jump to navigation

Mãe perfeita? 24/05/2010

Posted by Marusia in Marusia fala.
9 comments

Alguma vez você já tentou se encaixar (sem sucesso) nos modelos de mãe perfeita apresentados pela mídia? Eu já. Bem-vinda ao clube! Aqui você vai poder compartilhar, se divertir, desencucar e descobrir que a única receita de mãe é: não existe receita (revogam-se as disposições em contrário).

Carta a meus filhos 05/01/2012

Posted by Marusia in Frases, Marusia fala.
Tags: ,
7 comments

Queridos filhos:

Se no ano que vem…

… nós tivermos que passar uma noite em claro, que procuremos aproveitar a rara oportunidade de assistir ao nascer do sol.

… nós tivermos que  lidar com algum problema de saúde, que aprendamos a entender os sinais do nosso corpo.

… nós chorarmos, que as lágrimas venham como a chuva que fertiliza os sonhos.

… nós ficarmos com raiva, que compreendamos o imenso poder criativo dessa energia, quando canalizada.

… nós formos forçados a parar, que saibamos esperar, como a semente que nunca se atrasa e nunca se adianta para germinar.

… nós encontrarmos obstáculos, que nos orgulhemos e nos sintamos como estudantes fazendo uma prova de nível avançado.

… nós errarmos, que sejamos como o rio, que desvia seu curso mas sempre está em direção ao oceano.

… nós tivermos uma perda, que descubramos a força na fé.

… nós nos depararmos com pessoas desarmonizadas, que lembremos de Francisco de Assis e sejamos instrumentos de Paz.

… nós formos instrumentos de Paz, que sonhos, saúde, alegria, amizades, criatividade, paciência, vitórias, ganhos e harmonia venham por acréscimo…

… e seja um ano bom.

ampulheta

Imagem: Desktop Nexus

______________

Veja também:

O que é verdadeiramente perfeito em nós

O anjo de origami

A arte de criar vazios

Decálogo dos meus desafios

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2011 30/12/2011

Posted by Marusia in Marusia fala, Web.
Tags:
3 comments

Para mim, 2011 foi um ano significativo, que me impôs muitas reflexões. Elas vieram acompanhadas de aprendizados- e de mais questionamentos. E também de reencontros, de novos amigos feitos aqui no Blog, no Facebook, no Twitter. De gente que se identificou, riu, se emocionou, compartilhou. #AMO

Neste ano (links em maiúsculas)…

… além de descobrir que a perfeição na maternidade é irreal, atinei que essa busca pode também trazer PERIGOS, que não valem o ESFORÇO. Até porque ninguém sabe muito bem O QUE É isso.

As COISAS nem sempre acontecem do jeito que a gente imagina. Para as GRAVIDINHAS, é só EXPECTATIVA… tem muito curso de gestação, parto e cuidados com o recém-nascido, mas nunca vi aula de como lidar com as BIRRAS dos filhos. TEIMOSIA, NECESSIDADE DE PALCO, FASTIO, ATENÇÃO NEGATIVA… O que é IMPORTANTE SABER nesses casos?

E as crianças podem, sim, TIRAR A GENTE DO SÉRIO, deixar a gente DOIDA, fazer repetir mil vezes as MESMAS COISAS, as mesmas FRASES

É, porque, do mesmo jeito que não existe mãe perfeita, também não existem FILHOS PERFEITOS nem FAMÍLIA PERFEITA.

Como ninguém sabe muito bem aonde vai, a gente vai atrás de referências do que, afinal, seria uma “BOA MÃE”. Aí serve tudo, até as PERSONAGENS de FICÇÃO. Wilma Flintstone, Mulher Elástica… você se IDENTIFICA com alguma delas?

Mesmo as viagens. Com os filhos, elas nunca mais serão as mesmas. Isso vai desde a preparação da MALA, a escolha do HOTEL, até as COISAS MALUCAS que acontecem, alguns SENÕES, mas também ALEGRIAS para quem estiver atento para percebê-las…

Outra coisa que nunca está no script de quem planeja ter filhos são os problemas de SAÚDE. Alguns parecem simples, mas estão cercados de significados profundos, como uma MIOPIA; outros são mais sérios… ainda bem que existe uma rede fantástica de gente disposta a AJUDAR!

No corre-corre, principalmente para quem tem TRÊS FILHOS ou mais, a gente acha que é preciso ser MALABARISTA para dar conta! Mas não é assim.

Vale tudo para desencucar: LIVROS bacanas, CONSELHOS sinceros, DESABAFOS de amigas de verdade, 10 MANDAMENTOS para cumprir, VAZIOS para criar. Ensinamentos que vêm da SIMPLICIDADE. Ou até em outra LÍNGUA.

E também da criação de um novo lugar para o HOMEM nisso tudo.

Vale lembrar de quando éramos crianças, de BRINCADEIRAS, formas na AREIA, PERFUMES e CANTIGAS que trazem nossa infância de volta.

E assim a gente se permite entrar no espírito da infância deles, na fantasia das FADAS ou do PAPAI NOEL. Na maravilha de conhecer nosso CORPO ou nosso PAÍS. No poder dos ANJOS.

E assim a gente permite que eles CRESÇAM. Que a gente CRESÇA junto, mas mantenha nossa ALEGRIA.

Vida de mãe, com certeza, não é perfeita. Mas, cá pra nós… se fosse, não ia ter graça!

Ao digitar "mae perfeita" no Google, o Blog Mãe Perfeita vem em 1º lugar! o/

_________________________

Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Ligeirinhas de Natal 10/12/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags:
8 comments

Um bom velhinho em apuros

- Mãe, como o Papai Noel vai entrar aqui no apartamento se não tem chaminé?

- Não sei… como será?

- Ah, já sei. Ele entra pela janela!

Mais tarde…

- Mãe, mas como ele vai passar pela rede de proteção da janela?

- ?…

- Ah, já sei. Ele usa um pó mágico para ficar pequeninho, entra, deixa os presentes, usa o pó nos presentes para eles crescerem de novo, sai, usa o pó mágico para ficar grande de novo e vai embora!

- !!!

***

- Mãe, por que você compra presentes para meus primos e eu ganho os meus do Papai Noel?

***

- Mãe, por que o Papai Noel embrulhou meus presentes com o papel de presente da loja de brinquedos?

***

Compramos um patinete para o caçula e o escondemos no armário de roupas. A mais velha descobriu e chamou o menor para ver. Ao contrário do que pensamos, isso não significou o fim da fantasia. Ele disse:

- Olha, papai, o Papai Noel já veio aqui em casa e deixou o meu presente escondido no armário da mamãe!

***

Um pinheirinho friorento

Que delícia que é montar a árvore de Natal, tirar da caixa dezenas de enfeites brilhantes, ao som de Happy Christmas de John Lennon! E existe todo um ritual para a montagem.

- Mãe, já posso colocar os enfeites?

- Não, primeiro a gente precisa colocar as luzinhas.

- E agora, mãe, já posso colocar os enfeites?

- Não, a gente ainda precisa colocar o festão, as correntinhas e as bolas. Os enfeites são por último. Os maiores embaixo, os pequenos em cima.

- O que é o festão?

- É essa coisa brilhante que está enroladinha, aqui.

- Ah, tá. É o cachecol da árvore!

Festões

***

Tradições chinesas no Natal

A família inteira reunida para celebrar o Natal. No centro da mesa, a tradicional leitoa assada com a tradicional maçã na boca. Todos os primos se aboletaram ao redor, observando o prato e entreolhando-se intrigadíssimos. Depois, saíram para brincar.

Mais tarde, os pais foram chamar para a ceia.

- O que você quer comer, querida? Arroz, farofa?

- Mãe, eu quero tudo… menos cachorro.

Querido Papai Noel, eu fui bonzinho o ano todo....

***

Um menino muito especial

Meu afilhado resolveu brincar com o Menino Jesus do presépio dos avós. O pai trouxe a estatuetazinha cuidadosamente, colocou na manjedoura de volta e disse:

- Não pode brincar com o Papai do Céu.

- Não é Papai do Céu. É Menino do Céu!!!

***

Que o Menino do Céu ilumine seu Natal e cada dia do novo ano!

Madonna of Port Lligat - Salvador Dalí

 
Veja também:
 
 

A arte de criar vazios 27/11/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags:
2 comments

Escrevi este texto há, pelo menos, 7 anos. Resolvi postá-lo hoje por estar em consonância absoluta com meu momento atual.

A arte de criar vazios

Ana Marusia Pinheiro Lima Meneguin

Uma das coisas mais valiosas que podemos aprender sobre as leis que regem a vida e o Cósmico é que tudo segue um ritmo.  Um ritmo feito de movimentos e pausas, de plenitudes e vazios. Presente no minúsculo átomo e nas estruturas, organismos e processos mais complexos do Universo. Atividade, descanso; maré alta e baixa; dia, noite; tempo de semear, tempo de colher. Em nosso próprio corpo podemos observar facilmente os ritmos cardíacos e respiratórios.

O mais importante é compreender que a pausa é parte integrante do ritmo, tanto quanto a atividade. Ela é indispensável, porque cumpre duas funções: recuperação da atividade anterior e preparação para a atividade posterior.

Apesar de estarmos envolvidos em ritmo, muitas vezes não nos damos conta dele, nem da necessidade de vazios. Tudo desejamos, ao mesmo tempo e para já, sem abrir mão de nada. Esquecemos lições básicas que a natureza nos dá a todo instante e ainda nos perguntamos por que nossa vida parece ter estagnado.

Um dia, ganhei de presente um bonsai, uma daquelas arvorezinhas japonesas. Com o passar dos dias, ele foi perdendo o vigor. Levei a um jardineiro e, para meu espanto, ele cortou todos os galhos. Fui para casa indignada, mas, uma semana depois, a árvore havia voltado a crescer, florir e até dar frutos. A poda do jardineiro foi a criação de um vazio temporário, a eliminação de pontas fracas que só minavam a energia da planta. Livre do peso morto, o bonsai teve tempo e força para produzir novos galhos, folhas, flores e frutos.

A explicação desse fenômeno está na tendência natural que a energia tem de fluir quando existe diferença de nível. Do cheio para o vazio, do positivo para o negativo. Sem diferença, a energia fica estagnada. Em outras palavras, não se pode encher um vaso que já está repleto, sem que haja perdas.

Como aplicar essa lição em nosso cotidiano? Vamos começar pelo armário. Vivemos reclamando, dizendo que precisamos de uma roupa nova ou um sapato novo, e não temos tempo nem dinheiro para comprar. Então vamos criar vazios em nosso armário. Sabe aquela roupa que você nunca usa? Dê. Mesmo que esteja novinha. A mesma coisa com sapatos, bolsas, cintos. Quanto você menos esperar, terá preenchida essa lacuna. Surge um dinheiro com o qual você não contava e até um presente, lá está sua roupa nova e seu sapato novo.

Você pode repetir essa experiência sempre  e estender a outras áreas. Quer fazer um curso? Crie vazios. Você vai precisar de espaço para os livros e apostilas. Doe ou jogue fora papéis, documentos, cadernos e outros objetos dos quais você só se lembra quando vai arrumar o armário. Crie vazios na sua agenda, também. Você vai precisar de tempo para as aulas e os estudos.

Isso também funciona para o aprendizado. Encare todas as situações como fontes de informações. Esvazie-se. Aquele que se diz saber de tudo se fecha para as novidades e dificilmente é criativo. Dizer para si mesmo “eu não sei” é o primeiro passo para se deixar preencher de conhecimento.

Não espere as coisas acontecerem para criar vazios. A lógica é exatamente o contrário: crie vazios para que as coisas comecem a acontecer. Não confunda, entretanto, criar vazios com ser inconseqüente. Criar vazios não é se desfazer de objetos de recordação que contam a nossa história. Não é tornar descartável o que merece ser mantido. Não significa doar todos os bens, pedir demissão e romper todos os relacionamentos e esperar que a Providência Divina preencha esse grande vazio. Atente: a mesma Providência Divina foi quem confiou, em suas mãos, tudo o que você tem. Se isso foi posto sob seu cuidado, saiba discernir o que é essencial. Podar os galhos fracos não é cortar o tronco nem a raiz. Valorize o que você tem, inclusive aquilo que decidiu abrir mão, para se mostrar digno de receber novas responsabilidades.

Por último, lembre-se sempre de que a pausa é necessária e até obrigatória no ritmo da vida. Se não criarmos vazios de forma intencional, cedo ou tarde eles vão ocorrer. Se você não se permitir períodos de descanso ou mesmo puro ócio, seu corpo um dia vai lhe obrigar a uma pausa forçada, até uma doença. É claro que não dá para ter controle absoluto sobre tudo em nossa vida. Ainda que criemos vazios, às vezes temos que lidar com perdas. Pois nesses momentos de perda, crie também um vazio. Quando passamos por atribulações, enchemos a mente de pensamentos angustiantes. Coloque-se na posição de observador, de fora. Então faça silêncio. Ouça o que o Universo tem a lhe instruir. Verifique que lição você pode tirar dessa perda. E entregue. Confie. Pense que todo vazio é provisório, uma parada estratégica para a grande oportunidade que há de vir em seguida. 

Foto: Atelier do Bonsai

A brincadeira mais gostosa do mundo 22/11/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , ,
5 comments

Você se lembra de quando “desaprendeu” a brincar? E agora, com os filhos, o que fazer? O post de hoje é sobre isso.

Posso me considerar uma pessoa de sorte por ter brincado muito. De tudo o que se possa imaginar. Não só com coisas típicas “de menina”, como boneca, casinha ou escolinha, mas também bolinha de gude, futebol, bicicross (com uma “Ipaneminha” da Monark, pensa!) e toda a infinidade de jogos e brincadeiras: pique-bandeira, corre-cotia, polícia-ladrão, elástico, garrafão e por aí vai.

Quando eu estava em casa, gostava de criar “filminhos” com os bonecos. Meus irmãos começavam a brincar, e de repente lá estavam eles, hipnotizados, assistindo à brincadeira. Tinha vez que a história durava dias, em vários “capítulos”, em reinos encantados, florestas perdidas, mundos paralelos ou mesmo o cotidiano da família cogumelo.

Com quinze anos, já tinha um namoradinho. Mas continuava brincando de bonecas. Promovia desfiles de Suzi disputadíssimos com os irmãos e os vizinhos. Hilárias gravações com efeitos sonoros (ondas do mar com a TV fora de sintonia; tropel de cavalos na caixa de sapatos). Ou teatrinhos com os primos. Eu era o descanso das mães, mesmerizando a molecada toda, por horas. As pessoas diziam: como ela tem jeito com criança!

Quando ia à casa da minha prima, um ano mais velha que eu, observei que ela montava a casinha da boneca com todos os móveis, mas depois não tinha mais gás para brincar. Mais tarde, isso foi acontecendo comigo: adorava organizar o cenário, os personagens, mas os “filminhos” não fluíam mais.

E o tempo passou. Meus filhos nasceram. Em vão foram as minhas tentativas de recriar as antigas brincadeiras. Lutei para tentar descobrir onde e quando eu perdi minha espontaneidade e meu entusiasmo originais. Talvez fosse porque, agora, as histórias estavam acontecendo de verdade: minha casa real, minha profissão, minha família. Não é que eu tivesse “jeito com criança”. Eu ERA, efetivamente, uma criança… Agora eu estava brincando de ser gente grande, e o ato de fantasiar perdeu um pouco a graça.

Descobri outras coisas. Se eu quero brincar com meus filhos, escolho peças de montar, como Lego e tijolinhos do pequeno construtor, por conta do meu senso de organização. E também jogos de mesa, como dominó, memória ou o Jogo da Pizza, para que eu me divirta junto e não fique apenas guiando a brincadeira.

Mas tem uma brincadeira que é imbatível na minha preferência: cabeleireiro. Divido equanimemente as mechas de cabelo entre os filhos interessados, espalho dezenas de presilhas, chuquinhas, pentes e escovas e deixo que eles inventem o penteado que desejarem. A ideia nem partiu de mim, justiça seja feita. Eles amam. Eu, então, nem se fala. Lido com um puxãozinho dali, uma chuquinha emaranhada daqui, mas fico quietinha só curtindo o cafuné, até cochilo.

Às vezes, lanço mão do expediente em situações chatas de espera, como no aeroporto ou no médico, me transformo num brinquedão e, mesmo sem as presilhas, eles ficam horas enrolando, trançando e separando as mechas, entretidíssimos. Já teve até criança de outra família querendo pentear também.

Podem me chamar de pessoa desprovida de imaginação, folgada, relaxada, tapeadora de filhinhos inocentes. Mas, antes, proponho um desafio: experimenta. Depois, quem não gostar daquelas mãozinhas ligeiras massageando seu cocuruto e passeando no seu cabelo, que atire a primeira escova! Rsrsrs!

Resultado do trabalho dos meus hair-stylists mirins

 
Veja também:

Minha vida em 40 músicas 06/11/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: ,
10 comments

Blogagem Coletiva proposta por Fê Iasi, em comemoração ao aniversário de casamento de Ingrid e Paulo.

 ___________________

Imagem: Fangol / Stock Xchng

Fazer este post foi uma experiência e tanto. A música, tal qual o perfume, tem esse poder inescapável de evocar o passado. Na hora de fazer a listagem (em maiúsculas, estão os links para ouvir e lembrar), fui revivendo cada sensação… A vida da gente é isso: momentos, lugares, aromas, companhias, embalados na trilha sonora de um enredo sempre inédito.

Vamos embarcar comigo nessa viagem?

Infância

A lembrança auditiva de quando eu era pequena é, quase por onipresença, Roberto Carlos (O HOMEM). Todos os anos, meus pais compravam o disco do Rei no Natal.

Ilustres neocandangos em Brasília, também íamos em dezembro para as festas na Bahia. E aí vem um mix do JINGLE DE FIM DE ANO da Globo, da VINHETA DA TV ARATU e da inesquecível HAPPY CHRISTMAS de John Lennon com toda a família materna reunida em Salvador. Das memoráveis violadas dos tios cantores, vem SERAFIM E SEUS FILHOS (Rui Maurity). Uma família absolutamente musical, de onde herdamos o gosto versátil por qualquer gênero.

Sempre havia uma escala em Vitória da Conquista para saborear a família paterna. A recordação da viagem de 8 horas no ônibus leito até hoje me traz efeito sonífero. Da casa dos tios, vem FOLIA DE REIS (Baiano & os novos caetanos) e  SULTANS OF SWING (Dire Straits).

Claro que também temos SUPERFANTÁSTICO (Balão Mágico), um hino…

Adolescência

O ecletismo atravessa os anos adolescentes para explicar a convivência, no mesmo balaio, do psicodelismo de Pink Floyd (ON THE TURNING AWAY) com a inspiração de Simon e Garfunkel (EL CONDOR PASA) para amores platônicos jamais revelados; da rebeldia de Legião Urbana (TEMPO PERDIDO) com os Beatles, sempre Beatles (NOWHERE MAN).

Lembro as viagens sensacionais com a galera da Loja Brasília – Amorc (ANUNCIAÇÃO – Alceu Valença). E meu sonho de consumo como pianista (SONATA AO LUAR – Beethoven, tocada com competência aos 15 anos de idade).

