanulação.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Orientação de menos é omissão; orientação de mais é imposição.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Ajuda de menos cria insegurança; ajuda de mais cria dependência.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Posicionamento de menos é indecisão; posicionamento de mais é radicalismo.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Compromisso de menos é ausência; compromisso de mais é apego.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Tolerância de menos é opressão; tolerância de mais é permissividade.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Rotina de menos é caos; rotina de mais é escravidão.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Paciência de menos é descontrole; paciência de mais é paralisia.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Informação de menos limita; informação de mais confunde.

Amor de menos é vazio; amor de mais… é mais amor.

Amor de menos é vazio; amor de mais é mais amor.

Diferentemente dos anteriores, não há limites para o amor. Amor nunca é demais. Quanto maior for o amor, maior também será nossa chance de permanecermos protetores, incentivadores, criativos, confiantes, sensíveis, interessados, satisfeitos, responsáveis, dedicados, orientadores, prestativos, determinados, compromissados, tolerantes, organizados, pacientes e formadores.

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Veja também:

Decálogo dos meus desafios

Carta a meus filhos

Mãe é envelope

O pequeno estrategista

Pais que tentam estimular o bom comportamento dos filhos precisam tornar-se estrategistas amadores (os filhos são profissionais).

(DIXIT, Avinash K. & NALEBUFF, Barry J. “Pensando estrategicamente”. São Paulo: Atlas, 1994)

A frase acima consta do prefácio de um livro técnico sobre Teoria dos Jogos, que visa a ensinar os princípios do raciocínio estratégico. Os autores são muito sábios ao encontrar, nas crianças, esse raciocínio que a gente acaba perdendo e tendo que reaprender quando adultos. Principalmente quando viramos pais.

Dia desses, voltei para casa e recebi do meu marido um “boa noite” meio mais-ou-menos. Perguntei logo o que havia acontecido, e ele me disse, chateado:

- Comprei um jogo novo para Wii. Levei um tempão para escolher. Crente do sucesso que as crianças iam se divertir de montão, inseri o disco no aparelho. Pois não deixaram passar nem 15 minutos e já estavam gritando e se atracando no quarto. Não briguei, não fiz nada: só desliguei a TV e proibi de jogar por 1 semana.

Em um segundo, mapeei o “climão” que tinha se abatido. A tristeza do pai que traz um presente na esperança de unir e que acaba surtindo o efeito contrário. Acompanhada da minha desilusão de… putz, por que não podem brincar numa boa? No quarto, os três amuadinhos.  O mais velho escrevendo no caderno, uma espécie de diário, se sentindo injustiçadíssimo. A briga havia começado porque ele estava, a pretexto de ensinar ao caçula como jogar, tomando toda hora o controle; o caçula não queria aceitar “interferências”, e daí TUFF!! mandou o controle na cabeça do mais velho. Minha filha do meio estava ainda mais frustrada, porque não tinha nada a ver com o bode e entrou no mesmo balaio. E o caçula deixava escorrer as lágrimas sem emitir nenhum som.

Meu marido disse novamente:

- Não fiz nada. Só desliguei o Wii.

Sabe que esse tipo de ação silenciosa dos pais pesa mais que uma bronca. É quando os filhos percebem que provocaram algo mais sério. Tentei apaziguar e também dar a César o que é de César. Com o ok do pai, livrei a menina da proibição de 1 semana. Elogiei o mais velho porque ele só queria ajudar, mas também pedi paciência. Quanto ao caçula, disse que nada justificaria bater em ninguém, muito menos no irmão, menos ainda porque ele queria ensinar. Eu vi que ele estava arrependido. Mas também não podia deixar pra lá, até por uma questão de equanimidade e justiça.

Mais tarde, vi que ele continuava a derramar lágrimas e agora se dedicava a fazer um desenho (já que não sabia escrever). Olha o desenho:

desenho de criança com boneco chorando

Quando eu vi, não resisti; tomei-o nos braços e enchi de beijos. Enchi os três de beijos. Falei para o caçula pedir desculpas aos irmãos e ao pai, o que ele fez com o rostinho banhado, com a promessa de que isso não iria se repetir (a-hã).

