Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e apareça 08/04/2011
Posted by Marusia in Livros.Tags: Mãe perfeita
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“O mito da maternidade é o mito da ‘Mãe Perfeita’. Ela deve ser completamente devotada não só aos filhos, mas a seu papel de mãe. Deve ser a mãe que compreende os filhos, que dá amor total e, o mais importante, que se entrega totalmente. Deve ser capaz de enormes sacrifícios.”
(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)
Com essa entrega total, que inevitavelmente corresponde a uma auto-anulação, a mãe perfeita procura cercar o filho para que nada lhe falte, nada lhe incomode. O filho não tem sequer a oportunidade de sentir necessidade: a mãe lhe antecipa tudo. Lógico que essa proteção é fundamental para o bebê. O problema é quando ela se prolonga para sempre.
Isso cria um laço de eterna dependência e dificulta a construção da individualidade por parte da criança. O filho também fica sem “lastro” para a frustração, porque nunca a experimentou.
“Uma mãe, mais do que aquela que se faz imprescindível, seria a que permite que o filho construa nela, através dela e mesmo longe dela, um espaço para si.”
(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p219)
Acho que a mãe perfeita nunca se deu conta de que sua perfeição pode prejudicar os filhos – justamente seu maior medo.
A banda Ultraje a Rigor fez uma brincadeira que ilustra isso muito bem:
“Meus dois pais me tratam muito bem
(O que é que você tem que não fala com ninguém?)
Meus dois pais me dão muito carinho
(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)
Meus dois pais me compreendem totalmente
(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)
Meus dois pais me dão apoio moral
(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)
[...] Meus pais não querem que eu fique legal
Meus pais não querem que eu seja um cara normal
Não vai dar, assim não vai dar
Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar?
Não vai dar, assim não vai dar
Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar?”
(“Rebelde sem causa” – Ultraje a rigor. Composição: Roger Moreira)
Veja também:
Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série




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