Salvador vem agora em forma de carnaval (BOM DEMAIS – Araketu), junto com as conversas notívagas com minha prima (LUA E ESTRELA – com Caetano) e nossas confidências que esperavam um ano inteiro para ser ditas.

Universidade

Da patinação, vem a linda MASQUERADE. Epopeias universitárias ao som de Erasure (LITTLE RESPECT). Os encontros nacionais de estudantes de arquitetura são presença obrigatória neste relato, com destaque para a lambada (LAMBAMOR). (Para dar uma noção básica do que a lambada representou para o mundo, entre as 100 personalidades de todos os recantos do planeta que tiveram o privilégio de dar as primeiras marretadas no Muro de Berlim, foi convidada a vocalista da banda brasileira Kaoma).

Também nessa época conheci o amor da minha vida entre as 300 vozes amadoras do emocionante coro que percorre as superquadras de Brasília todos os anos, a Serenata de Natal (NOITE AZUL).

Casamento

Escolhi, para entrada da daminha que me precedeu, MENININHA (Toquinho e Vinícius): “não cresça mais não, fique pequenininha na minha canção…” Mas só para enfatizar com a minha música, logo em seguida, que “vale tantar viver, vale dizer que sim, PRINCESA! (Flávio Venturini)”

Contemporaneidades

Um trabalho feito de corpo e ALMA (Zélia Duncan) na TV Câmara.

Os deliciosos shows com uma banda verdadeiramente de irmãos (OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO – Jorge Ben Jor) e o lançamento do meu livro.

As duplas referências de algumas músicas: O HOMEM nos encontros de jovens; HAPPY CHRISTMAS, a lua de mel em plena semana de Natal; LITTLE RESPECT, um dos mais inesquecíveis dos Natais; MASQUERADE ao vivo no Fantasma da Ópera em São Paulo. O que é especial é assim: volta…

Meus queridos

O carinho dos meus “in-law”: sogro, sogra, irmãos: AQUARELA (Vinícius e Toquinho).

Meus irmãos:

Ainda meus irmãos:

Uma homenagem a todos os meus sobrinhos: VAMOS CONSTRUIR.

Pápi – a festa de JAMBALAYA.

Mâmi – a cantiga de ninar da PRECE AO VENTO.

Para embalar meu eterno namoro, a energia de AFRICA (Toto).

Meus filhos, meu olhar para o presente:

E você? Quais são as músicas da sua vida?

Montagem de Marusia sobre imagem de Virsh - Stock Xchng

___________________________

Veja também:

Cheiro de infância

Lembranças de infância

Irritada?? EEEEEEEU???!!!!? 30/10/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: ,
5 comments

Estávamos lindos e louros, toda a família no carro, voltando do almoço na casa dos meus pais. De repente, cogitou-se a ideia de colocar nossa filha no balé. Diante da minha agenda cronometrada, fiz um inocente pedido:

- Ok, mas vamos ver se é isso mesmo que ela quer, porque, com tantas atividades da “mãetorista” aqui, vou precisar de um clone…

Sem pestanejar, recebo o seguinte míssil do meu mais velho:

- Deveria ter um clone seu que não se irritasse…

UIA…

_________________

Claro que aquilo foi certeiro. Como eu estava com o “bate-pronto” ligado, o disparo de reação também foi instantâneo:

- E vocês, deveriam ter clones QUE NÃO ME IRRITASSEM!!!!

- Olhaí, não falei?

UIA (2, a Missão)…

__________________

Petulância mor, a do rapazinho, não??? Mas também admirei a sinceridade e, principalmente, a coragem.

Dar conta dessa meninada não é “coisa de fifi”, mesmo, não. E a minha resposta também foi verdadeira: na maior parte das vezes, ELES me tiram do sério.

Mas sabe que eu tenho uma neurinha? Não quero que a imagem que eles tenham de mim seja a da doida descabelada dando bronca no meio da casa. “Manter a fleuma” também é um dispêndio enorme de energia.

Tô tentando a meditação. E aí fico mais resignada quando me vem à consciência que, se duvidar, até meu clone ia pirar o cabeção rsrs!

 

Veja também:

A Linguagem secreta da birra – Teimosia

Frases de mãe - Marusia fala

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Os segredos das supermulheres – agendas de Marusia

Now also in English 22/10/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags:
4 comments

22 de outubro, dia do meu aniversário! Inaugurando meu ano novo, me lanço também a uma nova aventura: fazer a versão em inglês do blog.

http://theperfectmother.wordpress.com

A ideia surgiu porque precisava de um projeto para meu curso de inglês. Que outro assunto me tomaria de modo tão especial como a maternidade?

Devagarinho, devagarinho, parto do começo, até que os posts estejam pareados. Mas o blog “The Perfect Mother” ainda agrega outra proposta, a de uma estudante de inglês em aprendizado, às voltas com as peripécias de um novo idioma. Do mesmo jeito que também me considero uma mãe em (constante) aprendizado, às voltas com um cotidiano pra lá de radical!  :)

Sugestões são bem-vindas!

O dia em que falamos da Constituição para meu filho 16/10/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , ,
4 comments

Sites visitados:

Documentário Carta Mãe, da TV Câmara (para assistir e baixar)

Portal Plenarinho da Câmara dos Deputados – o jeito criança de ser cidadão

A história de Marquinhos, deputado mirim que transformou a vida de sua cidade no sertão nordestino

____________________ 

Quando estava no 2º Período, meu filho mais velho participou de um projeto literário na escola que contava com a ajuda das famílias – claro, nessa época as crianças ainda estavam começando a conhecer o alfabeto. Um livro era levado para casa e, com base na história, deveria ser produzido um cartaz. Além disso, a criança deveria preparar uma apresentação e levar lembrancinhas alusivas para os colegas.

O livro que meu filho trouxe era “Na minha escola todo mundo é igual”. A história era sobre o respeito às diferenças. Fiquei pensando no que poderia ilustrar isso com perfeição. Me lembrei da nossa Carta Magna, que diz:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Fomos, então, às revistas e procuramos imagens de pessoas de todos os tipos, crianças, adultos, idosos, mulheres, homens, de todas as cores, nacionalidades, alturas, aparências. Imprimi um mapa múndi em duas folhas A4. Com uma mesa de luz improvisada (colocamos um abajur embaixo da mesa de vidro para que a cartolina ficasse transparente), copiamos o mapa. Contornamos de canetinha e colamos as pessoas nos países de acordo com suas características – os que tinham olhinhos puxados ficaram mais concentrados na Ásia, por exemplo. Mas reservamos fotos de pessoas com essas mesmas características para colar no Brasil.

Na parte de baixo, puxamos uma seta, como se fosse uma lupa, e colamos a foto do Congresso Nacional, em Brasília. Mais uma vez, colamos imagens de pessoas diferentes entre si.

A mensagem era:

Pessoas de todo mundo vêm para o Brasil.

Pessoas de todo o Brasil vêm para Brasília.

Em Brasília, foi criada a Lei que diz que todos são iguais.

Conseguimos 30 exemplares da versão compacta da Constituição Federal de 1988 (somente com a Lei pura, sem o detalhamento das emendas), para serem distribuídos como lembrancinha para as crianças, com o artigo 5º grifado.

João Marcelo - Documentário Carta Mãe, da TV Câmara

As professoras ficaram muito emocionadas. Para a maioria das crianças, era a primeira vez que tinham contato com a nossa Carta Mãe, nossa Lei máxima.

Aqui em casa somos naturalmente envolvidos com política, por causa do nosso trabalho. Achei lindo demais quando fomos explicar a nosso filho da importância daquele documento, do que ele representa para nosso País, de tudo o que ele preconiza, e meu marido encheu os olhos de lágrimas.

A Constituição foi promulgada em outubro de 1988. Também em outubro a Câmara dos Deputados realiza o Câmara Mirim: crianças de todo o Brasil participam de um concurso de projetos de lei. Os vencedores se transformam em deputados por um dia e os projetos podem até virar leis de verdade!

Trata-se de uma iniciativa ímpar. Nesses dias em que nem todas as crianças conhecem o Hino Nacional e que as aulas de Moral e Cívica são tidas como reacionárias, fica complicado esperar das novas gerações que tenham efetiva participação política.

No dia 12 de Outubro de 2011, milhares de pessoas em várias capitais foram às ruas pedir o cumprimento da Constituição. Quero, sim, que meus filhos entendam como é fundamental conhecer nossos direitos e deveres para serem cidadãos de bem. E que, no dia 12 de Outubro de 2031, eles possam ir às ruas não para cobrar, mas para celebrar.

Foto: Elza Fiuza - Agência Brasil

______________________

Veja também:

Olho de boi, olho d’água

A sabedoria que vem da simplicidade

Quero ser criança quando eu crescer

Lembranças de infância

Mãe Malabarista? Não, obrigada 04/10/2011

Posted by Marusia in Livros, Marusia fala.
Tags: , ,
7 comments

Site visitado:

Talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis” – vídeos da TV Câmara disponíveis para assisitir e baixar

_______________________

mãe malabarista

Imagem: Journal Times - Tim Ludwig / The Wichita Eagle / MCT)

A expressão “vida de malabarista” sugere uma existência caracterizada por atividade incessante, consciência e concentração, em que o verdadeiro “truque” consiste em manter a ilusão de ausência de esforço.

[...] O castigo para a malabarista de sucesso é maior ainda que para a fracassada. Quanto melhor você é na sua arte, tanto mais vai ter que trabalhar. E quanto mais você trabalha, tanto mais invisíveis se tornam seus esforços.

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade – porque fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. pp 242-243)

Eu trabalho na Câmara dos Deputados, na área de Comunicação. No dia 31 de março deste ano, por ocasião das comemorações do Mês da Mulher, foi organizado o talk show “A mulher e sua pluralidade de papéis”. A imagem de divulgação era uma sequência de desenhos com a mesma mulher em várias situações: executiva, mãe, atleta, dona de casa e assim por diante.

Na época, postei no Facebook meu desconforto em relação a essa imagem: “não pela pluralidade em si, que pode ser enriquecedora, mas pela insistência no conceito de mulher multitarefa e perfeita em todos os papéis. Ainda dizem que é um atributo cerebral feminino, inato, naturalizando sem questionar. Para mim, esse ‘pedestal’ só gera uma vida fragmentada, exaustiva e frustrante.”

Os comentários foram muito legais! Desde a observação de que todos podem ser múltiplos, tanto homens quanto mulheres; à constatação de que entramos numa piração cansativa, mesmo quando temos consciência de que não precisamos disso. E ainda a vontade de ser só “eu” mesma, sem papel nenhum…

Minha amiga Vera Morgado, a apresentadora do evento, sugeriu que eu abrisse a questão no debate.

Minha pergunta para as debatedoras foi a seguinte:

Fala-se muito da mulher malabarista. Mas a malabarista tem os pratos no ar. Ela não se apropria dos pratos. Não prioriza nenhum para eles não caírem. Se cai um prato, ela é que se quebra. E, quando segura os pratos, o espetáculo acaba e ninguém presta atenção, ninguém valoriza. Como fugir dessa metáfora?

As respostas das participantes do talk show foram muito interessantes!

A atriz Elisa Lucinda falou sobre o perigo de nós confundirmos nossa personalidade com as tarefas que desempenhamos. E que não devemos sofrer com o prato que caiu, afinal, “vão-se os broches, ficam os peitos”.

A psicóloga Carmita Abdo disse que devemos aproveitar nossa característica feminina de multitarefa em nosso benefício, agregando, pacificando, em prol de nosso progresso pessoal.

E a deputada Janete Pietá resumiu em uma frase tudo que eu busco hoje:

Melhor que ser malabarista é ser a dona do circo.

É sermos gerentes de nós mesmas.

Melhor chefe do mundo!

 

Coisas que só quem tem três filhos (ou mais) sabe o que são 26/09/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: , , , ,
24 comments

Meu sobrinho nasceu! Agora minha irmã tem três filhos, como eu. Uma ocasião tão especial merece um post especial, com tudo o que agora ela vai conhecer na nova empreitada:

Só quem tem três filhos (ou mais)…

… escova, no mínimo, 32 (os seus) + 20 + 20 + 20 (92!!) dentes, três vezes por dia, todos os dias;

… corta 80 unhas toda semana;

… dá a mão a dois deles para atravessar a rua e pede a um que dê a mão ao terceiro – coisa que nunca aceitam;

… precisa pegar dois táxis pra caber a família toda;

… faz, toda semana, o que para os outros é uma compra de mês;

… vê inviabilizado qualquer rodízio de carona – a menos que tanto você quanto seu vizinho tenham uma Kombi;

… precisa de dois sofás para assistir à TV;

… quando viaja, é obrigado a reservar dois quartos de hotel depois que o menor completa 3 anos. E dá graças a Deus quando o hotel tem quartos conjugados;

… tem que planejar uma verdadeira operação de logística toda vez que viaja com eles. E, se for um esquema só do casal, deixa uma verdadeira operação logística para os heróis que se dispuserem a ficar com os três;

… tem que administrar três deveres escolares, três agendas, três semanas de provas por bimestre, três materiais escolares, três boletins. Ainda tem que se desdobrar (desdobrar, não! Se DESTRIPLICAR) para assistir a três reuniões de pais e mestres na escola. Mas também é agraciado com um descontinho na mensalidade do menor;

… observa que eles são experts em fazer todo tipo de combinação na hora da encrenca: mais velhos x menor, menores x mais velho, meninos x meninas, mais velho + mais novo x do meio, os três x os três…

… ganha três presentes fofinhos feitos por eles e assiste a três apresentações de Dia das Mães todos os anos (e chora em todas);

… descobre que três é o número mínimo ideal para qualquer brincadeira: pique-pega, pique-esconde, bobinho, jogos como War, etc!

… ouve as mais diversas expressões acerca dos seus filhos: escadinha, coleção de menino, gang…

… descobre que, agora, eles são maioria em casa…

… ouve: “Você é mãe de três? Você é…” (complete a frase):

(   ) animada

(   ) corajosa

(   ) ocupada

(   ) determinada

(   ) inconsequente

(   ) guerreira

(   ) madura

(   ) sortuda

(   ) ninja

(   ) admirável

(   ) feliz

(   ) louca

(   ) todas as anteriores

E ainda tem quem pergunte: “Quando vem o quarto filho????”

O fato é: engana-se quem acha que dá pra aplicar economia de escala quando o assunto é criança. Não dá. Eles precisam (e nós também) de tempo individual, real, aquele lá da Física, mesmo.

Engana-se quem acha que é só multiplicar por três. Não é. Está mais pra elevar à terceira potência:

  • Desafios ao cubo;
  • Responsabilidades ao cubo;
  • Possibilidades de crescimento ao cubo;
  • Amor ao cubo – isso é bom demais!!!!

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: as mães de animações e seriados 12/09/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: ,
3 comments

Alguns seriados e animações da TV e do cinema encantam gerações por décadas, desde que foram lançados: “Família Dinossauro”, “Os Flintstones”, “Shrek”, “A Família Addams”, “A Feiticeira”, “Os Simpsons”, “A Grande Família”, “Os Incríveis”, “Os Jetsons”…  São histórias que continuam a fazer rir, com personagens que parecem já fazer parte da nossa própria família. Já parou para pensar quais as semelhanças existentes entre as personagens mães? E entre elas e você?

 (Você curte Análise do Discurso? Confira o texto completo: De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011)

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”? 12/09/2011

Posted by Marusia in Análise, Divirta-se!, Web.
Tags: ,
2 comments
Olha o que o público fala sobre elas e os motivos pelos quais elas são consideradas “boas mães”:

“Família Dinossauro”. Mãe: Fran da Silva Sauro

O enredo se passa na Era Mesozóica. Fran é casada com Dino e tem três filhos: Bob, Charlene e Baby. Segundo a web, é a “simpática matriarca da família e perfeita dona de casa. Muito dedicada, Fran vive apenas para cuidar do marido e dos filhos”, filhos esses “muito barulhentos e revoltados”, para os quais é necessária “uma paciência incomparável”. Fran “muitas vezes se sente caçoada e deseja conversar mais tempo com a família. Sua melhor amiga, Mônica Desvertebrada, influencia Fran a lutar pelos seus direitos”.

 “Os Flintstones”. Mãe: Wilma Flintstone

O enredo se passa no ano 1.040.000 A.C. Wilma é casada com Fred e é mãe de Pedrita. É “exímia dona-de-casa. Já pensou em trabalhar fora várias vezes, mas seu marido Fred é contra”. “Uma mãe muito vaidosa, gentil, paciente e talentosa. A filha dela, Pedrita, diz que ela é o tipo de mãe perfeita, e faz de tudo para proteger toda a família” e “apesar de viver no tempo dos dinossauros, é muito moderna.”

 “Os Flintstones”. Mãe: Betty Rubble

Esposa de Barney, Betty é mãe adotiva de Bambam. Segundo a web, “está sempre de bom humor. As famosas risadinhas encantam toda a família. Bambam, seu filho, adora o jeito atencioso e engraçado da mãe.” É “o modelo de esposa perfeita, devotada e muito paciente e talentosa, para livrar seu marido das encrencas que ele se mete.”

 “Shrek”. Mãe: Fiona

O enredo se passa no mundo dos contos de fadas, na Idade Média. A princesa Fiona é esposa do ogro Shrek e tem trigêmeos. “É o tipo de mãe que acompanha todos os passos do filho e não perde nenhum movimento dele. Sempre participativa, ela adora fazer comidinhas para a família.”

 “A Família Addams”. Mãe: Mortícia Addams

Morticia é casada com Gomez e tem dois filhos: Wandinha e Feioso. A web lhe atribui os seguintes adjetivos: “é o coração e a alma da família Addams”. “É uma mãe não-convencional. Ela deixa os filhos brincarem com cobras, veneno e poções perigosas. Mas também, pudera. Ela é a matriarca da Família Addams, a família mais esquisita dos cinemas.” Morticia também faz questão de organizar o lar, ainda que “com um ar bem tétrico.”

 “A Feiticeira”. Mãe: Samantha / A Feiticeira

Samantha é casada com James e tem dois filhos: Tabatha e Adam. Ela é uma feiticeira, e pode fazer mágica com um simples movimento do nariz. “Está sempre tentada a usar todos os seus poderes, para facilitar a vida do casal. Mas o amor fala mais alto e para não desagradar ao marido, vive driblando sua natureza de bruxa.”

 “Os Simpsons”. Mãe: Marjorie/Marge Simpson

Marge é casada com Homer e é mãe de Lisa, Bart e Maggie. Tem “personalidade muito paciente. Mesmo Homer aprontando inúmeras confusões, ela continua sendo uma esposa fiel e dedicada, assim como é para com os filhos. Com poucas exceções, Marge gasta a maior parte de seu tempo como dona de casa. É na verdade um estereótipo de dona de casa suburbana dos anos 1950.” Mais adjetivos: “compreensiva, paciente e tranquila”, “superbrincalhona, mas ao mesmo tempo, educada e preocupada com as trapalhadas do marido e do filho, Bart”. Marge “é do tipo que dá a vida por sua família.”

