Perigo de ser mãe perfeita 5 – Vá pela sombra 08/04/2011
Posted by Marusia in Livros, Marusia fala.Tags: Controle, Mãe perfeita
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Alguma vez você já agiu de modo esquisito, como se não fosse você? Tipo explodir e não se reconhecer depois? Eu chamo de “despertar da monstra”. O psicólogo Carl Jung chamou de “manifestação da Sombra”.
A Sombra é um aspecto da personalidade que se alimenta de tudo o que a gente rejeita, de tudo o que a gente não quer ser. Essa repressão de emoções negativas é útil para a vida em sociedade, mas a negação absoluta desse nosso “lado B” pode se transformar em uma bomba-relógio.
Quanto mais perfeita a mãe quer ser, mais lixo ela empurra para debaixo do tapete de sua psique. Quanto mais luz ela joga na perfeição, maior fica sua Sombra. E quanto mais a Sombra é ignorada, mais poderosa, perigosa e imprevisível ela fica. Parece até história de “dupla-personalidade”.
Aí, entra em cena o “triângulo nefasto”: frustração – explosão – culpa. É o que explica quando a gente se comporta de modo explosivo com as crianças, se arrepende e se pergunta depois: “fui eu mesma que fiz essas coisas?” E haja culpa!!!
Há outra manifestação da Sombra que é batata: julgar os outros. Só conseguimos identificar nos outros o que temos dentro de nós.
“Não aceitamos nos outros o que não aceitamos em nós mesmos.”
(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p37)
“Precisamos culpar alguém pela nossa imperfeição.”
(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p117)
Então, é bom ficar atento. Se a “monstra” de quando em quando está mostrando a cara (à nossa revelia), e estamos nos dedicando muito a julgar as outras mães e culpá-las, devemos fazer uma pausa para olhar debaixo do tapete e admitir que somos duais: pessoas muito legais, mas ao mesmo tempo com problemas. Somos humanas. E isso não é ruim, não. Assumir é fazer amizade com a Sombra. Lulu Santos já cantava: sem escuridão, não haveria luz.
“Somos imperfeitos, por mais que neguemos. Naquilo que não aceitamos em nós mesmos – agressividade, vergonha, culpa, dor – descobrimos nossa humanidade”.
(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p27)
Veja também:
Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série






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