Aí ele me entregou outro desenho:

desenho de criança de boneco sorrindo

Comparando os dois desenhos, dá para ver o estado de espírito de cada um, o primeiro feito em lápis de cera marrom, sombrio, e o segundo em laranja, alegre.

Dias depois, a menina estava brincando no computador, e o caçula começou a encrencar querendo brincar também.

Aaaahh, as confusões de sempre…

Gastando minha beleza e todos os artifícios diários dignos da carreira do Direito para ser juíza, jurada, advogada e conciliadora, eu disse que ele não tinha razão e deveria esperar que ela saísse.

Não levou nem 15 segundos para o baixinho me aparecer com um novo desenho de um boneco chorando. Mas, dessa vez, não combinava com o sorriso maroto e a carinha sapeca de quem desenhou…

Três anos de idade. Estrategista profissional.

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Veja também:

A Fada dos Dentes

A Receita de Sofia

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são

Os segredos das Supermulheres – Marusia fala

Tesouros

This post in English: The little strategist

Carta a meus filhos

Queridos filhos:

Se no ano que vem…

… nós tivermos que passar uma noite em claro, que procuremos aproveitar a rara oportunidade de assistir ao nascer do sol.

… nós tivermos que  lidar com algum problema de saúde, que aprendamos a entender os sinais do nosso corpo.

… nós chorarmos, que as lágrimas venham como a chuva que fertiliza os sonhos.

… nós ficarmos com raiva, que compreendamos o imenso poder criativo dessa energia, quando canalizada.

… nós formos forçados a parar, que saibamos esperar, como a semente que nunca se atrasa e nunca se adianta para germinar.

… nós encontrarmos obstáculos, que nos orgulhemos e nos sintamos como estudantes fazendo uma prova de nível avançado.

… nós errarmos, que sejamos como o rio, que desvia seu curso mas sempre está em direção ao oceano.

… nós tivermos uma perda, que descubramos a força na fé.

… nós nos depararmos com pessoas desarmonizadas, que lembremos de Francisco de Assis e sejamos instrumentos de Paz.

… nós formos instrumentos de Paz, que sonhos, saúde, alegria, amizades, criatividade, paciência, vitórias, ganhos e harmonia venham por acréscimo…

… e seja um ano bom.

ampulheta

Imagem: Desktop Nexus

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Veja também:

O que é verdadeiramente perfeito em nós

O anjo de origami

A arte de criar vazios

Decálogo dos meus desafios

In English: Letter to my children

Frases de Mãe – Marusia fala

Fiz minha lista particular de frases, nos meus melhores momentos “João Batista pregando no deserto para os gafanhotos.” Cri cri cri cri…

"Mas o teto está limpo!" The Family Circus, por Bil Keane

 FRASES QUE JÁ DISSE ALGUMAS VEZES

  • Não é para colocar giz de cera e figurinha dentro do aparelho de DVD.
  • As bolinhas de homeopatia NÃO são comidinha de boneca.
  • As laranjas NÃO são bolinhas de tênis.
  • Não é para beber a água da piscina.
  • Só pode riscar papel. Parede e sofá, não. É, eu sei, esse é papel, mas é o dever de casa de seu irmão e também não pode riscar, não.
  • Não, a violeta genciana NÃO é tinta roxa. E também não é para pintar a pia com ela.
  • Não, não pode tocar xilofone agora. São 5h50 da manhã… de domingo.
  • Não é para comer só o recheio e devolver os biscoitos para o saco.
  • Eu sei que o gosto do remédio é ruim, mas aí você tapa o nariz.
  • Para de esfregar o pão na cadeira!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 MILHÃO DE VEZES

  • Não cospe a pasta de dente em cima da torneira, cospe na pia!
  • Isso não é brinquedo!
  • Não bata no seu irmão!
  • Não pode assistir à televisão deitado!
  • Não enche demais a boca, tem que mastigar direito a comida!
  • Fecha a tampa do vaso sanitário!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 BILHÃO DE VEZES

  • Não pode fazer isso!
  • Vamos logo, já estamos atrasados!
  • Já falei isso 1 BILHÃO de vezes!

 FRASES QUE QUERO DIZER MAIS DE 1 BILHÃO DE VEZES

(Que ninguém é de ferro):

  • Ai, que abraço gostoso!
  • Parabéns, você é muito sabido!
  • Mamãe já disse que ama você?