 “A Grande Família”. Mãe: Irene / Dona Nenê

Irene, conhecida como Dona Nenê, é casada com Lineu e tem dois filhos: Tuco e Bebel. A web a descreve como “a matriarca de todos os telespectadores brasileiros. Dona de casa primorosa, companheira e mãe zelosa, um porto seguro para aqueles que vivem a sua volta. Compartilha dívidas, discussões e uma disposição agregadora incrível. Nunca diz não para a família. Se a sua mãe não é igual a Nenê, provavelmente você adoraria que ela fosse como a personagem.” Ter uma mãe assim “significaria poder contar com ela mesmo quando fizéssemos algo bem errado. Se não fosse por ela, a harmonia da família Silva já teria ido por água abaixo há muito tempo.”

 “Os Incríveis”. Mãe: Mulher Elástica / Helena Pera

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, é esposa de Roberto Pera, o Sr. Incrível. Têm três filhos, todos superpoderosos: Violeta, Flecha e Zezé. Assim a web descreve sua personalidade: “Helena parece ser a única no casal a se preocupar com os filhos. Ela parece bastante estressada em sua tentativa de preencher o vazio deixado por Beto em sua ausência como pai de verdade.” “Mãe aventureira, radical e superprotetora. Ela possui superpoderes incríveis e consegue esticar o corpo todo para enfrentar as aventuras que passa junto aos filhos e marido”. “Qual mamãe não gostaria de ser elástica para poder dar conta de todos os serviços e ainda brincar com os filhos?”

“Os Jetsons”. Mãe: Jane Jetson

O enredo se passa no futuro, com a tecnologia presente em cada detalhe do dia-a-dia das personagens. Jane é esposa de George e mãe de Elroy e Judy. “É o tipo de mãe exemplar e ao mesmo tempo moderninha.” “A mamãe do futuro cuida dos filhos e ainda tem que fazer de tudo para manter o apartamento da família (o Sky Pad) impecável.”

Veja também:

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum? 12/09/2011

Posted by Marusia in Análise.
Tags: , , , ,
add a comment

Fran, Wilma, Beth, Fiona, Morticia, Samantha, Marge, Nenê, Helena, Jane: o que elas têm em comum? São ponderadas, sensatas. Centralizam e organizam a família em torno de si, são responsáveis por manter o equilíbrio da casa. São amorosas e dedicadas e suportam tudo.

Nenê da Grande Família é exceção: não encarna o lado racional da família. Puro sentimento, às vezes se atrapalha. Lineu assume a posição de sensato da casa, papel normalmente confiado às mulheres nessas produções.

Nenhuma das personagens trabalha fora de casa. As que experimentam acabam voltando. O dilema trabalho versus casa, portanto, é extirpado, bem como o babá versus creche.

O trabalho da casa é realizado integralmente pelas mães, exceto Jane Jetson, que tem a ajuda da robô Rose, e Mortícia Addams, que conta com o mordomo Frank e a mãozinha Coisa. Wilma Flintstone também tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais.

Todas as mães têm que esconder seus “superpoderes”, mas sempre “salvam” a família de enrascadas. Esses poderes podem ser mágicos, como no caso da Feiticeira Samantha, ou talentos profissionais, como o da hábil comunicadora Fran Sauro, que desiste de apresentar um programa de TV para cuidar da casa.

Não existe revolta. Todas estão resignadas em seu papel, cientes disso e de sua importância para a família.

Todas as personagens estão em boa forma física, ainda que não se explicite de que maneira elas chegam a esse resultado. Fran Sauro também, dentro do que se espera de um ser de sua espécie.

Os maridos são infantilizados e atrapalhados (também com exceção de Lineu). Trabalham como funcionários em empresas. Estão insatisfeitos com o trabalho, mas são conformados (exceto Gomez Addams: “um advogado que acumulou uma riqueza invejável e que agora vive tranquilamente acariciando seu polvo e explodindo trens de brinquedos em sua mansão”).

Sugestionáveis, ingênuos e teimosos, os pais das famílias de seriados e animações sempre se metem em confusão. Assim, as mulheres se posicionam como mães de toda a família, incluindo os maridos.

Seja na Idade da Pedra, na Idade Média ou no futuro, os padrões se repetem, se mantêm. Shrek, por mais anárquico que se pretenda, apresenta Fiona como uma mãe zelosa ao molde das demais. Ou seja, o roteiro de Shrek subverte tudo – a princesa é uma ogra, o herói é um ogro, a fada madrinha é má -, exceto o que se entende como amor materno.

São todas famílias nucleares – pai, mãe, filhos -, com intervenções de parentes em alguns casos. O protótipo do que se difunde como uma típica família dos anos 1950.

Nas produções, é curiosa a presença de outras mães, as mães das mães: as sogras. São vozes femininas de chamado à consciência. Elas parecem discordar da escolha das filhas e de tudo a que as elas se submetem, e estão sempre dispostas a aborrecer os genros. São incômodas mas também não ajudam nos afazeres (às vezes até pelo fato de contestá-los). Trata-se de um reforço contínuo ao estereotipado conflito entre sogras e genros.

Outras figuras podem cumprir o papel da sogra: a dinossaura Mônica (Família Dinossauro), a modista Edna (Os incríveis), as irmãs de Marge Simpson (Os Simpsons). Em Shrek, quem cria problemas é o sogro, mas por temor de que sua identidade verdadeira seja revelada (trata-se de um sapo transformado em humano).

 

Mulher elástica – algumas diferenças

Helena, a identidade secreta da super-heroína Mulher Elástica, merece uma análise à parte porque, no decorrer do filme, vai revelando facetas que a princípio podem distanciá-la das demais mães apresentadas anteriormente.

A Mulher Elástica é feminista no início da história. Em uma entrevista jornalística, ela discursa: “Sossego, qual é? Tô no auge da forma, em briga de cachorro grande. Garotas, na boa: deixar o mundo ser salvo pelos homens? Claro que não. É claro que não.”

Ela se casa com Beto Pera, o Sr. Incrível, mas algo põe a perder suas carreiras de super-heróis. O Sr. Incrível não se conforma em se esconder por trás de um medíocre vendedor de seguros. Mas a ex-Mulher Elástica parece conformar-se com a nova vida. Isso é um paradoxo, que vai contra o que ela diz na entrevista do começo do filme, no auge da juventude, e também para ele, que na mesma entrevista diz planejar constituir família.

Helena se resigna com seu papel de mãe zelosa. E luta para defender essa nova situação como uma escolha própria sua.

Em casa, as coisas são superdimensionadas por ela (e menosprezadas pelo marido, Beto). Seus superpoderes, que outrora salvavam o mundo, agora são utilizados para lidar com os desafios em família, a própria metáfora da mãe-malabarista, a quem se exige todo o tempo que se adapte, que se molde.

Sim, Helena está tentando se adaptar à vida de dona de casa e mãe, e está muito empenhada em manter as aparências, mas deixa transparecer aqui e ali o seu descontentamento. De todas as mães das séries e animações, é a mais impaciente e estressada.

Com o desaparecimento de Beto, que ela suspeita ser algo relacionado a traição conjugal, Helena deixa os filhos ao cuidado da primogênita para recuperar o casamento. Nesse raciocínio, o casamento é mais precioso para os filhos; o fim da união do casal é um perigo muito maior que o abandono. E, ao mesmo tempo, sob os conselhos de Edna, ela descobre que também precisa recuperar a heroína que um dia foi, para que se mantenha admirável aos olhos do marido – e aos próprios olhos.

A Mulher Elástica, então, volta à “ativa”. Mas somente porque os filhos vão junto com ela, quando demonstram poder se virar sozinhos. Ela percebe que sua superproteção tolhia os filhos, tornava-os infelizes. O desfecho traz a ideia de que a família é invencível quando está unida.

Helena é a única mãe das animações e seriados que volta para a sua profissão, ainda que sob circunstâncias próprias de quem tem uma família inteira com poderes especiais, que podem dispensar a dedicação absoluta da mãe.

Contudo, ainda que existam algumas diferenças entre Helena e as outras personagens de mães, o fio condutor é o mesmo: todas são mulheres que têm na família seu bem maior.

___________________________

Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas? 12/09/2011

Posted by Marusia in Análise, Livros, Marusia fala, Múltiplas vozes, Web.
Tags: , ,
add a comment

Nunca foram necessárias tantas qualidades para que uma mulher se sinta uma boa mãe, como nas últimas gerações. Um misto de administradora, executora, conciliadora, sempre com um sorriso no rosto e uma deliciosa refeição à mesa, tudo sem descuidar da beleza. Mas a mais preciosa e indispensável de todas as características é o amor incondicional, a capacidade inesgotável de suportar tudo a fim de manter a unidade da família.

Aminatta Forna encontra a imagem que melhor representa o amor materno: Nossa Senhora. Mas, segundo ela, é fácil ser plácida e serena com um bebê como o menino Jesus. Ser plácida e serena com filhos como Bambam Rubble (que hoje seria considerado hiperativo), Bart Simpson e Baby Sauro é muito mais heroico – e digno de admiração.

Para Elizabeth Badinter, esse conceito de amor materno (ou mesmo a noção de “instinto maternal”) é algo que foi construído – e o mais instigante: não pelas mães. O que ela chama de mito do amor materno tem sua raiz na necessidade de mudança de foco em relação à infância: as crianças, antes tidas como seres imperfeitos e incompletos que necessitavam de correção, passam a encarnar a esperança do futuro. A partir desse momento, os especialistas se dedicam de forma insistente a provar que sobre a mãe recai a responsabilidade primordial (e exclusiva) de formar os novos indivíduos.

Com o passar do tempo, o conceito fabricado de amor materno passou a ser ampla e irrefutavelmente aceito, naturalizado como se sempre tivesse existido.

Segundo Trisha Ashorth e Amy Nobile, muitas transformações ocorreram na vida de muitas mulheres das últimas gerações, que as impede de olharem para as próprias mães como modelos.

Susan Maushart enfatiza ainda a presunção e arrogância que torna maior o abismo entre as mães de hoje e a de mulheres que as antecederam na maternidade. Para ela, um conhecimento inestimável foi perdido com a quebra desse elo, inédita na história da humanidade. Tudo sob a alegação de que as mães da geração atual podem fazer diferente.

As mulheres não se espelham mais nas próprias mães. A grande contradição é que, enquanto os ideais de perfeição no “fazer” mudam com o tempo, os ideais de perfeição na postura da “mãe perfeita” se mantêm.

Somado à constatação de que as crianças também mudaram muito – a mulher também não vê nos filhos a criança que foi –, tudo isso resulta em um perene sentimento de inadequação, de estar perdido, em busca por um lugar.

Para Diana e Mário Corso, os pais parecem andar com aquele adesivo: "Não me siga, eu também estou perdido!"

Em sua experiência de psicanalistas, Diana e Mario Corso relatam o “sofrimento daqueles que julgam estar na família errada, uma ideia de que sua família não é como deveria ser ou não se comporta adequadamente como uma ‘verdadeira família’.” Os autores se perguntam: e qual é a família certa para os dias de hoje?

Sem bússola, e diante do excesso de escolhas, de expectativas e de responsabilidades, as mães encontram na mídia modelos dourados, que se acredita serem eternos desde sempre.

Sempre paira a tentação de se atribuir à “indústria cultural” (ou qualquer outra nomenclatura mais moderninha) a massificação de valores a fim de se obter boa-vontade por parte do público. Em outras palavras, a “teoria da conspiração”, que estaria “por trás” da fixação desses modelos da mãe perfeita, de paciência infindável, que se anula em prol da família.

Entretanto, o papel da mídia aqui é outro. As razões do sucesso desses produtos, ainda que sejam fonte de inspiração, repousam mais na necessidade de compartilhamento de experiências. Desenhos e seriados populares são produtos de entretenimento que colhem, sedimentam, reforçam, retroalimentam modelos que não são impostos, são acolhidos pelas mães de forma natural.

Para uma parcela de mães, a responsabilidade exclusiva pela criação dos filhos é um “poder” do qual não querem abrir mão e pelo qual abrem mão de todo o resto – razão da indignação de Helena no diálogo citado anteriormente. Para elas, um poder que só é legítimo pela via do sofrimento e da renúncia. Qualquer outra coisa que fuja a esse princípio é considerado egoísmo e só leva a um destino: o da eterna culpa.

“Como mulheres, e principalmente como mães, ainda não deixamos de ter medo de que, se é bom, deve ser egoísmo – e que cuidarmos de nós mesmas significa inevitavelmente faltar com nosso primeiro e mais legítimo dever: cuidar de todos os outros.“  (Susan Maushart)

 Assim, em muitos casos são as próprias mães que se agarram a esses padrões de perfeição. “Conspiração”, para elas, seria o que é praticado por quem tenta chamar a atenção para os padrões, quem tenta “libertá-las”: são as “máfias” das feministas, dos médicos, dos fabricantes de leite, dos homens, do sistema, do capitalismo, enfim.

Quando a realidade insiste em se impor ao idealizado, surge o mal-estar; mas, ainda assim, elas preferem continuar ostentando sua “máscara da maternidade”, como diz Susan Maushart.

“Quem quer a pressão de ser super em tempo integral?” pergunta o Sr. Incrível. Do que se depreende da presente análise, muitas mulheres querem.

Talvez por absoluta falta de opção do que pôr no lugar.

_____________________

Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

Mães de animações e seriados 4: Curiosidades imperdíveis 12/09/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala, Web.
Tags: ,
add a comment

Sites visitados

http://www.anos80.com.br/desenhos/flintstones.html

http://natelinha.uol.com.br/noticias/2010/06/17/151402.php

http://www.tiosam.org/enciclopedia/index.asp?q=The_Incredibles

http://www.uarevaa.com/2010/12/nostalgia-animada.html

_______________________________ 

Para dar conta da casa, Wilma Flintstone tem a ajuda de seus eletrodomésticos com animais. Confira alguns deles:

  • Máquina de lavar roupa: um pássaro que fica sapateando numa tina de pedra cheia de água e sabão.
  • Chuveiro e torneira: um mamute que fica do lado de fora da janela, espirrando água pela tromba.
  • Aspirador de pó: pequeno mamute sobre rodas, que aspira a poeira.
  • Vitrola: disco de pedra que gira sobre o casco de uma tartaruga. A agulha é o bico de um pássaro.
  • Triturador de alimentos: um porco (ou javali?) que fica instalado debaixo da pia.
  • Fogão: um quadrado de pedra, com bocal e tudo. Uma das partes é aberta, por onde um dragãozinho fica soltando fogo.
  • Ventilador: um pássaro que fica girando a cauda.

 

Após o nascimento de Pedrita, os Rubble ficam meio chateados de não poderem ter um filhinho só deles. E resolvem adotar Bam-Bam, um garoto com força sobre-humana que depois se tornaria namorado – e marido – de Pedrita. Agora, um parêntese: você já viu alguma outra série infantil, nos anos 60, tratar do tema da adoção de crianças?

(Fonte: site Anos 80)

Tem muito marmanjo encantado com os dotes físicos das mamães de seriados e animações. Duas delas já “posaram” para a Playboy:

 

Tem gente suspirando pela Mulher Elástica na web, como pode ser visto no trecho abaixo:

Helena possui quadris avantajados e usa roupa colante, o que eleva seu sex appeal. Ao mesmo tempo, Helena representa a companhia perfeita que todo homem gostaria de ter. Um usuário postou no fórum de discussão IMDB: ‘Acho que é por isso que tanta gente acha ela gostosa. Ela é esposa ideal. Inteligente, capaz, divertida, doce, gentil, forte, sexy…’ E flexível…”  (Fonte: site Tio Sam)

Já Dona Nenê, da Grande Família, fez um ensaio sensual vestida de oncinha:

“Indignada com uma reportagem que chama sua família de careta, ela resolve provar o contrário. O episódio foi ao ar no dia 1º de julho de 2010. A ideia surge quando um estúdio de fotografia abre perto de sua casa, e Nenê resolve investir pesado. Ela aparecerá toda vestida de onça e no começo ficará inibida em frente às câmeras, porém acaba se soltando logo depois.”  (Fonte: site Na Telinha)

Pois, com tudo isso, ainda tem quem ache que as personagens mães podem ser “mais” perfeitas do que já são. Olha essa campanha da Dove:

Quem diria, hein, Dove, com toda aquela conversa de “beleza real”… por que a insistência na ditadura do cabelo liso? Nisso O Boticário é menos hipócrita, quando assume ser uma empresa cuja razão de ser é vender cosméticos.

__________________________

Veja também:

Mães de animações e seriados 1: Por que elas são consideradas “boas mães”?

Mães de animações e seriados 2: O que elas têm em comum?

Mães de animações e seriados 3: Por que a gente se identifica e se espelha nelas?

Mães de animações e seriados: Toda a série

De Wilma Flintstone à Mulher Elástica: Formações imaginárias da mãe em animações e seriados – artigo completo apresentado no XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011

O anjo de origami 30/08/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags:
6 comments

Sabe aqueles dias em que parece que a vida tá de pá virada com você? Eu não estava legal de saúde, as coisas andavam meio chatas no trabalho e, pra piorar, sentindo uma cólica dessas de vergar. Nesses momentos a gente não fica muito tolerante. A única coisa que eu queria na verdade era que o dia terminasse bem depressa.

Na hora do almoço, todos se sentaram para comer. Então minha filha, na época com quatro anos, procurou minha mão. Na hora, senti um pouquinho de impaciência: putz, não tô com muito gás pra nada, nem pra essas carências de criança… a impressão é que tudo e todos estavam exigindo muito de mim em um instante em que eu não podia dar nada… mas tirei o restinho de ânimo lá do fundo do âmago e retribuí, segurando sua mãozinha. E pude observar que ela, o tempo todo, não tirou os olhos do prato e continuou comendo normalmente; apenas estava de mãos dadas comigo.

Respirei fundo, fechei os olhos e senti, aos poucos, uma energia especial invadindo meu corpo. Tal qual um pneu de bicicleta vazio que estivesse sendo preenchido de ar por uma bomba, fui revigorando, me plenificando. Senti que aquele contato com aquela mãozinha pequenina, gorduchinha e quente me trazia imenso bem-estar físico e mental. Pouco depois, ela soltou minha mão e continuou o almoço, como se nada tivesse acontecido.

Além do alívio imediato para meu stress, senti um pouco de vergonha de ter achado, no início, que ela estava demandando atenção de mim, desnecessariamente. O fato é que ela não estava me pedindo nada, pelo contrário: ela compartilhou sua energia comigo. Há quem atribua o gesto a uma das características típicas de crianças “índigo”, sobre as quais não sei muito. Elas podem ajudar as outras pessoas sem nem ao menos saber como ou entender direito, apenas fazem, institivamente. Exatamente como ela fez, sem nem se dar conta.

Recentemente, minha filha me brindou com outro presente espontâneo e maravilhoso. Ela estava arrumando seus desenhos em uma pasta, quando encontrou um anjo de origami, que ela fez na escola no ano anterior. Do nada, ela deixou o anjo em cima do meu criado-mudo. Quando vi, perguntei por que ela havia tirado o anjinho da pasta. Disse-lhe que ela deveria guardá-lo, porque, se o deixasse exposto ali, ele poderia amassar ou pegar pó.

Mais tarde, vi que o anjo continuava no criado-mudo, mas agora dentro de uma pastinha azul transparente. Ou seja, ela procurou alguma forma de protegê-lo, mas fez questão de deixá-lo ao lado da minha cama. Fiquei tão intrigada, e ainda bem que consegui decifrar a linguagem sutil que estava por trás daquilo tudo.

