Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade… 18/02/2011
Posted by Marusia in Frases.Tags: Amamentação, Controle, Corpo, Mãe perfeita
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ESCRITORA CONVIDADA: Maria Amélia de Amaral e Elói*
Enquanto mãe de segunda viagem, agora já posso perguntar, zombeteira: “Espelho, espelho meu, existe alguma mãe mais perfeita do que eu?” E a resposta nua e crua nem me abate: “Decerto que sim, e muito mais que uma”. O amor crescente que sinto por minhas duas filhotas me convence de que o dia a dia em família não precisa ser perfeito para ser feliz.
“Amélia é que era mulher (e mãe) de verdade…
Sou Amélia e mãe que ama as duas crias de paixão, mas sinceramente:
senti muuita dor nos dois partos naturais;
odeio a queda de cabelo no pós-parto;
reclamo muito ao levantar de madrugada para amamentar;
sinto dor nas costas e pescoço por amamentar;
adoro ouvir o pediatra dizer que meu leite sustenta e engorda meu bebê;
sou superdesengonçada com bebês (todos choram quando eu os pego no colo, exceto as minhas filhas, graças a Deus);
acho dificílimo impor um ritmo de sono aos filhos;
adoro poder comer loucamente e não engordar enquanto estou amamentando;
prefiro trocar fralda de xixi a de cocô (ou melhor, prefiro mesmo as fraldas limpinhas);
tenho raiva da tal da cólica, que normalmente chega à tardinha, quando a mãe está cansada, a filha mais velha chegou da escola e a babá já foi embora;
morro de medo quando o bebê engasga;
adoro quando o bebê dorme;
não gosto de ouvir choro de bebê;
detesto lavar roupinha vomitada ou cagada;
não consigo, de pé, carregar o bebê no colo por muito tempo;
não sei equilibrar bebê e bolsa dentro de ônibus ou metrô (na verdade, não me equilibro bem nem sozinha);
acho complicado ajustar a cadeirinha do bebê ao cinto de segurança do carro;
tenho preguiça de fazer sopinha nova para o bebê todo santo dia;
odeio todas as vacinas e suas reações;
perco a paciência com birra de criança;
às vezes finjo que não vi minha filha desobedecendo, só para não ter de brigar;
muitas vezes já desejei que os dentes só nascessem quando as crianças completassem sete anos;
gostaria de ter corpo sarado logo após o parto e sem fazer nenhum esforço;
tenho preguiça de contar história e pôr as crianças para dormir toda noite;
gosto quando meu marido sai com as crianças para eu dormir;
quero ser elogiada não só como mãe, mas também como mulher;
não entendo por que, enquanto grávida, a mulher recebe tantos elogios pelo barrigão e, quando ganha bebê, todos acham um horror sua barriga flácida e murcha;
adoraria que a babá não tirasse folga nos sábados e domingos nem tivesse direito a férias.”
Maria Amélia, mãe da Luana Lis e da Mariana Flor
* Maria Amélia de Amaral e Elói venceu o 3º Concurso Literatura para Todos do Ministério da Educação, com o livro Poesia Torta, e o 5º Desafio de Escritores do Núcleo de Literatura do Espaço Cultural da Câmara, na categoria Crônica.
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Amélia é mulher real, de carne e osso. De palavra. De verdade.
A melhor parte é que as experiências, alegrias e conquistas também são DE VERDADE. Algo que não trocamos por nada neste mundo.
Marusia
idem e ibidem
Saudade da Maria Amélia. Jeito calmo e meigo de ser… realmente uma mãe de verdade.
Amigas queridas, saudade da convivência entre mães e grávidas tão especiais. Quando forem visitar a Maíra e a Pirueta (que já deve ter outro nome), me convidem. Qualquer dia, levo a Mariana pra vocês conhecerem. Bjo, Maria Amélia.
Maravilhosa…perfeita imperfeição.