    " Este é meu lugar favorito - dentro do seu abraço!" The Family Circus, por Bil Keane

Veja também:

São só os meus, ou os filhos de vocês também…

Seu filho como você sempre sonhou

Frases de mãe

Frases de Mãe

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Decálogo dos meus desafios

Imersa em um turbilhão de pensamentos e sentimentos e tendo que administrar expectativas e cobranças, estou, aos poucos, em busca de equilíbrio. Escrever me faz bem, e o registro é importante para internalizar, compreender e só então deixar fluir. Diria que estou em processo. Resolvi organizar tudo em dez propósitos.

O que quer que eu faça com meus filhos:

1.  vou fazer sem esperar algo em troca.

Penso em minha infância. Nossa, para mim seria um fardo muito grande se meus pais contabilizassem cada gesto para cobrar a conta depois. Além disso, vou procurar observar que dar e receber são dois lados da mesmíssima moeda.

Montagem sobre charge de Piero Tonin

2. vou fazer sem esperar gratidão.

Permito-me voltar novamente e lembrar quando eu era pequena. Eu não enxergava o que meus pais faziam por mim como algo que eu devesse expressar continuamente minha gratidão. Não porque eu era ingrata ou incapaz de dar o reconhecimento que eles mereciam. É apenas um traço típico da infância. Crianças têm um mecanismo interno de proteção psíquica que as torna propícias a receber cuidados sem se sentirem em eterno débito. Em outras palavras, tudo o que os pais fazem, na cabecinha delas, é absolutamente natural.

“Suportar a dependência é uma capacidade própria da infância.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011 P250)

Gratidão, portanto, é uma coisa que devemos adquirir à medida que crescemos e ficamos autônomos. Para que as crianças aprendam, é importante os pais darem o exemplo: nem sempre nos lembramos de agradecer nossos filhos.

3. vou fazer sem pensar no que os outros vão achar.

O dia-a-dia da maternidade já é bastante complexo para ficarmos tentando “agradar à plateia”.

“Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.” (Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha)

4. não vou fazer só porque os outros estão fazendo.

Cada criança é um indivíduo, cada família tem sua realidade. Não é porque todo mundo está fazendo que é a atitude mais adequada para meu caso. E, para alcançar esse discernimento, devemos observar e ficar sensíveis ao que se passa em nossa casa.

Cada vez que almejamos o lugar do outro, deixamos nosso lugar vazio.

5. não vou fazer somente por obrigação.

Se não houver prazer, a maternidade pode se tornar um peso insuportável. Estou atrás de mais espontaneidade.

Montagem sobre charge de Amâncio

6. não vou fazer por medo.

O medo é uma emoção perigosa. Não é a mesma coisa de ter prudência ou precaução. É um sentimento que paralisa. Está na raiz de toda emoção negativa: ciúme é medo de perder; inveja é medo de fracassar; e assim por diante.

“Ei, Medo! Eu não te escuto mais! Você não me leva a nada. E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol: é pra lá que eu vou.” (Antônio Júlio Nastácia)

7. não vou fazer por culpa.

Esse propósito está no mesmo rol dos dois primeiros, tem a ver com algo que ficamos “computando”, “calculando” para compensar uma suposta ausência, uma omissão. Às vezes fazemos isso até por antecipação, prevendo uma falta futura e já amealhando “créditos”. Culpa é um sentimento torturante, melhor substituir por uma responsabilidade sadia, sem “cálculos”.

8. vou fazer sem raiva.

É muito fácil perder a paciência às vezes. Mas fazer uma coisa com raiva é certeza de arrependimento depois. Não significa “ter sangue de barata” e ficar serena e linda o tempo todo. Faço questão de assinalar para meus filhos algo que tenha me irritado: é uma questão de transparência didática, tenho esse direito. Mas meu desafio agora é procurar me acalmar antes de tomar qualquer atitude.

9. vou fazer por eles, com consciência de que também vou fazer algo pelo casamento – e algo por mim.

Um grande equívoco é cuidar das crianças achando que isso está colaborando para o casamento. Todo relacionamento merece seu próprio cuidado. Não que a criação dos filhos e a relação do casal sejam coisas concorrentes ou excludentes. Diria que são coexistentes e devem estar em harmonia, até para incluir o pai no processo. Crianças tomam um tempão da nossa atenção, mas também devemos abrir espaço para estarmos enamoradas. Ah! E um momento para cuidar de nós mesmas, claro.