Há um ano estava sofrendo com pesadelos desconcertantes. O problema é que eu nunca conseguia me lembrar dos detalhes, apenas que eram muito reais e tensos. Como eu sou muito ligada em sonhos, já tendo inclusive empreendido várias pesquisas sobre o tema, essa indefinição estava me deixando muito angustiada. Pois aquele anjo de papel me fez recordar da importância de me apegar a uma Verdade superior, a uma certeza de amparo permanente, desde que estejamos conectadas a ela.

Tenho me concentrado nesses pensamentos antes de dormir, e meu sono está se tornando mais tranquilo aos poucos. É óbvio ululante que minha filha não sabia de nada disso e nem tinha consciência do que fez. Ela apenas fez. Agradeço imensamente a Deus por ter me confiado uma “anjinha” de carne e osso, ao lado dos meus outros dois anjos e de todas as presenças igualmente angélicas que Ele tem posto no meu caminho.

Veja também:

De mãe para filha

Viajando com crianças. Parte V – A alegria

A Linguagem Secreta da Birra 16/08/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Livros, Marusia fala.
Tags: , , ,
5 comments
Sites visitados:

 _____________

Tenho visto diversos livros e artigos que se dedicam a ensinar os pais a reconhecer, combater e até mesmo a prevenir a birra infantil. O objetivo máximo é evitar que esse comportamento se prolongue, intensifique, repita ou se torne uma constante. Muito do que li, entretanto, foca a birra do ponto de vista dos pais, em busca de algo que aplaque o alto poder irritante que ela tem sobre os adultos. Este post procura revelar a birra pela perspectiva da criança – a linguagem secreta dessa prática. E fala da importância de desenvolver a maturidade emocional: para filhos e também para mães e pais.

Para lidar com a birra, em primeiro lugar, a gente tem que afastar as possibilidades universais que estressam uma criança. São elas, segundo as Motherns:

  • TPS: Tensão Pré-Soninho;
  • TPA: Tensão Pré-Almoço;
  • TPD: Tensão Pré-Dentinho.

(CORRÊA, Laura Guimarães & OLIVEIRA, Juliana Sampaio. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005)

 As Motherns também mencionam a “Verdade”: a de que todas as crianças choram. Em algumas vezes, só por vontade de dar uma chorada básica, mesmo. Sem razão. E sem neura, é bom extravasar, normal até para os adultos.

Vamos lembrar ainda que a criança tem o “prazo de validade de alegria”. Não insista em compras quilométricas em supermercados, visitas intermináveis ou outro programa típico de adulto quando sentir que esse prazo está findando.

Outra possibilidade é a criança ficar doentinha e, por isso, mais sensível e manhosa.

Esses casos tem origem certa e geralmente se resolvem com a supressão das tensões. Vamos então aos casos mais complicados.

Muitas vezes, nossos filhos estão assim:

Claudia Bebê n523B

Pais & Filhos 394

 

Guia da Mamãe 3

 
 

Crescer 98

 
 

Meu Nenê n85

Mas, muitas vezes, eles também estarão assim:

Família Bico. Montagem de Marusia com foto de Duchessa / Stock Xchng

Guia da Manha. Montagem de Marusia com foto de GerryT / Flickr

Meu Auê. Montagem de Marusia

Pitis & Pirraças. Montagem de Marusia com foto de Capture Queen / Flickr

Em um post só não iria caber tudo, então fiz uma série (cada item é um link)

  1. ACESSO DE RAIVA – Sobre esse eu já tinha escrito: Seu filho como você sempre sonhou
  2. TEIMOSIA
  3. FASTIO
  4. NECESSIDADE DE PALCO
  5. ATENÇÃO NEGATIVA
  6. O que é importante saber

P.S.: Essa sequência de posts foi escrita para todo mundo que se identifica, mas tendo em mente um destinatário em particular: eu mesma. (VIU, MARUSIA???)

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia 16/08/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: , ,
1 comment so far

Há quem atribua a chegada aos 2, 3 anos, como a “adolescência” do bebê. Então aquele neném fofinho de repente começa a questionar os pais por tudo: é fase do “Por quê?” e do “Não.”

 

Quando uma criança diz NÃO, principalmente em resposta a alguma instrução (“Guarde seus brinquedos”, “calce o sapato” etc), ela está imitando os adultos. Ela não tem a noção completa de que os pais dizem NÃO para impor limites. Para ela, é simplesmente o impedimento de algo que ela gostaria de fazer, e é essa recíproca que ela quer infligir aos pais.

Quando a gente explica com carinho, eles aprendem (e imitam) direitinho (aaaaawn, que foooooofa!!!):

 

O QUE FAZER?

Consiga a cooperação, ou seja, trabalhe junto. Se a criança diz NÃO como um treinamento para ser adulto, dê a ela o “gostinho” de tomar decisões pequenas, enquanto você toma as decisões importantes (que incluem as situações de risco).

Há quem leve muito a sério essa coisa de interpretar a linguagem das crianças. Quer testar?

 

Quando começa a crescer, a motivação para a teimosia ganha outras nuances. Nessa hora, é interessante lembrar o que nos fazia teimar com nossos pais. Trata-se de um jogo sutil onde o PRAZER que a criança sente ao fazer algo indevido é MAIOR que o MEDO da repreensão.

O QUE FAZER?

Não fique dizendo NÃO para tudo, até para não “gastar”, sob o risco de não ser levado a sério quando o caso for mais grave.

Pirraça e crise de riso dão uma raiva danada, a gente se sente com cara de palhaço. Mas se não for nada que machuque (em todos os sentidos), é só coisa de criança e não precisa virar um cavalo de batalha.

Nem os adultos, no meio de um trabalho sério, na frente do chefe e de toda a equipe, sendo acompanhados ao vivo por milhares de pessoas, conseguem se segurar! o que dizer das crianças??

 

A partir dos 8 anos e na adolescência propriamente dita, vem o desejo de autoafirmação. O jovem quer se diferenciar dos pais, quer ter vontade própria. Isso significa que QUALQUER coisa que os pais digam ou proponham será negada. Nem adianta perder tempo mostrando que não faz sentido. Faz parte.

O QUE FAZER?

Lógico que, no momento da birra, a primeira coisa que nos vem à cabeça como pais é que nossa autoridade está sendo posta em xeque, e a tendência é reagir com autoritarismo. O problema é que não funciona…

Não fique discursando. No meio de uma crise, ninguém quer ouvir nada. E, com o passar do tempo, vai se criando um mecanismo de não prestar atenção em coisa alguma. É igual ao desenho do Snoopy. Já viu como é a voz dos adultos? Plá, plá, plá… plá, plá, plá…

 

Ou como essa linguagem engraçadíssima:

 

Não seja irônico, sarcástico. Crianças aprendem com exemplos, e numa hora vão querer fazer igualzinho. E pode acreditar: dá muita raiva.

Não dissimule, não finja que está tudo bem. Não precisa perder a estribeira, mas mantenha a firmeza. Você fica ali, artificialmente calma, cheia de dengo e nhém-nhém-nhém e a criança só obedece na hora que você berra. E aí ela volta ao normal, como se nada tivesse acontecido.

Não é que ela seja “movida a grito”, ou só faça quando você perde a paciência pra valer; na verdade, é um alívio. Primeiro, porque a criança PEDE limites (por incrível que pareça). Segundo porque, no entender dela, você não estava sendo autêntica. Ela pensa: “Puxa, minha mãe foi abduzida por um ET, mas graças a Deus, voltou. ESSA SIM é minha mãe!”

Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Frases de Mãe

Frases de Mãe – Marusia fala

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de palco 16/08/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , , ,
add a comment

Site visitado: “A quem ofereço o melhor de mim?”

____________

Para criar consciência de si, a criança precisa de plateia. Para se enxergar e enxergar o mundo, ela precisa antes do olhar dos pais. Em várias situações, a única coisa que ela quer é ser vista e ouvida e sentir que foi compreendida.

É tão engraçado, os pais querem que as crianças aprendam a falar, a bater palminhas e fazer outras gracinhas, mas depois não têm tanta paciência quando elas tomam “a pílula do Dr. Caramujo”, disparam a tagarelar e a fazer cena. Agem como se o filho tivesse um botão liga/desliga – “agora você é engraçadinho” / “agora não tenho tempo”.

Se a criança não consegue atenção, vai apelar. Aí, sim, você vai ver “O show”.

 O QUE FAZER?

No cotidiano, dê uma de Avatar e expresse: “Eu VEJO você”. Isso opera milagres, você nem imagina.

Filme "Avatar", de James Cameron. Twetieth Century Fox

Na hora da birra, faça o oposto. Diga à criança que você a compreende e respeita, mas que esse não é o modo de fazer as coisas acontecerem. Que só vai conversar quando ela estiver tranquila. E aí é sangue frio para dar um “gelinho”. Se ela estiver acostumada a ter palco sempre, se os pais a veem com frequência, ela vai sentir o peso do gelo e aos poucos vai percebendo que não vale a pena dar chilique. Mas, se ela nunca tem plateia e só consegue chamar a atenção quando começa o berreiro, não se iluda: o “show da birra” vai acontecer um bocado.

Tem coisas que o filho só apronta com pais. São bonzinhos e educadinhos com todo mundo e aprontam SÓ com os pais. De preferência na frente dos outros, pra te matar de vergonha. A criança, nesse caso, está passando dois recados:

  • Tenho segurança em vocês, que são os únicos a conhecer meu “lado B”;
  • Tudo o que é proibido é mais gostoso, e vocês vão pensar duas vezes antes de me chamar a atenção em público.

O QUE FAZER?

A regra é a mesma dentro e fora de casa, em família e em público.

Se você for imediatista para acabar logo com o barulho, é grande a tentação de ceder aos caprichos. O que estará sendo passado por você é: “o escândalo é via legítima para se conseguir qualquer coisa.”

Pense a longo prazo e só negocie se a criança estiver calma. Em suma: algo razoável, que você até cederia, simplesmente está fora de cogitação se houver birra. É o velho e bom “apelou, perdeu” (Isso vale para os pais, também).

Veja também:

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Decálogo dos meus desafios

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio 16/08/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , ,
add a comment

Site visitado: Meu filho, você não merece nada

________________

Chiliques são imprevisíveis. Podem acontecer a qualquer momento, e pelos motivos mais bobos (pelo menos pra gente). Mas existe um motivo difícil de perceber: o fastio. Ou seja, o tédio, quando tudo perde a graça.

Você já se sentiu como uma animadora de circo? Que tem que ficar inventando novas atrações o tempo inteiro? Que o seu filho está sempre demandando? Isso é resultado de uma geração superestimulada, que não consegue lidar com os “vazios”, que não consegue ficar sozinha.

Muito cuidado, porque a abundância de estímulos gera futuras compulsões. Em busca permanente de algo que preencha esses vazios, vêm as tentações “fáceis”: gula, consumismo, hipocondria, sexo, bebida e o pior: drogas.

Se um dia, como eu, você perguntar a seu filho: “Você tem tudo, o que falta para você????”- a resposta está implícita: “A falta da falta”. É o que preconiza a psicanálise de Lacan.

O QUE FAZER?

Dê espaço a ele. Mostre que ficar sozinho também é importante, pra gente “processar”, “digerir” os fatos da vida.

Incentive-o a criar, do nada, coisas interessantes. Não o deixe dependente de você, dos outros, do mundo.

Ensine-o a lidar com as frustrações. Demonstre apoio, mas deixe-o experimentar a falta, a tristeza, o luto.

___________

Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e Apareça

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa 16/08/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , , ,
2 comments

Uma criança calma, carinhosa e cooperativa de repente se torna rebelde e agressiva. Qualquer momento que os pais se aproximam, ela cria uma confusão. Parece uma estratégia burra, não é? Ela quer atenção, mas o que consegue é irritar e afastar os pais cada vez mais.

Trata-se da atenção negativa. Apesar de aparentemente ser um comportamento ilógico, isso não acontece de graça. Quando acontece alguma mudança profunda na relação familiar, que reduz a atenção que ela vinha recebendo até então, ela reage. Que mudança pode ser essa? Os pais que aos poucos retomam seu ritmo de vida, a entrada na escola e a chegada de um irmãozinho são bons exemplos.

Mamãe está tricotando isto para meu futuro irmãozinho. Meu querido irmãozinho. Meu adorado irma... (Criação: Quino)

Ao contrário do que se pensa, a criança procura sempre agradar os pais (até por instinto de sobrevivência). Então, se ela percebe que o tempo dedicado a ela está diminuindo, ela vai criar uma RAZÃO CONCRETA que justifique isso. Inconscientemente, ela diz: “Mamãe, eu vou fazer uma birra e te dar um motivo real para não ficar comigo.”

O QUE FAZER?

Não é que a criança mudou e ficou irreconhecível. Ela sempre teve essas “armas” em sua personalidade, só não precisou usá-las até então. Assim, é importante observar o fenômeno como uma REAÇÃO a algo, externo a ela e ANTERIOR a seu comportamento.

Reproduzo aqui o que disse meu pediatra:

Quando a família atravessa um momento novo, NÃO É HORA DE DISCIPLINAR. Intensifique o carinho, o toque, e em frases curtas repita os ensinamentos quantas vezes forem necessárias.

Dá um trabalhão monstro. Mas funciona.

São gestos que passam confiança e retribuem com outra linguagem secreta: “Muita coisa mudou, mas meu amor por você, não. E, mesmo que você esteja aprontando um monte, eu continuo te amando muito.”

Veja também:

 A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

A Linguagem Secreta da Birra – O que é importante saber 16/08/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: , ,
1 comment so far

Cada criança é única, cada caso é um caso, cada momento também, e não existe dica universal e eterna. Mas uma coisa é fato: não vá VOCÊ fazer birra também…

(Engraçado pra caramba, mas, como muita coisa na vida, só funciona na propaganda…)

 

Não se preocupe: toda criança faz birra, é inclusive um componente importante que indica que ela está crescendo.

Não prossiga com discursos intermináveis após a crise passar. Faça o fechamento com uma frase “moral da história” e pronto. Acabou, acabou. Também não vale jogar na cara depois.

Não precisa ficar se mortificando ou se questionando, a cada birra, se a educação que você está dando é falha, #mimimi. É coisa de criança, é normal, todo mundo enfrenta isso.

Respeito sempre. Dos filhos com os pais, dos pais com os filhos, e também auto-respeito.

Mostre a seus filhos que você faz questão deles, que eles são importantes para você.

Ao começar a entender a linguagem secreta por trás da birra, você aguça sua sensibilidade para outras linguagens secretas. Surpreenda-se com declarações de amor sutis e incríveis.

Para crescer um adulto responsável, a criança deve aprender desde cedo que, a cada ato, sobrevém uma consequência.

Encare o processo todo de outro jeito: não como se estivesse “moldando” uma criaturinha para que se adapte ao “mundo civilizado”. Eduque para que ela saiba lidar com seus desafios internos, tenha maturidade para se moldar e discernimento para moldar o exterior quando necessário.

O MUNDO PRECISA DE CRIATIVIDADE.

Fico de cara nas teimosias mais bizarras, que nunca fui capaz de fazer quando criança: mas não é o que o moleque é valente?… Longe de mim querer filhos que “só sabem dizer sim”. No fim das contas, o que mais me irrita também é o que mais espero e admiro.

Veja também:

A Linguagem Secreta da Birra – Teimosia

A Linguagem Secreta da Birra – Fastio

A Linguagem Secreta da Birra – Necessidade de Palco

A Linguagem Secreta da Birra – Atenção Negativa

A Linguagem Secreta da Birra – Toda a série

Seu filho como você sempre sonhou

Decálogo dos meus desafios

Liberdade 05/08/2011

Posted by Marusia in Livros.
Tags:
2 comments

Gostei muito deste texto:

Muitas pessoas preferem a dependência à liberdade, mas conscientemente elas negarão veementemente isso. [...] Quando as pessoas são dependentes, elas são como pássaros numa agradável e limpa gaiola de ouro, onde seu suporte mútuo, embora reconfortante, na verdade os mantém presos. [...] Elas cantam uma canção em particular e os versos são “culpa, queixa e comparação”. [...] Nunca se esquecem dessas palavras, sempre encontrando algo, alguém ou alguma circunstância sobre a qual cantar. Nunca olhando para si mesmas, elas não percebem o seu próprio potencial para ir além dos limites auto-impostos, para se libertarem. Não percebem que são elas mesmas que dão poder às situações negativas e que tornam as outras pessoas e as outras situações os seus senhores.

Elas voam em círculos em sua gaiola circular de limitações, algumas vezes sentindo a frustração destes limites e reclamando sobre eles, mas raramente percebendo que criaram suas próprias gaiolas. Afinal de contas, uma gaiola pode ser conveniente e confortável e, acima de tudo, ela é familiar.

Quanto menos as pessoas olham para si mesmas, mais elas olham externamente, projetando as responsabilidades sobre os outros. Cada projeção cria outra barra na gaiola. A chave dessa gaiola está sempre ao alcance, pois está lá dentro.”

STRANO, Anthony. “O Ponto Alpha – um relance de Deus”. São Paulo: Organização Brahma Kumaris, 1999. Pp58-60

Veja também:

Perigo de ser Mãe Perfeita 5 – Vá pela sombra

Tome uma atitude MATERNAL

Muito feliz!!! 01/08/2011

Posted by Marusia in Frases.
2 comments

 “Não quero ter razão, quero é ser feliz”.

(Ferreira Gullar)

Foto: Anne Guedes

Falando de sexualidade 09/07/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: , , , ,
10 comments

Site visitado:

Aprendiz de Mãe – As crianças e a transmissão da cultura

_________

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Cresci com 4 irmãos. Acostumadíssimos a tomar banho juntos – uma farra! Meus pais nunca trancaram a porta do banheiro, então era supernatural vê-los sem roupa. Sempre com muito respeito, claro. A conversa sempre fluiu tranquila, muito livro pra ler. Mas, ao mesmo tempo, muita inocência. Lembro de um de nós, com um tom risonho, segredando para os outros: “papai e mamãe transaram cinco vezes kkkkkkkkk!”

A vergonhinha veio na adolescência, a timidez para comprar modess (modess!!! vixi, tô ficando velha rsrs), sutiã e afins. Mas tudo sempre com muita naturalidade e cumplicidade.

Não tinha como ser diferente aqui em casa. A meninada toma banho com a gente, sempre há abertura para tirar qualquer dúvida.

Quando minha filha nasceu, o mais velho ficou intrigado com uma anatomia tão “explícita” (diferente da minha rsrsrs):

- Mãe! Olha! Ela não tem pinto! E o bumbum vem até a frente!!!!

***

Essa história de bumbum ainda rendeu. Quando minha cunhada ficou grávida, meu filho perguntou:

- O médico vai cortar sua barriga pra tirar o neném?

- Vou torcer para que não, querido.

- Ué, mas aí ele vai sair como?

-(já ficando vermelha) Ora, do jeito natural.

- Como?

- Por baixo.

- Onde?

- Por baixo…

Ele parou, pensou e perguntou curioso e empolgadíssimo:

- Mas aí o seu bumbum vai ter que abrir muito!!!!

- (rindo muito) Pois é, vai ter que ser!

