Cheiro de infância 26/06/2011
Posted by Marusia in Marusia fala.Tags: Crianças, Família
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Sempre fui muito ligada em cheiro. Olfato muito apurado, era a primeira a sentir cheiro de tudo: algo queimando, gás, até chuva chegando. O que mais me fascina é a capacidade que um perfume tem de transportar a gente pelo tempo. Chuva chegando, por exemplo, me conecta imediatamente à minha infância: ozônio, terra molhada…
Outros cheiros que me fazem voltar a ser criança:
- Vick Vaporub. Ai que delícia a massagem no peito quando a gente ficava gripado…
- Plástico. Lembro minha mãe encapando dezenas de cadernos e livros, também tão novos e cheirosos, impregnados da expectativa do início do ano letivo…
- Gasolina. Quando meu pai parava no posto, ficava tão admirada: quando eu for adulta, também tenho que ficar atenta a tantas tarefas, como abastecer o carro.
- Sargaço. Cheiro de mar, de alga, cheiro salgado de praia. Indizível, único, ímpar. Lembro a casa de praia do meu tio no Jauá, perto de Salvador.
- Bolo no forno. Aniversário. Era o bolo de cenoura, beijos de coco enrolados em papel cheio de franja, tudo feito em casa, e mais caju cristalizado e guaraná. Ainda não estávamos na “Era dos Serviços”. Tudo muito simples, mas muito feliz!
- Frango assado da Só Frango. Comprado no domingo. Nunca vi quem conseguisse reproduzir o aroma e o tempero desses frangos feitos naquelas máquinas “televisão de cachorro.” Depois do almoço, meu pai dizia: “Todo mundo lavar a mão – e a torneira também!!!”
- Bronzeador Cenoura e Bronze. Antes do advento do filtro solar. Também me lembro do cheiro da esteira de palha nova. E de fazer um “travesseiro” de areia para tomar sol.
- Esmalte. Minha mãe sempre pintou as próprias unhas, que costumo dizer que são as mais bonitas que já vi. O cheiro típico do óleo de banana do esmalte branco que ela usava me faz voltar no tempo, quando eu a assistia nesse ritual.
- Terno do meu pai. Esse é muito sutil. Passei a reconhecer depois que eu comecei a trabalhar. Quando meu pai chegava em casa, tinha o cheiro do ar condicionado do banco onde ele trabalhava. Cheiro de escritório, de gente grande importante e responsável, de quem eu me orgulhava tanto.
- Álcool das folhas mimeografadas. Antes que o xerox se popularizasse, antes de ter computador e impressora. Lembro da escola, das provas que às vezes chegavam úmidas, e eu sempre cheirava antes de começar.
Aqui em casa a meninada também curte cheiro de gasolina. Alguns, não vamos poder compartilhar, como a folha mimeografada. E outros eles acrescentaram à lista: cheiro de condicionador de cabelo, cheiro de creme Nivea nos lábios (é ótimo, melhor que manteiga de cacau nesses tempos de seca), cheiro de carro novo.
Agradáveis conexões: eu e eles, eu e minha criança interior.
Veja também:





Tenho lembranças doces, do que lembro ser meu primeiro perfume . Aos 06 anos, ganhei de presente de aniversário de minha doce e querida avó materna, uma linda roupa, a qual lembro até hoje e este perfume: Prettty Peach – Avon que tinha um frasquinho com tampa em forma de pêssego. Nunca mais encontrei nenhum cheirinho igual….e minha memória olfativa o procura sem parar… A sensação de felicidade ao lembrar é imensa, tranquilizadora e me acarinha.
Oi, Tati!
Eu também tinha um perfuminho em forma de anjinho, da Avon! Era uma delícia, ai que lembrança boa!!! E minha adolescência foi com Zíngara, do Boticário…
E saber que só a memória desses fatos é capaz de nos harmonizar, que esse tesouro está a nosso alcance a qualquer momento, é maravilhoso!!!
Beijos!
Marusia
Além desses cheiros, o de feijão cozinhando me faz volta ao tempo que ficava brincando no chão da cozinha enquanto minha mãe cozinhava
Beijos!
Cozinha é um ambiente mágico, mesmo!! Quanta “alquimia” é possível fazer no fogão, até levar a gente de volta ao passado, né?
=)
o cheiro que me leva à infãncia é o de pólvora de fogos juninos. adoro!
também o cheiro de grama cortada, viajo para meus dias de veraneio na ilha… outro cheiro é o de leite de colônia que minha avó usava para limpar a pele antes de dormir…
beijoca
Mari,
que incrível, estava justamente pensando em incluir o cheirinho de “traque” no São João e a alfazema que minhas avós usavam, até para perfumar a roupa de cama!!