"A preguiça é a mãe de todos os vícios, mas uma mãe é uma mãe e é preciso respeitá-la, pronto!" Charge de Quino

10. Pensando bem, nove propósitos é muita coisa. Vou substituir tudo por um só: Vou fazer por e com amor.

“Meu amor, minha prenda encantada

Minha eterna morada

Meu espaço sem fim

Meu amor não aceita fronteira

Como a primavera

Não escolhe jardim”

(Silvio Rodriguez)

Veja também:

Os perigos de ser uma mãe perfeita

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Lei da Palmada

Conselhos que amei

 

Foto: Anne Guedes

Sempre se fala da “chuva de palpites” a que uma grávida, mãe de primeira viagem (ou até de terceira viagem, como eu) está sujeita. De fato, em certos momentos, muitas intervenções, de fontes e conteúdos tão variados, podem acabar confundindo. Mas hoje quero falar de conselhos campeões, desses que fizeram e continuam fazendo a diferença e que faço questão de compartilhar: os conselhos que amei.De minha irmã, Maria: “Não espere a barriga crescer para passar hidratante.”

A pele tem que estar previamente preparada e hidratada, logo no comecinho da gravidez, mesmo quando a barriga ainda não apareceu. Assim, você evita que a pele fique sensível e frágil, o que pode originar estrias e manchas. A bem da verdade, a hidratação é bacana mesmo quando não estamos grávidas, é um ritual que merece ser diário.

 Da minha amiga Luciana: “O bebê suga com muita força logo na primeira mamada.”

Eu tinha uma ideia de que a amamentação não é tão simples no começo, mas pensava que isso decorresse da frequência de mamadas, e não da força de sucção e da pega do bebê. A frase de Luciana foi ótima para eu não ser pega de surpresa (com perdão do trocadilho rsrsrs)!

Da minha irmã, Maria: “Tudo passa.”

No pós-parto, quando a gente tem a sensação de que está no meio do furacão, com milhares de hormônios à flor da pele, de novas incumbências e emoções inéditas, tende a não acreditar nessa verdade. Mas, se nos permitimos aceitá-la, seu poder é libertador. Tudo passa. E passa rápido.

Da minha amiga Daniela, quando eu esperava o segundo filho: “Quando o bebê nascer, seu filho mais velho vai parecer muito grande.”

Isso é muito correto e valioso. Meu primogênito tinha somente 2 anos quando minha filha nasceu, mas pareceu um gigante perto da recém-nascida. O perigo, sabiamente alertado por Daniela, era agir como se ele já estivesse crescido e maduro. Foi ótimo, para que eu tivesse o cuidado de não exigir posturas e comportamentos para muito além da idade dele. Afinal, ele era um bebê, também, com necessidades e dengos, encarando a circunstância absolutamente nova da chegada de um irmão com quem teria que dividir a atenção dos pais.

 Do meu irmão, Jr: “Criança tem prazo de validade de alegria.”

Ficar atento a esse sábio conselho é evitar muita chateação. Quando o “prazo de validade de alegria” de uma criança se esgota, é sinal de que está na hora de voltar para casa e descansar. Insistir é arcar com as consequências de uma criança irritada, que vai fazer de tudo para tirar a gente do sério, e aí o passeio já perde o sentido. É importante lembrar que, ao levar uma criança para um “esquema de adulto”, sem atividades que a incluam e divirtam, o “prazo de validade” dela fica mais curto. Isso explica em parte as birras em supermercados e shopping-centers.

Do pediatra das crianças (que foi meu pediatra): “Toque seus filhos.”

Fala-se tanto em shantalla, massagem no banho, necessidade de colo, de contato pele-a-pele com os bebês. Basta a criança começar a crescer para o carinho rarear. Pois isso não é só com os bebês, não! Crianças de 8, 9, anos, adolescentes, mesmo os adultos precisam de abraço, do calor do toque dos pais. Chega a ter poder terapêutico, profilático, de cura mesmo.