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

***

Mais tarde, ele viu uma propaganda da campanha de prevenção à Aids: Não deixe a Aids te pegar, use camisinha. Seguiu-se o diálogo:

- Mãe, o que é Aids?

- É uma doença. As pessoas ficam com problemas nas células de defesa e podem pegar outras doenças.

- Quando a gente usa a camisinha, não pega?

- Não pega.

- Só de usar uma camisa?

- Bom, na verdade, não é bem uma roupa.

- Não? É como, então?

- É uma coisa que o homem coloca no pinto.

- Por quê, a Aids pega pelo pinto???

Observe-se que, até então, ele tinha somente a noção de que papai põe uma sementinha na mamãe e estava satisfeito. Até já sabia que o bebê saía da barriga da mãe “por baixo”. Mas, agora, a explicação tinha que se enveredar por mais detalhes. Fiquei com vergonhinha, botei desculpa na presença da irmã menor no recinto e apelei para o maridão.

Achei supercomédia quando cheguei à noite e vi, sobre a mesa do escritório, o livro da Larousse sobre corpo humano, cheio de páginas marcadas. Ele não me deixou acompanhar a conversa: “Ah, não, você jogou a pepinosa na minha mão, agora somos só eu e ele.”

Fiquei pra morrer de curiosidade, mas respeitei. Ao final, meu marido contou:

- Fui respondendo à medida que ele perguntava, nem mais nem menos. Ele me olhou e falou: “Só isso? Intão tá.” E foi brincar.

Dirimidas as dúvidas, diferenciados “bumbum” do órgão sexual feminino e tudo mais, fiquei contente: o mecanismo está todo explicadinho e bem aceito; a inocência continua.

Dá, sim, para mostrar para nossos filhos como a sexualidade é natural – e linda.

Ilustração de Alice Charbin para Mini Larousse do Corpo Humano

Sugestões de livros:

Livro "Sexo não é bicho papão", de Marcos Ribeiro. Editora Zit.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Coleção Tris-Trás - Livro "De Onde Eu Venho?", de Sergi Càmara. Editora Escala

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Livro "Planeta Eu: Conversando sobre sexo", de Liliana e Michele Iacocca. Editora Ática

As coisas não acontecem como a gente quer 03/07/2011

Posted by Marusia in Livros, Marusia fala.
Tags: , , ,
4 comments

Sites visitados:

Ser mãe é descobrir a arte de morder a língua

Coisas que o manual da mamãe não diz

__________

 As coisas

as coisas não acontecem

como a gente quer

 

nem mesmo como a gente

não quer

 

as coisas nunca pedem

a nossa opinião

(DÍDIMO, Horácio. Amor, palavra que muda de cor. São Paulo: Ed. Paulinas, 1984)

__________

Os filhos nascem, os filhos crescem, nem sempre “as coisas” acontecem da maneira como planejamos, ou imaginávamos. Ninguém conta, realmente, com o fato de um dia se deparar com uma birra, uma nota baixa, uma doença ou mesmo uma síndrome grave. Um dia chato, um cansaço, uma tristeza nunca fazem parte do que a gente pensa sobre os filhos antes de tê-los.

A blindagem da gravidez

O advento da gravidez é um fenômeno intrigante. No momento em que recebemos o resultado, algo diferente começa a se processar em nossa mente. É como se nos revestíssemos de uma poderosa armadura, que nos tornasse imunes a qualquer coisa.

Por quê? Porque estamos sob a égide do sonho. Porque nos achamos diferentes. Porque achamos que, por sermos diferentes, nossos filhos serão diferentes. Porque achamos que, se FIZERMOS diferente, nossos filhos também farão diferente.

O choque da realidade

Aí o bebê nasce. E tudo que a gente concebia começa a cair por terra, nos primeiros choros, nas primeiras noites em claro, nas primeiras desobediências e tudo mais que se segue naturalmente na infância.

Então, nasce o filho, mas também a mãe, o pai, a família. São todos recém-nascidos. O que nem sempre nos damos conta é que, paulatinamente, morrem as fantasias: o bebê perfeito, a mãe perfeita, a família perfeita, a vida perfeita.

E “as coisas” se sucedem, independentemente  do que a gente faça e de quem a gente seja. Coisas que não estão nos manuais. Que nos forçam a morder a língua. Achávamos que, conosco, seria diferente… E é mesmo… diferente do que a gente pensava kkkkkkkkk!

Nossa primeira reação pode ser de silêncio. Em seguida, a busca: o que está errado? Quando começamos a descobrir que outras pessoas passam ou passaram pela mesma experiência, sobrevém o sentimento de alívio. E, depois, a vontade de expressar.

O alerta no megafone

Surge um afã inesgotável de dizer pra todo mundo o que sentimos, de compartilhar, de alcançar plateias, para que ninguém precise “padecer no paraíso”. Mas tudo é um misto de muito altruísmo com muita ingenuidade.

E por quê?

Porque estamos sob a égide do sonho. Pensamos que nossas experiências podem fazer a diferença. Mas, do mesmo modo que não temos controle sobre o impacto que nossa experiência pode ter para nossos filhos, descobrimos que não temos a menor influência sobre as grávidas e neomamães. Elas, afinal, estão blindadas, filtrando as informações para continuarem sob a égide dos sonhos… Quem sou eu para dizer nada?…

 O que realmente faz diferença

Chegando nesse ponto do caminho, entre a desilusão e as altas doses de “vida real”, talvez a gente se sinta um pouco hesitante de dar o próximo passo. O segredo é não ficar passivo, nem “maria vai com as outras”. Ora, o tempo todo eu quero que “as coisas” ouçam, sim, a minha opinião. Acho legítimo querer ser a protagonista – melhor ainda, a roteirista da minha história.

Mas nunca devemos esquecer a lição – a mais rica de todas – que o “choque de realidade” nos proporciona: a humildade. A humildade de aceitar que não sou a dona da verdade. O que, cá pra nós, também é um alívio.

Veja também:

Biblioteca da Mãe desencucada

Conselhos que amei

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Cheiro de infância 26/06/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: ,
6 comments

Sempre fui muito ligada em cheiro. Olfato muito apurado, era a primeira a sentir cheiro de tudo: algo queimando, gás, até chuva chegando. O que mais me fascina é a capacidade que um perfume tem de transportar a gente pelo tempo. Chuva chegando, por exemplo, me conecta imediatamente à minha infância: ozônio, terra molhada…

Outros cheiros que me fazem voltar a ser criança:

  1. Vick Vaporub. Ai que delícia a massagem no peito quando a gente ficava gripado…
  2. Plástico. Lembro minha mãe encapando dezenas de cadernos e livros, também tão novos e cheirosos, impregnados da expectativa do início do ano letivo…
  3. Gasolina. Quando meu pai parava no posto, ficava tão admirada: quando eu for adulta, também tenho que ficar atenta a tantas tarefas, como abastecer o carro.
  4. Sargaço. Cheiro de mar, de alga, cheiro salgado de praia. Indizível, único, ímpar. Lembro a casa de praia do meu tio no Jauá, perto de Salvador.
  5. Bolo no forno. Aniversário. Era o bolo de cenoura, beijos de coco enrolados em papel cheio de franja, tudo feito em casa, e mais caju cristalizado e guaraná. Ainda não estávamos na “Era dos Serviços”. Tudo muito simples, mas muito feliz!
  6. Frango assado da Só Frango. Comprado no domingo. Nunca vi quem conseguisse reproduzir o aroma e o tempero desses frangos feitos naquelas máquinas “televisão de cachorro.” Depois do almoço, meu pai dizia: “Todo mundo lavar a mão – e a torneira também!!!”
  7. Bronzeador Cenoura e Bronze. Antes do advento do filtro solar. Também me lembro do cheiro da esteira de palha nova. E de fazer um “travesseiro” de areia para tomar sol.
  8. Esmalte. Minha mãe sempre pintou as próprias unhas, que costumo dizer que são as mais bonitas que já vi. O cheiro típico do óleo de banana do esmalte branco que ela usava me faz voltar no tempo, quando eu a assistia nesse ritual.
  9. Terno do meu pai. Esse é muito sutil. Passei a reconhecer depois que eu comecei a trabalhar. Quando meu pai chegava em casa, tinha o cheiro do ar condicionado do banco onde ele trabalhava. Cheiro de escritório, de gente grande importante e responsável, de quem eu me orgulhava tanto.
  10. Álcool das folhas mimeografadas. Antes que o xerox se popularizasse, antes de ter computador e impressora. Lembro da escola, das provas que às vezes chegavam úmidas, e eu sempre cheirava antes de começar.

 Aqui em casa a meninada também curte cheiro de gasolina. Alguns, não vamos poder compartilhar, como a folha mimeografada. E outros eles acrescentaram à lista: cheiro de condicionador de cabelo, cheiro de creme Nivea nos lábios (é ótimo, melhor que manteiga de cacau nesses tempos de seca), cheiro de carro novo.

Agradáveis conexões: eu e eles, eu e minha criança interior.

 

Veja também:

Lembranças de infância

Frases de Mãe – Marusia fala 19/06/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Frases, Marusia fala.
Tags: , , , ,
4 comments

Fiz minha lista particular de frases, nos meus melhores momentos “João Batista pregando no deserto para os gafanhotos.” Cri cri cri cri…

"Mas o teto está limpo!" The Family Circus, por Bil Keane

 FRASES QUE JÁ DISSE ALGUMAS VEZES

  • Não é para colocar giz de cera e figurinha dentro do aparelho de DVD.
  • As bolinhas de homeopatia NÃO são comidinha de boneca.
  • As laranjas NÃO são bolinhas de tênis.
  • Não é para beber a água da piscina.
  • Só pode riscar papel. Parede e sofá, não. É, eu sei, esse é papel, mas é o dever de casa de seu irmão e também não pode riscar, não.
  • Não, a violeta genciana NÃO é tinta roxa. E também não é para pintar a pia com ela.
  • Não, não pode tocar xilofone agora. São 5h50 da manhã… de domingo.
  • Não é para comer só o recheio e devolver os biscoitos para o saco.
  • Eu sei que o gosto do remédio é ruim, mas aí você tapa o nariz.
  • Para de esfregar o pão na cadeira!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 MILHÃO DE VEZES

  • Não cospe a pasta de dente em cima da torneira, cospe na pia!
  • Isso não é brinquedo!
  • Não bata no seu irmão!
  • Não pode assistir à televisão deitado!
  • Não enche demais a boca, tem que mastigar direito a comida!
  • Fecha a tampa do vaso sanitário!

 FRASES QUE JÁ DISSE 1 BILHÃO DE VEZES

  • Não pode fazer isso!
  • Vamos logo, já estamos atrasados!
  • Já falei isso 1 BILHÃO de vezes!

 FRASES QUE QUERO DIZER MAIS DE 1 BILHÃO DE VEZES

(Que ninguém é de ferro):

  • Ai, que abraço gostoso!
  • Parabéns, você é muito sabido!
  • Mamãe já disse que ama você?

    " Este é meu lugar favorito - dentro do seu abraço!" The Family Circus, por Bil Keane

Veja também:

São só os meus, ou os filhos de vocês também…

Seu filho como você sempre sonhou

Frases de mãe

Frases de Mãe 19/06/2011

Posted by Marusia in Análise, Divirta-se!, Estatísticas, Frases, Web.
Tags: , , , , , , ,
1 comment so far

Qual é a visão que nossos filhos têm de nós como mães? O que você ouvia da sua mãe que não concordava e hoje fala igualzinho? O que nos espera quando nossos filhos virarem adolescentes? Essas e outras questões estão abordadas neste post, que traz a análise do perfil @frasesdemae no Twitter.

O método consistiu em coletar todas as frases até que se completassem 15 páginas. Em seguida, foram agrupadas em 12 categorias: Saúde, Educação, Organização, Disciplina/Boas Maneiras, Conselhos, Segurança, No meu tempo, Dinheiro/Economia, Diversão, Computador, Amizades/Namoro e Família.

A julgar pelas frases, as mães, na visão dos filhos, não assumem o modelo de perfeição em voga: nem tão onipotentes, nem tão doces, nem tão incondicionais assim. Estão, sim, preocupadas com a segurança, estressadas com a bagunça e com o pouco caso e querem mais a participação dos pais.

As frases são sempre reclamando, repreendendo, ameaçando. Claro que um perfil de humor no Twitter não iria se dedicar a frases idílicas como “Filho, eu te amo”, “Você é tudo pra Mamãe”.

@frasesdemae conta com nada menos que 112.724 seguidores (isso até a data de 19 de junho de 2011). São centenas de replicações (retweets). Tamanha popularidade vem da identificação que ele proporciona: “com certeza, já ouvi minha mãe dizer isso!”.

Plano de fundo do perfil @frasesdemae, criado por @_bfonseca

Os comentários entre parênteses – “(Todo ano ela diz a mesma coisa)”, “(Vc fica a tarde toda e quando ela chega, vc sai)”  passam bem a postura de pirraça, chacota e desdém.

Várias frases estão repetidas, algumas em conteúdo, outras ipsis literis. No início, pensei que fosse falha do Twitter. Depois, vi que realmente algumas estão duplicadas. No entanto, isso reflete EXATAMENTE o que se passa: as mães têm que repetir trocentas vezes as mesmíssimas coisas! IMPRESSIONANTE!

Haja paciência. Depois de muito repensar os dados dessa análise, cheguei à conclusão de que não são as mães as estressadas da história: os filhos é que nos tiram do sério! (Bom, quem disse que seria fácil rsrsrs? E vá tentar empreender tal tarefa em plena TPM!)

Educar é a arte de insistir, né não?

Saúde

  • Arruma essa coluna, olha só como você está sentando. Depois, quando ficar mais velho, tá corcunda.
  • Vai colocar o chinelo, depois fica doente, e eu tenho que ficar me incomodando com médico.
  • Não fica muito perto desse monitor, depois não reclama que tá com dor de cabeça.
  • Tá vendo, eu sabia que você ia machucar, vem cá pra mãe ver!
  • Como que você pode dizer se é ruim se você nunca experimentou? Besteiras vocês provam, agora comida de verdade não.
  • Para de roer essas unhas! Vc não sabe quanta sujeira tem nelas?
  • Não fica de ponta-cabeça que o sangue vai todo para a cabeça, e você morre.
  • Ai que perigo, Jesus, imagina se pega no olho.

 Educação

  • Não importa se todo mundo tirou nota baixa, eu não sou mãe de todo mundo.
  • Orkut vai cair na prova? Sai desse “Yorkut” já.
  • Mãe, nem acredita, tirei 8 na prova de matemática. O-I-T-O? Não faz mais que a sua obrigação.
  • Estudo é a única coisa que pode te dar um emprego bom. Eu e teu pai não tivemos oportunidades de estudar.
  • Você não faz nada além de estudar. Tem que tirar 10 em TUDO.
  • Se eu ouvir uma reclamação sua da escola, já sabe o que acontecer com o computador, né? Nem preciso dizer nada.
  • Presta atenção na aula, pergunta 10 vezes para o professor. Estou pagando escola para isso.
  • Se você for bem na prova, eu deixo você ir.
  • Só quero ver no final de ano suas notas, SÓ QUERO VER. Eu vou cancelar essa internet. (Tudo que acontece a culpa é da internet)
  • É assim que você quer passar no vestibular? Na frente dessa porcaria de computador?

 Organização

  • Tira essa roupa do chão, tira essa toalha molhada de cima dessa cama, pelo amor de Deus, tudo eu tenho que dizer.
  • Quero essa zona arrumada quando eu voltar, esse teu quarto é uma bagunça. E não tem “já vou”, é AGORA.
  • Você já é uma moça, já tá na hora de me ajudar dentro de casa!
  • Eu acabei de limpar a casa, se fosse para me ajudar ninguém vinha. Só vem pedir coisas quando quer sair, quando quer dinheiro.
  • Se chover fecha a janela, tira a roupa da rua, tá me ouvindo? Depois quando eu chegar em casa, não quero ouvir: “esqueci”.
  • Pronto, morreu? Caiu a mão por fazer isso?
  • Lavar uma louça tu não quer né? Já tá na hora de ajudar, só computador, UI.
  • Quando se quer achar uma coisa não dá, porque isso é uma ZONA. (Se referindo ao meu quarto.)
  • Vem cá me ajudar. –Ah, não, mãe. – Anão é um homem bem pequenininho.
  • Tá descalço? Continua só de meia no chão que pra você ver o que é bom! Não é você que lava, né?

 Disciplina / boas maneiras

  • Quem foi que quebrou isso aqui? – Não sei, mãe, tava quebrado. – Pode dizer, eu não vou bater. – Fui eu, mãe. – Plast Plast.
  • @anap_mn – Juízo hein?! Não vai me passar vergonha na frente dos outros
  • @vitorhugo_l – Eu vou contar até três: 1, 2, *atira o chinelo*, 3
  • @Eujacansei – Eu já falei! Parece que eu falo todos os idiomas, menos o seu, né.
  • Não aponta, que coisa mais feia. Eu já te ensinei.
  • O quê? Não me responde de novo, e não adianta resmungar que Deus tá ouvindo, hein?
  • Para de mentir, quando for verdade eu não vou acreditar, e ninguém vai te ajudar, achando que é mentira.
  • Se brigar na escola ou na rua, se prepara porque vai apanhar quando chegar em casa também.
  • Tá aprendendo só coisa ruim na rua, né, coisa BOA não aprende.
  • Vai ficar sem playstation e sem computador para aprender, e se reclamar vai ficar mais tempo sem.
  • Abaixa esse som que não tem ninguém surdo aqui, não. Isso aí é música?
  • Sai daí de cima, se cair e vir chorar vai apanhar, daí vai chorar por um motivo. #MEDO
  • Olha, me respeita, tá me ouvindo? Tá pensando que está falando com quem? Com seus amiguinhos da escola? Folgado(a).

Conselhos

  • Esqueceu como? Só não esquece a cabeça porque está grudada.
  • @alicemorango – Só vai me dar valor quando eu morrer.
  • Quero ver quando tiver que trabalhar e cuidar de filhos, vai ver o que eu passava. É não é fácil,não.
  • @FraseAdolecente    Minha mãe não briga , Dá PALESTRA. Se tiver a fim de assistir: Ingresso: 10 reais. Duração: No mínimo 2 horas. Volte sempre
  • Se eu ganhasse 1 real a cada vez que você me chama, eu estaria milionária.
  • Vem cá me ajudar um pouquinho. – Ai, mãe, depois. – Ah é? Quando você me pedir algo eu vou dizer isso também, “só depois”.
  • Você não tem casa, não? Só vive na rua!
  • Primeiro a obrigação, depois a diversão!
  • Não fala assim da comida, QUE PECADO. Tanta gente não tem nada para comer. Ai ai…
  • Quando você for dono do seu nariz, você faz o que quiser.
  • Quando as coisas são pra mim você demora 5 horas pra fazer. Mas se for pra você, você faz na hora! #Dramatica.
  • Mamis já volta, tá? Não se matem, monstrinhos.
  • Vai deixar tudo para o último dia? Tô até vendo já, chegar um dia antes de entregar, vai começar a se preocupar em fazer.
  • Não me interessa o que os outros fizeram ou deixaram de fazer, só me interessa você, que é meu filho.

