Perigo de ser mãe perfeita 2 – Ser (ou parecer) perfeita vale o esforço? 08/04/2011
Posted by Marusia in Análise, Estatísticas, Livros, Marusia fala.Tags: Controle, Mãe perfeita, Tempo
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- Sorri serenamente
- Tem uma casa impecável
- Pega uma fralda e a transforma numa pipa
- Lê livros sobre o desenvolvimento das crianças
- Nunca levanta a voz.”
(PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 – quarta capa)
“Veja um exemplo parcial do que as mães nos disseram que PRECISAVAM executar:
- Passar tempo de qualidade com cada filho individualmente [...] e família.
- Parecer descansada, descontraída, em forma e na moda – mesmo com um orçamento apertado e poucas horas de sono.
- Fazer um jantar delicioso e nutritivo toda noite e conseguir que as crianças o comam.
- [...] Avaliar todos os prestadores de serviços: médicos, babás, professores.
- Controlar todas as flutuações de humor de… todo mundo.
- Voltar do trabalho com toneladas de energia para gastar com seus filhos.”
(ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008, p35)
Diana e Mário Corso também identificaram outra lista de pressões:
- Ser bem-sucedida na profissão e no trabalho;
- Ter participação no mundo, engajar-se em causas sociais;
- Ser atraente para o marido;
- Ser alegre e criativa com as crianças, como Mary Poppins.
(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p87)
A busca pela perfeição não é mole. Em nenhuma ocupação humana. Mas a busca por ser mãe perfeita consegue ser a mais exaustiva de todas. Porque são muitíssimas as variáveis: comportamento, casa, corpo, saúde, relacionamento, intelecto, tempo, trabalho, causas sociais, tudoaomesmotempoagora, tudo irretocável.
Tudo tem que estar planejado nos mínimos detalhes, sem nenhum furo. E quem disse que a maternidade é “controlável”? Pelo contrário. Não há coisa mais fora de controle.
Aí, claro que nosso ideal de mãe perfeita se encaminha para um lugar ermo. Vou no popular: vai para a cucuia. Mas nós não queremos dar o braço a torcer: continuamos perfeitas nem que seja na fachada.
Uma pesquisa no Reino Unido mostrou que:
“69% das cinco mil mulheres inquiridas admitiram ter escondido a verdade sobre a facilidade com que lidam com as exigências da vida familiar. [...] Apesar de 64% das mães reconhecerem que é impossível ser a “mãe perfeita”, 41% sentem-se culpadas por não conseguirem alcançar esse ideal.”
(Mães mentem sobre forma como cuidam dos filhos. Disponível em: <http://www.mae.iol.pt/maternidade/maternidade-mae/1233026-5535.html> março de 2011)
Quase 70% admitiram que mentiam. Não ponho minha mão no fogo pelos 30% restantes, não. Mas 70% é um número considerável.
O negócio é que, tal qual a busca pela perfeição, segurar essa fachada NÃO É MOLE. Para dizer a verdade, é MUITO mais desgastante que as exigências da maternidade em si.
Veja também:
Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série
![maternidadereal[1]](http://maeperfeita.files.wordpress.com/2011/04/maternidadereal15.png?w=70&h=150)





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