 Da minha mãe: “Se quiser, você pode manter suas atividades, pode trabalhar fora. Mas é muito importante estar em casa na hora de colocar seus filhos para dormir.”

A hora de dormir realmente é sagrada e tem uma representação diferente na cabeça das crianças, de aconchego, de acolhimento. Vale a pena experimentar.

E você? Tem um conselho campeão?

Veja também:

This post in English: Advice I love

Encontrando Nemo

Disney Pixar 2001

Marlin: “Eu prometi que nunca deixaria nada acontecer com ele…”

Dory: “Coisa engraçada de se prometer. Se você deixar nada acontecer com ele, aí nada vai acontecer com ele. Não seria bacana pro Nemo.”

“Procurando Nemo”. Disney Pixar, 2001.

Perigo de ser mãe perfeita 7 – Parou por quê? Por que parou?

Perfeito é algo que não tem mais o que melhorar. Como mães perfeitas, portanto, nos apegamos a uma verdade absoluta e pronto. Estamos sempre certas. Não nos abrimos para o aprendizado, não nos permitimos evoluir.

“Um expert é um sujeito que parou de pensar. Para que pensar, se ele é um expert?” (Frank Lloyd Wright)

Proibido parar e estacionar!

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – toda a série

Ensinamentos

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

(Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins Guimarães Peixoto Bretas. Cidade de Goiás – 1889 -1985 – Goiânia-GO).

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

ESCRITORA CONVIDADA: Maria Amélia de Amaral e Elói*
Enquanto mãe de segunda viagem, agora já posso perguntar, zombeteira: “Espelho, espelho meu, existe alguma mãe mais perfeita do que eu?” E a resposta nua e crua nem me abate: “Decerto que sim, e muito mais que uma”. O amor crescente que sinto por minhas duas filhotas me convence de que o dia a dia em família não precisa ser perfeito para ser feliz.

Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…

Sou Amélia e mãe que ama as duas crias de paixão, mas sinceramente:

senti muuita dor nos dois partos naturais;

odeio a queda de cabelo no pós-parto;

reclamo muito ao levantar de madrugada para amamentar;

sinto dor nas costas e pescoço por amamentar;

adoro ouvir o pediatra dizer que meu leite sustenta e engorda meu bebê;

sou superdesengonçada com bebês (todos choram quando eu os pego no colo, exceto as minhas filhas, graças a Deus);

acho dificílimo impor um ritmo de sono aos filhos;

adoro poder comer loucamente e não engordar enquanto estou amamentando;

prefiro trocar fralda de xixi a de cocô (ou melhor, prefiro mesmo as fraldas limpinhas);

tenho raiva da tal da cólica, que normalmente chega à tardinha, quando a mãe está cansada, a filha mais velha chegou da escola e a babá já foi embora;

morro de medo quando o bebê engasga;

adoro quando o bebê dorme;

não gosto de ouvir choro de bebê;

detesto lavar roupinha vomitada ou cagada;

não consigo, de pé, carregar o bebê no colo por muito tempo;

não sei equilibrar bebê e bolsa dentro de ônibus ou metrô (na verdade, não me equilibro bem nem sozinha);

acho complicado ajustar a cadeirinha do bebê ao cinto de segurança do carro;

tenho preguiça de fazer sopinha nova para o bebê todo santo dia;

odeio todas as vacinas e suas reações;

perco a paciência com birra de criança;

às vezes finjo que não vi minha filha desobedecendo, só para não ter de brigar;

muitas vezes já desejei que os dentes só nascessem quando as crianças completassem sete anos;

gostaria de ter corpo sarado logo após o parto e sem fazer nenhum esforço;

tenho preguiça de contar história e pôr as crianças para dormir toda noite;

gosto quando meu marido sai com as crianças para eu dormir;

quero ser elogiada não só como mãe, mas também como mulher;

não entendo por que, enquanto grávida, a mulher recebe tantos elogios pelo barrigão e, quando ganha bebê, todos acham um horror sua barriga flácida e murcha;

adoraria que a babá não tirasse folga nos sábados e domingos nem tivesse direito a férias.”

Maria Amélia, mãe da Luana Lis e da Mariana Flor

* Maria Amélia de Amaral e Elói venceu o 3º Concurso Literatura para Todos do Ministério da Educação, com o livro Poesia Torta, e o 5º Desafio de Escritores do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara, na categoria Crônica.