Segurança

  • Eu confio em ti, eu não confio é nos outros.
  • @l_eeoH – eu não preciso falar pra você né? Não é pra usar nenhuma droga, se te oferecerem coisas estranhas, não pega. Está me ouvindo?
  • Se alguém te seguir, corre, grita, entra em alguma loja, liga para a polícia, ESCUTOU?
  • Cuidado lá na balada, tá? Fica de olho no seu copo, porque alguém vai lá e coloca droga dentro e te levam embora.
  • Pode até ir, mas quando chegar lá, me liga. Tá ouvindo, né? Senão, vou ficar a noite toda preocupada.
  • No mundo de hoje, está tudo mundo perigoso. Leva o celular e, quando eu te ligar, ATENDE.
  • Não passa nada pela internet, nem sua foto, nem onde mora. Tá me ouvindo? Não é exagero, tá cheio de tarados nessa internet!

No meu tempo

  • Pode sair desse computador, na minha época não tinha nada disso aí, e eu não morri.
  • Acha que eu já não tive sua idade? Sei bem como é.
  • Quando eu tinha sua idade, eu trabalhava e AINDA estudava e ajudava minha mãe em casa.
  • Na minha época a gente namorava na frente dos pais, sentadinhos na sala de mão dada, beijo era depois de meses. #CLARO

Dinheiro / Economia

  • @dabimarca  – QUASE UMA HORA NESSE BANHO, NÃO É VOCÊ QUE PAGA, NÉ?
  • Você acha que eu c*** dinheiro? Vê se tá escrito BANCO na minha testa!
  • O mamão ficou quase o mês inteiro na geladeira e NINGUÉM veio cortar, agora só porque EU descasquei vocês vieram comer.
  • Acha que já se manda? Eu que mando em ti, mocinho(a), eu pago sua internet, sua roupa, sua balada, sua COMIDA ( Joga na cara)
  • Mãe, eu te amo! – Não tenho dinheiro, nem vem.
  • Mãe, quebrou. – Não acredito, já quebrou? Aqui em casa não dura nada, você não toma cuidado, não dá VALOR.
  • Que tanta luz acesa nessa casa, vai apagar, anda.
  • Vamos comprar um tamanho maior, você ainda vai crescer. (HAHA) @tassiw_
  • Cuidado para não manchar essa blusa, é nova. Vai tirar antes que acabe sujando.

Diversão

  • @LessaL – Se você chegar tarde… Você não sai nunca mais!
  • Quando que vai ser a festa? Onde vai ser? Quem é o pai dessa menina? Eu conheço? Volta cedo, juízo lá…
  • Tá cansado do quê? Quando eu te peço alguma coisa você tá cansado, agora se fosse pra SAIR nem precisa mandar.
  • @kraautz  – Quando sua mãe falar: “Volta cedo, meu filho, senão eu fico preocupada”. Você tem que obedecer, volte 6, 7 horas da manhã.

Computador

  • Desliga esse computador que tá chovendo de trovoada, e se queimar isso aí, eu não vou dar OUTRO. Ouviu, né?
  • Amanhã você NEM TOCA nesse computador. (Amanhã já está no computador e ela nem fala nada)
  • Vou começar a colocar hora pra usar esse computador ano que vem. (Todo ano ela diz a mesma coisa)
  • Se eu voltar pra casa e vc ainda estiver na frente desse computador, já sabe (Vc fica a tarde toda, e quando ela chega, vc sai)

Amizades / namoro

  • Amigos interesseiros é o que mais tem. Agora quando você precisa, não existe UM.
  • @LuuhWeber – “Foi primeira e última vez que você saiu com seus amigos”
  • Quem é aquele menino com quem você tava conversando? HMMMM, é seu namoradinho, é? Juízo, né, filha.
  • A mãe dos seus amigos é sempre a melhor mãe, eu nunca sou boa pra você. Só quero o teu bem, por isso eu cobro.
  • Esses teus amiguinhos estão te influenciando, você não era assim.
  • Eu falo, falo. Mas você prefere dar atenção para seus amiguinhos do que eu, que sou sua MÃE. Quero só o teu bem, filho(a).

Família

  • Olha o teu tamanho, quer brigar com teu irmão que é menor? Vai criar juízo.
  • Tudo é a mãe nessa casa? E o pai ninguém chama? Vou ficar louca um dia. (Drama)
  • Não sei, vai ver com seu pai, pergunta se ele vai deixar você sair. Tudo eu? Vai falar com ele, vai.
  • Mãe, posso sair? Pergunta para o seu pai. Pai, posso sair? Não sei, pergunta para sua mãe.

Frases compiladas do perfil @frasesdemae no Twitter.

Veja:  pesquisa completa – mais de 230 frases – e a análise de quem está por trás do @frasesdemae no Twitter

Se os homens amamentassem 08/06/2011

Posted by Marusia in Marusia fala, Múltiplas vozes, Web.
Tags: ,
3 comments

Blogagem coletiva proposta por Rede Mulher e Mãe

Sites visitados:

Por que o homem tem mamilos se eles não amamentam?

Bizarro, porém verdade: Machos podem produzir leite

Livro responde questões como “Por que os homens têm mamilos?”

Por que o homem tem mamilos?

Bombril: a marca que NÃO evoluiu com as mulheres

______

 

Com 3 anos, meu filho me perguntou:

- Por que homem não pode dar de mamar?

- Ué, porque só a mulher tem peito.

- Não. (Mostrando o mamilo): Eu também tenho peito.

Claro que explicar para uma criancinha sobre glândulas mamárias e tudo mais era muito. Dei risada mas fiquei me perguntando: Por que o ser humano macho tem mamilo, afinal?

Para minha surpresa, não era uma dúvida tão infantil assim. Houve gente fazendo pesquisa séria e até publicando livro sobre o assunto. Descobri, também, que na verdade é muito mais uma questão de hormônio do que estrutura mamária (fato: por conta dos hormônios na gestação, meninos podem nascer com leite no peitinho e meninas recém-nascidas podem ter uma “pseudomenstruação”).

Descobri até que houve casos de homens que amamentaram seus filhos. Fiquei pensando se a moda pega.

Se os homens amamentassem…

… os cuidados com os recém-nascidos seriam divididos. Pai e mãe revezariam nas mamadas. Com intervalos maiores para cada um, as rachaduras nos mamilos teriam mais tempo de recuperação.

… enquanto um dava de mamar, o outro poderia cuidar dos filhos mais velhos, amenizando o ciúme entre irmãos.

… a licença-maternidade seria de 6 meses para o casal. Assim, não haveria mais discriminação no mercado de trabalho, já que as condições seriam as mesmas para homens e mulheres.

… ficaria muito mais fácil a amamentação exclusiva dos gêmeos e trigêmeos, hoje tão comuns.

… ficaria muito mais tranquilo no caso de impedimentos para a mãe.

… teria muito mais gente para abastecer os bancos de leite humano.

… a amamentação em público seria vista com naturalidade, e não como um “atentado ao pudor”. Aliás, os homens já estão acostumados a ficar sem camisa.

… os homens poderiam vivenciar mais intimamente o vínculo físico com os filhos.

… as crianças chamariam indistintamente “mamãe” e “papai”.

Esse último tópico é digno de reflexão. Nós mulheres reclamamos de incompreensão por parte dos homens e imensa sobrecarga. Mas estaríamos nós dispostas a dividir esse poder? De não sermos “exclusivas” na preferência das crianças?

E mais: as mulheres aprovariam uma legião de homens tão “maternais”? Basta olhar as fotos de homens amamentando para que se gere automaticamente um sentimento de desconforto.

Já que os homens não amamentam…

… não sentem literalmente na pele e, por isso, para compreenderem a dimensão da tarefa, precisam ser INCLUÍDOS.

O homem deve olhar para seus próprios mamilos como lembretes: de que ele – aliás, toda a espécie humana – nasceu de uma mulher.

Vale lembrar que a amamentação é coisa recentíssima em nossa sociedade pós-guerra. Os homens simplesmente não entendem o valor de empunhar essa bandeira, que é a razão dessa blogagem coletiva.

Em vista do desrespeito descomunal com o que as mulheres vêm sendo tratadas, a reação raivosa é natural e mesmo a mais provável. Sim, é preciso divulgar e denunciar esse desrespeito, e é por isso que EU DIGO #BASTA.

Entretanto, como diz minha mãe, “não lamente o caos. Coloque nele o elemento faltante”. Desqualificar os homens, enquadrando-os como “Homers Simpsons”, egoístas, fracos para a dor, desorganizados, ineptos, grosseiros ou violentos NÃO AJUDA. Na menos pior das hipóteses, ficamos no zero a zero.

"Bombril: a marca que evoluiu com as mulheres". Se isso é evolução feminina, eu tô fora!

Não é observando o lugar atual do homem e se igualando na baixaria e truculência que a mulher vai encontrar o seu lugar. Tenho dois filhos homens e não é esse o legado que eu espero dar a essa geração. Se eu me apego a esse imaginário e martelo a mesma tecla dos valores distorcidos de uma sociedade doentia, o que posso esperar dos meus filhos? Que sejam “Homers Simpsons”?

Por isso, acredito em um posicionamento de respeito mútuo.

Finalizo o post com a frase que disse a meu filho de 3 anos:

- Você não pode dar de mamar, mas pode abraçar seu filhinho bem juntinho, para que ele escute o seu coração. Igual ao que o papai faz com você.

Anúncio Nívea Baby - coração com coração

Veja também:

Baixinho e careca

Quando não é possível amamentar – Marusia fala

Amar é…

100º post, 1 ano de blog 29/05/2011

Posted by Marusia in Marusia fala.
Tags: , ,
3 comments

Aniversário de 1 ano do Blog Mãe Perfeita! E post número 100! Para marcar esta ocasião tão especial para mim, resolvi desenvolver uma metáfora que me ocorreu quando estava grávida do meu caçula. E aproveito para agradecer cada visita, cada sugestão, cada link, cada retorno e mensagem carinhosa.

 Envelope

Estou grávida

Carrego dentro de mim um conteúdo muito precioso

Tal qual um envelope

Que mensagem eu trago comigo?

Um telegrama?

Isso que é entrega expressa!

Curto, objetivo, específico, direto, específico, imediato – fugaz – que não tem tempo a perder?

Um folheto de propaganda?

Slogan convincente, que alardeia ao mundo somente as maravilhas, que esconde os problemas, que compara (e diminui) os outros, com promessas de sucesso absoluto – que insiste na imagem mais perfeita da perfeição?

Um boleto bancário?

Com tudo o que deve ser pago, investido, poupado, aplicado, com planilhas de cálculos, fixando preços, valores, contas a prestar – com data certa e previsão de juros e multa?

Um formulário de pesquisa?

Muitas perguntas, interrogações, dúvidas – muitas lacunas a preencher, muitos campos obrigatórios?

Uma encomenda?

Em uma caixa muito bem embalada e lacrada, que atende aos requisitos da maneira exata, cumprindo fielmente o que foi predefinido e solicitado – que não tolera atrasos, que não tolera erros?

Ou uma carta de amor?

Imprecisa, às vezes engraçada, às vezes sem encontrar palavras, querendo acertar? Compromissada, às vezes meio doidinha, às vezes sem jeito, querendo melhorar?

Carta de amor de mãe e filho, de pai e filho, de irmão para irmão, de amor à família, de amor ao mundo, de amor à vida?

Selos produzidos pelos Correios da Turquia em homenagem ao Dia das Mães - 2009

Sim, quero enviar neste envelope uma linda carta de amor.

E já tem destinatário:

Esta é uma carta para ser entregue em mãos…

Nas mãos de Deus.

Ana Marusia Pinheiro Lima Meneguin – maio de 2011

Veja também:

Mãe Perfeita – Retrospectiva 2010

Decálogo dos meus desafios

Para as gravidinhas

Vida boa 28/05/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Frases.
1 comment so far

“A vida não precisa ser perfeita para ser maravilhosa.”

(Annette Funicello)

Foto: www.funnyanimalpictures.net

A Fada dos Dentes 18/05/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala.
Tags: ,
6 comments

A fase de troca de dentes é realmente muito interessante na infância. Antes da queda do primeiro dente de leite, a criança fica um pouco apreensiva. Claro, sempre há a dúvida de quando vai ocorrer, se vai doer para cair, se vai doer para nascer o permanente e assim por diante. Creio que, para facilitar o processo, inventaram a história da Fada dos Dentes. Um incentivozinho a mais.

Foto: Katmary / Flickr

Eu, particularmente, fui tomar conhecimento da Fada dos Dentes bem depois de crescida; não tinha tradição desse tipo de fantasia na família. Mas achei bacana a abordagem e resolvi fazer uso do expediente com meus filhos.

A troca dos dentes tem sido tranquila em casa. Eles acham um barato o dente mole, ficam alegres com o reforço monetário da Fada, enfim. Mas eles crescem, né? E aí começam a desconfiar das histórias.

Certa vez, o mais velho (na época com seis anos)  me perguntou:

- Mãe, Fada do Dente existe mesmo?

- Por quê?

- Porque eu quero saber se é de verdade ou é inventada.

Pensei, pensei, puxa, se disser que não, passo por mentirosa, né? E o que tem uma fantasia a mais? E se ele, sabendo a verdade, detonar com a fantasia dos irmãos mais novos? Saí-me com esta:

- Você quer que ela exista?

- Não sei, acho que sim.

- Quer que ela exista? – insisti.

- Quero.

- Então, pronto, ela existe para você, e é o que importa.

Foto: Katmary / Flickr

Ambos, eu e ele, ficamos satisfeitos com a resolução da polêmica.

Dias depois, um dos seus incisivos caíram. Ele deixou embaixo do travesseiro como de costume, à espera da Fada. No dia seguinte, com o dente na mão, me disse:

- Olha, mãe, o lençol atrapalhou a Fada.

- Cumequié?…

- O lençol é branco, Mamãe. Da cor do dente. A Fada não viu o dente, por isso não levou e não deixou moeda.

Olhei com “aqueles” olhares para o pai, o responsável logístico por deixar a moeda (que claramente esqueceu), ele ficou rindo. Concordei com meu filho:

- É mesmo, vamos colocar de novo, essa Fada tá meio míope.

Na manhã seguinte, a criança veio de novo:

- Ei, Mãe, dente quebrado vale menos?

- Cumequié???…

- Pois é, meu dente tava meio rachadinho, deve ser por isso que a Fada, em vez de me dar 1 real, me deu 25 centavos…

Lógico que havia alguém rindo pra caramba no quarto ao lado, que depois justificou para mim: “não tinha outra moeda na carteira…”

Foto: Katmary / Flickr

O Twitter “Mãe, por que…?” faz uma brincadeira, dizendo que a Fada dos Dentes ensina a garotada, de forma mercenária, a vender partes do corpo humano, o que é proibido por lei kkkkkkkkk!

Mas, desse episódio todo, só vi ganhos:

Percebi como meu filho tá esperto: fazendo conta de matemática, aplicando fundamentos da educação financeira, exercitando o raciocínio lógico. O mais importante, entretanto, foi vê-lo desenvolvendo a fantasia, arrumando argumentos altamente plausíveis para mantê-la viva.

Viva a fantasia! E nós, “gente grande”, somos os que mais precisamos dela!

(Meus filhos, até o momento, continuam acreditando na Fada dos Dentes.)

Foto: Katmary / Flickr

 
Veja também:
 

Biblioteca da Mãe Desencucada 07/05/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Livros, Marusia fala.
Tags:
2 comments

Mafalda, que que você deu para tua mãe no Dia das Mães? Um livro. Fala sério, que que você deu? Mas é sério, dei um livro. Um livro, sei, agora você está me achando com cara de bobo! Você acha que eu não sei que tua mãe já tinha um?

Ao longo dos anos desde que me tornei mãe, enfrentei várias fases. No início, com o primeiro filho, via um amor incomensurável mas também SOBRECARGA. Pensava que era “normal”, então me calei em um silêncio resignado e envergonhado. Senti SOLIDÃO. Em seguida, veio o sentimento de INADEQUAÇÃO, a PERPLEXIDADE. Que não me empurrariam para nenhum outro lugar diferente de uma posição de CONFRONTO. Essa fase foi a mais cruel.

Daí, comecei a descobrir nos livros gente que não apenas passou pelo que passei e sentiu o que senti. Era gente que já estava até teorizando a respeito do assunto.

Nesse Dia das Mães, quero “socializar” a informação. Dividir o percurso, atualmente em fase de TOMADA DE CONSCIÊNCIA, APAZIGUAMENTO. Melhor dizendo: DESENCUCAMENTO.

Já aviso de antemão: muitas vezes a inocência protege a gente. Ter acesso a determinados conteúdos internos é como tomar a pílula de Matrix.

Fase 1: É só comigo?

“Só depois de ter seu próprio bebê você descobre ‘A Verdade’ universal e irrefutável: criança chora mesmo!

“Mesmo a criança mais amada, cuidada, bem-tratada, saudável e feliz… chora. Mesmo as mais calminhas.

“[...] É claro, existem choros que indicam problemas: cólicas, fome, alguma dor, doença, maus tratos. Mas, excluídas essas possibilidades (e outras que eu possa ter esquecido) ainda assim ‘A Verdade’ é válida: criança chora mesmo.

“[...] Na verdade, as crianças não têm ainda maturidade emocional para falar para você: ‘Olha, mãe, não se preocupe, tá tudo bem, mas dá licença que agora me deu uma vontade de dar uma chorada boa, assim, só para relaxar, tá? Por favor, não me leve a mal’.”

CORRÊA, Laura Guimarães & OLIVEIRA, Juliana Sampaio. “Mothern: manual da mãe moderna”. São Paulo: Matrix, 2005 Pp50-51

“[...] a gravidez é uma péssima preparação para a maternidade. Quando ficamos grávidas, compramos roupas novas, cuidamos da alimentação, evitamos fazer esforço, colocamos os pés para cima e prestamos atenção permanente a qualquer mudança em nosso precioso corpo. [...] Quando o bebê chega, o que acontece? Nunca mais colocamos os pés para cima, usamos camisetas velhas cobertas de banana amassada seca e carregamos uma carga de chumbo o dia inteiro. [...]

“A gravidez só prepara você, realmente para o parto – que, embora duro, é, no fundo, um evento em que você é o centro das atenções. [...] Você nunca pensa em se preparar para todos os anos depois dessas poucas horas de emoção, quando você será apenas o pano de fundo para o crescimento do bebê e quando longe de elogiar seu desempenho – o mundo inteiro a culpa explicitamente por todo machucado, birra e mau comportamento de seu filho.”

PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 P15

Fase 2: Quero colocar a mão na massa

“Não é preciso dizer que, se você tem filhos, provavelmente possui o bom senso de saber que não conseguirá controlar tão cedo sua vida como mãe. Nem adianta tentar: isso também não a tornará mais feliz.”

ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008 P67

“Muitos papais e mamães ficam em sérias dificuldades ao tentarem colocar em prática aquelas ideias tão lindas que tinham em mente ao iniciarem o longo e delicado caminho da formação das novas gerações: ‘comigo vai ser diferente; não vou ser igual aos meus pais em nada…’, afirmam, convictos. Cheios de boas intenções lá vão eles e… de repente, as coisas deixam de ser tão simples e fáceis. Pelo contrário. O dia-a-dia parece se tornar muito, mas muito complicado mesmo.

“[...] Onde foi que eu errei? Perguntam-se, desesperados, os pais. Afinal, conversam, explicam, não agridem, não impõem, não batem, não castigam… e, no fim, a vida está virando um verdadeiro inferno, quanto mais fazem, mais os filhos querem que se faça.”

ZAGURY, Tania. “Limites sem trauma”. 43 ed.- Rio de Janeiro: Record, 2002. P15

Fase 3: Quero conhecer minha essência feminina

“Como alimentar a intuição para ela seja bem-nutrida e responda aos nossos pedidos de que esquadrinhe as cercanias? Nós a alimentamos de vida – ela se alimenta de vida quando nós prestamos atenção a ela. De que vale uma voz sem um ouvido que a receba?”

ESTÉS, Clarissa Pinkola. “Mulheres que correm com os lobos.” Rio de Janeiro: Rocco, 1994. P118

“A gravidez é um processo que afeta a identidade da mulher, altera seu senso físico e convida-a a reconsiderar vários aspectos dessa identidade: na relação com seu corpo, com o pai da criança, com seus próprios familiares, com os outros planos e esperanças para sua vida e com a imagem social da mulher grávida.”

GALLBACH, Marion Dauscher. “Sonhos e gravidez: Iniciação à criatividade feminina.” Ed. Paulus, 1995. P11

Passadas as fases iniciais, a coisa vai ficando mais punk. A fase seguintes são recomendadas SOMENTE PARA QUEM TEM ESTÔMAGO:

Fase 4: Quero conhecer as raízes históricas do mito da mãe perfeita (condições de produção do discurso)

“Enclausurada em seu papel de mãe, a mulher não mais poderá evitá-lo sob pena de condenação moral.

“[...] Ao mesmo tempo em que se exaltavam a grandeza e a nobreza dessas tarefas, condenavam-se todas as que não sabiam ou não podiam realizá-las  à perfeição.

[...] Tomara-se o cuidado de definir a ‘natureza feminina’ de tal modo que ela implicasse todas as características da boa mãe. Assim fazem Rousseau e Freud [...]: sublinham o senso da dedicação e do sacrifício que caracteriza, segundo eles, a mulher ‘normal’. Fechadas nesse esquema por vozes tão autorizadas, como podiam as mulheres escapar ao que se convencionara chamar de sua ‘natureza’?”

BADINTER, Elisabeth. “Um amor conquistado: o mito do amor materno”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. P238

“Nos anos 1990, o resultado acumulado da chuva de conselhos e ameaças é uma hiperconscientização em relação à maternidade, principalmente entre mulheres da classe média, muitas das quais trabalham e têm filhos depois dos trinta anos. As pressões atuais sobre as mães significam que essas mulheres embarcam na maternidade com uma culpa antecipada e assumem seu papel com um enorme grau de ansiedade, decididas a fazer tudo certo, decididas a não serem criticadas. A falta de apoio da sociedade em geral as deixa como trapezistas de circo voando sem rede de segurança, sem poder se dar ao luxo de um único erro. Tudo é sublimado em função das necessidades e desejos do filho.

“[...] Como a responsabilidade a culpa são de cunho pessoal e intransferível, a mãe se considera absolutamente indispensável e ninguém mais [...] para cuidar da criança. Para as não mães parece ridículo, mas ela, movida a culpa e medo, não consegue ver os excessos em suas ações. Aí estão os ingredientes da tragédia.”

FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999 Pp22-23

Fase 5: Quero a verdade, não me esconda nada

“É um caso clássico de que a literatura psicológica chama do paradoxo de ‘ser espontâneo’. ‘Confie em seus instintos’, recomendam os especialistas – e depois passam a ditar e controlar todo e qualquer ato das mães. A própria existência desses textos solapa [...] a confiança da nova mãe não só em seu próprio discernimento, como também na sabedoria acumulada das outras mulheres da mesma idade e das mais velhas.”

MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. P181

“Toda gestação, mesmo tratando-se de uma gravidez desejada, é potencialmente assustadora. Uma vez deflagrada, mostrará um poder maior que a vontade da mulher em cujo interior se desenvolve. Tudo o que nos coloca em uma posição indefesa, passiva, poderá ser sentida como uma evocação do nosso desamparo infantil e da insuficiência que sentíamos quando éramos incapazes de sobreviver sem ser alimentados, abrigados e carregados.”

CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011 P32

Por último…

Fase 6: Já sei disso tudo, agora quero canja de galinha

Descubra por que uma plantinha murcha pode ser o melhor presente do Dia das Mães:

Flores para o Dia das Mães

 

Flores para o Dia das Mães 07/05/2011

Posted by Marusia in Livros.
Tags: ,
2 comments

Flores para o Dia das Mães

Patricia A. Rinaldi

“Quando meu marido anunciou calmamente que, após onze anos de casamento, havia dado entrada em nosso divórcio e estava saindo de casa, meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. O menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Será que eu conseguiria nos manter unidos e passar para eles um sentido de “família”? Será que eu, criando-os sozinha, conseguiria manter o nosso lar e ensinar-lhes a ética e os valores dos quais certamente precisariam para a vida? A única coisa que eu sabia era que precisava tentar.

Frequentávamos a igreja todos os domingos. Durante a semana, eu arranjava tempo para rever os deveres de casa com eles e, frequentemente, discutíamos a importância de fazermos as coisas certas. Isso me tomava tempo e energia quando eu tinha pouco de ambos para dar. Mas o pior era não saber se realmente estavam absorvendo tudo aquilo tudo.

Ao entrarmos na igreja no Dia das Mães, dois anos após o divórcio, notei carrocinhas cheias de vasos com os as mais lindas flores ladeando o altar. Durante o sermão, o pastor disse que, a seu ver, ser mãe era uma das tarefas mais difíceis da vida e que merecia não só reconhecimento como, também, recompensa. Assim, pediu que cada criança fosse até a frente da igreja para escolher uma linda flor e entrega-la à mãe como símbolo do quanto era amada e estimada.

De mãos dadas, meu filho e minha filha percorreram o corredor com as outras crianças. Juntos, refletiram sobre qual planta trazer para mim. Nós havíamos passado momentos muito difíceis e esse pequeno gesto de valorização era tudo que eu precisava. Olhei aquelas lindas begônias, as margaridas douradas e os amores-perfeitos violetas e pus-me a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para mim, pois certamente trariam uma linda flor como demonstração do seu amor.

Meus filhos levaram a tarefa muito a sério e olharam cada vaso. Muito depois de as outras crianças já terem retornado aos seus lugares e presenteado suas mães com uma linda flor, meus dois ainda escolhiam. Finalmente, com um grito de alegria, acharam algo bem no fundo. Com sorrisos exuberantes a iluminar seus rostos, avançaram satisfeitos pelo corredor até onde eu estava sentada e me presentearam com a planta que haviam escolhido como demonstração de seu apreço por mim pelo Dia das Mães.

Fiquei olhando estarrecida para aquele pequeno ser roto, murcho e doentio que meu filho estendia em minha direção. Aflita, aceitei o vaso de suas mãos. Era óbvio que os dois haviam escolhido a menor planta, a mais doente de todas – nem flor tinha. Olhando para rostinhos sorridentes, percebi o orgulho que sentiam daquela escolha e, sabendo o quanto haviam demorado para selecionar aquela planta em especial, sorri e aceitei a lembrança.

Mais tarde, no entanto, tive de perguntar – de todas aquelas flores maravilhosas, o que os havia feito escolher justamente aquela para me dar?

Todo orgulhoso, meu filho declarou:

- É que aquela parecia precisar de você, mamãe.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, abracei meus dois filhos, bem apertado. Eles acabavam de me dar o maior presente de Dia das Mães que jamais poderiam ter imaginado. Todo o meu trabalho e sacrifício não havia sido em vão – eles iam crescer perfeitamente bem.”

 CANFIELD, Jack (org.). “Histórias para aquecer o coração das mães.” Rio de Janeiro: Sextante, 2002. Pp 133-135

Decálogo dos meus desafios 04/05/2011

Posted by Marusia in Frases, Marusia fala.
Tags: , ,
5 comments

Imersa em um turbilhão de pensamentos e sentimentos e tendo que administrar expectativas e cobranças, estou, aos poucos, em busca de equilíbrio. Escrever me faz bem, e o registro é importante para internalizar, compreender e só então deixar fluir. Diria que estou em processo. Resolvi organizar tudo em dez propósitos.

O que quer que eu faça com meus filhos:

1.  vou fazer sem esperar algo em troca.

Penso em minha infância. Nossa, para mim seria um fardo muito grande se meus pais contabilizassem cada gesto para cobrar a conta depois. Além disso, vou procurar observar que dar e receber são dois lados da mesmíssima moeda.

Montagem sobre charge de Piero Tonin

2. vou fazer sem esperar gratidão.

Permito-me voltar novamente e lembrar quando eu era pequena. Eu não enxergava o que meus pais faziam por mim como algo que eu devesse expressar continuamente minha gratidão. Não porque eu era ingrata ou incapaz de dar o reconhecimento que eles mereciam. É apenas um traço típico da infância. Crianças têm um mecanismo interno de proteção psíquica que as torna propícias a receber cuidados sem se sentirem em eterno débito. Em outras palavras, tudo o que os pais fazem, na cabecinha delas, é absolutamente natural.

“Suportar a dependência é uma capacidade própria da infância.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011 P250)

Gratidão, portanto, é uma coisa que devemos adquirir à medida que crescemos e ficamos autônomos. Para que as crianças aprendam, é importante os pais darem o exemplo: nem sempre nos lembramos de agradecer nossos filhos.

3. vou fazer sem pensar no que os outros vão achar.

O dia-a-dia da maternidade já é bastante complexo para ficarmos tentando “agradar à plateia”.

“Quantas chances desperdicei quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém.” (Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha)

4. não vou fazer só porque os outros estão fazendo.

Cada criança é um indivíduo, cada família tem sua realidade. Não é porque todo mundo está fazendo que é a atitude mais adequada para meu caso. E, para alcançar esse discernimento, devemos observar e ficar sensíveis ao que se passa em nossa casa.

Cada vez que almejamos o lugar do outro, deixamos nosso lugar vazio.

5. não vou fazer somente por obrigação.

Se não houver prazer, a maternidade pode se tornar um peso insuportável. Estou atrás de mais espontaneidade.

Montagem sobre charge de Amâncio

6. não vou fazer por medo.

O medo é uma emoção perigosa. Não é a mesma coisa de ter prudência ou precaução. É um sentimento que paralisa. Está na raiz de toda emoção negativa: ciúme é medo de perder; inveja é medo de fracassar; e assim por diante.

“Ei, Medo! Eu não te escuto mais! Você não me leva a nada. E se quiser saber pra onde eu vou, pra onde tenha sol: é pra lá que eu vou.” (Antônio Júlio Nastácia)

7. não vou fazer por culpa.

Esse propósito está no mesmo rol dos dois primeiros, tem a ver com algo que ficamos “computando”, “calculando” para compensar uma suposta ausência, uma omissão. Às vezes fazemos isso até por antecipação, prevendo uma falta futura e já amealhando “créditos”. Culpa é um sentimento torturante, melhor substituir por uma responsabilidade sadia, sem “cálculos”.

8. vou fazer sem raiva.

É muito fácil perder a paciência às vezes. Mas fazer uma coisa com raiva é certeza de arrependimento depois. Não significa “ter sangue de barata” e ficar serena e linda o tempo todo. Faço questão de assinalar para meus filhos algo que tenha me irritado: é uma questão de transparência didática, tenho esse direito. Mas meu desafio agora é procurar me acalmar antes de tomar qualquer atitude.

9. vou fazer por eles, com consciência de que também vou fazer algo pelo casamento – e algo por mim.

Um grande equívoco é cuidar das crianças achando que isso está colaborando para o casamento. Todo relacionamento merece seu próprio cuidado. Não que a criação dos filhos e a relação do casal sejam coisas concorrentes ou excludentes. Diria que são coexistentes e devem estar em harmonia, até para incluir o pai no processo. Crianças tomam um tempão da nossa atenção, mas também devemos abrir espaço para estarmos enamoradas. Ah! E um momento para cuidar de nós mesmas, claro.

"A preguiça é a mãe de todos os vícios, mas uma mãe é uma mãe e é preciso respeitá-la, pronto!" Charge de Quino

10. Pensando bem, nove propósitos é muita coisa. Vou substituir tudo por um só: Vou fazer por e com amor.

“Meu amor, minha prenda encantada

Minha eterna morada

Meu espaço sem fim

Meu amor não aceita fronteira

Como a primavera

Não escolhe jardim”

(Silvio Rodriguez)

Veja também:

Os perigos de ser uma mãe perfeita

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Lei da Palmada

Conselhos que amei 27/04/2011

Posted by Marusia in Frases, Marusia fala.
Tags: , , , , ,
9 comments

Foto: Anne Guedes

 
Sempre se fala da “chuva de palpites” a que uma grávida, mãe de primeira viagem (ou até de terceira viagem, como eu) está sujeita. De fato, em certos momentos, muitas intervenções, de fontes e conteúdos tão variados, podem acabar confundindo. Mas hoje quero falar de conselhos campeões, desses que fizeram e continuam fazendo a diferença e que faço questão de compartilhar: os conselhos que amei.

De minha irmã, Maria: “Não espere a barriga crescer para passar hidratante.”

A pele tem que estar previamente preparada e hidratada, logo no comecinho da gravidez, mesmo quando a barriga ainda não apareceu. Assim, você evita que a pele fique sensível e frágil, o que pode originar estrias e manchas. A bem da verdade, a hidratação é bacana mesmo quando não estamos grávidas, é um ritual que merece ser diário.

 Da minha amiga Luciana: “O bebê suga com muita força logo na primeira mamada.”

Eu tinha uma ideia de que a amamentação não é tão simples no começo, mas pensava que isso decorresse da frequência de mamadas, e não da força de sucção e da pega do bebê. A frase de Luciana foi ótima para eu não ser pega de surpresa (com perdão do trocadilho rsrsrs)!

Da minha irmã, Maria: “Tudo passa.”

No pós-parto, quando a gente tem a sensação de que está no meio do furacão, com milhares de hormônios à flor da pele, de novas incumbências e emoções inéditas, tende a não acreditar nessa verdade. Mas, se nos permitimos aceitá-la, seu poder é libertador. Tudo passa. E passa rápido.

Da minha amiga Daniela, quando eu esperava o segundo filho: “Quando o bebê nascer, seu filho mais velho vai parecer muito grande.”

Isso é muito correto e valioso. Meu primogênito tinha somente 2 anos quando minha filha nasceu, mas pareceu um gigante perto da recém-nascida. O perigo, sabiamente alertado por Daniela, era agir como se ele já estivesse crescido e maduro. Foi ótimo, para que eu tivesse o cuidado de não exigir posturas e comportamentos para muito além da idade dele. Afinal, ele era um bebê, também, com necessidades e dengos, encarando a circunstância absolutamente nova da chegada de um irmão com quem teria que dividir a atenção dos pais.

 Do meu irmão, Jr: “Criança tem prazo de validade de alegria.”

Ficar atento a esse sábio conselho é evitar muita chateação. Quando o “prazo de validade de alegria” de uma criança se esgota, é sinal de que está na hora de voltar para casa e descansar. Insistir é arcar com as consequências de uma criança irritada, que vai fazer de tudo para tirar a gente do sério, e aí o passeio já perde o sentido. É importante lembrar que, ao levar uma criança para um “esquema de adulto”, sem atividades que a incluam e divirtam, o “prazo de validade” dela fica mais curto. Isso explica em parte as birras em supermercados e shopping-centers.

Do pediatra das crianças (que foi meu pediatra): “Toque seus filhos.”

Fala-se tanto em shantalla, massagem no banho, necessidade de colo, de contato pele-a-pele com os bebês. Basta a criança começar a crescer para o carinho rarear. Pois isso não é só com os bebês, não! Crianças de 8, 9, anos, adolescentes, mesmo os adultos precisam de abraço, do calor do toque dos pais. Chega a ter poder terapêutico, profilático, de cura mesmo.

 Da minha mãe: “Se quiser, você pode manter suas atividades, pode trabalhar fora. Mas é muito importante estar em casa na hora de colocar seus filhos para dormir.”

A hora de dormir realmente é sagrada e tem uma representação diferente na cabeça das crianças, de aconchego, de acolhimento. Vale a pena experimentar.

E você? Tem um conselho campeão?

Veja também:

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses - Marusia fala
Feche a boca e abra os braços

Encontrando Nemo 17/04/2011

Posted by Marusia in Frases.
Tags: ,
2 comments

Disney Pixar 2001

Marlin: “Eu prometi que nunca deixaria nada acontecer com ele…”

Dory: “Coisa engraçada de se prometer. Se você deixar nada acontecer com ele, aí nada vai acontecer com ele. Não seria bacana pro Nemo.”

“Procurando Nemo”. Disney Pixar, 2001.

Os perigos de ser uma mãe perfeita 08/04/2011

Posted by Marusia in Marusia fala, Web.
Tags:
7 comments

Blogagem Coletiva Maternidade Real

Blogagem coletiva proposta por Carol Passuelo.

Toda mãe já se deparou com o alerta de que a perfeição é uma coisa inatingível, impossível, inviável. Ainda assim, muitas vezes a gente se deixa seduzir pela ideia. O que nem todo mundo sabe é que a busca por ser uma mãe perfeita não é somente infrutífera. Ela pode surtir o efeito contrário.

Exatamente por já ter caído igual a uma patinha nessas armadilhas, que compartilho aqui. São tantos os perigos que não couberam em um post só, deram origem a uma série (cada título é um link):

1. O que é ser mãe perfeita hoje?

     A todo momento surge uma teoria nova que põe por terra as teorias anteriores. Quem vai arriscar?

2. Ser perfeita vale o esforço?

     O tempo que dedicamos a sermos perfeitas, estamos perdendo em relação ao que realmente importa: sermos mães REAIS.

3. Você já combinou com os russos?

   A maternidade que idealizamos nem sempre corresponde ao que os principais interessados – os filhos – querem ou necessitam.

4. Mãe perfeita quer família perfeita

    E às vezes a família não quer ser perfeita.

5. Vá pela sombra

    Quanto mais obstinada for nossa busca pela perfeição, mais poderosa, perigosa e incontrolável fica a nossa “mostra interior”. Vai encarar?

6. Cresça e Apareça

   “Educar é a arte de tornar-se desnecessário”, diz o psicanalista Paulo Gaudêncio.

7. Parou por quê? Por que parou?

     Parar para pensar não é o mesmo que parar de pensar. Mania de perfeição gera estagnação.

PS: A imagem do selo da Blogagem Coletiva é muito semelhante à que ilustra a medalha-símbolo do blog. Feliz coincidência, porque a proposta é essa: sair da “maternidade dourada”, solidificada no metal, e ir lá fora brincar com as crianças no sol.

Perigo de ser mãe perfeita 1 – O que é ser mãe perfeita hoje? 08/04/2011

Posted by Marusia in Livros, Marusia fala, Múltiplas vozes.
Tags: ,
add a comment

O problema já começa no conceito. Queremos ser perfeitas, mas não temos muita noção do que isso significa. É, porque toda hora esse referencial muda. Sabe a sensação de “mudar a regra no meio do jogo”? Ou “trocar o pneu com o carro andando”? Mais ou menos isso.