Veja também:

Só as mães são felizes
São só os meus?…
É só o meu, ou seu bebê também…

A sabedoria que vem da simplicidade

Site visitado: Orquestra Criança Cidadã

Em Recife, há um projeto lindo criado por um juiz de Direito, a Orquestra Criança Cidadã da Comunidade do Coque. Dois jovens da orquestra receberam bolsa para estudar e tocar na Europa.

Assisti a uma entrevista com o pai de um deles, que, orgulhoso e emocionado, compartilhava o “segredo” de criar um talento tão precioso em meio à pobreza e à ameaça da violência. São três máximas:

  1. Estude muito.
  2. Seja humilde.
  3. Ouça todos, mas não vá com todos.

Inaldo José do Nascimento Filho vai estudar na República Tcheca

Quero ser criança quando eu crescer

Sei que ainda sou criança, tenho muito o que aprender.

Mas quero ser criança quando eu crescer“.

(“Vamos construir”, de Feio e Dena, cantada por Sandy e Junior)

Meu filho mais velho fez o jardim de infância em uma escola linda. Toda sexta-feira, era sorteado um aluno de cada turma para segurar a bandeira do Brasil e todos cantavam o hino nacional. Em seguida, davam-se as mãos e cantavam “Vamos construir”. Não preciso dizer que, em todas (TODAS) as vezes que eu fui buscá-lo nas sextas-feiras, me acabava de chorar.

As crianças me olhavam e achavam esquisito! Eu, quando era criança, também ficava intrigadíssima vendo adultos chorarem por motivos assim. Do mesmo jeito que também achava esquisitíssimo o mundo dos adultos em si, cheio de stress.

Pois hoje eu choro ao ouvir essa música porque, muitas vezes, eu tenho encarnado o próprio protótipo da adulta estressada, ranzinza, sem tempo e atolada de problemas.

É muito, mas MUITO difícil ser criança depois que a gente cresce!

(Preciso reaprender… acho que tenho professorezinhos particulares em casa)

Linda campanha do Citibank

Minha amiga Maria Amélia me enviou por e-mail frases que foram estampadas em painéis e outdoors, numa campanha publicitária do Citibank criada pela Fallon Brasil. Foi veiculada em 2006 e ganhou o Prêmio Padrão da Central de Outdoor. Linda!!

Sites visitados: Lá fora e Duniverso.

E esta mensagem estava afixada na parede de uma farmácia:

“Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas e não o seu preço.”

Como passar das bodas de papel

“(…) Margarina. Não tentem ser sempre o casal perfeito dos filmes e comerciais. Isso não existe: as pessoas criam esse negócio nos computadores dos departamentos de criação das agências de publicidade. (…)”

SAMPAIO, Juliana & GUIMARÃES, Laura. “Mothern: manual da mãe moderna.” São Paulo: Matrix, 2005. pp 114-115

Preocupar-se… para quê?

Esta me foi mandada por e-mail pela minha amiga Adriana:

“O verbo preocupar é transitivo indireto, pois quem se preocupa se preocupa com alguma coisa. A exceção dessa regra se dá quando o sujeito da frase é MÃE. Nesse caso, o verbo passa a ser intransitivo. MÃE PREOCUPA!”

Antídoto para isso é o provérbio tibetano:

“Se seu problema tem solução, por que se preocupar?

Se seu problema não tem solução, por que se preocupar?”

 O problema da preocupação é etimológico – está na formação da própria palavra. Quem se preocupa se PRÉ-OCUPA, ou seja, se ocupa por antecipação. O pior é gastar, antes, a energia necessária na hora da ocupação propriamente dita.

(Ai, meu Deus, já tô ficando preocupada de ficar preocupada! rs)

Recém-nascida

“No momento em que uma criança nasce, a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo.”
Rajneesh

Marusia fala: então eu tenho só sete aninhos, estou no beabá e quero dengo!

Super-heroína

Mulher-maravilha é a mãe.”

(GUIMARÃES, Laura e OLIVEIRA, Juliana Sampaio de. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005)

Marusia fala: essa é ótima, porque, tanto com carinho quanto com raiva, está sempre verdadeira (a segunda entonação é muito útil: É A MÃE!!!)