Hoje, o que está em voga é a mãe perfeita natureba. Acontece que, há bem pouco tempo, mãe perfeita tinha que ter o parto no hospital, que afirmavam ser mais “científico” e seguro; dar leite artificial e farinha láctea na mamadeira, que diziam ser mais prático e mais nutritivo, além de permitir independência à “nova mulher moderna”; ser produtiva, desde que dedicasse “tempo de qualidade” aos filhos.

Há apenas uma geração atrás, mãe perfeita enfaixava o umbigo, dava de mamar de 3h/3h, oferecia chazinho de camomila à noite, punha para dormir de bruços, entupia o bumbum DO bebê de talco, dava biotômico Fontoura. Benzetacil era a promessa de cura para todo e qualquer mal. Tudo era meticulosamente esterilizado e haja álcool, inseticida e antibacteriano. Depois de criar um batalhão de alérgicos e ressuscitar superbactérias, trouxeram de volta a ideia da “vitamina S” e “se sujar faz bem”.

Pois ainda houve época em que se aconselhava deixar os filhos chorando, para não ficarem mimados. Aliás, diziam que chorar fazia bem para o pulmão. Que todos os banhos deveriam ser gelados, para aumentar a imunidade. Na década de 1970, era o oposto. Criança tinha que ser plenamente satisfeita, para não ficar traumatizada. Em seguida, mudaram o discurso: tem que impor limites.

Do meu primogênito ao caçula, descobri que tinha que esfregar os mamilos na gestação – depois, não podia mais, não; que o bebê tinha que dormir de lado – depois, não podia mais, não. Enfim. O que não falta é teoria.

Alegam que hoje, finalmente, encontramos o mix perfeito, que somos muito mais informadas que nossas mães, e que a ciência encontrou seu ápice. Pois nem quero pensar o que nossos filhos vão achar de nós quando eles tiverem filhos rsrsrs!

“Uma escritora famosa, mãe de muitos filhos, disse-me que teve cada filho numa década diferente criou cada um segundo o método vigente no momento, com um conjunto de regras diferente e conflitante a cada vez. Se a cada nascimento de um filho ela tivesse acreditado nas palavras da sumidade da moda, concluiria que a vida do filho anterior estava irremediavelmente arruinada.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

“Nós, da geração pós-feminista, parecemos ter perdido o respeito pela sabedoria de mulheres que trilharam o caminho da maternidade antes de nós. Como em todos os casos de jogar fora o bebê com a água do banho, essa foi uma perda incalculável. Em certa medida, o que não sabemos sobre a maternidade é o que nos recusamos a ouvir e ver na vida de mulheres que nos cercam, com a presunção arrogante de que somos únicas, de que vamos ser diferentes.”

(MAUSHART, Susan. “A máscara da maternidade: por que fingimos que ser mãe não muda nada?” São Paulo: Editora Melhoramentos, 2006. Pp184-185)

Minha mãe não fez curso de puericultura nem leu as toneladas de livros e artigos que eu li. Mas sabia como ninguém cantar para nós dormirmos. E tinha uma coisa especial que não está em livro algum, sobrevive a qualquer teoria e vai atravessar os tempos: LEVEZA. Algo que é totalmente impossível de alcançar quando se tem perfeccionismo.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

De mãe para filha

Você está esperando seu filho há muito mais de nove meses – Marusia fala

Perigo de ser mãe perfeita 2 – Ser (ou parecer) perfeita vale o esforço? 08/04/2011

Posted by Marusia in Análise, Estatísticas, Livros, Marusia fala.
Tags: , ,
add a comment

“Mãe perfeita:

  • Sorri serenamente
  • Tem uma casa impecável
  • Pega uma fralda e a transforma numa pipa
  • Lê livros sobre o desenvolvimento das crianças
  • Nunca levanta a voz.”

(PURVES, Libby. “Como NÃO ser uma mãe perfeita”. São Paulo: Publifolha, 2003 – quarta capa)

 “Veja um exemplo parcial do que as mães nos disseram que PRECISAVAM executar:

  • Passar tempo de qualidade com cada filho individualmente [...] e família.
  • Parecer descansada, descontraída, em forma e na moda – mesmo com um orçamento apertado e poucas horas de sono.
  • Fazer um jantar delicioso e nutritivo toda noite e conseguir que as crianças o comam.
  • [...] Avaliar todos os prestadores de serviços: médicos, babás, professores.
  • Controlar todas as flutuações de humor de… todo mundo.
  • Voltar do trabalho com toneladas de energia para gastar com seus filhos.”

(ASHORTH, Trisha & NOBILE, Amy. “Eu era uma ótima mãe até ter filhos”. Rio de Janeiro: Sextante, 2008, p35)

Diana e Mário Corso também identificaram outra lista de pressões:

  • Ser bem-sucedida na profissão e no trabalho;
  • Ter participação no mundo, engajar-se em causas sociais;
  • Ser atraente para o marido;
  • Ser alegre e criativa com as crianças, como Mary Poppins.

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p87)

A busca pela perfeição não é mole. Em nenhuma ocupação humana. Mas a busca por ser mãe perfeita consegue ser a mais exaustiva de todas. Porque são muitíssimas as variáveis: comportamento, casa, corpo, saúde, relacionamento, intelecto, tempo, trabalho, causas sociais, tudoaomesmotempoagora, tudo irretocável.

Tudo tem que estar planejado nos mínimos detalhes, sem nenhum furo. E quem disse que a maternidade é “controlável”? Pelo contrário. Não há coisa mais fora de controle.

Aí, claro que nosso ideal de mãe perfeita se encaminha para um lugar ermo. Vou no popular: vai para a cucuia. Mas nós não queremos dar o braço a torcer: continuamos perfeitas nem que seja na fachada.

Uma pesquisa no Reino Unido mostrou que:

“69% das cinco mil mulheres inquiridas admitiram ter escondido a verdade sobre a facilidade com que lidam com as exigências da vida familiar. [...] Apesar de 64% das mães reconhecerem que é impossível ser a “mãe perfeita”, 41% sentem-se culpadas por não conseguirem alcançar esse ideal.”

(Mães mentem sobre forma como cuidam dos filhos. Disponível em: <http://www.mae.iol.pt/maternidade/maternidade-mae/1233026-5535.html> março de 2011)

Quase 70% admitiram que mentiam. Não ponho minha mão no fogo pelos 30% restantes, não. Mas 70% é um número considerável.

O negócio é que, tal qual a busca pela perfeição, segurar essa fachada NÃO É MOLE. Para dizer a verdade, é MUITO mais desgastante que as exigências da maternidade em si.

São necessários oito braços para fazer tantas tarefas. Mas apenas dois para abraçar seu filho.

 Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série

O sacrifício faz de você uma mãe melhor?

Tô ocupada

Perigo de ser mãe perfeita 3 – Você combinou com os russos? 08/04/2011

Posted by Marusia in Divirta-se!, Marusia fala, Múltiplas vozes.
Tags: ,
add a comment

Reza a lenda futebolística que o jogador Garrincha, ao ser informado pelo treinador da seleção que bastaria driblar todos os adversários e fazer o gol para vencer a Rússia, perguntou: “Mas vocês já combinaram isso com os russos?”

Aproveito a deixa do Garrincha para refletir. A gente adota um modelo de mãe perfeita. E os filhos? Estão sabendo disso? Concordam?

Li a respeito de uma pesquisa com crianças inglesas (ingleses são doidos por uma pesquisa, né não?), sobre como deveria ser a mãe perfeita. Reuni as respostas em quatro grupos:

  • Intelectual – Ajuda no dever de casa (73%) e Lê histórias antes de dormir (43%)
  • Amorosa – Dá muitos beijos e abraços (63%) e Está sempre presente quando chamada (51%)
  • Mestre-cuca – Faz bolos caseiros (65%), Permite que as crianças ajudem a cozinhar (60%) e Faz o lanche da escola todos os dias (58%)
  • Brincalhona – Adora brincar (69%), Leva a criança ao parque regularmente (54%) e Gosta de se sujar no jardim (41%)

De cara, já fiquei “de cara”. Minha parcela mestre-cuca deixa muito a desejar (quer dizer que a história de “avental sujo de ovo” tem fundamento??). Também não gosto de me sujar no jardim. Oras, de repente, é o que os inglesinhos pensam, não sei se dá para aplicar à realidade brasileira.

Mãe Maravilha

Então, como boa mãe “noiada”, resolvi fazer uma enquete em casa:

- O que você acha que mamãe tem que fazer?

- Brincar mais.

- Ué, mamãe não brinca?

- Brinca, mas tem que brincar mais.

(A que insiste)– Quando vc tiver seus filhos, o que você vai fazer com eles?

- Brincar muito.

- E se eles fizerem coisa errada?

- Vou falar com eles e botar no cantinho.

Oh, yes! Fiquei satisfeita com o resultado (ninguém falou em bolo rsrsrsrs), apesar da amostra viesada e suspeita pra falar kkkkk! A parte da disciplina tá ok!

Quanto ao “brincar mais”, só reduzindo a perfeição de cada um dos outros níveis. Tá combinado com os russos.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte II: As contradições

Perigo de ser mãe perfeita 4 – Mãe perfeita quer família perfeita 08/04/2011

Posted by Marusia in Livros, Marusia fala.
Tags: , ,
add a comment

Esse item é primo do item 3. Quem foi que disse que nossos filhos querem ser perfeitos? Que nosso marido quer ser perfeito? Ou seja, a gente endoida e quer endoidar todo mundo também, para que eles se encaixem em padrões que NÓS criamos. E nossa família pode simplesmente não estar a fim.

Além disso, ser mãe perfeita significa nunca falhar. Nunca errar.

“Hoje, qualquer mulher que decide ser mãe o faz com o cuidado e o medo de quem desarma uma bomba.”

“Vemo-nos refletidos das promessas de sucesso ou fracasso de nossos filhos, enquanto antes era o contrário, era nos antepassados que vinha nosso valor. Em função disso, como sabemos que tudo o que fizermos ou pensarmos influenciará o destino deles, nunca tivemos tanto medo de errar.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p54 e p108)

E mais: a mãe perfeita passa o exemplo de que os filhos também não podem falhar. Por medo do fracasso, eles evitam se aventurar, experimentar, CRIAR.

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 5 – Vá pela sombra 08/04/2011

Posted by Marusia in Livros, Marusia fala.
Tags: ,
add a comment

Alguma vez você já agiu de modo esquisito, como se não fosse você? Tipo explodir e não se reconhecer depois? Eu chamo de “despertar da monstra”. O psicólogo Carl Jung chamou de “manifestação da Sombra”.

A Sombra é um aspecto da personalidade que se alimenta de tudo o que a gente rejeita, de tudo o que a gente não quer ser. Essa repressão de emoções negativas é útil para a vida em sociedade, mas a negação absoluta desse nosso “lado B” pode se transformar em uma bomba-relógio.

Quanto mais perfeita a mãe quer ser, mais lixo ela empurra para debaixo do tapete de sua psique. Quanto mais luz ela joga na perfeição, maior fica sua Sombra. E quanto mais a Sombra é ignorada, mais poderosa, perigosa e imprevisível ela fica. Parece até história de “dupla-personalidade”.

Aí, entra em cena o “triângulo nefasto”: frustração – explosão – culpa. É o que explica quando a gente se comporta de modo explosivo com as crianças, se arrepende e se pergunta depois: “fui eu mesma que fiz essas coisas?” E haja culpa!!!

Há outra manifestação da Sombra que é batata: julgar os outros. Só conseguimos identificar nos outros o que temos dentro de nós.

“Não aceitamos nos outros o que não aceitamos em nós mesmos.”

(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p37)

“Precisamos culpar alguém pela nossa imperfeição.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p117)

Charge: Matt Golding

Então, é bom ficar atento. Se a “monstra” de quando em quando está mostrando a cara (à nossa revelia), e estamos nos dedicando muito a julgar as outras mães e culpá-las, devemos fazer uma pausa para olhar debaixo do tapete e admitir que somos duais: pessoas muito legais, mas ao mesmo tempo com problemas. Somos humanas. E isso não é ruim, não. Assumir é fazer amizade com a Sombra. Lulu Santos já cantava: sem escuridão, não haveria luz.

“Somos imperfeitos, por mais que neguemos. Naquilo que não aceitamos em nós mesmos – agressividade, vergonha, culpa, dor – descobrimos nossa humanidade”.

(ZWEIG, Connie & ABRAMS, Jeremiah (orgs.) “Ao encontro da Sombra”. São Paulo: Cultrix, 1991, p27)

"Mãe, eu posso ser uma sombra cheia de más intenções?" Charge: Stuart

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita - Toda a série

Perigo de ser mãe perfeita 6 – Cresça e apareça 08/04/2011

Posted by Marusia in Livros.
Tags:
add a comment

“O mito da maternidade é o mito da ‘Mãe Perfeita’. Ela deve ser completamente devotada não só aos filhos, mas a seu papel de mãe. Deve ser a mãe que compreende os filhos, que dá amor total e, o mais importante, que se entrega totalmente. Deve ser capaz de enormes sacrifícios.”

(FORNA, Aminatta. “Mãe de todos os mitos: como a sociedade modela e reprime as mães”. Rio de Janeiro: Ediouro, 1999)

Com essa entrega total, que inevitavelmente corresponde a uma auto-anulação, a mãe perfeita procura cercar o filho para que nada lhe falte, nada lhe incomode. O filho não tem sequer a oportunidade de sentir necessidade: a mãe lhe antecipa tudo. Lógico que essa proteção é fundamental para o bebê. O problema é quando ela se prolonga para sempre.

Isso cria um laço de eterna dependência e dificulta a construção da individualidade por parte da criança. O filho também fica sem “lastro” para a frustração, porque nunca a experimentou.

“Uma mãe, mais do que aquela que se faz imprescindível, seria a que permite que o filho construa nela, através dela e mesmo longe dela, um espaço para si.”

(CORSO, Diana Lichtenstein & CORSO, Mário. “A psicanálise da Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia”. Porto Alegre: Penso, 2011, p219)

Acho que a mãe perfeita nunca se deu conta de que sua perfeição pode prejudicar os filhos – justamente seu maior medo.

A banda Ultraje a Rigor fez uma brincadeira que ilustra isso muito bem:

“Meus dois pais me tratam muito bem

(O que é que você tem que não fala com ninguém?)

Meus dois pais me dão muito carinho

(Então porque você se sente sempre tão sozinho?)

Meus dois pais me compreendem totalmente

(Como é que cê se sente, desabafa aqui com a gente!)

Meus dois pais me dão apoio moral

(Não dá pra ser legal, só pode ficar mal!)

[...] Meus pais não querem que eu fique legal

Meus pais não querem que eu seja um cara normal

Não vai dar, assim não vai dar

Como é que eu vou crescer sem ter com quem me revoltar?

Não vai dar, assim não vai dar

Pra eu amadurecer sem ter com quem me rebelar?”

(“Rebelde sem causa” – Ultraje a rigor. Composição: Roger Moreira)

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – Toda a série

Viajando com crianças. Parte V: A alegria

Perigo de ser mãe perfeita 7 – Parou por quê? Por que parou? 08/04/2011

Posted by Marusia in Frases.
Tags:
2 comments

Perfeito é algo que não tem mais o que melhorar. Como mães perfeitas, portanto, nos apegamos a uma verdade absoluta e pronto. Estamos sempre certas. Não nos abrimos para o aprendizado, não nos permitimos evoluir.

“Um expert é um sujeito que parou de pensar. Para que pensar, se ele é um expert?” (Frank Lloyd Wright)

Proibido parar e estacionar!

Veja também:

Os perigos de ser mãe perfeita – toda a série

Aprendizado 01/04/2011

Posted by Marusia in Frases.
Tags:
1 comment so far

“Conta-me e esquecerei.

Ensina-me e lembrarei.

Envolve-me e aprenderei.”

(Benjamin Franklin)

Saúde infantil 23/03/2011

Posted by Marusia in Web.
Tags:
2 comments

O post “Saúde é coisa séria” fala sobre a importância do diagnóstico médico quando as crianças adoecem.

Mas o que fazer quando até mesmo os médicos se veem diante de um desafio? Nesse caso, família, amigos, especialistas se unem em prol de um valioso objetivo: apoiar outras pessoas com o mesmo problema, seja estudando uma doença em busca da cura, seja oferecendo carinho.

A seguir, estão os sites de organizações, institutos, associações de gente disposta a ajudar, promovendo a saúde das crianças e o bem-estar de suas famílias. Se você conhecer outras entidades que tratem especificamente da saúde infantil, deixe um comentário para que eu possa incluí-las.

 Doenças

Deficiências

Síndromes

Transtornos

Para dar alegria e conforto

  • Instituto Abrace – amparo e conforto aos pais de crianças internadas em UTI 
  • Doutores da Alegria – alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde 
  • Make a wish Brasil – realização dos desejos de crianças com enfermidades que colocam em risco as suas vidas 

Prevenção

  • Criança Segura – prevenção de acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos

Saúde é coisa séria 21/03/2011

Posted by Marusia in Análise.
Tags:
add a comment

Uma regularidade que me chamou a atenção, nas revistas que se dedicam à criação de filhos, foi a abordagem acerca da saúde infantil. Diversas publicações, em diferentes edições, preferiram tratar o tema de uma forma mais “cor-de-rosa”, com eufemismo, como uma brincadeira.

Revista Crescer Set. 2001

Revista Crescer, Jun. 2002

Revista Crescer Especial Bebê

Revista Pais e Filhos, Set. 2001

Revista Meu Nenê, março 2001

Revista Crescer, Mai. 2005

Revista Claudia Bebê, Mai. 2010

Isso que se mantém, no discurso, é chamado de paráfrase. É o que constitui a memória, a matriz do sentido. Eu quis, então, descobrir como se deu essa construção.

Penso que essa abordagem das revistas se dá por cinco razões:

  1. Preferência por levar uma mensagem de esperança, de que “vai sarar”;
  2. Insistência na visão de um mundo perfeito, compatível com o que é apresentado na mídia de forma geral;
  3. Linha editorial que não permite imagens chocantes ou que desencadeiem algum conflito ético;
  4. Preservação das crianças.

 A única imagem diferente que vi, dentro das revistas que compõem meu “arsenal”, me partiu o coração. Observar aquelas carinhas tão tristinhas (isso porque era uma doença comum, como a gripe) me fez rever a crítica em relação ao modo como as revistas enfocavam o assunto:

Revista Crescer, Abr. 2005

Também me fez pensar sobre a dificuldade de encontrar quem se dispusesse a deixar essas fotos registradas. Ora, quem quer eternizar a imagem de um filho logo quando ele está doentinho? Pelo contrário, todos querem suas crianças em seus melhores momentos nos murais:

Revista Pais e filhos, Jan. 2002

Revista Crescer, Abr. 2005

Site Pais e filhos

5.  Por último, acredito que a revista realmente não é, nem deve ser, o veículo que vai tratar o assunto da saúde infantil com profundidade. Isso é prerrogativa dos médicos, e a editora não vai querer ultrapassar esse limite.


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 30 other followers